25/02/2009 - Na Cooperativa de Coleta Seletiva da Capela do Socorro (Coopercaps), na zona sul da capital paulista, a queda dos preços dos materiais reciclados fez alguns coope-rados desistirem do trabalho. Em julho do ano passado havia 127 cooperados, hoje são 84. A redução é, em grande medida, resultado do menor faturamento. De acordo com a direção da cooperativa, houve uma queda de 50% no faturamento, para R$ 61 mil em janeiro ante os R$ 126 mil de julho. "A maioria sai porque começa a achar que seria melhor trabalhar registrado, mas falta qualificação profissional e nem sempre eles encontram um emprego", disse Sandra Regina Eyer Caselta, membro do conselho administrativo da Coopercaps.
A queda do número de cooperados obrigou a empresa a reduzir o número de turnos. "Trabalhávamos em três turnos e tivemos de reduzir para dois porque não havia gente suficiente", afirmou Sandra. Apesar da equipe reduzida, o volume de trabalho aumentou. O volume de material separado subiu de 305 toneladas para 380 toneladas.
O aumento do volume e o menor número de cooperados não garantiu a manutenção de rendimentos por pessoa. O ganho per capita caiu de R$ 787, em julho, para R$ 384, no mês passado. "A oferta de material tem tido tendência de crescimento porque tem muito depósito e ferro-velho fechando e muitos catadores deixando de trabalhar, ou selecionando apenas os materiais de maior valor", explicou Sandra.
A Coopercaps é uma das 14 cooperativas que faz parte do programa de coleta seletiva da prefeitura de São Paulo, que oferece a infra-estrutura e custeia parte dos gastos operacionais, disponibilizando imóveis e caminhões de coleta, equipamentos, água e energia. Além do material coletado diretamente por cada cooperativa, as empresas também recebem o material coletado por cada uma das concessionárias que atuam nas diferentes regiões da cidade. "Verificamos um aumento médio de 300 toneladas por mês no material coletado pelas cooperativas e pelas concessionárias nos últimos três meses", afirmou Wagner Taveira, coordenador do programa de coleta seletiva da Secretaria Municipal de Serviços.
De acordo com ele, atualmente a cidade coleta, por meio das concessionárias e das cooperativas, até 3,8 mil toneladas de material reciclável mensalmente. "Cerca de 90% dos condomínios que comercializavam recicláveis deixaram de vender, os catadores deixaram de pegar materiais que tiveram os valores muito reduzidos, cooperativas e depósitos independentes fecharam e com isso aumentou a nossa coleta", explicou.
O preço do papelão caiu 52% pago aos depósitos e cooperativas, para R$ 0,12 o quilo, enquanto o preço do aço caiu de 60%, para R$ 0,13 o quilo, disse Paulo Sérgio da Silva, responsável pelo depósito Sucata Conceição de Monte Alegre, localizado no bairro do Brooklin, em São Paulo. "Se continuar assim vamos ter de fechar", afirmou Silva, que trabalha há nove anos com o depósito.
Um dos catadores que atua na região, José Geraldo, viu seu rendimento diário cair para até um terço, dos R$ 60 que tirava em meados do ano passado, para R$ 20, e já ameaça abandonar a carroça. "A gente tenta pegar mais metal e menos jornal, mas a situação está difícil", disse o senhor, de 66 anos, que mesmo há 10 anos sem um emprego formal decidiu buscar uma maneira de obter a aposentadoria.
Fonte: Gazeta Mercantil. Adaptado por Celulose Online.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
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