O Brasil já recolheu mais de 100 mil toneladas de embalagens de agrotóxicos usados pelos agricultores desde que entrou em operação o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), em março de 2002. A taxa de retorno chegou, em 2008, a 95%, bem superior à de outros países que têm programas semelhantes.
Segundo o coordenador de agrotóxicos do Ministério da Agricultura, Luís Carlos Rangel, o Canadá, o Japão e os Estados Unidos têm taxa de retorno entre 20% e 30% das embalagens. O diferencial brasileiro, segundo ele, é o sistema de fiscalização aplicado aqui, no qual o revendedor e o comprador são identificados e a devolução das embalagens monitorada, inclusive com punições previstas.
“Esse é o sistema que o Brasil identificou como sendo o mais inteligente e que estamos conseguindo ensinar para o resto do mundo para que eles também possam agregar esse conhecimento para o sistema de recolhimento de embalagens deles”, afirmou Rangel.
O Inpev, uma entidade sem fins lucrativos criada para gerir a destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos, foi criado no fim de 2001 e conta, entre seus associados, com 99% das empresas fabricantes de defensivos agrícolas do Brasil e as sete principais entidades de classe do setor. Os recursos para seu funcionamento vêm das contribuições que cada empresa dá ao instituto, proporcionais ao seu faturamento.
Cerca de 95% das embalagens recolhidas são recicladas e as restantes, incineradas. O ganho ambiental gerado pelo volume reciclado em seis anos do programa equivale, segundo o instituto, ao plantio de 491 mil árvores, ou 98 mil toneladas de gás carbônico - o principal gás do efeito estufa - a menos na atmosfera. O sistema gera mais de 2,5 mil empregos diretos e indiretos.
O presidente da Câmara Setorial de Insumos do Ministério da Agricultura, Cristiano Simon, acredita que o programa pode servir de exemplo para outros setores.
“É considerado um exemplo mundial de um trabalho onde todos participam: o agricultor, a revenda e, principalmente, a indústria, subsidiando esse trabalho. Faz o que era um lixo rural, que contaminava o meio ambiente, numa mercadoria útil, através da produção de tubos pra fibra ótica, de recipientes plásticos para lubrificantes, até embalagem para defensivo agrícola. Todos participam em uma cadeia de cooperação exemplar e que poderia servir para outros setores que estão preocupados com o meio ambiente e com a sustentabilidade”, relata Simon.
Matéria de Danilo Macedo, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 30/03/2009.
Mostrando postagens com marcador agrotóxicos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador agrotóxicos. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 7 de abril de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
O herbicida Roundup é perigoso, inclusive em doses mínimas, segundo estudo
CAEN, França (AFP) - Um estudo realizado por um especialista em biologia molecular, afirma que o herbicida Roundup, o mais utilizado no mundo, é perigoso para a saúde humana, inclusive em doses mínimas, o que foi desmentido pelas empresa americana Monsanto que o vende.
“Trabalhamos com células de recém-nascidos com quantidades do produto 100.000 vezes inferiores com as quais qualquer jardineiro comum está em contato. O Roundup programa a morte das células em poucas horas”, declarou à cientista francês Gilles-Eric Séralini, professor de biologia molecular, autor do estudo publicado pela revista Chemical Research in Toxicology.
“Os riscos são principalmente para as mulheres grávidas, mas não apenas para elas”, acrescentou o pesquisador do Comitê de Pequisa e Informação Independente sobre Engenharia Genética (Crii-gen).
Da alergia ao câncer, quando é maior a fragilidade da pessoa, maior é o risco, acrescentou.
A Monsanto França responde à consulta da AFP a respeito desse estudo mediante um comunicado no qual assinala que o “Roundup foi concebido unicamente como herbicida. Os trabalhos realizados regularmente pela G-E. Séralini sobre o Roundup constituem um desvio sistemático do uso normal do produto a fim de denigri-lo, apesar de ter sido demonstrada sua segurança sanitária há 35 anos no mundo”.
Por sua parte, a Séralini recordou que, “em 2005, foi provada sua toxicidade, mas não em doses infinitesimais”.
A agência americana de proteção ao meio ambiente (US Environmental Protection Agency, EPA) detalhou os efeitos nocivos para a saúde que pode provocar a exposição a importantes doses de Roundup: “congestão pulmonar e aceleração do ritmo respiratório”, entre outros.
