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segunda-feira, 20 de abril de 2009

O maravilhoso lixo eletrônico

Por Glorinha Glock*




Porto Alegre, 20 de abril (Terramérica) - Com peças de um e de outro equipamento sem uso, os alunos do Centro de Recuperação de Computadores (CRC) de Porto Alegre colocaram em funcionamento 1.700 máquinas em três anos de trabalho. No final de 2009, deverão chegar a 2.500 computadores, que serão distribuídos em escolas, ONGs e centros de informática, aproximando a tecnologia das pessoas que ainda estão longe dela nesta cidade de 1,5 milhão de habitantes, capital do Rio Grande do Sul.

A matéria-prima do CRC é o lixo eletrônico descartado pelo governo federal, bancos, empresas e usuários individuais, que trocam seus computadores por outros mais modernos ou não conseguem consertá-los. Antes, computadores, impressoras e acessórios eram jogados em aterros sanitários ou armazenados em depósitos até serem descartados como entulho. Agora, ganham mais um tempo de vida útil, ou são usados como matéria-prima para expressões artísticas.

O projeto faz parte do Programa Brasileiro de Inclusão Digital e é resultado de uma associação entre o Ministério do Planejamento e a Rede Marista de Educação e Solidariedade, parte da congregação católica dos Irmãos Maristas. Centros como o de Porto Alegre foram instalados em Minas Gerais e São Paulo, no sudeste e sul, e no Distrito Federal, centro do país. Como nos demais, o CRC de Porto Alegre fica em um bairro da periferia. Ali, 88 jovens de famílias vulneráveis recebem uma bolsa auxílio para aprender a desmontar, recondicionar, adaptar e montar equipamentos, instalar software livre, programar e configurar computadores.

Sobretudo, descobrem o valor de cada peça, não apenas das máquinas, mas deles mesmos como cidadãos. “O curso é importante por seu aspecto profissional e pelo convívio com as pessoas, que aqui interagem”, explica Kieth Garcia Reges, de 16 anos. Na era “do descartável”, ela e seus companheiros são uma exceção. “Deixamos de desejar muitas coisas e aprendemos a usar mais o que temos em casa”, disse. São poucas as pessoas que podem se dar ao luxo de mexer sem medo em um computador e “se der um problema podem consertar”, acrescenta.

Reges conserta computadores, carregadores de celular, alto-falantes, ventiladores. E multiplica seus conhecimentos. Convidou dois colegas para apresentarem um trabalho sobre resíduos eletrônicos em uma mostra pedagógica que acontecerá em sua escola. No pavilhão instalado na sede do Centro Social Marista (Cesmar) de Porto Alegre, Rafael de Vasconcelos, de 17 anos e apaixonado por Robótica, foi mais longe. Começou como voluntário aos 15 anos, foi monitor e logo contratado como aprendiz. Hoje é educador. Com a bolsa que recebe, paga seus estudos na Faculdade de Engenharia Elétrica e Eletrônica, onde acaba de entrar. “Quando estou na aula me sinto feliz de ver que aprendo a misturar estas coisas que ajudam a melhorar o mundo”, afirma.

Os olhos de Rafael não enxergam apenas a vantagem da velocidade e eficiência dos equipamentos que faz funcionar. Ele reconhece, por exemplo, que a fabricação de um computador tem mais custos para o meio ambiente do que os imaginados pelo consumidor. Tudo que chega ao CRC é aproveitado. Muitas peças que não podem ser reparadas são desmontadas e estudadas nas aulas de Robótica, território de Rafael. Quem vê a montanha de carcaças de caça-níqueis no pátio do Cesmar não imagina a quantidade de produtos gerados a partir desses equipamentos ilegais apreendidos pela Receita Federal e doados com a condição de terem seus materiais reaproveitados.

Orgulhoso, Rafael conta como transformou uma velha tela em um luminoso de divulgação. “Demoramos meses para mapear a parte eletrônica, depois plugamos na porta paralela do computador e fizemos um programa para imprimir palavras e letras”, descreve, contagiado pelo jargão da informática. O conhecimento adquirido é repassado aos novos estudantes. A madeira dos caça-níqueis também é usada para fabricar bancos, enfeites e mesas, em um novo projeto, que será implementado este ano, para criar novos ofícios e renda. Nos fundos do CRC, os resíduos que não podem ser recondicionados se transformam em arte. A tampa de um enorme computador IBM serviu de tela para pintar grafites com motivos da Páscoa, que decoraram o Cesmar na Semana Santa.

Quando era novo, há uns 12 anos, este computador custava cerca de US$ 27 mil, observa Tarcício Postingher, coordenador técnico do Centro. “A tecnologia evoluiu tanto que ele já não pode funcionar como os modelos atuais”, explica. Desmontado, se transformou em quadros que expressam a criatividade e o talento dos jovens. De suas peças metálicas surgem pequenas figuras de jogadores de futebol, pintadas e colocadas sobre uma base, como nos troféus. Quando os materiais não podem ser reaproveitados, o próprio CRC se encarrega de dar um destino apropriado. Embora incipiente, está sendo desenvolvido no Brasl um mercado de empresas que coletam lixo eletrônico, conhecido como e-lixo, composto sobretudo por placas de informática, telefonia e eletroeletrônicos.

