quarta-feira, 8 de abril de 2009

Conheça normas sobre eficiência energética de edifícios

Brasília, 2 de abril de 2009

Será lançada este ano a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, que determinará o nível de eficiência energética dos projetos e dos edifícios construídos. Eles serão avaliados quanto à eficiência de sua envoltória (fachadas, coberturas e pisos) e de seus sistemas de iluminação e climatização. Além disso, poderão receber bonificações caso adotem outras soluções em prol da eficiência energética, como uso racional da água, emprego de fontes renováveis de energia e inovações tecnológicas.

O Regulamento Técnico da Qualidade para Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RTQ) é uma norma técnica para avaliação do nível de eficiência energética dos edifícios. Já o Regulamento de Avaliação da Conformidade do Nível de Eficiência Energética (RAC) para esses mesmos edifícios define a metodologia para aplicação da avaliação dos edifícios. O RAC está disponível para consulta pública desde o dia 19 de março e os interessados têm 30 dias para apresentar sugestões e cíticas relativa ao texto proposto.

Conforme a metodologia do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), a Etiqueta poderá ser dada a todos os edifícios que se candidatarem e informará seu nível de eficiência energética desde o A (mais eficiente) até o E (menos eficiente) no intuito de orientar o consumidor no momento da compra do imóvel e de fomentar a construção de prédios mais eficientes.
A etiquetagem de edificações no Brasil é uma ação pioneira do Ministério de Minas e Energia, Eletrobrás/ Procel Edifica e do Inmetro, e entrará em vigor em 2009 de maneira voluntária.

Acesse o RTQ. (documento em PDF)

Acesse o RAC. (documento em PDF)

Obtenha mais informações no site do Inmetro.

Fonte: Confea.

Recuperar floresta pode gerar créditos de carbono

01/04/2009 - O banco holandês Rabobank começou a desenvolver, em parceria com algumas ONGs, um projeto para estimular a recuperação de áreas desmatadas na região de bioma amazônico.

Em 2008 foi feito um projeto-piloto na região Norte de Mato Grosso no qual o banco investiu R$ 2,5 mil por hectare para recuperar área de 32 hectares pertencentes a diversos produtores rurais da região. "Em 40 anos, essas árvores vão crescer e capturar o carbono na atmosfera. Mas, esse resultado pode ser antecipado por meio do reconhecimento do projeto como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo pela Organização das Nações Unidas (ONU)", explica Daniela Mariuzzo, responsável pela área de sustentabilidade do Rabobank.

Ela detalha que a partir desse reconhecimento é possível negociar a venda desses créditos de carbono e reverter o recurso, parte para o produtor rural, e outra parte, para um fundo com objetivo de apoiar outros projetos de recuperação de florestas. "Esses créditos podem ser calculados e antecipados", complementa.

Em 2007, a União Europeia, maior mercado comprador de crédito de carbono do mundo, movimentou mais de US$ 50 bilhões, segundo dados do Banco Mundial. A estimativa é que esse volume tenha atingido US$ 75 bilhões em 2008, de acordo com a New Carbon Finance Ecosystem Marketplace.

Fonte: Gazeta Mercantil. Adaptado por Celulose Online.

Fazendeiro é uma das profissões mais promissoras da década

Investimentos maciços em energia limpa ao redor do mundo prometem garantir o futuro de profissionais como fazendeiros, empreendedores em tecnologias verdes e urbanistas, de acordo com a revista norte-americana Fast Company. Confira a lista das 10 profissões mais promissoras da próxima década.

1) Fazendeiro - Como a agricultura sustentável requer pequena escala, produção local e métodos orgânicos, há uma enorme demanda por novos agricultores.

2) Engenheiro florestal - O engenheiro florestal ajuda a população que vive em meio à mata a ter uma postura essencial para o meio ambiente nos dias de hoje: passar da degradação do verde à silvicultura, com a racionalização das atividades agrícolas na floresta.

3) Instalador de painéis solares - Construir e instalar painéis de energia solar já responde por cerca de 770 mil empregos ao redor do mundo. E a recompensa é boa: o valor pago a um trabalhador como esse está entre US$ 15 e US$ 35 (R$ 33 a R$ 78) por hora. Somente nos Estados Unidos, esse setor emprega entre 25 mil e 35 mil trabalhadores - e a expectativa é que, até 2016, esse número salte para 110 mil.

4) Construtor de prédios eficientes no uso de energia - Edifícios que seguem padrões internacionais de racionalização de energia, a exemplo do selo alemão 'Passivhaus' e do suíço 'Minergie-P' possibilitam, respectivamente, a economia de 75% e 95% em relação a um prédio tradicional. Transformar construções em projetos verdes necessitará não apenas de arquitetos e engenheiros, mas também de especialistas que usem técnicas específicas para racionalizar as fontes de energia.

5) Fabricante de turbinas eólicas - O trabalho com energia eólica emprega, atualmente, cerca de 300 mil pessoas em todo o mundo. Noventa por cento da composição de uma turbina é metal, o que cria uma oportunidade para metalúrgicas se readaptarem ao novo mercado.

6) Biológo, focado em conservação - A necessidade urgente de conservar os ecossistemas ao redor do planeta - e de quantificar o valor destes serviços - abre oportunidades para o ensino, a pesquisa e o trabalho de campo nas áreas públicas, privadas e em ONGs.

7) Graduado em um 'MBA verde' - O tripé pessoas-planeta-lucro sai da margem para o centro das decisões empresariais - daí a oportunidade para pesquisadores e consultores em iniciativas verdes, que foquem seus estudos nessa área.

8) Reciclador - Embora o mercado para papel e plástico tenha diminuído, a demanda por aço segue aquecida - assim, a reciclagem continua como uma alternativa de ganhos.

9) Desenvolvedor de sistemas, focado em sustentabilidade - A economia verde precisa de um núcleo de desenvolvedores de softwares especializados, que possam desenhar, construir e manter redes que deem apoio ao funcionamento de turbinas eólicas e outras soluções ecologicamente corretas.

10) Urbanista - Encorajar o uso de bicicletas e desestimular a utilização de carros é apenas uma parte do trabalho - igualmente importantes são os planos para coleta de lixo e de contingência para inundações e ondas de calor. As vagas neste setor devem crescer 15% até 2016.

Fonte: Globo Rural

REFLORESTAMENTO: American Carbon Registry lança novo padrão florestal

O American Carbon Registry (ACR), pertencente a organização de pesquisas sem fins lucrativos Winrock International, lançou um novo padrão para o desenvolvimento de projetos domésticos e internacionais na área de reflorestamento, manejo florestal e desmatamento evitado.

O Forest Carbon Project Standard (FCPS) entra no que se tornou um dos mercados mais concorridos nos últimos dois anos, uma vez que várias empresas procuram a verificação independente das compensações de carbono produzidas pelo plantio de árvores depois de críticas sobre a falta de garantias da eficiência dos projetos na mitigação dos gases do efeito estufa.

A ACR diz que apesar da emergência de padrões de qualidade, a empresa tinha necessidade de ter o seu próprio padrão para verificação de créditos florestais que estão entrando em seu registro. “Além de acreditarmos que adiciona algumas melhorias em relação aos outros padrões”, disse a diretora de associações e serviços de registro, Mary Grady.

A principal inovação do FCPS é a flexibilidade oferecida aos desenvolvedores de projetos para assegurar a permanência do carbono estocado nas árvores, incluindo o uso de contratos de seguros e a possibilidade de colocar créditos não florestais de reserva para cobrir imprevistos.

Por outro lado, as diretrizes de verificação do padrão são similares às ferramentas e aos testes existentes.

Grady afirma que já existem projetos em busca do apoio do ACR que representam 1 milhão de toneladas de reduções de emissão florestal. Ela ressalta que o ACR tem como objetivo estar na lista dos padrões de qualidade na América do Norte, como o Voluntary Carbon Standard (VCS) e o California Climate Action Registry (CCAR).

