Ministro da Agricultura diz que não acredita em solução para a Rodada Doha
Fabrícia Peixoto escreve para a “BBC Brasil”:
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse em uma entrevista exclusiva à BBC Brasil que o bioma amazônico “tem que ser intocável” e que não é preciso cortar nenhuma árvore da região para aumentar a produção agrícola brasileira.
Stephanes disse que falta “racionalidade” a muitos projetos para proteger o meio ambiente no Brasil e reclamou que há medidas de cunho ambiental que estão punindo agricultores brasileiros de forma injusta.
Ele criticou ainda a participação de ONGs estrangeiras nesse debate. “Se eu for, como ministro da Agricultura, à Holanda, à Alemanha ou aos Estados Unidos, e der um palpite sobre meio ambiente, corro o risco de ser mandado de volta”, diz.
Em outros trechos da entrevista, o ministro disse que não vê um final feliz para a Rodada Doha de comércio internacional. Segundo ele, o protecionismo no setor agrícola, praticado principalmente pelas economias mais desenvolvidas, é um assunto “complexo e político”. "É muito difícil imaginar que isso se resolva por acordo diplomático", disse.
Leia a seguir trechos da entrevista:
- Havia expectativa de retomada das negociações da Rodada Doha agora em dezembro, mas não foi possível. Para 2009, vale a pena investir nesse projeto?
Eu louvo todos aqueles que tentam participar dessas discussões e tentam chegar a um final feliz, no sentido de que você tenha um comércio mais justo no mundo. Só que eu, no caso de Doha, não acredito nas possibilidades de solução. Alguns países têm características e eles têm dificuldade de abrir mão disso. Acho difícil a Argentina, com seus problemas internos, a sua forma de produzir, chegar a uma conclusão positiva. A Índia tem que efetivamente manter essa proteção, devido a sua estrutura de produção. Quanto a isso não há nenhuma dúvida. A União Européia tem uma tradição de 60 anos de subsídio à agricultura, com várias formas de barreira. Eles precisam de um plano de desembarque, mas essa é uma questão muito demorada, politicamente complexa.
- A rodada não depende dos Estados Unidos?
Os Estados Unidos, na minha visão, são um país extremamente protecionista, um país que não cumpre com suas obrigações, até éticas, eu diria. O caso do algodão é muito exemplificador disso. O país subsidiou seu algodão, prejudicou a produção brasileira. Perdeu em todas as instâncias, recorreu novamente à OMC, sabendo que não ganharia, apenas para protelar medidas compensatórias. E, no entanto, não adotou essas medidas (compensatórias). É muito difícil imaginar que isso se resolva por acordo diplomático. Ou o custo a ser pago será muito alto ou o acordo na prática não vai trazer grandes resultados.
- Como resolver o protecionismo, então?
Minha visão é de que isso é uma questão de mercado, e cada país vai olhar o assunto sob esse aspecto. É possível que, no futuro, ultrapassada essa crise atual, com um novo ciclo de crescimento, com uma maior necessidade de produção agrícola ou de combustível, isso faça com que esses países mudem suas posições. Mas seria por razões efetivamente de mercado.
- No curto prazo, qual seria a melhor saída para o Brasil?
O Brasil é extremamente eficiente em termos de sua agricultura. Por outro lado, o agricultor brasileiro não tem obtido uma renda que faça justiça a sua produção e a sua eficiência. Os mercados estão menos dinâmicos, o crédito desapareceu e estamos estudando medidas. Precisamos manter nossa agricultura rodando. O governo já tomou a decisão de que vai proteger nossos agricultores. É claro que nesse momento não podemos pensar em uma política de bons preços e de renda. Temos que nesse momento evitar prejuízos. O Brasil tem alguns exemplos onde temos vantagens comparativas muito boas. Conseguimos, por exemplo, produzir um quilo de carne no Brasil a um terço do preço do quilo de carne da União Européia. O etanol a menos da metade do preço do que a produção americana. Temos algumas vantagens. Mas temos outros produtos onde é possível que tenhamos problemas no futuro e que precise de uma política de sustentação de preços melhor, pois afinal nós temos que competir com países que estão subsidiando. Agora, se as perspectivas futuras, que tinham sido projetadas antes da crise, se mantiverem, de uma necessidade de um aumento de 50% na produção agrícola nos próximos 20 anos, aí é possível que os preços atinjam um novo patamar e aí não precisaríamos adotar políticas específicas.
- A renda no campo brasileiro é baixa?
É baixa em relação à média internacional, é baixa em relação a outros negócios. Sempre tivemos essa idéia de que a produção agrícola tem que chegar na mesa de forma barata. E efetivamente o mundo produzia muito. Tinha muita oferta. Nos últimos anos é que os estoques vêm caindo. Mesmo assim, os preços de comunicação, saúde, serviços e outros bens cresceram, em média, pelo menos 50% a mais do que o preço dos produtos agrícolas. Na medida em que se incorporam novas tecnologias, o custo de produção diminui e essa diferença é repassada ao consumidor.
- Com mais tecnologia, no longo prazo, a tendência é de queda relativa nos preços?
Tivemos dois momentos em que os preços subiram nos últimos anos, mas os períodos foram muito curtos e eles voltaram ao patamar antigo. Há duas possibilidades. Uma é o mercado mundial reagir. O mundo está comendo mais, as pessoas estão vivendo mais tempo. Muitas faixas de população que se alimentam pouco vão ingressar no mercado de proteínas mais nobres, como carnes. E aí nós temos China, Índia, Malásia, Indonésia. Caso isso não aconteça, teremos de ter uma política de sustentação de preços, inclusive no Brasil, que não tem tradição protecionista.
- O Brasil tem tido problemas comerciais com a Argentina, que é mais protecionista que o Brasil no setor agrícola. Muitas vezes eles nos vêem como competidores. O senhor concorda?
Não há dúvida de que Brasil e Argentina são competidores. Mas por outro lado somos vizinhos. E não se briga com o vizinho. A gente tem que tentar manter o máximo de boas relações, compreendendo as necessidades de cada país. Isso é básico, mesmo que nós no Brasil tenhamos uma política muito mais liberal.
- O produtor agrícola invariavelmente pede ajuda ao governo, seja por juros melhores ou por perdão de dívida. O setor não consegue andar com as próprias pernas?
Existe um certo preconceito em relação ao produtor agrícola. Já ouvi pessoas criticarem, dizendo que os agricultores estão comprando automóveis, caminhonetes de luxo. E nós, não compramos? Outro dia ouvi autoridades do governo comentando que os produtores compraram tratores demais. Eu disse a eles, que bom que compraram tratores demais. Pior se tivessem comprado iates. Nós temos um pouco esse preconceito, que vem do coronelismo, das grandes propriedades. Mas hoje 90% das propriedades são médias para pequenas. E a grande força da produção está aí.
- Por que o agricultor é tão endividado?
Temos duas razões principais. Ou é por razões climáticas, e aí nós temos que resolver essa questão, que não pode ficar nas costas do agricultor. Ou por razões de preço e de mercado. Tem de ter política de preços. O prejuízo também não pode ficar todo com o agricultor. Esse prejuízo é sempre jogado em cima dele, e isso gera a dívida. É ruim para o produtor e é ruim para os bancos.
