O Conselho Temático de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Fiep coordenará o levantamento que será repassado ao Fórum Estadual de Mudanças Climáticas
As indústrias do Paraná saberão, dentro de um ano, a quantidade de gases causadores de efeito estufa (GEE) lançados na atmosfera durante seus processos. Essa é a meta do setor industrial para contribuir com o inventário estadual de emissões de gases de efeito estufa, organizado pelo Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas, que levantará as emissões de gases de todos os setores.
O compromisso foi assumido pelo Conselho Temático de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e empresários de diversos setores nesta terça-feira (28), em Curitiba, durante o workshop “Inventário de Emissões de GEE”, promovido pelo Conselho.
“Esse é um passo importante que os industriais do Paraná dão para colaborar com o meio ambiente. Temos que continuar produzindo. A indústria não pode parar. Mas temos que produzir de forma sustentável e ambientalmente correta”, afirmou Roberto Gava, coordenador do Conselho de Meio Ambiente da Fiep.
A Fiep coordenará o inventário no setor industrial. As informações serão repassadas ao Fórum Estadual de Mudanças Climáticas, do qual o Conselho da Fiep faz parte. “Com o inventário, a empresa irá conhecer melhor seus impactos e com isto melhor desenhar uma estratégia de redução e compensação. Outros ganhos ambientais também podem ocorrer, tais como redução do consumo de matérias-primas e eficientização energética, entre outros”, explicou Gava. Os dados paranaenses serão levados ao Fórum Nacional, responsável por criar políticas públicas para diminuir as emissões.
Segundo a coordenadora do Fórum Estadual de Mudanças Climáticas, Manyu Chang, as discussões acerca do inventário estadual começaram em 2007. “Contamos com a colaboração dos responsáveis pelas fontes das emissões para traçar o perfil das emissões no Paraná. Temos que buscar os fatores na fonte certa, uma vez que as políticas do Estado vão se basear nos dados do inventário”, afirmou Manyu, lembrando que os GEE são provenientes de quatro fontes: energia, processos industriais, tratamento de resíduos e agropecuária.
O Paraná será o terceiro estado a realizar o inventário estadual. O primeiro foi o Rio de Janeiro, em 2007, seguido de Minas Gerais, em 2008. “Seguimos a metodologia do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), mas com algumas adaptações à realidade brasileira. Tivemos dificuldades, mas os resultados foram satisfatórios. Agora temos, por exemplo, referências setoriais, ou seja, sabemos a quantidade de emissões e quais gases são liberados pelos três grandes grupos de processos industriais: indústria mineral, química e metalúrgica”, disse Luiz Gonzaga Rezende, analista de ciência e tecnologia da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), de Minas Gerais. Rezende foi um dos responsáveis pela realização do inventário de gases em Minas Gerais.
Experiências – Durante o workshop, empresas mostraram quais dificuldades em realizar o inventário e os resultados obtidos. Uma delas foi a Petrobras, que desde 2002, elabora um relatório com dados sobre as emissões atmosféricas da empresa. Além dos gases do efeito estufa (dióxido de carbono, metano e óxido nitroso), também são levantadas as emissões de poluentes locais, como monóxido de carbono, óxidos de enxofre, nitrogênio, compostos orgânicos voláteis e material particulado, além dos gases queimados e consumo de combustível.
A empresa, segundo Rodrigo Chaves, coordenador do setor de Emissões Atmosféricas e Mudanças Climáticas da Petrobras, desenvolveu um sistema com módulo de simulação e dados reais, que consolida emissões desde o nível de fonte emissora em cada instalação e permite agregar dados em diversos níveis organizacionais, passando por unidades e áreas de negócio até a companhia como um todo.
“Com as informações, pudemos gerenciar as emissões e atender à legislação, avaliar o desempenho ambiental da empresa e contribuir para a ecoeficiência dos processos, utilizando matérias-primas menos poluentes, além de verificar novas oportunidades no mercado de carbono”, disse.
De acordo com Patrícia Monteiro, da Votorantin, a produção de cimento é a principal fonte de emissão de gás carbônico. “A média mundial é a emissão de 900kg de CO2 por tonelada de cimento produzido; na Votorantin, a média é de 600kg/ton. Nossa meta é chegar a 400kg por tonelada produzida”, disse.
Para alcançar esses índices, a empresa investe em estratégias de redução de poluentes, substituindo parte dos recursos naturais por combustíveis alternativos. “Na região sul, utilizamos cinzas provenientes de termoelétricas, biomassa proveniente da casca do arroz e combustíveis alternativos, como pneus”, explicou Patrícia.