Fonte: Remade

Gelo cada vez mais fino

8/4/2009

Agência FAPESP – Um estudo feito a partir de novos dados obtidos pelo satélite Acqua, da Nasa, a agência espacial norte-americana, mostra que o processo de diminuição do gelo marinho no Ártico – que já dura uma década – continua. O manto de gelo também está cada vez mais fino.

O gelo marinho no Ártico funciona como se fosse uma espécie de ar condicionado para o sistema climático global. O gelo naturalmente esfria as massas de ar e água, tem papel fundamental na circulação oceânica e reflete a radiação solar de volta ao espaço.

Pesquisadores que monitoram a calota glacial ártica a partir do espaço afirmam que no último inverno (no hemisfério Norte) o gelo no círculo polar apresentou a quinta menor extensão desde que esse tipo de registro começou a ser feito, em 1979.

Os seis menores níveis ocorreram justamente nos últimos seis anos, de 2004 a 2009. A velocidade com que o gelo marinho no extremo norte do planeta está encolhendo tem surpreendido os cientistas.

Até recentemente, a maior parte do gelo marinho no Ártico costumava permanecer por no mínimo um verão e, muitas vezes, durante vários. Mas tal cenário tem mudado dramaticamente, segundo Charles Flowler, da Universidade do Colorado, que coordenou o novo estudo.

Hoje, o gelo sazonal fino – que derrete e recongela a cada ano – responde por cerca de 70% da cobertura no Ártico no inverno. Até a década de 1990, o total desse tipo de gelo chegava no máximo a 50%.

Segundo os cientistas, o gelo mais espesso, capaz de resistir por dois ou mais anos, agora equivale a apenas 10% da cobertura ártica no inverno. Até a década de 1990, variava entre 30% e 40%.

O estudo destaca que a extensão máxima do gelo marinho na região no período 2008-2009, atingida em 28 de fevereiro, chegou a 15 milhões de quilômetros quadrados. O total corresponde a 720 mil quilômetros quadrados a menos do que a média entre 1979 e 2000.

“A extensão do gelo é uma medida importante da saúde do Ártico, mas ela nos dá apenas uma visão bidimensional da cobertura do gelo. Espessura também é importante, especialmente no inverno, porque se trata do melhor indicador geral da calota. À medida que a camada de gelo no Ártico fica mais fina, ela se torna mais vulnerável ao aquecimento que ocorre no verão”, explicou Walter Meier, um dos pesquisadores do grupo de Flowler.

Segundo os cientistas, conforme o gelo mais espesso desaparece, ele é substituído por uma camada mais nova. Essa cobertura é também mais fina e mais suscetível ao derretimento no verão. O gelo sazonal tem em média 1,8 metro, enquanto que a capa mais espessa – capaz de sobreviver a mais de um verão – tem cerca de 2,7 metros.

Mais informações: www.nasa.gov

Fonte: Agência FAPESP

terça-feira, 7 de abril de 2009

Caixa desmente declarações de Minc sobre uso de madeira certificada em programa habitacional

Por Flávio Bonanome, do Amazonia.org




Segundo o banco a exigência de certificação da madeira para programa habitacional não está incluso no processo licitatório para compra de materiais.

Contrariando as declarações do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, feitas na semana passada a respeito do uso de madeira de origem certificada no novo programa habitacional do governo "Minha casa, minha vida", a Caixa Econômica Federal, órgão responsável pela aquisição de materiais para as obras, declarou-se desprovida de qualquer informação quanto à inclusão de tal tipo de madeira nos processos licitatórios.

Após o anúncio feito pelo presidente Lula, na quarta-feira (25), sobre o lançamento do programa habitacional, cujo intuito é construir um milhão de moradias populares, Carlos Minc declarou que toda madeira usada nas obras seria certificada.

Segundo o ministro e texto divulgado pela a assessoria de imprensa do MMA, as casas contariam com "energia solar, reaproveitamento de água, sistemas de coleta e tratamento de esgoto, madeira de origem certificada". Porém, segundo a assessoria da Caixa Econômica Federal, não há nenhuma instrução quanto a aquisição deste tipo de material par ao projeto.

O ministério declarou-se ainda mais contraditório, afirmando que o material para as obras viria de manejo florestal, não necessariamente com origem certificada por qualquer um dos selos existentes. Posteriormente declarou que a madeira seria de reflorestamento, portanto certificada, demonstrando total desconhecimento sobre o assunto.

Carolina Graça, representante da Associação de Produtores Florestais Certificados na Amazônia (PFCA), acredita que haja um sério equívoco por parte do governo no entendimento de madeira certificada. "Muita gente confunde produto de origem legal com o de madeira certificada", afirma. Graça diz que não pode dizer que foi um erro intencional, mas que "com certeza vão usar isso para fins eleitoreiros", e critica: "o governo federal expressa uma certa lentidão quando o assunto é madeira certificada".

Atualmente existem dois selos de certificação no país, o FSC e o Cerflor, sendo o primeiro o principal mecanismo de garantir a exploração de maneira a reduzir impactos sociais e ambientais. Pela lei, é proibido exigir em um processo de obra pública qualquer certificação, mas existem diversos mecanismos para incentivar o uso de materiais de origem sustentável.

Outros Problemas

Além da confusão criada pelo ministério quanto à madeira certificada, outras metas da área sustentável do projeto habitacional têm apresentado grande problema em relação à sua produção. Exemplo disso são as placas solares, prometidas por Carlos Minc como forma de geração de energia limpa para todas as moradias populares.

A dificuldade está exatamente no mesmo ponto enfrentado pela madeira: a oferta é insuficiente para atender a uma demanda de um milhão de casas e nem com um crescimento assombroso no setor de produção seria possível atender a todos os pedidos.

De acordo com a assessoria do MMA, entre as medidas para a solução deste embate seria a redução de impostos para empresas do setor de placas solares, bem como a liberação da importação de componentes, mantendo somente a montagem das placas em território nacional.

Ainda segundo a assessoria, estas medidas, caso sejam efetivadas, promoverão um grande crescimento no setor e farão com que a demanda seja atendida. No entanto, segundo o ministério, essas ações ainda estão sendo planejadas. Não há ainda nenhuma perspectiva de quando e como elas serão concretizadas.

Fonte: Envolverde

Brasil recolhe 95% das embalagens de agrotóxicos

O Brasil já recolheu mais de 100 mil toneladas de embalagens de agrotóxicos usados pelos agricultores desde que entrou em operação o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), em março de 2002. A taxa de retorno chegou, em 2008, a 95%, bem superior à de outros países que têm programas semelhantes.

Segundo o coordenador de agrotóxicos do Ministério da Agricultura, Luís Carlos Rangel, o Canadá, o Japão e os Estados Unidos têm taxa de retorno entre 20% e 30% das embalagens. O diferencial brasileiro, segundo ele, é o sistema de fiscalização aplicado aqui, no qual o revendedor e o comprador são identificados e a devolução das embalagens monitorada, inclusive com punições previstas.

“Esse é o sistema que o Brasil identificou como sendo o mais inteligente e que estamos conseguindo ensinar para o resto do mundo para que eles também possam agregar esse conhecimento para o sistema de recolhimento de embalagens deles”, afirmou Rangel.

O Inpev, uma entidade sem fins lucrativos criada para gerir a destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos, foi criado no fim de 2001 e conta, entre seus associados, com 99% das empresas fabricantes de defensivos agrícolas do Brasil e as sete principais entidades de classe do setor. Os recursos para seu funcionamento vêm das contribuições que cada empresa dá ao instituto, proporcionais ao seu faturamento.

