sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Agroflorestas integram produção de alimentos e recuperação ambiental

Por Neuza Árbocz, da Envolverde - especial para o Instituto Ethos

É possível produzir alimentos para uma população mundial em constante crescimento sem esgotar os nutrientes do solo nem destruir a cobertura florestal remanescente no planeta? Os Sistemas Agroflorestai estão provando que sim.

Unir agricultura a formação de florestas e promover a recuperação de áreas degradadas com base na sucessão natural de espécies, esse é o objetivo dos Sistemas Agroflorestais (SAFs). O grande precursor dessa técnica no Brasil é o suíço Ernst Götsch, que há 25 anos forma SAFs e ensina a desenvolvê-los, tendo como base as terras de sua propriedade no Sul da Bahia.

Ernst visitou o Brasil pela primeira vez nos anos 1960 e ficou tão encantado com nossas riquezas naturais quanto chocado com os danos provocados pelas monoculturas. Na década de 1980, mudou-se para a Bahia, onde começou a implantar sistemas agroflorestais. Com esse trabalho, ele adquiriu suas próprias terras, no município de Piraí do Norte, um solo pobre, sem serventia para a agricultura e, por conseqüência, muito barato. Em menos de 20 anos, Ernst havia transformado totalmente o lugar, passando a contar com mais de 300 espécies por hectare e garantindo em sua propriedade um clima até 5 graus mais fresco do que no restante da região.

“Em qualquer lugar, pode-se chegar à terra boa de novo”, garante o especialista. Sua técnica consiste em identificar as espécies nativas do local onde se quer produzir e plantar consórcios, isto é, conjuntos de plantas cujo tempo de vida se combinam, de forma a apoiar o crescimento umas das outras. As pioneiras são mais resistentes ao solo empobrecido e, ao terminarem seu ciclo, formam a matéria orgânica que começa a transformar as condições locais. As espécies comestíveis integram os consórcios e são inseridas de forma a ocupar um estrato e um período de vida em harmonia com as demais.

No caso do Sul da Bahia, por exemplo, Ernst colhe, no primeiro ano, feijão-de-porco e, no segundo, mandioca. No terceiro e no quarto anos, já consegue colher também abacaxi e maracujá. No quinto, passa a produzir também banana e no sexto, palmeira-pupunha. Do sétimo ano em diante, colhe-se açaí, entre outros produtos. “Tudo o que faço é buscando que o resultado de minha operação resulte em mais vida e mais riqueza no planeta inteiro”, declara o agricultor.

Para saber mais, acesse o site Agrofloresta.net. Conheça também o Movimento Mutirão Agroflorestal e veja um vídeo da TV Cultura sobre o trabalho de Ernst Götsch. Cheque ainda a citrofloresta formada pela comunidade Yamaguishi, em Jaguariúna, São Paulo.

Fonte: Envolverde

Desemprego atinge 8,2% em janeiro

25/02/2009 - O nível de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do país subiu em janeiro e fechou o mês em 8,2%. O resultado superou em 1,4 ponto percentual o verificado em dezembro de 2008 (6,8%) e representa a maior taxa desde abril do ano passado (8,5%). Já na comparação com o mesmo período do ano anterior (8,0%) a taxa de desocupação ficou praticamente estável.

De acordo com dados divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas desocupadas cresceu 20,6% na passagem de um mês para o outro, totalizando 1,9 milhão de pessoas em janeiro. Já em relação ao mesmo mês de 2008, esse volume se manteve no mesmo patamar.

A pesquisa revela, ainda que a população ocupada sofreu redução de 1,6% de dezembro a janeiro, fechando o mês com a marca de 21,2 milhões de trabalhadores.

Ainda segundo o estudo, o número de trabalhadores com carteira assinada, 9,5 milhões, caiu 1,3% em relação a dezembro e cresceu 4,5% na comparação anual. Já o rendimento médio ficou em R$ 1.318,70, tendo subido 2,2% no mês e 5,9% na comparação com janeiro de 2008.

Em janeiro, os setores que mais demitiram, na comparação com o mês anterior, foram o da construção (-4,7%) e do comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (-2,5%). Já em relação a janeiro de 2008, as contratações superaram as demissões em educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (5,1%).

Fonte: Gazeta Mercantil/Agência Brasil. Adaptado por Celulose Online.

FED faz prognóstico sobre economia americana

25/02/2009 - A total recuperação da maior economia do planeta só ocorrerá dentro de dois ou três anos, segundo prognóstico do presidente do Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke. O prazo pode ser menor se o governo de Barack Obama, o Congresso e o próprio FED conseguirem restaurar, em alguma medida, a estabilidade do mercado financeiro.

“Somente neste caso, na minha opinião, seria razoável prever o fim da atual recessão em 2009, e 2010 seria um ano de recuperação”, afirmou Bernanke ao apresentar relatório semestral de política monetária ao Senado norte-americano.O presidente do Fed apontou as causas da atual recessão, mencionou as consequências da crise nos Estados Unidos e enumerou as medidas tomadas pelo governo, mas reconheceu que se mantém a tendência de aguda retração da atividade econômica no primeiro quadrimestre de 2009. Também lembrou que, em janeiro, os técnicos do FED reviram para baixo a previsão de crescimento da economia americana para 2009. A nova projeção é de uma queda entre 0,5% a 1,3% do PIB – em outubro de 2008, a expectativa variava entre uma retração de 0,2% e uma taxa de crescimento de 1,1%.

“Estas projeções refletem uma já esperada significativa retração na primeira metade deste ano, combinada com uma retomada gradual do crescimento na segunda metade”, disse Bernanke.

As projeções para 2010 são melhores, mas ainda modestas. “Os formuladores de políticas do FED continuam esperando uma expansão moderada no próximo ano, com tendência de crescimento real do PIB entre 2,5% e 3,3%”, frisou. Já a taxa de desemprego só deve começar a cair no final do próximo ano, ficando em torno de 8%.

Bernanke ressaltou, no entanto, que o panorama ainda é bastante incerto. Um dos maiores riscos, segundo ele, vem da “natureza global” da retração econômica – o que, na sua avaliação, pode afetar as exportações americanas e as condições financeiras além das atuais projeções.

Outro risco apontado pelo presidente do FED é a “força destrutiva” da inter-relação entre a fragilidade da economia e as condições financeiras. “Para quebrar este ciclo adverso, é essencial que continuemos a dar estímulos fiscais, com uma forte ação do governo para estabilizar as instituições financeiras e os mercados financeiros”, alertou.

O FED e o Tesouro americano anunciaram novas modalidades de ajuda a bancos em dificuldade, com possibilidade de nacionalização das instituições. Índice do Conference Board divulgado hoje mostra que a confiança dos consumidores norte-americanos chegou, em fevereiro, ao pior nível dos últimos 40 anos. O índice foi de 25 pontos, contra 37,4 pontos registrados em janeiro – o mais baixo desde 1967.

Fonte: Agência Brasil. Adaptado por Celulose Online.

Catadores amargam queda da receita

25/02/2009 - Na Cooperativa de Coleta Seletiva da Capela do Socorro (Coopercaps), na zona sul da capital paulista, a queda dos preços dos materiais reciclados fez alguns coope-rados desistirem do trabalho. Em julho do ano passado havia 127 cooperados, hoje são 84. A redução é, em grande medida, resultado do menor faturamento. De acordo com a direção da cooperativa, houve uma queda de 50% no faturamento, para R$ 61 mil em janeiro ante os R$ 126 mil de julho. "A maioria sai porque começa a achar que seria melhor trabalhar registrado, mas falta qualificação profissional e nem sempre eles encontram um emprego", disse Sandra Regina Eyer Caselta, membro do conselho administrativo da Coopercaps.