Fonte: Bemparaná
quinta-feira, 30 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Todos os biomas do Brasil serão monitorados do espaço
A partir de agora, o monitoramento por satélite será feito em todos os biomas brasileiros e não só na Amazônia. O anúncio foi feito pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, no laboratório do Ibama, que faz as análises das imagens dos satélites utilizados.
Segundo o ministro, nos primeiros exames das imagens, em apenas seis anos o cerrado perdeu perto de 10% de sua formação original, o que é considerado preocupante, visto que a Amazônia perdeu 20% de sua formação em 40 anos.
Ou seja, o cerrado perdeu 1,5% ao ano, nos últimos seis anos, enquanto a Amazônia perdeu 0,5% ao ano.
Também serão monitorados por satélite a caatinga, a Mata Atlântica, o Pantanal e os Pampas.
"O Brasil não é só Amazônia. O Brasil, agora, é monitorado o ano inteiro", afirmou o ministro.
Fonte: REMADE
Segundo o ministro, nos primeiros exames das imagens, em apenas seis anos o cerrado perdeu perto de 10% de sua formação original, o que é considerado preocupante, visto que a Amazônia perdeu 20% de sua formação em 40 anos.
Ou seja, o cerrado perdeu 1,5% ao ano, nos últimos seis anos, enquanto a Amazônia perdeu 0,5% ao ano.
Também serão monitorados por satélite a caatinga, a Mata Atlântica, o Pantanal e os Pampas.
"O Brasil não é só Amazônia. O Brasil, agora, é monitorado o ano inteiro", afirmou o ministro.
Fonte: REMADE
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quarta-feira, 22 de abril de 2009
Os mitos do eucalipto
A edição da Gazeta do Povo do dia 1º do corrente divulgou opiniões e apreensões de prefeitos e outras pessoas sobre o cultivo de eucaliptos em municípios do Norte do Paraná, cuja expansão da cultura significaria prejuízos pela degradação do solo, como a cultura de cereais, por estar “invadindo áreas antes cultivadas com soja, milho e cana-de-açúcar” e que “para conter o avanço do eucalipto os prefeitos da região, conforme o prefeito de Ibaiti, estudam a possibilidade de promover um zoneamento agrícola e criar uma barreira para impedir que a espécie tome o lugar de outras culturas”. O que certamente seria um Plano Diretor para ordenar o desenvolvimento rural é, em tese, louvável, mas de difícil realização, uma vez que as regras para utilização da propriedade rural já estão estabelecidas pela Constituição e leis decorrentes. Quanto à opção do agricultor de cultivar o que mais lhe convém é o direito da livre iniciativa garantida pela Constituição de 1988.
Os argumentos contrários ao cultivo florestal ali alinhados, em síntese, são os seguintes: comprometem a qualidade do solo; secam os mananciais; prejudicam as culturas que geram mais renda; empobrecem o solo; afetam a fauna e a flora; são variedades exóticas; essas árvores produzem substâncias tóxicas e eliminam plantas ao seu redor; e destroem nascentes.
Contudo, não houve imposição dos cultivos florestais, o que faz crescer sua demanda são as vantagens para todos. Seriam argumentos incontestáveis se estivessem fundamentados em estudos e pesquisas científicas. Estas, entretanto, existem e confirmam o contrário. Vejamos o que dizem pesquisas de órgãos competentes e insuspeitos:
a) O consumo de água da cultura do eucalipto é menor que na maioria das espécies cultivadas pelos nossos agricultores, como soja, café e trigo, também exóticas.
b) Quanto ao potencial da espécies em “secar mananciais” respondem a Universidade Federal de Viçosa, a UFPR, a Unicamp e o Instituto de Pesquisas Florestais, em artigo publicado na Revista Veja em abril de 2008, em matéria sobre a cultura do eucalipto, contestando alguns mitos, entre eles o que diz respeito ao consumo de água pela espécie. Para a produção de um quilo de madeira de eucalipto são consumidos 350 litros de água. Já um quilo de grãos de soja exige 2.000 litros de água.
