Carbono particulado que sai dos escapamentos dos carros e da fumaça das queimadas ganha peso no debate climático. Papel de poluente no clima era incerto; São Paulo emite mais fuligem por ano do que todas as queimadas da Amazônia, estima cientista
Eduardo Geraque escreve para a “Folha de SP”:
A fuligem que sai dos escapamentos, das usinas termelétricas e das queimadas florestais responde por aproximadamente um terço do aquecimento global líquido. Amenizar o calor que ameaça ecossistemas e a biodiversidade, portanto, pode ser mais fácil e mais barato do que se imagina, afirmam pesquisadores.
Novas estimativas, feitas por vários grupos de pesquisa, estimam a importância de controlar o chamado carbono negro, fruto de qualquer processo de combustão.
A fuligem integra a classe dos aerossóis, partículas cujo papel no aquecimento e no resfriamento do planeta durante o século 20 é uma das principais incertezas do relatório do IPCC, o painel do clima da ONU. Agora os pesquisadores começam a diminuir essa incerteza.
"Em São Paulo, a maior fonte desse poluente é a frota de ônibus a diesel", diz Paulo Artaxo, físico da USP (Universidade de São Paulo), e membro do IPCC.
Nas contas feitas pela equipe do cientista, a capital paulista tem 20 vezes mais carbono negro em suspensão na sua atmosfera do que a Amazônia, com todas as suas queimadas.
"Retirar esse tipo de carbono é bom para o clima e para a saúde das pessoas." O que reforça a importância, diz Artaxo, de que exista vontade política para começar a melhorar o ar dos grandes centros urbanos.
Duas vezes mais rápido
Segundo o engenheiro ambiental Mark Jacobson, da Universidade Stanford (EUA), o controle do carbono negro, em uma década, pode frear o aquecimento global até duas vezes mais rápido do que a redução do gás carbônico.
Mas essa redução, ressalta, será apenas temporária se não vier acompanhada de um corte efetivo nas emissões de CO2. Este, no longo prazo, continua sendo o maior responsável pelo aquecimento global. Mas o carbono negro é o segundo, um pouco à frente do metano.
"A redução da fuligem sozinha pode eliminar um terço do aquecimento global líquido", afirmou Jacobson à Folha. O carbono negro também tem um efeito resfriador, pois ajuda a "semear" nuvens, que refletem a radiação para o espaço.
Em 2007, o pesquisador apresentou um plano ousado ao Congresso dos EUA. Pelas contas do cientista, é teoricamente factível construir e instalar 122 mil turbinas eólicas para movimentar toda a frota veicular do país por eletricidade. O esforço, no entanto, demandaria "apenas" trocar toda a frota americana por veículos elétricos a hidrogênio.
Essa ação, diz Jacobson, reduziria em aproximadamente 7% ao ano o impacto antrópico (causado por atividades humanas) sobre o aquecimento global. O cientista, claro, não calculou custos nem deu prazo para a troca.
No caso brasileiro, diz Artaxo, nem mesmo o carro a álcool está livre de emitir fuligem sufocante. "Toda combustão lança carbono negro no ar. O motor a álcool emite menos. O carro a gasolina, dez vezes mais, e o a diesel, cem vezes mais do que o a gasolina", diz o físico. Valores mais precisos dependem do tipo exato de veículo e o combustível colocado para encher o tanque.
Enquanto os cientistas refinam o impacto global do carbono negro, no Ártico, os dados estão mais consolidados.
Estudo da Nasa publicado em abril, na revista "Nature Geoscience", mostra que o poluente respondeu por 50% do aquecimento entre 1890 e 2007. Nesse período, os termômetros subiram, em média, 1,9C naquela região.
Na neve está o outro efeito perverso do carbono negro. A fuligem negra sobre ela também absorve calor, acelerando o derretimento do gelo.
Fonte: JC E-mail, da Folha de SP.
Mostrando postagens com marcador aquecimento global. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aquecimento global. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 12 de maio de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Indústrias do Paraná farão levantamento de emissão de gases do efeito estufa.
O Conselho Temático de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Fiep coordenará o levantamento que será repassado ao Fórum Estadual de Mudanças Climáticas
As indústrias do Paraná saberão, dentro de um ano, a quantidade de gases causadores de efeito estufa (GEE) lançados na atmosfera durante seus processos. Essa é a meta do setor industrial para contribuir com o inventário estadual de emissões de gases de efeito estufa, organizado pelo Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas, que levantará as emissões de gases de todos os setores.
O compromisso foi assumido pelo Conselho Temático de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e empresários de diversos setores nesta terça-feira (28), em Curitiba, durante o workshop “Inventário de Emissões de GEE”, promovido pelo Conselho.
“Esse é um passo importante que os industriais do Paraná dão para colaborar com o meio ambiente. Temos que continuar produzindo. A indústria não pode parar. Mas temos que produzir de forma sustentável e ambientalmente correta”, afirmou Roberto Gava, coordenador do Conselho de Meio Ambiente da Fiep.
A Fiep coordenará o inventário no setor industrial. As informações serão repassadas ao Fórum Estadual de Mudanças Climáticas, do qual o Conselho da Fiep faz parte. “Com o inventário, a empresa irá conhecer melhor seus impactos e com isto melhor desenhar uma estratégia de redução e compensação. Outros ganhos ambientais também podem ocorrer, tais como redução do consumo de matérias-primas e eficientização energética, entre outros”, explicou Gava. Os dados paranaenses serão levados ao Fórum Nacional, responsável por criar políticas públicas para diminuir as emissões.
Segundo a coordenadora do Fórum Estadual de Mudanças Climáticas, Manyu Chang, as discussões acerca do inventário estadual começaram em 2007. “Contamos com a colaboração dos responsáveis pelas fontes das emissões para traçar o perfil das emissões no Paraná. Temos que buscar os fatores na fonte certa, uma vez que as políticas do Estado vão se basear nos dados do inventário”, afirmou Manyu, lembrando que os GEE são provenientes de quatro fontes: energia, processos industriais, tratamento de resíduos e agropecuária.
O Paraná será o terceiro estado a realizar o inventário estadual. O primeiro foi o Rio de Janeiro, em 2007, seguido de Minas Gerais, em 2008. “Seguimos a metodologia do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), mas com algumas adaptações à realidade brasileira. Tivemos dificuldades, mas os resultados foram satisfatórios. Agora temos, por exemplo, referências setoriais, ou seja, sabemos a quantidade de emissões e quais gases são liberados pelos três grandes grupos de processos industriais: indústria mineral, química e metalúrgica”, disse Luiz Gonzaga Rezende, analista de ciência e tecnologia da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), de Minas Gerais. Rezende foi um dos responsáveis pela realização do inventário de gases em Minas Gerais.
Experiências – Durante o workshop, empresas mostraram quais dificuldades em realizar o inventário e os resultados obtidos. Uma delas foi a Petrobras, que desde 2002, elabora um relatório com dados sobre as emissões atmosféricas da empresa. Além dos gases do efeito estufa (dióxido de carbono, metano e óxido nitroso), também são levantadas as emissões de poluentes locais, como monóxido de carbono, óxidos de enxofre, nitrogênio, compostos orgânicos voláteis e material particulado, além dos gases queimados e consumo de combustível.
A empresa, segundo Rodrigo Chaves, coordenador do setor de Emissões Atmosféricas e Mudanças Climáticas da Petrobras, desenvolveu um sistema com módulo de simulação e dados reais, que consolida emissões desde o nível de fonte emissora em cada instalação e permite agregar dados em diversos níveis organizacionais, passando por unidades e áreas de negócio até a companhia como um todo.
“Com as informações, pudemos gerenciar as emissões e atender à legislação, avaliar o desempenho ambiental da empresa e contribuir para a ecoeficiência dos processos, utilizando matérias-primas menos poluentes, além de verificar novas oportunidades no mercado de carbono”, disse.
De acordo com Patrícia Monteiro, da Votorantin, a produção de cimento é a principal fonte de emissão de gás carbônico. “A média mundial é a emissão de 900kg de CO2 por tonelada de cimento produzido; na Votorantin, a média é de 600kg/ton. Nossa meta é chegar a 400kg por tonelada produzida”, disse.
Para alcançar esses índices, a empresa investe em estratégias de redução de poluentes, substituindo parte dos recursos naturais por combustíveis alternativos. “Na região sul, utilizamos cinzas provenientes de termoelétricas, biomassa proveniente da casca do arroz e combustíveis alternativos, como pneus”, explicou Patrícia.
Fonte: Bemparaná
As indústrias do Paraná saberão, dentro de um ano, a quantidade de gases causadores de efeito estufa (GEE) lançados na atmosfera durante seus processos. Essa é a meta do setor industrial para contribuir com o inventário estadual de emissões de gases de efeito estufa, organizado pelo Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas, que levantará as emissões de gases de todos os setores.
O compromisso foi assumido pelo Conselho Temático de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e empresários de diversos setores nesta terça-feira (28), em Curitiba, durante o workshop “Inventário de Emissões de GEE”, promovido pelo Conselho.
“Esse é um passo importante que os industriais do Paraná dão para colaborar com o meio ambiente. Temos que continuar produzindo. A indústria não pode parar. Mas temos que produzir de forma sustentável e ambientalmente correta”, afirmou Roberto Gava, coordenador do Conselho de Meio Ambiente da Fiep.
A Fiep coordenará o inventário no setor industrial. As informações serão repassadas ao Fórum Estadual de Mudanças Climáticas, do qual o Conselho da Fiep faz parte. “Com o inventário, a empresa irá conhecer melhor seus impactos e com isto melhor desenhar uma estratégia de redução e compensação. Outros ganhos ambientais também podem ocorrer, tais como redução do consumo de matérias-primas e eficientização energética, entre outros”, explicou Gava. Os dados paranaenses serão levados ao Fórum Nacional, responsável por criar políticas públicas para diminuir as emissões.
Segundo a coordenadora do Fórum Estadual de Mudanças Climáticas, Manyu Chang, as discussões acerca do inventário estadual começaram em 2007. “Contamos com a colaboração dos responsáveis pelas fontes das emissões para traçar o perfil das emissões no Paraná. Temos que buscar os fatores na fonte certa, uma vez que as políticas do Estado vão se basear nos dados do inventário”, afirmou Manyu, lembrando que os GEE são provenientes de quatro fontes: energia, processos industriais, tratamento de resíduos e agropecuária.
O Paraná será o terceiro estado a realizar o inventário estadual. O primeiro foi o Rio de Janeiro, em 2007, seguido de Minas Gerais, em 2008. “Seguimos a metodologia do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), mas com algumas adaptações à realidade brasileira. Tivemos dificuldades, mas os resultados foram satisfatórios. Agora temos, por exemplo, referências setoriais, ou seja, sabemos a quantidade de emissões e quais gases são liberados pelos três grandes grupos de processos industriais: indústria mineral, química e metalúrgica”, disse Luiz Gonzaga Rezende, analista de ciência e tecnologia da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), de Minas Gerais. Rezende foi um dos responsáveis pela realização do inventário de gases em Minas Gerais.
Experiências – Durante o workshop, empresas mostraram quais dificuldades em realizar o inventário e os resultados obtidos. Uma delas foi a Petrobras, que desde 2002, elabora um relatório com dados sobre as emissões atmosféricas da empresa. Além dos gases do efeito estufa (dióxido de carbono, metano e óxido nitroso), também são levantadas as emissões de poluentes locais, como monóxido de carbono, óxidos de enxofre, nitrogênio, compostos orgânicos voláteis e material particulado, além dos gases queimados e consumo de combustível.
A empresa, segundo Rodrigo Chaves, coordenador do setor de Emissões Atmosféricas e Mudanças Climáticas da Petrobras, desenvolveu um sistema com módulo de simulação e dados reais, que consolida emissões desde o nível de fonte emissora em cada instalação e permite agregar dados em diversos níveis organizacionais, passando por unidades e áreas de negócio até a companhia como um todo.
“Com as informações, pudemos gerenciar as emissões e atender à legislação, avaliar o desempenho ambiental da empresa e contribuir para a ecoeficiência dos processos, utilizando matérias-primas menos poluentes, além de verificar novas oportunidades no mercado de carbono”, disse.
De acordo com Patrícia Monteiro, da Votorantin, a produção de cimento é a principal fonte de emissão de gás carbônico. “A média mundial é a emissão de 900kg de CO2 por tonelada de cimento produzido; na Votorantin, a média é de 600kg/ton. Nossa meta é chegar a 400kg por tonelada produzida”, disse.
Para alcançar esses índices, a empresa investe em estratégias de redução de poluentes, substituindo parte dos recursos naturais por combustíveis alternativos. “Na região sul, utilizamos cinzas provenientes de termoelétricas, biomassa proveniente da casca do arroz e combustíveis alternativos, como pneus”, explicou Patrícia.
Fonte: Bemparaná
Marcadores:
aquecimento global,
inventário de GEEs,
Paraná
terça-feira, 14 de abril de 2009
Ciência ainda investiga impactos do derretimento da neve nos Andes sobre a bacia amazônica
Mônica Pinto / Ecoclima
Primeiro glaciólogo brasileiro, professor do Instituto de Geociências da UFRGS e pesquisador do CNPq, Jefferson Cardia Simões chamou a atenção da mídia em 2005, quando se tornou, integrando uma expedição chilena, o primeiro brasileiro a chegar por vias terrestres ao Pólo Sul Geográfico.
Geólogo, Ph.D. em Glaciologia pela Universidade de Cambridge (Inglaterra) e pós-doutor pelo Laboratoire de Glaciologie et Géophysique de l'Environnement (LGGE) du Centre National de la Recherche Scientifique - CNRS (França), ele introduziu no Brasil a ciência glaciológica e a Geografia das Regiões Polares, lecionando nos programas de pós-graduação em Geociências e Geografia da UFRGS, onde orienta alunos de mestrado e doutorado.
Simões criou o Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas da UFRGS, centro brasileiro de estudos sobre a neve e o gelo; coordena projetos do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) e foi coordenador-geral da rede de pesquisas Antártica, as Mudanças Globais e o Brasil, no período entre 2002 e 2006.
O brasileiro marcou presença em 19 expedições polares e, recentemente, liderou a primeira expedição científica nacional ao interior do continente antártico. O cientista coordena a participação brasileira nas investigações de testemunhos de gelo antárticos, que possibilitaram mensurar a concentração dos gases de efeito estufa antes das medições modernas, iniciadas somente em 1958.
Segundo ele, uma série destes testemunhos de gelo possibilita o conhecimento quanto à evolução e variabilidade naturais do CO2 (dióxido de carbono), CH4 (metano) e também do N2O (óxido nitroso), ao longo dos últimos 800 mil anos.
“São esses estudos a demonstrarem que, desde o início da Revolução Industrial, a concentração de CO2 já aumentou 36% e a de metano quase 130%”, diz Jefferson Simões. “Estes estudos também mostram a variabilidade natural do sistema climático, ajudando a separarmos esta daquela induzida pelo homem”.
Um dos conferencistas no III Seminário Brasileiro sobre Mudanças Climáticas e Sequestro de Carbono, que acontece de 14 a 17 deste mês, em Foz do Iguaçu (PR), ele vai discorrer sobre “O registro das variações de dióxido de carbono e metano nas amostras de gelo da Antártica e da Groenlândia” (veja mais informações sobre o evento na página inicial do Instituto Ecoclima - www.ecoclima.org.br).
Confira sua entrevista:
Ecoclima - O que há de verdade e de mito no derretimento do gelo planetário, causado pelas mudanças climáticas?
