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sábado, 28 de março de 2009

PIB verde pode se tornar uma realidade

Por Redação da Revista Idéia Socioambiental

Diante da pressão crescente por mecanismos que contemplem as externalidades das atividades econômico-financeiras, as ciências contábeis começam a rever suas práticas e conceitos. Muitos profissionais da área têm dedicado esforços para integrar as variáveis ambientais e sociais aos mecanismos de aferição do patrimônio das nações, criando ferramentas mais completas do que o Produto Interno Bruto (PIB) .

Partindo da premissa de que a forma como uma nação gerencia seus recursos naturais afetará seu desenvolvimento, pesquisadores da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI) elaboraram uma metodologia para mensurar o patrimônio ambiental dos países. "É uma falta de inteligência pensar que maximizar o lucro de uma forma exponencial sem fim e continuar gerando toda a depredação do meio ambiente, os problemas sociais, a distribuição de renda, não vai interferir diretamente na sociedade", avalia José Roberto Kassai, professor da FIPECAFI, que juntamente com Nelson Carvalho, elaborou o estudo intitulado Balanço das Nações.

Até pouco tempo atrás, a ideia de incluir os recursos naturais na contabilidade das nações parecia uma possibilidade distante. Esse cenário começou a se modificar com a perspectiva ameaçadora das mudanças climáticas e do crescimento populacional - segundo estimativas, pode-se chegar a 9 bilhões de pessoas em algumas décadas, uma média de aumento de 1 bilhão a cada 15 anos. Diante dessa tendência, o desenvolvimento das nações será determinado pelo manejo inteligente dos recursos naturais, habilidade que depende de dados concretos quanto à disponibilidade dos ativos ambientais.

No cenário provável de 2020, de acordo com o estudo, apenas Brasil e Rússia apresentarão patrimônios líquidos "positivos", enquanto os demais países produzirão além do que deveriam. Nesse contexto, a situação geral do mundo será negativa, com um valor deficitário em torno de quatro US$ 3 trilhões.

Por volta de 2050, Brasil e Rússia confirmarão a situação favorável com saldos excedentes de carbono e evidenciarão a importância de suas florestas no cenário global. Já o déficit mundial será elevado para US$ 15,3 trilhões . Nesse contexto - destaca o estudo -, a situação mundial piorará 298%. Enquanto Brasil e Rússia sustentarão uma situação favorável, China e EUA se destacarão como os maiores emissores de carbono e de patrimônio líquido ambiental negativo.

Apesar do cenário pessimista, o Balanço das Nações demonstrou que o déficit global do planeta representa 23,7% do PIB, número que dá espaço para ações corretivas.

Os resultados da pesquisa sinalizam a urgência da transição para uma economia de baixo carbono. Diante do cenário que se visualiza, ou os ecossistemas têm uma recuperação eficiente, ou haverá um ajuste natural da população para cerca de 1 bilhão de habitantes - uma redução de 8 bilhões, considerando que a escassez de recursos prejudicaria a espécie humana.

Considerando a rigidez e inércia apresentadas pelo sistema energético padrão, a pesquisa destaca que não há espaço para uma grande ruptura de modelo. Assim, o estudo toma as condições atuais como referência para os próximos anos, reforçando que - com o aumento no preço do petróleo - se observará um crescimento no mercado de energias alternativas.

Metodologia inovadora

Para compor a base de dados do Balanço das Nações foram incluídos representantes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China) e de países desenvolvidos como Estados Unidos, Alemanha e Japão.

De acordo com Kassai, o maior desafio na concepção do estudo foi justamente quebrar os próprios conceitos e preconceitos da contabilidade. "Ao reunir profissionais de contábeis percebemos a necessidade de buscar conhecimentos e teorias em outras áreas. Acabamos chegando à conclusão de que a contabilidade só pode sobreviver se tornando interdisciplinar", avalia.

A pesquisa se dividiu em três fases. Na primeira, os saldos residuais de carbono de cada país foram apurados e convertidos para o valor em dólares. Em seguida, o PIB de cada nação foi transformado em unidades equivalentes per capita de número de habitantes e de consumo médio de energia em TEP (tonelada equivalente de petróleo). A última etapa consistiu no fechamento dos balanços contábeis dos países pela técnica de balanço perguntado, um levantamento das informações a partir de questionário que permite diagnosticar a situação financeira.