Uma dessas empresas é a Lorene. “Processamos cerca de 200 toneladas de e-lixo por mês’, afirma seu gerente de produção, Eduardo Manuel Ribeiro de Almeida. Desse processo de purificação, emergem metais nobres, como ouro, prata, platina, paládio e cobre, que retornam ao ciclo produtivo, reduzindo a necessidade de extração de minerais da natureza, explica o engenheiro Almeida. O coordenador do CRC, Postingher, com formação em Teologia e pós-graduado em Informática, aponta os desafios futuros. “Em 2008, foram vendidos neste país 12 milhões de computadores. Isto significa que em dois ou três anos será preciso dar-lhes um destino final”, afirmou. Além da adaptação às novas tecnologias, é preciso formar profissionais com uma visão global.

Atento aos debates das tecnologias da informação verde, Postingher recorda que um dos principais problemas dos centros e indústrias da área de informática é economizar eletricidade. Uma possibilidade é contar com um único servidor virtual que administre dez serviços ao mesmo tempo, reduzindo a quantidade de computadores e de energia, afirma. Desta forma, o prejuízo ao meio ambiente é menor. “Esta mudança de mentalidade é difícil, pois todo mundo quer consumir. Os seres humanos devem ser preparados, e isso exige um processo educativo”, concluiu.

* Este artigo é parte de uma série produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federação Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Aliança de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustentável (www.complusalliance.org).

Crédito da imagem: Clarinha Glock/IPS

Legenda: Carcaças de máquinas caça-níqueis se transformam em arte.

LINKS

Libertar o cientista interior e superar a brecha digital
http://www.ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=91289" target="_blank">http://www.ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=91289

Celular engana pobreza
http://www.ipsnoticias.net/interna.asp?idnews=35396" target="_blank">http://www.ipsnoticias.net/interna.asp?idnews=35396

Computadores para a inclusão
http://www.computadoresparainclusao.gov.br/index.php" target="_blank">http://www.computadoresparainclusao.gov.br/index.php

Rede Marista de Educação e Solidariedade, Brasil
http://www.maristas.org.br/" target="_blank">http://www.maristas.org.br/


Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

Fonte: Envolverde

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Catadores amargam queda da receita

25/02/2009 - Na Cooperativa de Coleta Seletiva da Capela do Socorro (Coopercaps), na zona sul da capital paulista, a queda dos preços dos materiais reciclados fez alguns coope-rados desistirem do trabalho. Em julho do ano passado havia 127 cooperados, hoje são 84. A redução é, em grande medida, resultado do menor faturamento. De acordo com a direção da cooperativa, houve uma queda de 50% no faturamento, para R$ 61 mil em janeiro ante os R$ 126 mil de julho. "A maioria sai porque começa a achar que seria melhor trabalhar registrado, mas falta qualificação profissional e nem sempre eles encontram um emprego", disse Sandra Regina Eyer Caselta, membro do conselho administrativo da Coopercaps.

A queda do número de cooperados obrigou a empresa a reduzir o número de turnos. "Trabalhávamos em três turnos e tivemos de reduzir para dois porque não havia gente suficiente", afirmou Sandra. Apesar da equipe reduzida, o volume de trabalho aumentou. O volume de material separado subiu de 305 toneladas para 380 toneladas.

O aumento do volume e o menor número de cooperados não garantiu a manutenção de rendimentos por pessoa. O ganho per capita caiu de R$ 787, em julho, para R$ 384, no mês passado. "A oferta de material tem tido tendência de crescimento porque tem muito depósito e ferro-velho fechando e muitos catadores deixando de trabalhar, ou selecionando apenas os materiais de maior valor", explicou Sandra.

A Coopercaps é uma das 14 cooperativas que faz parte do programa de coleta seletiva da prefeitura de São Paulo, que oferece a infra-estrutura e custeia parte dos gastos operacionais, disponibilizando imóveis e caminhões de coleta, equipamentos, água e energia. Além do material coletado diretamente por cada cooperativa, as empresas também recebem o material coletado por cada uma das concessionárias que atuam nas diferentes regiões da cidade. "Verificamos um aumento médio de 300 toneladas por mês no material coletado pelas cooperativas e pelas concessionárias nos últimos três meses", afirmou Wagner Taveira, coordenador do programa de coleta seletiva da Secretaria Municipal de Serviços.