Cerca de 95% das embalagens recolhidas são recicladas e as restantes, incineradas. O ganho ambiental gerado pelo volume reciclado em seis anos do programa equivale, segundo o instituto, ao plantio de 491 mil árvores, ou 98 mil toneladas de gás carbônico - o principal gás do efeito estufa - a menos na atmosfera. O sistema gera mais de 2,5 mil empregos diretos e indiretos.

O presidente da Câmara Setorial de Insumos do Ministério da Agricultura, Cristiano Simon, acredita que o programa pode servir de exemplo para outros setores.

“É considerado um exemplo mundial de um trabalho onde todos participam: o agricultor, a revenda e, principalmente, a indústria, subsidiando esse trabalho. Faz o que era um lixo rural, que contaminava o meio ambiente, numa mercadoria útil, através da produção de tubos pra fibra ótica, de recipientes plásticos para lubrificantes, até embalagem para defensivo agrícola. Todos participam em uma cadeia de cooperação exemplar e que poderia servir para outros setores que estão preocupados com o meio ambiente e com a sustentabilidade”, relata Simon.

Matéria de Danilo Macedo, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 30/03/2009.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Petróleo barato barra veículos a hidrogênio

AFRA BALAZINA
enviada especial da Folha de S.Paulo ao Canadá

Ao ligar o carro, o barulho lembra o de um aspirador de pó, porém mais baixo e menos irritante. Depois, quase não se ouve mais ruído. A resposta é muito rápida e o veículo parece leve, desliza suavemente pelas ruas de Vancouver, no Canadá.

Hidrogênio serve como combustível para veículos; veja animação

O veículo elétrico com célula a combustível de hidrogênio não deixa a desejar em potência. E, o melhor de tudo, não solta nenhum poluente pelo escapamento, somente vapor-d'água. Evita, assim, a emissão para a atmosfera do gás de efeito estufa CO2, que contribui para o aquecimento global.

Em visita ao Instituto de Inovação de Célula a Combustível do NRC (Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá), a reportagem da Folha fez um test-drive com um modelo Ford Focus movido a hidrogênio. Ao dirigir o carro, fica claro que a tecnologia não é mais um empecilho para esse tipo de veículo. Embora muitos protótipos tenham sido criados nos últimos anos, porém, nenhum atingiu escala comercial ainda.

Michael Fowler, professor da área de engenharia química da Universidade de Waterloo, tem a resposta pronta para explicar a demora: o petróleo ainda está barato, e ninguém vai se interessar em comprar carros ecológicos se é mais econômico se locomover soltando fumaça.

Na sexta-feira, em Nova York, a cotação do barril de petróleo fechou em US$ 52,51. Ainda não está claro, porém, quão caro os combustíveis fósseis terão de ficar para que se decida investir no hidrogênio.

O interesse pelo combustível limpo existe desde 1959, quando foi criado um trator com célula a combustível de hidrogênio. Na crise do petróleo, nos anos 1970, a pesquisa pela tecnologia voltou. Mas, quando o preço do petróleo caiu, o assunto perdeu importância. Na década de 1990, com o aumento da preocupação ambiental, o hidrogênio voltou à pauta.

Oferta e demanda

A Honda já faz leasing (espécie de aluguel) do modelo FCX Clarity, que usa o hidrogênio, na Califórnia (EUA). O preço é US$ 600 ao mês, e inclui a manutenção do veículo.

Enquanto nos EUA e no Japão o interesse maior é pela implantação do motor a hidrogênio em carros, na Europa a atenção é para os ônibus, que vêm sendo testados na Alemanha e em outros países.

O presidente da Honda, Takeo Fukui, acredita que levará ainda dez anos até que essa tecnologia seja comercialmente viável. E isso não significa que haverá produção em massa a preços baratos, mas, sim, que o carro estará "disponível para a compra a um preço semelhante ao de um veículo de luxo hoje".

Um dos fatores que encarecem o carro é que os melhores eletrodos disponíveis para as células a combustível precisam de platina, metal raro e caro. Por isso, muitos grupos de pesquisa têm estudado alternativas. O próprio NRC pesquisa a utilização de aço como substituto à platina. E pesquisadores de Quebec, também no Canadá, acabam de apresentar em estudo na revista "Science" um catalisador à base de ferro para rivalizar com o elemento nobre.

Porém, na opinião de Ennio Peres da Silva, chefe do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp, hoje já se conseguiu reduzir a platina a uma quantidade tão pequena que, mesmo que não se encontre algo à altura dela, isso não será uma barreira ao uso do hidrogênio.

E ele critica quem só se preocupa com a questão de preço. "Se fosse só o preço que determinasse, até hoje estaríamos andando a cavalo, que era era mais rápido e mais econômico do que os primeiros carros."

Ele argumenta que o veículo a hidrogênio tem o dobro da eficiência, não polui, não faz barulho. E, se acabar a luz da sua casa, ele pode ser usado para obter energia elétrica. "Essa tecnologia não é a mais barata. Mas a humanidade vai ganhar com seu uso. É uma questão de fazer a escolha certa", diz Silva.

A demora da comercialização do veículo a hidrogênio, lembra Lars Rose, pesquisador do NRC, pode ter relação com a questão do "ovo e da galinha" --não há demanda porque não existe o carro, e não há carro porque não há demanda. Mas Silva afirma que isso pode ser superado --afinal, situação semelhante ocorreu com o etanol e o gás natural.

Perdendo o bonde

Foi no Laboratório de Hidrogênio da Unicamp que se criou o primeiro --e único-- carro brasileiro elétrico com células a combustível de hidrogênio. Infelizmente, diz Silva, o país não investiu o suficiente e "perdeu o bonde" da tecnologia. Ele critica a falta de apoio do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) --para fazer o carro, por exemplo, o grupo contou apenas com o MME (Ministério de Minas e Energia).

Na opinião de Silva, os motores a combustão interna, menos eficientes do que os elétricos, estão com os dias contados. "Não podemos apostar em algo que vai acabar". diz.

Na América do Norte e no Japão, principalmente, os carros híbridos --que alternam bateria elétrica e gasolina-- têm feito sucesso. Há cerca de um ano, a Toyota anunciou que o Prius havia atingido a marca de 1 milhão de veículos vendidos.

Outros mercados

Em alguns países, o hidrogênio já ocupa outros nichos. Nos EUA, sistemas de backup de energia em torres de comunicação usam células a combustível de hidrogênio em vez de baterias. Apesar de sua instalação ser mais cara, a nova tecnologia é mais segura e tem um custo de manutenção menor. O Brasil, por enquanto, tem só um exemplo desse tipo de uso.


Fonte: Folha Online

Pesquisadores preveem perda de 80% do gelo do Ártico em 30 anos

WASHINGTON, EUA - A camada glacial do Ártico poderá sofrer uma redução de até 80% nos próximos 30 anos, adverte um estudo publicado nesta quinta-feira nos Estados Unidos sobre os efeitos do aquecimento global no planeta.

"A superfície do mar Ártico coberta de gelo no final do verão poderá não passar de um milhão de km2 em 2040, contra 4,6 milhões de km2 hoje", estimam os autores do estudo realizado pela Universidade do Estado de Washington e pela administração americana para a atmosfera e os oceanos (NOAA).

Os pesquisadores aplicaram modelos de previsão nos quais levam em conta as últimas evoluções da camada glacial no Ártico, que sofreu uma "redução espetacular" no final dos verões de 2007 e de 2008, quando a superfície de gelo se viu limitada a 4,3 e 4,7 milhões de km2, respectivamente.

A média destes seis modelos "permite prever um Ártico praticamente sem gelo dentro de 32 anos, revelam Muyin Wang, climatologista da Universidade de Washington, em Seattle, e o oceanógrafo do NOAA James Overland.

Segundo Wang e Overland, os modelos precedentes, elaborados em 2007, previam esta redução apenas para o final do século XXI, por volta de 2100.