A queda do número de cooperados obrigou a empresa a reduzir o número de turnos. "Trabalhávamos em três turnos e tivemos de reduzir para dois porque não havia gente suficiente", afirmou Sandra. Apesar da equipe reduzida, o volume de trabalho aumentou. O volume de material separado subiu de 305 toneladas para 380 toneladas.

O aumento do volume e o menor número de cooperados não garantiu a manutenção de rendimentos por pessoa. O ganho per capita caiu de R$ 787, em julho, para R$ 384, no mês passado. "A oferta de material tem tido tendência de crescimento porque tem muito depósito e ferro-velho fechando e muitos catadores deixando de trabalhar, ou selecionando apenas os materiais de maior valor", explicou Sandra.

A Coopercaps é uma das 14 cooperativas que faz parte do programa de coleta seletiva da prefeitura de São Paulo, que oferece a infra-estrutura e custeia parte dos gastos operacionais, disponibilizando imóveis e caminhões de coleta, equipamentos, água e energia. Além do material coletado diretamente por cada cooperativa, as empresas também recebem o material coletado por cada uma das concessionárias que atuam nas diferentes regiões da cidade. "Verificamos um aumento médio de 300 toneladas por mês no material coletado pelas cooperativas e pelas concessionárias nos últimos três meses", afirmou Wagner Taveira, coordenador do programa de coleta seletiva da Secretaria Municipal de Serviços.

De acordo com ele, atualmente a cidade coleta, por meio das concessionárias e das cooperativas, até 3,8 mil toneladas de material reciclável mensalmente. "Cerca de 90% dos condomínios que comercializavam recicláveis deixaram de vender, os catadores deixaram de pegar materiais que tiveram os valores muito reduzidos, cooperativas e depósitos independentes fecharam e com isso aumentou a nossa coleta", explicou.

O preço do papelão caiu 52% pago aos depósitos e cooperativas, para R$ 0,12 o quilo, enquanto o preço do aço caiu de 60%, para R$ 0,13 o quilo, disse Paulo Sérgio da Silva, responsável pelo depósito Sucata Conceição de Monte Alegre, localizado no bairro do Brooklin, em São Paulo. "Se continuar assim vamos ter de fechar", afirmou Silva, que trabalha há nove anos com o depósito.

Um dos catadores que atua na região, José Geraldo, viu seu rendimento diário cair para até um terço, dos R$ 60 que tirava em meados do ano passado, para R$ 20, e já ameaça abandonar a carroça. "A gente tenta pegar mais metal e menos jornal, mas a situação está difícil", disse o senhor, de 66 anos, que mesmo há 10 anos sem um emprego formal decidiu buscar uma maneira de obter a aposentadoria.

Fonte: Gazeta Mercantil. Adaptado por Celulose Online.

Floresta secundária não recompõe biodiversidade

26/02/2009 - A constatação de que 20% das áreas desmatadas da Amazônia têm florestas em regeneração coloca o Brasil no centro de uma discussão internacional sobre o valor ecológico das florestas secundárias.

Estudos de longo prazo realizados no nordeste do Pará por cientistas do Museu Paraense Emílio Goeldi mostram que, mesmo após 40 anos em repouso, as florestas secundárias em áreas da região só recuperaram 35% das espécies arbóreas com mais de 10 centímetros de diâmetro que tinham originalmente.

Segundo cálculos do pesquisador Cláudio Almeida, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cerca de 132 mil dos 680 mil quilômetros quadrados de florestas derrubadas na Amazônia estavam em processo de regeneração até 2006.

E, segundo especialistas, elas podem até se transformar em florestas maduras, mas dificilmente recuperam a diversidade de espécies que tinham originalmente. Uma área de florestas secundárias (ou capoeiras) equivalente a tudo que foi desmatado na Amazônia nos últimos sete anos (de 2002 a 2008), seria suficiente para cobrir de mata os estados de Pernambuco e Alagoas.

À primeira vista, pode parecer que sete anos de desmatamento foram “desfeitos”. Mas a simplicidade dos números esconde uma teia de fatores ecológicos altamente complexos. O tempo para regeneração é insuficiente. Segundo Almeida, a expectativa média de vida de uma floresta secundária na Amazônia brasileira é de apenas cinco anos, até ser cortada e queimada novamente.

Fonte: G1. Adaptado por Celulose Online.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Mar subirá 1,80 m até 2100, diz estudo

EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo, em Chicago

A velocidade com que o nível do mar está subindo agora é quase o dobro daquela verificada no século 20. Já se sabia que o fenômeno -alimentado pelo aquecimento global- era grave, mas os dados mais recentes, coletados desde 1993, mostram que a elevação da linha d'água até 2100 será de 1,80 metro, mais do que o dobro da prevista pelo painel do clima da ONU.

"Entre 1993 e 2008, a taxa média global registrada foi de 3,4 mm por ano", disse à Folha a pesquisadora francesa Anny Cazenave, do Centro Nacional de Estudos Espaciais de Toulouse (França). Esse número, obtido por medições de satélite que geraram uma série histórica inédita, ganha um ar de gravidade quando comparado a outro: entre 1950 e 2000, a elevação média do mar era de 1,8 mm por ano, diz a cientista.

"Mas a maior surpresa não é essa", diz Cazenave, que apresentou suas recentes medições -processadas até dezembro- na reunião da AAAS (Sociedade Americana para o Avanço da Ciência), encerrada na semana passada em Chicago.

"As causas dessa aceleração do nível do mar também mudaram", diz. Entre 2003 e 2008, o derretimento das geleiras e dos mantos de gelo (Groenlândia e Antártida) contribuiu com 80% da elevação. A expansão térmica -o aumento de volume da água pelo aquecimento- ajudou com cerca de 20%.

Na virada do século, porém, o cenário ainda era diferente. Entre 1993 e 2003, o aquecimento da água do mar explicava 50% do fenômeno, enquanto as massas de gelo respondiam por 40%. (Ainda não existem dados para explicar os 10% que fechariam a conta.)

Para os cientistas, não há dúvida: as atenções devem ser voltadas agora para regiões como o Ártico, a Antártida e as demais geleiras continentais. Entre essas áreas, o norte da Terra é o mais rico em gelo.

Um metro a mais

"Hoje, tanto os mantos de gelo quanto as geleiras continentais [na Antártida, na Groenlândia, nos Andes ou no Himalaia] têm igual relevância, mas tudo indica que os primeiros serão cada vez mais importantes daqui para a frente", disse Stefan Rahmstorf, pesquisador da Universidade de Potsdam (Alemanha), que apresentou suas pesquisas no evento da AAAS, às margens do rio Chicago.

As contas do pesquisador alemão sobre o futuro do nível médio do mar indicam que os modelos apresentados até hoje estão otimistas demais. "Em 2100, posso dizer agora, o nível dos oceanos deverá estar aproximadamente um metro acima do que estava previsto pelo modelo [mais pessimista] do IPCC", o painel do clima das Nações Unidas que contou com a participação de Rahmstorf.