Comparações entre espécies de eucaliptos com outras essências florestais mostram que plantios de eucalipto no Brasil consomem a mesma quantidade de água que as florestas nativas. Estudos comprovam que a água disponível para o eucalipto é proveniente, sobretudo, da camada superficial do solo. Normalmente suas raízes não ultrapassam 2,5 metros de profundidade e não conseguem chegar aos lençóis freáticos.
c) Quanto a prejudicar culturas que geram mais renda devemos lembrar que as pequenas e médias propriedades rurais, com ênfase às primeiras, sobrevivem não de uma única cultura, mas sim do conjunto delas, o que é chamado “sistema de produção”. Nestas propriedades a cultura do eucalipto faz parte deste sistema, coexistindo com a pecuária e agricultura tradicional e contribuindo na renda do conjunto de atividades. Trabalhos desenvolvidos conjuntamente entre Embrapa-Florestas, Emater e Seab demonstram que a atividade, quando inserida nos sistemas de produção, apresenta rentabilidade superior, sendo, contudo, um investimento de médio e longo prazos.
d) Sobre o empobrecimento do solo, pesquisas independentes já mostraram, também, os efeitos benéficos do eucalipto sobre diversas propriedades do solo, como estrutura, capacidade de armazenamento de água, drenagem e aeração, entre outras. Vale a pena frisar que quase tudo que o eucalipto retira do solo, ele devolve. Após a colheita, cascas, folhas e galhos, que possuem 70% dos nutrientes das árvores, permanecem no local e incorporam-se ao solo como matéria orgânica.
e) O argumento de que a fauna e a flora são afetados negativamente também merece atenção, pois quando os plantios são realizados de forma orientada e em respeito a Legislação Ambiental vigente, são entremeados com áreas cobertas com vegetação nativa, formando corredores que favorecem a preservação da fauna e da flora, oferecendo condições de abrigo, alimentação reprodução para várias espécies. Com a adoção de modernas técnicas de planejamento de uso do solo, fica garantida a biodiversidade dos sistemas aquáticos e terrestres. Também não se observa, em áreas de plantio do eucalipto, qualquer efeito de produção de substâncias tóxicas que impeçam o crescimento de outras espécies, prova disto são áreas implantadas no estado onde se realiza, com sucesso, o consórcio da árvore com pastagens (sistemas silvipastoris) e com a agricultura tradicional (sistemas silviagrícolas).
É preciso que tenhamos consciência da frágil realidade florestal do Paraná, que com uma conjuntura composta por mais de 1.200 indústrias e 350 mil trabalhadores, desponta como segundo produto da pauta de exportações do estado. Mas, não por largo horizonte, estamos na iminência de um “apagão” no setor caso não cuidemos imediatamente de suprir o déficit entre disponibilidade florestal e consumo. Diante do que precisamos cultivar no mínimo 57 mil hectares, a mais do que vem sendo realizado, para estabelecermos o equilíbrio a partir de 2021.
Daí a importância de levarmos aos paranaenses os meios para que em conjunto possamos alcançar essa meta. As opiniões precisam vir a público para que dúvidas se esclareçam e, pelo diálogo sereno e honesto, não só asseguremos o funcionamento do sistema como ainda possamos ampliá-lo, criando novas oportunidades de desenvolvimento sustentável no campo e nas cidades.
Nivaldo Passos Kruger é secretário especial de Desenvolvimento Florestal.
Fonte: Gazeta do Povo
Os argumentos contrários ao cultivo florestal ali alinhados, em síntese, são os seguintes: comprometem a qualidade do solo; secam os mananciais; prejudicam as culturas que geram mais renda; empobrecem o solo; afetam a fauna e a flora; são variedades exóticas; essas árvores produzem substâncias tóxicas e eliminam plantas ao seu redor; e destroem nascentes.
Contudo, não houve imposição dos cultivos florestais, o que faz crescer sua demanda são as vantagens para todos. Seriam argumentos incontestáveis se estivessem fundamentados em estudos e pesquisas científicas. Estas, entretanto, existem e confirmam o contrário. Vejamos o que dizem pesquisas de órgãos competentes e insuspeitos:
a) O consumo de água da cultura do eucalipto é menor que na maioria das espécies cultivadas pelos nossos agricultores, como soja, café e trigo, também exóticas.
b) Quanto ao potencial da espécies em “secar mananciais” respondem a Universidade Federal de Viçosa, a UFPR, a Unicamp e o Instituto de Pesquisas Florestais, em artigo publicado na Revista Veja em abril de 2008, em matéria sobre a cultura do eucalipto, contestando alguns mitos, entre eles o que diz respeito ao consumo de água pela espécie. Para a produção de um quilo de madeira de eucalipto são consumidos 350 litros de água. Já um quilo de grãos de soja exige 2.000 litros de água.