Este herbicida é utilizado pelo governo colombiano apoiado pelos Estados Unidos dentro do chamado Plano Colômbia, oficialmente destinado a destruir as plantações de coca.
Em janeiro de 2007, a sociedade Monsanto foi condenada por um tribunal de Lyon (centro-leste da França) por falsa propaganda do Roundup, tal como ocorreu anterioremente e pelos menos motivos nos Estados Unidos.
Em virtude destas condenações, a Monsanto não pode assinalar nos rótulos do produto que o mesmo é biodegradável.
* Matéria da Agência France-Presse, publicada no Yahoo Notícias, Qua, 07 Jan, 02h12
Fonte: EcoDebate
“Trabalhamos com células de recém-nascidos com quantidades do produto 100.000 vezes inferiores com as quais qualquer jardineiro comum está em contato. O Roundup programa a morte das células em poucas horas”, declarou à cientista francês Gilles-Eric Séralini, professor de biologia molecular, autor do estudo publicado pela revista Chemical Research in Toxicology.
“Os riscos são principalmente para as mulheres grávidas, mas não apenas para elas”, acrescentou o pesquisador do Comitê de Pequisa e Informação Independente sobre Engenharia Genética (Crii-gen).
Da alergia ao câncer, quando é maior a fragilidade da pessoa, maior é o risco, acrescentou.
A Monsanto França responde à consulta da AFP a respeito desse estudo mediante um comunicado no qual assinala que o “Roundup foi concebido unicamente como herbicida. Os trabalhos realizados regularmente pela G-E. Séralini sobre o Roundup constituem um desvio sistemático do uso normal do produto a fim de denigri-lo, apesar de ter sido demonstrada sua segurança sanitária há 35 anos no mundo”.
Por sua parte, a Séralini recordou que, “em 2005, foi provada sua toxicidade, mas não em doses infinitesimais”.
A agência americana de proteção ao meio ambiente (US Environmental Protection Agency, EPA) detalhou os efeitos nocivos para a saúde que pode provocar a exposição a importantes doses de Roundup: “congestão pulmonar e aceleração do ritmo respiratório”, entre outros.
Este herbicida é utilizado pelo governo colombiano apoiado pelos Estados Unidos dentro do chamado Plano Colômbia, oficialmente destinado a destruir as plantações de coca.
Em janeiro de 2007, a sociedade Monsanto foi condenada por um tribunal de Lyon (centro-leste da França) por falsa propaganda do Roundup, tal como ocorreu anterioremente e pelos menos motivos nos Estados Unidos.
Em virtude destas condenações, a Monsanto não pode assinalar nos rótulos do produto que o mesmo é biodegradável.
* Matéria da Agência France-Presse, publicada no Yahoo Notícias, Qua, 07 Jan, 02h12
Fonte: EcoDebate
Marcadores:
agrotóxicos,
Monsanto,
Roundup
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
CTNBio aprova liberação comercial de mais uma variedade de milho transgênico
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou na última quinta-feira, 11 de novembro, a liberação comercial da variedade de milho geneticamente modificado resistente a inseto e tolerante ao glufosinato de amônia
Este foi o oitavo pedido de liberação comercial autorizado pela Comissão este ano, e a terceira aprovação de semente de milho geneticamente modificado concedida no ano. Em 2007, a CTNBio autorizou outras três liberações comerciais.
Na última reunião do ano, os integrantes da CTNBio aprovaram também mais 15 solicitações de liberação planejada no meio ambiente (pesquisa). No ano, foram aprovados 122 pedidos de pesquisas, número que supera as autorizações concedidas em 2007, que somaram 83, e as 127 deferidas em 2006. Ao todo, a Comissão deferiu 539 pedidos (Certificados de Qualidade em Biossegurança, Liberações Planejadas, Projetos, Relatórios, Liberações Comerciais e outros), enquanto no ano passado foram aprovados 425 solicitações, e em 2006, outras 422.
O presidente da CTNBio, Walter Colli, destaca que o resultado se deve a maior integração dos trabalhos na Comissão. “A composição da CTNBio também passou por uma mudança, o que ajudou a tornar a discussão mais produtiva. O trabalho, com certeza, está mais prático e conseguimos encontrar um procedimento que acelera as aprovações”, disse.