Acreditava-se que nível do mar não deveria subir mais do que 60 cm até 2100 (comparado com 1980-1999). Agora, porém, estima-se a marca de 1,80 metro. "E o nível do mar não vai parar de subir em 2100. Ele poderá chegar até 3,5 metros em 2200 e bater os 5 metros em 2300", disse Rahmstorf. No passado, mostrou o pesquisador, o nível do mar atingiu o pico há 40 milhões de anos. As águas estavam mais de 70 metros acima do que estão hoje.

Apesar de um nível do mar elevado não ser novidade para o planeta, a espécie humana, que surgiu há apenas 200 mil anos, nunca viu algo assim.

De acordo com Cazenave, as medições já feitas nestes últimos 16 anos mostram três regiões onde a subida do nível do mar já é realidade. "As áreas mais afetadas são o oeste do oceano Pacífico, o litoral da Austrália e também a Groenlândia", diz a cientista.

Como as previsões não são uniformes, e levam em conta valores médios, uma pergunta de interesse pessoal foi feita por um espectador da palestra em Chicago. "Sou da Flórida. Quero saber o que vai ocorrer lá", disse. "Vocês [cientistas] é que têm de dizer onde o mar subirá nos próximos anos."

Mas os cientistas silenciaram, e a questão também continua aberta para quem vive na Califórnia, no Taiti ou no Recife. Diante da dúvida, o melhor que cidades costeiras têm a fazer é se prepararem para o pior.

Fonte: Folha Online

O navio Polarstern semeia controvérsia no Atlântico

Estimular o crescimento do fitoplâncton acrescentando ferro ao mar pode ser uma maneira de absorver o excesso de carbono que causa
a mudança climática, afirmam os cientistas de uma polêmica
pesquisa no oceano Atlântico.

Maricel Drazer

DÜSSELDORF, Alemanha (Tierramérica).- O navio oceanográfico alemão Polarstern, um dos mais famosos do mundo, executa a maior experiência de fertilização de águas marinhas com ferro para absorver dióxido de carbono, um dos causadores do aquecimento global. O experimento, que acontece a nordeste das austrais Ilhas Geórgia do Sul, no Oceano Atlântico, busca promover o crescimento de fitoplâncton e a conseqüente absorção de carbono, por meio da colocação de 20 toneladas de sulfato de ferro em um raio de 300 quilômetros quadrados.

O ferro induz a proliferação de algas e estas absorvem dióxido de carbono, (CO²) da água durante a fotossíntese. Como o CO² dissolvido na superfície do oceano está em equilíbrio com a atmosfera, o déficit é compensado com a captação de carbono do ar. Então, enriquecer as águas com ferro pode se converter em um modo de combater o aquecimento global, afirmam os responsáveis pela experiência. Por outro lado, os ambientalistas não compartilham da idéia e alertam sobre como podem ser imprevisíveis as consequências da experëncia, agora imersa em uma polêmica de dimensão internacional.

“A absorção de dióxido de carbono por meio da ativação do crescimento de algas no mar não é um método efetivo contra a mudança climática e, além disso, apresenta graves riscos ambientais. O mar pode se converter em um biorreator”, disse ao Terramérica Stephan Lutter, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Também questionaram o fato de os esforços se dirigirem a absorver o dióxido de carbono e não a reduzir sua produção. “Uma conseqüência deste tipo de projetos de risco pode ser a falta de meios financeiros em outros lugares para pesquisas razoáveis de economia de energia, para a obtenção de energia renovável e para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa”, disse Lutter.

No entanto, os pesquisadores responsáveis pelo estudo se mostram surpresos pela “intensidade” das críticas. “O objetivo de nossa experiência é manipular um ponto do oceano em seu contexto natural para entender e quantificar os processos que caracterizam os ecossistemas oceânicos”, explicou ao Terramérica o professor Ulrich Bathmann, do Instituto Alfred Wegener para a Pesquisa Polar e Marinha, responsável pelo projeto junto com o Instituto Nacional de Oceanografia da Índia. A pesquisa “mostrará como reage o plâncton à entrada de ferro, que quantidade de fitoplâncton se forma, que quantidade de dióxido de carbono é fixada – absorvida -, que porcentagem do carbono permanece no sistema e quanto do carbono afunda nas profundezas do oceano”, acrescentou Bathmann.

Por sua vez, a chancelaria da Argentina se mostrou preocupada com a experiência e pediu explicações à representação alemã no país, já que, embora aconteça em águas internacionais, suas consequências poderiam afetar o mar argentino. As organizações ambientalistas afirmam que o teste vai contra a normativa internacional. De fato, a Nona Conferência das Partes do Convënio sobre a Diversidade Biológica, realizada de 19 a 30 de maio de 2008 em Bonn, teve pronunciamentos críticos a respeito deste tipo de iniciativa.

“A Conferência tomou posição clara contra as atividades de fertilização artificial das áreas marítimas com o propósito de absorção de dióxido de carbono. A razão é que os cientistas temem graves impactos negativos para o meio ambiente marítimo”, pode-se ler no site oficial do Ministério do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha. Mas, no dia 26 de janeiro as autoridades alemãs deram luz verde à experiência batizada de Lohafex (“loha” significa ferro em hindi). E assim, 49 cientistas, a maioria de indianos e alemães, mas também italianos, espanhóis, ingleses, um francês e um chileno, deram início à planejada fertilização com ferro das águas atlânticas. Naquele momento, já estavam a bordo do quebra-gelo há 20 dias, aguardando a autorização.

“O experimento caminha bem. A fertilização aconteceu em um redemoinho oceânico fechado. O fitoplâncton cresce e a biomassa mais do que duplicou”, disse ao Terramérica Bathmann, encarregado de controlar em terra a experiência. Nos últimos 15 anos, a captura de carbono oceânico foi provada com fins científicos em uma dezena de pequenas experiências, cinco delas no Oceano Antártico. Em 2007, entretanto, a empresa norte-americana Planktos precisou desistir de seus planos de fertilização com ferro em águas equatorianas próximas das Ilhas Galápagos, no Pacífico, devido à firme oposição de ambientalistas e autoridades da região.

Com a operação, a firma pretendia negociar no mercado global de créditos de carbono, contemplado no Protocolo de Kyoto sobre mudança climática. Os responsáveis pela Lohafez, por sua vez, descartam qualquer intenção comercial. Apesar disso, as associações de ecologistas veem sérios riscos nessa atividade. “Existe o perigo de empresas interessadas tentarem vender a fertilização com ferro como medida contra o aquecimento global, e incluí-la no mercado mundial de emissões”, afirma a organização ambientalista Conferência Ação para o Mar do Norte.

“Trata-se de um plano megalomaníaco dos pesquisadores. O pano de fundo é o interesse econômico para encontrar uma solução de baixo custo para o problema mundial do dióxido de carbono”, diz a organização em seus comunicados sobre o assunto. Contudo, e de acordo com o plano original, o Polarstern dará por concluído o experimento em 17 de março, quando chegar ao litoral de Punta Arenas, no sul do Chile, com a polêmica desatada às costas.

* O autor é correspondente da IPS.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Relatório pede US$ 400 bi contra mudança climática

Especialistas defendem que planos de estímulo econômico direcionem recursos para a redução das emissões de gases do efeito estufa

Publicado em 15/02/2009 | The Guardian

Londres - Governos em todo o mundo devem investir centenas de bilhões de dólares em projetos ecológicos dentro de alguns meses em um ataque massivo à crise econômica e ao aquecimento global, defende um estudo de alguns gurus da economia, entre eles Nicholas Stern.