"Tanta água livre poderá ser benéfica para a circulação marítima e para a extração de minerais e petróleo, mas também será um problema de adaptação do ecossistema", adverte o estudo.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

Florestas bombeiam ventos pelo planeta

Meteorologistas russos acabam de publicar na revista New Scientist uma pesquisa inédita sobre um novo papel que as florestas tropicais próximas ao mar desempenham: elas geram correntes de ar que ajudam a impulsionar o fluxo hídrico no globo. Se estiver certa, a tese de Victor Gorshkov e Anastassia Makarieva, do Instituto de Física Nuclear de São Petesburgo, justificaria, entre outras coisas, como boa parte da Austrália deixou de ter densas florestas para virar um deserto. Baseados nisso, os autores sugerem até que uma parcela considerável da América do Norte poderia sofrer com a desertificação, mesmo sem aquecimento global.

De acordo com a pesquisa, as florestas podem criar ventos através do processo de condensação do vapor d’água e da umidade que vem do mar porque os gases ocupam menos espaço quando se tornam líquidos, diminuindo a pressão atmosférica no local. Já que a evaporação é maior sobre as florestas do que nos oceanos, a pressão é mais baixa em áreas de florestas litorâneas, que sugam umidade do mar. Isso forma ventos que levam essa umidade para dentro do continente, e, conforme o processo se repete, o transporte de água pode ser imenso e se estender por milhares de quilômetros. Os meteorologistas acreditam que só a Amazônia libera 20 trilhões de litros de água todos os dias.

A hipótese dos russos levanta preocupações quanto aos graves efeitos do desmatamento, mesmo localizado, sobre o transporte de água no planeta. Eles chegam a sugerir que a fragmentação florestal pode mudar por inteiro o clima num continente de úmido para árido, com um declínio de chuvas que chega a 95%. A pesquisa está sendo considerada uma das mais importantes contribuições científicas para entender os efeitos do desmatamento sobre o clima.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Crianças consumidoras: onde se quer chegar?

Por Reinaldo Canto




É interessante notar como acontecimentos inusitados imprimem em nossa vida constantes transformações, moldando nossos pensamentos e nossas ideias. A chegada de um ser especial faz tudo mudar, ou melhor, trás novos sentidos para muitas das mesmas questões.

A preocupação com a preservação ambiental, com a exaustão dos recursos naturais e com a perda da biodiversidade sempre foram encaradas, sem levar em conta a finitude da minha própria vida. A indignação com o nonsense pela forma como o ser humano tem lidado com o nosso sofrido planeta, já era motivo suficiente para fazer parte da batalha por corações e mentes em busca dessa difícil convivência entre o homem e a natureza.

Aí chega a paternidade e a visão se amplifica e ganha novos horizontes e contornos. Novas velhas perguntas passam a receber um olhar ainda mais crítico e atento: Minha filha vai crescer num planeta mais triste, com mais fome, guerras e destruição? O mundo que conhecemos hoje será muito diferente e pior de se viver daqui há 20, 30, 40 anos?

São perguntas que vêem seguidas de um arrepio na espinha ao imaginar para minha filha, que ainda não completou dois anos de idade, uma herança bastante amarga.. Fatos não faltam para fazer esse tipo de afirmação. Escassez de água e de produção de alimentos não são visões de catastrofistas de plantão, mas a pura realidade com sinais bastante claros para nenhum cartesiano colocar dúvida.

Das atuais para as próximas gerações

A esperança reside na expectativa de que, se soubermos orientar e educar as nossas crianças e jovens para frear o consumo e o desperdício desenfreado, além de respeitar as outras criaturas que habitam o planeta, estaremos contribuindo para formar as novas gerações com valores muito mais positivos em prol da sustentabilidade.. Agora, a tarefa não é nada fácil. Começando pela simples observação de que temos feito muito pouco para mudar essa realidade.

A nossa geração já tem elementos e informação suficientes sobre as graves conseqüências que a sociedade de consumo, ávida por energia e recursos naturais, vem causando notadamente nos últimos anos. Mesmo assim continua a consumir muito mais do que o planeta consegue repor. Nossos lixões e aterros sanitários, principalmente em grandes capitais brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro, entraram em colapso, como já alertou o jornalista Washington Novaes, em seus artigos no jornal O Estado de São Paulo. E, muitos desses materiais, ou melhor, pelo menos 30% de tudo o que vai abarrotar esses lixões e aterros sanitários são perfeitamente reaproveitáveis ou recicláveis e poderiam ter um destino mais nobre e reduzir os impactos ambientais causados pelas cadeias produtivas e seus consequentes descartes.

Recentemente, o escritor uruguaio Eduardo Galeano escreveu um artigo indignado contra a cultura do descartável. Galeano lembrou a sua infância e a utilização quase total de todo tipo de material. No Uruguai de 50 anos atrás, tudo era reaproveitado e até mesmo transformado em brinquedos como tampas e latas. Desperdício de alimentos, então, nem pensar. Cascas e restos de alimentos viravam doces, compotas deliciosas, o que aliás não diferencia muito das antigas estórias de muitas famílias brasileiras.

Não é que não existam mudanças ou novas atitudes em busca de um mundo mais sustentável. Aqui e ali surgem projetos dignos de nota: projetos de reciclagem, de redução de gastos de energia, de reaproveitamento de água e por aí afora. Mas convenhamos que diante do comportamento da maioria, é caminhar a passos de tartaruga, enquanto os efeitos do aquecimento global, da perda de florestas, da contaminação da água, correm a jato. Todos nós, uns mais outros menos consumimos mais do que das nossas reais necessidades e as possíveis exceções só confirmam a regra.

É exatamente aí que quero chegar: que lições estamos passando para as futuras gerações? E quais as contribuições que podemos dar aos nossos filhos?

Com certeza, o primeiro passo é ampliar nossas ações. Pensar nos 3 Rs - acrescidos de um R inicial proposto pelo Instituto Akatu pelo Consumo Consciente (Repensar; Reduzir; Reutilizar e Reciclar. Depois colocar em prática e viver uma vida mais simples e saudável.

No caso das crianças, trocar o material, ou seja, mais uma boneca, ou um novo carrinho por mais afeto e compartilhamento de momentos em família, como um passeio ao ar livre, por exemplo. Os terapeutas são unânimes em afirmar que o afeto é mais importante que o material e o contato com a natureza é a melhor maneira de fazer com que as crianças a admirem e respeitem.

Se elas vão receber um planeta mais caótico para se viver, nós temos no mínimo, o dever de orientá-las desde os seus primeiros passos. E isso, é claro, não é responsabilidade apenas dos pais, mas da escola, dos governos e também das empresas que precisam fazer a sua parte em prol de um mundo melhor.

Bombardeio publicitário

Se a vida já não parece fácil, a nossa tarefa, como pais, fica ainda mais difícil e complicada quando assistimos pasmos, a publicidade insana voltada para as crianças. São anúncios na televisão, outdoors e vitrines de supermercados que se utilizam de todos os recursos para atrair os pequenos. São brinquedos e alimentos muito atraentes na sua apresentação e pouco saudáveis em muitos sentidos, seja para o planeta, como também para a saúde das crianças. É o caso de brindes associados a alimentos industrializados e fast-foods pouco nutritivos e muito calóricos responsáveis pela incidência da obesidade infantil.

Organizações de defesa do consumidor, como o IDEC e o Instituto Alana, há tempos lutam contra a publicidade infantil que, aliás, já é proibida em muitos países desenvolvidos. Em recente entrevista, a coordenadora de educação e pesquisa do Instituto Alana, Laís Pereira, afirmou que crianças até os 12 anos ainda não formaram um pensamento crítico sendo presas fáceis da publicidade irresponsável. Outra informação da pesquisadora, que é também bastante preocupante para pais e educadores, se refere às crianças de até quatro anos de idade. Segundo ela, nessa faixa etária, a criança não distingue a diferença entre publicidade e conteúdo de um programa.