Jefferson Cardia Simões - Existe na imprensa uma grande confusão pelo uso generalizado do termo “calota polar”. Temos fenômenos bastante diferentes ocorrendo nas duas regiões polares e no gelo nas montanhas nas regiões temperadas e nos trópicos.
O Ártico é um oceano congelado circundado por terra. Esse gelo está sumindo rapidamente e já temos previsões que o Oceano Ártico não vá mais estar congelado no auge do verão já em 2050. Isto tem sérias consequências para o clima do planeta e para os organismo vivos que lá habitam – como o urso polar -, mas não afetará o nível dos mares, visto que o mar congelado já está flutuando.
Na Antártica, o descongelamento é somente na parte mais quente do continente (a Península Antártica) e onde só está menos de 2% do volume de gelo total do continente. O descongelamento aí é rápido. Por outro lado, ainda não temos evidência de qualquer descongelamento do resto do gelo do manto antártico. É bom lembrar que 90% do volume de gelo do planeta está na Antártica.
As geleiras que estão desaparecendo rapidamente são as das regiões montanhosas como Andes, Himalaia, Alpes etc. Algumas geleiras da Bolívia e do Peru perderam mais de 25% de sua área nos últimos 40 anos. A Groenlândia, na parte sul, apresenta também um rápido derretimento.
Ecoclima - No Brasil, qual é, afinal, o entendimento científico quanto à possibilidade de inundação das cidades litorâneas?
Jefferson - Os quadros mais realistas mostram um aumento do nível do mar de até 60 cm até o ano 2.100. Os piores cenários chegam a 1,2 m. Evidentemente, isto implica em altos custos sociais e econômicos, afetando moradias nas regiões mais baixas, mudanças na estrutura portuaria, maiores custos na defesa costeira. É, claro, serão as populações mais carentes que sofrerão o impacto desse aumento do nível do mar.
Ecoclima - Já se prevê impacto do derretimento sobre a oferta de água potável, notoriamente hoje já escassa. Como isso se processa?
Jefferson - Em muitas regiões costeiras, a água potável provem de aquíferos formados por sedimentos - areia, por exemplo. Conforme o mar avança continente adentro, uma cunha de água salgada também avança subterraneamente, contaminando o aqüífero, ou seja, a água torna-se mais salgada.
Ecoclima - Sabe-se que a bacia amazônica sofre direta influência das neves andinas. O que a Ciência já previu em relação aos impactos da transformação nessas influências?
Jefferson - Na verdade, não se sabe. Os estudos sobre este assunto iniciaram este ano, sob a liderança do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera, instalado no Instituto de Geociências da UFRGS. Questões a serem respondidas: como o aumento do derretimento das geleiras andinas afetará as nascentes dos rios amazônicos? Quais as consequências para a vazão desses rios? E para os processos erosivos e carga de sedimentos transportados a jusante?
Fonte: Ecoclima
Primeiro glaciólogo brasileiro, professor do Instituto de Geociências da UFRGS e pesquisador do CNPq, Jefferson Cardia Simões chamou a atenção da mídia em 2005, quando se tornou, integrando uma expedição chilena, o primeiro brasileiro a chegar por vias terrestres ao Pólo Sul Geográfico.
Geólogo, Ph.D. em Glaciologia pela Universidade de Cambridge (Inglaterra) e pós-doutor pelo Laboratoire de Glaciologie et Géophysique de l'Environnement (LGGE) du Centre National de la Recherche Scientifique - CNRS (França), ele introduziu no Brasil a ciência glaciológica e a Geografia das Regiões Polares, lecionando nos programas de pós-graduação em Geociências e Geografia da UFRGS, onde orienta alunos de mestrado e doutorado.
Simões criou o Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas da UFRGS, centro brasileiro de estudos sobre a neve e o gelo; coordena projetos do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) e foi coordenador-geral da rede de pesquisas Antártica, as Mudanças Globais e o Brasil, no período entre 2002 e 2006.
O brasileiro marcou presença em 19 expedições polares e, recentemente, liderou a primeira expedição científica nacional ao interior do continente antártico. O cientista coordena a participação brasileira nas investigações de testemunhos de gelo antárticos, que possibilitaram mensurar a concentração dos gases de efeito estufa antes das medições modernas, iniciadas somente em 1958.
Segundo ele, uma série destes testemunhos de gelo possibilita o conhecimento quanto à evolução e variabilidade naturais do CO2 (dióxido de carbono), CH4 (metano) e também do N2O (óxido nitroso), ao longo dos últimos 800 mil anos.
“São esses estudos a demonstrarem que, desde o início da Revolução Industrial, a concentração de CO2 já aumentou 36% e a de metano quase 130%”, diz Jefferson Simões. “Estes estudos também mostram a variabilidade natural do sistema climático, ajudando a separarmos esta daquela induzida pelo homem”.
Um dos conferencistas no III Seminário Brasileiro sobre Mudanças Climáticas e Sequestro de Carbono, que acontece de 14 a 17 deste mês, em Foz do Iguaçu (PR), ele vai discorrer sobre “O registro das variações de dióxido de carbono e metano nas amostras de gelo da Antártica e da Groenlândia” (veja mais informações sobre o evento na página inicial do Instituto Ecoclima - www.ecoclima.org.br).
Confira sua entrevista:
Ecoclima - O que há de verdade e de mito no derretimento do gelo planetário, causado pelas mudanças climáticas?
Jefferson Cardia Simões - Existe na imprensa uma grande confusão pelo uso generalizado do termo “calota polar”. Temos fenômenos bastante diferentes ocorrendo nas duas regiões polares e no gelo nas montanhas nas regiões temperadas e nos trópicos.
O Ártico é um oceano congelado circundado por terra. Esse gelo está sumindo rapidamente e já temos previsões que o Oceano Ártico não vá mais estar congelado no auge do verão já em 2050. Isto tem sérias consequências para o clima do planeta e para os organismo vivos que lá habitam – como o urso polar -, mas não afetará o nível dos mares, visto que o mar congelado já está flutuando.
Na Antártica, o descongelamento é somente na parte mais quente do continente (a Península Antártica) e onde só está menos de 2% do volume de gelo total do continente. O descongelamento aí é rápido. Por outro lado, ainda não temos evidência de qualquer descongelamento do resto do gelo do manto antártico. É bom lembrar que 90% do volume de gelo do planeta está na Antártica.
As geleiras que estão desaparecendo rapidamente são as das regiões montanhosas como Andes, Himalaia, Alpes etc. Algumas geleiras da Bolívia e do Peru perderam mais de 25% de sua área nos últimos 40 anos. A Groenlândia, na parte sul, apresenta também um rápido derretimento.
Ecoclima - No Brasil, qual é, afinal, o entendimento científico quanto à possibilidade de inundação das cidades litorâneas?
Jefferson - Os quadros mais realistas mostram um aumento do nível do mar de até 60 cm até o ano 2.100. Os piores cenários chegam a 1,2 m. Evidentemente, isto implica em altos custos sociais e econômicos, afetando moradias nas regiões mais baixas, mudanças na estrutura portuaria, maiores custos na defesa costeira. É, claro, serão as populações mais carentes que sofrerão o impacto desse aumento do nível do mar.
Ecoclima - Já se prevê impacto do derretimento sobre a oferta de água potável, notoriamente hoje já escassa. Como isso se processa?
Jefferson - Em muitas regiões costeiras, a água potável provem de aquíferos formados por sedimentos - areia, por exemplo. Conforme o mar avança continente adentro, uma cunha de água salgada também avança subterraneamente, contaminando o aqüífero, ou seja, a água torna-se mais salgada.
Ecoclima - Sabe-se que a bacia amazônica sofre direta influência das neves andinas. O que a Ciência já previu em relação aos impactos da transformação nessas influências?
Jefferson - Na verdade, não se sabe. Os estudos sobre este assunto iniciaram este ano, sob a liderança do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera, instalado no Instituto de Geociências da UFRGS. Questões a serem respondidas: como o aumento do derretimento das geleiras andinas afetará as nascentes dos rios amazônicos? Quais as consequências para a vazão desses rios? E para os processos erosivos e carga de sedimentos transportados a jusante?
Fonte: Ecoclima
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Carbono do desmatamento colocaria o Brasil entre os maiores poluidores do mundo
9/4/2009
Alana Gandra
Rio de Janeiro, RJ - As emissões de carbono provenientes do desmatamento são significativas e colocariam o Brasil, caso fossem contabilizadas, na quarta ou quinta posição entre os maiories emissores de carbono do Mundo.
Por causa disso, segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (Abemc), Flávio Gazani, os países industrializados deverão exercer forte pressão para incluir os projetos de conservação florestal no novo acordo que deverá substituir o Protocolo de Quioto, a partir de 2012. “Por isso, eu acho que o país vai sofrer uma pressão muito grande nas próximas negociações”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.
Para o presidente da Abemc, as nações industrializadas procuram incluir esse tipo de projeto no protocolo “mais preocupadas com a nossa floresta, ainda com grandes áreas preservadas. Porque as suas [florestas] quase não existem atualmente”.
O governo brasileiro é contra a inclusão dos projetos de conservação florestal no acordo, por uma questão de soberania nacional, explicou Gazani. “A posição do Itamaraty tem sido historicamente contra a inclusão de projetos de desmatamento ou de conservação florestal. Até por receio de algum tipo de moção anti-desenvolvimentista, conservacionista, imposta ao nosso país”, afirmou.
Nenhum país pode, atualmente, incluir projetos de conservação florestal no Protocolo de Quioto como projetos de redução de emissões de gases poluentes, o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O protocolo permite apenas duas modalidades de projetos de MDL na área florestal: reflorestamento de áreas degradadas ou aflorestamento, ou seja, o plantio em áreas que nunca tiveram árvores. “Conservação florestal, ou desmatamento evitável, não é elegível como projeto de MDL”, disse Flávio Gazani.
Os projetos que não são aceitos pelo Protocolo de Quioto são aceitos pelo mercado voluntário, que funciona em paralelo ao mercado regulado, e é movido pelas iniciativas de empresas que têm medidas voluntárias de redução de emissão.
Um exemplo é o projeto do governo do Amazonas que recebeu financiamento do Bradesco, por meio do programa Banco do Planeta. Foi criada a Fundação Amazonas Sustentável, considerada uma ferramenta fundamental na implementação da Política Estadual de Mudanças Climáticas no estado. Ela tem por objetivo combater o desmatamento, além de contribuir para a construção de uma relação harmônica entre o homem e a floresta, por meio da promoção de projetos de uso sustentável dos recursos florestais.
O novo tratado climático que substituirá o Protocolo de Quioto deve ser concluído até dezembro próximo, na reunião da Organização das Nações Unidas, programada para ocorrer em Copenhague, na Dinamarca.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
Alana Gandra
Rio de Janeiro, RJ - As emissões de carbono provenientes do desmatamento são significativas e colocariam o Brasil, caso fossem contabilizadas, na quarta ou quinta posição entre os maiories emissores de carbono do Mundo.
Por causa disso, segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (Abemc), Flávio Gazani, os países industrializados deverão exercer forte pressão para incluir os projetos de conservação florestal no novo acordo que deverá substituir o Protocolo de Quioto, a partir de 2012. “Por isso, eu acho que o país vai sofrer uma pressão muito grande nas próximas negociações”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.
Para o presidente da Abemc, as nações industrializadas procuram incluir esse tipo de projeto no protocolo “mais preocupadas com a nossa floresta, ainda com grandes áreas preservadas. Porque as suas [florestas] quase não existem atualmente”.
O governo brasileiro é contra a inclusão dos projetos de conservação florestal no acordo, por uma questão de soberania nacional, explicou Gazani. “A posição do Itamaraty tem sido historicamente contra a inclusão de projetos de desmatamento ou de conservação florestal. Até por receio de algum tipo de moção anti-desenvolvimentista, conservacionista, imposta ao nosso país”, afirmou.
Nenhum país pode, atualmente, incluir projetos de conservação florestal no Protocolo de Quioto como projetos de redução de emissões de gases poluentes, o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O protocolo permite apenas duas modalidades de projetos de MDL na área florestal: reflorestamento de áreas degradadas ou aflorestamento, ou seja, o plantio em áreas que nunca tiveram árvores. “Conservação florestal, ou desmatamento evitável, não é elegível como projeto de MDL”, disse Flávio Gazani.
Os projetos que não são aceitos pelo Protocolo de Quioto são aceitos pelo mercado voluntário, que funciona em paralelo ao mercado regulado, e é movido pelas iniciativas de empresas que têm medidas voluntárias de redução de emissão.
Um exemplo é o projeto do governo do Amazonas que recebeu financiamento do Bradesco, por meio do programa Banco do Planeta. Foi criada a Fundação Amazonas Sustentável, considerada uma ferramenta fundamental na implementação da Política Estadual de Mudanças Climáticas no estado. Ela tem por objetivo combater o desmatamento, além de contribuir para a construção de uma relação harmônica entre o homem e a floresta, por meio da promoção de projetos de uso sustentável dos recursos florestais.
O novo tratado climático que substituirá o Protocolo de Quioto deve ser concluído até dezembro próximo, na reunião da Organização das Nações Unidas, programada para ocorrer em Copenhague, na Dinamarca.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
Marcadores:
aquecimento global,
Brasil,
créditos de carbono,
desmatamento,
poluição
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Gelo cada vez mais fino
8/4/2009
Agência FAPESP – Um estudo feito a partir de novos dados obtidos pelo satélite Acqua, da Nasa, a agência espacial norte-americana, mostra que o processo de diminuição do gelo marinho no Ártico – que já dura uma década – continua. O manto de gelo também está cada vez mais fino.
O gelo marinho no Ártico funciona como se fosse uma espécie de ar condicionado para o sistema climático global. O gelo naturalmente esfria as massas de ar e água, tem papel fundamental na circulação oceânica e reflete a radiação solar de volta ao espaço.
Pesquisadores que monitoram a calota glacial ártica a partir do espaço afirmam que no último inverno (no hemisfério Norte) o gelo no círculo polar apresentou a quinta menor extensão desde que esse tipo de registro começou a ser feito, em 1979.
Os seis menores níveis ocorreram justamente nos últimos seis anos, de 2004 a 2009. A velocidade com que o gelo marinho no extremo norte do planeta está encolhendo tem surpreendido os cientistas.
Até recentemente, a maior parte do gelo marinho no Ártico costumava permanecer por no mínimo um verão e, muitas vezes, durante vários. Mas tal cenário tem mudado dramaticamente, segundo Charles Flowler, da Universidade do Colorado, que coordenou o novo estudo.
Hoje, o gelo sazonal fino – que derrete e recongela a cada ano – responde por cerca de 70% da cobertura no Ártico no inverno. Até a década de 1990, o total desse tipo de gelo chegava no máximo a 50%.
Segundo os cientistas, o gelo mais espesso, capaz de resistir por dois ou mais anos, agora equivale a apenas 10% da cobertura ártica no inverno. Até a década de 1990, variava entre 30% e 40%.
O estudo destaca que a extensão máxima do gelo marinho na região no período 2008-2009, atingida em 28 de fevereiro, chegou a 15 milhões de quilômetros quadrados. O total corresponde a 720 mil quilômetros quadrados a menos do que a média entre 1979 e 2000.
“A extensão do gelo é uma medida importante da saúde do Ártico, mas ela nos dá apenas uma visão bidimensional da cobertura do gelo. Espessura também é importante, especialmente no inverno, porque se trata do melhor indicador geral da calota. À medida que a camada de gelo no Ártico fica mais fina, ela se torna mais vulnerável ao aquecimento que ocorre no verão”, explicou Walter Meier, um dos pesquisadores do grupo de Flowler.