O relatório, divulgado na semana passada, recomenda que US$ 400 bilhões sejam canalizados em investimentos em tecnologias para baixar as emissões de gás carbônico. Devido à urgência de ambas as crises, ambiental e econômica, o relatório aponta que os investimentos devem ser feitos durante o verão do Hemisfério Norte.

Lord Stern, ex-economista do tesouro britânico e hoje presidente do Instituto de Pesquisas sobre as Mudanças Climáticas e Ambientais Grantham, disse: “Os países ricos e industrializados precisam mostrar liderança durante este ano ao se comprometerem a reduzir as emissões de gases estufa em pelo menos 80% até 2050, tendo como base o ano de 1990, além de planos de recuperação econômica que sejam consistentes com esta meta.”

O relatório, formulado por muitos dos membros que prepararam, em 2006, o influente Relatório Stern sobre a economia das mudanças climáticas, diz que os políticos não devem mais atrasar planos de cortar drasticamente as emissões por causa da desaceleração econômica mundial. Ao invés disto, ações para lidar com as mudanças climáticas devem ser o cerne de pacotes fiscais para estimular economias nacionais.

O relatório avalia a probabilidade de sucesso de investimento em uma diversidade de políticas ecológicas. Ele aponta que as melhores políticas podem ser medidas de eficiência energética para residências e prédios públicos, a troca de caldeiras de aquecimento de água e a mudança para fontes de calor renováveis, como a biomassa. O documento também apela para maiores investimentos em pesquisa energética e de promoção de projetos de energia renovável, como a eólica, além do total suporte à adoção de carros menos poluentes com incentivos fiscais para compra de modelos híbridos ou flex.

Alex Bowen, do Instituto Grantham, autor principal do relatório, disse: “Nossa avaliação mostra que caso sejam gastos nos próximos 18 meses US$ 400 bilhões em todo o mundo em políticas e investimentos ecológicos, isso irá ajudar no combate da crise econômica atual, criar empregos e ajudar a lidar com as mudanças climáticas.”

Tradução de Thiago Pereira

Fonte: Gazeta do Povo

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Depois do capitalismo

13/2/2009

Por Michelle Portela, de Manaus

Agência FAPESP – “As organizações e governos precisam incorporar as experiências dos diversos movimentos sociais, em especial o indígena e o camponês, protagonistas nas lutas sociais na Amazônia, se quiserem contribuir efetivamente para a construção de um novo modelo de civilização. Isso envolve processar a fusão do pensamento marxista às características particulares dos povos, em uma cultura denominada ecossocialismo.”

A proposta é de Michael Löwy, diretor de pesquisas em ciências sociais do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS). Filho de imigrantes judeus da Áustria, Löwy nasceu em São Paulo em 1938, onde se graduou em ciências sociais pela Universidade de São Paulo, em 1960. No ano seguinte, mudou-se para Paris.

A obra de Löwy abrange diversas questões, que vão do marxismo ao surrealismo, sendo marcada por um interesse constante pelo pensamento libertário. Seus livros e ensaios voltam-se principalmente para a sociologia do conhecimento.

Entre seus livros estão Romantismo e Messianismo: ensaios sobre Lukács e Benjamin (publicado no Brasil em 1990), Revolta e Melancolia: o Romantismo na contramão da modernidade (1995), A Guerra dos Deuses: religião e política na América Latina (2000), Nacionalismo e Internacionalismos: da época de Marx até nossos dias (2000), A Estrela da Manhã: Surrealismo e Marxismo (2002) e Walter Benjamin: Aviso de Incêndio - Uma leitura das teses “Sobre o conceito de história" (2005).

Löwy concedeu entrevista à Agência FAPESP, em Manaus, pouco antes do Fórum Social Mundial, cuja nona edição foi realizada em Belém, de 27 de janeiro a 1° de fevereiro.

Para o sociólogo, a esquerda precisa encontrar um ponto de convergência entre as mobilizações camponesas, indígenas e o movimento urbano. Se, porém, até agora, o socialismo fracassou nessa meta, tampouco o ambientalismo alcançou algo parecido, segundo afirma.

Agência FAPESP – Como o senhor vê a conjugação dos movimentos sociais com as iniciativas ambientais para a construção política, particularmente na Amazônia brasileira?
Michael Löwy – A experiência de Chico Mendes [1944-1988, líder seringueiro] e da Aliança dos Povos da Floresta [articulação entre índios, seringueiros e ribeirinhos] é apaixonante. São exemplos de como partir de uma questão concreta até conseguir articular uma aliança para defender a floresta contra a destruição promovida pelos interesses econômicos. Chico e seus companheiros tinham uma visão claramente socialista. Por isso, é importante compreender que o ecossocialismo não é uma visão de futuro, mas algo que reúne os desafios e iniciativas atuais, como a defesa da floresta a partir da união entre os povos indígenas e camponeses. Há uma relação entre a utopia socialista e as lutas concretas que se dão no campo e na cidade.

Agência FAPESP – A Amazônia seria o terreno mais fértil para a construção dessa nova experiência?
Löwy – Nós, ecossocialistas, estamos entusiasmados com o Fórum Social Mundial. Viemos trazer nossa mensagem: as soluções capitalistas para o meio ambiente fracassaram. As respostas dos governos e das empresas são ineficazes para as questões ambientais mais dramáticas, como o aquecimento global. Nosso primeiro objetivo é elevar a consciência anticapitalista, fazer entender que o capitalismo é um sistema que leva à destruição do meio ambiente, promovendo catástrofes ambientais. Outro objetivo é mostrar que existem alternativas.

Agência FAPESP – Mas essa é uma questão que não pode ser abstrata.
Löwy – Sim, ela tem que partir de movimentos e reivindicações concretas. Queremos dialogar com movimentos indígenas, campesinos e outros, para, de um lado, trazer a nossa visão, e, de outro, aprender com eles. Sobretudo, queremos escutar para aprender. A questão amazônica é fundamental para o Brasil e para a humanidade. É o que chamamos de poço de carbono. Se não fosse por ela, já teríamos entrado em um processo de aquecimento global catastrófico. A destruição da Amazônia coloca em perigo o conjunto da humanidade. É de interesse direto das populações que vivem na Amazônia, o problema é conjugar o interesse concreto com o universal.

Agência FAPESP – Como o senhor avalia a situação atual na região?
Löwy – O inimigo na Amazônia são os interesses do agronegócio, das multinacionais, para os quais a floresta é fonte de mercadoria ou, simplesmente, sinônimo de pasto para o gado ou terra para soja, o que seja. Há um enfrentamento fundamental e, infelizmente, o progresso destrutivo do capitalismo está ganhando. A destruição da floresta não apenas não se reduz como avança, e a avidez destruidora é muito mais agressiva e eficaz do que as tentativas limitadas de proteger e defender a região. Se continuar desse jeito, daqui a alguns anos, boa parte da floresta vai acabar e vamos ter de tirar o verde da bandeira e colocar cinzento, que é a cor da fumaça.

Agência FAPESP – Na Europa, os países tendem a parecer mais sensíveis à questão ecológica.
Löwy – De certa maneira, os países europeus são mais sensíveis até que seus interesses sejam prejudicados. Isso mostra os limites da consciência ecológica das classes dominantes. No último encontro do G8 [os sete países mais ricos do mundo mais a Rússia], discutiu-se a questão ambiental. A Europa se propôs a colocar cifras concretas na redução de gás carbônico enquanto outros países, como os Estados Unidos, aceitaram apenas discutir a questão. O presidente da França incluiu a palavra “seriamente” e ficou por isso. A visão deles é determinada pela lógica do sistema.

