WASHINGTON, EUA - A camada glacial do Ártico poderá sofrer uma redução de até 80% nos próximos 30 anos, adverte um estudo publicado nesta quinta-feira nos Estados Unidos sobre os efeitos do aquecimento global no planeta.
"A superfície do mar Ártico coberta de gelo no final do verão poderá não passar de um milhão de km2 em 2040, contra 4,6 milhões de km2 hoje", estimam os autores do estudo realizado pela Universidade do Estado de Washington e pela administração americana para a atmosfera e os oceanos (NOAA).
Os pesquisadores aplicaram modelos de previsão nos quais levam em conta as últimas evoluções da camada glacial no Ártico, que sofreu uma "redução espetacular" no final dos verões de 2007 e de 2008, quando a superfície de gelo se viu limitada a 4,3 e 4,7 milhões de km2, respectivamente.
A média destes seis modelos "permite prever um Ártico praticamente sem gelo dentro de 32 anos, revelam Muyin Wang, climatologista da Universidade de Washington, em Seattle, e o oceanógrafo do NOAA James Overland.
Segundo Wang e Overland, os modelos precedentes, elaborados em 2007, previam esta redução apenas para o final do século XXI, por volta de 2100.
"Tanta água livre poderá ser benéfica para a circulação marítima e para a extração de minerais e petróleo, mas também será um problema de adaptação do ecossistema", adverte o estudo.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Florestas bombeiam ventos pelo planeta
Meteorologistas russos acabam de publicar na revista New Scientist uma pesquisa inédita sobre um novo papel que as florestas tropicais próximas ao mar desempenham: elas geram correntes de ar que ajudam a impulsionar o fluxo hídrico no globo. Se estiver certa, a tese de Victor Gorshkov e Anastassia Makarieva, do Instituto de Física Nuclear de São Petesburgo, justificaria, entre outras coisas, como boa parte da Austrália deixou de ter densas florestas para virar um deserto. Baseados nisso, os autores sugerem até que uma parcela considerável da América do Norte poderia sofrer com a desertificação, mesmo sem aquecimento global.
De acordo com a pesquisa, as florestas podem criar ventos através do processo de condensação do vapor d’água e da umidade que vem do mar porque os gases ocupam menos espaço quando se tornam líquidos, diminuindo a pressão atmosférica no local. Já que a evaporação é maior sobre as florestas do que nos oceanos, a pressão é mais baixa em áreas de florestas litorâneas, que sugam umidade do mar. Isso forma ventos que levam essa umidade para dentro do continente, e, conforme o processo se repete, o transporte de água pode ser imenso e se estender por milhares de quilômetros. Os meteorologistas acreditam que só a Amazônia libera 20 trilhões de litros de água todos os dias.
A hipótese dos russos levanta preocupações quanto aos graves efeitos do desmatamento, mesmo localizado, sobre o transporte de água no planeta. Eles chegam a sugerir que a fragmentação florestal pode mudar por inteiro o clima num continente de úmido para árido, com um declínio de chuvas que chega a 95%. A pesquisa está sendo considerada uma das mais importantes contribuições científicas para entender os efeitos do desmatamento sobre o clima.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
De acordo com a pesquisa, as florestas podem criar ventos através do processo de condensação do vapor d’água e da umidade que vem do mar porque os gases ocupam menos espaço quando se tornam líquidos, diminuindo a pressão atmosférica no local. Já que a evaporação é maior sobre as florestas do que nos oceanos, a pressão é mais baixa em áreas de florestas litorâneas, que sugam umidade do mar. Isso forma ventos que levam essa umidade para dentro do continente, e, conforme o processo se repete, o transporte de água pode ser imenso e se estender por milhares de quilômetros. Os meteorologistas acreditam que só a Amazônia libera 20 trilhões de litros de água todos os dias.
A hipótese dos russos levanta preocupações quanto aos graves efeitos do desmatamento, mesmo localizado, sobre o transporte de água no planeta. Eles chegam a sugerir que a fragmentação florestal pode mudar por inteiro o clima num continente de úmido para árido, com um declínio de chuvas que chega a 95%. A pesquisa está sendo considerada uma das mais importantes contribuições científicas para entender os efeitos do desmatamento sobre o clima.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
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quinta-feira, 2 de abril de 2009
Crianças consumidoras: onde se quer chegar?
Por Reinaldo Canto
É interessante notar como acontecimentos inusitados imprimem em nossa vida constantes transformações, moldando nossos pensamentos e nossas ideias. A chegada de um ser especial faz tudo mudar, ou melhor, trás novos sentidos para muitas das mesmas questões.
A preocupação com a preservação ambiental, com a exaustão dos recursos naturais e com a perda da biodiversidade sempre foram encaradas, sem levar em conta a finitude da minha própria vida. A indignação com o nonsense pela forma como o ser humano tem lidado com o nosso sofrido planeta, já era motivo suficiente para fazer parte da batalha por corações e mentes em busca dessa difícil convivência entre o homem e a natureza.
Aí chega a paternidade e a visão se amplifica e ganha novos horizontes e contornos. Novas velhas perguntas passam a receber um olhar ainda mais crítico e atento: Minha filha vai crescer num planeta mais triste, com mais fome, guerras e destruição? O mundo que conhecemos hoje será muito diferente e pior de se viver daqui há 20, 30, 40 anos?
São perguntas que vêem seguidas de um arrepio na espinha ao imaginar para minha filha, que ainda não completou dois anos de idade, uma herança bastante amarga.. Fatos não faltam para fazer esse tipo de afirmação. Escassez de água e de produção de alimentos não são visões de catastrofistas de plantão, mas a pura realidade com sinais bastante claros para nenhum cartesiano colocar dúvida.
Das atuais para as próximas gerações
A esperança reside na expectativa de que, se soubermos orientar e educar as nossas crianças e jovens para frear o consumo e o desperdício desenfreado, além de respeitar as outras criaturas que habitam o planeta, estaremos contribuindo para formar as novas gerações com valores muito mais positivos em prol da sustentabilidade.. Agora, a tarefa não é nada fácil. Começando pela simples observação de que temos feito muito pouco para mudar essa realidade.
A nossa geração já tem elementos e informação suficientes sobre as graves conseqüências que a sociedade de consumo, ávida por energia e recursos naturais, vem causando notadamente nos últimos anos. Mesmo assim continua a consumir muito mais do que o planeta consegue repor. Nossos lixões e aterros sanitários, principalmente em grandes capitais brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro, entraram em colapso, como já alertou o jornalista Washington Novaes, em seus artigos no jornal O Estado de São Paulo. E, muitos desses materiais, ou melhor, pelo menos 30% de tudo o que vai abarrotar esses lixões e aterros sanitários são perfeitamente reaproveitáveis ou recicláveis e poderiam ter um destino mais nobre e reduzir os impactos ambientais causados pelas cadeias produtivas e seus consequentes descartes.
Recentemente, o escritor uruguaio Eduardo Galeano escreveu um artigo indignado contra a cultura do descartável. Galeano lembrou a sua infância e a utilização quase total de todo tipo de material. No Uruguai de 50 anos atrás, tudo era reaproveitado e até mesmo transformado em brinquedos como tampas e latas. Desperdício de alimentos, então, nem pensar. Cascas e restos de alimentos viravam doces, compotas deliciosas, o que aliás não diferencia muito das antigas estórias de muitas famílias brasileiras.
Não é que não existam mudanças ou novas atitudes em busca de um mundo mais sustentável. Aqui e ali surgem projetos dignos de nota: projetos de reciclagem, de redução de gastos de energia, de reaproveitamento de água e por aí afora. Mas convenhamos que diante do comportamento da maioria, é caminhar a passos de tartaruga, enquanto os efeitos do aquecimento global, da perda de florestas, da contaminação da água, correm a jato. Todos nós, uns mais outros menos consumimos mais do que das nossas reais necessidades e as possíveis exceções só confirmam a regra.
É exatamente aí que quero chegar: que lições estamos passando para as futuras gerações? E quais as contribuições que podemos dar aos nossos filhos?
Com certeza, o primeiro passo é ampliar nossas ações. Pensar nos 3 Rs - acrescidos de um R inicial proposto pelo Instituto Akatu pelo Consumo Consciente (Repensar; Reduzir; Reutilizar e Reciclar. Depois colocar em prática e viver uma vida mais simples e saudável.
No caso das crianças, trocar o material, ou seja, mais uma boneca, ou um novo carrinho por mais afeto e compartilhamento de momentos em família, como um passeio ao ar livre, por exemplo. Os terapeutas são unânimes em afirmar que o afeto é mais importante que o material e o contato com a natureza é a melhor maneira de fazer com que as crianças a admirem e respeitem.
Se elas vão receber um planeta mais caótico para se viver, nós temos no mínimo, o dever de orientá-las desde os seus primeiros passos. E isso, é claro, não é responsabilidade apenas dos pais, mas da escola, dos governos e também das empresas que precisam fazer a sua parte em prol de um mundo melhor.
Bombardeio publicitário
Se a vida já não parece fácil, a nossa tarefa, como pais, fica ainda mais difícil e complicada quando assistimos pasmos, a publicidade insana voltada para as crianças. São anúncios na televisão, outdoors e vitrines de supermercados que se utilizam de todos os recursos para atrair os pequenos. São brinquedos e alimentos muito atraentes na sua apresentação e pouco saudáveis em muitos sentidos, seja para o planeta, como também para a saúde das crianças. É o caso de brindes associados a alimentos industrializados e fast-foods pouco nutritivos e muito calóricos responsáveis pela incidência da obesidade infantil.
Organizações de defesa do consumidor, como o IDEC e o Instituto Alana, há tempos lutam contra a publicidade infantil que, aliás, já é proibida em muitos países desenvolvidos. Em recente entrevista, a coordenadora de educação e pesquisa do Instituto Alana, Laís Pereira, afirmou que crianças até os 12 anos ainda não formaram um pensamento crítico sendo presas fáceis da publicidade irresponsável. Outra informação da pesquisadora, que é também bastante preocupante para pais e educadores, se refere às crianças de até quatro anos de idade. Segundo ela, nessa faixa etária, a criança não distingue a diferença entre publicidade e conteúdo de um programa.
As agências de propaganda e as indústrias responsáveis por esses produtos costumam alegar que quaisquer proibições aos anúncios constituem restrições a liberdade de expressão e de informação. Não creio que isso faça sentido. Antes de mais nada essas bem vindas restrições viriam ao encontro do que estabelece o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Instrumentos do mais alto nível que vem contribuindo e muito para o aprimoramento da democracia e da cidadania em nosso país e proteger os direitos mais elementares da nossa sociedade e das nossas crianças.
Esses são apenas alguns exemplos dos enormes desafios pelos quais nós pais temos que lutar. E é evidente que tais lutas vão muito além de nossas atitudes pessoais. É preciso agir também coletivamente ao participar e enfrentar forças que, muitas vezes, tem como interesse apenas os ganhos imediatos e como resultado final, enormes prejuízos sociais. O futuro dos nossos filhos é uma boa razão para manter a espinha ereta e o olhar firme no horizonte. As crianças merecem essa chance.
* Reinaldo Canto é jornalista, ex-Diretor de Comunicação do Greenpeace e ex-Coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. BLOG – cantodasustentabilidade.zip.net
Fonte: Envolverde
É interessante notar como acontecimentos inusitados imprimem em nossa vida constantes transformações, moldando nossos pensamentos e nossas ideias. A chegada de um ser especial faz tudo mudar, ou melhor, trás novos sentidos para muitas das mesmas questões.
A preocupação com a preservação ambiental, com a exaustão dos recursos naturais e com a perda da biodiversidade sempre foram encaradas, sem levar em conta a finitude da minha própria vida. A indignação com o nonsense pela forma como o ser humano tem lidado com o nosso sofrido planeta, já era motivo suficiente para fazer parte da batalha por corações e mentes em busca dessa difícil convivência entre o homem e a natureza.
Aí chega a paternidade e a visão se amplifica e ganha novos horizontes e contornos. Novas velhas perguntas passam a receber um olhar ainda mais crítico e atento: Minha filha vai crescer num planeta mais triste, com mais fome, guerras e destruição? O mundo que conhecemos hoje será muito diferente e pior de se viver daqui há 20, 30, 40 anos?
São perguntas que vêem seguidas de um arrepio na espinha ao imaginar para minha filha, que ainda não completou dois anos de idade, uma herança bastante amarga.. Fatos não faltam para fazer esse tipo de afirmação. Escassez de água e de produção de alimentos não são visões de catastrofistas de plantão, mas a pura realidade com sinais bastante claros para nenhum cartesiano colocar dúvida.
Das atuais para as próximas gerações
A esperança reside na expectativa de que, se soubermos orientar e educar as nossas crianças e jovens para frear o consumo e o desperdício desenfreado, além de respeitar as outras criaturas que habitam o planeta, estaremos contribuindo para formar as novas gerações com valores muito mais positivos em prol da sustentabilidade.. Agora, a tarefa não é nada fácil. Começando pela simples observação de que temos feito muito pouco para mudar essa realidade.
A nossa geração já tem elementos e informação suficientes sobre as graves conseqüências que a sociedade de consumo, ávida por energia e recursos naturais, vem causando notadamente nos últimos anos. Mesmo assim continua a consumir muito mais do que o planeta consegue repor. Nossos lixões e aterros sanitários, principalmente em grandes capitais brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro, entraram em colapso, como já alertou o jornalista Washington Novaes, em seus artigos no jornal O Estado de São Paulo. E, muitos desses materiais, ou melhor, pelo menos 30% de tudo o que vai abarrotar esses lixões e aterros sanitários são perfeitamente reaproveitáveis ou recicláveis e poderiam ter um destino mais nobre e reduzir os impactos ambientais causados pelas cadeias produtivas e seus consequentes descartes.
Recentemente, o escritor uruguaio Eduardo Galeano escreveu um artigo indignado contra a cultura do descartável. Galeano lembrou a sua infância e a utilização quase total de todo tipo de material. No Uruguai de 50 anos atrás, tudo era reaproveitado e até mesmo transformado em brinquedos como tampas e latas. Desperdício de alimentos, então, nem pensar. Cascas e restos de alimentos viravam doces, compotas deliciosas, o que aliás não diferencia muito das antigas estórias de muitas famílias brasileiras.
Não é que não existam mudanças ou novas atitudes em busca de um mundo mais sustentável. Aqui e ali surgem projetos dignos de nota: projetos de reciclagem, de redução de gastos de energia, de reaproveitamento de água e por aí afora. Mas convenhamos que diante do comportamento da maioria, é caminhar a passos de tartaruga, enquanto os efeitos do aquecimento global, da perda de florestas, da contaminação da água, correm a jato. Todos nós, uns mais outros menos consumimos mais do que das nossas reais necessidades e as possíveis exceções só confirmam a regra.
É exatamente aí que quero chegar: que lições estamos passando para as futuras gerações? E quais as contribuições que podemos dar aos nossos filhos?
Com certeza, o primeiro passo é ampliar nossas ações. Pensar nos 3 Rs - acrescidos de um R inicial proposto pelo Instituto Akatu pelo Consumo Consciente (Repensar; Reduzir; Reutilizar e Reciclar. Depois colocar em prática e viver uma vida mais simples e saudável.