As agências de propaganda e as indústrias responsáveis por esses produtos costumam alegar que quaisquer proibições aos anúncios constituem restrições a liberdade de expressão e de informação. Não creio que isso faça sentido. Antes de mais nada essas bem vindas restrições viriam ao encontro do que estabelece o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Instrumentos do mais alto nível que vem contribuindo e muito para o aprimoramento da democracia e da cidadania em nosso país e proteger os direitos mais elementares da nossa sociedade e das nossas crianças.

Esses são apenas alguns exemplos dos enormes desafios pelos quais nós pais temos que lutar. E é evidente que tais lutas vão muito além de nossas atitudes pessoais. É preciso agir também coletivamente ao participar e enfrentar forças que, muitas vezes, tem como interesse apenas os ganhos imediatos e como resultado final, enormes prejuízos sociais. O futuro dos nossos filhos é uma boa razão para manter a espinha ereta e o olhar firme no horizonte. As crianças merecem essa chance.

* Reinaldo Canto é jornalista, ex-Diretor de Comunicação do Greenpeace e ex-Coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. BLOG – cantodasustentabilidade.zip.net

Fonte: Envolverde

Carbono sequestrado no subsolo

2/4/2009

Agência FAPESP – O processo de remoção de dióxido de carbono, conhecido como sequestro de carbono, tem sido discutido há mais de dez anos como uma das principais alternativas para tentar controlar os níveis do gás na atmosfera e diminuir o efeito estufa e as mudanças climáticas.

Esse mecanismo ocorre naturalmente em oceanos, florestas e em outros organismos que, por meio de fotossíntese, capturam o carbono e lançam oxigênio na atmosfera.

Recentemente estudos começaram a avaliar o potencial do sequestro geológico induzido, que envolveria o desenvolvimento de tecnologias para capturar e armazenar o excesso de carbono no subsolo. Uma nova pesquisa, publicada na edição desta quinta-feira (2/4) da revista Nature, aponta um futuro promissor para essa alternativa.

Não só futuro como passado, pois o artigo destaca que há milhões de anos o dióxido de carbono tem sido armazenado seguramente junto com água subterrânea em campos de gás natural. Entretanto, conter milhões de metros cúbicos de gás carbônico em campos de petróleo ou de gás natural esgotados envolve vários riscos, como o escape do gás. Não se sabia com certeza se o gás poderia ser mantido com segurança no subsolo.

Estudos anteriores usaram modelos computacionais para simular a injeção de dióxido de carbono em reservatórios em campos de gás ou petróleo de modo a tentar identificar onde o gás poderia parar. Alguns modelos apontaram que o gás se dissolveria na água, enquanto outros estimaram que poderia reagir com minerais nas rochas de modo a formar carbonatos, terminando aprisionado.

De modo a verificar exatamente como o gás é mantido, um grupo internacional realizou simulações computacionais e em seguida mediu as taxas de isótopos estáveis de carbono e de gases nobres como hélio e neônio em nove campos de gás na América do Norte, China e Europa. Tais campos foram naturalmente preenchidos com dióxido de carbono há milhões de anos.

A conclusão é que o principal responsável pela captura eficiente, por tanto tempo, é a água. “Ao combinar as simulações com as medições locais, pudemos identificar exatamente onde o dióxido de carbono está sendo mantido. Sabíamos que gás e petróleo estavam armazenados seguramente por milhões de anos em campos de gás e petróleo. Agora, nosso estudo mostrou claramente que o dióxido de carbono tem sido contido natural e seguramente na água subterrânea nesses campos”, disse Stuart Gilfillan, das universidades de Manchester e de Edimburgo, no Reino Unido, principal autor do estudo.

Os pesquisadores apontam que estudos futuros poderão usar tal conhecimento para poder desenvolver tecnologias que permitam o armazenamento artificial do dióxido de carbono. Tais soluções precisarão ser tão eficientes como a estocagem natural, que tem resistido por muito tempo mesmo em casos extremos, como no terremoto que gerou o tsunami no Sudeste Asiático em 2004. Mesmo com uma magnitude acima de 9 na escala Richter, o evento não resultou no rompimento de depósitos geológicos naturais.

O artigo Solubility trapping in formation water as dominant CO2 sink in natural gas fields, de Stuart Gilfillan e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

Fonte: Agência FAPESP

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Muita água, pouca água

1/4/2009

Agência FAPESP – No encerramento do mês em que se comemorou o Dia Mundial da Água (22/3), a Agência Nacional de Águas (ANA) apresentou a primeira edição do Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil.

A quantidade e a qualidade das águas brasileiras e a situação da gestão desses recursos até 2007 estão detalhadas na publicação, que deverá ser atualizada anualmente.

São apresentados dados e informações sobre precipitação, disponibilidade de águas superficiais e subterrâneas, eventos críticos, saneamento ambiental, irrigação, hidroenergia, navegação, evolução de aspectos legais e institucionais e recursos e aplicação financeira do setor.

O relatório destaca que a produção de energia elétrica instalada no Brasil cresceu pouco mais de 4% entre 2006 e 2007 e que o país conta com 28.834 quilômetros de águas navegáveis, sendo que desses apenas 8,5 mil quilômetros são navegáveis durante todo o ano – dos quais cerca de 5 mil estão na bacia Amazônica.

Estima-se que a área irrigada no Brasil seja de 4,6 milhões de hectares, o que representaria um crescimento de 50% em dez anos, a uma taxa de cerca de 150 mil hectares por ano. O país está em 16º lugar no ranking mundial, detendo pouco mais de 1% da área total irrigada no mundo.

A vazão de retirada para usos que consomem água, em 2006, foi de 1.841m³/s. Comparando esse valor com a estimativa feita para o ano de 2000 (1.592m³/s), identificou-se um acréscimo de 16% na vazão de retirada total no país.

O setor de irrigação é o que conta com a maior parcela de vazão de retirada (cerca de 47% do total). Para o abastecimento urbano são reservados 26% do total, 17% para indústria, 8% para pecuária e apenas 2% para abastecimento rural.

As regiões Amazônica, do Paraguai, do Tocantins-Araguaia e Atlântico Nordeste Ocidental apresentam situações bastante confortáveis quanto a demanda e disponibilidade, com mais de 88% de seus principais rios classificados como “excelente” e “confortável”. Na região do São Francisco, 44% dos principais rios estão na categoria “muito crítica”, “crítica” ou “preocupante”.

Dos 5.564 municípios brasileiros, 788 (14%) tiveram decretada situação de emergência devido à estiagem ou seca em 2007. De todos os municípios, 176 (3%) tiveram decretada situação de emergência devido a enchentes, inundação ou alagamentos.

Para o total de pontos em que foi feito o monitoramento com o Índice de Qualidade da Água (IQA) em 2006, observou-se uma condição ótima em 9% dos pontos, boa em 70%, razoável em 14%, ruim em 5% e péssima em 2%.

Com relação à assimilação de carga orgânica, as principais áreas críticas se localizam nas bacias do Nordeste, rios Tietê e Piracicaba (São Paulo), rio das Velhas e rio Verde Grande (Minas Gerais), rio Iguaçu (Paraná), rio Meia Ponte (Goiás), rio dos Sinos (Rio Grande do Sul) e rio Anhanduí (Mato Grosso do Sul).

O relatório está disponível em: http://conjuntura.ana.gov.br).

Fonte: Agência FAPESP

segunda-feira, 30 de março de 2009

Desmatamento irreversível?

Áreas desmatadas da floresta amazônica no Mato Grosso podem não se regenerar e virar savanas.


O Mato Grosso, estado brasileiro que responde por quase 50% do desflorestamento de toda a região amazônica, pode não conseguir regenerar a floresta tropical desmatada em seu território e, assim, caminhar diretamente para um processo de savanização. O alerta, fruto de estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), indica maior urgência para a preservação do norte do estado.