Fonte: Agência FAPESP

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Embora várias leis, decretos e resoluções visassem a proteção ambiental, elas não contemplaram as realidades sócio-econômicas existentes, nem a história da ocupação do Brasil. Os resultados dessa pesquisa da Embrapa são inequívocos: em termos legais, apenas 25% do país seria passível de ocupação agrícola. Cerca de 75% do território está legalmente destinado a minorias e a proteção e preservação ambiental. Como na realidade, mais de 50% do território já está ocupado, configura-se um enorme divórcio entre a legitimidade e a legalidade do uso das terras e muito conflitos.

Nos últimos anos, um número significativo de áreas foi destinado à proteção ambiental e ao uso exclusivo de algumas populações, enquanto uma série de medidas legais restringiu severamente a possibilidade de remoção da vegetação natural, exigindo sua recomposição e o fim das atividades agrícolas nessas áreas. A pesquisa da Embrapa mapeou, mediu e avaliou, pela primeira vez, diversos cenários de alcance territorial dessa legislação no Brasil, com base em imagens de satélite, cartografia digital e dados secundários.

Essas medidas legais colocam na ilegalidade grande parte da produção de arroz de várzea do RS, SP e MA; de búfalos no AM, AP, PA e MA; do café em SP, MG, PR e BA; da maça em SC; da uva e vinho no RS, SC e SP; da pecuária no Pantanal; da pecuária leiteira em MG, SP, RJ e ES; da cana de açúcar em SP, RJ, MG e NE; dos reflorestamentos em MG, SP, MA e TO; da pecuária de corte em grande parte do Brasil, da citricultura em SP, BA e SE; da irrigação no NE; da mandioca no NE e AM; do tabaco em SC e BA; da soja em MT, MS, GO, SP e PR, entre os casos de maior impacto social e econômico.

Tem sido absolutamente insuficiente a eventual busca de compatibilização do alcance territorial da legislação ambiental com outras demandas territoriais dos indígenas ou quilombolas; com programas sociais de assentamentos e reforma agrária e com o crescimento da economia agrícola, urbana, industrial e energético - mineradora.

O impasse entre legalidade e legitimidade no uso e ocupação das terras deve agravar-se face as demandas e expectativas por mais terras por parte de ambientalistas, indigenistas, movimentos sociais, agricultores etc. Questões de governança territorial e impasses na gestão desses conflitos já chegam ao Supremo Tribunal Federal.

Para o ordenamento territorial, a impressão é de que o Brasil acabou. A prosseguir o atual alcance e desencontros da legislação territorial, o quadro de ‘ilegalidade’ e o confronto entre a legitimidade de demandas sociais e econômicas e a legalidade, todos perdem. Perde-se também, sobretudo, a perspectiva de qualquer tipo de desenvolvimento sustentável.

Fonte: EMBRAPA

IBGE elabora o mapa da área de aplicação da Lei nº 11.428/2006

A Lei nº 11.428, aprovada pelo Congresso Nacional em 22 de dezembro de 2006, remeteu ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a elaboração do Mapa, delimitando as formações florestais e ecossistemas associados passíveis de aplicação da Lei, conforme regulamentação.

O Decreto nº 6.660, de 21 de novembro de 2008, estabeleceu que o mapa do IBGE previsto no Art. 2º da Lei nº 11.428 "contemplaa configuração original das seguintes formações florestais nativas e ecossistemas associados: Floresta Ombrófila Densa; Floresta Ombrófila Mista, também denominada de Mata de Araucárias; Floresta Ombrófila Aberta; Floresta Estacional Semidecidual; Floresta Estacional Decidual; campos de altitude; áreas das formações pioneiras, conhecidas como manguezais, restingas, campos salinos e áreas aluviais; refúgios vegetacionais; áreas de tensão ecológica; brejos interioranos e encraves florestais, representados por disjunções de Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Estacional Decidual; áreas de estepe, savana e savana-estépica; e vegetação nativa das ilhas costeiras e oceânicas".

O Decreto também determinou que o mapa do IBGE, denominado Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006, fosse disponibilizado nos sítios eletrônicos do Ministério do Meio Ambiente e do IBGE e de forma impressa.

Em atendimento ao disposto nas normas legais o IBGE elaborou o "Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006" na escala 1:5.000.000, que mostra a cobertura vegetal conforme sua configuração original, apresentando a distribuição das distintas tipologias que integram a área passível de aplicação da Lei. Ess e mapa tem como base técnica o Mapa de Vegetação do Brasil (IBGE, 2004) e o Mapa de Biomas do Brasil, primeira aproximação (IBGE, 2004).

O IBGE esclarece, na Nota Explicativa que acompanha o "Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006", que a localização dos remanescentes de vegetação nativa das diferentes tipologias vegetais e a identificação dos seus respectivos estágios sucessionais deverá ser feita com a observância do disposto no Art. 4º da Lei 11.428, de 2006, bem como do disposto no Decreto nº 6.660, de 2008, e nas Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), que definem os parâmetros técnicos para identificação da vegetação primária e da vegetação secundária nos estágios inicial, médio e avançado de regeneração.



Clique aqui para baixar Mapa da Área de Aplicação da Lei nº 11.428, de 2006, em PDF


Fonte: Portal do Meio Ambiente

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Acidificação dos oceanos ameaça cadeia alimentar

Oceanos absorvem cerca de um quarto das emissões de dióxido de carbono


Os oceanos têm absorvido uma parcela substancial do dióxido de carbono, um dos gases do efeito estufa. Mas este benefício tem uma armadilha: conforme o gás se dissolve, o mar fica mais ácido. Agora, um painel internacional de cientistas marinhos diz que a acidez está acelerando tão rápido que ameaça a sobrevivência dos recifes de corais, moluscos e da cadeia alimentar em geral.

O grupo, constituído por 155 cientistas de 26 países e organizado pelas Nações Unidas e outros grupos internacionais, não é o primeiro a apontar o crescimento da acidez no oceano como uma ameaça ambiental. Mas sua linguagem direta e credenciais internacionais dão à avaliação desses pesquisadores um vigor raro.

Os cientistas pedem uma ação urgente "para reduzir drasticamente as emissões de dióxido de carbono". "Graves prejuízos são iminentes", disseram eles, num manifesto que vem se somar às deliberações feitas num simpósio em Mônaco, em outubro passado.

O manifesto, chamado de Declaração de Mônaco, afirma que o aumento da acidez interfere no crescimento e na saúde dos crustáceos e está comendo os recifes de coral, processo que acabaria por afetar as teias alimentares marinhas em geral.

Até agora, o grupo afirma, já houve diminuição detectável de moluscos, no peso das conchas e interferência no crescimento de corais.

O grupo diz que a acidez das águas superficiais do oceano aumentou 30% desde o século 17. De acordo com os estudiosos, os oceanos absorvem cerca de um quarto das emissões de dióxido de carbono. E a acidificação pode tornar a maioria das regiões quimicamente inóspitas para os recifes de coral em 2050. (Do "New York Times")
(Folha de SP, 31/1)

Fonte: JC E-mail (SBPC)

Desmate da Amazônia provoca divergência

Texto distribuído pelo Pnuma diz que no período 2000-2005, o desmatamento acumulado da Amazônia foi de 857.666 km2, o que significa que a cobertura vegetal da região (na América Latina) foi reduzida em aproximadamente 17%


Alexandre Gonçalves, Jamil Chade, Carlos Orsi e Leonencio Nossa escrevem para “O Estado de SP”:

A publicação de dados do resumo de um relatório sobre a Amazônia, que será apresentado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) em fevereiro, causou divergências com o governo e organizações brasileiras de proteção ambiental. Segundo reportagem publicada no jornal francês Le Monde, o relatório aponta que a Amazônia teria perdido 17% de sua área entre 2000 e 2005.