Segundo os cientistas, conforme o gelo mais espesso desaparece, ele é substituído por uma camada mais nova. Essa cobertura é também mais fina e mais suscetível ao derretimento no verão. O gelo sazonal tem em média 1,8 metro, enquanto que a capa mais espessa – capaz de sobreviver a mais de um verão – tem cerca de 2,7 metros.
Mais informações: www.nasa.gov
Fonte: Agência FAPESP
Agência FAPESP – Um estudo feito a partir de novos dados obtidos pelo satélite Acqua, da Nasa, a agência espacial norte-americana, mostra que o processo de diminuição do gelo marinho no Ártico – que já dura uma década – continua. O manto de gelo também está cada vez mais fino.
O gelo marinho no Ártico funciona como se fosse uma espécie de ar condicionado para o sistema climático global. O gelo naturalmente esfria as massas de ar e água, tem papel fundamental na circulação oceânica e reflete a radiação solar de volta ao espaço.
Pesquisadores que monitoram a calota glacial ártica a partir do espaço afirmam que no último inverno (no hemisfério Norte) o gelo no círculo polar apresentou a quinta menor extensão desde que esse tipo de registro começou a ser feito, em 1979.
Os seis menores níveis ocorreram justamente nos últimos seis anos, de 2004 a 2009. A velocidade com que o gelo marinho no extremo norte do planeta está encolhendo tem surpreendido os cientistas.
Até recentemente, a maior parte do gelo marinho no Ártico costumava permanecer por no mínimo um verão e, muitas vezes, durante vários. Mas tal cenário tem mudado dramaticamente, segundo Charles Flowler, da Universidade do Colorado, que coordenou o novo estudo.
Hoje, o gelo sazonal fino – que derrete e recongela a cada ano – responde por cerca de 70% da cobertura no Ártico no inverno. Até a década de 1990, o total desse tipo de gelo chegava no máximo a 50%.
Segundo os cientistas, o gelo mais espesso, capaz de resistir por dois ou mais anos, agora equivale a apenas 10% da cobertura ártica no inverno. Até a década de 1990, variava entre 30% e 40%.
O estudo destaca que a extensão máxima do gelo marinho na região no período 2008-2009, atingida em 28 de fevereiro, chegou a 15 milhões de quilômetros quadrados. O total corresponde a 720 mil quilômetros quadrados a menos do que a média entre 1979 e 2000.
“A extensão do gelo é uma medida importante da saúde do Ártico, mas ela nos dá apenas uma visão bidimensional da cobertura do gelo. Espessura também é importante, especialmente no inverno, porque se trata do melhor indicador geral da calota. À medida que a camada de gelo no Ártico fica mais fina, ela se torna mais vulnerável ao aquecimento que ocorre no verão”, explicou Walter Meier, um dos pesquisadores do grupo de Flowler.
Segundo os cientistas, conforme o gelo mais espesso desaparece, ele é substituído por uma camada mais nova. Essa cobertura é também mais fina e mais suscetível ao derretimento no verão. O gelo sazonal tem em média 1,8 metro, enquanto que a capa mais espessa – capaz de sobreviver a mais de um verão – tem cerca de 2,7 metros.
Mais informações: www.nasa.gov
Fonte: Agência FAPESP
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Pesquisadores preveem perda de 80% do gelo do Ártico em 30 anos
WASHINGTON, EUA - A camada glacial do Ártico poderá sofrer uma redução de até 80% nos próximos 30 anos, adverte um estudo publicado nesta quinta-feira nos Estados Unidos sobre os efeitos do aquecimento global no planeta.
"A superfície do mar Ártico coberta de gelo no final do verão poderá não passar de um milhão de km2 em 2040, contra 4,6 milhões de km2 hoje", estimam os autores do estudo realizado pela Universidade do Estado de Washington e pela administração americana para a atmosfera e os oceanos (NOAA).
Os pesquisadores aplicaram modelos de previsão nos quais levam em conta as últimas evoluções da camada glacial no Ártico, que sofreu uma "redução espetacular" no final dos verões de 2007 e de 2008, quando a superfície de gelo se viu limitada a 4,3 e 4,7 milhões de km2, respectivamente.
A média destes seis modelos "permite prever um Ártico praticamente sem gelo dentro de 32 anos, revelam Muyin Wang, climatologista da Universidade de Washington, em Seattle, e o oceanógrafo do NOAA James Overland.
Segundo Wang e Overland, os modelos precedentes, elaborados em 2007, previam esta redução apenas para o final do século XXI, por volta de 2100.
"Tanta água livre poderá ser benéfica para a circulação marítima e para a extração de minerais e petróleo, mas também será um problema de adaptação do ecossistema", adverte o estudo.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
"A superfície do mar Ártico coberta de gelo no final do verão poderá não passar de um milhão de km2 em 2040, contra 4,6 milhões de km2 hoje", estimam os autores do estudo realizado pela Universidade do Estado de Washington e pela administração americana para a atmosfera e os oceanos (NOAA).
Os pesquisadores aplicaram modelos de previsão nos quais levam em conta as últimas evoluções da camada glacial no Ártico, que sofreu uma "redução espetacular" no final dos verões de 2007 e de 2008, quando a superfície de gelo se viu limitada a 4,3 e 4,7 milhões de km2, respectivamente.
A média destes seis modelos "permite prever um Ártico praticamente sem gelo dentro de 32 anos, revelam Muyin Wang, climatologista da Universidade de Washington, em Seattle, e o oceanógrafo do NOAA James Overland.
Segundo Wang e Overland, os modelos precedentes, elaborados em 2007, previam esta redução apenas para o final do século XXI, por volta de 2100.
"Tanta água livre poderá ser benéfica para a circulação marítima e para a extração de minerais e petróleo, mas também será um problema de adaptação do ecossistema", adverte o estudo.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Carbono sequestrado no subsolo
2/4/2009
Agência FAPESP – O processo de remoção de dióxido de carbono, conhecido como sequestro de carbono, tem sido discutido há mais de dez anos como uma das principais alternativas para tentar controlar os níveis do gás na atmosfera e diminuir o efeito estufa e as mudanças climáticas.
Esse mecanismo ocorre naturalmente em oceanos, florestas e em outros organismos que, por meio de fotossíntese, capturam o carbono e lançam oxigênio na atmosfera.
Recentemente estudos começaram a avaliar o potencial do sequestro geológico induzido, que envolveria o desenvolvimento de tecnologias para capturar e armazenar o excesso de carbono no subsolo. Uma nova pesquisa, publicada na edição desta quinta-feira (2/4) da revista Nature, aponta um futuro promissor para essa alternativa.
Não só futuro como passado, pois o artigo destaca que há milhões de anos o dióxido de carbono tem sido armazenado seguramente junto com água subterrânea em campos de gás natural. Entretanto, conter milhões de metros cúbicos de gás carbônico em campos de petróleo ou de gás natural esgotados envolve vários riscos, como o escape do gás. Não se sabia com certeza se o gás poderia ser mantido com segurança no subsolo.
Estudos anteriores usaram modelos computacionais para simular a injeção de dióxido de carbono em reservatórios em campos de gás ou petróleo de modo a tentar identificar onde o gás poderia parar. Alguns modelos apontaram que o gás se dissolveria na água, enquanto outros estimaram que poderia reagir com minerais nas rochas de modo a formar carbonatos, terminando aprisionado.
De modo a verificar exatamente como o gás é mantido, um grupo internacional realizou simulações computacionais e em seguida mediu as taxas de isótopos estáveis de carbono e de gases nobres como hélio e neônio em nove campos de gás na América do Norte, China e Europa. Tais campos foram naturalmente preenchidos com dióxido de carbono há milhões de anos.
A conclusão é que o principal responsável pela captura eficiente, por tanto tempo, é a água. “Ao combinar as simulações com as medições locais, pudemos identificar exatamente onde o dióxido de carbono está sendo mantido. Sabíamos que gás e petróleo estavam armazenados seguramente por milhões de anos em campos de gás e petróleo. Agora, nosso estudo mostrou claramente que o dióxido de carbono tem sido contido natural e seguramente na água subterrânea nesses campos”, disse Stuart Gilfillan, das universidades de Manchester e de Edimburgo, no Reino Unido, principal autor do estudo.
Os pesquisadores apontam que estudos futuros poderão usar tal conhecimento para poder desenvolver tecnologias que permitam o armazenamento artificial do dióxido de carbono. Tais soluções precisarão ser tão eficientes como a estocagem natural, que tem resistido por muito tempo mesmo em casos extremos, como no terremoto que gerou o tsunami no Sudeste Asiático em 2004. Mesmo com uma magnitude acima de 9 na escala Richter, o evento não resultou no rompimento de depósitos geológicos naturais.
O artigo Solubility trapping in formation water as dominant CO2 sink in natural gas fields, de Stuart Gilfillan e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
Fonte: Agência FAPESP
Agência FAPESP – O processo de remoção de dióxido de carbono, conhecido como sequestro de carbono, tem sido discutido há mais de dez anos como uma das principais alternativas para tentar controlar os níveis do gás na atmosfera e diminuir o efeito estufa e as mudanças climáticas.
Esse mecanismo ocorre naturalmente em oceanos, florestas e em outros organismos que, por meio de fotossíntese, capturam o carbono e lançam oxigênio na atmosfera.
Recentemente estudos começaram a avaliar o potencial do sequestro geológico induzido, que envolveria o desenvolvimento de tecnologias para capturar e armazenar o excesso de carbono no subsolo. Uma nova pesquisa, publicada na edição desta quinta-feira (2/4) da revista Nature, aponta um futuro promissor para essa alternativa.
Não só futuro como passado, pois o artigo destaca que há milhões de anos o dióxido de carbono tem sido armazenado seguramente junto com água subterrânea em campos de gás natural. Entretanto, conter milhões de metros cúbicos de gás carbônico em campos de petróleo ou de gás natural esgotados envolve vários riscos, como o escape do gás. Não se sabia com certeza se o gás poderia ser mantido com segurança no subsolo.
Estudos anteriores usaram modelos computacionais para simular a injeção de dióxido de carbono em reservatórios em campos de gás ou petróleo de modo a tentar identificar onde o gás poderia parar. Alguns modelos apontaram que o gás se dissolveria na água, enquanto outros estimaram que poderia reagir com minerais nas rochas de modo a formar carbonatos, terminando aprisionado.
De modo a verificar exatamente como o gás é mantido, um grupo internacional realizou simulações computacionais e em seguida mediu as taxas de isótopos estáveis de carbono e de gases nobres como hélio e neônio em nove campos de gás na América do Norte, China e Europa. Tais campos foram naturalmente preenchidos com dióxido de carbono há milhões de anos.
A conclusão é que o principal responsável pela captura eficiente, por tanto tempo, é a água. “Ao combinar as simulações com as medições locais, pudemos identificar exatamente onde o dióxido de carbono está sendo mantido. Sabíamos que gás e petróleo estavam armazenados seguramente por milhões de anos em campos de gás e petróleo. Agora, nosso estudo mostrou claramente que o dióxido de carbono tem sido contido natural e seguramente na água subterrânea nesses campos”, disse Stuart Gilfillan, das universidades de Manchester e de Edimburgo, no Reino Unido, principal autor do estudo.
Os pesquisadores apontam que estudos futuros poderão usar tal conhecimento para poder desenvolver tecnologias que permitam o armazenamento artificial do dióxido de carbono. Tais soluções precisarão ser tão eficientes como a estocagem natural, que tem resistido por muito tempo mesmo em casos extremos, como no terremoto que gerou o tsunami no Sudeste Asiático em 2004. Mesmo com uma magnitude acima de 9 na escala Richter, o evento não resultou no rompimento de depósitos geológicos naturais.
O artigo Solubility trapping in formation water as dominant CO2 sink in natural gas fields, de Stuart Gilfillan e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
Fonte: Agência FAPESP
Marcadores:
aquecimento global,
seqüestro geológico de carbono
segunda-feira, 30 de março de 2009
Poeira do aquecimento
30/3/2009
Agência FAPESP – A recente tendência de aquecimento observada no Oceano Atlântico se deve em grande parte a reduções nas quantidades de poeira e de emissões vulcânicas nos últimos 30 anos, segundo estudo publicado no site da revista Science.
Desde 1980, a temperatura no Atlântico Norte tem aumentado em média 0,25 ºC por década. O número pode parecer pequeno, mas tem grande impacto em furacões, que preferem águas mais quentes. Um exemplo: 2005 teve recorde no número de furacões, enquanto em 1994 foram poucos eventos, mas a diferença na temperatura oceânica entre os dois anos foi de apenas 1 ºC.
De acordo com a pesquisa, feita por cientistas da Universidade de Wisconsin em Madison e da Administração Nacional do Oceano e Atmosfera (Noaa), nos Estados Unidos, mais de dois terços dessa tendência de aquecimento podem ser atribuídas a alterações em tempestades de poeira na África e à atividade vulcânica nos trópicos no período.
Os autores do estudo haviam mostrado anteriormente que a poeira vinda da África e outras partículas suspensas na atmosfera podem reduzir a atividade de furacões por meio da diminuição da luz solar que chega ao oceano, mantendo a superfície mais fria. Ou seja, anos com mais poeira implicam menos furacões.
Os pesquisadores combinaram dados obtidos por satélites de aerossóis (material particulado suspenso na atmosfera) com modelos climáticos para avaliar o efeito na temperatura oceânica. Eles calcularam quanto do aquecimento no Atlântico observado desde 1980 foi devido a mudanças em tempestades de poeira e na atividade vulcânica, especialmente as erupções do El Chichón, no México, em 1982, e do Pinatubo, nas Filipinas, em 1991.
A conclusão foi que o efeito foi muito maior do que se esperava. “Grande parte da tendência de aquecimento no padrão a longo prazo pode ser explicada por esses fatores. Cerca de 70% é resultado da combinação de poeira e vulcões e aproximadamente 25% se devem apenas a tempestades de areia”, disse Amato Evan, da Universidade de Wisconsin, principal autor do estudo.
Os resultados indicam, portanto, que apenas 30% dos aumentos na temperatura no Atlântico Norte são devidos a outros fatores. Embora não desconte a importância do aquecimento global, Evan aponta que o estudo faz com que o impacto desse fator no Atlântico esteja mais em conformidade com o menor aquecimento verificado no Pacífico.
“Faz sentido, porque não esperávamos que o aquecimento global fizesse com que a temperatura oceânica se aquecesse tanto em tão pouco tempo”, disse.
De acordo com o cientista, vulcões são naturalmente imprevisíveis e, portanto, difíceis de serem incluídos em modelos climáticos, mas novos modelos deverão levar em conta a importância de tempestades de areia como um fator para prever acuradamente como as temperaturas oceânicas vão se alterar.
O artigo The role of aerosols in the evolution of tropical North Atlantic Ocean temperature anomalies, de Amato Evan e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.
Fonte: Agência FAPESP
Agência FAPESP – A recente tendência de aquecimento observada no Oceano Atlântico se deve em grande parte a reduções nas quantidades de poeira e de emissões vulcânicas nos últimos 30 anos, segundo estudo publicado no site da revista Science.
Desde 1980, a temperatura no Atlântico Norte tem aumentado em média 0,25 ºC por década. O número pode parecer pequeno, mas tem grande impacto em furacões, que preferem águas mais quentes. Um exemplo: 2005 teve recorde no número de furacões, enquanto em 1994 foram poucos eventos, mas a diferença na temperatura oceânica entre os dois anos foi de apenas 1 ºC.