Colli lembrou que os pedidos aprovados em 2008 estavam em discussão há vários anos, o que também contribuiu para a liberação das cinco variedades de sementes e das três de vacinas.
O tempo médio de análise dos pedidos também está diminuindo. Colli destaca que o prazo de análise, que foi de nove anos - como ocorreu com um pedido que deu entrada em 1998 e só foi aprovado em 2007 -, foi reduzido para dois anos, como ocorreu com a solicitação aprovada na última sessão, que foi protocolada em dezembro de 2006. Já o prazo de análise dos pedidos para liberação de vacinas, segundo ele, foi menor e variou de 13 a 8 meses. “A polêmica é menor quando se trata deste tipo de medicamento, o que não ocorre com as sementes”, destacou.
Para 2009, a Comissão tem outros sete processos de sementes para analisar. No início do ano, a CTNbio também deve realizar uma audiência pública para discutir a solicitação de aprovação comercial de arroz tolerante a glufosinato de amônio.
“A partir do próximo ano também vamos nos concentrar na discussão de novos pedidos de organismos de segunda e terceira gerações. Existe a possibilidade de recebermos solicitações de pesquisas com microorganismos que ajudam a retirar mancha de petróleo e metais pesados da água, ou que são importantes para síntese de óleo diesel”, disse.
Segundo Colli, as liberações comerciais concedidas no Brasil, até agora, são para produtos que já estão em uso em outros países há mais de 10 anos. “A partir de 2009 a Comissão passa a receber solicitações de organismos que ainda não foram analisados. Isso vai exigir muito mais atenção e precaução nos trabalhos”, finalizou.
Veja a pauta com as definições da 119ª Reunião Ordinária em http://www.ctnbio.gov.br/upd_blob/0000/622.doc
(Assessoria de Comunicação do MCT)
Fonte: JC E-mail
Este foi o oitavo pedido de liberação comercial autorizado pela Comissão este ano, e a terceira aprovação de semente de milho geneticamente modificado concedida no ano. Em 2007, a CTNBio autorizou outras três liberações comerciais.
Na última reunião do ano, os integrantes da CTNBio aprovaram também mais 15 solicitações de liberação planejada no meio ambiente (pesquisa). No ano, foram aprovados 122 pedidos de pesquisas, número que supera as autorizações concedidas em 2007, que somaram 83, e as 127 deferidas em 2006. Ao todo, a Comissão deferiu 539 pedidos (Certificados de Qualidade em Biossegurança, Liberações Planejadas, Projetos, Relatórios, Liberações Comerciais e outros), enquanto no ano passado foram aprovados 425 solicitações, e em 2006, outras 422.
O presidente da CTNBio, Walter Colli, destaca que o resultado se deve a maior integração dos trabalhos na Comissão. “A composição da CTNBio também passou por uma mudança, o que ajudou a tornar a discussão mais produtiva. O trabalho, com certeza, está mais prático e conseguimos encontrar um procedimento que acelera as aprovações”, disse.
Colli lembrou que os pedidos aprovados em 2008 estavam em discussão há vários anos, o que também contribuiu para a liberação das cinco variedades de sementes e das três de vacinas.
O tempo médio de análise dos pedidos também está diminuindo. Colli destaca que o prazo de análise, que foi de nove anos - como ocorreu com um pedido que deu entrada em 1998 e só foi aprovado em 2007 -, foi reduzido para dois anos, como ocorreu com a solicitação aprovada na última sessão, que foi protocolada em dezembro de 2006. Já o prazo de análise dos pedidos para liberação de vacinas, segundo ele, foi menor e variou de 13 a 8 meses. “A polêmica é menor quando se trata deste tipo de medicamento, o que não ocorre com as sementes”, destacou.
Para 2009, a Comissão tem outros sete processos de sementes para analisar. No início do ano, a CTNbio também deve realizar uma audiência pública para discutir a solicitação de aprovação comercial de arroz tolerante a glufosinato de amônio.
“A partir do próximo ano também vamos nos concentrar na discussão de novos pedidos de organismos de segunda e terceira gerações. Existe a possibilidade de recebermos solicitações de pesquisas com microorganismos que ajudam a retirar mancha de petróleo e metais pesados da água, ou que são importantes para síntese de óleo diesel”, disse.