- Ao longo do ano, agricultura e meio ambiente ficaram em lados opostos. Um projeto de meio ambiente é incompatível com a produção agrícola?
É compatível desde que se aja com racionalidade. Desde que tenhamos na mesa, discutindo, pessoas que conheçam o meio ambiente. Não adianta colocar na mesa pessoas que são financiadas por interesses outros. Algumas grandes ONGs são financiadas, inclusive, pela indústria do petróleo. Outras têm visão ideológica, outras têm visão política. Eu acho muito interessante como uma ONG financiada com recursos, por exemplo, da Holanda – um país onde cada pessoa polui 16 vezes mais do que um brasileiro – essa ONG está aqui e não está lá. ONGs financiadas pela Alemanha que não tem uma árvore à beira do rio Reno. E a Europa, que desmatou 99,9% de suas matas nativas. E o Brasil, por outro lado, detém 32% das matas nativas do mundo hoje. É preciso discutir com racionalidade, sem visão política e ideológica. Não podemos discutir com pessoas que não conhecem a realidade brasileira, ou que nem conhecem as questões ambientais, no sentido de terem estudado ou ser formado. Eu, aqui no Ministério, tenho pelo menos 20 pessoas que têm doutorado e pós-doutorado em meio ambiente. E gostaria que a discussão se desse nesse nível.
- A discussão não está se dando nesse nível?
Não está, infelizmente. O objetivo nosso é produzir e proteger e isso é compatível, desde que seja feito dentro de um processo de racionalidade. Eu poderia citar dezenas de exemplos que estão sendo conduzidos de forma errada.
- O senhor poderia dar um desses exemplos?
Há 100 anos nós plantamos uvas nas encostas e nos topos de morro no Rio Grande do Sul e no mundo inteiro se faz isso. Eu não posso proibir isso de repente, com uma legislação de quem não conhece o assunto. Planta-se arroz na várzea há anos e de repente surge alguém e proíbe. Se aplicarmos esse Código Ambiental (o assunto aguarda votação na Câmara), 1 milhão de agricultores vão perder propriedade. Se essa for a decisão brasileira, e se tivermos consciência disso, tudo bem. Mas vamos pensar então em como vamos indenizar essas pessoas, pois estamos tirando (o agricultor) da casa dele. Não estamos tirando nenhum ambientalista do apartamento dele.
- O mesmo se aplicaria à região amazônica? Digo, é preciso desmatar para plantar?
São coisas muito distintas. O bioma amazônico, na nossa visão, tem que ser intocável. Não precisamos tocar em nenhuma árvore para aumentarmos a produção brasileira. O que está acontecendo é que estão derrubando árvore na Amazônia por incapacidade de rastrear, em tempo real, de saber quem está derrubando... Não sabemos sequer quem são os proprietários. Por isso, toda hora adotamos medidas genéricas que atingem o Brasil inteiro. Ou como a tal da Portaria 96 (restrição ao crédito para produtores que desmatarem), que prejudicou milhares e milhares de produtores que estão produzindo corretamente há 20, 30 anos, pois não tivemos capacidade de localizar quem são os desmatadores. E aí nós simplesmente congelamos uma região de quase 30 milhões de hectares. São alguns exemplos de coisas que são, na minha visão, mal conduzidas e que poderiam ser discutidas dentro de um processo de racionalidade, de discussão objetiva, sem emocionalismo. Sem as chamadas pressões externas. Parece que ainda temos um pouquinho do complexo do subdesenvolvimento. Se eu for, como ministro da Agricultura, à Holanda, à Alemanha ou aos Estados Unidos, e der um palpite sobre meio ambiente, corro o risco de ser mandado de volta.
Fonte: JC e-mail (SBPC)
Mostrando postagens com marcador conservação da natureza. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador conservação da natureza. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Programa Desmatamento Evitado completa um ano com proteção de quase 3% da Floresta Araucária do Paraná
Projetos como o “Seguro Verde” do Banco HSBC ajudam a preservar a Floresta Atlântica no Paraná
Florestas com araucária tinham 167 mil km2 (16,7 milhões ha) originalmente no Sul, desses 80 mil km2 (8 milhões ha) no Paraná, que equivalem a 1/3 da área do Estado, e em 2001 só restavam 6 mil km2 (0,6 milhões ha), 0,8%
Josiany Fiedler Vieira
O Programa Desmatamento Evitado, uma iniciativa da SPVS – Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – para preservar remanescentes intactos da Floresta Atlântica, especificamente áreas de matas com Araucária, já garantiu a adoção e preservação de 14 propriedades do Paraná, que correspondem ao equivalente de quase 2,67% da mata nativa do Estado, que em 2001 era de 0,6 milhões de hectares (segundo dados do Probio – Fupef-UFPR), hoje estima-se que esse número seja ainda menor. Essa área preservada é resultado de um ano do projeto que já está servindo de exemplo para países como México, Argentina e Panamá.
Os 1.763,63 hectares ou 17,636 milhões de metros quadrados de terras no Paraná e Santa Catarina estão sendo protegidas devido ao apoio do banco HSBC e de outras instituições que apóiam o programa. Só o HSBC adotou 10 áreas que correspondem a 1.105,70 hectares de florestas nativas e esse número vai aumentar até o final do ano, chegando a quase 1.500 ha. Em mais de um ano de projeto – de 2007 até outubro de 2008 – o banco investiu quase R$ 1,5 milhão.
Os valores investidos são de uma campanha da instituição financeira chamada de “Seguros Verdes”. A cada contratação ou renovação da apólice de seguro o cliente ganha um bônus para preservar uma área nativa de 88 m2, no caso de seguro veícular, ou de 44 m2, no caso de seguro residencial. Segundo estimativas realizadas pela SPVS, cada carro (de médio porte e que rode cerca de 50km/dia utilizando gasolina) produz anualmente cerca de 4 toneladas de CO2. No caso das residências, o cálculo médio de emissões de poluentes (uso de gás, eletricidade, geração de lixo, etc.) é de cerca de 2 toneladas de CO2.
Para Fernando Moreira, diretor-executivo da HSBC Seguros, essa ação reflete não só a preocupação da área de seguros, mas como a do grupo globalmente com o meio ambiente. “O Seguro Verde é uma ação do HSBC em prol da sustentabilidade do planeta”, afirma Moreira.
O recurso repassado pelo HSBC Seguros passa a ser destinado aos proprietários que recebem uma quantia mensal para que as áreas sejam conservadas. “O projeto Desmatamento Evitado está servindo de modelo, pois a empresa não está fazendo uma doação e sim investindo num diferencial para seu produto. O projeto foi montado com precisão e sabemos o que acontece em cada área. Por isso o Brasil – 5º maior emissor de gases de efeito estufa – passa a combater o aquecimento global com ações como esta, focadas em evitar o desmatamento”, diz o diretor da SPVS, Clóvis Borges.
Para Borges esse também é outro diferencial do projeto. O Desmatamento Evitado permite que áreas deixem de ser desmatadas, mantendo o carbono estocado e contribuindo com a regulação climática, além de proteger a biodiversidade e a função ecológica dessas áreas. O projeto Desmatamento Evitado está sendo exportado para outros países e é uma iniciativa reconhecida por instituições que trabalham com o aquecimento global, com a Fundação Avina. Para o engenheiro florestal e diretor da Fundação, Miguel Milano, o Programa é a iniciativa com mais resultados visíveis para conservação dos remanescentes de Floresta com Araucária.
