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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Clima incerto e tragédia previsível

4/12/2008

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – A relação entre as mudanças climáticas globais e os fenômenos que deixaram mais de uma centena de mortos e cerca de 80 mil desabrigados em Santa Catarina é ainda uma incógnita. Mas a relação entre a tragédia e o fracasso das políticas de acesso à moradia e de ocupação do espaço urbano é uma certeza, de acordo com Wagner da Costa Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).

Durante o seminário “Controle de Enchentes – 10 Anos do Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, que terminou nesta terça-feira (3/12), em São Paulo, Ribeiro também ressaltou a necessidade de aperfeiçoamento dos sistemas de previsão do clima e de inundações.

Segundo ele, as mudanças climáticas poderão aumentar os riscos de eventos extremos – como as chuvas que causaram as inundações em Santa Catarina –, criando a necessidade de adaptações. Mas, antes de pensar em problemas futuros, será preciso encontrar soluções para os antigos.

“Os problemas que precisamos enfrentar imediatamente são resultado do processo brasileiro de urbanização. As mortes em Santa Catarina estão relacionadas à nossa política de acesso à moradia e não à mudança climática”, disse o geógrafo.

Segundo ele, as conseqüências das mudanças no clima precisam ser levadas em conta, mas elas ainda estariam inseridas em um quadro de incerteza – isto é, um cenário no qual estaria confirmada a possibilidade de ocorrência de certos eventos sem que se possa definir sua probabilidade.

“Vetores importantes, como o aumento na temperatura e a variação de chuvas, ainda não são conhecidos com precisão. Por isso, não se pode aferir os impactos das mudanças climáticas nas cidades brasileiras. Mesmo assim, temos que trabalhar com o pior cenário possível para pensar em adaptações”, afirmou.

De acordo com Ribeiro, a maior freqüência de chuvas causada pelas mudanças climáticas, se for confirmada, vai agravar problemas já conhecidos.

“Cuidar das áreas de risco hoje, no caso do Brasil, é pagar uma dívida social – não se trata de prever mudanças climáticas. Trata-se de reparar um processo de urbanização muito intenso que ocorreu sem planejamento, dirigido sob uma lógica de mercado e exploração imobiliária agressiva”, destacou.

Para Luis Carlos Molion, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), as mudanças climáticas não tiveram relação com as chuvas torrenciais que devastaram Santa Catarina.

“Os impactos desastrosos das chuvas em Santa Catarina não são conseqüência do aquecimento global, mas do péssimo planejamento da ocupação do espaço. Muita gente foge da região ribeirinha para evitar inundações e se instala nas encostas. As mortes ocorreram nessa situação”, afirmou.

Molion, conhecido por fazer críticas severas às conclusões do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), afirma que as mudanças climáticas estão mais ligadas a fenômenos naturais que ao aumento de emissões de carbono pela atividade humana.

“Chuvas como essas já ocorreram no passado. A mais recente aconteceu em maio de 1983, mas também houve desastres naturais semelhantes no Vale do Itajaí nas décadas de 1950 e 1960. Os primeiros registros são do século 19”, afirmou.

A hipótese levantada por ele é que as variações na temperatura do oceano Pacífico controlam grande parte das oscilações climáticas. “O Pacífico teve fases de aquecimento entre 1925 e 1946 e entre 1977 e 1998. Esfriou entre 1947 e 1976 e está esfriando nos últimos dez anos. Esses ciclos coincidem com momentos de alta e baixa das médias de temperatura”, disse.

De acordo com ele, no entanto, os fenômenos não tinham conseqüências tão importantes em décadas passadas, no Brasil, porque a concentração populacional nas cidades era bem menor. Nas áreas urbanas impermeabilizadas, segundo ele, uma chuva de 100 milímetros provoca um fluxo d’água de 100 mil metros cúbicos a cada quilômetro quadrado.

“Hoje, 80% da população está nas cidades, que absorveram essa população sem planejamento urbano. Para consertar isso, serão necessários investimentos muito maiores do que os recursos necessários para o planejamento há 30 ou 40 anos”, disse.

Segundo Molion, é preciso que as cidades pequenas e médias comecem a se planejar a partir de agora. Para ele, seria preciso investigar melhor a dinâmica da várzea dos rios e estudar as séries históricas de registros hidrológicos e meteorológicos a fim de entender o tempo de retorno de chuvas fortes, acima de 100 ou 200 milímetros.