Comparações entre espécies de eucaliptos com outras essências florestais mostram que plantios de eucalipto no Brasil consomem a mesma quantidade de água que as florestas nativas. Estudos comprovam que a água disponível para o eucalipto é proveniente, sobretudo, da camada superficial do solo. Normalmente suas raízes não ultrapassam 2,5 metros de profundidade e não conseguem chegar aos lençóis freáticos.
c) Quanto a prejudicar culturas que geram mais renda devemos lembrar que as pequenas e médias propriedades rurais, com ênfase às primeiras, sobrevivem não de uma única cultura, mas sim do conjunto delas, o que é chamado “sistema de produção”. Nestas propriedades a cultura do eucalipto faz parte deste sistema, coexistindo com a pecuária e agricultura tradicional e contribuindo na renda do conjunto de atividades. Trabalhos desenvolvidos conjuntamente entre Embrapa-Florestas, Emater e Seab demonstram que a atividade, quando inserida nos sistemas de produção, apresenta rentabilidade superior, sendo, contudo, um investimento de médio e longo prazos.
d) Sobre o empobrecimento do solo, pesquisas independentes já mostraram, também, os efeitos benéficos do eucalipto sobre diversas propriedades do solo, como estrutura, capacidade de armazenamento de água, drenagem e aeração, entre outras. Vale a pena frisar que quase tudo que o eucalipto retira do solo, ele devolve. Após a colheita, cascas, folhas e galhos, que possuem 70% dos nutrientes das árvores, permanecem no local e incorporam-se ao solo como matéria orgânica.
e) O argumento de que a fauna e a flora são afetados negativamente também merece atenção, pois quando os plantios são realizados de forma orientada e em respeito a Legislação Ambiental vigente, são entremeados com áreas cobertas com vegetação nativa, formando corredores que favorecem a preservação da fauna e da flora, oferecendo condições de abrigo, alimentação reprodução para várias espécies. Com a adoção de modernas técnicas de planejamento de uso do solo, fica garantida a biodiversidade dos sistemas aquáticos e terrestres. Também não se observa, em áreas de plantio do eucalipto, qualquer efeito de produção de substâncias tóxicas que impeçam o crescimento de outras espécies, prova disto são áreas implantadas no estado onde se realiza, com sucesso, o consórcio da árvore com pastagens (sistemas silvipastoris) e com a agricultura tradicional (sistemas silviagrícolas).
É preciso que tenhamos consciência da frágil realidade florestal do Paraná, que com uma conjuntura composta por mais de 1.200 indústrias e 350 mil trabalhadores, desponta como segundo produto da pauta de exportações do estado. Mas, não por largo horizonte, estamos na iminência de um “apagão” no setor caso não cuidemos imediatamente de suprir o déficit entre disponibilidade florestal e consumo. Diante do que precisamos cultivar no mínimo 57 mil hectares, a mais do que vem sendo realizado, para estabelecermos o equilíbrio a partir de 2021.
Daí a importância de levarmos aos paranaenses os meios para que em conjunto possamos alcançar essa meta. As opiniões precisam vir a público para que dúvidas se esclareçam e, pelo diálogo sereno e honesto, não só asseguremos o funcionamento do sistema como ainda possamos ampliá-lo, criando novas oportunidades de desenvolvimento sustentável no campo e nas cidades.
Nivaldo Passos Kruger é secretário especial de Desenvolvimento Florestal.
Fonte: Gazeta do Povo
Agricultores são pagos para preservar a Mata Atlântica
O Dia Nacional da Conservação do Solo é comemorado nesta quarta-feira (15). Uma das iniciativas bem sucedidas no Brasil é o pagamento de agricultores que preservam a mata atlântica, em Minas Gerais.
O aposentado Octávio de Almeida mostra com orgulho a mata que ocupa quase metade dos seis hectares de terra que herdou da família, em Matias Barbosa. Ele foi o pioneiro do projeto que paga os produtores que preservam a vegetação nativa.
No ano passado, Almeida recebeu R$ 450. O dinheiro ajuda a cuidar do sítio, que não tem renda própria. Esse é o lugar que o aposentado escolheu para descansar.
Já na propriedade vizinha, a renda foi bem maior. O produtor Hélio Domingos, que tira 220 litros de leite por dia, recebeu R$ 4.760, em 2008. Ele preserva 32 dos 105 hectares da fazenda, um número maior do que os 20% da reserva legal. “Por causa da nascente de água que refresca o terreno. É bom para tudo, para a própria natureza”, disse.
Os produtores também ganham arame e mourão, para fazer cerca em volta da mata, e isca para formigas, formicida e mudas. O projeto é uma parceira do governo de Minas Gerais e um banco alemão.
Na Zona da Mata mineira, o gerenciamento é feito por uma organização não-governamental que distribui os recursos aos produtores. “São selecionadas áreas que tenham potencial de recurso natural, como nascentes, minas e córregos. Elas são selecionadas mediante a importância que a área tem para o abastecimento de água, por exemplo”, explicou Theodoro Guerra, presidente da Associação do Meio Ambiente de Juiz de Fora.