Intitulado Mensagens-chave, o texto distribuído ontem pelo Pnuma diz que "no período 2000-2005, o desmatamento acumulado da Amazônia foi de 857.666 km2, o que significa que a cobertura vegetal da região (na América Latina) foi reduzida em aproximadamente 17%". O documento oficial será apresentado em Nairóbi (Quênia), entre 16 e 20 de fevereiro. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento acumulado entre 2000 e 2005 na Amazônia brasileira é da ordem de 130 mil km2, o que corresponde a apenas 15% do número apresentado pelo Pnuma. Como mais da metade da Amazônia fica em terras brasileiras, é improvável que 85% do desmatamento tenha ocorrido em países vizinhos.

Em entrevista ontem no Fórum Social Mundial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou de lado a diplomacia e rebateu de forma dura. Ele defendeu a indústria madeireira e disse que os estrangeiros dão palpites sem conhecer os problemas da Amazônia. "As pessoas que vêm visitar o Brasil têm de saber o seguinte: tomem conta do que é seu que o Brasil toma conta do que é dele."

Lula disse que os 25 milhões de habitantes da Amazônia não querem um santuário. "Eles querem trabalhar e ter acesso a bens materiais e, portanto, não querem que a Amazônia seja um santuário da humanidade", disse. "Muita gente que fala da Amazônia esquece que a Amazônia é do Brasil, e que o Brasil é que tem direito sobre ela." Lula disse que as madeireiras podem trabalhar de forma sustentável. "Nós achamos que aqui podemos desenvolver projetos de indústria madeireira, com manejo correto da floresta."

Para o diretor de políticas de combate ao desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, Mauro Pires, o material divulgado pelo Pnuma contém um erro: confunde todo o desmatamento na região com o ocorrido entre 2000-2005. "No ministério, consideramos que, no Brasil, já foram desmatados historicamente 700 mil km2, ou 17% da Amazônia Legal", afirma Pires. "Entraremos em contato com o Pnuma para saber o que aconteceu." Adalberto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), diz que o estudo é uma compilação de dados. Ele também considera que houve erro.
(O Estado de SP, 31/1)

Fonte: JC E-mail (SBPC)

Taxa Selic elevada alimenta spread bancário astronômico

Taxa de juro do BC é um guarda-chuva para os bancos sem correr os riscos dos empréstimos

Recentemente, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, interpelou o presidente do Bradesco e da Febraban, depois que este sugeriu que o Comitê de Política Monetária do BC deveria se reunir com mais frequência para que a queda na taxa de juros básica (Selic) fosse acelerada. “Vamos falar seriamente, o problema não é a Selic, é o spread bancário”, disse Meirelles.

O “spread” é a diferença entre a taxa com que um banco capta dinheiro e a taxa com que empresta esse dinheiro. Um dos principais componentes do “spread” é a taxa básica de juros, pela qual são remunerados os títulos públicos comprados pelos bancos. Mas, segundo a percuciente teoria que Meirelles formulou alguns dias depois, “o spread se descolou da Selic”. Ou seja, o “spread” dos bancos nada teria a ver com a taxa de juros do Banco Central.

Se essa tolice fosse verdade, seria um fenômeno econômico tão milagroso que só Nossa Senhora de Fátima poderia explicar. Como Meirelles não tem vocação – nem físico - para a santidade, e como suas tolices, em geral, são muito interessadas, vejamos mais de perto esta questão. Porém, antes, uma preliminar.

CRÉDITO

O volume do crédito no Brasil é atrofiado em relação ao tamanho da economia. No final de 2008, depois da extraordinária expansão do crédito no governo Lula, ele equivalia a 41,3% do PIB. No Japão, equivalia a 180%, na Inglaterra a 160%, na França a 90% do PIB. Aliás, foi o próprio Meirelles quem afirmou que o volume de crédito no Brasil era tão baixo que nem chegava ao das Filipinas, Hungria, Chile, Tailândia, Coréia do Sul ou Malásia (v. sua conferência, de título quase autobiográfico, “Brasil: O desafio do crescimento”).

A razão principal para uma restrição tão grande do crédito são os altíssimos “spreads” bancários. E a base para esses “spreads” é a altíssima taxa básica de juros do Banco Central. Essa taxa, inclusive, impede os bancos públicos de baixar seu “spread”. Voltemos, então, a este.

Segundo dados divulgados pelo BC na última terça-feira, os bancos, em dezembro, estavam pagando uma taxa, em média, de 12,6% ao ano pelo dinheiro que captam. Esse dinheiro estava sendo emprestado a uma taxa - também em média - de 43,2% ao ano. Portanto, a média do “spread” bancário, considerados os empréstimos a pessoas e empresas, estava em 30,6 pontos percentuais.

Se considerados somente os empréstimos a pessoas, esse “spread” estava em 45,1 pontos percentuais, margem verdadeiramente cosmológica, significando que o dinheiro pelo qual os bancos pagavam 12,6% ao ano estava sendo emprestado a uma taxa média de 57,7% ao ano. No caso das empresas, esse dinheiro era emprestado a uma média de 30,9% ao ano. É necessário observar que essas taxas médias são referentes ao que os bancos e seus consultores chamam de “clientes de primeira linha”. Para outros, a maioria, as taxas – e, por consequência, o “spread” - são muito maiores.

Trata-se, provavelmente, do maior “spread” do mundo, inviabilizando que a maior parte das empresas e dos consumidores tomem financiamentos nos bancos.

O problema é: por que o “spread” é tão alto no Brasil?

O economista Victor José Hohl, que trabalhou durante 17 anos no BC, formulou uma resposta sintética para essa pergunta: “O principal motivo é que as instituições financeiras não estão realmente interessadas em emprestar”.

E por que os bancos não estão interessados em emprestar?

Porque a taxa que o Banco Central estabelece para os títulos públicos é elevadíssima. Sem correr riscos, sem emprestar a empresas e pessoas, os bancos têm lucros estratosféricos com a mera compra de títulos públicos indexados às taxas do Banco Central. Os juros que os bancos auferem com esses títulos, juros que são estabelecidos pelo Copom/BC, são suficientes para que tenham entradas bilionárias - sem qualquer espécie de risco.

Evidentemente, isso nada tem a ver com “mercado”. O BC, na verdade, ceva um monopólio bancário com suas altas taxas de juros – e com dinheiro público. Tendo garantidos esses elevados lucros, os bancos estabelecem “spreads” altíssimos quando se trata de emprestar a empresas e pessoas. Se estes não quiserem ou não puderem pagar esses “spreads”, que se danem, pois o banco não precisa emprestar a eles para lucrar.