De acordo com a pesquisa, feita por cientistas da Universidade de Wisconsin em Madison e da Administração Nacional do Oceano e Atmosfera (Noaa), nos Estados Unidos, mais de dois terços dessa tendência de aquecimento podem ser atribuídas a alterações em tempestades de poeira na África e à atividade vulcânica nos trópicos no período.
Os autores do estudo haviam mostrado anteriormente que a poeira vinda da África e outras partículas suspensas na atmosfera podem reduzir a atividade de furacões por meio da diminuição da luz solar que chega ao oceano, mantendo a superfície mais fria. Ou seja, anos com mais poeira implicam menos furacões.
Os pesquisadores combinaram dados obtidos por satélites de aerossóis (material particulado suspenso na atmosfera) com modelos climáticos para avaliar o efeito na temperatura oceânica. Eles calcularam quanto do aquecimento no Atlântico observado desde 1980 foi devido a mudanças em tempestades de poeira e na atividade vulcânica, especialmente as erupções do El Chichón, no México, em 1982, e do Pinatubo, nas Filipinas, em 1991.
A conclusão foi que o efeito foi muito maior do que se esperava. “Grande parte da tendência de aquecimento no padrão a longo prazo pode ser explicada por esses fatores. Cerca de 70% é resultado da combinação de poeira e vulcões e aproximadamente 25% se devem apenas a tempestades de areia”, disse Amato Evan, da Universidade de Wisconsin, principal autor do estudo.
Os resultados indicam, portanto, que apenas 30% dos aumentos na temperatura no Atlântico Norte são devidos a outros fatores. Embora não desconte a importância do aquecimento global, Evan aponta que o estudo faz com que o impacto desse fator no Atlântico esteja mais em conformidade com o menor aquecimento verificado no Pacífico.
“Faz sentido, porque não esperávamos que o aquecimento global fizesse com que a temperatura oceânica se aquecesse tanto em tão pouco tempo”, disse.
De acordo com o cientista, vulcões são naturalmente imprevisíveis e, portanto, difíceis de serem incluídos em modelos climáticos, mas novos modelos deverão levar em conta a importância de tempestades de areia como um fator para prever acuradamente como as temperaturas oceânicas vão se alterar.
O artigo The role of aerosols in the evolution of tropical North Atlantic Ocean temperature anomalies, de Amato Evan e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.
Fonte: Agência FAPESP
Marcadores:
aquecimento global,
oceanos,
tempestades de areia,
vulcanismo
terça-feira, 10 de março de 2009
Relatório identifica que o aumento do nível de CO2 na atmosfera se acelerou em 2008
O aumento de dióxido de carbono na atmosfera acelerou no ano passado, disse à Reuters nesta quarta-feira a Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.
Os novos dados podem abalar a esperança de que a desaceleração da indústria e a diminuição das emissões de carbono, que começaram no fim do ano passado, pudessem temporariamente adiar a mudança climática.
Alguns analistas esperavam que a recessão desse alguma margem para que o mundo revertesse o impacto sofrido pelo clima. Os novos dados da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, sigla em inglês para a agência dos EUA que monitora oceanos e atmosfera) mostram que os níveis de dióxido de carbono registraram aceleração leve no ano passado. Matéria de Gerard Wynn, da Agência Reuters.
“Para nós vermos (o impacto) na atmosfera, precisaríamos de uma forte queda das emissões, mas isso não aconteceu ainda e isso está muito claro a partir desses dados”, disse Thomas Conway, cientista da área de clima da NOAA que ajudou a compilar os números.
“Se a mudança nas emissões é apenas um pequeno percentual, nós não vamos ver isso na atmosfera”, disse Conway à Reuters, explicando que processos naturais, como a captura de dióxido de carbono por florestas e oceanos, mascaram pequenas mudanças nas emissões humanas, pelo menos no curto prazo.
Com a recessão, a emissão de gases-estufa pelos países desenvolvidos vai cair cerca de 2 por cento neste ano, estimam alguns analistas. O efeito poderia ser muito maior se o mundo entrasse em uma crise mais ampla ou em uma depressão.
As emissões devem continuar a crescer na China, tida por analistas como a maior emissora de carbono do mundo.
O nível de dióxido de carbono no ano passado atingiu a média global de 384,9 partes por milhão (ppm) na atmosfera, 2,2 ppm a mais que em 2007. No ano anterior, a alta havia sido de 1,8 ppm, de acordo com os dados da NOAA.
Os acréscimos anuais vinham sendo maiores na última década em comparação com os registrados nos anos 1980 e 1990, disse Conway.
A aceleração é devida principalmente ao aumento nas emissões, acrescentou, mas também pode dar apoio à hipótese de que os oceanos, que atualmente capturam grande parte do carbono emitido pelos humanos, estariam ficando saturados.
Fonte: Portal EcoDebate
Os novos dados podem abalar a esperança de que a desaceleração da indústria e a diminuição das emissões de carbono, que começaram no fim do ano passado, pudessem temporariamente adiar a mudança climática.
Alguns analistas esperavam que a recessão desse alguma margem para que o mundo revertesse o impacto sofrido pelo clima. Os novos dados da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, sigla em inglês para a agência dos EUA que monitora oceanos e atmosfera) mostram que os níveis de dióxido de carbono registraram aceleração leve no ano passado. Matéria de Gerard Wynn, da Agência Reuters.
“Para nós vermos (o impacto) na atmosfera, precisaríamos de uma forte queda das emissões, mas isso não aconteceu ainda e isso está muito claro a partir desses dados”, disse Thomas Conway, cientista da área de clima da NOAA que ajudou a compilar os números.
“Se a mudança nas emissões é apenas um pequeno percentual, nós não vamos ver isso na atmosfera”, disse Conway à Reuters, explicando que processos naturais, como a captura de dióxido de carbono por florestas e oceanos, mascaram pequenas mudanças nas emissões humanas, pelo menos no curto prazo.
Com a recessão, a emissão de gases-estufa pelos países desenvolvidos vai cair cerca de 2 por cento neste ano, estimam alguns analistas. O efeito poderia ser muito maior se o mundo entrasse em uma crise mais ampla ou em uma depressão.
As emissões devem continuar a crescer na China, tida por analistas como a maior emissora de carbono do mundo.
O nível de dióxido de carbono no ano passado atingiu a média global de 384,9 partes por milhão (ppm) na atmosfera, 2,2 ppm a mais que em 2007. No ano anterior, a alta havia sido de 1,8 ppm, de acordo com os dados da NOAA.
Os acréscimos anuais vinham sendo maiores na última década em comparação com os registrados nos anos 1980 e 1990, disse Conway.
A aceleração é devida principalmente ao aumento nas emissões, acrescentou, mas também pode dar apoio à hipótese de que os oceanos, que atualmente capturam grande parte do carbono emitido pelos humanos, estariam ficando saturados.
Fonte: Portal EcoDebate
Impacto de seca na Amazônia 'supera emissões' de Europa e Japão
A seca de 2005 na Amazônia teve um impacto de 5 bilhões de toneladas extras de dióxido de carbônico na atmosfera terrestre, o que supera as emissões anuais de Europa e Japão, segundo estudo coordenado pela Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra, divulgado na nova edição da revista Science.
Os cientistas afirmam que o fenômeno excepcional reverteu drasticamente o processo de absorção de carbono pela floresta, o chamado "sequestro de carbono", que vinha ocorrendo há pelo menos 25 anos e que ajudava na redução dos efeitos das mudanças climáticas.
Normalmente, a Amazônia absorve cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Mas, de acordo com o estudo, por causa da morte de árvores, a seca de 2005 fez com que essa quantidade de gás permanecesse na atmosfera e ainda levou a floresta a gerar outros 3 bilhões de toneladas.
A partir dos dados colhidos no estudo, os pesquisadores observaram que a Amazônia é "surpreendentemente sensível" à seca.
"A floresta vem ajudando a reduzir a velocidade das mudanças climáticas, mas agora vemos que confiar nesse 'subsídio' da natureza é extremamente perigoso", disse um dos coordenadores da pesquisa, Oliver Phillips, da Universidade de Leeds.
O estudo envolveu 68 cientistas de 13 países, inclusive do Brasil, que atuam na rede Rainfor, que se dedica ao monitoramento da Amazônia.
Eles aproveitaram a seca de 2005 para ter uma ideia dos efeitos que futuras mudanças climáticas poderão ter sobre a floresta.
Naquele ano, as temperaturas do Atlântico Norte permaneceram mais altas do que a média, provocando outras catástrofes naturais, como o furacão Katrina.
"Visualmente, a maior parte da floresta parecia pouco afetada pela seca, mas nossos dados mostram que a taxa de mortalidade das árvores aumentou", afirmou Phillips. "Mesmo uma pequena alteração ecológica pode provocar um grande impacto no ciclo global do carbono."
A previsão da comunidade científica é de que o aquecimento global faça subir as temperaturas do Atlântico Norte, o que por sua vez pode tornar a estação seca da Amazônia mais intensa e mais quente.
A Amazônia abriga mais da metade das florestas tropicais do mundo, e uma em cada cinco espécies do planeta.
Fonte: Ambientebrasil
Os cientistas afirmam que o fenômeno excepcional reverteu drasticamente o processo de absorção de carbono pela floresta, o chamado "sequestro de carbono", que vinha ocorrendo há pelo menos 25 anos e que ajudava na redução dos efeitos das mudanças climáticas.
Normalmente, a Amazônia absorve cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Mas, de acordo com o estudo, por causa da morte de árvores, a seca de 2005 fez com que essa quantidade de gás permanecesse na atmosfera e ainda levou a floresta a gerar outros 3 bilhões de toneladas.
A partir dos dados colhidos no estudo, os pesquisadores observaram que a Amazônia é "surpreendentemente sensível" à seca.
"A floresta vem ajudando a reduzir a velocidade das mudanças climáticas, mas agora vemos que confiar nesse 'subsídio' da natureza é extremamente perigoso", disse um dos coordenadores da pesquisa, Oliver Phillips, da Universidade de Leeds.
O estudo envolveu 68 cientistas de 13 países, inclusive do Brasil, que atuam na rede Rainfor, que se dedica ao monitoramento da Amazônia.
Eles aproveitaram a seca de 2005 para ter uma ideia dos efeitos que futuras mudanças climáticas poderão ter sobre a floresta.
Naquele ano, as temperaturas do Atlântico Norte permaneceram mais altas do que a média, provocando outras catástrofes naturais, como o furacão Katrina.
"Visualmente, a maior parte da floresta parecia pouco afetada pela seca, mas nossos dados mostram que a taxa de mortalidade das árvores aumentou", afirmou Phillips. "Mesmo uma pequena alteração ecológica pode provocar um grande impacto no ciclo global do carbono."
A previsão da comunidade científica é de que o aquecimento global faça subir as temperaturas do Atlântico Norte, o que por sua vez pode tornar a estação seca da Amazônia mais intensa e mais quente.
A Amazônia abriga mais da metade das florestas tropicais do mundo, e uma em cada cinco espécies do planeta.
Fonte: Ambientebrasil
Marcadores:
aquecimento global,
floresta amazônica,
seca
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Mar subirá 1,80 m até 2100, diz estudo
EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo, em Chicago
A velocidade com que o nível do mar está subindo agora é quase o dobro daquela verificada no século 20. Já se sabia que o fenômeno -alimentado pelo aquecimento global- era grave, mas os dados mais recentes, coletados desde 1993, mostram que a elevação da linha d'água até 2100 será de 1,80 metro, mais do que o dobro da prevista pelo painel do clima da ONU.
"Entre 1993 e 2008, a taxa média global registrada foi de 3,4 mm por ano", disse à Folha a pesquisadora francesa Anny Cazenave, do Centro Nacional de Estudos Espaciais de Toulouse (França). Esse número, obtido por medições de satélite que geraram uma série histórica inédita, ganha um ar de gravidade quando comparado a outro: entre 1950 e 2000, a elevação média do mar era de 1,8 mm por ano, diz a cientista.
"Mas a maior surpresa não é essa", diz Cazenave, que apresentou suas recentes medições -processadas até dezembro- na reunião da AAAS (Sociedade Americana para o Avanço da Ciência), encerrada na semana passada em Chicago.
"As causas dessa aceleração do nível do mar também mudaram", diz. Entre 2003 e 2008, o derretimento das geleiras e dos mantos de gelo (Groenlândia e Antártida) contribuiu com 80% da elevação. A expansão térmica -o aumento de volume da água pelo aquecimento- ajudou com cerca de 20%.
Na virada do século, porém, o cenário ainda era diferente. Entre 1993 e 2003, o aquecimento da água do mar explicava 50% do fenômeno, enquanto as massas de gelo respondiam por 40%. (Ainda não existem dados para explicar os 10% que fechariam a conta.)
Para os cientistas, não há dúvida: as atenções devem ser voltadas agora para regiões como o Ártico, a Antártida e as demais geleiras continentais. Entre essas áreas, o norte da Terra é o mais rico em gelo.
Um metro a mais
"Hoje, tanto os mantos de gelo quanto as geleiras continentais [na Antártida, na Groenlândia, nos Andes ou no Himalaia] têm igual relevância, mas tudo indica que os primeiros serão cada vez mais importantes daqui para a frente", disse Stefan Rahmstorf, pesquisador da Universidade de Potsdam (Alemanha), que apresentou suas pesquisas no evento da AAAS, às margens do rio Chicago.
As contas do pesquisador alemão sobre o futuro do nível médio do mar indicam que os modelos apresentados até hoje estão otimistas demais. "Em 2100, posso dizer agora, o nível dos oceanos deverá estar aproximadamente um metro acima do que estava previsto pelo modelo [mais pessimista] do IPCC", o painel do clima das Nações Unidas que contou com a participação de Rahmstorf.
Acreditava-se que nível do mar não deveria subir mais do que 60 cm até 2100 (comparado com 1980-1999). Agora, porém, estima-se a marca de 1,80 metro. "E o nível do mar não vai parar de subir em 2100. Ele poderá chegar até 3,5 metros em 2200 e bater os 5 metros em 2300", disse Rahmstorf. No passado, mostrou o pesquisador, o nível do mar atingiu o pico há 40 milhões de anos. As águas estavam mais de 70 metros acima do que estão hoje.
Apesar de um nível do mar elevado não ser novidade para o planeta, a espécie humana, que surgiu há apenas 200 mil anos, nunca viu algo assim.
De acordo com Cazenave, as medições já feitas nestes últimos 16 anos mostram três regiões onde a subida do nível do mar já é realidade. "As áreas mais afetadas são o oeste do oceano Pacífico, o litoral da Austrália e também a Groenlândia", diz a cientista.
Como as previsões não são uniformes, e levam em conta valores médios, uma pergunta de interesse pessoal foi feita por um espectador da palestra em Chicago. "Sou da Flórida. Quero saber o que vai ocorrer lá", disse. "Vocês [cientistas] é que têm de dizer onde o mar subirá nos próximos anos."
Mas os cientistas silenciaram, e a questão também continua aberta para quem vive na Califórnia, no Taiti ou no Recife. Diante da dúvida, o melhor que cidades costeiras têm a fazer é se prepararem para o pior.
Fonte: Folha Online
da Folha de S.Paulo, em Chicago
A velocidade com que o nível do mar está subindo agora é quase o dobro daquela verificada no século 20. Já se sabia que o fenômeno -alimentado pelo aquecimento global- era grave, mas os dados mais recentes, coletados desde 1993, mostram que a elevação da linha d'água até 2100 será de 1,80 metro, mais do que o dobro da prevista pelo painel do clima da ONU.