No caso das crianças, trocar o material, ou seja, mais uma boneca, ou um novo carrinho por mais afeto e compartilhamento de momentos em família, como um passeio ao ar livre, por exemplo. Os terapeutas são unânimes em afirmar que o afeto é mais importante que o material e o contato com a natureza é a melhor maneira de fazer com que as crianças a admirem e respeitem.
Se elas vão receber um planeta mais caótico para se viver, nós temos no mínimo, o dever de orientá-las desde os seus primeiros passos. E isso, é claro, não é responsabilidade apenas dos pais, mas da escola, dos governos e também das empresas que precisam fazer a sua parte em prol de um mundo melhor.
Bombardeio publicitário
Se a vida já não parece fácil, a nossa tarefa, como pais, fica ainda mais difícil e complicada quando assistimos pasmos, a publicidade insana voltada para as crianças. São anúncios na televisão, outdoors e vitrines de supermercados que se utilizam de todos os recursos para atrair os pequenos. São brinquedos e alimentos muito atraentes na sua apresentação e pouco saudáveis em muitos sentidos, seja para o planeta, como também para a saúde das crianças. É o caso de brindes associados a alimentos industrializados e fast-foods pouco nutritivos e muito calóricos responsáveis pela incidência da obesidade infantil.
Organizações de defesa do consumidor, como o IDEC e o Instituto Alana, há tempos lutam contra a publicidade infantil que, aliás, já é proibida em muitos países desenvolvidos. Em recente entrevista, a coordenadora de educação e pesquisa do Instituto Alana, Laís Pereira, afirmou que crianças até os 12 anos ainda não formaram um pensamento crítico sendo presas fáceis da publicidade irresponsável. Outra informação da pesquisadora, que é também bastante preocupante para pais e educadores, se refere às crianças de até quatro anos de idade. Segundo ela, nessa faixa etária, a criança não distingue a diferença entre publicidade e conteúdo de um programa.
As agências de propaganda e as indústrias responsáveis por esses produtos costumam alegar que quaisquer proibições aos anúncios constituem restrições a liberdade de expressão e de informação. Não creio que isso faça sentido. Antes de mais nada essas bem vindas restrições viriam ao encontro do que estabelece o Código de Defesa do Consumidor e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Instrumentos do mais alto nível que vem contribuindo e muito para o aprimoramento da democracia e da cidadania em nosso país e proteger os direitos mais elementares da nossa sociedade e das nossas crianças.
Esses são apenas alguns exemplos dos enormes desafios pelos quais nós pais temos que lutar. E é evidente que tais lutas vão muito além de nossas atitudes pessoais. É preciso agir também coletivamente ao participar e enfrentar forças que, muitas vezes, tem como interesse apenas os ganhos imediatos e como resultado final, enormes prejuízos sociais. O futuro dos nossos filhos é uma boa razão para manter a espinha ereta e o olhar firme no horizonte. As crianças merecem essa chance.
* Reinaldo Canto é jornalista, ex-Diretor de Comunicação do Greenpeace e ex-Coordenador de Comunicação do Instituto Akatu. BLOG – cantodasustentabilidade.zip.net
Fonte: Envolverde
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desenvolvimento sustentável
Carbono sequestrado no subsolo
2/4/2009
Agência FAPESP – O processo de remoção de dióxido de carbono, conhecido como sequestro de carbono, tem sido discutido há mais de dez anos como uma das principais alternativas para tentar controlar os níveis do gás na atmosfera e diminuir o efeito estufa e as mudanças climáticas.
Esse mecanismo ocorre naturalmente em oceanos, florestas e em outros organismos que, por meio de fotossíntese, capturam o carbono e lançam oxigênio na atmosfera.
Recentemente estudos começaram a avaliar o potencial do sequestro geológico induzido, que envolveria o desenvolvimento de tecnologias para capturar e armazenar o excesso de carbono no subsolo. Uma nova pesquisa, publicada na edição desta quinta-feira (2/4) da revista Nature, aponta um futuro promissor para essa alternativa.
Não só futuro como passado, pois o artigo destaca que há milhões de anos o dióxido de carbono tem sido armazenado seguramente junto com água subterrânea em campos de gás natural. Entretanto, conter milhões de metros cúbicos de gás carbônico em campos de petróleo ou de gás natural esgotados envolve vários riscos, como o escape do gás. Não se sabia com certeza se o gás poderia ser mantido com segurança no subsolo.
Estudos anteriores usaram modelos computacionais para simular a injeção de dióxido de carbono em reservatórios em campos de gás ou petróleo de modo a tentar identificar onde o gás poderia parar. Alguns modelos apontaram que o gás se dissolveria na água, enquanto outros estimaram que poderia reagir com minerais nas rochas de modo a formar carbonatos, terminando aprisionado.
De modo a verificar exatamente como o gás é mantido, um grupo internacional realizou simulações computacionais e em seguida mediu as taxas de isótopos estáveis de carbono e de gases nobres como hélio e neônio em nove campos de gás na América do Norte, China e Europa. Tais campos foram naturalmente preenchidos com dióxido de carbono há milhões de anos.
A conclusão é que o principal responsável pela captura eficiente, por tanto tempo, é a água. “Ao combinar as simulações com as medições locais, pudemos identificar exatamente onde o dióxido de carbono está sendo mantido. Sabíamos que gás e petróleo estavam armazenados seguramente por milhões de anos em campos de gás e petróleo. Agora, nosso estudo mostrou claramente que o dióxido de carbono tem sido contido natural e seguramente na água subterrânea nesses campos”, disse Stuart Gilfillan, das universidades de Manchester e de Edimburgo, no Reino Unido, principal autor do estudo.
Os pesquisadores apontam que estudos futuros poderão usar tal conhecimento para poder desenvolver tecnologias que permitam o armazenamento artificial do dióxido de carbono. Tais soluções precisarão ser tão eficientes como a estocagem natural, que tem resistido por muito tempo mesmo em casos extremos, como no terremoto que gerou o tsunami no Sudeste Asiático em 2004. Mesmo com uma magnitude acima de 9 na escala Richter, o evento não resultou no rompimento de depósitos geológicos naturais.
O artigo Solubility trapping in formation water as dominant CO2 sink in natural gas fields, de Stuart Gilfillan e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
Fonte: Agência FAPESP
Agência FAPESP – O processo de remoção de dióxido de carbono, conhecido como sequestro de carbono, tem sido discutido há mais de dez anos como uma das principais alternativas para tentar controlar os níveis do gás na atmosfera e diminuir o efeito estufa e as mudanças climáticas.
Esse mecanismo ocorre naturalmente em oceanos, florestas e em outros organismos que, por meio de fotossíntese, capturam o carbono e lançam oxigênio na atmosfera.
Recentemente estudos começaram a avaliar o potencial do sequestro geológico induzido, que envolveria o desenvolvimento de tecnologias para capturar e armazenar o excesso de carbono no subsolo. Uma nova pesquisa, publicada na edição desta quinta-feira (2/4) da revista Nature, aponta um futuro promissor para essa alternativa.
Não só futuro como passado, pois o artigo destaca que há milhões de anos o dióxido de carbono tem sido armazenado seguramente junto com água subterrânea em campos de gás natural. Entretanto, conter milhões de metros cúbicos de gás carbônico em campos de petróleo ou de gás natural esgotados envolve vários riscos, como o escape do gás. Não se sabia com certeza se o gás poderia ser mantido com segurança no subsolo.
Estudos anteriores usaram modelos computacionais para simular a injeção de dióxido de carbono em reservatórios em campos de gás ou petróleo de modo a tentar identificar onde o gás poderia parar. Alguns modelos apontaram que o gás se dissolveria na água, enquanto outros estimaram que poderia reagir com minerais nas rochas de modo a formar carbonatos, terminando aprisionado.
De modo a verificar exatamente como o gás é mantido, um grupo internacional realizou simulações computacionais e em seguida mediu as taxas de isótopos estáveis de carbono e de gases nobres como hélio e neônio em nove campos de gás na América do Norte, China e Europa. Tais campos foram naturalmente preenchidos com dióxido de carbono há milhões de anos.
A conclusão é que o principal responsável pela captura eficiente, por tanto tempo, é a água. “Ao combinar as simulações com as medições locais, pudemos identificar exatamente onde o dióxido de carbono está sendo mantido. Sabíamos que gás e petróleo estavam armazenados seguramente por milhões de anos em campos de gás e petróleo. Agora, nosso estudo mostrou claramente que o dióxido de carbono tem sido contido natural e seguramente na água subterrânea nesses campos”, disse Stuart Gilfillan, das universidades de Manchester e de Edimburgo, no Reino Unido, principal autor do estudo.
Os pesquisadores apontam que estudos futuros poderão usar tal conhecimento para poder desenvolver tecnologias que permitam o armazenamento artificial do dióxido de carbono. Tais soluções precisarão ser tão eficientes como a estocagem natural, que tem resistido por muito tempo mesmo em casos extremos, como no terremoto que gerou o tsunami no Sudeste Asiático em 2004. Mesmo com uma magnitude acima de 9 na escala Richter, o evento não resultou no rompimento de depósitos geológicos naturais.
O artigo Solubility trapping in formation water as dominant CO2 sink in natural gas fields, de Stuart Gilfillan e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
Fonte: Agência FAPESP
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seqüestro geológico de carbono
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Muita água, pouca água
1/4/2009
Agência FAPESP – No encerramento do mês em que se comemorou o Dia Mundial da Água (22/3), a Agência Nacional de Águas (ANA) apresentou a primeira edição do Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil.
A quantidade e a qualidade das águas brasileiras e a situação da gestão desses recursos até 2007 estão detalhadas na publicação, que deverá ser atualizada anualmente.
São apresentados dados e informações sobre precipitação, disponibilidade de águas superficiais e subterrâneas, eventos críticos, saneamento ambiental, irrigação, hidroenergia, navegação, evolução de aspectos legais e institucionais e recursos e aplicação financeira do setor.
O relatório destaca que a produção de energia elétrica instalada no Brasil cresceu pouco mais de 4% entre 2006 e 2007 e que o país conta com 28.834 quilômetros de águas navegáveis, sendo que desses apenas 8,5 mil quilômetros são navegáveis durante todo o ano – dos quais cerca de 5 mil estão na bacia Amazônica.
Estima-se que a área irrigada no Brasil seja de 4,6 milhões de hectares, o que representaria um crescimento de 50% em dez anos, a uma taxa de cerca de 150 mil hectares por ano. O país está em 16º lugar no ranking mundial, detendo pouco mais de 1% da área total irrigada no mundo.
A vazão de retirada para usos que consomem água, em 2006, foi de 1.841m³/s. Comparando esse valor com a estimativa feita para o ano de 2000 (1.592m³/s), identificou-se um acréscimo de 16% na vazão de retirada total no país.
O setor de irrigação é o que conta com a maior parcela de vazão de retirada (cerca de 47% do total). Para o abastecimento urbano são reservados 26% do total, 17% para indústria, 8% para pecuária e apenas 2% para abastecimento rural.
As regiões Amazônica, do Paraguai, do Tocantins-Araguaia e Atlântico Nordeste Ocidental apresentam situações bastante confortáveis quanto a demanda e disponibilidade, com mais de 88% de seus principais rios classificados como “excelente” e “confortável”. Na região do São Francisco, 44% dos principais rios estão na categoria “muito crítica”, “crítica” ou “preocupante”.
Dos 5.564 municípios brasileiros, 788 (14%) tiveram decretada situação de emergência devido à estiagem ou seca em 2007. De todos os municípios, 176 (3%) tiveram decretada situação de emergência devido a enchentes, inundação ou alagamentos.
Para o total de pontos em que foi feito o monitoramento com o Índice de Qualidade da Água (IQA) em 2006, observou-se uma condição ótima em 9% dos pontos, boa em 70%, razoável em 14%, ruim em 5% e péssima em 2%.
Com relação à assimilação de carga orgânica, as principais áreas críticas se localizam nas bacias do Nordeste, rios Tietê e Piracicaba (São Paulo), rio das Velhas e rio Verde Grande (Minas Gerais), rio Iguaçu (Paraná), rio Meia Ponte (Goiás), rio dos Sinos (Rio Grande do Sul) e rio Anhanduí (Mato Grosso do Sul).
O relatório está disponível em: http://conjuntura.ana.gov.br).
Fonte: Agência FAPESP
Agência FAPESP – No encerramento do mês em que se comemorou o Dia Mundial da Água (22/3), a Agência Nacional de Águas (ANA) apresentou a primeira edição do Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil.
A quantidade e a qualidade das águas brasileiras e a situação da gestão desses recursos até 2007 estão detalhadas na publicação, que deverá ser atualizada anualmente.
São apresentados dados e informações sobre precipitação, disponibilidade de águas superficiais e subterrâneas, eventos críticos, saneamento ambiental, irrigação, hidroenergia, navegação, evolução de aspectos legais e institucionais e recursos e aplicação financeira do setor.
O relatório destaca que a produção de energia elétrica instalada no Brasil cresceu pouco mais de 4% entre 2006 e 2007 e que o país conta com 28.834 quilômetros de águas navegáveis, sendo que desses apenas 8,5 mil quilômetros são navegáveis durante todo o ano – dos quais cerca de 5 mil estão na bacia Amazônica.
Estima-se que a área irrigada no Brasil seja de 4,6 milhões de hectares, o que representaria um crescimento de 50% em dez anos, a uma taxa de cerca de 150 mil hectares por ano. O país está em 16º lugar no ranking mundial, detendo pouco mais de 1% da área total irrigada no mundo.
A vazão de retirada para usos que consomem água, em 2006, foi de 1.841m³/s. Comparando esse valor com a estimativa feita para o ano de 2000 (1.592m³/s), identificou-se um acréscimo de 16% na vazão de retirada total no país.
O setor de irrigação é o que conta com a maior parcela de vazão de retirada (cerca de 47% do total). Para o abastecimento urbano são reservados 26% do total, 17% para indústria, 8% para pecuária e apenas 2% para abastecimento rural.
As regiões Amazônica, do Paraguai, do Tocantins-Araguaia e Atlântico Nordeste Ocidental apresentam situações bastante confortáveis quanto a demanda e disponibilidade, com mais de 88% de seus principais rios classificados como “excelente” e “confortável”. Na região do São Francisco, 44% dos principais rios estão na categoria “muito crítica”, “crítica” ou “preocupante”.
Dos 5.564 municípios brasileiros, 788 (14%) tiveram decretada situação de emergência devido à estiagem ou seca em 2007. De todos os municípios, 176 (3%) tiveram decretada situação de emergência devido a enchentes, inundação ou alagamentos.
Para o total de pontos em que foi feito o monitoramento com o Índice de Qualidade da Água (IQA) em 2006, observou-se uma condição ótima em 9% dos pontos, boa em 70%, razoável em 14%, ruim em 5% e péssima em 2%.
Com relação à assimilação de carga orgânica, as principais áreas críticas se localizam nas bacias do Nordeste, rios Tietê e Piracicaba (São Paulo), rio das Velhas e rio Verde Grande (Minas Gerais), rio Iguaçu (Paraná), rio Meia Ponte (Goiás), rio dos Sinos (Rio Grande do Sul) e rio Anhanduí (Mato Grosso do Sul).