Nove produtores recebem de R$ 140 a R$ 400 por hectare ao ano para preservar, recompor a mata ou plantar espécies nativas. Mais sete proprietários de terra serão beneficiados este ano para que a região se torne um corredor ecológico. “A gente viu na prática que o incentivo sensibiliza muito mais o produtor do que a multa e o castigo. A gente sente que hoje eles sentem a mata mais deles e mais valorizada”, disse a agrônoma Ana Paula Mares Guia.
Estima-se que 93% da Mata Atlântica já foi devastada em todo o país.
Fonte: Ambientebrasil
O aposentado Octávio de Almeida mostra com orgulho a mata que ocupa quase metade dos seis hectares de terra que herdou da família, em Matias Barbosa. Ele foi o pioneiro do projeto que paga os produtores que preservam a vegetação nativa.
No ano passado, Almeida recebeu R$ 450. O dinheiro ajuda a cuidar do sítio, que não tem renda própria. Esse é o lugar que o aposentado escolheu para descansar.
Já na propriedade vizinha, a renda foi bem maior. O produtor Hélio Domingos, que tira 220 litros de leite por dia, recebeu R$ 4.760, em 2008. Ele preserva 32 dos 105 hectares da fazenda, um número maior do que os 20% da reserva legal. “Por causa da nascente de água que refresca o terreno. É bom para tudo, para a própria natureza”, disse.
Os produtores também ganham arame e mourão, para fazer cerca em volta da mata, e isca para formigas, formicida e mudas. O projeto é uma parceira do governo de Minas Gerais e um banco alemão.
Na Zona da Mata mineira, o gerenciamento é feito por uma organização não-governamental que distribui os recursos aos produtores. “São selecionadas áreas que tenham potencial de recurso natural, como nascentes, minas e córregos. Elas são selecionadas mediante a importância que a área tem para o abastecimento de água, por exemplo”, explicou Theodoro Guerra, presidente da Associação do Meio Ambiente de Juiz de Fora.
Nove produtores recebem de R$ 140 a R$ 400 por hectare ao ano para preservar, recompor a mata ou plantar espécies nativas. Mais sete proprietários de terra serão beneficiados este ano para que a região se torne um corredor ecológico. “A gente viu na prática que o incentivo sensibiliza muito mais o produtor do que a multa e o castigo. A gente sente que hoje eles sentem a mata mais deles e mais valorizada”, disse a agrônoma Ana Paula Mares Guia.
Estima-se que 93% da Mata Atlântica já foi devastada em todo o país.
Fonte: Ambientebrasil
Contaminação do solo no Sudeste preocupa órgãos ambientais
“Nesta terra, em se plantando tudo dá”, dizia a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, primeiro documento escrito no País. Com a urbanização e o desenvolvimento industrial despreocupado com os recursos naturais, a frase já não é mais verdadeira em algumas partes do País. No Sudeste, região mais industrializada, a situação preocupa os órgãos responsáveis. No Estado de São Paulo, mais de 2,5 mil locais integram o cadastro de áreas com contaminação de solo da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). O número cresceu 10% em relação ao último levantamento, de novembro de 2007. Em Minas Gerais, o número é bem menor: 56 áreas. O Rio de Janeiro informou ter ações pontuais, mas não possui um levantamento sobre o assunto. Matéria de Hermano Freitas, no Portal Terra.
O promotor do Meio Ambiente de São Paulo, José Ismael Lutti, afirma que áreas consideradas contaminadas contém resíduos sólidos de metais pesados como chumbo, cromo e cádmio, ou líquidos, como derivados de petróleo. O material contamina os lençóis freáticos (córregos subterrâneos) e é absorvido pelas plantas que crescem na terra envenenada. Estes resíduos podem intoxicar animais e seres humanos pelo contato com a pele e a ingestão.
Em alguns locais onde a contaminação é maior, até a inalação de vapores emanados pelo solo pode envenenar pessoas com menos resistência, como crianças e idosos.
- Seu efeito é cumulativo e cada pessoa reage à intoxicação de uma forma. Em algumas, pode haver cirrose hepática e até câncer - diz o promotor.
Segundo o gerente do setor de Planejamento e Ações Especiais da Cetesb, Elton Gloeden, o crescimento nas áreas de solo contaminado conhecidas é contínuo desde 2001, ano em que o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que determinou a fiscalização ambiental pelos Estados. Segundo a Cetesb, houve oito atualizações desde então: 255 áreas em 2002, 727 em 2003, 1.336 em 2004, 1.504 em maio de 2005, 1.596 em novembro de 2005, 1.664 em maio de 2006, 1.822 em novembro de 2006, 2.272 em novembro/2007, e agora 2.514 em novembro de 2008, o dado mais recente.