Nas palavras de outro economista, André Modenesi, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), entrevistado por Luiz Sérgio Guimarães, em sua coluna da última terça-feira no jornal “Valor Econômico”:

“’Não é por acaso que no país onde se pratica uma das maiores taxas básicas de juros do planeta também se verificam spreads bancários exorbitantes’, diz Modenesi. A razão é muito simples: as LFT (Letras Financeiras do Tesouro - títulos indexados à Selic) constituem um ativo especial ao possuir alta liquidez, elevada rentabilidade e risco desprezível. Com isso, diz o economista, os bancos brasileiros não precisam emprestar (….) para gerar resultado; basta comprar LFT. ‘É por isso que os bancos brasileiros são altamente rentáveis apesar de não realizarem a contento sua função primordial: produzir empréstimos’” (grifos nossos).

Victor José Hohl observa que “dificilmente” uma empresa e “muito menos pessoas físicas” conseguem, em seus negócios, um retorno superior (nós diríamos: nem semelhante) às taxas do BC para os títulos públicos. No entanto, os bancos obtêm esse retorno simplesmente comprando Letras Financeiras do Tesouro (LFT) indexadas à taxa Selic do Banco Central. Então, por que baixariam seus “spreads”, se não precisam emprestar a mais ninguém para obter elevadíssimos lucros?

André Modenesi diz que as altas taxas do BC têm outro efeito: “os bancos não precisam competir entre si na concessão de empréstimos para dar lucro”. De forma geral, os bancos privados têm tendência atávica ao monopólio, ou seja, a constituir um cartel. O que eles fazem (ou tentam fazer) é, precisamente, monopolizar o dinheiro da sociedade. Mas, realmente, as altas taxas de juros do Banco Central são um incentivo extra (e extremamente forte) ao monopólio – é suficiente para eles extorquir um só cliente, o Estado. Para lucrar, não precisariam, a rigor, emprestar dinheiro a nem um mais.

TÍTULOS

O que também impede que os bancos públicos possam baixar seus “spreads” até um nível qualitativamente diferente dos bancos privados. Se o fizessem, estariam permitindo que o cartel privado aumentasse seu peso no setor financeiro. A idéia de que, se baixassem substancialmente seus “spreads”, poderiam atrair para si os clientes atuais dos bancos privados, é absurda – até porque a captação de dinheiro pelo cartel bancário é maior do que as dos bancos públicos, que não podem atender todos os que necessitam de financiamento no país. São, portanto, fundamentalmente as taxas de juro do Banco Central que impedem que o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e outros bancos estatais baixem seus “spreads” e possam competir com os bancos privados para impedir o monopólio do dinheiro e do crédito. Pelo contrário, as taxas do BC fazem com que os bancos públicos tenham de se submeter ao monopólio dos bancos privados, concentrados em torno dos juros extraídos dos títulos públicos.

CARLOS LOPES

Fonte: http://www.horadopovo.com.br/ModelosNovaEdicao/P3/pag3a.htm

Custos dos biocombustíveis

3/2/2009

Agência FAPESP – Um estudo feito nos Estados Unidos destaca que substituir a gasolina ou o etanol de milho por etanol celulósico pode ser ainda melhor do que se imaginava para a saúde e o meio ambiente. A pesquisa será publicada esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

A pesquisa indica que o etanol celulósico tem menos efeitos negativos sobre a saúde humana por emitir menores quantidades de matéria fina particulada – um componente especialmente danoso da poluição atmosférica. Um estudo anterior havia mostrado que o etanol celulósico e outros biocombustíveis de última geração emitem também níveis mais baixos de gases de efeito estufa.

“Nosso trabalho destaca a necessidade de expandir o debate dos biocombustíveis para além das mudanças climáticas, a fim de incluir uma gama maior de efeito, como seus impactos na qualidade do ar”, disse o autor principal do estudo, Jason Hill, professor do Instituto do Meio Ambiente da Universidade de Minnesota.

O estudo avalia o custo econômico do etanol celulósico, etanol de milho e gasolina para o meio ambiente e a saúde humana. Os cientistas concluíram que, dependendo dos materiais e tecnologias utilizados na produção, os custos do etanol celulósico para o meio ambiente e a saúde não chegam à metade dos custos da gasolina. Além disso, os custos do uso do etanol de milho variam: são no mínimo iguais aos da gasolina, podendo chegar até o dobro.

Para quantificar o impacto econômico dos biocombustíveis sobre o meio ambiente, os cientistas fizeram uma estimativa monetária dos custos para mitigação dos efeitos das emissões de gases de efeito estufa relativas à queima dos biocombustíveis e a todo seu ciclo de produção. Os parâmetros usados para essa quantificação se basearam em estimativas independentes de custo de mitigação de carbono, preços do mercado de carbono e custo social do carbono.

Para medir o impacto econômico na saúde, foram utilizadas as médias das despesas do sistema de saúde norte-americano com os impactos da exposição ao material particulado sobre a saúde.

O custo total da gasolina para a saúde e o meio ambiente é de US$ 0,71 por galão. O custo de uma quantidade equivalente de etanol de milho varia entre US$ 0,72 e US$ 1,45, dependendo da tecnologia usada na produção. A mesma quantidade de etanol celulósico gera custos de US$ 0,19 a US$ 0,32, dependendo da tecnologia e do tipo de material celulósico empregado.

“Esses custos não são pagos pelos produtores, nem pelos vendedores de gasolina e etanol. São custos pagos pelos consumidores”, disse o coautor Stephen Polasky, professor do Departamento de Economia Aplicada da Universidade de Minnesota.

Os autores observaram poluentes emitidos em todos os estágios do ciclo de vida dos três tipos de combustíveis, incluindo a fase de produção e consumo. Eles avaliaram três métodos de produção do etanol de milho e quatro métodos de produção do etanol celulósico.

“Para se entender as consequências do uso de biocombustíveis sobre a saúde e o meio ambiente, temos que olhar muito além do escapamento dos automóveis e acompanhar detalhadamente a produção desses biocombustíveis. Ficou evidente que as emissões liberadas na produção do biocombustível realmente importam”, declarou Hill.

O estudo também indica que outras vantagens potenciais dos biocombustíveis celulósicos – como a redução da quantidade de fertilizantes e pesticidas despejados em rios e lagos – também podem significar benefícios econômicos adicionais da transição para uma nova geração de biocombustíveis.

O artigo Climate change and health costs of air emissions from biofuels and gasoline, de Jason Hill e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org

Fonte: Agência FAPESP

Mudanças climáticas e fitopatologia

Revista Scientia Agricola lança número especial com 15 artigos dedicados ao tema “Agrometeorologia e doenças de plantas”.

Link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0103-901620080007&lng=en&nrm=iso

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

UTILIDADE PÚBLICA: Conheça pontos de coleta de pilhas e eletrônicos em todo o Brasil

ACESSE O LINK http://envolverde.ig.com.br/materia.php?cod=55932&edt=1.

Fonte: Envolverde

Solução radical para aquecimento

Numa experiência polêmica, alemães lançam ferro no oceano para aumentar absorção de CO2


Graça Magalhães-Ruether escreve para “O Globo”:

Com o sinal verde do Ministério da Ciência e Tecnologia da Alemanha, mas sob protestos de ambientalistas e do próprio Ministério do Meio Ambiente, teve início um dos mais ambiciosos e polêmicos projetos de combate ao aquecimento global.

Tendo como base o navio Polarstern, cientistas de seis países, entre eles Alemanha, Índia, França e Chile, lançaram, nos últimos dois, dias vinte toneladas de partículas de sulfato de ferro em uma área de 300 quilômetros quadrados do Oceano Antártico, com o objetivo de comprovar se o adubo de ferro pode contribuir para o aumento do plâncton na região e, assim, para a absorção de CO2 na atmosfera.