Após essa fase, os pesquisadores utilizaram a fórmula padrão da contabilidade: ativo menos passivo igual a patrimônio líquido. O ativo foi representado pelo PIB equivalente em dólares per capita; o passivo, pela obrigação ambiental de cada cidadão na meta de redução de carbono; e o patrimônio líquido diz respeito ao saldo residual - superavitário ou deficitário - de cada cidadão ou país em relação às outras nações (Veja quadro).

De acordo com o Balanço das Nações, os sistemas de contas nacionais ainda são incompletos em relação à avaliação dos recursos naturais. O melhor exemplo dessa deficiência é o PIB - Produto Interno Bruto, que não reconhece tais aspectos. Para o economista Sérgio Besserman Vianna, o cálculo do PIB apresenta questionamentos desde que foi criado. "A rigor, os trabalhos para que houvesse contas nacionais em condições de emitir a produção das riquezas de um país se dirigia para o produto interno líquido (PIL) que considerava as amortizações e tornava o cálculo muito complexo. Além disso, havia uma correlação muito forte na evolução do PIB e do PIL. Então optou-se pelo primeiro. Em seguida, houve a percepção do problema da não inclusão dos custos de recursos naturais", explica.

Uma alternativa que tem sido discutida para resolver esse impasse é o chamado PIB verde que oferece um bottom line pelo qual é possível avaliar o quanto os mercados consumidores afetam bens públicos - destaca o Balanço das Nações - permitindo comparabilidade entre períodos para uma mesma nação e entre nações em quaisquer períodos.

Dessa forma, o PIB verde contabiliza todos os bens e serviços públicos, em valores não monetários, como a quantidade de água potável ou o tamanho das áreas verdes de uma cidade.

O patrimônio líquido ambiental (PLA), proposto pelo Balanço das Nações, seria uma forma de avaliação do PIB verde. "Atualmente é moda criticar o PIB, o que se mostra fácil porque a medida permanece até hoje e se manteve forte por longa data. O ponto positivo é que as sociedades estão começando a despertar para uma nova necessidade não apenas centrada no poder econômico", pondera Kassai, autor do estudo.

Governança climática

De acordo com o Balanço das Nações, o lucro com reputação ambiental deve constituir uma nova tendência para a economia nos próximos anos, com base em aspectos como precificação do carbono, investimento em tecnologias de eficiência energética e mudança no atual comportamental do consumo.

Para Besserman, a primeira questão que se coloca nesse contexto, antes mesmo de mensurar, é considerar os custos ambientais na tomada de decisões. Isso ocorrerá primeiramente em relação aos gases de efeito estufa.Segundo o economista, o Brasil já deu um passo importante na direção da redução de CO2 estabelecendo metas para diminuir o desmatamento. No entanto, não manteve outras ações paralelas para ter benefícios concretos. No plano energético, por exemplo, o papel das termoelétricas que utilizam combustíveis fósseis mais do que compensa a redução das emissões presentes nas metas de desmatamento.

"O Brasil deveria se posicionar para não perder uma grande oportunidade. Na expressão do professor Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), dado que agenda do século XXI inclui obrigatoriamente o tema sustentabilidade como prioridade, o Brasil poderia se posicionar como potência ambiental", destaca o economista.

No contexto mundial, Viana apresenta ressalvas aos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e seqüestro de carbono por meio de projetos de reflorestamento e manutenção florestal.

Segundo ele, é necessário estabelecer - em Copenhague ou por meio do G20 - uma forma pela qual a governança global consiga responder às mudanças climáticas e também redefinir as transações de crédito de carbono. "As soluções não vão sair das gavetas dos tecnocratas, é preciso que o mercado aposte em diversas alternativas e a sinalização para isso se dá por meio da flexibilização das formas de redução das emissões que propiciem investimentos mais efetivos", destaca.

Fonte: Revista Envolverde

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Prosperidade global leva recursos da Terra ao limite

Justin Lahart, Patrick Barta e Andrew Batson

O poder do crescimento populacional é tão maior que o poder da Terra de produzir subsistência que a morte prematura, de uma ou outra forma, deve visitar a raça humana.

Thomas Malthus, 1798.

Se as tendências atuais de crescimento da população mundial, industrialização, poluição, produção de alimentos e redução de recursos continuar sem alteração, dentro dos próximos cem anos vai se chegar ao limite de crescimento neste planeta.

Clube de Roma, grupo de estudos, 1972.

Através dos séculos, vozes poderosas têm alertado que a atividade humana pode suplantar os recursos da Terra. As cassandras sempre se provaram erradas. Sempre houve novos recursos a ser descobertos, novas tecnologias para impulsionar o crescimento.