O relatório está disponível em: http://conjuntura.ana.gov.br).
Fonte: Agência FAPESP
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segunda-feira, 30 de março de 2009
Desmatamento irreversível?
Áreas desmatadas da floresta amazônica no Mato Grosso podem não se regenerar e virar savanas.
O Mato Grosso, estado brasileiro que responde por quase 50% do desflorestamento de toda a região amazônica, pode não conseguir regenerar a floresta tropical desmatada em seu território e, assim, caminhar diretamente para um processo de savanização. O alerta, fruto de estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), indica maior urgência para a preservação do norte do estado.
Os resultados da pesquisa, publicados na última edição do periódico Journal of Geophysical Research, foram obtidos a partir de dados de um modelo que analisou o poder de recuperação da floresta em diferentes cenários de devastação. Segundo a meteorologista Mônica Senna, uma das autoras do artigo, o objetivo inicial do estudo era tentar descobrir se havia um limite máximo de desmatamento que não provocasse interferências prejudiciais na regeneração da floresta.
Para realizar a análise, a equipe abasteceu o modelo não apenas com dados sobre desmatamento. Pela primeira vez em estudos sobre o processo de savanização da Amazônia, foi considerado o fato de o solo amazônico ser, por si só, pobre em nutrientes.
Os pesquisadores simularam situações com diferentes taxas de desmatamento – de zero a 100% – e adicionaram informações sobre a deficiência nutricional do solo para analisar a influência desse fator na recuperação florestal. “O modelo nos mostrou que a deficiência nutricional do solo torna a regeneração da floresta bem mais lenta”, relata Senna.
O estudo revelou também que, a partir de 40% de desmatamento na floresta amazônica, há uma drástica redução na ocorrência de chuvas na região, o que limita ainda mais a regeneração florestal. “No norte do Mato Grosso, por exemplo, o grau de recuperação é nulo”, alerta a pesquisadora.
Estado mais seco por natureza
Mas por que o Mato Grosso apresenta essa falta de capacidade para recuperar áreas desmatadas? Segundo Senna, o motivo é o fato de o estado ter, diferentemente de outros pontos da Amazônia, uma estação seca bem definida.
O modelo mostrou que o desmatamento na região diminui ainda mais a ocorrência de chuvas e estende a estação seca de quatro para cinco meses. “Mesmo nos meses chuvosos, a intensidade das chuvas diminui”, completa a meteorologista. Esses fatores seriam suficientes para impedir a regeneração da floresta.
Diferentemente dos resultados da equipe da UFV, pesquisas anteriores apontam que a savanização poderia ocorrer em todo o território amazônico. É o caso de um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que, além do desmatamento, considerou o aquecimento global. Em um cenário otimista, com aumento de temperatura de até 3 °C e desflorestamento de, no máximo, 40% até 2050, a savana cresceria 170% na região e apenas 66,2% da floresta tropical desmatada seria capaz de se regenerar.
“Como o modelo que utilizamos não trabalha com todos os fatores possíveis, não podemos descartar a savanização da Amazônia inteira”, afirma Senna. Segundo ela, o aquecimento global, as concentrações de gás carbônico na atmosfera e a ocorrência de incêndios, entre outros aspectos, também devem ser considerados em futuros estudos.
“Levando em conta apenas o desmatamento, o fator climático e o solo pobre em nutrientes, podemos apontar a possibilidade de savanização somente no norte do Mato Grosso”, enfatiza a pesquisadora. “Mas são necessários mais estudos de campo para confirmar as conclusões do modelo climático”, completa.
A savanização de parte da Amazônia acarretaria uma perda significativa de biodiversidade na região, já que a adaptação de espécies a um novo ecossistema demora séculos ou até milênios. “Portanto, o desmatamento no Mato Grosso deve receber mais atenção das autoridades, pois a maior sensibilidade climática da região pode fazer com que ela em breve deixe de ser abrigo para milhares de espécies da floresta tropical”, conclui a meteorologista.
Isabela Fraga
Ciência Hoje On-line
26/03/2009
O Mato Grosso, estado brasileiro que responde por quase 50% do desflorestamento de toda a região amazônica, pode não conseguir regenerar a floresta tropical desmatada em seu território e, assim, caminhar diretamente para um processo de savanização. O alerta, fruto de estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), indica maior urgência para a preservação do norte do estado.
Os resultados da pesquisa, publicados na última edição do periódico Journal of Geophysical Research, foram obtidos a partir de dados de um modelo que analisou o poder de recuperação da floresta em diferentes cenários de devastação. Segundo a meteorologista Mônica Senna, uma das autoras do artigo, o objetivo inicial do estudo era tentar descobrir se havia um limite máximo de desmatamento que não provocasse interferências prejudiciais na regeneração da floresta.
Para realizar a análise, a equipe abasteceu o modelo não apenas com dados sobre desmatamento. Pela primeira vez em estudos sobre o processo de savanização da Amazônia, foi considerado o fato de o solo amazônico ser, por si só, pobre em nutrientes.
Os pesquisadores simularam situações com diferentes taxas de desmatamento – de zero a 100% – e adicionaram informações sobre a deficiência nutricional do solo para analisar a influência desse fator na recuperação florestal. “O modelo nos mostrou que a deficiência nutricional do solo torna a regeneração da floresta bem mais lenta”, relata Senna.
O estudo revelou também que, a partir de 40% de desmatamento na floresta amazônica, há uma drástica redução na ocorrência de chuvas na região, o que limita ainda mais a regeneração florestal. “No norte do Mato Grosso, por exemplo, o grau de recuperação é nulo”, alerta a pesquisadora.
Estado mais seco por natureza
Mas por que o Mato Grosso apresenta essa falta de capacidade para recuperar áreas desmatadas? Segundo Senna, o motivo é o fato de o estado ter, diferentemente de outros pontos da Amazônia, uma estação seca bem definida.
O modelo mostrou que o desmatamento na região diminui ainda mais a ocorrência de chuvas e estende a estação seca de quatro para cinco meses. “Mesmo nos meses chuvosos, a intensidade das chuvas diminui”, completa a meteorologista. Esses fatores seriam suficientes para impedir a regeneração da floresta.
Diferentemente dos resultados da equipe da UFV, pesquisas anteriores apontam que a savanização poderia ocorrer em todo o território amazônico. É o caso de um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que, além do desmatamento, considerou o aquecimento global. Em um cenário otimista, com aumento de temperatura de até 3 °C e desflorestamento de, no máximo, 40% até 2050, a savana cresceria 170% na região e apenas 66,2% da floresta tropical desmatada seria capaz de se regenerar.
“Como o modelo que utilizamos não trabalha com todos os fatores possíveis, não podemos descartar a savanização da Amazônia inteira”, afirma Senna. Segundo ela, o aquecimento global, as concentrações de gás carbônico na atmosfera e a ocorrência de incêndios, entre outros aspectos, também devem ser considerados em futuros estudos.
“Levando em conta apenas o desmatamento, o fator climático e o solo pobre em nutrientes, podemos apontar a possibilidade de savanização somente no norte do Mato Grosso”, enfatiza a pesquisadora. “Mas são necessários mais estudos de campo para confirmar as conclusões do modelo climático”, completa.
A savanização de parte da Amazônia acarretaria uma perda significativa de biodiversidade na região, já que a adaptação de espécies a um novo ecossistema demora séculos ou até milênios. “Portanto, o desmatamento no Mato Grosso deve receber mais atenção das autoridades, pois a maior sensibilidade climática da região pode fazer com que ela em breve deixe de ser abrigo para milhares de espécies da floresta tropical”, conclui a meteorologista.
Isabela Fraga
Ciência Hoje On-line
26/03/2009
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Poeira do aquecimento
30/3/2009
Agência FAPESP – A recente tendência de aquecimento observada no Oceano Atlântico se deve em grande parte a reduções nas quantidades de poeira e de emissões vulcânicas nos últimos 30 anos, segundo estudo publicado no site da revista Science.
Desde 1980, a temperatura no Atlântico Norte tem aumentado em média 0,25 ºC por década. O número pode parecer pequeno, mas tem grande impacto em furacões, que preferem águas mais quentes. Um exemplo: 2005 teve recorde no número de furacões, enquanto em 1994 foram poucos eventos, mas a diferença na temperatura oceânica entre os dois anos foi de apenas 1 ºC.
De acordo com a pesquisa, feita por cientistas da Universidade de Wisconsin em Madison e da Administração Nacional do Oceano e Atmosfera (Noaa), nos Estados Unidos, mais de dois terços dessa tendência de aquecimento podem ser atribuídas a alterações em tempestades de poeira na África e à atividade vulcânica nos trópicos no período.
Os autores do estudo haviam mostrado anteriormente que a poeira vinda da África e outras partículas suspensas na atmosfera podem reduzir a atividade de furacões por meio da diminuição da luz solar que chega ao oceano, mantendo a superfície mais fria. Ou seja, anos com mais poeira implicam menos furacões.
Os pesquisadores combinaram dados obtidos por satélites de aerossóis (material particulado suspenso na atmosfera) com modelos climáticos para avaliar o efeito na temperatura oceânica. Eles calcularam quanto do aquecimento no Atlântico observado desde 1980 foi devido a mudanças em tempestades de poeira e na atividade vulcânica, especialmente as erupções do El Chichón, no México, em 1982, e do Pinatubo, nas Filipinas, em 1991.
A conclusão foi que o efeito foi muito maior do que se esperava. “Grande parte da tendência de aquecimento no padrão a longo prazo pode ser explicada por esses fatores. Cerca de 70% é resultado da combinação de poeira e vulcões e aproximadamente 25% se devem apenas a tempestades de areia”, disse Amato Evan, da Universidade de Wisconsin, principal autor do estudo.
Os resultados indicam, portanto, que apenas 30% dos aumentos na temperatura no Atlântico Norte são devidos a outros fatores. Embora não desconte a importância do aquecimento global, Evan aponta que o estudo faz com que o impacto desse fator no Atlântico esteja mais em conformidade com o menor aquecimento verificado no Pacífico.
“Faz sentido, porque não esperávamos que o aquecimento global fizesse com que a temperatura oceânica se aquecesse tanto em tão pouco tempo”, disse.
De acordo com o cientista, vulcões são naturalmente imprevisíveis e, portanto, difíceis de serem incluídos em modelos climáticos, mas novos modelos deverão levar em conta a importância de tempestades de areia como um fator para prever acuradamente como as temperaturas oceânicas vão se alterar.
O artigo The role of aerosols in the evolution of tropical North Atlantic Ocean temperature anomalies, de Amato Evan e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.
Fonte: Agência FAPESP
Agência FAPESP – A recente tendência de aquecimento observada no Oceano Atlântico se deve em grande parte a reduções nas quantidades de poeira e de emissões vulcânicas nos últimos 30 anos, segundo estudo publicado no site da revista Science.
Desde 1980, a temperatura no Atlântico Norte tem aumentado em média 0,25 ºC por década. O número pode parecer pequeno, mas tem grande impacto em furacões, que preferem águas mais quentes. Um exemplo: 2005 teve recorde no número de furacões, enquanto em 1994 foram poucos eventos, mas a diferença na temperatura oceânica entre os dois anos foi de apenas 1 ºC.
De acordo com a pesquisa, feita por cientistas da Universidade de Wisconsin em Madison e da Administração Nacional do Oceano e Atmosfera (Noaa), nos Estados Unidos, mais de dois terços dessa tendência de aquecimento podem ser atribuídas a alterações em tempestades de poeira na África e à atividade vulcânica nos trópicos no período.
Os autores do estudo haviam mostrado anteriormente que a poeira vinda da África e outras partículas suspensas na atmosfera podem reduzir a atividade de furacões por meio da diminuição da luz solar que chega ao oceano, mantendo a superfície mais fria. Ou seja, anos com mais poeira implicam menos furacões.
Os pesquisadores combinaram dados obtidos por satélites de aerossóis (material particulado suspenso na atmosfera) com modelos climáticos para avaliar o efeito na temperatura oceânica. Eles calcularam quanto do aquecimento no Atlântico observado desde 1980 foi devido a mudanças em tempestades de poeira e na atividade vulcânica, especialmente as erupções do El Chichón, no México, em 1982, e do Pinatubo, nas Filipinas, em 1991.
A conclusão foi que o efeito foi muito maior do que se esperava. “Grande parte da tendência de aquecimento no padrão a longo prazo pode ser explicada por esses fatores. Cerca de 70% é resultado da combinação de poeira e vulcões e aproximadamente 25% se devem apenas a tempestades de areia”, disse Amato Evan, da Universidade de Wisconsin, principal autor do estudo.
Os resultados indicam, portanto, que apenas 30% dos aumentos na temperatura no Atlântico Norte são devidos a outros fatores. Embora não desconte a importância do aquecimento global, Evan aponta que o estudo faz com que o impacto desse fator no Atlântico esteja mais em conformidade com o menor aquecimento verificado no Pacífico.
“Faz sentido, porque não esperávamos que o aquecimento global fizesse com que a temperatura oceânica se aquecesse tanto em tão pouco tempo”, disse.
De acordo com o cientista, vulcões são naturalmente imprevisíveis e, portanto, difíceis de serem incluídos em modelos climáticos, mas novos modelos deverão levar em conta a importância de tempestades de areia como um fator para prever acuradamente como as temperaturas oceânicas vão se alterar.
O artigo The role of aerosols in the evolution of tropical North Atlantic Ocean temperature anomalies, de Amato Evan e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.
Fonte: Agência FAPESP
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sábado, 28 de março de 2009
PIB verde pode se tornar uma realidade
Por Redação da Revista Idéia Socioambiental
Diante da pressão crescente por mecanismos que contemplem as externalidades das atividades econômico-financeiras, as ciências contábeis começam a rever suas práticas e conceitos. Muitos profissionais da área têm dedicado esforços para integrar as variáveis ambientais e sociais aos mecanismos de aferição do patrimônio das nações, criando ferramentas mais completas do que o Produto Interno Bruto (PIB) .
Partindo da premissa de que a forma como uma nação gerencia seus recursos naturais afetará seu desenvolvimento, pesquisadores da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI) elaboraram uma metodologia para mensurar o patrimônio ambiental dos países. "É uma falta de inteligência pensar que maximizar o lucro de uma forma exponencial sem fim e continuar gerando toda a depredação do meio ambiente, os problemas sociais, a distribuição de renda, não vai interferir diretamente na sociedade", avalia José Roberto Kassai, professor da FIPECAFI, que juntamente com Nelson Carvalho, elaborou o estudo intitulado Balanço das Nações.
Até pouco tempo atrás, a ideia de incluir os recursos naturais na contabilidade das nações parecia uma possibilidade distante. Esse cenário começou a se modificar com a perspectiva ameaçadora das mudanças climáticas e do crescimento populacional - segundo estimativas, pode-se chegar a 9 bilhões de pessoas em algumas décadas, uma média de aumento de 1 bilhão a cada 15 anos. Diante dessa tendência, o desenvolvimento das nações será determinado pelo manejo inteligente dos recursos naturais, habilidade que depende de dados concretos quanto à disponibilidade dos ativos ambientais.