Os resultados da pesquisa, publicados na última edição do periódico Journal of Geophysical Research, foram obtidos a partir de dados de um modelo que analisou o poder de recuperação da floresta em diferentes cenários de devastação. Segundo a meteorologista Mônica Senna, uma das autoras do artigo, o objetivo inicial do estudo era tentar descobrir se havia um limite máximo de desmatamento que não provocasse interferências prejudiciais na regeneração da floresta.

Para realizar a análise, a equipe abasteceu o modelo não apenas com dados sobre desmatamento. Pela primeira vez em estudos sobre o processo de savanização da Amazônia, foi considerado o fato de o solo amazônico ser, por si só, pobre em nutrientes.

Os pesquisadores simularam situações com diferentes taxas de desmatamento – de zero a 100% – e adicionaram informações sobre a deficiência nutricional do solo para analisar a influência desse fator na recuperação florestal. “O modelo nos mostrou que a deficiência nutricional do solo torna a regeneração da floresta bem mais lenta”, relata Senna.

O estudo revelou também que, a partir de 40% de desmatamento na floresta amazônica, há uma drástica redução na ocorrência de chuvas na região, o que limita ainda mais a regeneração florestal. “No norte do Mato Grosso, por exemplo, o grau de recuperação é nulo”, alerta a pesquisadora.

Estado mais seco por natureza
Mas por que o Mato Grosso apresenta essa falta de capacidade para recuperar áreas desmatadas? Segundo Senna, o motivo é o fato de o estado ter, diferentemente de outros pontos da Amazônia, uma estação seca bem definida.

O modelo mostrou que o desmatamento na região diminui ainda mais a ocorrência de chuvas e estende a estação seca de quatro para cinco meses. “Mesmo nos meses chuvosos, a intensidade das chuvas diminui”, completa a meteorologista. Esses fatores seriam suficientes para impedir a regeneração da floresta.

Diferentemente dos resultados da equipe da UFV, pesquisas anteriores apontam que a savanização poderia ocorrer em todo o território amazônico. É o caso de um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que, além do desmatamento, considerou o aquecimento global. Em um cenário otimista, com aumento de temperatura de até 3 °C e desflorestamento de, no máximo, 40% até 2050, a savana cresceria 170% na região e apenas 66,2% da floresta tropical desmatada seria capaz de se regenerar.

“Como o modelo que utilizamos não trabalha com todos os fatores possíveis, não podemos descartar a savanização da Amazônia inteira”, afirma Senna. Segundo ela, o aquecimento global, as concentrações de gás carbônico na atmosfera e a ocorrência de incêndios, entre outros aspectos, também devem ser considerados em futuros estudos.

“Levando em conta apenas o desmatamento, o fator climático e o solo pobre em nutrientes, podemos apontar a possibilidade de savanização somente no norte do Mato Grosso”, enfatiza a pesquisadora. “Mas são necessários mais estudos de campo para confirmar as conclusões do modelo climático”, completa.

A savanização de parte da Amazônia acarretaria uma perda significativa de biodiversidade na região, já que a adaptação de espécies a um novo ecossistema demora séculos ou até milênios. “Portanto, o desmatamento no Mato Grosso deve receber mais atenção das autoridades, pois a maior sensibilidade climática da região pode fazer com que ela em breve deixe de ser abrigo para milhares de espécies da floresta tropical”, conclui a meteorologista.


Isabela Fraga
Ciência Hoje On-line
26/03/2009

Poeira do aquecimento

30/3/2009

Agência FAPESP – A recente tendência de aquecimento observada no Oceano Atlântico se deve em grande parte a reduções nas quantidades de poeira e de emissões vulcânicas nos últimos 30 anos, segundo estudo publicado no site da revista Science.

Desde 1980, a temperatura no Atlântico Norte tem aumentado em média 0,25 ºC por década. O número pode parecer pequeno, mas tem grande impacto em furacões, que preferem águas mais quentes. Um exemplo: 2005 teve recorde no número de furacões, enquanto em 1994 foram poucos eventos, mas a diferença na temperatura oceânica entre os dois anos foi de apenas 1 ºC.

De acordo com a pesquisa, feita por cientistas da Universidade de Wisconsin em Madison e da Administração Nacional do Oceano e Atmosfera (Noaa), nos Estados Unidos, mais de dois terços dessa tendência de aquecimento podem ser atribuídas a alterações em tempestades de poeira na África e à atividade vulcânica nos trópicos no período.

Os autores do estudo haviam mostrado anteriormente que a poeira vinda da África e outras partículas suspensas na atmosfera podem reduzir a atividade de furacões por meio da diminuição da luz solar que chega ao oceano, mantendo a superfície mais fria. Ou seja, anos com mais poeira implicam menos furacões.

Os pesquisadores combinaram dados obtidos por satélites de aerossóis (material particulado suspenso na atmosfera) com modelos climáticos para avaliar o efeito na temperatura oceânica. Eles calcularam quanto do aquecimento no Atlântico observado desde 1980 foi devido a mudanças em tempestades de poeira e na atividade vulcânica, especialmente as erupções do El Chichón, no México, em 1982, e do Pinatubo, nas Filipinas, em 1991.

A conclusão foi que o efeito foi muito maior do que se esperava. “Grande parte da tendência de aquecimento no padrão a longo prazo pode ser explicada por esses fatores. Cerca de 70% é resultado da combinação de poeira e vulcões e aproximadamente 25% se devem apenas a tempestades de areia”, disse Amato Evan, da Universidade de Wisconsin, principal autor do estudo.

Os resultados indicam, portanto, que apenas 30% dos aumentos na temperatura no Atlântico Norte são devidos a outros fatores. Embora não desconte a importância do aquecimento global, Evan aponta que o estudo faz com que o impacto desse fator no Atlântico esteja mais em conformidade com o menor aquecimento verificado no Pacífico.

“Faz sentido, porque não esperávamos que o aquecimento global fizesse com que a temperatura oceânica se aquecesse tanto em tão pouco tempo”, disse.

De acordo com o cientista, vulcões são naturalmente imprevisíveis e, portanto, difíceis de serem incluídos em modelos climáticos, mas novos modelos deverão levar em conta a importância de tempestades de areia como um fator para prever acuradamente como as temperaturas oceânicas vão se alterar.

O artigo The role of aerosols in the evolution of tropical North Atlantic Ocean temperature anomalies, de Amato Evan e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

Fonte: Agência FAPESP

sábado, 28 de março de 2009

PIB verde pode se tornar uma realidade

Por Redação da Revista Idéia Socioambiental

Diante da pressão crescente por mecanismos que contemplem as externalidades das atividades econômico-financeiras, as ciências contábeis começam a rever suas práticas e conceitos. Muitos profissionais da área têm dedicado esforços para integrar as variáveis ambientais e sociais aos mecanismos de aferição do patrimônio das nações, criando ferramentas mais completas do que o Produto Interno Bruto (PIB) .

Partindo da premissa de que a forma como uma nação gerencia seus recursos naturais afetará seu desenvolvimento, pesquisadores da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI) elaboraram uma metodologia para mensurar o patrimônio ambiental dos países. "É uma falta de inteligência pensar que maximizar o lucro de uma forma exponencial sem fim e continuar gerando toda a depredação do meio ambiente, os problemas sociais, a distribuição de renda, não vai interferir diretamente na sociedade", avalia José Roberto Kassai, professor da FIPECAFI, que juntamente com Nelson Carvalho, elaborou o estudo intitulado Balanço das Nações.