Hoje, esses velhos medos estão de volta - e agora não são tão fáceis de menosprezar.

Apesar de uma catástrofe malthusiana não ser iminente, a redução dos recursos prevista pelo Clube de Roma é mais evidente hoje do que em qualquer período depois da publicação do seu relatório "Os Limites do Crescimento", em 1972. A alta constante do petróleo, trigo, cobre e outras commodities é sinal de uma mudança contínua na demanda que ainda não foi equiparada pelo aumento da oferta.

A Organização das Nações Unidas projeta um crescimento da população mundial dos atuais 6,6 bilhões de pessoas para 8 bilhões em 2025. E o mundo também está ficando mais própero. Em média, as pessoas estão consumindo mais alimentos, água, metais e energia elétrica. Um número cada vez maior dos 1,3 bilhão de chineses e 1,1 bilhão de indianos está chegando à classe média, adotando dietas ricas em proteínas, transporte movido a gasolina e equipamentos elétricos usados em países desenvolvidos.

O resultado é que a demanda por recursos naturais disparou. Se o abastecimento não acompanhar o ritmo, os preços devem subir ainda mais, o crescimento tanto de nações pobres como ricas pode sofrer e poderão correr conflitos violentos.

"Estamos numa era em que as tecnologias que permitiram altos padrões de vida e expectativa de vida de 80 anos no mundo rico agora são acessíveis a quase todo mundo", diz o economista Jeffrey Sachs, diretor do Instituto da Terra, da Universidade Columbia, de Nova York. "Isso significa não só que hoje temos uma enorme quantidade de atividade econômica, mas também que temos um potencial reprimido para vastas ampliações [na atividade econômica]." O mundo não pode sustentar esse nível de crescimento sem novas tecnologias, argumenta Sachs.

A competição por recursos pode ficar feia. Os economistas Edward Miguel, da Universidade da Califórnia em Berkeley, e Shanker Satyanath e Ernest Sergenti, da Universidade de Nova York, concluíram que redução de chuvas está associada a conflitos civis na África Subsaariana. Serra Leoa, por exemplo, registrou queda profunda do índice pluviométrico na década de 90 e mergulhou na guerra civil em 1991.

Nagpur, na região central da Índia, já foi conhecida como uma das metrópoles mais verdes do país. Ao longo da última década, Nagpur, que agora é uma das pelo menos 40 cidades indianas com mais de 1 milhão de habitantes, passou de 1,7 milhão para 2,5 milhões de moradores. Suas ruas viraram uma bagunça de buzinas, motocicletas e animais soltos em meio a um ar pesado e sujo.

Em 2005, a China tinha 15 carros de passageiros para cada 1.000 habitantes, perto dos 13 por 1.000 que o Japão tinha em 1963. Hoje o Japão tem 447 carros de passageiros por 1.000 residentes, 57 milhões no total. Se a China alcançar essa proporção, terá 572 milhões de automóveis - 70 milhões a menos do que o total de carros hoje no mundo.

Jeffrey Frankel, economista de Harvard, diz: "A idéia de que teremos de passar para outras fontes de energia - você não precisa concordar com o Clube de Roma" para chegar a essa conclusão. O mundo pode se ajustar à redução da produção de petróleo com o consumo mais eficiente de energia e passando para a energia nuclear, eólica e solar, diz ele, apesar de que essa transição pode ser lenta e cara.

As mudanças climáticas vão provavelmente intensificar a falta d'água. Elas serão sentidas "mais fortemente pelas mudanças na distribuição da água pelo mundo e na sua variação sazonal e anual", segundo relatório do governo britânico sobre aquecimento global que foi chefiado por Nicholas Stern. A falta de água pode ser severa em partes da África, no Oriente Médio, no Sul da Europa e na América Latina, diz o relatório.

Mas Stiglitz, o economista, diz que os consumidores terão provavelmente que mudar de comportamento. Ele acredita que as definições e medidas tradicionais e mundiais de progresso econômico - baseadas em produção e consumo cada vez maiores - terão de ser repensadas.

Exemplos que se multiplicam


Em Pondhe, uma aldeia indiana com cerca de 1.000 habitantes num planalto estéril perto de Mumbai, a água não era problema. Os poços transbordavam durante as monções, lembra Vsantrao Wagle, que trabalha na agricultura da área há quatro décadas. Hoje, o nível máximo fica em torno de três metros abaixo da superfície e baixa ainda mais na estação da seca. "Mesmo quando chove muito não temos água suficiente", diz ele.