No cenário provável de 2020, de acordo com o estudo, apenas Brasil e Rússia apresentarão patrimônios líquidos "positivos", enquanto os demais países produzirão além do que deveriam. Nesse contexto, a situação geral do mundo será negativa, com um valor deficitário em torno de quatro US$ 3 trilhões.
Por volta de 2050, Brasil e Rússia confirmarão a situação favorável com saldos excedentes de carbono e evidenciarão a importância de suas florestas no cenário global. Já o déficit mundial será elevado para US$ 15,3 trilhões . Nesse contexto - destaca o estudo -, a situação mundial piorará 298%. Enquanto Brasil e Rússia sustentarão uma situação favorável, China e EUA se destacarão como os maiores emissores de carbono e de patrimônio líquido ambiental negativo.
Apesar do cenário pessimista, o Balanço das Nações demonstrou que o déficit global do planeta representa 23,7% do PIB, número que dá espaço para ações corretivas.
Os resultados da pesquisa sinalizam a urgência da transição para uma economia de baixo carbono. Diante do cenário que se visualiza, ou os ecossistemas têm uma recuperação eficiente, ou haverá um ajuste natural da população para cerca de 1 bilhão de habitantes - uma redução de 8 bilhões, considerando que a escassez de recursos prejudicaria a espécie humana.
Considerando a rigidez e inércia apresentadas pelo sistema energético padrão, a pesquisa destaca que não há espaço para uma grande ruptura de modelo. Assim, o estudo toma as condições atuais como referência para os próximos anos, reforçando que - com o aumento no preço do petróleo - se observará um crescimento no mercado de energias alternativas.
Metodologia inovadora
Para compor a base de dados do Balanço das Nações foram incluídos representantes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China) e de países desenvolvidos como Estados Unidos, Alemanha e Japão.
De acordo com Kassai, o maior desafio na concepção do estudo foi justamente quebrar os próprios conceitos e preconceitos da contabilidade. "Ao reunir profissionais de contábeis percebemos a necessidade de buscar conhecimentos e teorias em outras áreas. Acabamos chegando à conclusão de que a contabilidade só pode sobreviver se tornando interdisciplinar", avalia.
A pesquisa se dividiu em três fases. Na primeira, os saldos residuais de carbono de cada país foram apurados e convertidos para o valor em dólares. Em seguida, o PIB de cada nação foi transformado em unidades equivalentes per capita de número de habitantes e de consumo médio de energia em TEP (tonelada equivalente de petróleo). A última etapa consistiu no fechamento dos balanços contábeis dos países pela técnica de balanço perguntado, um levantamento das informações a partir de questionário que permite diagnosticar a situação financeira.
Após essa fase, os pesquisadores utilizaram a fórmula padrão da contabilidade: ativo menos passivo igual a patrimônio líquido. O ativo foi representado pelo PIB equivalente em dólares per capita; o passivo, pela obrigação ambiental de cada cidadão na meta de redução de carbono; e o patrimônio líquido diz respeito ao saldo residual - superavitário ou deficitário - de cada cidadão ou país em relação às outras nações (Veja quadro).
De acordo com o Balanço das Nações, os sistemas de contas nacionais ainda são incompletos em relação à avaliação dos recursos naturais. O melhor exemplo dessa deficiência é o PIB - Produto Interno Bruto, que não reconhece tais aspectos. Para o economista Sérgio Besserman Vianna, o cálculo do PIB apresenta questionamentos desde que foi criado. "A rigor, os trabalhos para que houvesse contas nacionais em condições de emitir a produção das riquezas de um país se dirigia para o produto interno líquido (PIL) que considerava as amortizações e tornava o cálculo muito complexo. Além disso, havia uma correlação muito forte na evolução do PIB e do PIL. Então optou-se pelo primeiro. Em seguida, houve a percepção do problema da não inclusão dos custos de recursos naturais", explica.
Uma alternativa que tem sido discutida para resolver esse impasse é o chamado PIB verde que oferece um bottom line pelo qual é possível avaliar o quanto os mercados consumidores afetam bens públicos - destaca o Balanço das Nações - permitindo comparabilidade entre períodos para uma mesma nação e entre nações em quaisquer períodos.
Dessa forma, o PIB verde contabiliza todos os bens e serviços públicos, em valores não monetários, como a quantidade de água potável ou o tamanho das áreas verdes de uma cidade.
O patrimônio líquido ambiental (PLA), proposto pelo Balanço das Nações, seria uma forma de avaliação do PIB verde. "Atualmente é moda criticar o PIB, o que se mostra fácil porque a medida permanece até hoje e se manteve forte por longa data. O ponto positivo é que as sociedades estão começando a despertar para uma nova necessidade não apenas centrada no poder econômico", pondera Kassai, autor do estudo.
Governança climática
De acordo com o Balanço das Nações, o lucro com reputação ambiental deve constituir uma nova tendência para a economia nos próximos anos, com base em aspectos como precificação do carbono, investimento em tecnologias de eficiência energética e mudança no atual comportamental do consumo.
Para Besserman, a primeira questão que se coloca nesse contexto, antes mesmo de mensurar, é considerar os custos ambientais na tomada de decisões. Isso ocorrerá primeiramente em relação aos gases de efeito estufa.Segundo o economista, o Brasil já deu um passo importante na direção da redução de CO2 estabelecendo metas para diminuir o desmatamento. No entanto, não manteve outras ações paralelas para ter benefícios concretos. No plano energético, por exemplo, o papel das termoelétricas que utilizam combustíveis fósseis mais do que compensa a redução das emissões presentes nas metas de desmatamento.
"O Brasil deveria se posicionar para não perder uma grande oportunidade. Na expressão do professor Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), dado que agenda do século XXI inclui obrigatoriamente o tema sustentabilidade como prioridade, o Brasil poderia se posicionar como potência ambiental", destaca o economista.
No contexto mundial, Viana apresenta ressalvas aos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e seqüestro de carbono por meio de projetos de reflorestamento e manutenção florestal.
Segundo ele, é necessário estabelecer - em Copenhague ou por meio do G20 - uma forma pela qual a governança global consiga responder às mudanças climáticas e também redefinir as transações de crédito de carbono. "As soluções não vão sair das gavetas dos tecnocratas, é preciso que o mercado aposte em diversas alternativas e a sinalização para isso se dá por meio da flexibilização das formas de redução das emissões que propiciem investimentos mais efetivos", destaca.
Fonte: Revista Envolverde
Diante da pressão crescente por mecanismos que contemplem as externalidades das atividades econômico-financeiras, as ciências contábeis começam a rever suas práticas e conceitos. Muitos profissionais da área têm dedicado esforços para integrar as variáveis ambientais e sociais aos mecanismos de aferição do patrimônio das nações, criando ferramentas mais completas do que o Produto Interno Bruto (PIB) .
Partindo da premissa de que a forma como uma nação gerencia seus recursos naturais afetará seu desenvolvimento, pesquisadores da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI) elaboraram uma metodologia para mensurar o patrimônio ambiental dos países. "É uma falta de inteligência pensar que maximizar o lucro de uma forma exponencial sem fim e continuar gerando toda a depredação do meio ambiente, os problemas sociais, a distribuição de renda, não vai interferir diretamente na sociedade", avalia José Roberto Kassai, professor da FIPECAFI, que juntamente com Nelson Carvalho, elaborou o estudo intitulado Balanço das Nações.
Até pouco tempo atrás, a ideia de incluir os recursos naturais na contabilidade das nações parecia uma possibilidade distante. Esse cenário começou a se modificar com a perspectiva ameaçadora das mudanças climáticas e do crescimento populacional - segundo estimativas, pode-se chegar a 9 bilhões de pessoas em algumas décadas, uma média de aumento de 1 bilhão a cada 15 anos. Diante dessa tendência, o desenvolvimento das nações será determinado pelo manejo inteligente dos recursos naturais, habilidade que depende de dados concretos quanto à disponibilidade dos ativos ambientais.
No cenário provável de 2020, de acordo com o estudo, apenas Brasil e Rússia apresentarão patrimônios líquidos "positivos", enquanto os demais países produzirão além do que deveriam. Nesse contexto, a situação geral do mundo será negativa, com um valor deficitário em torno de quatro US$ 3 trilhões.
Por volta de 2050, Brasil e Rússia confirmarão a situação favorável com saldos excedentes de carbono e evidenciarão a importância de suas florestas no cenário global. Já o déficit mundial será elevado para US$ 15,3 trilhões . Nesse contexto - destaca o estudo -, a situação mundial piorará 298%. Enquanto Brasil e Rússia sustentarão uma situação favorável, China e EUA se destacarão como os maiores emissores de carbono e de patrimônio líquido ambiental negativo.
Apesar do cenário pessimista, o Balanço das Nações demonstrou que o déficit global do planeta representa 23,7% do PIB, número que dá espaço para ações corretivas.
Os resultados da pesquisa sinalizam a urgência da transição para uma economia de baixo carbono. Diante do cenário que se visualiza, ou os ecossistemas têm uma recuperação eficiente, ou haverá um ajuste natural da população para cerca de 1 bilhão de habitantes - uma redução de 8 bilhões, considerando que a escassez de recursos prejudicaria a espécie humana.
Considerando a rigidez e inércia apresentadas pelo sistema energético padrão, a pesquisa destaca que não há espaço para uma grande ruptura de modelo. Assim, o estudo toma as condições atuais como referência para os próximos anos, reforçando que - com o aumento no preço do petróleo - se observará um crescimento no mercado de energias alternativas.
Metodologia inovadora
Para compor a base de dados do Balanço das Nações foram incluídos representantes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China) e de países desenvolvidos como Estados Unidos, Alemanha e Japão.
De acordo com Kassai, o maior desafio na concepção do estudo foi justamente quebrar os próprios conceitos e preconceitos da contabilidade. "Ao reunir profissionais de contábeis percebemos a necessidade de buscar conhecimentos e teorias em outras áreas. Acabamos chegando à conclusão de que a contabilidade só pode sobreviver se tornando interdisciplinar", avalia.
A pesquisa se dividiu em três fases. Na primeira, os saldos residuais de carbono de cada país foram apurados e convertidos para o valor em dólares. Em seguida, o PIB de cada nação foi transformado em unidades equivalentes per capita de número de habitantes e de consumo médio de energia em TEP (tonelada equivalente de petróleo). A última etapa consistiu no fechamento dos balanços contábeis dos países pela técnica de balanço perguntado, um levantamento das informações a partir de questionário que permite diagnosticar a situação financeira.
Após essa fase, os pesquisadores utilizaram a fórmula padrão da contabilidade: ativo menos passivo igual a patrimônio líquido. O ativo foi representado pelo PIB equivalente em dólares per capita; o passivo, pela obrigação ambiental de cada cidadão na meta de redução de carbono; e o patrimônio líquido diz respeito ao saldo residual - superavitário ou deficitário - de cada cidadão ou país em relação às outras nações (Veja quadro).
De acordo com o Balanço das Nações, os sistemas de contas nacionais ainda são incompletos em relação à avaliação dos recursos naturais. O melhor exemplo dessa deficiência é o PIB - Produto Interno Bruto, que não reconhece tais aspectos. Para o economista Sérgio Besserman Vianna, o cálculo do PIB apresenta questionamentos desde que foi criado. "A rigor, os trabalhos para que houvesse contas nacionais em condições de emitir a produção das riquezas de um país se dirigia para o produto interno líquido (PIL) que considerava as amortizações e tornava o cálculo muito complexo. Além disso, havia uma correlação muito forte na evolução do PIB e do PIL. Então optou-se pelo primeiro. Em seguida, houve a percepção do problema da não inclusão dos custos de recursos naturais", explica.
Uma alternativa que tem sido discutida para resolver esse impasse é o chamado PIB verde que oferece um bottom line pelo qual é possível avaliar o quanto os mercados consumidores afetam bens públicos - destaca o Balanço das Nações - permitindo comparabilidade entre períodos para uma mesma nação e entre nações em quaisquer períodos.
Dessa forma, o PIB verde contabiliza todos os bens e serviços públicos, em valores não monetários, como a quantidade de água potável ou o tamanho das áreas verdes de uma cidade.
O patrimônio líquido ambiental (PLA), proposto pelo Balanço das Nações, seria uma forma de avaliação do PIB verde. "Atualmente é moda criticar o PIB, o que se mostra fácil porque a medida permanece até hoje e se manteve forte por longa data. O ponto positivo é que as sociedades estão começando a despertar para uma nova necessidade não apenas centrada no poder econômico", pondera Kassai, autor do estudo.
Governança climática
De acordo com o Balanço das Nações, o lucro com reputação ambiental deve constituir uma nova tendência para a economia nos próximos anos, com base em aspectos como precificação do carbono, investimento em tecnologias de eficiência energética e mudança no atual comportamental do consumo.
Para Besserman, a primeira questão que se coloca nesse contexto, antes mesmo de mensurar, é considerar os custos ambientais na tomada de decisões. Isso ocorrerá primeiramente em relação aos gases de efeito estufa.Segundo o economista, o Brasil já deu um passo importante na direção da redução de CO2 estabelecendo metas para diminuir o desmatamento. No entanto, não manteve outras ações paralelas para ter benefícios concretos. No plano energético, por exemplo, o papel das termoelétricas que utilizam combustíveis fósseis mais do que compensa a redução das emissões presentes nas metas de desmatamento.
"O Brasil deveria se posicionar para não perder uma grande oportunidade. Na expressão do professor Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), dado que agenda do século XXI inclui obrigatoriamente o tema sustentabilidade como prioridade, o Brasil poderia se posicionar como potência ambiental", destaca o economista.
No contexto mundial, Viana apresenta ressalvas aos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e seqüestro de carbono por meio de projetos de reflorestamento e manutenção florestal.
Segundo ele, é necessário estabelecer - em Copenhague ou por meio do G20 - uma forma pela qual a governança global consiga responder às mudanças climáticas e também redefinir as transações de crédito de carbono. "As soluções não vão sair das gavetas dos tecnocratas, é preciso que o mercado aposte em diversas alternativas e a sinalização para isso se dá por meio da flexibilização das formas de redução das emissões que propiciem investimentos mais efetivos", destaca.
Fonte: Revista Envolverde
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A inversão dos pólos começa a dar sinais que está próxima
LONDRES - O Pólo Norte está de mudança. Cientistas encontraram grandes buracos no campo magnético da Terra, sugerindo que os Pólos Norte e Sul estão se preparando para trocar de posição, numa guinada magnética. Um período de caos poderia ser iminente, no qual as bússolas não mais apontariam para o Norte, animais migratórios tomariam o rumo errado e satélites seriam queimados pela radiação solar.
Os buracos estão sobre o sul do Atlântico e do Ártico. As mudanças foram divulgadas depois da análise de dados detalhados do satélite dinamarquês Orsted, cujos resultados foram comparados com dados coletados antes por outros satélites.
A velocidade da mudança surpreendeu os cientistas. Nils Olsen, do Centro para a Ciência Planetária da Dinamarca, um dos vários institutos que analisam os dados, afirmou que o núcleo da Terra parece estar passando por mudanças dramáticas. "Esta poderia ser a situação na qual o geodínamo da Terra opera antes de se reverter", diz o pesquisador. O geodínamo é o processo pelo qual o campo magnético é produzido: por correntes de ferro derretido fluindo em torno de um núcleo sólido. Às vezes, turbilhões gigantes formam-se no metal líquido, com o poder de mudar ou mesmo reverter os campos magnéticos acima deles.