Até pouco tempo atrás, a ideia de incluir os recursos naturais na contabilidade das nações parecia uma possibilidade distante. Esse cenário começou a se modificar com a perspectiva ameaçadora das mudanças climáticas e do crescimento populacional - segundo estimativas, pode-se chegar a 9 bilhões de pessoas em algumas décadas, uma média de aumento de 1 bilhão a cada 15 anos. Diante dessa tendência, o desenvolvimento das nações será determinado pelo manejo inteligente dos recursos naturais, habilidade que depende de dados concretos quanto à disponibilidade dos ativos ambientais.

No cenário provável de 2020, de acordo com o estudo, apenas Brasil e Rússia apresentarão patrimônios líquidos "positivos", enquanto os demais países produzirão além do que deveriam. Nesse contexto, a situação geral do mundo será negativa, com um valor deficitário em torno de quatro US$ 3 trilhões.

Por volta de 2050, Brasil e Rússia confirmarão a situação favorável com saldos excedentes de carbono e evidenciarão a importância de suas florestas no cenário global. Já o déficit mundial será elevado para US$ 15,3 trilhões . Nesse contexto - destaca o estudo -, a situação mundial piorará 298%. Enquanto Brasil e Rússia sustentarão uma situação favorável, China e EUA se destacarão como os maiores emissores de carbono e de patrimônio líquido ambiental negativo.

Apesar do cenário pessimista, o Balanço das Nações demonstrou que o déficit global do planeta representa 23,7% do PIB, número que dá espaço para ações corretivas.

Os resultados da pesquisa sinalizam a urgência da transição para uma economia de baixo carbono. Diante do cenário que se visualiza, ou os ecossistemas têm uma recuperação eficiente, ou haverá um ajuste natural da população para cerca de 1 bilhão de habitantes - uma redução de 8 bilhões, considerando que a escassez de recursos prejudicaria a espécie humana.

Considerando a rigidez e inércia apresentadas pelo sistema energético padrão, a pesquisa destaca que não há espaço para uma grande ruptura de modelo. Assim, o estudo toma as condições atuais como referência para os próximos anos, reforçando que - com o aumento no preço do petróleo - se observará um crescimento no mercado de energias alternativas.

Metodologia inovadora

Para compor a base de dados do Balanço das Nações foram incluídos representantes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China) e de países desenvolvidos como Estados Unidos, Alemanha e Japão.

De acordo com Kassai, o maior desafio na concepção do estudo foi justamente quebrar os próprios conceitos e preconceitos da contabilidade. "Ao reunir profissionais de contábeis percebemos a necessidade de buscar conhecimentos e teorias em outras áreas. Acabamos chegando à conclusão de que a contabilidade só pode sobreviver se tornando interdisciplinar", avalia.

A pesquisa se dividiu em três fases. Na primeira, os saldos residuais de carbono de cada país foram apurados e convertidos para o valor em dólares. Em seguida, o PIB de cada nação foi transformado em unidades equivalentes per capita de número de habitantes e de consumo médio de energia em TEP (tonelada equivalente de petróleo). A última etapa consistiu no fechamento dos balanços contábeis dos países pela técnica de balanço perguntado, um levantamento das informações a partir de questionário que permite diagnosticar a situação financeira.

Após essa fase, os pesquisadores utilizaram a fórmula padrão da contabilidade: ativo menos passivo igual a patrimônio líquido. O ativo foi representado pelo PIB equivalente em dólares per capita; o passivo, pela obrigação ambiental de cada cidadão na meta de redução de carbono; e o patrimônio líquido diz respeito ao saldo residual - superavitário ou deficitário - de cada cidadão ou país em relação às outras nações (Veja quadro).

De acordo com o Balanço das Nações, os sistemas de contas nacionais ainda são incompletos em relação à avaliação dos recursos naturais. O melhor exemplo dessa deficiência é o PIB - Produto Interno Bruto, que não reconhece tais aspectos. Para o economista Sérgio Besserman Vianna, o cálculo do PIB apresenta questionamentos desde que foi criado. "A rigor, os trabalhos para que houvesse contas nacionais em condições de emitir a produção das riquezas de um país se dirigia para o produto interno líquido (PIL) que considerava as amortizações e tornava o cálculo muito complexo. Além disso, havia uma correlação muito forte na evolução do PIB e do PIL. Então optou-se pelo primeiro. Em seguida, houve a percepção do problema da não inclusão dos custos de recursos naturais", explica.

Uma alternativa que tem sido discutida para resolver esse impasse é o chamado PIB verde que oferece um bottom line pelo qual é possível avaliar o quanto os mercados consumidores afetam bens públicos - destaca o Balanço das Nações - permitindo comparabilidade entre períodos para uma mesma nação e entre nações em quaisquer períodos.

Dessa forma, o PIB verde contabiliza todos os bens e serviços públicos, em valores não monetários, como a quantidade de água potável ou o tamanho das áreas verdes de uma cidade.

O patrimônio líquido ambiental (PLA), proposto pelo Balanço das Nações, seria uma forma de avaliação do PIB verde. "Atualmente é moda criticar o PIB, o que se mostra fácil porque a medida permanece até hoje e se manteve forte por longa data. O ponto positivo é que as sociedades estão começando a despertar para uma nova necessidade não apenas centrada no poder econômico", pondera Kassai, autor do estudo.

Governança climática

De acordo com o Balanço das Nações, o lucro com reputação ambiental deve constituir uma nova tendência para a economia nos próximos anos, com base em aspectos como precificação do carbono, investimento em tecnologias de eficiência energética e mudança no atual comportamental do consumo.

Para Besserman, a primeira questão que se coloca nesse contexto, antes mesmo de mensurar, é considerar os custos ambientais na tomada de decisões. Isso ocorrerá primeiramente em relação aos gases de efeito estufa.Segundo o economista, o Brasil já deu um passo importante na direção da redução de CO2 estabelecendo metas para diminuir o desmatamento. No entanto, não manteve outras ações paralelas para ter benefícios concretos. No plano energético, por exemplo, o papel das termoelétricas que utilizam combustíveis fósseis mais do que compensa a redução das emissões presentes nas metas de desmatamento.

"O Brasil deveria se posicionar para não perder uma grande oportunidade. Na expressão do professor Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), dado que agenda do século XXI inclui obrigatoriamente o tema sustentabilidade como prioridade, o Brasil poderia se posicionar como potência ambiental", destaca o economista.

No contexto mundial, Viana apresenta ressalvas aos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e seqüestro de carbono por meio de projetos de reflorestamento e manutenção florestal.

Segundo ele, é necessário estabelecer - em Copenhague ou por meio do G20 - uma forma pela qual a governança global consiga responder às mudanças climáticas e também redefinir as transações de crédito de carbono. "As soluções não vão sair das gavetas dos tecnocratas, é preciso que o mercado aposte em diversas alternativas e a sinalização para isso se dá por meio da flexibilização das formas de redução das emissões que propiciem investimentos mais efetivos", destaca.

Fonte: Revista Envolverde

A inversão dos pólos começa a dar sinais que está próxima

LONDRES - O Pólo Norte está de mudança. Cientistas encontraram grandes buracos no campo magnético da Terra, sugerindo que os Pólos Norte e Sul estão se preparando para trocar de posição, numa guinada magnética. Um período de caos poderia ser iminente, no qual as bússolas não mais apontariam para o Norte, animais migratórios tomariam o rumo errado e satélites seriam queimados pela radiação solar.

Os buracos estão sobre o sul do Atlântico e do Ártico. As mudanças foram divulgadas depois da análise de dados detalhados do satélite dinamarquês Orsted, cujos resultados foram comparados com dados coletados antes por outros satélites.

A velocidade da mudança surpreendeu os cientistas. Nils Olsen, do Centro para a Ciência Planetária da Dinamarca, um dos vários institutos que analisam os dados, afirmou que o núcleo da Terra parece estar passando por mudanças dramáticas. "Esta poderia ser a situação na qual o geodínamo da Terra opera antes de se reverter", diz o pesquisador. O geodínamo é o processo pelo qual o campo magnético é produzido: por correntes de ferro derretido fluindo em torno de um núcleo sólido. Às vezes, turbilhões gigantes formam-se no metal líquido, com o poder de mudar ou mesmo reverter os campos magnéticos acima deles.