O seco norte da China está exaurindo o suprimento de água subterrânea. Em Pequim, os lençóis freáticos baixaram centenas de metros. Em Hebei, província próxima da capital, o Lago Bayangdian, que já foi muito grande, encolheu e sobrevive principalmente porque o governo desviou água do Rio Amarelo para ele.

Sem substitutos


Alguns dos recursos em grande demanda hoje, como terra cultivável e água potável, não têm substitutos. E a necessidade de conter o aquecimento do planeta limita o uso de alguns recursos - como o carvão, que emite gases do efeito-estufa que contribuem para a mudança climática.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

sábado, 27 de dezembro de 2008

A NATUREZA E A DICOTOMIA RAZÃO VERSUS INSTINTO




Foi por mostrar uma natureza suplicante, rastejante, e nem por isso em posição inferior, mas como quem se encontra prestes a engolir o impassível ser humano que a confronta imóvel, protegido e frio, que me impressionou tanto esta fotografia de Monica Denevan. A imagem é uma bela representação da postura que tem marcado a relação humana com a castigada mãe natureza, haja vista, a título de exemplo, o que temos feito diante da problemática do aquecimento global.
A cada dia que passa recebemos mais evidências de que nossos esforços na mitigação do efeito estufa antrópico(1) estão longe de serem suficientes e muito aquém de metas assumidas. Apesar disto, na última Conferência das Partes (COP14)(2), o que se viu foram nações buscando defender seus próprios interesses, seus confortos adquiridos ao longo do tempo, e cedendo em geral apenas onde não seriam necessários grandes esforços.
Obviamente não será o suficiente. As conseqüências de nossa displicência logo se mostrarão, e quando a situação recrudecer-se a extremos e o homem resolver finalmente reagir como deveria, talvez seja tarde demais.
Mas a sábia natureza sempre caminha para o equilíbrio, e as fontes de desordem mais cedo ou mais tarde são eliminadas. Neste caso a fonte somos nós e, conforme já dizia Raulzito lá pelos idos de 1973:

“Buliram muito com o planeta
E o planeta como um cachorro eu vejo
Se ele já não aguenta mais as pulgas
Se livra delas num sacolejo”(3)

O ímpeto hematófago(4) a humanidade, que suga sem piedade os recursos do planeta, é mais forte que qualquer razão. O ser humano prova a cada dia ser um animal como qualquer outro, apesar de se achar superior aos demais.
O instinto competitivo animal impele os indivíduos a tomarem para si e consumir o máximo de qualquer recurso(5) que lhe seja caro (aqui não no sentido estritamente financeiro da palavra, mas no mais amplo). Um animal qualquer, diante de uma fonte abundante de alimento, come e reproduz-se a exmo, até que a fonte se esgote e, se não houver alternativas, a mortalidade seja generalizada. O homem, claro, é um pouco mais pretencioso que os demais animais, de modo que para nós estes recursos representam, além de coisas básicas como água e alimento, também regalias como carrões potentes, espaçosas casas ou um carrinho de supermercado lotado de guloseimas. Mas todas as espécies existentes sobre o planeta evoluíram aperfeiçoando-se para passarem seus genes para as gerações seguintes, na maior quantidade possível e enquanto houver condições para isto, buscando a dominância e a perpetuidade e nunca levando em consideração as necessidades das outras. Para isto são necessários recursos naturais, o quanto mais melhor.
Quando surge uma espécie com um alto poder adaptativo ou num meio com grande abundância de recursos, esta logo domina o ambiente e se multiplica geometricamente, numa curva ascendente, monopolizando uma grande quantidade destes recursos para si. Porém isto dura pouco, pois a capacidade de suporte(6) do meio é limitada, e logo o crescimento estabiliza-se ou a densidade populacional cai abrupta e verticalmente, devido ao esgotamento de algum destes recursos (em geral alimento). É o ímpeto competitivo, a força motriz básica da evolução descrita por Darwin a mais de um século, que governa estas atitudes. A natureza é rica em exemplos deste tipo e o homem é apenas mais um.
Para que deixemos de ser apenas mais uma destas espécies, o grande desafio está aí, crescendo diante de nossos olhos. Trata-se de suplantar e dominar com a razão nossos mais básicos instintos, os impulsos primevos de “alimentar-se” e reproduzir, passando a consumir menos e retirar da natureza apenas o que ela pode repor num tempo viável. Isto faria com que nossa curva de crescimento populacional se estabilizasse sem quedas abruptas (que representariam uma mortalidade generalizada).
Porém, por enquanto, a razão tem perdido feio esta luta, diria que está próxima de ser nocauteada...