A equipe de Olson acredita que turbilhões se formaram sob o Pólo Norte e o sul do Atlântico. Se eles se tornarem fortes o bastante, poderão reverter todas as outras correntes, levando os pólos Norte e Sul a trocar seus lugares.
Andy Jackson, especialista em geomagnetismo da Universidade de Leeds, Inglaterra, disse que a mudança está atrasada: "Tais guinadas normalmente acontecem a cada 500 mil anos, mas já se passaram 750 mil desde a última".
Impacto - A mudança poderia afetar tanto os seres humanos quanto a vida selvagem. A magnetosfera fornece proteção vital contra a radiação solar abrasadora, que de outro modo esterilizaria a Terra. A magnetosfera é a extensão do campo magnético do planeta no espaço. Ela forma uma espécie de bolha magnética protetora, que protege a Terra das partículas e radiação trazidas pelo "vento solar".
O campo magnético provavelmente não desapareceria de uma vez, mas ele poderia enfraquecer enquanto os pólos trocam de posições. A onda de radiação resultante poderia causar câncer, reduzir as colheitas e confundir animais migratórios, das baleias aos pingüins. Muitas aves e animais marinhos se guiam pelo campo magnético da Terra para viajar de um lugar para outro.
A navegação por bússola se tornaria muito difícil. E os satélites - ferramentas alternativas de navegação e vitais para as redes de comunicação - seriam rapidamente danificados pela radiação”.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
Os buracos estão sobre o sul do Atlântico e do Ártico. As mudanças foram divulgadas depois da análise de dados detalhados do satélite dinamarquês Orsted, cujos resultados foram comparados com dados coletados antes por outros satélites.
A velocidade da mudança surpreendeu os cientistas. Nils Olsen, do Centro para a Ciência Planetária da Dinamarca, um dos vários institutos que analisam os dados, afirmou que o núcleo da Terra parece estar passando por mudanças dramáticas. "Esta poderia ser a situação na qual o geodínamo da Terra opera antes de se reverter", diz o pesquisador. O geodínamo é o processo pelo qual o campo magnético é produzido: por correntes de ferro derretido fluindo em torno de um núcleo sólido. Às vezes, turbilhões gigantes formam-se no metal líquido, com o poder de mudar ou mesmo reverter os campos magnéticos acima deles.
A equipe de Olson acredita que turbilhões se formaram sob o Pólo Norte e o sul do Atlântico. Se eles se tornarem fortes o bastante, poderão reverter todas as outras correntes, levando os pólos Norte e Sul a trocar seus lugares.
Andy Jackson, especialista em geomagnetismo da Universidade de Leeds, Inglaterra, disse que a mudança está atrasada: "Tais guinadas normalmente acontecem a cada 500 mil anos, mas já se passaram 750 mil desde a última".
Impacto - A mudança poderia afetar tanto os seres humanos quanto a vida selvagem. A magnetosfera fornece proteção vital contra a radiação solar abrasadora, que de outro modo esterilizaria a Terra. A magnetosfera é a extensão do campo magnético do planeta no espaço. Ela forma uma espécie de bolha magnética protetora, que protege a Terra das partículas e radiação trazidas pelo "vento solar".
O campo magnético provavelmente não desapareceria de uma vez, mas ele poderia enfraquecer enquanto os pólos trocam de posições. A onda de radiação resultante poderia causar câncer, reduzir as colheitas e confundir animais migratórios, das baleias aos pingüins. Muitas aves e animais marinhos se guiam pelo campo magnético da Terra para viajar de um lugar para outro.
A navegação por bússola se tornaria muito difícil. E os satélites - ferramentas alternativas de navegação e vitais para as redes de comunicação - seriam rapidamente danificados pela radiação”.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
domingo, 15 de março de 2009
Ministério da Saúde elabora lista de plantas medicinais que poderão ser utilizadas pelo SUS
Alcachofra para ajudar na digestão, aroeira-da-praia para combater inflamação vaginal e unha-de-gato para dores nas articulações. A sabedoria popular conhece há muito tempo o poder das plantas, que começa a ser comprovado cientificamente. Por isso, o Ministério da Saúde elaborou uma lista com 71 plantas que poderão gerar produtos para serem usados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O objetivo da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus) é orientar estudos que possam subsidiar a elaboração da relação de fitoterápicos disponíveis para uso da população, com segurança e eficácia para o tratamento de determinadas doenças. A relação deverá ser revisada e atualizada periodicamente.
A partir de 2009, o SUS pretende ampliar a lista de medicamentos fitoterápicos disponíveis na assistência farmacêutica básica em todo o país. Atualmente, são oferecidos fitoterápicos derivados de espinheira santa, para gastrites e úlceras, e de guaco, para tosses e gripes.
Os fitoterápicos são os medicamentos obtidos exclusivamente a partir de matérias-primas ativas vegetais. Os medicamentos fitoterápicos utilizados pelo SUS são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e considerados seguros e eficazes para a população.
O Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, instituído em dezembro de 2008, tem como objetivo inserir, com segurança, eficácia e qualidade, plantas medicinais, fitoterápicos e serviços relacionados à Fitoterapia no SUS. O programa busca também promover e reconhecer as práticas populares e tradicionais de uso de plantas medicinais e remédios caseiros.
Fonte: Ambientebrasil
O objetivo da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus) é orientar estudos que possam subsidiar a elaboração da relação de fitoterápicos disponíveis para uso da população, com segurança e eficácia para o tratamento de determinadas doenças. A relação deverá ser revisada e atualizada periodicamente.
A partir de 2009, o SUS pretende ampliar a lista de medicamentos fitoterápicos disponíveis na assistência farmacêutica básica em todo o país. Atualmente, são oferecidos fitoterápicos derivados de espinheira santa, para gastrites e úlceras, e de guaco, para tosses e gripes.
Os fitoterápicos são os medicamentos obtidos exclusivamente a partir de matérias-primas ativas vegetais. Os medicamentos fitoterápicos utilizados pelo SUS são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e considerados seguros e eficazes para a população.
O Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, instituído em dezembro de 2008, tem como objetivo inserir, com segurança, eficácia e qualidade, plantas medicinais, fitoterápicos e serviços relacionados à Fitoterapia no SUS. O programa busca também promover e reconhecer as práticas populares e tradicionais de uso de plantas medicinais e remédios caseiros.
Fonte: Ambientebrasil
terça-feira, 10 de março de 2009
Relatório identifica que o aumento do nível de CO2 na atmosfera se acelerou em 2008
O aumento de dióxido de carbono na atmosfera acelerou no ano passado, disse à Reuters nesta quarta-feira a Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.
Os novos dados podem abalar a esperança de que a desaceleração da indústria e a diminuição das emissões de carbono, que começaram no fim do ano passado, pudessem temporariamente adiar a mudança climática.
Alguns analistas esperavam que a recessão desse alguma margem para que o mundo revertesse o impacto sofrido pelo clima. Os novos dados da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, sigla em inglês para a agência dos EUA que monitora oceanos e atmosfera) mostram que os níveis de dióxido de carbono registraram aceleração leve no ano passado. Matéria de Gerard Wynn, da Agência Reuters.
“Para nós vermos (o impacto) na atmosfera, precisaríamos de uma forte queda das emissões, mas isso não aconteceu ainda e isso está muito claro a partir desses dados”, disse Thomas Conway, cientista da área de clima da NOAA que ajudou a compilar os números.
“Se a mudança nas emissões é apenas um pequeno percentual, nós não vamos ver isso na atmosfera”, disse Conway à Reuters, explicando que processos naturais, como a captura de dióxido de carbono por florestas e oceanos, mascaram pequenas mudanças nas emissões humanas, pelo menos no curto prazo.
Com a recessão, a emissão de gases-estufa pelos países desenvolvidos vai cair cerca de 2 por cento neste ano, estimam alguns analistas. O efeito poderia ser muito maior se o mundo entrasse em uma crise mais ampla ou em uma depressão.
As emissões devem continuar a crescer na China, tida por analistas como a maior emissora de carbono do mundo.
O nível de dióxido de carbono no ano passado atingiu a média global de 384,9 partes por milhão (ppm) na atmosfera, 2,2 ppm a mais que em 2007. No ano anterior, a alta havia sido de 1,8 ppm, de acordo com os dados da NOAA.
Os acréscimos anuais vinham sendo maiores na última década em comparação com os registrados nos anos 1980 e 1990, disse Conway.
A aceleração é devida principalmente ao aumento nas emissões, acrescentou, mas também pode dar apoio à hipótese de que os oceanos, que atualmente capturam grande parte do carbono emitido pelos humanos, estariam ficando saturados.
Fonte: Portal EcoDebate
Os novos dados podem abalar a esperança de que a desaceleração da indústria e a diminuição das emissões de carbono, que começaram no fim do ano passado, pudessem temporariamente adiar a mudança climática.
Alguns analistas esperavam que a recessão desse alguma margem para que o mundo revertesse o impacto sofrido pelo clima. Os novos dados da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, sigla em inglês para a agência dos EUA que monitora oceanos e atmosfera) mostram que os níveis de dióxido de carbono registraram aceleração leve no ano passado. Matéria de Gerard Wynn, da Agência Reuters.
“Para nós vermos (o impacto) na atmosfera, precisaríamos de uma forte queda das emissões, mas isso não aconteceu ainda e isso está muito claro a partir desses dados”, disse Thomas Conway, cientista da área de clima da NOAA que ajudou a compilar os números.
“Se a mudança nas emissões é apenas um pequeno percentual, nós não vamos ver isso na atmosfera”, disse Conway à Reuters, explicando que processos naturais, como a captura de dióxido de carbono por florestas e oceanos, mascaram pequenas mudanças nas emissões humanas, pelo menos no curto prazo.
Com a recessão, a emissão de gases-estufa pelos países desenvolvidos vai cair cerca de 2 por cento neste ano, estimam alguns analistas. O efeito poderia ser muito maior se o mundo entrasse em uma crise mais ampla ou em uma depressão.
As emissões devem continuar a crescer na China, tida por analistas como a maior emissora de carbono do mundo.
O nível de dióxido de carbono no ano passado atingiu a média global de 384,9 partes por milhão (ppm) na atmosfera, 2,2 ppm a mais que em 2007. No ano anterior, a alta havia sido de 1,8 ppm, de acordo com os dados da NOAA.
Os acréscimos anuais vinham sendo maiores na última década em comparação com os registrados nos anos 1980 e 1990, disse Conway.
A aceleração é devida principalmente ao aumento nas emissões, acrescentou, mas também pode dar apoio à hipótese de que os oceanos, que atualmente capturam grande parte do carbono emitido pelos humanos, estariam ficando saturados.
Fonte: Portal EcoDebate
Impacto de seca na Amazônia 'supera emissões' de Europa e Japão
A seca de 2005 na Amazônia teve um impacto de 5 bilhões de toneladas extras de dióxido de carbônico na atmosfera terrestre, o que supera as emissões anuais de Europa e Japão, segundo estudo coordenado pela Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra, divulgado na nova edição da revista Science.
Os cientistas afirmam que o fenômeno excepcional reverteu drasticamente o processo de absorção de carbono pela floresta, o chamado "sequestro de carbono", que vinha ocorrendo há pelo menos 25 anos e que ajudava na redução dos efeitos das mudanças climáticas.
Normalmente, a Amazônia absorve cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Mas, de acordo com o estudo, por causa da morte de árvores, a seca de 2005 fez com que essa quantidade de gás permanecesse na atmosfera e ainda levou a floresta a gerar outros 3 bilhões de toneladas.
A partir dos dados colhidos no estudo, os pesquisadores observaram que a Amazônia é "surpreendentemente sensível" à seca.
"A floresta vem ajudando a reduzir a velocidade das mudanças climáticas, mas agora vemos que confiar nesse 'subsídio' da natureza é extremamente perigoso", disse um dos coordenadores da pesquisa, Oliver Phillips, da Universidade de Leeds.
O estudo envolveu 68 cientistas de 13 países, inclusive do Brasil, que atuam na rede Rainfor, que se dedica ao monitoramento da Amazônia.
Eles aproveitaram a seca de 2005 para ter uma ideia dos efeitos que futuras mudanças climáticas poderão ter sobre a floresta.
Naquele ano, as temperaturas do Atlântico Norte permaneceram mais altas do que a média, provocando outras catástrofes naturais, como o furacão Katrina.
"Visualmente, a maior parte da floresta parecia pouco afetada pela seca, mas nossos dados mostram que a taxa de mortalidade das árvores aumentou", afirmou Phillips. "Mesmo uma pequena alteração ecológica pode provocar um grande impacto no ciclo global do carbono."
A previsão da comunidade científica é de que o aquecimento global faça subir as temperaturas do Atlântico Norte, o que por sua vez pode tornar a estação seca da Amazônia mais intensa e mais quente.
A Amazônia abriga mais da metade das florestas tropicais do mundo, e uma em cada cinco espécies do planeta.
Fonte: Ambientebrasil
Os cientistas afirmam que o fenômeno excepcional reverteu drasticamente o processo de absorção de carbono pela floresta, o chamado "sequestro de carbono", que vinha ocorrendo há pelo menos 25 anos e que ajudava na redução dos efeitos das mudanças climáticas.
Normalmente, a Amazônia absorve cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono por ano. Mas, de acordo com o estudo, por causa da morte de árvores, a seca de 2005 fez com que essa quantidade de gás permanecesse na atmosfera e ainda levou a floresta a gerar outros 3 bilhões de toneladas.
A partir dos dados colhidos no estudo, os pesquisadores observaram que a Amazônia é "surpreendentemente sensível" à seca.
"A floresta vem ajudando a reduzir a velocidade das mudanças climáticas, mas agora vemos que confiar nesse 'subsídio' da natureza é extremamente perigoso", disse um dos coordenadores da pesquisa, Oliver Phillips, da Universidade de Leeds.
O estudo envolveu 68 cientistas de 13 países, inclusive do Brasil, que atuam na rede Rainfor, que se dedica ao monitoramento da Amazônia.
Eles aproveitaram a seca de 2005 para ter uma ideia dos efeitos que futuras mudanças climáticas poderão ter sobre a floresta.
Naquele ano, as temperaturas do Atlântico Norte permaneceram mais altas do que a média, provocando outras catástrofes naturais, como o furacão Katrina.
"Visualmente, a maior parte da floresta parecia pouco afetada pela seca, mas nossos dados mostram que a taxa de mortalidade das árvores aumentou", afirmou Phillips. "Mesmo uma pequena alteração ecológica pode provocar um grande impacto no ciclo global do carbono."
A previsão da comunidade científica é de que o aquecimento global faça subir as temperaturas do Atlântico Norte, o que por sua vez pode tornar a estação seca da Amazônia mais intensa e mais quente.
A Amazônia abriga mais da metade das florestas tropicais do mundo, e uma em cada cinco espécies do planeta.
Fonte: Ambientebrasil
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Agroflorestas integram produção de alimentos e recuperação ambiental
Por Neuza Árbocz, da Envolverde - especial para o Instituto Ethos
É possível produzir alimentos para uma população mundial em constante crescimento sem esgotar os nutrientes do solo nem destruir a cobertura florestal remanescente no planeta? Os Sistemas Agroflorestai estão provando que sim.