- O aumento é devido principalmente à ação de licenciamento dos postos de combustíveis que precisam apresentar documentos e laudos relativos à estanqueidade dos tanque -, diz Gloeden. Os postos de gasolina respondem por cerca de 78% dos locais com solo contaminado no Estado.
Procurado, o sindicato que representa os donos de postos de gasolina em São Paulo (Sincopetro) afirmou que nem todos os postos de combustíveis poluem. De acordo com a entidade, existe há 12 anos uma câmara para discutir os danos ambientais causados pela atividade. O Sincopetro ainda comparou os passivos ambientais dos postos ao de “qualquer indústria”.
Mina abandonada
O principal poluidor do solo em Minas Gerais também é o ramo dos postos de combustíveis. Segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam), dos 56 pontos de solo contaminado, 55 são locais onde estão ou estavam instalados postos de combustíveis. A substância química presente nestes locais é o hidrocarboneto.
- Esta é a primeira lista e marca o início das ações da Feam para o gerenciamento das áreas contaminadas no Estado de Minas Gerais - disse a autora do estudo, Rosângela Gurgel.
Chama atenção que a única área contaminada conhecida que não tem relação com postos de combustível seja uma mina do século XIX na cidade de Descoberto, na Zona da Mata. Segundo a Feam, neste local a contaminação é devida a grandes quantidades de mercúrio.
Rio
A Secretaria do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro disse ter elaborado em março deste ano o Plano Estadual de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Segundo a pasta, o plano prevê a elaboração de um diagnóstico sobre a gestão de resíduos, da coleta à destinação e tratamento, além dos equipamentos disponíveis nos municípios.
Ainda de acordo com a secretaria, será feito um estudo de regionalização que irá propor as melhores alternativas para a formação de consórcios para gestão de resíduos, incluindo os municípios que irão sediar novos aterros sanitários. Atualmente, há 10 aterros sanitários no Estado.
Colaborou Ney Rubens, de Belo Horizonte.
* Matéria do Portal Terra, 18 de abril de 2009 • 18h40 • atualizado às 18h40
** Enviada por Edinilson Takara, leitor e colaborador do EcoDebate
Fonte: Portal EcoDebate
O promotor do Meio Ambiente de São Paulo, José Ismael Lutti, afirma que áreas consideradas contaminadas contém resíduos sólidos de metais pesados como chumbo, cromo e cádmio, ou líquidos, como derivados de petróleo. O material contamina os lençóis freáticos (córregos subterrâneos) e é absorvido pelas plantas que crescem na terra envenenada. Estes resíduos podem intoxicar animais e seres humanos pelo contato com a pele e a ingestão.
Em alguns locais onde a contaminação é maior, até a inalação de vapores emanados pelo solo pode envenenar pessoas com menos resistência, como crianças e idosos.
- Seu efeito é cumulativo e cada pessoa reage à intoxicação de uma forma. Em algumas, pode haver cirrose hepática e até câncer - diz o promotor.
Segundo o gerente do setor de Planejamento e Ações Especiais da Cetesb, Elton Gloeden, o crescimento nas áreas de solo contaminado conhecidas é contínuo desde 2001, ano em que o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que determinou a fiscalização ambiental pelos Estados. Segundo a Cetesb, houve oito atualizações desde então: 255 áreas em 2002, 727 em 2003, 1.336 em 2004, 1.504 em maio de 2005, 1.596 em novembro de 2005, 1.664 em maio de 2006, 1.822 em novembro de 2006, 2.272 em novembro/2007, e agora 2.514 em novembro de 2008, o dado mais recente.
- O aumento é devido principalmente à ação de licenciamento dos postos de combustíveis que precisam apresentar documentos e laudos relativos à estanqueidade dos tanque -, diz Gloeden. Os postos de gasolina respondem por cerca de 78% dos locais com solo contaminado no Estado.
Procurado, o sindicato que representa os donos de postos de gasolina em São Paulo (Sincopetro) afirmou que nem todos os postos de combustíveis poluem. De acordo com a entidade, existe há 12 anos uma câmara para discutir os danos ambientais causados pela atividade. O Sincopetro ainda comparou os passivos ambientais dos postos ao de “qualquer indústria”.
Mina abandonada
O principal poluidor do solo em Minas Gerais também é o ramo dos postos de combustíveis. Segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam), dos 56 pontos de solo contaminado, 55 são locais onde estão ou estavam instalados postos de combustíveis. A substância química presente nestes locais é o hidrocarboneto.