“Temos cerca de 250 municípios com mais de 100 mil habitantes. A grande maioria dos mais de 5 mil municípios do país está começando a crescer. Seria aconselhável pensar em medidas de planejamento para minimizar problemas do tipo no futuro”, afirmou.

Fatores externos

Para Oswaldo Massambani, professor titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, não há dúvida de que o clima global passa por uma fase de abrupto aquecimento e que os distúrbios são causados pela atividade antropogênica.

“Cresceu muito a capacidade científica para entender o clima global. De fato, os modelos climáticos têm deficiências, porque são modelos matemáticos que tentam representar fenômenos de um sistema complexo. Mas à medida que se associam vários modelos e cenários eles se tornam mais precisos”, afirmou.

“A relação de causa e efeito entre a temperatura e as emissões de dióxido de carbono não é algo claro, mas há sem dúvida uma relação de associação entre os dois fatores. Já a vulnerabilidade aos eventos extremos é de fato uma questão de natureza política”, disse.

Segundo Massambani, o clima global é controlado por um sistema extremamente sensível e complexo, que, além dos fatores relacionados à atmosfera e à superfície terrestre, é determinado também por fatores externos, como a radiação solar e a geometria variável do sistema Terra-Sol.

“O Sistema Solar se formou há 4,5 bilhões e chegou ao atual equilíbrio passando por um processo de crescente complexidade. Esse complexo sistema não-linear está relacionado ao sistema climático, que possui uma variabilidade intrínseca e é muito sensível a processos radiativos, com uma camada atmosférica muito fina, de apenas 20 quilômetros. Isso fez com que o clima oscilasse ao longo da história”, afirmou.

Fonte: Agência FAPESP

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

ESCORREGAMENTOS E ENCHENTES SEGUEM MATANDO. E DAÍ?

Recebi este texto por e-mail e transcrevo aqui na íntegra:

"Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br)

ESCORREGAMENTOS E ENCHENTES SEGUEM MATANDO. E DAÍ?

A tragédia geológica que, a propósito de chuvas intensíssimas, abateu-se sobre a população de várias cidades de Santa Catarina atinge a sociedade brasileira pela dor das mortes e tanto sofrimento humano, mas também como pungente peça acusatória pela histórica e acomodada omissão dos agentes sociais públicos e privados que a poderiam ter evitado.

Impossível não nos ficar a impressão que autoridades e mídia, e talvez uma boa parte da sociedade, já assimilaram como fatos naturais do destino brasileiro as horríveis mortes por soterramento e enchentes que anualmente fazem dezenas de vítimas nessas épocas de chuvas mais intensas. Diluem-se assim comodamente nesse cenário de pretenso destino compulsório as responsabilidades públicas e privadas na verdade responsáveis por tantas vidas violentamente ceifadas.

A tipologia desses acidentes é sobejamente conhecida e invariavelmente associada à ocupação habitacional de encostas de alta declividade e margens e várzeas de cursos d'água, situações presentes em muitas de nossas cidades: Rio, Petrópolis, Nova Friburgo, Belo Horizonte, Ouro Preto, São Paulo, Salvador, Recife, Campos do Jordão, Santos, Caraguatatuba, Guarujá, municípios do médio e baixo Vale do Itajaí, em Santa Catarina, os municípios do litoral sudeste brasileiro que tangem os flancos da Serra do Mar e, de uma forma geral, todos os municípios situados em regiões serranas

A questão essencial é que estão sendo ocupadas pela urbanização, à vista e com o beneplácito oficial, áreas que por suas condições geológicas jamais poderiam ser utilizadas para tal fim. Pior, estão sendo ocupadas utilizando-se de expedientes técnicos (desmatamento, cortes, aterros, disposição viária...) totalmente contra-indicados para tais situações.

Na maior parte das vezes essas tragédias atingem a população de baixa renda, mas, como no próprio caso do Vale do Itajaí, são também atingidas edificações associadas a uma classe média alta, certamente em situações de evidente legalidade fundiária e urbanística, o que evidencia de forma ainda mais aguda a total falta de controle da administração pública sobre a gestão de seu território.