Unir agricultura a formação de florestas e promover a recuperação de áreas degradadas com base na sucessão natural de espécies, esse é o objetivo dos Sistemas Agroflorestais (SAFs). O grande precursor dessa técnica no Brasil é o suíço Ernst Götsch, que há 25 anos forma SAFs e ensina a desenvolvê-los, tendo como base as terras de sua propriedade no Sul da Bahia.
Ernst visitou o Brasil pela primeira vez nos anos 1960 e ficou tão encantado com nossas riquezas naturais quanto chocado com os danos provocados pelas monoculturas. Na década de 1980, mudou-se para a Bahia, onde começou a implantar sistemas agroflorestais. Com esse trabalho, ele adquiriu suas próprias terras, no município de Piraí do Norte, um solo pobre, sem serventia para a agricultura e, por conseqüência, muito barato. Em menos de 20 anos, Ernst havia transformado totalmente o lugar, passando a contar com mais de 300 espécies por hectare e garantindo em sua propriedade um clima até 5 graus mais fresco do que no restante da região.
“Em qualquer lugar, pode-se chegar à terra boa de novo”, garante o especialista. Sua técnica consiste em identificar as espécies nativas do local onde se quer produzir e plantar consórcios, isto é, conjuntos de plantas cujo tempo de vida se combinam, de forma a apoiar o crescimento umas das outras. As pioneiras são mais resistentes ao solo empobrecido e, ao terminarem seu ciclo, formam a matéria orgânica que começa a transformar as condições locais. As espécies comestíveis integram os consórcios e são inseridas de forma a ocupar um estrato e um período de vida em harmonia com as demais.
No caso do Sul da Bahia, por exemplo, Ernst colhe, no primeiro ano, feijão-de-porco e, no segundo, mandioca. No terceiro e no quarto anos, já consegue colher também abacaxi e maracujá. No quinto, passa a produzir também banana e no sexto, palmeira-pupunha. Do sétimo ano em diante, colhe-se açaí, entre outros produtos. “Tudo o que faço é buscando que o resultado de minha operação resulte em mais vida e mais riqueza no planeta inteiro”, declara o agricultor.
Para saber mais, acesse o site Agrofloresta.net. Conheça também o Movimento Mutirão Agroflorestal e veja um vídeo da TV Cultura sobre o trabalho de Ernst Götsch. Cheque ainda a citrofloresta formada pela comunidade Yamaguishi, em Jaguariúna, São Paulo.
Fonte: Envolverde
É possível produzir alimentos para uma população mundial em constante crescimento sem esgotar os nutrientes do solo nem destruir a cobertura florestal remanescente no planeta? Os Sistemas Agroflorestai estão provando que sim.
Unir agricultura a formação de florestas e promover a recuperação de áreas degradadas com base na sucessão natural de espécies, esse é o objetivo dos Sistemas Agroflorestais (SAFs). O grande precursor dessa técnica no Brasil é o suíço Ernst Götsch, que há 25 anos forma SAFs e ensina a desenvolvê-los, tendo como base as terras de sua propriedade no Sul da Bahia.
Ernst visitou o Brasil pela primeira vez nos anos 1960 e ficou tão encantado com nossas riquezas naturais quanto chocado com os danos provocados pelas monoculturas. Na década de 1980, mudou-se para a Bahia, onde começou a implantar sistemas agroflorestais. Com esse trabalho, ele adquiriu suas próprias terras, no município de Piraí do Norte, um solo pobre, sem serventia para a agricultura e, por conseqüência, muito barato. Em menos de 20 anos, Ernst havia transformado totalmente o lugar, passando a contar com mais de 300 espécies por hectare e garantindo em sua propriedade um clima até 5 graus mais fresco do que no restante da região.
“Em qualquer lugar, pode-se chegar à terra boa de novo”, garante o especialista. Sua técnica consiste em identificar as espécies nativas do local onde se quer produzir e plantar consórcios, isto é, conjuntos de plantas cujo tempo de vida se combinam, de forma a apoiar o crescimento umas das outras. As pioneiras são mais resistentes ao solo empobrecido e, ao terminarem seu ciclo, formam a matéria orgânica que começa a transformar as condições locais. As espécies comestíveis integram os consórcios e são inseridas de forma a ocupar um estrato e um período de vida em harmonia com as demais.
No caso do Sul da Bahia, por exemplo, Ernst colhe, no primeiro ano, feijão-de-porco e, no segundo, mandioca. No terceiro e no quarto anos, já consegue colher também abacaxi e maracujá. No quinto, passa a produzir também banana e no sexto, palmeira-pupunha. Do sétimo ano em diante, colhe-se açaí, entre outros produtos. “Tudo o que faço é buscando que o resultado de minha operação resulte em mais vida e mais riqueza no planeta inteiro”, declara o agricultor.
Para saber mais, acesse o site Agrofloresta.net. Conheça também o Movimento Mutirão Agroflorestal e veja um vídeo da TV Cultura sobre o trabalho de Ernst Götsch. Cheque ainda a citrofloresta formada pela comunidade Yamaguishi, em Jaguariúna, São Paulo.
Fonte: Envolverde
Desemprego atinge 8,2% em janeiro
25/02/2009 - O nível de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas do país subiu em janeiro e fechou o mês em 8,2%. O resultado superou em 1,4 ponto percentual o verificado em dezembro de 2008 (6,8%) e representa a maior taxa desde abril do ano passado (8,5%). Já na comparação com o mesmo período do ano anterior (8,0%) a taxa de desocupação ficou praticamente estável.
De acordo com dados divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas desocupadas cresceu 20,6% na passagem de um mês para o outro, totalizando 1,9 milhão de pessoas em janeiro. Já em relação ao mesmo mês de 2008, esse volume se manteve no mesmo patamar.
A pesquisa revela, ainda que a população ocupada sofreu redução de 1,6% de dezembro a janeiro, fechando o mês com a marca de 21,2 milhões de trabalhadores.
Ainda segundo o estudo, o número de trabalhadores com carteira assinada, 9,5 milhões, caiu 1,3% em relação a dezembro e cresceu 4,5% na comparação anual. Já o rendimento médio ficou em R$ 1.318,70, tendo subido 2,2% no mês e 5,9% na comparação com janeiro de 2008.
Em janeiro, os setores que mais demitiram, na comparação com o mês anterior, foram o da construção (-4,7%) e do comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (-2,5%). Já em relação a janeiro de 2008, as contratações superaram as demissões em educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (5,1%).
Fonte: Gazeta Mercantil/Agência Brasil. Adaptado por Celulose Online.
De acordo com dados divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas desocupadas cresceu 20,6% na passagem de um mês para o outro, totalizando 1,9 milhão de pessoas em janeiro. Já em relação ao mesmo mês de 2008, esse volume se manteve no mesmo patamar.
A pesquisa revela, ainda que a população ocupada sofreu redução de 1,6% de dezembro a janeiro, fechando o mês com a marca de 21,2 milhões de trabalhadores.
Ainda segundo o estudo, o número de trabalhadores com carteira assinada, 9,5 milhões, caiu 1,3% em relação a dezembro e cresceu 4,5% na comparação anual. Já o rendimento médio ficou em R$ 1.318,70, tendo subido 2,2% no mês e 5,9% na comparação com janeiro de 2008.
Em janeiro, os setores que mais demitiram, na comparação com o mês anterior, foram o da construção (-4,7%) e do comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (-2,5%). Já em relação a janeiro de 2008, as contratações superaram as demissões em educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (5,1%).
Fonte: Gazeta Mercantil/Agência Brasil. Adaptado por Celulose Online.
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FED faz prognóstico sobre economia americana
25/02/2009 - A total recuperação da maior economia do planeta só ocorrerá dentro de dois ou três anos, segundo prognóstico do presidente do Federal Reserve (Banco Central dos Estados Unidos), Ben Bernanke. O prazo pode ser menor se o governo de Barack Obama, o Congresso e o próprio FED conseguirem restaurar, em alguma medida, a estabilidade do mercado financeiro.
“Somente neste caso, na minha opinião, seria razoável prever o fim da atual recessão em 2009, e 2010 seria um ano de recuperação”, afirmou Bernanke ao apresentar relatório semestral de política monetária ao Senado norte-americano.O presidente do Fed apontou as causas da atual recessão, mencionou as consequências da crise nos Estados Unidos e enumerou as medidas tomadas pelo governo, mas reconheceu que se mantém a tendência de aguda retração da atividade econômica no primeiro quadrimestre de 2009. Também lembrou que, em janeiro, os técnicos do FED reviram para baixo a previsão de crescimento da economia americana para 2009. A nova projeção é de uma queda entre 0,5% a 1,3% do PIB – em outubro de 2008, a expectativa variava entre uma retração de 0,2% e uma taxa de crescimento de 1,1%.
“Estas projeções refletem uma já esperada significativa retração na primeira metade deste ano, combinada com uma retomada gradual do crescimento na segunda metade”, disse Bernanke.
As projeções para 2010 são melhores, mas ainda modestas. “Os formuladores de políticas do FED continuam esperando uma expansão moderada no próximo ano, com tendência de crescimento real do PIB entre 2,5% e 3,3%”, frisou. Já a taxa de desemprego só deve começar a cair no final do próximo ano, ficando em torno de 8%.
Bernanke ressaltou, no entanto, que o panorama ainda é bastante incerto. Um dos maiores riscos, segundo ele, vem da “natureza global” da retração econômica – o que, na sua avaliação, pode afetar as exportações americanas e as condições financeiras além das atuais projeções.
Outro risco apontado pelo presidente do FED é a “força destrutiva” da inter-relação entre a fragilidade da economia e as condições financeiras. “Para quebrar este ciclo adverso, é essencial que continuemos a dar estímulos fiscais, com uma forte ação do governo para estabilizar as instituições financeiras e os mercados financeiros”, alertou.
O FED e o Tesouro americano anunciaram novas modalidades de ajuda a bancos em dificuldade, com possibilidade de nacionalização das instituições. Índice do Conference Board divulgado hoje mostra que a confiança dos consumidores norte-americanos chegou, em fevereiro, ao pior nível dos últimos 40 anos. O índice foi de 25 pontos, contra 37,4 pontos registrados em janeiro – o mais baixo desde 1967.
Fonte: Agência Brasil. Adaptado por Celulose Online.
“Somente neste caso, na minha opinião, seria razoável prever o fim da atual recessão em 2009, e 2010 seria um ano de recuperação”, afirmou Bernanke ao apresentar relatório semestral de política monetária ao Senado norte-americano.O presidente do Fed apontou as causas da atual recessão, mencionou as consequências da crise nos Estados Unidos e enumerou as medidas tomadas pelo governo, mas reconheceu que se mantém a tendência de aguda retração da atividade econômica no primeiro quadrimestre de 2009. Também lembrou que, em janeiro, os técnicos do FED reviram para baixo a previsão de crescimento da economia americana para 2009. A nova projeção é de uma queda entre 0,5% a 1,3% do PIB – em outubro de 2008, a expectativa variava entre uma retração de 0,2% e uma taxa de crescimento de 1,1%.
“Estas projeções refletem uma já esperada significativa retração na primeira metade deste ano, combinada com uma retomada gradual do crescimento na segunda metade”, disse Bernanke.
As projeções para 2010 são melhores, mas ainda modestas. “Os formuladores de políticas do FED continuam esperando uma expansão moderada no próximo ano, com tendência de crescimento real do PIB entre 2,5% e 3,3%”, frisou. Já a taxa de desemprego só deve começar a cair no final do próximo ano, ficando em torno de 8%.
Bernanke ressaltou, no entanto, que o panorama ainda é bastante incerto. Um dos maiores riscos, segundo ele, vem da “natureza global” da retração econômica – o que, na sua avaliação, pode afetar as exportações americanas e as condições financeiras além das atuais projeções.
Outro risco apontado pelo presidente do FED é a “força destrutiva” da inter-relação entre a fragilidade da economia e as condições financeiras. “Para quebrar este ciclo adverso, é essencial que continuemos a dar estímulos fiscais, com uma forte ação do governo para estabilizar as instituições financeiras e os mercados financeiros”, alertou.
O FED e o Tesouro americano anunciaram novas modalidades de ajuda a bancos em dificuldade, com possibilidade de nacionalização das instituições. Índice do Conference Board divulgado hoje mostra que a confiança dos consumidores norte-americanos chegou, em fevereiro, ao pior nível dos últimos 40 anos. O índice foi de 25 pontos, contra 37,4 pontos registrados em janeiro – o mais baixo desde 1967.
Fonte: Agência Brasil. Adaptado por Celulose Online.
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Catadores amargam queda da receita
25/02/2009 - Na Cooperativa de Coleta Seletiva da Capela do Socorro (Coopercaps), na zona sul da capital paulista, a queda dos preços dos materiais reciclados fez alguns coope-rados desistirem do trabalho. Em julho do ano passado havia 127 cooperados, hoje são 84. A redução é, em grande medida, resultado do menor faturamento. De acordo com a direção da cooperativa, houve uma queda de 50% no faturamento, para R$ 61 mil em janeiro ante os R$ 126 mil de julho. "A maioria sai porque começa a achar que seria melhor trabalhar registrado, mas falta qualificação profissional e nem sempre eles encontram um emprego", disse Sandra Regina Eyer Caselta, membro do conselho administrativo da Coopercaps.
A queda do número de cooperados obrigou a empresa a reduzir o número de turnos. "Trabalhávamos em três turnos e tivemos de reduzir para dois porque não havia gente suficiente", afirmou Sandra. Apesar da equipe reduzida, o volume de trabalho aumentou. O volume de material separado subiu de 305 toneladas para 380 toneladas.
O aumento do volume e o menor número de cooperados não garantiu a manutenção de rendimentos por pessoa. O ganho per capita caiu de R$ 787, em julho, para R$ 384, no mês passado. "A oferta de material tem tido tendência de crescimento porque tem muito depósito e ferro-velho fechando e muitos catadores deixando de trabalhar, ou selecionando apenas os materiais de maior valor", explicou Sandra.
A Coopercaps é uma das 14 cooperativas que faz parte do programa de coleta seletiva da prefeitura de São Paulo, que oferece a infra-estrutura e custeia parte dos gastos operacionais, disponibilizando imóveis e caminhões de coleta, equipamentos, água e energia. Além do material coletado diretamente por cada cooperativa, as empresas também recebem o material coletado por cada uma das concessionárias que atuam nas diferentes regiões da cidade. "Verificamos um aumento médio de 300 toneladas por mês no material coletado pelas cooperativas e pelas concessionárias nos últimos três meses", afirmou Wagner Taveira, coordenador do programa de coleta seletiva da Secretaria Municipal de Serviços.
De acordo com ele, atualmente a cidade coleta, por meio das concessionárias e das cooperativas, até 3,8 mil toneladas de material reciclável mensalmente. "Cerca de 90% dos condomínios que comercializavam recicláveis deixaram de vender, os catadores deixaram de pegar materiais que tiveram os valores muito reduzidos, cooperativas e depósitos independentes fecharam e com isso aumentou a nossa coleta", explicou.