"Entre 1993 e 2008, a taxa média global registrada foi de 3,4 mm por ano", disse à Folha a pesquisadora francesa Anny Cazenave, do Centro Nacional de Estudos Espaciais de Toulouse (França). Esse número, obtido por medições de satélite que geraram uma série histórica inédita, ganha um ar de gravidade quando comparado a outro: entre 1950 e 2000, a elevação média do mar era de 1,8 mm por ano, diz a cientista.
"Mas a maior surpresa não é essa", diz Cazenave, que apresentou suas recentes medições -processadas até dezembro- na reunião da AAAS (Sociedade Americana para o Avanço da Ciência), encerrada na semana passada em Chicago.
"As causas dessa aceleração do nível do mar também mudaram", diz. Entre 2003 e 2008, o derretimento das geleiras e dos mantos de gelo (Groenlândia e Antártida) contribuiu com 80% da elevação. A expansão térmica -o aumento de volume da água pelo aquecimento- ajudou com cerca de 20%.
Na virada do século, porém, o cenário ainda era diferente. Entre 1993 e 2003, o aquecimento da água do mar explicava 50% do fenômeno, enquanto as massas de gelo respondiam por 40%. (Ainda não existem dados para explicar os 10% que fechariam a conta.)
Para os cientistas, não há dúvida: as atenções devem ser voltadas agora para regiões como o Ártico, a Antártida e as demais geleiras continentais. Entre essas áreas, o norte da Terra é o mais rico em gelo.
Um metro a mais
"Hoje, tanto os mantos de gelo quanto as geleiras continentais [na Antártida, na Groenlândia, nos Andes ou no Himalaia] têm igual relevância, mas tudo indica que os primeiros serão cada vez mais importantes daqui para a frente", disse Stefan Rahmstorf, pesquisador da Universidade de Potsdam (Alemanha), que apresentou suas pesquisas no evento da AAAS, às margens do rio Chicago.
As contas do pesquisador alemão sobre o futuro do nível médio do mar indicam que os modelos apresentados até hoje estão otimistas demais. "Em 2100, posso dizer agora, o nível dos oceanos deverá estar aproximadamente um metro acima do que estava previsto pelo modelo [mais pessimista] do IPCC", o painel do clima das Nações Unidas que contou com a participação de Rahmstorf.
Acreditava-se que nível do mar não deveria subir mais do que 60 cm até 2100 (comparado com 1980-1999). Agora, porém, estima-se a marca de 1,80 metro. "E o nível do mar não vai parar de subir em 2100. Ele poderá chegar até 3,5 metros em 2200 e bater os 5 metros em 2300", disse Rahmstorf. No passado, mostrou o pesquisador, o nível do mar atingiu o pico há 40 milhões de anos. As águas estavam mais de 70 metros acima do que estão hoje.
Apesar de um nível do mar elevado não ser novidade para o planeta, a espécie humana, que surgiu há apenas 200 mil anos, nunca viu algo assim.
De acordo com Cazenave, as medições já feitas nestes últimos 16 anos mostram três regiões onde a subida do nível do mar já é realidade. "As áreas mais afetadas são o oeste do oceano Pacífico, o litoral da Austrália e também a Groenlândia", diz a cientista.
Como as previsões não são uniformes, e levam em conta valores médios, uma pergunta de interesse pessoal foi feita por um espectador da palestra em Chicago. "Sou da Flórida. Quero saber o que vai ocorrer lá", disse. "Vocês [cientistas] é que têm de dizer onde o mar subirá nos próximos anos."
Mas os cientistas silenciaram, e a questão também continua aberta para quem vive na Califórnia, no Taiti ou no Recife. Diante da dúvida, o melhor que cidades costeiras têm a fazer é se prepararem para o pior.
Fonte: Folha Online
Marcadores:
aquecimento global,
oceanos
O navio Polarstern semeia controvérsia no Atlântico
Estimular o crescimento do fitoplâncton acrescentando ferro ao mar pode ser uma maneira de absorver o excesso de carbono que causa
a mudança climática, afirmam os cientistas de uma polêmica
pesquisa no oceano Atlântico.
Maricel Drazer
DÜSSELDORF, Alemanha (Tierramérica).- O navio oceanográfico alemão Polarstern, um dos mais famosos do mundo, executa a maior experiência de fertilização de águas marinhas com ferro para absorver dióxido de carbono, um dos causadores do aquecimento global. O experimento, que acontece a nordeste das austrais Ilhas Geórgia do Sul, no Oceano Atlântico, busca promover o crescimento de fitoplâncton e a conseqüente absorção de carbono, por meio da colocação de 20 toneladas de sulfato de ferro em um raio de 300 quilômetros quadrados.
O ferro induz a proliferação de algas e estas absorvem dióxido de carbono, (CO²) da água durante a fotossíntese. Como o CO² dissolvido na superfície do oceano está em equilíbrio com a atmosfera, o déficit é compensado com a captação de carbono do ar. Então, enriquecer as águas com ferro pode se converter em um modo de combater o aquecimento global, afirmam os responsáveis pela experiência. Por outro lado, os ambientalistas não compartilham da idéia e alertam sobre como podem ser imprevisíveis as consequências da experëncia, agora imersa em uma polêmica de dimensão internacional.
“A absorção de dióxido de carbono por meio da ativação do crescimento de algas no mar não é um método efetivo contra a mudança climática e, além disso, apresenta graves riscos ambientais. O mar pode se converter em um biorreator”, disse ao Terramérica Stephan Lutter, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Também questionaram o fato de os esforços se dirigirem a absorver o dióxido de carbono e não a reduzir sua produção. “Uma conseqüência deste tipo de projetos de risco pode ser a falta de meios financeiros em outros lugares para pesquisas razoáveis de economia de energia, para a obtenção de energia renovável e para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa”, disse Lutter.
No entanto, os pesquisadores responsáveis pelo estudo se mostram surpresos pela “intensidade” das críticas. “O objetivo de nossa experiência é manipular um ponto do oceano em seu contexto natural para entender e quantificar os processos que caracterizam os ecossistemas oceânicos”, explicou ao Terramérica o professor Ulrich Bathmann, do Instituto Alfred Wegener para a Pesquisa Polar e Marinha, responsável pelo projeto junto com o Instituto Nacional de Oceanografia da Índia. A pesquisa “mostrará como reage o plâncton à entrada de ferro, que quantidade de fitoplâncton se forma, que quantidade de dióxido de carbono é fixada – absorvida -, que porcentagem do carbono permanece no sistema e quanto do carbono afunda nas profundezas do oceano”, acrescentou Bathmann.
Por sua vez, a chancelaria da Argentina se mostrou preocupada com a experiência e pediu explicações à representação alemã no país, já que, embora aconteça em águas internacionais, suas consequências poderiam afetar o mar argentino. As organizações ambientalistas afirmam que o teste vai contra a normativa internacional. De fato, a Nona Conferência das Partes do Convënio sobre a Diversidade Biológica, realizada de 19 a 30 de maio de 2008 em Bonn, teve pronunciamentos críticos a respeito deste tipo de iniciativa.
“A Conferência tomou posição clara contra as atividades de fertilização artificial das áreas marítimas com o propósito de absorção de dióxido de carbono. A razão é que os cientistas temem graves impactos negativos para o meio ambiente marítimo”, pode-se ler no site oficial do Ministério do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha. Mas, no dia 26 de janeiro as autoridades alemãs deram luz verde à experiência batizada de Lohafex (“loha” significa ferro em hindi). E assim, 49 cientistas, a maioria de indianos e alemães, mas também italianos, espanhóis, ingleses, um francês e um chileno, deram início à planejada fertilização com ferro das águas atlânticas. Naquele momento, já estavam a bordo do quebra-gelo há 20 dias, aguardando a autorização.
“O experimento caminha bem. A fertilização aconteceu em um redemoinho oceânico fechado. O fitoplâncton cresce e a biomassa mais do que duplicou”, disse ao Terramérica Bathmann, encarregado de controlar em terra a experiência. Nos últimos 15 anos, a captura de carbono oceânico foi provada com fins científicos em uma dezena de pequenas experiências, cinco delas no Oceano Antártico. Em 2007, entretanto, a empresa norte-americana Planktos precisou desistir de seus planos de fertilização com ferro em águas equatorianas próximas das Ilhas Galápagos, no Pacífico, devido à firme oposição de ambientalistas e autoridades da região.
Com a operação, a firma pretendia negociar no mercado global de créditos de carbono, contemplado no Protocolo de Kyoto sobre mudança climática. Os responsáveis pela Lohafez, por sua vez, descartam qualquer intenção comercial. Apesar disso, as associações de ecologistas veem sérios riscos nessa atividade. “Existe o perigo de empresas interessadas tentarem vender a fertilização com ferro como medida contra o aquecimento global, e incluí-la no mercado mundial de emissões”, afirma a organização ambientalista Conferência Ação para o Mar do Norte.
“Trata-se de um plano megalomaníaco dos pesquisadores. O pano de fundo é o interesse econômico para encontrar uma solução de baixo custo para o problema mundial do dióxido de carbono”, diz a organização em seus comunicados sobre o assunto. Contudo, e de acordo com o plano original, o Polarstern dará por concluído o experimento em 17 de março, quando chegar ao litoral de Punta Arenas, no sul do Chile, com a polêmica desatada às costas.
* O autor é correspondente da IPS.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
a mudança climática, afirmam os cientistas de uma polêmica
pesquisa no oceano Atlântico.
Maricel Drazer
DÜSSELDORF, Alemanha (Tierramérica).- O navio oceanográfico alemão Polarstern, um dos mais famosos do mundo, executa a maior experiência de fertilização de águas marinhas com ferro para absorver dióxido de carbono, um dos causadores do aquecimento global. O experimento, que acontece a nordeste das austrais Ilhas Geórgia do Sul, no Oceano Atlântico, busca promover o crescimento de fitoplâncton e a conseqüente absorção de carbono, por meio da colocação de 20 toneladas de sulfato de ferro em um raio de 300 quilômetros quadrados.
O ferro induz a proliferação de algas e estas absorvem dióxido de carbono, (CO²) da água durante a fotossíntese. Como o CO² dissolvido na superfície do oceano está em equilíbrio com a atmosfera, o déficit é compensado com a captação de carbono do ar. Então, enriquecer as águas com ferro pode se converter em um modo de combater o aquecimento global, afirmam os responsáveis pela experiência. Por outro lado, os ambientalistas não compartilham da idéia e alertam sobre como podem ser imprevisíveis as consequências da experëncia, agora imersa em uma polêmica de dimensão internacional.
“A absorção de dióxido de carbono por meio da ativação do crescimento de algas no mar não é um método efetivo contra a mudança climática e, além disso, apresenta graves riscos ambientais. O mar pode se converter em um biorreator”, disse ao Terramérica Stephan Lutter, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Também questionaram o fato de os esforços se dirigirem a absorver o dióxido de carbono e não a reduzir sua produção. “Uma conseqüência deste tipo de projetos de risco pode ser a falta de meios financeiros em outros lugares para pesquisas razoáveis de economia de energia, para a obtenção de energia renovável e para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa”, disse Lutter.
No entanto, os pesquisadores responsáveis pelo estudo se mostram surpresos pela “intensidade” das críticas. “O objetivo de nossa experiência é manipular um ponto do oceano em seu contexto natural para entender e quantificar os processos que caracterizam os ecossistemas oceânicos”, explicou ao Terramérica o professor Ulrich Bathmann, do Instituto Alfred Wegener para a Pesquisa Polar e Marinha, responsável pelo projeto junto com o Instituto Nacional de Oceanografia da Índia. A pesquisa “mostrará como reage o plâncton à entrada de ferro, que quantidade de fitoplâncton se forma, que quantidade de dióxido de carbono é fixada – absorvida -, que porcentagem do carbono permanece no sistema e quanto do carbono afunda nas profundezas do oceano”, acrescentou Bathmann.
Por sua vez, a chancelaria da Argentina se mostrou preocupada com a experiência e pediu explicações à representação alemã no país, já que, embora aconteça em águas internacionais, suas consequências poderiam afetar o mar argentino. As organizações ambientalistas afirmam que o teste vai contra a normativa internacional. De fato, a Nona Conferência das Partes do Convënio sobre a Diversidade Biológica, realizada de 19 a 30 de maio de 2008 em Bonn, teve pronunciamentos críticos a respeito deste tipo de iniciativa.
“A Conferência tomou posição clara contra as atividades de fertilização artificial das áreas marítimas com o propósito de absorção de dióxido de carbono. A razão é que os cientistas temem graves impactos negativos para o meio ambiente marítimo”, pode-se ler no site oficial do Ministério do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha. Mas, no dia 26 de janeiro as autoridades alemãs deram luz verde à experiência batizada de Lohafex (“loha” significa ferro em hindi). E assim, 49 cientistas, a maioria de indianos e alemães, mas também italianos, espanhóis, ingleses, um francês e um chileno, deram início à planejada fertilização com ferro das águas atlânticas. Naquele momento, já estavam a bordo do quebra-gelo há 20 dias, aguardando a autorização.
“O experimento caminha bem. A fertilização aconteceu em um redemoinho oceânico fechado. O fitoplâncton cresce e a biomassa mais do que duplicou”, disse ao Terramérica Bathmann, encarregado de controlar em terra a experiência. Nos últimos 15 anos, a captura de carbono oceânico foi provada com fins científicos em uma dezena de pequenas experiências, cinco delas no Oceano Antártico. Em 2007, entretanto, a empresa norte-americana Planktos precisou desistir de seus planos de fertilização com ferro em águas equatorianas próximas das Ilhas Galápagos, no Pacífico, devido à firme oposição de ambientalistas e autoridades da região.
Com a operação, a firma pretendia negociar no mercado global de créditos de carbono, contemplado no Protocolo de Kyoto sobre mudança climática. Os responsáveis pela Lohafez, por sua vez, descartam qualquer intenção comercial. Apesar disso, as associações de ecologistas veem sérios riscos nessa atividade. “Existe o perigo de empresas interessadas tentarem vender a fertilização com ferro como medida contra o aquecimento global, e incluí-la no mercado mundial de emissões”, afirma a organização ambientalista Conferência Ação para o Mar do Norte.
“Trata-se de um plano megalomaníaco dos pesquisadores. O pano de fundo é o interesse econômico para encontrar uma solução de baixo custo para o problema mundial do dióxido de carbono”, diz a organização em seus comunicados sobre o assunto. Contudo, e de acordo com o plano original, o Polarstern dará por concluído o experimento em 17 de março, quando chegar ao litoral de Punta Arenas, no sul do Chile, com a polêmica desatada às costas.
* O autor é correspondente da IPS.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
Marcadores:
aquecimento global,
oceanos
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Relatório pede US$ 400 bi contra mudança climática
Especialistas defendem que planos de estímulo econômico direcionem recursos para a redução das emissões de gases do efeito estufa
Publicado em 15/02/2009 | The Guardian
Londres - Governos em todo o mundo devem investir centenas de bilhões de dólares em projetos ecológicos dentro de alguns meses em um ataque massivo à crise econômica e ao aquecimento global, defende um estudo de alguns gurus da economia, entre eles Nicholas Stern.
O relatório, divulgado na semana passada, recomenda que US$ 400 bilhões sejam canalizados em investimentos em tecnologias para baixar as emissões de gás carbônico. Devido à urgência de ambas as crises, ambiental e econômica, o relatório aponta que os investimentos devem ser feitos durante o verão do Hemisfério Norte.