O espaço mantido pelo HSBC, no Paraná e Santa Catarina, corresponde à 133 mil toneladas de Carbono. Além dessas áreas, a SPVS preserva outros 1.314,86 hectares adotados pelo Grupo Positivo, Rigesa, Sun, Chemical e Fundação O Boticário. As áreas adotadas estão localizadas nas cidades da Lapa, Bocaiúva, Fernandes Pinheiro e Tibagi, no Paraná, e Itaiópolis, em Santa Catarina.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
Florestas com araucária tinham 167 mil km2 (16,7 milhões ha) originalmente no Sul, desses 80 mil km2 (8 milhões ha) no Paraná, que equivalem a 1/3 da área do Estado, e em 2001 só restavam 6 mil km2 (0,6 milhões ha), 0,8%
Josiany Fiedler Vieira
O Programa Desmatamento Evitado, uma iniciativa da SPVS – Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – para preservar remanescentes intactos da Floresta Atlântica, especificamente áreas de matas com Araucária, já garantiu a adoção e preservação de 14 propriedades do Paraná, que correspondem ao equivalente de quase 2,67% da mata nativa do Estado, que em 2001 era de 0,6 milhões de hectares (segundo dados do Probio – Fupef-UFPR), hoje estima-se que esse número seja ainda menor. Essa área preservada é resultado de um ano do projeto que já está servindo de exemplo para países como México, Argentina e Panamá.
Os 1.763,63 hectares ou 17,636 milhões de metros quadrados de terras no Paraná e Santa Catarina estão sendo protegidas devido ao apoio do banco HSBC e de outras instituições que apóiam o programa. Só o HSBC adotou 10 áreas que correspondem a 1.105,70 hectares de florestas nativas e esse número vai aumentar até o final do ano, chegando a quase 1.500 ha. Em mais de um ano de projeto – de 2007 até outubro de 2008 – o banco investiu quase R$ 1,5 milhão.
Os valores investidos são de uma campanha da instituição financeira chamada de “Seguros Verdes”. A cada contratação ou renovação da apólice de seguro o cliente ganha um bônus para preservar uma área nativa de 88 m2, no caso de seguro veícular, ou de 44 m2, no caso de seguro residencial. Segundo estimativas realizadas pela SPVS, cada carro (de médio porte e que rode cerca de 50km/dia utilizando gasolina) produz anualmente cerca de 4 toneladas de CO2. No caso das residências, o cálculo médio de emissões de poluentes (uso de gás, eletricidade, geração de lixo, etc.) é de cerca de 2 toneladas de CO2.
Para Fernando Moreira, diretor-executivo da HSBC Seguros, essa ação reflete não só a preocupação da área de seguros, mas como a do grupo globalmente com o meio ambiente. “O Seguro Verde é uma ação do HSBC em prol da sustentabilidade do planeta”, afirma Moreira.
O recurso repassado pelo HSBC Seguros passa a ser destinado aos proprietários que recebem uma quantia mensal para que as áreas sejam conservadas. “O projeto Desmatamento Evitado está servindo de modelo, pois a empresa não está fazendo uma doação e sim investindo num diferencial para seu produto. O projeto foi montado com precisão e sabemos o que acontece em cada área. Por isso o Brasil – 5º maior emissor de gases de efeito estufa – passa a combater o aquecimento global com ações como esta, focadas em evitar o desmatamento”, diz o diretor da SPVS, Clóvis Borges.
Para Borges esse também é outro diferencial do projeto. O Desmatamento Evitado permite que áreas deixem de ser desmatadas, mantendo o carbono estocado e contribuindo com a regulação climática, além de proteger a biodiversidade e a função ecológica dessas áreas. O projeto Desmatamento Evitado está sendo exportado para outros países e é uma iniciativa reconhecida por instituições que trabalham com o aquecimento global, com a Fundação Avina. Para o engenheiro florestal e diretor da Fundação, Miguel Milano, o Programa é a iniciativa com mais resultados visíveis para conservação dos remanescentes de Floresta com Araucária.
O espaço mantido pelo HSBC, no Paraná e Santa Catarina, corresponde à 133 mil toneladas de Carbono. Além dessas áreas, a SPVS preserva outros 1.314,86 hectares adotados pelo Grupo Positivo, Rigesa, Sun, Chemical e Fundação O Boticário. As áreas adotadas estão localizadas nas cidades da Lapa, Bocaiúva, Fernandes Pinheiro e Tibagi, no Paraná, e Itaiópolis, em Santa Catarina.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Governo de SC quer diminuir área de PARQUE!!!
Na última semana, Santa Catarina ganhou as manchetes nacionais por conta do desastre ambiental que assola o Estado. As chuvas que cairam nos últimos meses se intensificaram em meados de novembro, resultando em deslizamentos de terra, elevação rápida do nível dos rios e inundações de proporções catastróficas. Como muitos dizem por aqui, um desastre anunciado diante do descaso com que a questão ambiental é tratada pelas autoridades de Santa Catarina. A geografia do Estado e em particular da região costeira, coloca uma série de limites de ocupação do solo que, via de regra, não são respeitados.
Atualmente, a especulação imobiliária é o grande vilão ambiental na área costeira. Em nome do "de$envolvimento", órgãos ambientais têm feito vista grossa ao crescimento desordenado e a ocupação de morros, áreas de restinga, dunas e manguezais. Quem não se lembra da operação Moeda Verde deflagrada em 2007 pela Polícia Federal e Ministério Público, denunciando a venda de licenças ambientais para grandes empresários do setor imobiliário?A justiça esqueceu, mas a memória da população não, ainda que digam o contrário.
Como se não bastasse a catástrofe ambiental recente que a população de SC vem sentindo na pele, no último dia 11/Novembro o Governo do Estado apresentou à Assembléia Legislativa o Projeto de Lei 347/08 para DESANEXAR áreas do PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO TABULEIRO, principal Unidade de Conservação do Estado na área de Mata Atlântica. O Projeto está em tramitação em caráter de URGÊNCIA e o texto na íntegra encontra-se aqui
Basicamente, o PL propõe desanexar áreas da região costeira criando "APAS" sob gestão das Prefeituras, altamente manipuláveis pelo setor imobiliário. Isto inclui Ilhas e a Baixada do Maciambu (ou Massiambu), uma região de restinga que protege cordões aresonos considerados um dos maiores registros geológicos da ação marinha do período quaternário (para quem não é de SC, está área fica entre Florianópolis e Garopaba). Com esta medida, o Governo Estadual atende reivindicação antiga de tubarões do setor imobiliário sem se preocupar com o comprometimento de um patrimônio natural ímpar e com a integridade territorial de um Parque que abastece com água toda a região da Grande Florianópolis. E o pior, os estudos que subsidiaram a redefinição dos limites para a elaboração deste PL foram feitos com recursos do PPMA- Programa de Proteção da Mata Atlântica!!!!