O preço do papelão caiu 52% pago aos depósitos e cooperativas, para R$ 0,12 o quilo, enquanto o preço do aço caiu de 60%, para R$ 0,13 o quilo, disse Paulo Sérgio da Silva, responsável pelo depósito Sucata Conceição de Monte Alegre, localizado no bairro do Brooklin, em São Paulo. "Se continuar assim vamos ter de fechar", afirmou Silva, que trabalha há nove anos com o depósito.
Um dos catadores que atua na região, José Geraldo, viu seu rendimento diário cair para até um terço, dos R$ 60 que tirava em meados do ano passado, para R$ 20, e já ameaça abandonar a carroça. "A gente tenta pegar mais metal e menos jornal, mas a situação está difícil", disse o senhor, de 66 anos, que mesmo há 10 anos sem um emprego formal decidiu buscar uma maneira de obter a aposentadoria.
Fonte: Gazeta Mercantil. Adaptado por Celulose Online.
A queda do número de cooperados obrigou a empresa a reduzir o número de turnos. "Trabalhávamos em três turnos e tivemos de reduzir para dois porque não havia gente suficiente", afirmou Sandra. Apesar da equipe reduzida, o volume de trabalho aumentou. O volume de material separado subiu de 305 toneladas para 380 toneladas.
O aumento do volume e o menor número de cooperados não garantiu a manutenção de rendimentos por pessoa. O ganho per capita caiu de R$ 787, em julho, para R$ 384, no mês passado. "A oferta de material tem tido tendência de crescimento porque tem muito depósito e ferro-velho fechando e muitos catadores deixando de trabalhar, ou selecionando apenas os materiais de maior valor", explicou Sandra.
A Coopercaps é uma das 14 cooperativas que faz parte do programa de coleta seletiva da prefeitura de São Paulo, que oferece a infra-estrutura e custeia parte dos gastos operacionais, disponibilizando imóveis e caminhões de coleta, equipamentos, água e energia. Além do material coletado diretamente por cada cooperativa, as empresas também recebem o material coletado por cada uma das concessionárias que atuam nas diferentes regiões da cidade. "Verificamos um aumento médio de 300 toneladas por mês no material coletado pelas cooperativas e pelas concessionárias nos últimos três meses", afirmou Wagner Taveira, coordenador do programa de coleta seletiva da Secretaria Municipal de Serviços.
De acordo com ele, atualmente a cidade coleta, por meio das concessionárias e das cooperativas, até 3,8 mil toneladas de material reciclável mensalmente. "Cerca de 90% dos condomínios que comercializavam recicláveis deixaram de vender, os catadores deixaram de pegar materiais que tiveram os valores muito reduzidos, cooperativas e depósitos independentes fecharam e com isso aumentou a nossa coleta", explicou.
O preço do papelão caiu 52% pago aos depósitos e cooperativas, para R$ 0,12 o quilo, enquanto o preço do aço caiu de 60%, para R$ 0,13 o quilo, disse Paulo Sérgio da Silva, responsável pelo depósito Sucata Conceição de Monte Alegre, localizado no bairro do Brooklin, em São Paulo. "Se continuar assim vamos ter de fechar", afirmou Silva, que trabalha há nove anos com o depósito.
Um dos catadores que atua na região, José Geraldo, viu seu rendimento diário cair para até um terço, dos R$ 60 que tirava em meados do ano passado, para R$ 20, e já ameaça abandonar a carroça. "A gente tenta pegar mais metal e menos jornal, mas a situação está difícil", disse o senhor, de 66 anos, que mesmo há 10 anos sem um emprego formal decidiu buscar uma maneira de obter a aposentadoria.
Fonte: Gazeta Mercantil. Adaptado por Celulose Online.
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Floresta secundária não recompõe biodiversidade
26/02/2009 - A constatação de que 20% das áreas desmatadas da Amazônia têm florestas em regeneração coloca o Brasil no centro de uma discussão internacional sobre o valor ecológico das florestas secundárias.
Estudos de longo prazo realizados no nordeste do Pará por cientistas do Museu Paraense Emílio Goeldi mostram que, mesmo após 40 anos em repouso, as florestas secundárias em áreas da região só recuperaram 35% das espécies arbóreas com mais de 10 centímetros de diâmetro que tinham originalmente.
Segundo cálculos do pesquisador Cláudio Almeida, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cerca de 132 mil dos 680 mil quilômetros quadrados de florestas derrubadas na Amazônia estavam em processo de regeneração até 2006.
E, segundo especialistas, elas podem até se transformar em florestas maduras, mas dificilmente recuperam a diversidade de espécies que tinham originalmente. Uma área de florestas secundárias (ou capoeiras) equivalente a tudo que foi desmatado na Amazônia nos últimos sete anos (de 2002 a 2008), seria suficiente para cobrir de mata os estados de Pernambuco e Alagoas.
À primeira vista, pode parecer que sete anos de desmatamento foram “desfeitos”. Mas a simplicidade dos números esconde uma teia de fatores ecológicos altamente complexos. O tempo para regeneração é insuficiente. Segundo Almeida, a expectativa média de vida de uma floresta secundária na Amazônia brasileira é de apenas cinco anos, até ser cortada e queimada novamente.
Fonte: G1. Adaptado por Celulose Online.
Estudos de longo prazo realizados no nordeste do Pará por cientistas do Museu Paraense Emílio Goeldi mostram que, mesmo após 40 anos em repouso, as florestas secundárias em áreas da região só recuperaram 35% das espécies arbóreas com mais de 10 centímetros de diâmetro que tinham originalmente.
Segundo cálculos do pesquisador Cláudio Almeida, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cerca de 132 mil dos 680 mil quilômetros quadrados de florestas derrubadas na Amazônia estavam em processo de regeneração até 2006.
E, segundo especialistas, elas podem até se transformar em florestas maduras, mas dificilmente recuperam a diversidade de espécies que tinham originalmente. Uma área de florestas secundárias (ou capoeiras) equivalente a tudo que foi desmatado na Amazônia nos últimos sete anos (de 2002 a 2008), seria suficiente para cobrir de mata os estados de Pernambuco e Alagoas.
À primeira vista, pode parecer que sete anos de desmatamento foram “desfeitos”. Mas a simplicidade dos números esconde uma teia de fatores ecológicos altamente complexos. O tempo para regeneração é insuficiente. Segundo Almeida, a expectativa média de vida de uma floresta secundária na Amazônia brasileira é de apenas cinco anos, até ser cortada e queimada novamente.
Fonte: G1. Adaptado por Celulose Online.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Mar subirá 1,80 m até 2100, diz estudo
EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo, em Chicago
A velocidade com que o nível do mar está subindo agora é quase o dobro daquela verificada no século 20. Já se sabia que o fenômeno -alimentado pelo aquecimento global- era grave, mas os dados mais recentes, coletados desde 1993, mostram que a elevação da linha d'água até 2100 será de 1,80 metro, mais do que o dobro da prevista pelo painel do clima da ONU.
"Entre 1993 e 2008, a taxa média global registrada foi de 3,4 mm por ano", disse à Folha a pesquisadora francesa Anny Cazenave, do Centro Nacional de Estudos Espaciais de Toulouse (França). Esse número, obtido por medições de satélite que geraram uma série histórica inédita, ganha um ar de gravidade quando comparado a outro: entre 1950 e 2000, a elevação média do mar era de 1,8 mm por ano, diz a cientista.
"Mas a maior surpresa não é essa", diz Cazenave, que apresentou suas recentes medições -processadas até dezembro- na reunião da AAAS (Sociedade Americana para o Avanço da Ciência), encerrada na semana passada em Chicago.
"As causas dessa aceleração do nível do mar também mudaram", diz. Entre 2003 e 2008, o derretimento das geleiras e dos mantos de gelo (Groenlândia e Antártida) contribuiu com 80% da elevação. A expansão térmica -o aumento de volume da água pelo aquecimento- ajudou com cerca de 20%.
Na virada do século, porém, o cenário ainda era diferente. Entre 1993 e 2003, o aquecimento da água do mar explicava 50% do fenômeno, enquanto as massas de gelo respondiam por 40%. (Ainda não existem dados para explicar os 10% que fechariam a conta.)
Para os cientistas, não há dúvida: as atenções devem ser voltadas agora para regiões como o Ártico, a Antártida e as demais geleiras continentais. Entre essas áreas, o norte da Terra é o mais rico em gelo.
Um metro a mais
"Hoje, tanto os mantos de gelo quanto as geleiras continentais [na Antártida, na Groenlândia, nos Andes ou no Himalaia] têm igual relevância, mas tudo indica que os primeiros serão cada vez mais importantes daqui para a frente", disse Stefan Rahmstorf, pesquisador da Universidade de Potsdam (Alemanha), que apresentou suas pesquisas no evento da AAAS, às margens do rio Chicago.
As contas do pesquisador alemão sobre o futuro do nível médio do mar indicam que os modelos apresentados até hoje estão otimistas demais. "Em 2100, posso dizer agora, o nível dos oceanos deverá estar aproximadamente um metro acima do que estava previsto pelo modelo [mais pessimista] do IPCC", o painel do clima das Nações Unidas que contou com a participação de Rahmstorf.
Acreditava-se que nível do mar não deveria subir mais do que 60 cm até 2100 (comparado com 1980-1999). Agora, porém, estima-se a marca de 1,80 metro. "E o nível do mar não vai parar de subir em 2100. Ele poderá chegar até 3,5 metros em 2200 e bater os 5 metros em 2300", disse Rahmstorf. No passado, mostrou o pesquisador, o nível do mar atingiu o pico há 40 milhões de anos. As águas estavam mais de 70 metros acima do que estão hoje.
Apesar de um nível do mar elevado não ser novidade para o planeta, a espécie humana, que surgiu há apenas 200 mil anos, nunca viu algo assim.
De acordo com Cazenave, as medições já feitas nestes últimos 16 anos mostram três regiões onde a subida do nível do mar já é realidade. "As áreas mais afetadas são o oeste do oceano Pacífico, o litoral da Austrália e também a Groenlândia", diz a cientista.
Como as previsões não são uniformes, e levam em conta valores médios, uma pergunta de interesse pessoal foi feita por um espectador da palestra em Chicago. "Sou da Flórida. Quero saber o que vai ocorrer lá", disse. "Vocês [cientistas] é que têm de dizer onde o mar subirá nos próximos anos."
Mas os cientistas silenciaram, e a questão também continua aberta para quem vive na Califórnia, no Taiti ou no Recife. Diante da dúvida, o melhor que cidades costeiras têm a fazer é se prepararem para o pior.
Fonte: Folha Online
da Folha de S.Paulo, em Chicago
A velocidade com que o nível do mar está subindo agora é quase o dobro daquela verificada no século 20. Já se sabia que o fenômeno -alimentado pelo aquecimento global- era grave, mas os dados mais recentes, coletados desde 1993, mostram que a elevação da linha d'água até 2100 será de 1,80 metro, mais do que o dobro da prevista pelo painel do clima da ONU.
"Entre 1993 e 2008, a taxa média global registrada foi de 3,4 mm por ano", disse à Folha a pesquisadora francesa Anny Cazenave, do Centro Nacional de Estudos Espaciais de Toulouse (França). Esse número, obtido por medições de satélite que geraram uma série histórica inédita, ganha um ar de gravidade quando comparado a outro: entre 1950 e 2000, a elevação média do mar era de 1,8 mm por ano, diz a cientista.
"Mas a maior surpresa não é essa", diz Cazenave, que apresentou suas recentes medições -processadas até dezembro- na reunião da AAAS (Sociedade Americana para o Avanço da Ciência), encerrada na semana passada em Chicago.
"As causas dessa aceleração do nível do mar também mudaram", diz. Entre 2003 e 2008, o derretimento das geleiras e dos mantos de gelo (Groenlândia e Antártida) contribuiu com 80% da elevação. A expansão térmica -o aumento de volume da água pelo aquecimento- ajudou com cerca de 20%.
Na virada do século, porém, o cenário ainda era diferente. Entre 1993 e 2003, o aquecimento da água do mar explicava 50% do fenômeno, enquanto as massas de gelo respondiam por 40%. (Ainda não existem dados para explicar os 10% que fechariam a conta.)
Para os cientistas, não há dúvida: as atenções devem ser voltadas agora para regiões como o Ártico, a Antártida e as demais geleiras continentais. Entre essas áreas, o norte da Terra é o mais rico em gelo.
Um metro a mais
"Hoje, tanto os mantos de gelo quanto as geleiras continentais [na Antártida, na Groenlândia, nos Andes ou no Himalaia] têm igual relevância, mas tudo indica que os primeiros serão cada vez mais importantes daqui para a frente", disse Stefan Rahmstorf, pesquisador da Universidade de Potsdam (Alemanha), que apresentou suas pesquisas no evento da AAAS, às margens do rio Chicago.
As contas do pesquisador alemão sobre o futuro do nível médio do mar indicam que os modelos apresentados até hoje estão otimistas demais. "Em 2100, posso dizer agora, o nível dos oceanos deverá estar aproximadamente um metro acima do que estava previsto pelo modelo [mais pessimista] do IPCC", o painel do clima das Nações Unidas que contou com a participação de Rahmstorf.
Acreditava-se que nível do mar não deveria subir mais do que 60 cm até 2100 (comparado com 1980-1999). Agora, porém, estima-se a marca de 1,80 metro. "E o nível do mar não vai parar de subir em 2100. Ele poderá chegar até 3,5 metros em 2200 e bater os 5 metros em 2300", disse Rahmstorf. No passado, mostrou o pesquisador, o nível do mar atingiu o pico há 40 milhões de anos. As águas estavam mais de 70 metros acima do que estão hoje.
Apesar de um nível do mar elevado não ser novidade para o planeta, a espécie humana, que surgiu há apenas 200 mil anos, nunca viu algo assim.
De acordo com Cazenave, as medições já feitas nestes últimos 16 anos mostram três regiões onde a subida do nível do mar já é realidade. "As áreas mais afetadas são o oeste do oceano Pacífico, o litoral da Austrália e também a Groenlândia", diz a cientista.
Como as previsões não são uniformes, e levam em conta valores médios, uma pergunta de interesse pessoal foi feita por um espectador da palestra em Chicago. "Sou da Flórida. Quero saber o que vai ocorrer lá", disse. "Vocês [cientistas] é que têm de dizer onde o mar subirá nos próximos anos."
Mas os cientistas silenciaram, e a questão também continua aberta para quem vive na Califórnia, no Taiti ou no Recife. Diante da dúvida, o melhor que cidades costeiras têm a fazer é se prepararem para o pior.
Fonte: Folha Online
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O navio Polarstern semeia controvérsia no Atlântico
Estimular o crescimento do fitoplâncton acrescentando ferro ao mar pode ser uma maneira de absorver o excesso de carbono que causa
a mudança climática, afirmam os cientistas de uma polêmica
pesquisa no oceano Atlântico.
Maricel Drazer
DÜSSELDORF, Alemanha (Tierramérica).- O navio oceanográfico alemão Polarstern, um dos mais famosos do mundo, executa a maior experiência de fertilização de águas marinhas com ferro para absorver dióxido de carbono, um dos causadores do aquecimento global. O experimento, que acontece a nordeste das austrais Ilhas Geórgia do Sul, no Oceano Atlântico, busca promover o crescimento de fitoplâncton e a conseqüente absorção de carbono, por meio da colocação de 20 toneladas de sulfato de ferro em um raio de 300 quilômetros quadrados.