Para uma mais acurada compreensão do problema e para o correto equacionamento de sua solução, é indispensável considerar separadamente dois aspectos fundamentais, mas bem diversos, dessa questão; o fator técnico e o fator político-social-econômico.

Do ponto de vista estritamente técnico, e tendo em conta que as expansões urbanas tendem, nos municípios referidos, progressivamente a atingir relevos topograficamente mais acidentados e, portanto, mais instáveis geotecnicamente, vale registrar categoricamente que não há uma questão técnica sequer envolvida no problema que não já tenha sido estudada e perfeitamente equacionada, com suas soluções resolvidas e disponibilizadas pela Geologia e pela Engenharia Geotécnica brasileiras.

Cartas Geotécnicas, Cartas de Risco (indicando as áreas que não podem ser ocupadas em hipótese alguma e as áreas passíveis de ocupação uma vez obedecido um elenco de restrições e providências), tipologia de obras adequadas a contenção de taludes e encostas, tipologia de projetos de ocupação urbana adequados a áreas topograficamente mais acidentadas, mapeamento de situações críticas, metodologia e tecnologia de Planos de Defesa Civil são parte desse abundante ferramental necessário para o enfrentamento do problema em sua componente técnica preventiva (que se dá especialmente no âmbito de uma eficiente gestão do uso do solo sob a ótica geológica e programas emergenciais de defesa civil) e corretiva, que se dá especialmente no âmbito de programas de consolidação geotécnica (incluindo a indispensável remoção de edificações instaladas em áreas de alto risco com realocação das famílias envolvidas em áreas geologicamente adequadas).

O segundo aspecto a ser considerado, e de fundamental importância, refere-se às componentes sociais, políticas e econômicas do problema. A enorme explosão demográfica urbana que a partir da década de 50 atingiu as cidades brasileiras deu-se em uma velocidade tal que as despreparadas, e muitas vezes descompromissadas, administrações públicas dos três níveis não foram capazes de acompanhá-las em sua função intrínseca de planejamento urbano e provimento de infra-estrutura de serviços públicos.

Nesse cenário, são justamente as áreas caracterizadas por fatores de periculosidade e insalubridade (especialmente encostas íngremes e fundos de vale) que acabam oferecendo-se à população mais pobre como solução habitacional orçamentariamente compatível com seus parcos recursos.

Ficam assim técnica e socialmente criadas as condições para a ocorrência dessas terríveis tragédias. Conjunção que coloca claramente às autoridades responsáveis a indispensável aplicação combinada de duas ações públicas: a gestão geológica do uso do solo e programas habitacionais especialmente voltados à população de menor renda.

Constitui providência nesse sentido auspiciosa o Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar, atualmente em desenvolvimento pelo Governo do Estado de São Paulo junto aos chamados Bairros Cota, enormes aglomerações urbanas que temerariamente se desenvolveram às margens da Via Anchieta em seu trecho da Serra do Mar.

O sucesso da implementação desse programa, com sua projetada extensão para todos os municípios paulistas contíguos à Serra do Mar, certamente poderá, a exemplo das ações de consolidação geotécnica nos morros de Recife e outros casos pontuais de sucesso, vir a se constituir em um virtuoso paradigma para a gestão de situações similares.

Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br)

· Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT e Ex-Diretor da Divisão de Geologia

· Autor dos livros "Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática", "A Grande Barreira da Serra do Mar", "Cubatão" e "Diálogos Geológicos"

· Consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente"

Santa Catarina: tragédia esperada

Aldem Bourscheit
28/11/2008, 18:20

Em março de 2004, Santa Catarina levou um susto com a aproximação do ciclone Catarina. Nos últimos dias, o estado sentiu na pele, novamente, uma amostra de como imprevidência humana amplia o poder de destruição de uma catástrofe natural. O aguaceiro que desabou por lá arrasou encostas, transbordou rios e deixou um saldo, segundo a Defesa Civil, de quase 80 mil desabrigados, uma centena de mortes, 19 desaparecimentos e afetou a vida de 1,5 milhão de brasileiros.