- Esta é a primeira lista e marca o início das ações da Feam para o gerenciamento das áreas contaminadas no Estado de Minas Gerais - disse a autora do estudo, Rosângela Gurgel.
Chama atenção que a única área contaminada conhecida que não tem relação com postos de combustível seja uma mina do século XIX na cidade de Descoberto, na Zona da Mata. Segundo a Feam, neste local a contaminação é devida a grandes quantidades de mercúrio.
Rio
A Secretaria do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro disse ter elaborado em março deste ano o Plano Estadual de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Segundo a pasta, o plano prevê a elaboração de um diagnóstico sobre a gestão de resíduos, da coleta à destinação e tratamento, além dos equipamentos disponíveis nos municípios.
Ainda de acordo com a secretaria, será feito um estudo de regionalização que irá propor as melhores alternativas para a formação de consórcios para gestão de resíduos, incluindo os municípios que irão sediar novos aterros sanitários. Atualmente, há 10 aterros sanitários no Estado.
Colaborou Ney Rubens, de Belo Horizonte.
* Matéria do Portal Terra, 18 de abril de 2009 • 18h40 • atualizado às 18h40
** Enviada por Edinilson Takara, leitor e colaborador do EcoDebate
Fonte: Portal EcoDebate
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terça-feira, 21 de abril de 2009
EXPORTAÇÃO: Brasil perde com restrição à compra de derivados de madeira
Os EUA começam a fiscalizar no dia 1º de maio o cumprimento de uma lei que pode prejudicar US$ 1,75 bilhão em exportações brasileiras de papel, celulose, madeira e móveis. A nova Lei Lacey exige que exportadores de móveis, celulose e madeira do Brasil (e outros países) comprovem a origem de cada tipo de madeira usado nos produtos, para garantir que não provém de extração ilegal.
"O problema é que muitos dos produtos, sobretudo móveis, contêm componentes feitos de diversos tipos de madeira e haverá enorme custo para levantar todas as informações", diz Diego Bonomo, diretor executivo do Brazilian Information Center, que representa os interesse da indústria brasileira nos EUA.
Segundo ele, a burocracia pode inviabilizar a exportação de muitos produtos. "Todo mundo quer acabar com a extração ilegal de madeira, mas o alto custo das exigências da Lei Lacey será equivalente a uma barreira não-tarifária imposta pelos EUA." De acordo com Bonomo, as empresas menores serão as mais afetadas.
O governo americano abriu um período de consulta para que os países afetados fizessem comentários sobre a lei e pedissem modificações. As consultas acabaram nesta semana, mas o governo brasileiro não se manifestou. Outros países protestaram. O Canadá pediu que materiais de embalagem de madeira (caixas, caixotes) sejam isentos da exigência de declaração de importação.
"Embalagens de madeira tipicamente são feitas de inúmeros tipos de madeira, misturados repetidamente, remontados, remanufaturados e despachados entre vários países. A imposição de uma declaração de importação para essas embalagens criaria custos extraordinários", disse o governo canadense em carta.
Para a Indonésia, a medida fere as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), porque é discriminatória contra os exportadores - americanos não terão de cumpri-la.
A Lei Lacey foi introduzida em 1900 para combater o tráfico de plantas e animais silvestres. Quando foi aprovada a Lei Agrícola de 2008, foi incluída uma emenda à Lei Lacey que ampliou o escopo de proteção para "plantas e produtos de plantas", com o intuito de reprimir a extração ilegal de madeira em outros países, e criou a exigência de uma declaração de importação.
Na declaração, precisa estar especificado o nome científico de cada planta usada no produto, o valor da importação, a quantidade da planta e o nome do país onde a planta foi cultivada. As violações do Lei Lacey podem levar a apreensão dos produtos, multa e até prisão. A declaração começou a ser exigida em 15 de dezembro, mas o monitoramento começa dia 1º.
Fonte: Portal REMADE
"O problema é que muitos dos produtos, sobretudo móveis, contêm componentes feitos de diversos tipos de madeira e haverá enorme custo para levantar todas as informações", diz Diego Bonomo, diretor executivo do Brazilian Information Center, que representa os interesse da indústria brasileira nos EUA.
Segundo ele, a burocracia pode inviabilizar a exportação de muitos produtos. "Todo mundo quer acabar com a extração ilegal de madeira, mas o alto custo das exigências da Lei Lacey será equivalente a uma barreira não-tarifária imposta pelos EUA." De acordo com Bonomo, as empresas menores serão as mais afetadas.
O governo americano abriu um período de consulta para que os países afetados fizessem comentários sobre a lei e pedissem modificações. As consultas acabaram nesta semana, mas o governo brasileiro não se manifestou. Outros países protestaram. O Canadá pediu que materiais de embalagem de madeira (caixas, caixotes) sejam isentos da exigência de declaração de importação.