O PL foi encaminhado à Comissão de Constituição de Justiça no último dia 25/11 e ainda deverá tramitar pelas Comissões de Finanças e Tributação, Turismo e Meio Ambiente, Agricultura e Política Rural. Somente uma manifestação imediata e massiva por parte da sociedade civil para reverter este quadro. Os contatos dos deputados seguem abaixo. Por favor, divulguem.
Saudações,
Angela Cordeiro
Veja a lista de contatos dos deputados estaduais de SC no Portal do Meio Ambiente
Fonte: Portal do Meio Ambiente
Atualmente, a especulação imobiliária é o grande vilão ambiental na área costeira. Em nome do "de$envolvimento", órgãos ambientais têm feito vista grossa ao crescimento desordenado e a ocupação de morros, áreas de restinga, dunas e manguezais. Quem não se lembra da operação Moeda Verde deflagrada em 2007 pela Polícia Federal e Ministério Público, denunciando a venda de licenças ambientais para grandes empresários do setor imobiliário?A justiça esqueceu, mas a memória da população não, ainda que digam o contrário.
Como se não bastasse a catástrofe ambiental recente que a população de SC vem sentindo na pele, no último dia 11/Novembro o Governo do Estado apresentou à Assembléia Legislativa o Projeto de Lei 347/08 para DESANEXAR áreas do PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO TABULEIRO, principal Unidade de Conservação do Estado na área de Mata Atlântica. O Projeto está em tramitação em caráter de URGÊNCIA e o texto na íntegra encontra-se aqui
Basicamente, o PL propõe desanexar áreas da região costeira criando "APAS" sob gestão das Prefeituras, altamente manipuláveis pelo setor imobiliário. Isto inclui Ilhas e a Baixada do Maciambu (ou Massiambu), uma região de restinga que protege cordões aresonos considerados um dos maiores registros geológicos da ação marinha do período quaternário (para quem não é de SC, está área fica entre Florianópolis e Garopaba). Com esta medida, o Governo Estadual atende reivindicação antiga de tubarões do setor imobiliário sem se preocupar com o comprometimento de um patrimônio natural ímpar e com a integridade territorial de um Parque que abastece com água toda a região da Grande Florianópolis. E o pior, os estudos que subsidiaram a redefinição dos limites para a elaboração deste PL foram feitos com recursos do PPMA- Programa de Proteção da Mata Atlântica!!!!
O PL foi encaminhado à Comissão de Constituição de Justiça no último dia 25/11 e ainda deverá tramitar pelas Comissões de Finanças e Tributação, Turismo e Meio Ambiente, Agricultura e Política Rural. Somente uma manifestação imediata e massiva por parte da sociedade civil para reverter este quadro. Os contatos dos deputados seguem abaixo. Por favor, divulguem.
Saudações,
Angela Cordeiro
Veja a lista de contatos dos deputados estaduais de SC no Portal do Meio Ambiente
Fonte: Portal do Meio Ambiente
domingo, 23 de novembro de 2008
Estados norte-americanos querem créditos florestais brasileiros
21/11/2008
Fernanda B Muller
Três estados norte-americanos, o Brasil e a Indonésia fecharam ontem um acordo para proteger as florestas tropicais. Califórnia, Illinois e Wisconsin irão analisar como incorporar o uso de créditos de carbono florestais em seus esquemas de comércio de emissões. Estes créditos são gerados com o pagamento pela conservação das florestas tropicais no Brasil e na Indonésia.
O esquema permite que indústrias e usinas de energia que têm metas a cumprir na redução das emissões de gases do efeito estufa possam compensá-las com os créditos provenientes do desmatamento evitado (REDD – Reduced Emissions from Deforestation and Degradation). Atualmente, os esquemas regionais de comércio de emissões nos Estados Unidos estão sendo planejados.
O desmatamento é responsável por cerca de 20% das emissões antrópicas mundiais, e muitos acreditam que o REDD possa contribuir na redução destas emissões, além de ter benefícios muito mais amplos como a conservação da biodiversidade e dos serviços ambientais.
O acordo, divulgado pelo governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, tem como foco as províncias de Papua e Aceh, na Indonésia, e os estados brasileiros do Amazonas, Pará, Amapá e Mato Grosso.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
Fernanda B Muller
Três estados norte-americanos, o Brasil e a Indonésia fecharam ontem um acordo para proteger as florestas tropicais. Califórnia, Illinois e Wisconsin irão analisar como incorporar o uso de créditos de carbono florestais em seus esquemas de comércio de emissões. Estes créditos são gerados com o pagamento pela conservação das florestas tropicais no Brasil e na Indonésia.
O esquema permite que indústrias e usinas de energia que têm metas a cumprir na redução das emissões de gases do efeito estufa possam compensá-las com os créditos provenientes do desmatamento evitado (REDD – Reduced Emissions from Deforestation and Degradation). Atualmente, os esquemas regionais de comércio de emissões nos Estados Unidos estão sendo planejados.
O desmatamento é responsável por cerca de 20% das emissões antrópicas mundiais, e muitos acreditam que o REDD possa contribuir na redução destas emissões, além de ter benefícios muito mais amplos como a conservação da biodiversidade e dos serviços ambientais.
O acordo, divulgado pelo governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, tem como foco as províncias de Papua e Aceh, na Indonésia, e os estados brasileiros do Amazonas, Pará, Amapá e Mato Grosso.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
Marcadores:
aquecimento global,
Brasil,
conservação da natureza,
créditos de carbono,
EUA,
Indonésia,
mercado de carbono
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Cuidados com animais
Recebi estas dicas por e-mail. Vale a pena considerar...
CHICLETES.
EMBRULHE ANTES DE JOGAR FORA:
ATRAÍDOS PELO CHEIRO ADOCICADO E PELO SABOR DE FRUTA, OS PASSARINHOS COMEM
RESTOS DE CHICLETES DEIXADOS, IRRESPONSAVELMENTE, EM QUALQUER LUGAR.
AO SENTIREM O CHICLETE GRUDANDO EM SEU BIQUINHO, TENTAM, DESESPERADOS,
RETIRÁ-LO COM OS PÉS...
E AÍ, ACONTECE O PIOR: ACABAM SUFOCADOS.
EMBRULHE O CHICLETE NUM PEDAÇO DE PAPEL E JOGUE-O NO LIXO.
REPASSE ESTE E-MAIL PARA QUE, TODOS TOMEM CONSCIÊNCIA, PRINCIPALMENTE, AS
CRIANÇAS.
É BOM LEMBRAR TAMBÉM QUE TAMPINHAS DE REFRIGERANTES E SACOS PLÁSTICOS QUE
VÃO PARAR NO MAR AFOGAM TARTARUGAS E GOLFINHOS QUE MORREM SUFOCADOS.
Filtro de cigarro também mata filhotes de passarinhos que o utilizam para
fazer ninho. A nicotina envenena os filhotes.
CHICLETES.
EMBRULHE ANTES DE JOGAR FORA:
ATRAÍDOS PELO CHEIRO ADOCICADO E PELO SABOR DE FRUTA, OS PASSARINHOS COMEM
RESTOS DE CHICLETES DEIXADOS, IRRESPONSAVELMENTE, EM QUALQUER LUGAR.