Dados de hoje do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Ciram) daquele estado mostram que a estação meteorológica de Blumenau registrou o recorde histórico de 283 mm em 24 horas, entre os dias 22 e 23. Já em Joinville, choveu mais do que em Blumenau no acumulado até o dia 24 de novembro - 911 mm contra 878 mm. A enxurrada também foi forte em Guaramirim, Ilhota, Gaspar e Luis Alves. Lá, no entanto, não se sabe da quantidade de água despejada pelas nuvens. “É uma pena que não temos os registros das chuvas nestes municípios, que podem ter sido surpreendentes”, lamentou Germano Woehl, coordenador de projetos da não-governamental Rã-Bugio. O aumento da precipitação se encaixa perfeitamente como uma conseqüência das mudanças climáticas.

Um dos municípios mais atingidos pelas enxurradas, Blumenau acaba servindo de exemplo sobre como a ocupação humana desordenada e o desrespeito à legislação ambiental podem catapultar os impactos de uma chuvarada. Mesmo que no município a vegetação ainda resista bravamente, ao contrário do restante da Mata Atlântica catarinense, reduzida a 17% da cobertura original.

A professora e pesquisadora de Ecologia de Florestas da Universidade Regional de Blumenau, Lúcia Sevegnani, jogou um pouco de luz no “fenômeno natural”. Ela lembrou que a população local saltou de 120 mil para cerca de 300 mil habitantes nas últimas duas décadas. Todos atraídos pela “cidade rica”, com qualidade de vida e cheia de oportunidades.

O inchaço demográfico repentino e as enchentes do início dos anos 1980 jogaram favelas, residências e condomínios para encostas de morros e beiras de rios, áreas onde a lei procura evitar ocupações, pois sempre oferecem risco a seus moradores. Tudo sob a vista-grossa dos dirigentes. Pois, foram justamente esses locais os mais afetados pela enxurrada deste ano. “Os governos estimularam a ocupação de encostas e margens de rios no meio urbano e rural. Criaram uma bomba relógio”, disse Sevegnani.

A professora e pesquisadora lembra que áreas com boa quantidade de matas e nenhuma ocupação humana também registraram deslizamentos ou foram engolidas pelo aguaceiro. No entanto, ela avalia que a falta de planejamento na ocupação da terra tem papel forte na ampliação dos efeitos das chuvas. “Em locais onde havia floresta também desabou. É verdade. Mas devemos nos colocar como co-responsáveis nesse processo”, ressaltou.

Casos comuns


Taxando o ocorrido simplesmente de “fenômeno natural”, isenta-se a gestão pública de responsabilidade e transforma-se a natureza de mãe em madrasta. Conforme Woehl, da Rã-Bugio, as populações de Jaraguá do Sul e Guaramirim crescem a um ritmo de 6% ao ano. Novo caso de explosão demográfica baseada em imigração. “Nos últimos anos, o tempo todo estamos combatendo as ocupações das encostas. Mostramos em nossas palestras, em escolas e outros locais, várias imagens de desmoronamentos, com vítimas, nesses municípios”, comentou o ambientalista.

Consultado pela reportagem, o geólogo Luiz Fernando Scheibe puxou da memória outras enchentes semelhantes na história de Santa Catarina. Lembrou das 199 mortes registradas em 1974, com a enxurrada e deslizamentos na Bacia do Rio Tubarão. Recordou do Natal de 1995, quando fenômenos semelhantes deixaram 28 mortos em Jacinto Machado e outros municípios do sul do estado. O mesmo ocorreu nos anos 1983/84 em Blumenau, mas próximo às quase desocupadas nascentes do Rio Itajaí.

Ele também avisou que a ocupação de encostas sempre potencializa os efeitos de chuvas excepcionais, facilitando deslizamentos. Isso acontece porque cada casa ou condomínio é erguido nessas áreas com terraplanagem e aterros, removendo a terra que segura o solo logo acima. “Assim se cria um ambiente favorável aos deslizamentos. O problema é comum a várias regiões do estado”, apontou o professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina.

Quanta solidariedade


Sempre aguçada pela próxima tragédia, a tão falada solidariedade do povo brasileiro enviou toneladas de mantimentos e, até agora, mais de R$ 3 milhões em doações. Bancos estão abrindo contas para ajudar as vítimas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) enviará 708 toneladas de alimentos aos desabrigados, Lula sobrevoou a região e o governo anunciou pacote bilionário de auxílio. O dinheiro tem destino certo – estradas, pontes e outros itens de infra-estrutura pública. Também será facilitado o saque do FGTS e a obtenção de créditos para reconstrução de moradias.