(1) O efeito estufa é um fenômeno natural, que mantêm o planeta terra numa temperatura média agradável, tornando a vida como ela é hoje viável. Porém algumas atividades humanas potencializam este efeito, gerando o que chamamos de “efeito estufa antrópico”, que é um aquecimento da atmosfera acima do que ocorreria sem a intervenção humana.
(2) A Conferência das Partes reúne-se anualmente e é o órgão decisório supremo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que, por sua vez, é um tratado internacional do qual são signatários mais de 150 Estados, criado com o objetivo de fazer frente às mudanças climáticas mundiais. COP14 é a sigla para a 14ª Conferência das Partes, que ocorreu em dezembro de 2008 na Polônia.
(3) Trecho da música “As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor”, composta por Raul Seixas.
(4) Hematófagos são parasitas que se alimentam de sangue, a exemplo das citadas pulgas da música de Raul Seixas.
(5) Num conceito biológico, recurso é tudo aquilo que é necessário para uma espécie e virtualmente esgotável. Como exemplos poderíamos dar os alimentos, a água, ou o próprio espaço físico.
(6) Capacidade de suporte é o tamanho máximo estável de uma população, determinado pela quantidade de recursos disponíveis e pela demanda mínima individual.



Autor: Jean Fábio Bianconcini

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

IBGE: população brasileira vai parar de crescer em 2039

Rio - A população brasileira continua envelhecendo em ritmo acelerado e vai parar de crescer em 30 anos, enquanto a expectativa de vida prosseguirá em expansão, segundo mostra estudo divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que, enquanto no período 1950-1960 a taxa de crescimento da população era de 3,04% ao ano, em 2008 não ultrapassou 1,05% ao ano. Segundo o estudo, o País apresentará um potencial de crescimento populacional até 2039, quando a expectativa é de que a população atinja o chamado "crescimento zero". A partir daí, de acordo com o IBGE, serão registradas taxas de crescimento negativas, ou seja, queda no número da população.

Em 2050, a taxa de crescimento da população no País será negativa (-0,291%) e a população será de 215,3 milhões de habitantes. Segundo observam os técnicos do IBGE no documento de divulgação, "vale ressaltar que se o ritmo de crescimento populacional se mantivesse no mesmo nível observado na década de 1950 (aproximadamente 3% ao ano), a população brasileira chegaria, em 2008, a 295 milhões de habitantes e não nos 189,6 milhões divulgados hoje pelo IBGE". Em 2039, quando vai parar de crescer e iniciar uma trajetória decrescente a partir do ano seguinte, a população brasileira será de 219,12 milhões de habitantes. A expectativa de vida, por outro lado, continuará em crescimento.


Expectativa de vida


Segundo o estudo do IBGE, "os avanços da medicina e as melhorias nas condições gerais de vida da população repercutem no sentido de elevar a média de vida do brasileiro (expectativa de vida ao nascer) de 45,5 anos de idade, em 1940, para 72,7 anos, em 2008, ou seja, mais 27,2 anos de vida". De acordo com a projeção do IBGE, "o País continuará galgando anos na vida média de sua população", alcançando em 2050 o patamar de 81,29 anos, basicamente o mesmo nível atual da Islândia (81,80), Hong Kong, China (82,20) e Japão (82,60).


Em 2008, a média de vida para mulheres chega a 76,6 anos e para os homens 69,0 anos, uma diferença de 7,6 anos. Em escala mundial, segundo o instituto, a esperança de vida ao nascer foi estimada, para 2008 (período 2005-2010), em 67,2 anos e, para 2045-2050, a Organização das Nações Unidas (ONU) projeta uma vida média de 75,40 anos. O levantamento do IBGE mostra também que em 2008 o Brasil ocupa a quinta posição entre os países mais populosos, mas de acordo com as projeções da ONU, o país passará para a oitava posição em 2050.


O estudo "Uma abordagem demográfica para estimar o padrão histórico e os níveis de subnumeração de pessoas nos censos demográficos e contagens da população", traz a projeção da população do Brasil, por sexo e idade, para o período 1980-2050. Este estudo foi divulgado anteriormente em 2004 e, agora, a Revisão 2008 incorpora nova análise da trajetória recente e futura da fecundidade, com base nas informações provenientes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2002 a 2006. O IBGE divulga também a metodologia das estimativas anuais e mensais da população do Brasil e das Unidades da Federação: 1980 - 2030 e a metodologia das estimativas das populações municipais.

Fonte: Agência Estado