AO SENTIREM O CHICLETE GRUDANDO EM SEU BIQUINHO, TENTAM, DESESPERADOS,
RETIRÁ-LO COM OS PÉS...
E AÍ, ACONTECE O PIOR: ACABAM SUFOCADOS.
EMBRULHE O CHICLETE NUM PEDAÇO DE PAPEL E JOGUE-O NO LIXO.
REPASSE ESTE E-MAIL PARA QUE, TODOS TOMEM CONSCIÊNCIA, PRINCIPALMENTE, AS
CRIANÇAS.
É BOM LEMBRAR TAMBÉM QUE TAMPINHAS DE REFRIGERANTES E SACOS PLÁSTICOS QUE
VÃO PARAR NO MAR AFOGAM TARTARUGAS E GOLFINHOS QUE MORREM SUFOCADOS.
Filtro de cigarro também mata filhotes de passarinhos que o utilizam para
fazer ninho. A nicotina envenena os filhotes.
Marcadores:
conservação da natureza,
cuidados com animais,
fauna,
resíduos sólidos
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Por que conservar a natureza afinal?
Fernando Fernandez
09/10/2008, 09:00
Até hoje, a meu ver, o cinema só produziu uma obra prima sobre conservação da natureza. Acho que o único filme que já vi que merece este título é um dos mais despretensiosos, mas ao mesmo tempo um dos mais puros e mais sinceros: Dersu Uzala.
Dersu Uzala é um dos filmes menos conhecidos do grande cineasta japonês Akira Kurosawa, falecido há alguns anos. Fez até bastante sucesso quando foi lançado, em 1975, mas depois disso pouca gente ouviu falar dele. O filme conta a história da amizade entre duas pessoas imensamente diferentes: um cartógrafo russo, urbanóide, Arseniev, e um caçador siberiano, que é o tal Dersu. Arseniev lidera uma expedição cartográfica à Sibéria, no início do século XX, e contrata Dersu como seu guia pelas vastidões geladas. Dersu Uzala é um filme lento, com pouca ação, que pode parecer impalatável para alguns cinéfilos acostumados ao ritmo vertiginoso das produções hollywoodianas. Mas vale a pena garimpar as sutilezas com carinho, porque sua paciência será regiamente recompensada: essa majestosa obra prima tem várias cenas antológicas. Um dos maiores pequenos tesouros é a cena da fogueira.
Arseniev, Dersu e os soldados da expedição do primeiro estão em volta do fogo, à noite, comendo um animal recém abatido. De repente, um soldado pega um grande naco de carne e o joga no fogo. Para surpresa geral, o idoso Dersu pula, coloca a mão nas chamas e tira a carne do fogo. O soldado fica perplexo, e segue-se um diálogo mais ou menos assim: “Por que você fez isso? Você podia se queimar!” Dersu responde: “Por que você quer jogar essa carne no fogo? Outra gente vai chegar depois de nós e vai querer comer.” O soldado retruca: “Você está maluco? Nós estamos no meio da Sibéria! Não tem gente nenhuma aqui!” Isto era em 1907, não se esqueça. Mas Dersu então diz, irritado: “A floresta tem muitas gentes”. Para Arseniev, assistindo à discussão à distância, subitamente a ficha cai: sua sutil expressão desconcertada é inesquecível. Ele nem precisaria esperar Dersu completar: “Pode vir um rato, um texugo ou uma gralha, porque você vai jogar a carne no fogo?” O soldado olha ainda sem entender.
A cena da fogueira de Dersu Uzala é inesquecível, entre outras coisas, pelo claro foco de Dersu em conservação, muito além do ambientalismo: pode ser que nenhuma gente de nossa espécie venha, mas nem por isso as outras espécies não merecem sua consideração.
Por que conservar os animais e as plantas afinal? Podem ser apresentadas uma série de razões para isso. Uma das mais ouvidas é que as espécies são fontes de produtos úteis para a humanidade. Em alguma espécie de planta pode estar a cura do câncer, outra poderá fornecer o princípio ativo de algum cosmético fabuloso, ou genes que podem, quem sabe, ser transplantados para outra espécie com efeitos favoráveis. Esse argumento parece à primeira vista fazer bastante sentido. Porém, como bem apontado na revista científica Oikos pelo grande ecólogo inglês John Lawton em 1991, se queremos conservar a biodiversidade, ou pelo menos uma parte expressiva dela, esse é um argumento enganoso, e pode chegar a ser perigoso. Nem todas as espécies são úteis. Para começo de conversa, a maioria das espécies animais são besouros. Há imensa redundância em qualquer grande grupo animal ou vegetal, na bioquímica como em qualquer outra coisa. Muitas espécies são distinguíveis de suas parentes mais próximas apenas por ínfimas sutilezas em suas colorações, suas genitálias ou mesmo seu comportamento, sutilezas essas que só um especialista com anos de treino é capaz de perceber. Isso acontece porque na evolução o processo de especiação (formação de espécies) se dá por isolamento reprodutivo – uma espécie não mais cruzar fertilmente com a outra – e não por quantidade de diferenças entre as espécies. Sendo assim, muitas espécies têm genótipos muito similares ao de espécies próximas, e se desaparecessem, não estariam nos privando de substâncias particularmente diferentes ou valiosas. Provavelmente, embora muitas espécies sejam ou possam ser diretamente úteis ao homem, a maioria não o é.
O mesmo, claro, pode ser dito das utilidades mais óbvias das espécies, para agricultura, pecuária e extrativismo. As espécies adequadas para exploração por essas maneiras são uma ínfima proporção das espécies existentes. O maior problema com esse padrão é que os inimigos da conservação podem facilmente apontar isso e contra-argumentar que, pelo argumento básico da utilidade, a grande maioria das espécies não precisam ser protegidas. Não podemos, portanto, depender desse tipo de argumento.
É verdade que o argumento da utilidade das espécies tem uma versão aperfeiçoada que diz que algumas espécies são úteis afinal, não sabemos quais são ou não, e nessa situação é melhor conservarmos todas elas, ou pelo menos quantas pudermos. Colocado dessa forma, é um argumento bem mais respeitável, mais difícil de rebater, e portanto mais efetivo. Mesmo assim, não me parece que seja suficiente. Afinal de contas, redundâncias continuam existindo na natureza, e as ciências biológicas tem deixado cada vez mais claro onde elas estão. Sendo assim, depender do argumento de que temos que conservar todas as espécies por que não sabemos quais são úteis no fundo é apostar contra o progresso da ciência e do conhecimento. Longe de mim fazer esta aposta. Há, porém, algo que me desagrada mais fundo nas abordagens utilitaristas, mesmo nessa forma mais aperfeiçoada. Esse algo foi expresso com brilhantismo pelo próprio Lawton: “o argumento de que precisamos conservar espécies porque elas podem ser úteis é um argumento ao qual falta alma. É sensato, é verdadeiro, mas não tem espírito, não tem dimensão humana. É o argumento dos tecnocratas...” Cortei pelo meio a citação, desculpe, mas vou me redimir mais abaixo.
Pode ser até então que argumentos estreitamente utilitários sejam úteis, em determinados fóruns, para convencer os tecnocratas. Mas não me considero um tecnocrata, e se você também não for, precisamos continuar nossa procura, indo bem mais fundo – ou quem sabe, mais atrás no tempo.