Segundo Colli, as liberações comerciais concedidas no Brasil, até agora, são para produtos que já estão em uso em outros países há mais de 10 anos. “A partir de 2009 a Comissão passa a receber solicitações de organismos que ainda não foram analisados. Isso vai exigir muito mais atenção e precaução nos trabalhos”, finalizou.
Veja a pauta com as definições da 119ª Reunião Ordinária em http://www.ctnbio.gov.br/upd_blob/0000/622.doc
(Assessoria de Comunicação do MCT)
Fonte: JC E-mail
Marcadores:
agricultura,
agrotóxicos,
CTNBio,
milho,
transgênicos
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Agrotóxico influi em natalidade
9/12/2008
Os impactos da exposição a agro- tóxicos na saúde reprodutiva em municípios essencialmente agrícolas no estado do Paraná pode estar mudando o perfil de gênero da região. Estudo realizado pela biomédica Gerusa Gibson da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fiocruz lançou luz sobre o problema ao investigar a proporção de nascimentos masculinos para o estado do Paraná no período entre 1994 e 2004. O estudo mostrou uma tendência de declínio estatisticamente significativa e sugere que o fenômeno possa ser decorrente da alta exposição ambiental aos agrotóxicos nessas localidades.
Segundo a pesquisa, alguns agrotóxicos fazem parte de um conjunto de poluentes ambientais que causam alterações hormonais e prejudicam a saúde reprodutiva causando redução da fertilidade masculina, abortos espontâneos e malformações congênitas. No caso específico do Paraná, acredita-se que a redução do número de nascimentos masculinos seja resultado da influência das concentrações hormonais dos pais no momento da concepção dos filhos. Como é necessário um longo período de exposição crônica aos agrotóxicos para que os impactos na proporção de sexos ao nascimento sejam perceptíveis, a pesquisadora usou como referência o consumo de agrotóxico realizado em 1985 para analisar os nascimentos ocorridos oito anos depois.
Números preocupantes
Mais de 300 municípios foram pesquisados, mas o estudo priorizou 10 cidades onde a redução foi mais substancial. Todas elas têm até 10 mil habitantes. Em Jardim Olinda, por exemplo, onde cerca de 14% da população está ocupada na agropecuária, o número de nascimentos masculinos caiu de 62,5% em 1994 para 26,3% em 2004. Já em Doutor Camargo, onde 36,3% da população está ocupada na agropecuária e existe mais de 700 estabelecimentos do ramo, a percentagem caiu de 50,4% para 40,3% no mesmo período. A proporção normal de nascimentos masculinos é de 51,5%.
- Os números são preocupantes - afirma a pesquisadora Gerusa Gibson. Mas o mais preocupante é que se o consumo de agrotóxico já afetou a razão de sexo, devem ter ocorrido desfechos mais graves, principalmente casos de câncer e infertilidade. As pessoas que trabalham com o agrotóxico geralmente não são plenamente conscientes dos riscos que correm e as empresas que lucram com isso não se preocupam.
Para Gerusa, a hipótese de que haja um declínio na proporção de nascidos vivos do sexo masculino no Brasil torna-se totalmente plausível, principalmente quando leva-se em conta a trajetória da agricultura brasileira que tem um modelo de desenvolvimento baseado na crescente demanda por agrotóxicos e fertilizantes. O Paraná foi escolhido pela pesquisadora por ser um grande representante desse modelo de produção. Na Europa, em países como Inglaterra, Dinamarca e Finlândia acredita-se que a exposição ambiental a desreguladores endócrinos nos últimos anos tenha contribuído para a redução de nascimentos masculinos.
A chefe do departamento de Vigilância Sanitária do Paraná, Suely Vidigal, afirma que estudos como esse são fundamentais para mudar o perfil de consumo da sociedade brasileira e reforçar a necessidade de políticas públicas que incentivem a produção de alimentos orgânicos.
Suely garante que o estado tem tentado fazer um trabalho diferenciado para evitar que a população fique vulnerável a doenças causadas por exposição a agrotóxicos. Segundo relata, desde 2003 foi desenvolvido um trabalho de rotulagem em todos os alimentos produzidos no estado. A intenção é ter um canal para chegar ao produtor e orientar em caso de erro ou até mesmo punir quando necessário.