Lord Stern, ex-economista do tesouro britânico e hoje presidente do Instituto de Pesquisas sobre as Mudanças Climáticas e Ambientais Grantham, disse: “Os países ricos e industrializados precisam mostrar liderança durante este ano ao se comprometerem a reduzir as emissões de gases estufa em pelo menos 80% até 2050, tendo como base o ano de 1990, além de planos de recuperação econômica que sejam consistentes com esta meta.”
O relatório, formulado por muitos dos membros que prepararam, em 2006, o influente Relatório Stern sobre a economia das mudanças climáticas, diz que os políticos não devem mais atrasar planos de cortar drasticamente as emissões por causa da desaceleração econômica mundial. Ao invés disto, ações para lidar com as mudanças climáticas devem ser o cerne de pacotes fiscais para estimular economias nacionais.
O relatório avalia a probabilidade de sucesso de investimento em uma diversidade de políticas ecológicas. Ele aponta que as melhores políticas podem ser medidas de eficiência energética para residências e prédios públicos, a troca de caldeiras de aquecimento de água e a mudança para fontes de calor renováveis, como a biomassa. O documento também apela para maiores investimentos em pesquisa energética e de promoção de projetos de energia renovável, como a eólica, além do total suporte à adoção de carros menos poluentes com incentivos fiscais para compra de modelos híbridos ou flex.
Alex Bowen, do Instituto Grantham, autor principal do relatório, disse: “Nossa avaliação mostra que caso sejam gastos nos próximos 18 meses US$ 400 bilhões em todo o mundo em políticas e investimentos ecológicos, isso irá ajudar no combate da crise econômica atual, criar empregos e ajudar a lidar com as mudanças climáticas.”
Tradução de Thiago Pereira
Fonte: Gazeta do Povo
Publicado em 15/02/2009 | The Guardian
Londres - Governos em todo o mundo devem investir centenas de bilhões de dólares em projetos ecológicos dentro de alguns meses em um ataque massivo à crise econômica e ao aquecimento global, defende um estudo de alguns gurus da economia, entre eles Nicholas Stern.
O relatório, divulgado na semana passada, recomenda que US$ 400 bilhões sejam canalizados em investimentos em tecnologias para baixar as emissões de gás carbônico. Devido à urgência de ambas as crises, ambiental e econômica, o relatório aponta que os investimentos devem ser feitos durante o verão do Hemisfério Norte.
Lord Stern, ex-economista do tesouro britânico e hoje presidente do Instituto de Pesquisas sobre as Mudanças Climáticas e Ambientais Grantham, disse: “Os países ricos e industrializados precisam mostrar liderança durante este ano ao se comprometerem a reduzir as emissões de gases estufa em pelo menos 80% até 2050, tendo como base o ano de 1990, além de planos de recuperação econômica que sejam consistentes com esta meta.”
O relatório, formulado por muitos dos membros que prepararam, em 2006, o influente Relatório Stern sobre a economia das mudanças climáticas, diz que os políticos não devem mais atrasar planos de cortar drasticamente as emissões por causa da desaceleração econômica mundial. Ao invés disto, ações para lidar com as mudanças climáticas devem ser o cerne de pacotes fiscais para estimular economias nacionais.
O relatório avalia a probabilidade de sucesso de investimento em uma diversidade de políticas ecológicas. Ele aponta que as melhores políticas podem ser medidas de eficiência energética para residências e prédios públicos, a troca de caldeiras de aquecimento de água e a mudança para fontes de calor renováveis, como a biomassa. O documento também apela para maiores investimentos em pesquisa energética e de promoção de projetos de energia renovável, como a eólica, além do total suporte à adoção de carros menos poluentes com incentivos fiscais para compra de modelos híbridos ou flex.
Alex Bowen, do Instituto Grantham, autor principal do relatório, disse: “Nossa avaliação mostra que caso sejam gastos nos próximos 18 meses US$ 400 bilhões em todo o mundo em políticas e investimentos ecológicos, isso irá ajudar no combate da crise econômica atual, criar empregos e ajudar a lidar com as mudanças climáticas.”
Tradução de Thiago Pereira
Fonte: Gazeta do Povo
Marcadores:
aquecimento global,
economia
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Acidificação dos oceanos ameaça cadeia alimentar
Oceanos absorvem cerca de um quarto das emissões de dióxido de carbono
Os oceanos têm absorvido uma parcela substancial do dióxido de carbono, um dos gases do efeito estufa. Mas este benefício tem uma armadilha: conforme o gás se dissolve, o mar fica mais ácido. Agora, um painel internacional de cientistas marinhos diz que a acidez está acelerando tão rápido que ameaça a sobrevivência dos recifes de corais, moluscos e da cadeia alimentar em geral.
O grupo, constituído por 155 cientistas de 26 países e organizado pelas Nações Unidas e outros grupos internacionais, não é o primeiro a apontar o crescimento da acidez no oceano como uma ameaça ambiental. Mas sua linguagem direta e credenciais internacionais dão à avaliação desses pesquisadores um vigor raro.
Os cientistas pedem uma ação urgente "para reduzir drasticamente as emissões de dióxido de carbono". "Graves prejuízos são iminentes", disseram eles, num manifesto que vem se somar às deliberações feitas num simpósio em Mônaco, em outubro passado.
O manifesto, chamado de Declaração de Mônaco, afirma que o aumento da acidez interfere no crescimento e na saúde dos crustáceos e está comendo os recifes de coral, processo que acabaria por afetar as teias alimentares marinhas em geral.
Até agora, o grupo afirma, já houve diminuição detectável de moluscos, no peso das conchas e interferência no crescimento de corais.
O grupo diz que a acidez das águas superficiais do oceano aumentou 30% desde o século 17. De acordo com os estudiosos, os oceanos absorvem cerca de um quarto das emissões de dióxido de carbono. E a acidificação pode tornar a maioria das regiões quimicamente inóspitas para os recifes de coral em 2050. (Do "New York Times")
(Folha de SP, 31/1)
Fonte: JC E-mail (SBPC)
Os oceanos têm absorvido uma parcela substancial do dióxido de carbono, um dos gases do efeito estufa. Mas este benefício tem uma armadilha: conforme o gás se dissolve, o mar fica mais ácido. Agora, um painel internacional de cientistas marinhos diz que a acidez está acelerando tão rápido que ameaça a sobrevivência dos recifes de corais, moluscos e da cadeia alimentar em geral.
O grupo, constituído por 155 cientistas de 26 países e organizado pelas Nações Unidas e outros grupos internacionais, não é o primeiro a apontar o crescimento da acidez no oceano como uma ameaça ambiental. Mas sua linguagem direta e credenciais internacionais dão à avaliação desses pesquisadores um vigor raro.
Os cientistas pedem uma ação urgente "para reduzir drasticamente as emissões de dióxido de carbono". "Graves prejuízos são iminentes", disseram eles, num manifesto que vem se somar às deliberações feitas num simpósio em Mônaco, em outubro passado.
O manifesto, chamado de Declaração de Mônaco, afirma que o aumento da acidez interfere no crescimento e na saúde dos crustáceos e está comendo os recifes de coral, processo que acabaria por afetar as teias alimentares marinhas em geral.
Até agora, o grupo afirma, já houve diminuição detectável de moluscos, no peso das conchas e interferência no crescimento de corais.
O grupo diz que a acidez das águas superficiais do oceano aumentou 30% desde o século 17. De acordo com os estudiosos, os oceanos absorvem cerca de um quarto das emissões de dióxido de carbono. E a acidificação pode tornar a maioria das regiões quimicamente inóspitas para os recifes de coral em 2050. (Do "New York Times")
(Folha de SP, 31/1)
Fonte: JC E-mail (SBPC)
Marcadores:
acidificação,
aquecimento global,
GEEs,
oceanos
Mudanças climáticas e fitopatologia
Revista Scientia Agricola lança número especial com 15 artigos dedicados ao tema “Agrometeorologia e doenças de plantas”.
Link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0103-901620080007&lng=en&nrm=iso
Link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0103-901620080007&lng=en&nrm=iso
Marcadores:
agrometeorologia,
aquecimento global,
fitopatologia
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Solução radical para aquecimento
Numa experiência polêmica, alemães lançam ferro no oceano para aumentar absorção de CO2
Graça Magalhães-Ruether escreve para “O Globo”:
Com o sinal verde do Ministério da Ciência e Tecnologia da Alemanha, mas sob protestos de ambientalistas e do próprio Ministério do Meio Ambiente, teve início um dos mais ambiciosos e polêmicos projetos de combate ao aquecimento global.
Tendo como base o navio Polarstern, cientistas de seis países, entre eles Alemanha, Índia, França e Chile, lançaram, nos últimos dois, dias vinte toneladas de partículas de sulfato de ferro em uma área de 300 quilômetros quadrados do Oceano Antártico, com o objetivo de comprovar se o adubo de ferro pode contribuir para o aumento do plâncton na região e, assim, para a absorção de CO2 na atmosfera.
Estudos recentes apontam que mesmo se cortes drásticos nas emissões de CO2 fossem assinados agora já não seria mais possível deter o aquecimento do planeta e muitas de suas nefastas consequências.
A saída seria conjugar os cortes com novas tecnologias, capazes de reduzir o volume de emissões existentes, como apontou um estudo publicado na última edição da “Nature”.
De acordo com Ulrich Bathmann, chefe do Departamento de Biologia Marinha do Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marítima, que coordena a experiência do lado alemão, não existem provas definitivas de que o aumento do conteúdo de ferro no oceano ajudaria na redução de CO2 na atmosfera.
Mas estudos feitos em regiões do oceano naturalmente mais ricas em ferro — sobretudo em razão de vulcanismo — já constataram que as áreas absorvem muito mais dióxido de carbono do que as demais. A experiência restrita, portanto, seria importante, para a obtenção de uma resposta conclusiva ao dilema, que poderia ser crucial num futuro próximo.
Protestos contra a experiência
Sobretudo numa região pobre em ferro, como o Oceano Antártico, a fertilização, acreditam, deverá favorecer o florescimento das algas, que por sua vez absorveriam o CO2. Se a experiência der certo e puder ser aplicada em larga escala, dizem os especialistas, seria uma excelente solução para o problema do aquecimento, além de aumentar a disponibilidade de alimentos para baleias.
Outros cientistas, no entanto, se mostraram extremamente preocupados. Eles temem que a prática possa ter devastadores efeitos nos oceanos, como a esterilização de vastas áreas do mar, e o lançamento do metano e óxido nítrico, gases ainda mais potentes do aquecimento global. Eles temem ainda que o excesso de plâncton poderia contribuir para a absorção da luz solar, aquecendo a superfície da água e aumentando ainda o efeito do aquecimento.
O navio de pesquisa já havia atingido o Oceano Antártico quando os protestos dos ecologistas causaram uma interrupção do projeto a espera do sinal verde do Ministério da Tecnologia, o principal financiador alemão. Depois de receber cartas de protestos, o ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Sigmar Gabriel, chegou a ameaçar suspender a expedição. O risco de utilização comercial do método de adubo do oceano (para vender créditos de carbono, por exemplo) e a modificação na biodiversidade local eram as principais preocupações dos ambientalistas.
A experiência, chamada de Lohafex, foi suspensa até o final da avaliação, feita por especialistas ingleses e franceses, que terminou porém descartando todos os perigos apontados. Gabriel acatou a decisão da sua colega do Ministério da Tecnologia, Annette Schavan, mas continuou advertindo para possíveis perigos.
— O Ministério do Meio Ambiente tomou conhecimento da decisão de liberação do projeto Lohafex com insatisfação. As nossas criticas ao projeto continuarão existindo até que seja esclarecido se ele fere ou não a Conferência das Partes sobre o Acordo para a Biodiversidade (realizada no ano passado em Bonn, na Alemanha) — afirmou o ministro.
Em nota divulgada à imprensa, o Instituto Alfred Wegener descartou o perigo apontado por ecologistas, do surgimento de algas venenosas.
Com a experiência está sendo feita em um sistema praticamente fechado, onde há um redemoinho marítimo, não há o risco de o excesso de algas serem transportadas para outras regiões.
Riscos à biodiversidade
Karin Lochte, diretora do instituto, afirmou ainda que não há riscos para o meio ambiente porque, embora o Oceano Antártico seja pobre em ferro, a substância é abundante nos icebergs da região. Ela afirmou ainda que o projeto deverá fornecer informações valiosas para a pesquisa climática, sendo a principal delas saber se o excesso de ferro estaria relacionado à maior absorção de CO2.
'Uma saída para o excesso de CO2'
Ulrich Bathmann, do Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Marítima e Polar, diz que a expedição do navio Polarstern ao Oceano Antártico é uma das mais importantes na pesquisa sobre excesso de CO2. Leia entrevista:
- Até quando o Polarstern ficará no Oceano Antártico?
A previsão é de 40 dias, período no qual serão avaliadas as reações ao adubo com o sulfato de ferro, que é solúvel na água. A substância foi lançada a 15 metros de profundidade. As primeiras reações começaram 30 horas depois do lançamento do ferro. Os efeitos ambientais serão analisados numa área muito mais profunda, de até 3.800 metros.
- Quando será possível saber se a experiência deu certo?
No dia 17 de março, o Polarstern deverá atingir Punta Arenas, na Argentina, terminando a fase inicial da pesquisa. A avaliação dos dados vai durar o ano inteiro.
- E os riscos ecológicos?
Ninguém pode proibir a pesquisa argumentando que há risco de uso comercial dos resultados. A pesquisa com o Polarstern poderá oferecer respostas para o roblema do excesso de CO2.
- Até o ministro do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, criticou o projeto.
O adubo desta área de 300 quilômetros quadrados não terá efeito abrangente para a área. O derretimento de icebergs também libera ferro. Portanto, o aumento da concentração de ferro é um fenômeno que pode ocorrer naturalmente, embora as águas do Oceano Antártico tenham um conteúdo muito pequeno deste minério.
(O Globo, 30/1)
Fonte: JC E-mail (SBPC)
Graça Magalhães-Ruether escreve para “O Globo”:
Com o sinal verde do Ministério da Ciência e Tecnologia da Alemanha, mas sob protestos de ambientalistas e do próprio Ministério do Meio Ambiente, teve início um dos mais ambiciosos e polêmicos projetos de combate ao aquecimento global.
Tendo como base o navio Polarstern, cientistas de seis países, entre eles Alemanha, Índia, França e Chile, lançaram, nos últimos dois, dias vinte toneladas de partículas de sulfato de ferro em uma área de 300 quilômetros quadrados do Oceano Antártico, com o objetivo de comprovar se o adubo de ferro pode contribuir para o aumento do plâncton na região e, assim, para a absorção de CO2 na atmosfera.
Estudos recentes apontam que mesmo se cortes drásticos nas emissões de CO2 fossem assinados agora já não seria mais possível deter o aquecimento do planeta e muitas de suas nefastas consequências.
A saída seria conjugar os cortes com novas tecnologias, capazes de reduzir o volume de emissões existentes, como apontou um estudo publicado na última edição da “Nature”.
De acordo com Ulrich Bathmann, chefe do Departamento de Biologia Marinha do Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marítima, que coordena a experiência do lado alemão, não existem provas definitivas de que o aumento do conteúdo de ferro no oceano ajudaria na redução de CO2 na atmosfera.
Mas estudos feitos em regiões do oceano naturalmente mais ricas em ferro — sobretudo em razão de vulcanismo — já constataram que as áreas absorvem muito mais dióxido de carbono do que as demais. A experiência restrita, portanto, seria importante, para a obtenção de uma resposta conclusiva ao dilema, que poderia ser crucial num futuro próximo.