De acordo com ele, atualmente a cidade coleta, por meio das concessionárias e das cooperativas, até 3,8 mil toneladas de material reciclável mensalmente. "Cerca de 90% dos condomínios que comercializavam recicláveis deixaram de vender, os catadores deixaram de pegar materiais que tiveram os valores muito reduzidos, cooperativas e depósitos independentes fecharam e com isso aumentou a nossa coleta", explicou.

O preço do papelão caiu 52% pago aos depósitos e cooperativas, para R$ 0,12 o quilo, enquanto o preço do aço caiu de 60%, para R$ 0,13 o quilo, disse Paulo Sérgio da Silva, responsável pelo depósito Sucata Conceição de Monte Alegre, localizado no bairro do Brooklin, em São Paulo. "Se continuar assim vamos ter de fechar", afirmou Silva, que trabalha há nove anos com o depósito.

Um dos catadores que atua na região, José Geraldo, viu seu rendimento diário cair para até um terço, dos R$ 60 que tirava em meados do ano passado, para R$ 20, e já ameaça abandonar a carroça. "A gente tenta pegar mais metal e menos jornal, mas a situação está difícil", disse o senhor, de 66 anos, que mesmo há 10 anos sem um emprego formal decidiu buscar uma maneira de obter a aposentadoria.

Fonte: Gazeta Mercantil. Adaptado por Celulose Online.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Enquete

Prezados(as),

Estamos elaborando um projeto com o objetivo de propor melhorias na gestão dos resíduos sólidos domésticos em São Bento do Sul. Para direcionar as nossas futuras ações, necessitamos melhor caracterizar o trato dado pela população a estes resíduos. Deste modo, elaboramos uma breve enquete que está disponível na página do Jornal Evolução (www.jornalevolucao.com.br). Como nossos recursos são limitados, decidimos realizar a maior parte da pesquisa via internet, sendo que assim estamos aqui solicitando-lhe a gentileza de acessar ao endereço supracitado, colaborando conosco na resposta das questões. Não há necessidade de identificar-se para respondê-las.
Agradecemos também àqueles que puderem encaminhar o link da enquete para seus contatos.
Críticas, sugestões e questionamentos são bem-vindos.
Sem mais, agradecemos a atenção.

Andreas Franz Xaver Auburger – (47) 91678003
Jean Fábio Bianconcini – (47) 88023709

Projeto realizado em parceria com:
Consórcio Ambiental Quiriri (http://consorcioambientalquiriri.blogspot.com/)
Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (COMDEMA)

Apoio:
Jornal Evolução (www.jornalevolucao.com.br)
Samuca Webdesigner (www.samuca.eti.br)

domingo, 23 de novembro de 2008

Paraná incentiva uso de embalagens 100% ecológicas

21/11/2008

Iniciativa do governo estadual tem apoio do Ministério Público local; supermercados começam a substituir sacolas plásticas convencionais por material biodegradável

Giselle Hoffmann


O Estado do Paraná quer reduzir em 30% o volume diário de resíduos depositados nos aterros sanitários - cerca de 20 mil toneladas. A ação faz parte do Programa Desperdício Zero, promovido pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, com apoio do Ministério Público Estadual.

A iniciativa identificou os materiais que mais se acumulam nos aterros: sacolas plásticas, embalagens longa vida, pilhas, baterias, papel, materiais de construção civil, pneus, lâmpadas fluorescentes, metais, lixo orgânico, vidros e óleo lubrificante. Com base nessa lista, os fabricantes e distribuidores dos principais tipos de resíduos estão sendo convocados a assumir a responsabilidade sobre a destinação final desses produtos.

Em relação às embalagens plásticas, o governo estadual e o Ministério Público local contataram inicialmente a Associação Paranaense de Supermercados (Apras) para conhecer o destino das 80 milhões de sacolas usadas mensalmente - o equivalente a 53 toneladas de plástico depositadas em aterros. Como a entidade não tinha a informação, a solicitação foi feita, na seqüência, às próprias redes de supermercados.

A partir disso, diversos supermercados passaram a substituir as embalagens tradicionais por materiais 100% ecológicos. A adesão tem sido maior por parte das cadeias supermercadistas locais. A resistência maior ocorre nas redes nacionais - algumas, inclusive, não forneceram a quantidade de sacolas usadas nem apresentaram as medidas alternativas para a questão do descarte desses itens no meio ambiente. Devido a isso, os estabelecimentos foram multados (R$ 70 mil por dia) pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

Estimativas do programa Desperdício Zero apontam que de cada 100 sacolas plásticas, apenas 15 retornam para reciclagem. Uma das alternativas para substituir as embalagens tradicionais é a adoção do material biodegradável, que consiste no acréscimo de um aditivo (d2w) em sua fabricação. Ele tem as mesmas propriedades do produto convencional, inclusive em relação à resistência, transparência, permeabilidade e impressão. O principal diferencial é quanto ao processo de decomposição - enquanto o plástico comum dura até 200 anos, a sacola com d2w leva, no máximo, 18 meses para se degradar.

Fonte: Portal do Meio Ambiente