Me lembro bem de quando aprendi história. Era uma de minhas matérias favoritas na escola e não tenho vergonha de confessar que esperava ansiosamente pelas aulas – que eram muito boas. Mas não me lembro de ter ouvido falar naquelas aulas, nem uma só fez, do efeito da degradação ambiental sobre a trajetória das civilizações humanas. A história, como era pesquisada e ensinada, era completamente cega a isso. Essa situação tem mudado completamente nas últimas décadas, e talvez o maior marco desta mudança até agora seja o maravilhoso e perturbador “Colapso”, de Jared Diamond, lançado em 2005. Se Diamond estiver certo – e seus argumentos são muito convincentes – várias das grandes civilizações do passado entraram em decadência e eventualmente colapsaram por causa de sua incapacidade de manejar adequadamente seus recursos naturais, ou mais precisamente de manter os processos ecológicos que geravam tais recursos. Ou seja, a manutenção da qualidade da água, fertilidade do solo, proteção contra erosão e regulação climática, entre outros, são serviços cruciais que os sistemas ecológicos nos prestam. Todas as nossas civilizações dependem disso, e cuidar bem ou mal dos processos ecológicos tem sido um dos grandes determinantes de que civilizações deram certo ou não. Só isso, e tudo isso. Conservar a natureza por essa razão não deixa de ser até certo ponto uma visão utilitária, mas a meu ver essa necessidade de conservar os processos ecológicos é um argumento infinitamente mais poderoso para a conservação da biodiversidade do que a mera utilidade de cada espécie como fonte de produtos.
Nos últimos anos, com os efeitos cada vez mais óbvios das mudanças climáticas globais, destruindo os delicados mecanismos regulatórios dos processos ecológicos vitais para a biosfera, a sombra do passado se torna cada vez mais inquietante, agora na escala do planeta inteiro. Nosso futuro depende cada vez mais da manutenção dos processos ecológicos. No entanto, sejamos sinceros: esse argumento não explica por que muitos de nós fazemos conservação.
Se você perguntar a um(a) conservacionista porque ele (ou ela) defende os animais, é provável que a resposta seja algo como, “porque eu gosto de bichos” (ou de plantas, conforme o caso). Eu me lembro de um debate onde vi José Truda, do Projeto Baleia Franca, depois de tentar longamente argumentar porque era importante preservar as baleias, explodir dizendo “Quer saber duma coisa? Eu não tenho que justificar por que eu quero conservar baleias, eu quero conservar baleias por que eu gosto de baleias!” Esse é o argumento sincero, verdadeiro, que vem da alma. Pode, é claro, ser um argumento bastante fraco se o virmos como uma idiossincrasia, como um capricho meramente individual. Mas não creio que seja o caso. Quero, ao invés disso, argumentar que nós gostamos de animais porque somos um, e que aí pode estar a resposta que procuramos.
Uma idéia profundamente revolucionária, proposta por Edward Wilson em 1994, é a da biofilia. A idéia central da biofilia é que gostar da natureza é um dos instintos fundamentais do ser humano. Em uma imensa variedade de outros animais, é comum o processo que os ecólogos chamam de “seleção de habitat”. Os animais são encontrados nos habitats favoráveis a eles porque tem instintos, evoluídos por seleção natural, para reconhecer tais habitats, nos quais evoluíram. O homem é uma espécie biológica, cujo comportamento é influenciado pela cultura adquirida nos últimos poucos milhares de anos, mas também, estejamos habituados a pensar nisso ou não, por instintos evoluídos ao longo de milhões de anos. Por isso, o homem tende a se sentir bem quando está em habitats similares àqueles em que evoluiu – o que explica porque, independente da cultura, gostamos de ir para áreas naturais para nossa recreação. Um dos exemplos mais maravilhosos de Wilson é quando ele se pergunta que tipo de habitat os paisagistas quase invariavelmente planejam, quando se dá a eles absoluta liberdade de criação. O resultado –freqüentemente visto em parques urbanos, campi universitários e condomínios - é uma paisagem com vastos espaços abertos, com o solo coberto de gramíneas, intercalados com pequenos bosques aqui e ali. Isso, Wilson alega, é uma reconstrução de uma savana – o habitat onde nossa espécie evoluiu. Similarmente, nós tendemos a gostar de animais, e de modo geral mais intensamente de animais mais parecidos conosco. Isso aconteceria por que instintivamente reconhecemos – com toda razão, de um ponto-de-vista evolutivo – que são próximos de nós.
Se Wilson está certo, ninguém precisa aprender a gostar de bichos: todos nós já nascemos gostando deles. Gostar dos bichos pelos bichos é muito mais que uma “estratégia” para a conservação da natureza: é uma parte de nós mesmos, que pode ser perdida ou não. Podemos, ao longo da educação, perder contato com a natureza - isso é cada vez mais fácil hoje em dia - e desaprender a gostar de bichos. Mas se conseguirmos evitar isso, aceitar nossa própria natureza animal, inclusive a biofilia que é parte importante dela, é um maravilhoso caminho tanto para o crescimento pessoal como para a mudança global.
Não, Truda, você não tem que se justificar por gostar de baleias. Isso é parte da sua natureza, da minha, e da de todos nós. As pessoas têm vidas mais felizes quando respeitam suas próprias naturezas. Não deveríamos precisar de mais nenhum argumento. Completando a citação do Lawton, “... nós não conservamos concertos de Mozart, pinturas de Monet e catedrais medievais por que eles são úteis. Nós os conservamos porque eles são bonitos e enriquecem nossas vidas.” Assim é também para os animais e as plantas, com a vantagem de que quanto à natureza temos também outros argumentos, para os difíceis de sensibilizar. É que, com todo respeito (e admiração) que tenho por Mozart e Monet, nosso futuro depende muito mais dos processos ecológicos da biosfera do que deles.
Não tenho nenhuma ilusão de que estejamos próximos de onde deveríamos estar. No nosso complexo mundo cultural, muitas outras fortíssimas influências, a começar por doutrinas religiosas que nos dizem que a natureza foi feita para nós, competem com a biofilia e nos levam a perder contato com nossas próprias naturezas. Hoje, a maioria das pessoas ainda está mais perto daquele soldado olhando pasmo para o Dersu do que do próprio Dersu.
No Mundo de hoje, enfrentar e resolver os problemas sociais, que causam tanto sofrimento humano à nossa volta, é sem dúvida fundamental. Acho que todo mundo concordaria com a proposição de isso só vai dar certo se o fizermos a partir de uma genuína preocupação com as pessoas, com os direitos de todos nós a vidas dignas e gratificantes. Dito isso, como argumentei acima, e como Diamond e as mudanças climáticas tem mostrado, conservar a natureza é essencial para o bem estar e para a própria prosperidade das sociedades humanas. No entanto, o leitor pode já ter reparado que eu raramente uso a expressão “meio ambiente”. Não gosto muito dessa expressão. A razão porque eu não gosto é que quando se fala em “meio ambiente”, está implícito que nos referimos ao ambiente (“meio ambiente” é pleonasmo) para a nossa própria espécie. Ou seja, o discurso de “meio ambiente” nos deixa presos ao argumento utilitário. Não gosto de depender disso. Para mim é claro que a mesma proposição que fiz acima para os problemas sociais também se aplica à conservação: num Mundo de tantos interesses econômicos e sociais conflitantes, só acredito que seremos bem sucedidos em conservar os animais e as plantas se o fizermos por eles mesmos, pelo direito que eles têm à vida. Não tenhamos uma visão estreita. Conservar a natureza é bom para a gente. Mas como Dersu já sabia, a floresta tem muitas gentes.