Protestos contra a experiência
Sobretudo numa região pobre em ferro, como o Oceano Antártico, a fertilização, acreditam, deverá favorecer o florescimento das algas, que por sua vez absorveriam o CO2. Se a experiência der certo e puder ser aplicada em larga escala, dizem os especialistas, seria uma excelente solução para o problema do aquecimento, além de aumentar a disponibilidade de alimentos para baleias.
Outros cientistas, no entanto, se mostraram extremamente preocupados. Eles temem que a prática possa ter devastadores efeitos nos oceanos, como a esterilização de vastas áreas do mar, e o lançamento do metano e óxido nítrico, gases ainda mais potentes do aquecimento global. Eles temem ainda que o excesso de plâncton poderia contribuir para a absorção da luz solar, aquecendo a superfície da água e aumentando ainda o efeito do aquecimento.
O navio de pesquisa já havia atingido o Oceano Antártico quando os protestos dos ecologistas causaram uma interrupção do projeto a espera do sinal verde do Ministério da Tecnologia, o principal financiador alemão. Depois de receber cartas de protestos, o ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Sigmar Gabriel, chegou a ameaçar suspender a expedição. O risco de utilização comercial do método de adubo do oceano (para vender créditos de carbono, por exemplo) e a modificação na biodiversidade local eram as principais preocupações dos ambientalistas.
A experiência, chamada de Lohafex, foi suspensa até o final da avaliação, feita por especialistas ingleses e franceses, que terminou porém descartando todos os perigos apontados. Gabriel acatou a decisão da sua colega do Ministério da Tecnologia, Annette Schavan, mas continuou advertindo para possíveis perigos.
— O Ministério do Meio Ambiente tomou conhecimento da decisão de liberação do projeto Lohafex com insatisfação. As nossas criticas ao projeto continuarão existindo até que seja esclarecido se ele fere ou não a Conferência das Partes sobre o Acordo para a Biodiversidade (realizada no ano passado em Bonn, na Alemanha) — afirmou o ministro.
Em nota divulgada à imprensa, o Instituto Alfred Wegener descartou o perigo apontado por ecologistas, do surgimento de algas venenosas.
Com a experiência está sendo feita em um sistema praticamente fechado, onde há um redemoinho marítimo, não há o risco de o excesso de algas serem transportadas para outras regiões.
Riscos à biodiversidade
Karin Lochte, diretora do instituto, afirmou ainda que não há riscos para o meio ambiente porque, embora o Oceano Antártico seja pobre em ferro, a substância é abundante nos icebergs da região. Ela afirmou ainda que o projeto deverá fornecer informações valiosas para a pesquisa climática, sendo a principal delas saber se o excesso de ferro estaria relacionado à maior absorção de CO2.
'Uma saída para o excesso de CO2'
Ulrich Bathmann, do Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Marítima e Polar, diz que a expedição do navio Polarstern ao Oceano Antártico é uma das mais importantes na pesquisa sobre excesso de CO2. Leia entrevista:
- Até quando o Polarstern ficará no Oceano Antártico?
A previsão é de 40 dias, período no qual serão avaliadas as reações ao adubo com o sulfato de ferro, que é solúvel na água. A substância foi lançada a 15 metros de profundidade. As primeiras reações começaram 30 horas depois do lançamento do ferro. Os efeitos ambientais serão analisados numa área muito mais profunda, de até 3.800 metros.
- Quando será possível saber se a experiência deu certo?
No dia 17 de março, o Polarstern deverá atingir Punta Arenas, na Argentina, terminando a fase inicial da pesquisa. A avaliação dos dados vai durar o ano inteiro.
- E os riscos ecológicos?
Ninguém pode proibir a pesquisa argumentando que há risco de uso comercial dos resultados. A pesquisa com o Polarstern poderá oferecer respostas para o roblema do excesso de CO2.
- Até o ministro do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, criticou o projeto.
O adubo desta área de 300 quilômetros quadrados não terá efeito abrangente para a área. O derretimento de icebergs também libera ferro. Portanto, o aumento da concentração de ferro é um fenômeno que pode ocorrer naturalmente, embora as águas do Oceano Antártico tenham um conteúdo muito pequeno deste minério.
(O Globo, 30/1)
Fonte: JC E-mail (SBPC)
Crise é positiva para o meio ambiente, afirma pesquisador do Ipea
Redução das exportações na indústria do aço significa diminuição de mais de 1 bilhão de toneladas em emissões de carbono
A diminuição do volume de exportação dos recursos não-renováveis brasileiros resultou em ganhos ambientais para o país. A conclusão é do coordenador de Meio Ambiente do Fórum Mudanças Climáticas, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), José Aroudo Mota. Ele é responsável pela pesquisa Trajetória da Governança Ambiental, divulgada pelo Ipea durante o lançamento do Boletim Regional e Urbano.
Em seu estudo, Aroudo apresentou uma série de dados sobre o que o Brasil deixou de exportar com a crise. “Ela [a crise] resultou em impactos ambientais positivos, apesar de externalidades negativas como a perda de empregos e o impacto que teve nos níveis de crescimento econômico de determinadas regiões”, disse o pesquisador.
Segundo ele, o trabalho buscou mensurar os principais impactos causados pela crise em indústrias como a de alumínio. “O que deixamos de exportar, entre os 32 produtos pesquisados, representa uma economia de aproximadamente 562 mil kilowatts de energia, a partir do consumo evitado. Isso daria para abastecer uma cidade de 25 mil pessoas”, acrescentou, referindo-se à exportação de alumínio.
A indústria do aço, segundo ele, deixou de exportar 740 milhões de quilos de aço bruto. “Isso significa uma redução de mais de 1 bilhão de toneladas em emissões de carbono, o que para o processo climático no Brasil é extremamente positivo”, avaliou Aroudo.
“Na indústria de veículos, o Brasil deixou de exportar em dezembro 62,1 mil carros, e isso também implica em redução do consumo de energia e de aço. Ainda estamos mensurando o quanto, mas é evidente – e isso pode ser afirmado tendo por base dados oficiais de 2008 – que o meio ambiente teve ganho substancial em função da não-exploração de recursos naturais, tanto renováveis quanto não-renováveis”.
Aroudo disse que estão sendo preparados outros estudos, abordando as madeiras e o cimento brasileiros. “Quando certificada, a madeira encontra dificuldades para entrar na Europa por decorrência da crise internacional”, adiantou.
(Agência Brasil)
Fonte: JC E-mail (SBPC)
A diminuição do volume de exportação dos recursos não-renováveis brasileiros resultou em ganhos ambientais para o país. A conclusão é do coordenador de Meio Ambiente do Fórum Mudanças Climáticas, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), José Aroudo Mota. Ele é responsável pela pesquisa Trajetória da Governança Ambiental, divulgada pelo Ipea durante o lançamento do Boletim Regional e Urbano.
Em seu estudo, Aroudo apresentou uma série de dados sobre o que o Brasil deixou de exportar com a crise. “Ela [a crise] resultou em impactos ambientais positivos, apesar de externalidades negativas como a perda de empregos e o impacto que teve nos níveis de crescimento econômico de determinadas regiões”, disse o pesquisador.
Segundo ele, o trabalho buscou mensurar os principais impactos causados pela crise em indústrias como a de alumínio. “O que deixamos de exportar, entre os 32 produtos pesquisados, representa uma economia de aproximadamente 562 mil kilowatts de energia, a partir do consumo evitado. Isso daria para abastecer uma cidade de 25 mil pessoas”, acrescentou, referindo-se à exportação de alumínio.
A indústria do aço, segundo ele, deixou de exportar 740 milhões de quilos de aço bruto. “Isso significa uma redução de mais de 1 bilhão de toneladas em emissões de carbono, o que para o processo climático no Brasil é extremamente positivo”, avaliou Aroudo.
“Na indústria de veículos, o Brasil deixou de exportar em dezembro 62,1 mil carros, e isso também implica em redução do consumo de energia e de aço. Ainda estamos mensurando o quanto, mas é evidente – e isso pode ser afirmado tendo por base dados oficiais de 2008 – que o meio ambiente teve ganho substancial em função da não-exploração de recursos naturais, tanto renováveis quanto não-renováveis”.
Aroudo disse que estão sendo preparados outros estudos, abordando as madeiras e o cimento brasileiros. “Quando certificada, a madeira encontra dificuldades para entrar na Europa por decorrência da crise internacional”, adiantou.
(Agência Brasil)
Fonte: JC E-mail (SBPC)
Marcadores:
aquecimento global,
crise econômica global,
impactos ambientais
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Calor polar
22/1/2009
Agência FAPESP – Cientistas que estudam mudanças climáticas estimavam que, enquanto o resto do mundo está se aquecendo, grande parte da Antártica estava no sentido contrário, tornando-se cada vez mais fria. Mas um novo estudo mostra que nos últimos 50 anos o continente tem aquecido em taxas comparáveis com as dos demais.
Segundo artigo publicado na edição desta quinta-feira (22/1) da revista Nature, o aquecimento no oeste da Antártica é maior do que o esfriamento no leste e, na média, as temperaturas no continente estão mais elevadas do que há meio século.
“O oeste da Antártica é muito diferente do leste e há uma barreira física, as montanhas Transantárticas, que separa os dois lados”, disse Eric Steig, diretor do Centro de Pesquisa Quaternária da Universidade de Washington e principal autor do estudo.
Há anos se achava que uma relativamente pequena área conhecida como península Antártica, mais ao sul, estivesse se aquecendo, enquanto o restante do continente estaria esfriando.
Mas a nova pesquisa verificou que o manto de gelo da Antártica ocidental, que está em média a 1,8 mil metros acima do nível do mar, é significativamente menor do que o manto no lado oriental, que está a 3 mil metros.
O manto no oeste é o que está mais suscetível a entrar em colapso no futuro. Segundo os pesquisadores, o aquecimento no lado ocidental tem sido maior do que 0,1ºC por década nos últimos 50 anos, ou seja, um total de 0,5ºC no período.
Os autores do estudo usaram dados de satélites e de estações meteorológicas para calcular as variações na temperatura de 1957 a 2006 e desenvolveram um novo modelo probabilístico para estimar variações no futuro.
Satélites ajudam a calcular a temperatura superficial por meio da medição da intensidade de luz infravermelha radiada pelo gelo. Mas, apesar de cobrirem todo o continente, estão em operação há apenas 25 anos. De outro lado, as estações meteorológicas operam no continente desde 1957, o Ano Geofísico Internacional, mas a grande maioria está a curtas distâncias da costa e, portanto, não fornece informações diretas das condições no interior.
Até então os cientistas estimavam que a Antártica estava esfriando por conta do buraco na camada de ozônio, que diminuiria a conservação da temperatura feita pela camada. “Assumiu-se que o buraco estaria afetando o continente por inteiro, quando não há evidências que comprovem tal ideia”, disse Steig.
O artigo Warming of the Antarctic ice-sheet surface since the 1957 International Geophysical Year, de Eric Steig e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
Fonte: Agência FAPESP
Agência FAPESP – Cientistas que estudam mudanças climáticas estimavam que, enquanto o resto do mundo está se aquecendo, grande parte da Antártica estava no sentido contrário, tornando-se cada vez mais fria. Mas um novo estudo mostra que nos últimos 50 anos o continente tem aquecido em taxas comparáveis com as dos demais.
Segundo artigo publicado na edição desta quinta-feira (22/1) da revista Nature, o aquecimento no oeste da Antártica é maior do que o esfriamento no leste e, na média, as temperaturas no continente estão mais elevadas do que há meio século.
“O oeste da Antártica é muito diferente do leste e há uma barreira física, as montanhas Transantárticas, que separa os dois lados”, disse Eric Steig, diretor do Centro de Pesquisa Quaternária da Universidade de Washington e principal autor do estudo.
Há anos se achava que uma relativamente pequena área conhecida como península Antártica, mais ao sul, estivesse se aquecendo, enquanto o restante do continente estaria esfriando.
Mas a nova pesquisa verificou que o manto de gelo da Antártica ocidental, que está em média a 1,8 mil metros acima do nível do mar, é significativamente menor do que o manto no lado oriental, que está a 3 mil metros.
O manto no oeste é o que está mais suscetível a entrar em colapso no futuro. Segundo os pesquisadores, o aquecimento no lado ocidental tem sido maior do que 0,1ºC por década nos últimos 50 anos, ou seja, um total de 0,5ºC no período.
Os autores do estudo usaram dados de satélites e de estações meteorológicas para calcular as variações na temperatura de 1957 a 2006 e desenvolveram um novo modelo probabilístico para estimar variações no futuro.
Satélites ajudam a calcular a temperatura superficial por meio da medição da intensidade de luz infravermelha radiada pelo gelo. Mas, apesar de cobrirem todo o continente, estão em operação há apenas 25 anos. De outro lado, as estações meteorológicas operam no continente desde 1957, o Ano Geofísico Internacional, mas a grande maioria está a curtas distâncias da costa e, portanto, não fornece informações diretas das condições no interior.
Até então os cientistas estimavam que a Antártica estava esfriando por conta do buraco na camada de ozônio, que diminuiria a conservação da temperatura feita pela camada. “Assumiu-se que o buraco estaria afetando o continente por inteiro, quando não há evidências que comprovem tal ideia”, disse Steig.
O artigo Warming of the Antarctic ice-sheet surface since the 1957 International Geophysical Year, de Eric Steig e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
Fonte: Agência FAPESP
Marcadores:
Antártica,
aquecimento global
Hora de mudar, não de paralisia, artigo de Washington Novaes
“Em toda parte, governos e empresários já se deram conta de que a crise econômico-financeira é uma oportunidade para mudar padrões de produção e consumo, formatos de produção de energia, transportes, etc. Aqui o imobilismo é inquietante”
Washington Novaes (wlrnovaes@uol.com.br) é jornalista especializado em meio ambiente. Artigo publicado em “O Estado de SP”:
Da mesma forma que terminou 2008, este ano começa com graves notícias e ameaças na área do clima - inclusive no Brasil. O ministro da Agricultura anuncia uma perda de até 8% na produção agrícola na safra 2008-2009, principalmente por causa da seca que atinge Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul. No Paraná já se constatam perdas de 39,7% na safra de feijão, 37,1% na de milho.
As notícias vêm na sequência dos dramas provocados por deslizamentos de encostas e inundações em Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, com centenas de milhares de desalojados, dezenas de milhares de desabrigados, centenas de mortos, pontes e rodovias destruídas, etc., etc.
Ao mesmo tempo, estudo da Universidade Federal de Minas Gerais indica que poderá haver perda de até 11% na produção agrícola do Nordeste brasileiro, por causa de mudanças do clima. A Argentina alarma-se com redução de até 60% nas safras em certas áreas do país, principalmente no oeste. E anuncia-se que os gelos polares poderão desaparecer até meados deste século.
Mas a nossa quase-paralisia diante do problema não chega a surpreender, tanto tem sido o descaso com o quadro global que a ciência tem descrito reiteradamente. Ainda neste começo de janeiro, o respeitado Worldwatch Institute divulgou o seu Estado do Mundo 2009, preparado por 47 cientistas e com apoio do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). E não hesita em afirmar que é indispensável acabar até 2050 com as emissões de gases que intensificam o efeito estufa.
É fundamental que elas cessem de crescer até 2020, baixem em pelo menos 85% até meados do século e depois se estabilizem, no mínimo. Porque a temperatura do planeta já subiu 0,8 grau Celsius, subirá pelo menos mais um grau em consequência do carbono já acumulado na atmosfera e que ali permanecerá durante muito tempo.