- O Brasil é o segundo consumidor mundial de agrotóxicos lamenta a sanitarista. - Essa é uma situação que nos preocupa a cada dia. Temos que incentivar a produção de alimentos orgânicos, mas é preciso subsidiar o agricultor porque esse alimentos ainda são muito caros para a população.
Segundo Suely, o Paraná tenta unir esforços para sanar as irregularidades no consumo de agrotóxicos, mas o estado tem que intervir em alguns casos de produtores reincidentes nas irregularidades.
--------------------------------------------------------------------------------
Pesticidas provocam alterações hormonais
Idelina Jardim
Há casos de intoxicação com produtos que estão banidos no país há muito tempo. Ainda, assim, há alguns anos, foi feito um "tratoraço" em Brasília reivindicando na Anvisa a liberação da importação de alguns agrotóxicos.
O Instituto Oswaldo Cruz, responsável pela medição dos acidentes causados por agentes químicos no Brasil, nas recentes estatísticas publicadas apontam que o número de intoxicações por agrotóxicos cresceu 27% em cinco anos, passando de 4.674, em 1999, para 5.945 em 2003 – desses últimos, 164 foram fatais.
Um estudo feito entre 2000 e 2002 com gestantes, por pesquisadores da Universidade de Granada, na Espanha, alertou para o perigo de disruptores hormonais, substâncias químicas – boa parte pesticidas – cuja presença no ambiente, inclusive o urbano, pode ser absolvido pelo corpo de modo imperceptível.
Um dado preocupante dessa contaminação silenciosa foi a descoberta de que 100% das 308 grávidas analisadas terem, pelo menos, um tipo de pesticida na placenta, camada que deveria proteger o feto. Os pesticidas começaram a ser usados nos anos 40 mas apenas na década de 90 se percebeu que a ingestão, por muitos anos de alimentos contendo agrotóxicos, pode ser responsável por alterações hormonais.
Em 2006, as estatísticas do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) do Instituto, Rosany Bochner revelaram que 34% dos acidentes com agrotóxicos aconteceram durante o trabalho no campo, atingindo em cheio pessoas com a faixa etária entre 20 e 29 anos – as mais vulneráveis. Por regiões, o maior número de intoxicações foi apontado no Sudeste – com 2.978 acidentes, seguida pelo Sul, com 1.657, Nordeste, com 920, Centro-Oeste, com 355 e Norte, com 35 casos.
--------------------------------------------------------------------------------
Guerra judicial opõe Anvisa e fabricantes de defensivos
Karla Correia
BRASÍLIA - Em fevereiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu processo para reavaliação de 14 princípios ativos presentes em 235 agrotóxicos comercializados no país. Oito dessas substâncias estão sob investigação nos Estados Unidos pela FDA – agência norte-americana de regulação de alimentos e remédios – por suspeita de provocarem desregulação endócrina, o mesmo problema que, segundo estudos, estaria reduzindo a taxa de nascimento de bebês masculinos no Paraná. Uma liminar obtida pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) na 13ª Vara Federal do Distrito Federal em julho interrompeu o trabalho.
Na lista estão alguns dos pesticidas e herbicidas mais utilizados nas lavouras brasileiras, como o glifosato, aplicado em plantações de soja transgênica. De acordo com a gerente de Normatização e Avaliação da Anvisa, Letícia Rodrigues, a reavaliação de princípios ativos em comercialização é necessária para analisar elementos e efeitos dessas substâncias que aparecem em um período de uso prolongado.
– A avaliação é feita com base em testes realizados com animais que analisa o potencial da substância em provocar mutações, irritar o sistema respiratório ou a pele do animal, entre outros fatores – explica Letícia.
– Ao longo do tempo, contudo, estudos como esse feito sobre a população do Paraná podem lançar luz sobre problemas que surgem com o uso massivo dos princípios e não foram alcançados em uma primeira investigação. A partir desse ponto, pede-se uma reavaliação da substância.