Fonte: O Eco
09/10/2008, 09:00
Até hoje, a meu ver, o cinema só produziu uma obra prima sobre conservação da natureza. Acho que o único filme que já vi que merece este título é um dos mais despretensiosos, mas ao mesmo tempo um dos mais puros e mais sinceros: Dersu Uzala.
Dersu Uzala é um dos filmes menos conhecidos do grande cineasta japonês Akira Kurosawa, falecido há alguns anos. Fez até bastante sucesso quando foi lançado, em 1975, mas depois disso pouca gente ouviu falar dele. O filme conta a história da amizade entre duas pessoas imensamente diferentes: um cartógrafo russo, urbanóide, Arseniev, e um caçador siberiano, que é o tal Dersu. Arseniev lidera uma expedição cartográfica à Sibéria, no início do século XX, e contrata Dersu como seu guia pelas vastidões geladas. Dersu Uzala é um filme lento, com pouca ação, que pode parecer impalatável para alguns cinéfilos acostumados ao ritmo vertiginoso das produções hollywoodianas. Mas vale a pena garimpar as sutilezas com carinho, porque sua paciência será regiamente recompensada: essa majestosa obra prima tem várias cenas antológicas. Um dos maiores pequenos tesouros é a cena da fogueira.
Arseniev, Dersu e os soldados da expedição do primeiro estão em volta do fogo, à noite, comendo um animal recém abatido. De repente, um soldado pega um grande naco de carne e o joga no fogo. Para surpresa geral, o idoso Dersu pula, coloca a mão nas chamas e tira a carne do fogo. O soldado fica perplexo, e segue-se um diálogo mais ou menos assim: “Por que você fez isso? Você podia se queimar!” Dersu responde: “Por que você quer jogar essa carne no fogo? Outra gente vai chegar depois de nós e vai querer comer.” O soldado retruca: “Você está maluco? Nós estamos no meio da Sibéria! Não tem gente nenhuma aqui!” Isto era em 1907, não se esqueça. Mas Dersu então diz, irritado: “A floresta tem muitas gentes”. Para Arseniev, assistindo à discussão à distância, subitamente a ficha cai: sua sutil expressão desconcertada é inesquecível. Ele nem precisaria esperar Dersu completar: “Pode vir um rato, um texugo ou uma gralha, porque você vai jogar a carne no fogo?” O soldado olha ainda sem entender.
A cena da fogueira de Dersu Uzala é inesquecível, entre outras coisas, pelo claro foco de Dersu em conservação, muito além do ambientalismo: pode ser que nenhuma gente de nossa espécie venha, mas nem por isso as outras espécies não merecem sua consideração.
Por que conservar os animais e as plantas afinal? Podem ser apresentadas uma série de razões para isso. Uma das mais ouvidas é que as espécies são fontes de produtos úteis para a humanidade. Em alguma espécie de planta pode estar a cura do câncer, outra poderá fornecer o princípio ativo de algum cosmético fabuloso, ou genes que podem, quem sabe, ser transplantados para outra espécie com efeitos favoráveis. Esse argumento parece à primeira vista fazer bastante sentido. Porém, como bem apontado na revista científica Oikos pelo grande ecólogo inglês John Lawton em 1991, se queremos conservar a biodiversidade, ou pelo menos uma parte expressiva dela, esse é um argumento enganoso, e pode chegar a ser perigoso. Nem todas as espécies são úteis. Para começo de conversa, a maioria das espécies animais são besouros. Há imensa redundância em qualquer grande grupo animal ou vegetal, na bioquímica como em qualquer outra coisa. Muitas espécies são distinguíveis de suas parentes mais próximas apenas por ínfimas sutilezas em suas colorações, suas genitálias ou mesmo seu comportamento, sutilezas essas que só um especialista com anos de treino é capaz de perceber. Isso acontece porque na evolução o processo de especiação (formação de espécies) se dá por isolamento reprodutivo – uma espécie não mais cruzar fertilmente com a outra – e não por quantidade de diferenças entre as espécies. Sendo assim, muitas espécies têm genótipos muito similares ao de espécies próximas, e se desaparecessem, não estariam nos privando de substâncias particularmente diferentes ou valiosas. Provavelmente, embora muitas espécies sejam ou possam ser diretamente úteis ao homem, a maioria não o é.
O mesmo, claro, pode ser dito das utilidades mais óbvias das espécies, para agricultura, pecuária e extrativismo. As espécies adequadas para exploração por essas maneiras são uma ínfima proporção das espécies existentes. O maior problema com esse padrão é que os inimigos da conservação podem facilmente apontar isso e contra-argumentar que, pelo argumento básico da utilidade, a grande maioria das espécies não precisam ser protegidas. Não podemos, portanto, depender desse tipo de argumento.
É verdade que o argumento da utilidade das espécies tem uma versão aperfeiçoada que diz que algumas espécies são úteis afinal, não sabemos quais são ou não, e nessa situação é melhor conservarmos todas elas, ou pelo menos quantas pudermos. Colocado dessa forma, é um argumento bem mais respeitável, mais difícil de rebater, e portanto mais efetivo. Mesmo assim, não me parece que seja suficiente. Afinal de contas, redundâncias continuam existindo na natureza, e as ciências biológicas tem deixado cada vez mais claro onde elas estão. Sendo assim, depender do argumento de que temos que conservar todas as espécies por que não sabemos quais são úteis no fundo é apostar contra o progresso da ciência e do conhecimento. Longe de mim fazer esta aposta. Há, porém, algo que me desagrada mais fundo nas abordagens utilitaristas, mesmo nessa forma mais aperfeiçoada. Esse algo foi expresso com brilhantismo pelo próprio Lawton: “o argumento de que precisamos conservar espécies porque elas podem ser úteis é um argumento ao qual falta alma. É sensato, é verdadeiro, mas não tem espírito, não tem dimensão humana. É o argumento dos tecnocratas...” Cortei pelo meio a citação, desculpe, mas vou me redimir mais abaixo.
Pode ser até então que argumentos estreitamente utilitários sejam úteis, em determinados fóruns, para convencer os tecnocratas. Mas não me considero um tecnocrata, e se você também não for, precisamos continuar nossa procura, indo bem mais fundo – ou quem sabe, mais atrás no tempo.