A equipe de Olson acredita que turbilhões se formaram sob o Pólo Norte e o sul do Atlântico. Se eles se tornarem fortes o bastante, poderão reverter todas as outras correntes, levando os pólos Norte e Sul a trocar seus lugares.

Andy Jackson, especialista em geomagnetismo da Universidade de Leeds, Inglaterra, disse que a mudança está atrasada: "Tais guinadas normalmente acontecem a cada 500 mil anos, mas já se passaram 750 mil desde a última".

Impacto - A mudança poderia afetar tanto os seres humanos quanto a vida selvagem. A magnetosfera fornece proteção vital contra a radiação solar abrasadora, que de outro modo esterilizaria a Terra. A magnetosfera é a extensão do campo magnético do planeta no espaço. Ela forma uma espécie de bolha magnética protetora, que protege a Terra das partículas e radiação trazidas pelo "vento solar".

O campo magnético provavelmente não desapareceria de uma vez, mas ele poderia enfraquecer enquanto os pólos trocam de posições. A onda de radiação resultante poderia causar câncer, reduzir as colheitas e confundir animais migratórios, das baleias aos pingüins. Muitas aves e animais marinhos se guiam pelo campo magnético da Terra para viajar de um lugar para outro.

A navegação por bússola se tornaria muito difícil. E os satélites - ferramentas alternativas de navegação e vitais para as redes de comunicação - seriam rapidamente danificados pela radiação”.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

domingo, 15 de março de 2009

Ministério da Saúde elabora lista de plantas medicinais que poderão ser utilizadas pelo SUS

Alcachofra para ajudar na digestão, aroeira-da-praia para combater inflamação vaginal e unha-de-gato para dores nas articulações. A sabedoria popular conhece há muito tempo o poder das plantas, que começa a ser comprovado cientificamente. Por isso, o Ministério da Saúde elaborou uma lista com 71 plantas que poderão gerar produtos para serem usados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O objetivo da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus) é orientar estudos que possam subsidiar a elaboração da relação de fitoterápicos disponíveis para uso da população, com segurança e eficácia para o tratamento de determinadas doenças. A relação deverá ser revisada e atualizada periodicamente.

A partir de 2009, o SUS pretende ampliar a lista de medicamentos fitoterápicos disponíveis na assistência farmacêutica básica em todo o país. Atualmente, são oferecidos fitoterápicos derivados de espinheira santa, para gastrites e úlceras, e de guaco, para tosses e gripes.

Os fitoterápicos são os medicamentos obtidos exclusivamente a partir de matérias-primas ativas vegetais. Os medicamentos fitoterápicos utilizados pelo SUS são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e considerados seguros e eficazes para a população.

O Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, instituído em dezembro de 2008, tem como objetivo inserir, com segurança, eficácia e qualidade, plantas medicinais, fitoterápicos e serviços relacionados à Fitoterapia no SUS. O programa busca também promover e reconhecer as práticas populares e tradicionais de uso de plantas medicinais e remédios caseiros.

Fonte: Ambientebrasil

terça-feira, 10 de março de 2009

Relatório identifica que o aumento do nível de CO2 na atmosfera se acelerou em 2008

O aumento de dióxido de carbono na atmosfera acelerou no ano passado, disse à Reuters nesta quarta-feira a Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.

Os novos dados podem abalar a esperança de que a desaceleração da indústria e a diminuição das emissões de carbono, que começaram no fim do ano passado, pudessem temporariamente adiar a mudança climática.

Alguns analistas esperavam que a recessão desse alguma margem para que o mundo revertesse o impacto sofrido pelo clima. Os novos dados da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, sigla em inglês para a agência dos EUA que monitora oceanos e atmosfera) mostram que os níveis de dióxido de carbono registraram aceleração leve no ano passado. Matéria de Gerard Wynn, da Agência Reuters.

“Para nós vermos (o impacto) na atmosfera, precisaríamos de uma forte queda das emissões, mas isso não aconteceu ainda e isso está muito claro a partir desses dados”, disse Thomas Conway, cientista da área de clima da NOAA que ajudou a compilar os números.

“Se a mudança nas emissões é apenas um pequeno percentual, nós não vamos ver isso na atmosfera”, disse Conway à Reuters, explicando que processos naturais, como a captura de dióxido de carbono por florestas e oceanos, mascaram pequenas mudanças nas emissões humanas, pelo menos no curto prazo.

Com a recessão, a emissão de gases-estufa pelos países desenvolvidos vai cair cerca de 2 por cento neste ano, estimam alguns analistas. O efeito poderia ser muito maior se o mundo entrasse em uma crise mais ampla ou em uma depressão.

As emissões devem continuar a crescer na China, tida por analistas como a maior emissora de carbono do mundo.

O nível de dióxido de carbono no ano passado atingiu a média global de 384,9 partes por milhão (ppm) na atmosfera, 2,2 ppm a mais que em 2007. No ano anterior, a alta havia sido de 1,8 ppm, de acordo com os dados da NOAA.

Os acréscimos anuais vinham sendo maiores na última década em comparação com os registrados nos anos 1980 e 1990, disse Conway.

A aceleração é devida principalmente ao aumento nas emissões, acrescentou, mas também pode dar apoio à hipótese de que os oceanos, que atualmente capturam grande parte do carbono emitido pelos humanos, estariam ficando saturados.

Fonte: Portal EcoDebate

Impacto de seca na Amazônia 'supera emissões' de Europa e Japão

A seca de 2005 na Amazônia teve um impacto de 5 bilhões de toneladas extras de dióxido de carbônico na atmosfera terrestre, o que supera as emissões anuais de Europa e Japão, segundo estudo coordenado pela Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra, divulgado na nova edição da revista Science.

Os cientistas afirmam que o fenômeno excepcional reverteu drasticamente o processo de absorção de carbono pela floresta, o chamado "sequestro de carbono", que vinha ocorrendo há pelo menos 25 anos e que ajudava na redução dos efeitos das mudanças climáticas.

Normalmente, a Amazônia absorve cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Mas, de acordo com o estudo, por causa da morte de árvores, a seca de 2005 fez com que essa quantidade de gás permanecesse na atmosfera e ainda levou a floresta a gerar outros 3 bilhões de toneladas.

A partir dos dados colhidos no estudo, os pesquisadores observaram que a Amazônia é "surpreendentemente sensível" à seca.

"A floresta vem ajudando a reduzir a velocidade das mudanças climáticas, mas agora vemos que confiar nesse 'subsídio' da natureza é extremamente perigoso", disse um dos coordenadores da pesquisa, Oliver Phillips, da Universidade de Leeds.

O estudo envolveu 68 cientistas de 13 países, inclusive do Brasil, que atuam na rede Rainfor, que se dedica ao monitoramento da Amazônia.

Eles aproveitaram a seca de 2005 para ter uma ideia dos efeitos que futuras mudanças climáticas poderão ter sobre a floresta.

Naquele ano, as temperaturas do Atlântico Norte permaneceram mais altas do que a média, provocando outras catástrofes naturais, como o furacão Katrina.

"Visualmente, a maior parte da floresta parecia pouco afetada pela seca, mas nossos dados mostram que a taxa de mortalidade das árvores aumentou", afirmou Phillips. "Mesmo uma pequena alteração ecológica pode provocar um grande impacto no ciclo global do carbono."

A previsão da comunidade científica é de que o aquecimento global faça subir as temperaturas do Atlântico Norte, o que por sua vez pode tornar a estação seca da Amazônia mais intensa e mais quente.

A Amazônia abriga mais da metade das florestas tropicais do mundo, e uma em cada cinco espécies do planeta.

Fonte: Ambientebrasil