Batalhas Judiciais
Somente no mês passado, contudo, a agência conseguiu uma vitória na batalha judicial em torno dos agrotóxicos e derrubou a liminar que impedia a investigação dos princípios ativos. Segundo Letícia Rodrigues, o órgão espera apenas a notificação formal para recomeçar os trabalhos.
– Perdemos um ano nessa batalha – lamenta. – Os novos laudos devem ser concluídos até 120 dias depois de reiniciados os trabalhos.
Antes do parecer, técnicos da Anvisa chegaram a completar a análise de dois ingredientes de agrotóxicos listados para reavaliação. A agência recomendou o banimento do cihexatina – utilizado em plantações de laranja, morango, pêssego e berinjela – depois que estudos detectaram graves riscos de malformações fetais em testes realizados com ratos. A substância já foi banida em 11 países, incluindo China e Estados Unidos.
Entretanto, o fabricante do produto, a empresa Sipcam Isagro Brasil, recorreu na Justiça e, com apoio do Ministério da Agricultura – um dos órgãos que compõem o comitê responsável pela regulação do setor de agrotóxicos no país – conseguiu liminar impedindo a Anvisa de tomar qualquer medida restritiva à comercialização do cihexatina.
A Anvisa também foi impedida na Justiça de divulgar os resultados de estudos sobre o acefato, suspeito de ter ação cancerígena e banido em vários países.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
Os impactos da exposição a agro- tóxicos na saúde reprodutiva em municípios essencialmente agrícolas no estado do Paraná pode estar mudando o perfil de gênero da região. Estudo realizado pela biomédica Gerusa Gibson da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fiocruz lançou luz sobre o problema ao investigar a proporção de nascimentos masculinos para o estado do Paraná no período entre 1994 e 2004. O estudo mostrou uma tendência de declínio estatisticamente significativa e sugere que o fenômeno possa ser decorrente da alta exposição ambiental aos agrotóxicos nessas localidades.
Segundo a pesquisa, alguns agrotóxicos fazem parte de um conjunto de poluentes ambientais que causam alterações hormonais e prejudicam a saúde reprodutiva causando redução da fertilidade masculina, abortos espontâneos e malformações congênitas. No caso específico do Paraná, acredita-se que a redução do número de nascimentos masculinos seja resultado da influência das concentrações hormonais dos pais no momento da concepção dos filhos. Como é necessário um longo período de exposição crônica aos agrotóxicos para que os impactos na proporção de sexos ao nascimento sejam perceptíveis, a pesquisadora usou como referência o consumo de agrotóxico realizado em 1985 para analisar os nascimentos ocorridos oito anos depois.
Números preocupantes
Mais de 300 municípios foram pesquisados, mas o estudo priorizou 10 cidades onde a redução foi mais substancial. Todas elas têm até 10 mil habitantes. Em Jardim Olinda, por exemplo, onde cerca de 14% da população está ocupada na agropecuária, o número de nascimentos masculinos caiu de 62,5% em 1994 para 26,3% em 2004. Já em Doutor Camargo, onde 36,3% da população está ocupada na agropecuária e existe mais de 700 estabelecimentos do ramo, a percentagem caiu de 50,4% para 40,3% no mesmo período. A proporção normal de nascimentos masculinos é de 51,5%.
- Os números são preocupantes - afirma a pesquisadora Gerusa Gibson. Mas o mais preocupante é que se o consumo de agrotóxico já afetou a razão de sexo, devem ter ocorrido desfechos mais graves, principalmente casos de câncer e infertilidade. As pessoas que trabalham com o agrotóxico geralmente não são plenamente conscientes dos riscos que correm e as empresas que lucram com isso não se preocupam.
Para Gerusa, a hipótese de que haja um declínio na proporção de nascidos vivos do sexo masculino no Brasil torna-se totalmente plausível, principalmente quando leva-se em conta a trajetória da agricultura brasileira que tem um modelo de desenvolvimento baseado na crescente demanda por agrotóxicos e fertilizantes. O Paraná foi escolhido pela pesquisadora por ser um grande representante desse modelo de produção. Na Europa, em países como Inglaterra, Dinamarca e Finlândia acredita-se que a exposição ambiental a desreguladores endócrinos nos últimos anos tenha contribuído para a redução de nascimentos masculinos.