Estudos recentes apontam que mesmo se cortes drásticos nas emissões de CO2 fossem assinados agora já não seria mais possível deter o aquecimento do planeta e muitas de suas nefastas consequências.

A saída seria conjugar os cortes com novas tecnologias, capazes de reduzir o volume de emissões existentes, como apontou um estudo publicado na última edição da “Nature”.

De acordo com Ulrich Bathmann, chefe do Departamento de Biologia Marinha do Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marítima, que coordena a experiência do lado alemão, não existem provas definitivas de que o aumento do conteúdo de ferro no oceano ajudaria na redução de CO2 na atmosfera.

Mas estudos feitos em regiões do oceano naturalmente mais ricas em ferro — sobretudo em razão de vulcanismo — já constataram que as áreas absorvem muito mais dióxido de carbono do que as demais. A experiência restrita, portanto, seria importante, para a obtenção de uma resposta conclusiva ao dilema, que poderia ser crucial num futuro próximo.

Protestos contra a experiência

Sobretudo numa região pobre em ferro, como o Oceano Antártico, a fertilização, acreditam, deverá favorecer o florescimento das algas, que por sua vez absorveriam o CO2. Se a experiência der certo e puder ser aplicada em larga escala, dizem os especialistas, seria uma excelente solução para o problema do aquecimento, além de aumentar a disponibilidade de alimentos para baleias.

Outros cientistas, no entanto, se mostraram extremamente preocupados. Eles temem que a prática possa ter devastadores efeitos nos oceanos, como a esterilização de vastas áreas do mar, e o lançamento do metano e óxido nítrico, gases ainda mais potentes do aquecimento global. Eles temem ainda que o excesso de plâncton poderia contribuir para a absorção da luz solar, aquecendo a superfície da água e aumentando ainda o efeito do aquecimento.

O navio de pesquisa já havia atingido o Oceano Antártico quando os protestos dos ecologistas causaram uma interrupção do projeto a espera do sinal verde do Ministério da Tecnologia, o principal financiador alemão. Depois de receber cartas de protestos, o ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Sigmar Gabriel, chegou a ameaçar suspender a expedição. O risco de utilização comercial do método de adubo do oceano (para vender créditos de carbono, por exemplo) e a modificação na biodiversidade local eram as principais preocupações dos ambientalistas.

A experiência, chamada de Lohafex, foi suspensa até o final da avaliação, feita por especialistas ingleses e franceses, que terminou porém descartando todos os perigos apontados. Gabriel acatou a decisão da sua colega do Ministério da Tecnologia, Annette Schavan, mas continuou advertindo para possíveis perigos.

— O Ministério do Meio Ambiente tomou conhecimento da decisão de liberação do projeto Lohafex com insatisfação. As nossas criticas ao projeto continuarão existindo até que seja esclarecido se ele fere ou não a Conferência das Partes sobre o Acordo para a Biodiversidade (realizada no ano passado em Bonn, na Alemanha) — afirmou o ministro.

Em nota divulgada à imprensa, o Instituto Alfred Wegener descartou o perigo apontado por ecologistas, do surgimento de algas venenosas.

Com a experiência está sendo feita em um sistema praticamente fechado, onde há um redemoinho marítimo, não há o risco de o excesso de algas serem transportadas para outras regiões.

Riscos à biodiversidade

Karin Lochte, diretora do instituto, afirmou ainda que não há riscos para o meio ambiente porque, embora o Oceano Antártico seja pobre em ferro, a substância é abundante nos icebergs da região. Ela afirmou ainda que o projeto deverá fornecer informações valiosas para a pesquisa climática, sendo a principal delas saber se o excesso de ferro estaria relacionado à maior absorção de CO2.

'Uma saída para o excesso de CO2'

Ulrich Bathmann, do Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Marítima e Polar, diz que a expedição do navio Polarstern ao Oceano Antártico é uma das mais importantes na pesquisa sobre excesso de CO2. Leia entrevista:

- Até quando o Polarstern ficará no Oceano Antártico?

A previsão é de 40 dias, período no qual serão avaliadas as reações ao adubo com o sulfato de ferro, que é solúvel na água. A substância foi lançada a 15 metros de profundidade. As primeiras reações começaram 30 horas depois do lançamento do ferro. Os efeitos ambientais serão analisados numa área muito mais profunda, de até 3.800 metros.

- Quando será possível saber se a experiência deu certo?

No dia 17 de março, o Polarstern deverá atingir Punta Arenas, na Argentina, terminando a fase inicial da pesquisa. A avaliação dos dados vai durar o ano inteiro.

- E os riscos ecológicos?

Ninguém pode proibir a pesquisa argumentando que há risco de uso comercial dos resultados. A pesquisa com o Polarstern poderá oferecer respostas para o roblema do excesso de CO2.

- Até o ministro do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, criticou o projeto.

O adubo desta área de 300 quilômetros quadrados não terá efeito abrangente para a área. O derretimento de icebergs também libera ferro. Portanto, o aumento da concentração de ferro é um fenômeno que pode ocorrer naturalmente, embora as águas do Oceano Antártico tenham um conteúdo muito pequeno deste minério.
(O Globo, 30/1)

Fonte: JC E-mail (SBPC)

Crise é positiva para o meio ambiente, afirma pesquisador do Ipea

Redução das exportações na indústria do aço significa diminuição de mais de 1 bilhão de toneladas em emissões de carbono


A diminuição do volume de exportação dos recursos não-renováveis brasileiros resultou em ganhos ambientais para o país. A conclusão é do coordenador de Meio Ambiente do Fórum Mudanças Climáticas, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), José Aroudo Mota. Ele é responsável pela pesquisa Trajetória da Governança Ambiental, divulgada pelo Ipea durante o lançamento do Boletim Regional e Urbano.

Em seu estudo, Aroudo apresentou uma série de dados sobre o que o Brasil deixou de exportar com a crise. “Ela [a crise] resultou em impactos ambientais positivos, apesar de externalidades negativas como a perda de empregos e o impacto que teve nos níveis de crescimento econômico de determinadas regiões”, disse o pesquisador.

Segundo ele, o trabalho buscou mensurar os principais impactos causados pela crise em indústrias como a de alumínio. “O que deixamos de exportar, entre os 32 produtos pesquisados, representa uma economia de aproximadamente 562 mil kilowatts de energia, a partir do consumo evitado. Isso daria para abastecer uma cidade de 25 mil pessoas”, acrescentou, referindo-se à exportação de alumínio.

A indústria do aço, segundo ele, deixou de exportar 740 milhões de quilos de aço bruto. “Isso significa uma redução de mais de 1 bilhão de toneladas em emissões de carbono, o que para o processo climático no Brasil é extremamente positivo”, avaliou Aroudo.

“Na indústria de veículos, o Brasil deixou de exportar em dezembro 62,1 mil carros, e isso também implica em redução do consumo de energia e de aço. Ainda estamos mensurando o quanto, mas é evidente – e isso pode ser afirmado tendo por base dados oficiais de 2008 – que o meio ambiente teve ganho substancial em função da não-exploração de recursos naturais, tanto renováveis quanto não-renováveis”.

Aroudo disse que estão sendo preparados outros estudos, abordando as madeiras e o cimento brasileiros. “Quando certificada, a madeira encontra dificuldades para entrar na Europa por decorrência da crise internacional”, adiantou.
(Agência Brasil)

Fonte: JC E-mail (SBPC)