Me lembro bem de quando aprendi história. Era uma de minhas matérias favoritas na escola e não tenho vergonha de confessar que esperava ansiosamente pelas aulas – que eram muito boas. Mas não me lembro de ter ouvido falar naquelas aulas, nem uma só fez, do efeito da degradação ambiental sobre a trajetória das civilizações humanas. A história, como era pesquisada e ensinada, era completamente cega a isso. Essa situação tem mudado completamente nas últimas décadas, e talvez o maior marco desta mudança até agora seja o maravilhoso e perturbador “Colapso”, de Jared Diamond, lançado em 2005. Se Diamond estiver certo – e seus argumentos são muito convincentes – várias das grandes civilizações do passado entraram em decadência e eventualmente colapsaram por causa de sua incapacidade de manejar adequadamente seus recursos naturais, ou mais precisamente de manter os processos ecológicos que geravam tais recursos. Ou seja, a manutenção da qualidade da água, fertilidade do solo, proteção contra erosão e regulação climática, entre outros, são serviços cruciais que os sistemas ecológicos nos prestam. Todas as nossas civilizações dependem disso, e cuidar bem ou mal dos processos ecológicos tem sido um dos grandes determinantes de que civilizações deram certo ou não. Só isso, e tudo isso. Conservar a natureza por essa razão não deixa de ser até certo ponto uma visão utilitária, mas a meu ver essa necessidade de conservar os processos ecológicos é um argumento infinitamente mais poderoso para a conservação da biodiversidade do que a mera utilidade de cada espécie como fonte de produtos.
Nos últimos anos, com os efeitos cada vez mais óbvios das mudanças climáticas globais, destruindo os delicados mecanismos regulatórios dos processos ecológicos vitais para a biosfera, a sombra do passado se torna cada vez mais inquietante, agora na escala do planeta inteiro. Nosso futuro depende cada vez mais da manutenção dos processos ecológicos. No entanto, sejamos sinceros: esse argumento não explica por que muitos de nós fazemos conservação.
Se você perguntar a um(a) conservacionista porque ele (ou ela) defende os animais, é provável que a resposta seja algo como, “porque eu gosto de bichos” (ou de plantas, conforme o caso). Eu me lembro de um debate onde vi José Truda, do Projeto Baleia Franca, depois de tentar longamente argumentar porque era importante preservar as baleias, explodir dizendo “Quer saber duma coisa? Eu não tenho que justificar por que eu quero conservar baleias, eu quero conservar baleias por que eu gosto de baleias!” Esse é o argumento sincero, verdadeiro, que vem da alma. Pode, é claro, ser um argumento bastante fraco se o virmos como uma idiossincrasia, como um capricho meramente individual. Mas não creio que seja o caso. Quero, ao invés disso, argumentar que nós gostamos de animais porque somos um, e que aí pode estar a resposta que procuramos.
Uma idéia profundamente revolucionária, proposta por Edward Wilson em 1994, é a da biofilia. A idéia central da biofilia é que gostar da natureza é um dos instintos fundamentais do ser humano. Em uma imensa variedade de outros animais, é comum o processo que os ecólogos chamam de “seleção de habitat”. Os animais são encontrados nos habitats favoráveis a eles porque tem instintos, evoluídos por seleção natural, para reconhecer tais habitats, nos quais evoluíram. O homem é uma espécie biológica, cujo comportamento é influenciado pela cultura adquirida nos últimos poucos milhares de anos, mas também, estejamos habituados a pensar nisso ou não, por instintos evoluídos ao longo de milhões de anos. Por isso, o homem tende a se sentir bem quando está em habitats similares àqueles em que evoluiu – o que explica porque, independente da cultura, gostamos de ir para áreas naturais para nossa recreação. Um dos exemplos mais maravilhosos de Wilson é quando ele se pergunta que tipo de habitat os paisagistas quase invariavelmente planejam, quando se dá a eles absoluta liberdade de criação. O resultado –freqüentemente visto em parques urbanos, campi universitários e condomínios - é uma paisagem com vastos espaços abertos, com o solo coberto de gramíneas, intercalados com pequenos bosques aqui e ali. Isso, Wilson alega, é uma reconstrução de uma savana – o habitat onde nossa espécie evoluiu. Similarmente, nós tendemos a gostar de animais, e de modo geral mais intensamente de animais mais parecidos conosco. Isso aconteceria por que instintivamente reconhecemos – com toda razão, de um ponto-de-vista evolutivo – que são próximos de nós.
Se Wilson está certo, ninguém precisa aprender a gostar de bichos: todos nós já nascemos gostando deles. Gostar dos bichos pelos bichos é muito mais que uma “estratégia” para a conservação da natureza: é uma parte de nós mesmos, que pode ser perdida ou não. Podemos, ao longo da educação, perder contato com a natureza - isso é cada vez mais fácil hoje em dia - e desaprender a gostar de bichos. Mas se conseguirmos evitar isso, aceitar nossa própria natureza animal, inclusive a biofilia que é parte importante dela, é um maravilhoso caminho tanto para o crescimento pessoal como para a mudança global.
Não, Truda, você não tem que se justificar por gostar de baleias. Isso é parte da sua natureza, da minha, e da de todos nós. As pessoas têm vidas mais felizes quando respeitam suas próprias naturezas. Não deveríamos precisar de mais nenhum argumento. Completando a citação do Lawton, “... nós não conservamos concertos de Mozart, pinturas de Monet e catedrais medievais por que eles são úteis. Nós os conservamos porque eles são bonitos e enriquecem nossas vidas.” Assim é também para os animais e as plantas, com a vantagem de que quanto à natureza temos também outros argumentos, para os difíceis de sensibilizar. É que, com todo respeito (e admiração) que tenho por Mozart e Monet, nosso futuro depende muito mais dos processos ecológicos da biosfera do que deles.
Não tenho nenhuma ilusão de que estejamos próximos de onde deveríamos estar. No nosso complexo mundo cultural, muitas outras fortíssimas influências, a começar por doutrinas religiosas que nos dizem que a natureza foi feita para nós, competem com a biofilia e nos levam a perder contato com nossas próprias naturezas. Hoje, a maioria das pessoas ainda está mais perto daquele soldado olhando pasmo para o Dersu do que do próprio Dersu.
No Mundo de hoje, enfrentar e resolver os problemas sociais, que causam tanto sofrimento humano à nossa volta, é sem dúvida fundamental. Acho que todo mundo concordaria com a proposição de isso só vai dar certo se o fizermos a partir de uma genuína preocupação com as pessoas, com os direitos de todos nós a vidas dignas e gratificantes. Dito isso, como argumentei acima, e como Diamond e as mudanças climáticas tem mostrado, conservar a natureza é essencial para o bem estar e para a própria prosperidade das sociedades humanas. No entanto, o leitor pode já ter reparado que eu raramente uso a expressão “meio ambiente”. Não gosto muito dessa expressão. A razão porque eu não gosto é que quando se fala em “meio ambiente”, está implícito que nos referimos ao ambiente (“meio ambiente” é pleonasmo) para a nossa própria espécie. Ou seja, o discurso de “meio ambiente” nos deixa presos ao argumento utilitário. Não gosto de depender disso. Para mim é claro que a mesma proposição que fiz acima para os problemas sociais também se aplica à conservação: num Mundo de tantos interesses econômicos e sociais conflitantes, só acredito que seremos bem sucedidos em conservar os animais e as plantas se o fizermos por eles mesmos, pelo direito que eles têm à vida. Não tenhamos uma visão estreita. Conservar a natureza é bom para a gente. Mas como Dersu já sabia, a floresta tem muitas gentes.
Fonte: O Eco
Assinar:
Postagens (Atom)