A chefe do departamento de Vigilância Sanitária do Paraná, Suely Vidigal, afirma que estudos como esse são fundamentais para mudar o perfil de consumo da sociedade brasileira e reforçar a necessidade de políticas públicas que incentivem a produção de alimentos orgânicos.
Suely garante que o estado tem tentado fazer um trabalho diferenciado para evitar que a população fique vulnerável a doenças causadas por exposição a agrotóxicos. Segundo relata, desde 2003 foi desenvolvido um trabalho de rotulagem em todos os alimentos produzidos no estado. A intenção é ter um canal para chegar ao produtor e orientar em caso de erro ou até mesmo punir quando necessário.
- O Brasil é o segundo consumidor mundial de agrotóxicos lamenta a sanitarista. - Essa é uma situação que nos preocupa a cada dia. Temos que incentivar a produção de alimentos orgânicos, mas é preciso subsidiar o agricultor porque esse alimentos ainda são muito caros para a população.
Segundo Suely, o Paraná tenta unir esforços para sanar as irregularidades no consumo de agrotóxicos, mas o estado tem que intervir em alguns casos de produtores reincidentes nas irregularidades.
--------------------------------------------------------------------------------
Pesticidas provocam alterações hormonais
Idelina Jardim
Há casos de intoxicação com produtos que estão banidos no país há muito tempo. Ainda, assim, há alguns anos, foi feito um "tratoraço" em Brasília reivindicando na Anvisa a liberação da importação de alguns agrotóxicos.
O Instituto Oswaldo Cruz, responsável pela medição dos acidentes causados por agentes químicos no Brasil, nas recentes estatísticas publicadas apontam que o número de intoxicações por agrotóxicos cresceu 27% em cinco anos, passando de 4.674, em 1999, para 5.945 em 2003 – desses últimos, 164 foram fatais.
Um estudo feito entre 2000 e 2002 com gestantes, por pesquisadores da Universidade de Granada, na Espanha, alertou para o perigo de disruptores hormonais, substâncias químicas – boa parte pesticidas – cuja presença no ambiente, inclusive o urbano, pode ser absolvido pelo corpo de modo imperceptível.
Um dado preocupante dessa contaminação silenciosa foi a descoberta de que 100% das 308 grávidas analisadas terem, pelo menos, um tipo de pesticida na placenta, camada que deveria proteger o feto. Os pesticidas começaram a ser usados nos anos 40 mas apenas na década de 90 se percebeu que a ingestão, por muitos anos de alimentos contendo agrotóxicos, pode ser responsável por alterações hormonais.
Em 2006, as estatísticas do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) do Instituto, Rosany Bochner revelaram que 34% dos acidentes com agrotóxicos aconteceram durante o trabalho no campo, atingindo em cheio pessoas com a faixa etária entre 20 e 29 anos – as mais vulneráveis. Por regiões, o maior número de intoxicações foi apontado no Sudeste – com 2.978 acidentes, seguida pelo Sul, com 1.657, Nordeste, com 920, Centro-Oeste, com 355 e Norte, com 35 casos.
--------------------------------------------------------------------------------
Guerra judicial opõe Anvisa e fabricantes de defensivos
Karla Correia
BRASÍLIA - Em fevereiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu processo para reavaliação de 14 princípios ativos presentes em 235 agrotóxicos comercializados no país. Oito dessas substâncias estão sob investigação nos Estados Unidos pela FDA – agência norte-americana de regulação de alimentos e remédios – por suspeita de provocarem desregulação endócrina, o mesmo problema que, segundo estudos, estaria reduzindo a taxa de nascimento de bebês masculinos no Paraná. Uma liminar obtida pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) na 13ª Vara Federal do Distrito Federal em julho interrompeu o trabalho.
Na lista estão alguns dos pesticidas e herbicidas mais utilizados nas lavouras brasileiras, como o glifosato, aplicado em plantações de soja transgênica. De acordo com a gerente de Normatização e Avaliação da Anvisa, Letícia Rodrigues, a reavaliação de princípios ativos em comercialização é necessária para analisar elementos e efeitos dessas substâncias que aparecem em um período de uso prolongado.
– A avaliação é feita com base em testes realizados com animais que analisa o potencial da substância em provocar mutações, irritar o sistema respiratório ou a pele do animal, entre outros fatores – explica Letícia.