O ferro induz a proliferação de algas e estas absorvem dióxido de carbono, (CO²) da água durante a fotossíntese. Como o CO² dissolvido na superfície do oceano está em equilíbrio com a atmosfera, o déficit é compensado com a captação de carbono do ar. Então, enriquecer as águas com ferro pode se converter em um modo de combater o aquecimento global, afirmam os responsáveis pela experiência. Por outro lado, os ambientalistas não compartilham da idéia e alertam sobre como podem ser imprevisíveis as consequências da experëncia, agora imersa em uma polêmica de dimensão internacional.
“A absorção de dióxido de carbono por meio da ativação do crescimento de algas no mar não é um método efetivo contra a mudança climática e, além disso, apresenta graves riscos ambientais. O mar pode se converter em um biorreator”, disse ao Terramérica Stephan Lutter, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Também questionaram o fato de os esforços se dirigirem a absorver o dióxido de carbono e não a reduzir sua produção. “Uma conseqüência deste tipo de projetos de risco pode ser a falta de meios financeiros em outros lugares para pesquisas razoáveis de economia de energia, para a obtenção de energia renovável e para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa”, disse Lutter.
No entanto, os pesquisadores responsáveis pelo estudo se mostram surpresos pela “intensidade” das críticas. “O objetivo de nossa experiência é manipular um ponto do oceano em seu contexto natural para entender e quantificar os processos que caracterizam os ecossistemas oceânicos”, explicou ao Terramérica o professor Ulrich Bathmann, do Instituto Alfred Wegener para a Pesquisa Polar e Marinha, responsável pelo projeto junto com o Instituto Nacional de Oceanografia da Índia. A pesquisa “mostrará como reage o plâncton à entrada de ferro, que quantidade de fitoplâncton se forma, que quantidade de dióxido de carbono é fixada – absorvida -, que porcentagem do carbono permanece no sistema e quanto do carbono afunda nas profundezas do oceano”, acrescentou Bathmann.
Por sua vez, a chancelaria da Argentina se mostrou preocupada com a experiência e pediu explicações à representação alemã no país, já que, embora aconteça em águas internacionais, suas consequências poderiam afetar o mar argentino. As organizações ambientalistas afirmam que o teste vai contra a normativa internacional. De fato, a Nona Conferência das Partes do Convënio sobre a Diversidade Biológica, realizada de 19 a 30 de maio de 2008 em Bonn, teve pronunciamentos críticos a respeito deste tipo de iniciativa.
“A Conferência tomou posição clara contra as atividades de fertilização artificial das áreas marítimas com o propósito de absorção de dióxido de carbono. A razão é que os cientistas temem graves impactos negativos para o meio ambiente marítimo”, pode-se ler no site oficial do Ministério do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha. Mas, no dia 26 de janeiro as autoridades alemãs deram luz verde à experiência batizada de Lohafex (“loha” significa ferro em hindi). E assim, 49 cientistas, a maioria de indianos e alemães, mas também italianos, espanhóis, ingleses, um francês e um chileno, deram início à planejada fertilização com ferro das águas atlânticas. Naquele momento, já estavam a bordo do quebra-gelo há 20 dias, aguardando a autorização.
“O experimento caminha bem. A fertilização aconteceu em um redemoinho oceânico fechado. O fitoplâncton cresce e a biomassa mais do que duplicou”, disse ao Terramérica Bathmann, encarregado de controlar em terra a experiência. Nos últimos 15 anos, a captura de carbono oceânico foi provada com fins científicos em uma dezena de pequenas experiências, cinco delas no Oceano Antártico. Em 2007, entretanto, a empresa norte-americana Planktos precisou desistir de seus planos de fertilização com ferro em águas equatorianas próximas das Ilhas Galápagos, no Pacífico, devido à firme oposição de ambientalistas e autoridades da região.
Com a operação, a firma pretendia negociar no mercado global de créditos de carbono, contemplado no Protocolo de Kyoto sobre mudança climática. Os responsáveis pela Lohafez, por sua vez, descartam qualquer intenção comercial. Apesar disso, as associações de ecologistas veem sérios riscos nessa atividade. “Existe o perigo de empresas interessadas tentarem vender a fertilização com ferro como medida contra o aquecimento global, e incluí-la no mercado mundial de emissões”, afirma a organização ambientalista Conferência Ação para o Mar do Norte.
“Trata-se de um plano megalomaníaco dos pesquisadores. O pano de fundo é o interesse econômico para encontrar uma solução de baixo custo para o problema mundial do dióxido de carbono”, diz a organização em seus comunicados sobre o assunto. Contudo, e de acordo com o plano original, o Polarstern dará por concluído o experimento em 17 de março, quando chegar ao litoral de Punta Arenas, no sul do Chile, com a polêmica desatada às costas.
* O autor é correspondente da IPS.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
a mudança climática, afirmam os cientistas de uma polêmica
pesquisa no oceano Atlântico.
Maricel Drazer
DÜSSELDORF, Alemanha (Tierramérica).- O navio oceanográfico alemão Polarstern, um dos mais famosos do mundo, executa a maior experiência de fertilização de águas marinhas com ferro para absorver dióxido de carbono, um dos causadores do aquecimento global. O experimento, que acontece a nordeste das austrais Ilhas Geórgia do Sul, no Oceano Atlântico, busca promover o crescimento de fitoplâncton e a conseqüente absorção de carbono, por meio da colocação de 20 toneladas de sulfato de ferro em um raio de 300 quilômetros quadrados.
O ferro induz a proliferação de algas e estas absorvem dióxido de carbono, (CO²) da água durante a fotossíntese. Como o CO² dissolvido na superfície do oceano está em equilíbrio com a atmosfera, o déficit é compensado com a captação de carbono do ar. Então, enriquecer as águas com ferro pode se converter em um modo de combater o aquecimento global, afirmam os responsáveis pela experiência. Por outro lado, os ambientalistas não compartilham da idéia e alertam sobre como podem ser imprevisíveis as consequências da experëncia, agora imersa em uma polêmica de dimensão internacional.
“A absorção de dióxido de carbono por meio da ativação do crescimento de algas no mar não é um método efetivo contra a mudança climática e, além disso, apresenta graves riscos ambientais. O mar pode se converter em um biorreator”, disse ao Terramérica Stephan Lutter, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Também questionaram o fato de os esforços se dirigirem a absorver o dióxido de carbono e não a reduzir sua produção. “Uma conseqüência deste tipo de projetos de risco pode ser a falta de meios financeiros em outros lugares para pesquisas razoáveis de economia de energia, para a obtenção de energia renovável e para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa”, disse Lutter.
No entanto, os pesquisadores responsáveis pelo estudo se mostram surpresos pela “intensidade” das críticas. “O objetivo de nossa experiência é manipular um ponto do oceano em seu contexto natural para entender e quantificar os processos que caracterizam os ecossistemas oceânicos”, explicou ao Terramérica o professor Ulrich Bathmann, do Instituto Alfred Wegener para a Pesquisa Polar e Marinha, responsável pelo projeto junto com o Instituto Nacional de Oceanografia da Índia. A pesquisa “mostrará como reage o plâncton à entrada de ferro, que quantidade de fitoplâncton se forma, que quantidade de dióxido de carbono é fixada – absorvida -, que porcentagem do carbono permanece no sistema e quanto do carbono afunda nas profundezas do oceano”, acrescentou Bathmann.
Por sua vez, a chancelaria da Argentina se mostrou preocupada com a experiência e pediu explicações à representação alemã no país, já que, embora aconteça em águas internacionais, suas consequências poderiam afetar o mar argentino. As organizações ambientalistas afirmam que o teste vai contra a normativa internacional. De fato, a Nona Conferência das Partes do Convënio sobre a Diversidade Biológica, realizada de 19 a 30 de maio de 2008 em Bonn, teve pronunciamentos críticos a respeito deste tipo de iniciativa.
“A Conferência tomou posição clara contra as atividades de fertilização artificial das áreas marítimas com o propósito de absorção de dióxido de carbono. A razão é que os cientistas temem graves impactos negativos para o meio ambiente marítimo”, pode-se ler no site oficial do Ministério do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha. Mas, no dia 26 de janeiro as autoridades alemãs deram luz verde à experiência batizada de Lohafex (“loha” significa ferro em hindi). E assim, 49 cientistas, a maioria de indianos e alemães, mas também italianos, espanhóis, ingleses, um francês e um chileno, deram início à planejada fertilização com ferro das águas atlânticas. Naquele momento, já estavam a bordo do quebra-gelo há 20 dias, aguardando a autorização.
“O experimento caminha bem. A fertilização aconteceu em um redemoinho oceânico fechado. O fitoplâncton cresce e a biomassa mais do que duplicou”, disse ao Terramérica Bathmann, encarregado de controlar em terra a experiência. Nos últimos 15 anos, a captura de carbono oceânico foi provada com fins científicos em uma dezena de pequenas experiências, cinco delas no Oceano Antártico. Em 2007, entretanto, a empresa norte-americana Planktos precisou desistir de seus planos de fertilização com ferro em águas equatorianas próximas das Ilhas Galápagos, no Pacífico, devido à firme oposição de ambientalistas e autoridades da região.
Com a operação, a firma pretendia negociar no mercado global de créditos de carbono, contemplado no Protocolo de Kyoto sobre mudança climática. Os responsáveis pela Lohafez, por sua vez, descartam qualquer intenção comercial. Apesar disso, as associações de ecologistas veem sérios riscos nessa atividade. “Existe o perigo de empresas interessadas tentarem vender a fertilização com ferro como medida contra o aquecimento global, e incluí-la no mercado mundial de emissões”, afirma a organização ambientalista Conferência Ação para o Mar do Norte.
“Trata-se de um plano megalomaníaco dos pesquisadores. O pano de fundo é o interesse econômico para encontrar uma solução de baixo custo para o problema mundial do dióxido de carbono”, diz a organização em seus comunicados sobre o assunto. Contudo, e de acordo com o plano original, o Polarstern dará por concluído o experimento em 17 de março, quando chegar ao litoral de Punta Arenas, no sul do Chile, com a polêmica desatada às costas.
* O autor é correspondente da IPS.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
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domingo, 15 de fevereiro de 2009
Relatório pede US$ 400 bi contra mudança climática
Especialistas defendem que planos de estímulo econômico direcionem recursos para a redução das emissões de gases do efeito estufa
Publicado em 15/02/2009 | The Guardian
Londres - Governos em todo o mundo devem investir centenas de bilhões de dólares em projetos ecológicos dentro de alguns meses em um ataque massivo à crise econômica e ao aquecimento global, defende um estudo de alguns gurus da economia, entre eles Nicholas Stern.
O relatório, divulgado na semana passada, recomenda que US$ 400 bilhões sejam canalizados em investimentos em tecnologias para baixar as emissões de gás carbônico. Devido à urgência de ambas as crises, ambiental e econômica, o relatório aponta que os investimentos devem ser feitos durante o verão do Hemisfério Norte.
Lord Stern, ex-economista do tesouro britânico e hoje presidente do Instituto de Pesquisas sobre as Mudanças Climáticas e Ambientais Grantham, disse: “Os países ricos e industrializados precisam mostrar liderança durante este ano ao se comprometerem a reduzir as emissões de gases estufa em pelo menos 80% até 2050, tendo como base o ano de 1990, além de planos de recuperação econômica que sejam consistentes com esta meta.”
O relatório, formulado por muitos dos membros que prepararam, em 2006, o influente Relatório Stern sobre a economia das mudanças climáticas, diz que os políticos não devem mais atrasar planos de cortar drasticamente as emissões por causa da desaceleração econômica mundial. Ao invés disto, ações para lidar com as mudanças climáticas devem ser o cerne de pacotes fiscais para estimular economias nacionais.
O relatório avalia a probabilidade de sucesso de investimento em uma diversidade de políticas ecológicas. Ele aponta que as melhores políticas podem ser medidas de eficiência energética para residências e prédios públicos, a troca de caldeiras de aquecimento de água e a mudança para fontes de calor renováveis, como a biomassa. O documento também apela para maiores investimentos em pesquisa energética e de promoção de projetos de energia renovável, como a eólica, além do total suporte à adoção de carros menos poluentes com incentivos fiscais para compra de modelos híbridos ou flex.
Alex Bowen, do Instituto Grantham, autor principal do relatório, disse: “Nossa avaliação mostra que caso sejam gastos nos próximos 18 meses US$ 400 bilhões em todo o mundo em políticas e investimentos ecológicos, isso irá ajudar no combate da crise econômica atual, criar empregos e ajudar a lidar com as mudanças climáticas.”
Tradução de Thiago Pereira
Fonte: Gazeta do Povo
Publicado em 15/02/2009 | The Guardian
Londres - Governos em todo o mundo devem investir centenas de bilhões de dólares em projetos ecológicos dentro de alguns meses em um ataque massivo à crise econômica e ao aquecimento global, defende um estudo de alguns gurus da economia, entre eles Nicholas Stern.
O relatório, divulgado na semana passada, recomenda que US$ 400 bilhões sejam canalizados em investimentos em tecnologias para baixar as emissões de gás carbônico. Devido à urgência de ambas as crises, ambiental e econômica, o relatório aponta que os investimentos devem ser feitos durante o verão do Hemisfério Norte.
Lord Stern, ex-economista do tesouro britânico e hoje presidente do Instituto de Pesquisas sobre as Mudanças Climáticas e Ambientais Grantham, disse: “Os países ricos e industrializados precisam mostrar liderança durante este ano ao se comprometerem a reduzir as emissões de gases estufa em pelo menos 80% até 2050, tendo como base o ano de 1990, além de planos de recuperação econômica que sejam consistentes com esta meta.”
O relatório, formulado por muitos dos membros que prepararam, em 2006, o influente Relatório Stern sobre a economia das mudanças climáticas, diz que os políticos não devem mais atrasar planos de cortar drasticamente as emissões por causa da desaceleração econômica mundial. Ao invés disto, ações para lidar com as mudanças climáticas devem ser o cerne de pacotes fiscais para estimular economias nacionais.
O relatório avalia a probabilidade de sucesso de investimento em uma diversidade de políticas ecológicas. Ele aponta que as melhores políticas podem ser medidas de eficiência energética para residências e prédios públicos, a troca de caldeiras de aquecimento de água e a mudança para fontes de calor renováveis, como a biomassa. O documento também apela para maiores investimentos em pesquisa energética e de promoção de projetos de energia renovável, como a eólica, além do total suporte à adoção de carros menos poluentes com incentivos fiscais para compra de modelos híbridos ou flex.
Alex Bowen, do Instituto Grantham, autor principal do relatório, disse: “Nossa avaliação mostra que caso sejam gastos nos próximos 18 meses US$ 400 bilhões em todo o mundo em políticas e investimentos ecológicos, isso irá ajudar no combate da crise econômica atual, criar empregos e ajudar a lidar com as mudanças climáticas.”
Tradução de Thiago Pereira
Fonte: Gazeta do Povo
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