No entanto, quem conhece a realidade regional teme que tamanho movimento não evite futuras tragédias. A tendência é de que as pessoas voltem às encostas. Muitos não têm outra opção, já que os terrenos nas áreas planas e mais seguras são os mais caros. “Em muitos locais nem existe mais terreno, só uma encosta ainda mais íngreme. Mas a tendência é de reconstrução de tudo, nos mesmos lugares”, lamentou o professor Scheibe. “Seria interessante que parte desses bilhões anunciados fosse usada para realocar pessoas em locais mais seguros, como na área norte de Blumenau”, recomendou o geólogo.

Lúcia Sevegnani, da Universidade Regional de Blumenau, concorda. Para ela, o drama do Vale do Rio Itajaí deveria ser uma oportunidade para planejar a cidade e a região em outros moldes, adequados a sua realidade geográfica e climática. “Reconstruir a cidade precisa ser pensado, se não, daqui a alguns anos, poderemos ter novas situações. Precisamos de políticas para direcionar os investimentos e não repetir os mesmos erros”, ressaltou.

Erosão ambiental


Em seu imperdível Green Ink (Tinta verde), o veterano jornalista Michael Frome comenta que “muitos dos danos ao meio ambiente ocorrem lentamente aos olhos humanos, mais como uma erosão do que como um deslizamento de terra, e a maioria das pessoas está ocupada demais ou se movimentando demais para perceber”.

Esse é o caso das enxurradas e deslizamentos catarinenses: têm raízes naturais amplificadas pela mão humana, ao longo de muitos anos.

No entanto, frente à dura realidade da tragédia, o governo de Santa Catarina vem trabalhando para alterar sua legislação ambiental e reduzir a proteção das chamadas áreas de preservação permanente, como encostas de morros. Além disso, quer cortar parte do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, principal área protegida do estado com Mata Atlântica.

As propostas, obviamente, não agradaram a quem vê o futuro além da próxima eleição. “O caminho não é esse. A tragédia mostra que devemos desocupar e recuperar encostas e beiras de rios”, comentou Savagnani.

Ela, outros professores e equipe do Projeto Piava (Fundação Agência de Águas da Bacia do Itajaí), divulgaram hoje um manifesto pedindo a manutenção do código ambiental catarinense.

A previsão é de chuva para os próximos dias em Santa Catarina.

Fonte: O Eco

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Enchentes em SC 'são reflexo de mudanças na Amazônia', diz 'Clarín'

Sistema de formação de nuvens e chuvas na floresta foi alterado, diz jornal argentino.

- As enchentes em Santa Catarina, que mataram dezenas de pessoas e deixaram milhares desabrigadas, são sinal de que o impacto do aquecimento global sobre a Amazônia já está tendo um reflexo sobre o clima da América do Sul, diz artigo na edição desta terça-feira do jornal argentino, Clarín.

"Começa então a se cumprir, muito antes do previsto, o que vêm advertindo os cientistas, entre eles os do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. (...) As mudanças na floresta amazônica, em conseqüência do aquecimento global e da ação destrutiva do homem, já começaram a se fazer sentir no Cone Sul", diz o diário.

"As tempestades em Santa Catarina, simultaneamente às fortes secas no Chaco, em Buenos Aires, La Pampa, Santa Fé e Córdoba" são citados pelo artigo como reflexos de mudanças na Amazônia.

O Clarín ouviu dois especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) para explicar o fenômeno.

Segundo o jornal, "o físico Antônio Ozimar Manzi afirmou: 'Esta zona (que inclui a selva no Brasil e mais outros oito países da região) é a principal fonte de precipitações na região'. E tudo o que acontecer modificará de maneira decisiva o clima no sul e no norte da América do Sul".

Paulo Artaxa, também ouvido pelo jornal argentino, explica que "no céu da Amazônia há um sistema eficaz de aproveitamento do vapor d'água (...) mas a fumaça dos incêndios florestais altera drasticamente este mecanismo: diminui a formação de nuvens e chuvas em algumas regiões e aumenta as tempestades em outras".

O Clarín conclui que "não é de se estranhar fenômenos como as inundações de Santa Cataria quanto a seca no norte, centro e leste da Argentina".

"Não são castigos divinos, mas bem humanos." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: Estadão