– Ao longo do tempo, contudo, estudos como esse feito sobre a população do Paraná podem lançar luz sobre problemas que surgem com o uso massivo dos princípios e não foram alcançados em uma primeira investigação. A partir desse ponto, pede-se uma reavaliação da substância.
Batalhas Judiciais
Somente no mês passado, contudo, a agência conseguiu uma vitória na batalha judicial em torno dos agrotóxicos e derrubou a liminar que impedia a investigação dos princípios ativos. Segundo Letícia Rodrigues, o órgão espera apenas a notificação formal para recomeçar os trabalhos.
– Perdemos um ano nessa batalha – lamenta. – Os novos laudos devem ser concluídos até 120 dias depois de reiniciados os trabalhos.
Antes do parecer, técnicos da Anvisa chegaram a completar a análise de dois ingredientes de agrotóxicos listados para reavaliação. A agência recomendou o banimento do cihexatina – utilizado em plantações de laranja, morango, pêssego e berinjela – depois que estudos detectaram graves riscos de malformações fetais em testes realizados com ratos. A substância já foi banida em 11 países, incluindo China e Estados Unidos.
Entretanto, o fabricante do produto, a empresa Sipcam Isagro Brasil, recorreu na Justiça e, com apoio do Ministério da Agricultura – um dos órgãos que compõem o comitê responsável pela regulação do setor de agrotóxicos no país – conseguiu liminar impedindo a Anvisa de tomar qualquer medida restritiva à comercialização do cihexatina.
A Anvisa também foi impedida na Justiça de divulgar os resultados de estudos sobre o acefato, suspeito de ter ação cancerígena e banido em vários países.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
Marcadores:
agrotóxicos,
Paraná,
saúde
terça-feira, 4 de novembro de 2008
CREA assina convênio para redução do uso de agrotóxicos
Cabrini participou na terça-feira (30) da assinatura de convênio estabelecendo novas diretrizes ao programa Manejo Integrado de Pragas (MIP). Entre os objetivos do programa está a inserção do Manejo Integrado de Pragas como política pública do Estado, a contribuição com a conservação ambiental e o incentivo ao uso de agrotóxicos biológicos. O programa prevê a capacitação de 500 técnicos para que orientem aproximadamente 10 mil produtores sobre o uso consciente de agrotóxicos.
O secretário da Agricultura e do Abastecimento, engenheiro agrônomo Valter Bianchini, afirmou que o Paraná pretende ser referência no manejo integrado de pragas, racionalizando o uso de agrotóxicos, considerando os aspectos econômicos, ambientais e sociais.
De acordo com o engenheiro agrônomo do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PR) Lauro Morales, um dos líderes do MIP-PR, a intenção do programa é reduzir em 30% a aplicação de inseticidas e pesticidas nas lavouras paranaenses, nos próximos cinco anos. "Os agrotóxicos aplicados nas lavouras de soja, milho e trigo, em cada safra do Paraná, são suficientes para cobrir duas vezes o território do Estado. Baseado nisso vamos conscientizar o produtor a reduzir a quantidade aplicada", ressaltou.
Além do CREA-PR, assinam o documento a SEAB, Emater, UFPR, Federação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná (FEAP), dentre outras entidades.
Fonte: CREANET
O secretário da Agricultura e do Abastecimento, engenheiro agrônomo Valter Bianchini, afirmou que o Paraná pretende ser referência no manejo integrado de pragas, racionalizando o uso de agrotóxicos, considerando os aspectos econômicos, ambientais e sociais.
De acordo com o engenheiro agrônomo do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PR) Lauro Morales, um dos líderes do MIP-PR, a intenção do programa é reduzir em 30% a aplicação de inseticidas e pesticidas nas lavouras paranaenses, nos próximos cinco anos. "Os agrotóxicos aplicados nas lavouras de soja, milho e trigo, em cada safra do Paraná, são suficientes para cobrir duas vezes o território do Estado. Baseado nisso vamos conscientizar o produtor a reduzir a quantidade aplicada", ressaltou.
Além do CREA-PR, assinam o documento a SEAB, Emater, UFPR, Federação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná (FEAP), dentre outras entidades.
Fonte: CREANET
Marcadores:
agrotóxicos,
manejo integrado de pragas
Assinar:
Postagens (Atom)