Na verdade, um diagnóstico até otimista diante do que afirma a Agência Internacional de Energia: o aumento da temperatura será de 3 graus. Será preciso, diz o Worldwatch, investir a cada ano entre US$ 1 trilhão e US$ 2,5 trilhões para evitar um quadro ainda pior - mesmo em meio à gravíssima crise financeira de hoje. Se não for assim, o quadro será “dramático”, com um planeta “hostil ao desenvolvimento humano e bem-estar social”. Rajendra Pachauri, presidente do IPCC e Prêmio Nobel da Paz, diz que, no ritmo de hoje, as transformações no mundo “podem ultrapassar nossa capacidade de adaptação”.
Embora menos quente do que 2007, 2008 ainda foi um dos dez anos mais quentes desde que se registram temperaturas, todos de 1997 para cá. Por isso, diz a Organização Meteorológica Mundial, a “tendência mais forte hoje sem dúvida é pelo aquecimento”. E “calor extremo pode vir a ser a regra em 2100”, escreveu Herton Escobar (Estado, 9/1), com base em estudo publicado pela revista Science. As temperaturas médias no verão poderão ser mais altas que as máximas até aqui registradas nos anos mais quentes.
E as regiões tropicais, onde estamos, poderão ser as mais atingidas - probabilidade altíssima, segundo o Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de Washington. Cada grau a mais na temperatura poderá significar perdas na agricultura de até 16%.
Um quadro como esse sugeriria que o Brasil adotasse uma política avançada e urgente em matéria de clima. Mas continuamos muito longe disso. O próprio ex-secretário-geral do Ministério do Meio Ambiente (MMA) João Paulo Capobianco - que conhece de perto o problema, por havê-lo tido entre suas ocupações durante anos - diz (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, 8/1) que “o avanço do Brasil na área do clima é tímido, muito aquém do papel que deveria desempenhar”.
A seu ver, a “fragilidade” do Plano Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) é evidente, “sem propostas concretas e mensuráveis”. E isso inclui a questão da Amazônia, fundamental, já que 75% das emissões brasileiras de gases se devem a mudanças no uso do solo, desmatamentos e queimadas, área em que o bioma responde por 59% do total.
Capobianco, bem ao contrário do tom triunfalista que tem cercado os atuais pronunciamentos governamentais nesse campo, lembra que a meta (voluntária, não obrigatória, no âmbito da Convenção do Clima) de reduzir em 40% o desmatamento na Amazônia entre 2006 e 2010, comparando com a média do período 1995-2005, “é muito pouco”, pois, na verdade, “praticamente já havia sido atingida”.
E bastará manter o desmatamento estável durante os próximos dois anos, “à taxa absurda pouco abaixo de 11 mil quilômetros quadrados anuais”, para assegurar a meta (mas nem isso tem sido conseguido: o último balanço acusou área pouco inferior a 12 mil km2).
Não bastasse isso, o ex-secretário-geral do MMA afirma que na Amazônia “quase nada tem sido feito em direção ao desenvolvimento sustentável”. De certa forma, seu pensamento é corroborado pelo próprio ministro atual do Meio Ambiente, que afirmou (Correio Braziliense, 21/12) haver tido há cerca de quatro meses uma reunião com os ministros Mangabeira Unger, Reinhold Stephanes, Nelson Jobim, Tarso Genro e Guilherme Cassel exatamente para tratar de uma estratégia conjunta. Mas de lá para cá, segundo ele, nada aconteceu. Se não acontecer, como será? Continuaremos com as atuais taxas de desmatamento? Já há indícios de que as emissões brasileiras, no mínimo, dobraram, do inventário de 1994 para cá.
Em toda parte, governos e empresários já se deram conta de que a crise econômico-financeira é uma oportunidade para mudar padrões de produção e consumo, formatos de produção de energia, transportes, etc. Aqui o imobilismo é inquietante. Nem sequer pensar a matriz energética conseguimos: embora o consumo já tenha caído no final do ano e não haja vislumbre de crise de abastecimento, continuamos a privilegiar usinas termoelétricas, as mais poluidoras.
(O Estado de SP, 23/01)
Fonte: JC E-mail (SBPC)
Washington Novaes (wlrnovaes@uol.com.br) é jornalista especializado em meio ambiente. Artigo publicado em “O Estado de SP”:
Da mesma forma que terminou 2008, este ano começa com graves notícias e ameaças na área do clima - inclusive no Brasil. O ministro da Agricultura anuncia uma perda de até 8% na produção agrícola na safra 2008-2009, principalmente por causa da seca que atinge Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul. No Paraná já se constatam perdas de 39,7% na safra de feijão, 37,1% na de milho.
As notícias vêm na sequência dos dramas provocados por deslizamentos de encostas e inundações em Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, com centenas de milhares de desalojados, dezenas de milhares de desabrigados, centenas de mortos, pontes e rodovias destruídas, etc., etc.
Ao mesmo tempo, estudo da Universidade Federal de Minas Gerais indica que poderá haver perda de até 11% na produção agrícola do Nordeste brasileiro, por causa de mudanças do clima. A Argentina alarma-se com redução de até 60% nas safras em certas áreas do país, principalmente no oeste. E anuncia-se que os gelos polares poderão desaparecer até meados deste século.
Mas a nossa quase-paralisia diante do problema não chega a surpreender, tanto tem sido o descaso com o quadro global que a ciência tem descrito reiteradamente. Ainda neste começo de janeiro, o respeitado Worldwatch Institute divulgou o seu Estado do Mundo 2009, preparado por 47 cientistas e com apoio do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). E não hesita em afirmar que é indispensável acabar até 2050 com as emissões de gases que intensificam o efeito estufa.
É fundamental que elas cessem de crescer até 2020, baixem em pelo menos 85% até meados do século e depois se estabilizem, no mínimo. Porque a temperatura do planeta já subiu 0,8 grau Celsius, subirá pelo menos mais um grau em consequência do carbono já acumulado na atmosfera e que ali permanecerá durante muito tempo.
Na verdade, um diagnóstico até otimista diante do que afirma a Agência Internacional de Energia: o aumento da temperatura será de 3 graus. Será preciso, diz o Worldwatch, investir a cada ano entre US$ 1 trilhão e US$ 2,5 trilhões para evitar um quadro ainda pior - mesmo em meio à gravíssima crise financeira de hoje. Se não for assim, o quadro será “dramático”, com um planeta “hostil ao desenvolvimento humano e bem-estar social”. Rajendra Pachauri, presidente do IPCC e Prêmio Nobel da Paz, diz que, no ritmo de hoje, as transformações no mundo “podem ultrapassar nossa capacidade de adaptação”.
Embora menos quente do que 2007, 2008 ainda foi um dos dez anos mais quentes desde que se registram temperaturas, todos de 1997 para cá. Por isso, diz a Organização Meteorológica Mundial, a “tendência mais forte hoje sem dúvida é pelo aquecimento”. E “calor extremo pode vir a ser a regra em 2100”, escreveu Herton Escobar (Estado, 9/1), com base em estudo publicado pela revista Science. As temperaturas médias no verão poderão ser mais altas que as máximas até aqui registradas nos anos mais quentes.
E as regiões tropicais, onde estamos, poderão ser as mais atingidas - probabilidade altíssima, segundo o Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de Washington. Cada grau a mais na temperatura poderá significar perdas na agricultura de até 16%.
Um quadro como esse sugeriria que o Brasil adotasse uma política avançada e urgente em matéria de clima. Mas continuamos muito longe disso. O próprio ex-secretário-geral do Ministério do Meio Ambiente (MMA) João Paulo Capobianco - que conhece de perto o problema, por havê-lo tido entre suas ocupações durante anos - diz (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, 8/1) que “o avanço do Brasil na área do clima é tímido, muito aquém do papel que deveria desempenhar”.
A seu ver, a “fragilidade” do Plano Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) é evidente, “sem propostas concretas e mensuráveis”. E isso inclui a questão da Amazônia, fundamental, já que 75% das emissões brasileiras de gases se devem a mudanças no uso do solo, desmatamentos e queimadas, área em que o bioma responde por 59% do total.
Capobianco, bem ao contrário do tom triunfalista que tem cercado os atuais pronunciamentos governamentais nesse campo, lembra que a meta (voluntária, não obrigatória, no âmbito da Convenção do Clima) de reduzir em 40% o desmatamento na Amazônia entre 2006 e 2010, comparando com a média do período 1995-2005, “é muito pouco”, pois, na verdade, “praticamente já havia sido atingida”.
E bastará manter o desmatamento estável durante os próximos dois anos, “à taxa absurda pouco abaixo de 11 mil quilômetros quadrados anuais”, para assegurar a meta (mas nem isso tem sido conseguido: o último balanço acusou área pouco inferior a 12 mil km2).
Não bastasse isso, o ex-secretário-geral do MMA afirma que na Amazônia “quase nada tem sido feito em direção ao desenvolvimento sustentável”. De certa forma, seu pensamento é corroborado pelo próprio ministro atual do Meio Ambiente, que afirmou (Correio Braziliense, 21/12) haver tido há cerca de quatro meses uma reunião com os ministros Mangabeira Unger, Reinhold Stephanes, Nelson Jobim, Tarso Genro e Guilherme Cassel exatamente para tratar de uma estratégia conjunta. Mas de lá para cá, segundo ele, nada aconteceu. Se não acontecer, como será? Continuaremos com as atuais taxas de desmatamento? Já há indícios de que as emissões brasileiras, no mínimo, dobraram, do inventário de 1994 para cá.
Em toda parte, governos e empresários já se deram conta de que a crise econômico-financeira é uma oportunidade para mudar padrões de produção e consumo, formatos de produção de energia, transportes, etc. Aqui o imobilismo é inquietante. Nem sequer pensar a matriz energética conseguimos: embora o consumo já tenha caído no final do ano e não haja vislumbre de crise de abastecimento, continuamos a privilegiar usinas termoelétricas, as mais poluidoras.
(O Estado de SP, 23/01)
Fonte: JC E-mail (SBPC)
Marcadores:
aquecimento global,
Autores: Washington Novaes,
Washington Novaes
Dois satélites entram na luta contra o aquecimento global
Japão e EUA vão monitorar gases-estufa na atmosfera
O Japão lança hoje um satélite cuja missão é analisar a concentração de gases do efeito estufa na atmosfera e monitorar seu volume. Chamado de Gosat (Observação do Efeito Estufa por Satélite, na sigla em inglês), ele vai ter a companhia do OCO (Observatório Orbital de Carbono, também na sigla em inglês), satélite da Nasa que tem objetivo parecido e deve ser lançado ainda no primeiro semestre. Serão os primeiros exclusivamente dedicados a esta função.
Os gases do efeito estufa — como o dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) — são os responsáveis pelo aquecimento global. O CO2 proveniente de atividades humanas é o principal agente causador das mudanças climáticas associadas ao aquecimento global, mas importantes dados sobre a sua circulação na atmosfera ainda permanecem obscuros.
De acordo com um comunicado da agência espacial japonesa, a Jaxa, o satélite — que será lançado a partir de uma base em Tanegashima — vai “contribuir para os esforços internacionais de combate aos efeitos do aquecimento global”.
O Gosat vai mapear os gases do efeito estufa a uma altitude de 666 quilômetros da Terra, ao longo de cinco anos de missão. Já o satélite da Nasa vai detalhar a concentração de CO2 próximo à superfície, onde o efeito do aquecimento é mais sentido, e apontar os principais locais na atmosfera onde o CO2 é absorvido, os chamados sorvedouros.
Sabe-se que a Terra absorve cerca de 50% do CO2 que liberamos na atmosfera, a maioria indo parar nos oceanos e florestas. Mas os demais sorvedouros ainda são pouco conhecidos.
— O Gosat e o OCO vão tentar medir quantidades semelhantes de CO2, mas seus objetivos científicos diferem sutilmente — explica o pesquisador Paul Palmer, da Universidade de Edimburgo, colaborador da missão japonesa. — O OCO busca encontrar os principais sorvedouros de CO2. Já o Gosat vai tentar identificar e monitorar as fontes de CO2. Mas ele também vai medir os sorvedouros.
Com o Gosat, o Japão pretende monitorar suas fontes de emissão e manter suas metas de redução, de acordo com o Protocolo de Kioto, do qual é um dos signatários. O acordo internacional contra o aquecimento global entrou em vigor em 2005 e expira em 2012.
O satélite japonês pode também ajudar a esclarecer alguns pontos obscuros relacionados às mudanças climáticas. Como, por exemplo, a existência de sorvedouros de CO2 ainda desconhecidos.
— Baseado no que conhecemos sobre o papel das florestas e dos oceanos, ainda restam grandes quantidades de carbono sendo absorvidas, mas não sabemos como — explica Palmer.
(O Globo, 23/1)
Fonte: JC E-mail (SBPC)
O Japão lança hoje um satélite cuja missão é analisar a concentração de gases do efeito estufa na atmosfera e monitorar seu volume. Chamado de Gosat (Observação do Efeito Estufa por Satélite, na sigla em inglês), ele vai ter a companhia do OCO (Observatório Orbital de Carbono, também na sigla em inglês), satélite da Nasa que tem objetivo parecido e deve ser lançado ainda no primeiro semestre. Serão os primeiros exclusivamente dedicados a esta função.
Os gases do efeito estufa — como o dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) — são os responsáveis pelo aquecimento global. O CO2 proveniente de atividades humanas é o principal agente causador das mudanças climáticas associadas ao aquecimento global, mas importantes dados sobre a sua circulação na atmosfera ainda permanecem obscuros.
De acordo com um comunicado da agência espacial japonesa, a Jaxa, o satélite — que será lançado a partir de uma base em Tanegashima — vai “contribuir para os esforços internacionais de combate aos efeitos do aquecimento global”.
O Gosat vai mapear os gases do efeito estufa a uma altitude de 666 quilômetros da Terra, ao longo de cinco anos de missão. Já o satélite da Nasa vai detalhar a concentração de CO2 próximo à superfície, onde o efeito do aquecimento é mais sentido, e apontar os principais locais na atmosfera onde o CO2 é absorvido, os chamados sorvedouros.
Sabe-se que a Terra absorve cerca de 50% do CO2 que liberamos na atmosfera, a maioria indo parar nos oceanos e florestas. Mas os demais sorvedouros ainda são pouco conhecidos.
— O Gosat e o OCO vão tentar medir quantidades semelhantes de CO2, mas seus objetivos científicos diferem sutilmente — explica o pesquisador Paul Palmer, da Universidade de Edimburgo, colaborador da missão japonesa. — O OCO busca encontrar os principais sorvedouros de CO2. Já o Gosat vai tentar identificar e monitorar as fontes de CO2. Mas ele também vai medir os sorvedouros.
Com o Gosat, o Japão pretende monitorar suas fontes de emissão e manter suas metas de redução, de acordo com o Protocolo de Kioto, do qual é um dos signatários. O acordo internacional contra o aquecimento global entrou em vigor em 2005 e expira em 2012.
O satélite japonês pode também ajudar a esclarecer alguns pontos obscuros relacionados às mudanças climáticas. Como, por exemplo, a existência de sorvedouros de CO2 ainda desconhecidos.
— Baseado no que conhecemos sobre o papel das florestas e dos oceanos, ainda restam grandes quantidades de carbono sendo absorvidas, mas não sabemos como — explica Palmer.
(O Globo, 23/1)
Fonte: JC E-mail (SBPC)
Marcadores:
aquecimento global,
emissões de gases do efeito estufa,
EUA,
Japão,
sensoriamento remoto
Assinar:
Postagens (Atom)