"Embalagens de madeira tipicamente são feitas de inúmeros tipos de madeira, misturados repetidamente, remontados, remanufaturados e despachados entre vários países. A imposição de uma declaração de importação para essas embalagens criaria custos extraordinários", disse o governo canadense em carta.
Para a Indonésia, a medida fere as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), porque é discriminatória contra os exportadores - americanos não terão de cumpri-la.
A Lei Lacey foi introduzida em 1900 para combater o tráfico de plantas e animais silvestres. Quando foi aprovada a Lei Agrícola de 2008, foi incluída uma emenda à Lei Lacey que ampliou o escopo de proteção para "plantas e produtos de plantas", com o intuito de reprimir a extração ilegal de madeira em outros países, e criou a exigência de uma declaração de importação.
Na declaração, precisa estar especificado o nome científico de cada planta usada no produto, o valor da importação, a quantidade da planta e o nome do país onde a planta foi cultivada. As violações do Lei Lacey podem levar a apreensão dos produtos, multa e até prisão. A declaração começou a ser exigida em 15 de dezembro, mas o monitoramento começa dia 1º.
Fonte: Portal REMADE
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Alcance Territorial da Legislação Ambiental e Indigenista
Embora várias leis, decretos e resoluções visassem a proteção ambiental, elas não contemplaram as realidades sócio-econômicas existentes, nem a história da ocupação do Brasil. Os resultados dessa pesquisa da Embrapa são inequívocos: em termos legais, apenas 25% do país seria passível de ocupação agrícola. Cerca de 75% do território está legalmente destinado a minorias e a proteção e preservação ambiental. Como na realidade, mais de 50% do território já está ocupado, configura-se um enorme divórcio entre a legitimidade e a legalidade do uso das terras e muito conflitos.
Nos últimos anos, um número significativo de áreas foi destinado à proteção ambiental e ao uso exclusivo de algumas populações, enquanto uma série de medidas legais restringiu severamente a possibilidade de remoção da vegetação natural, exigindo sua recomposição e o fim das atividades agrícolas nessas áreas. A pesquisa da Embrapa mapeou, mediu e avaliou, pela primeira vez, diversos cenários de alcance territorial dessa legislação no Brasil, com base em imagens de satélite, cartografia digital e dados secundários.
Essas medidas legais colocam na ilegalidade grande parte da produção de arroz de várzea do RS, SP e MA; de búfalos no AM, AP, PA e MA; do café em SP, MG, PR e BA; da maça em SC; da uva e vinho no RS, SC e SP; da pecuária no Pantanal; da pecuária leiteira em MG, SP, RJ e ES; da cana de açúcar em SP, RJ, MG e NE; dos reflorestamentos em MG, SP, MA e TO; da pecuária de corte em grande parte do Brasil, da citricultura em SP, BA e SE; da irrigação no NE; da mandioca no NE e AM; do tabaco em SC e BA; da soja em MT, MS, GO, SP e PR, entre os casos de maior impacto social e econômico.
Tem sido absolutamente insuficiente a eventual busca de compatibilização do alcance territorial da legislação ambiental com outras demandas territoriais dos indígenas ou quilombolas; com programas sociais de assentamentos e reforma agrária e com o crescimento da economia agrícola, urbana, industrial e energético - mineradora.
O impasse entre legalidade e legitimidade no uso e ocupação das terras deve agravar-se face as demandas e expectativas por mais terras por parte de ambientalistas, indigenistas, movimentos sociais, agricultores etc. Questões de governança territorial e impasses na gestão desses conflitos já chegam ao Supremo Tribunal Federal.
Para o ordenamento territorial, a impressão é de que o Brasil acabou. A prosseguir o atual alcance e desencontros da legislação territorial, o quadro de ‘ilegalidade’ e o confronto entre a legitimidade de demandas sociais e econômicas e a legalidade, todos perdem. Perde-se também, sobretudo, a perspectiva de qualquer tipo de desenvolvimento sustentável.
Fonte: EMBRAPA
Nos últimos anos, um número significativo de áreas foi destinado à proteção ambiental e ao uso exclusivo de algumas populações, enquanto uma série de medidas legais restringiu severamente a possibilidade de remoção da vegetação natural, exigindo sua recomposição e o fim das atividades agrícolas nessas áreas. A pesquisa da Embrapa mapeou, mediu e avaliou, pela primeira vez, diversos cenários de alcance territorial dessa legislação no Brasil, com base em imagens de satélite, cartografia digital e dados secundários.
Essas medidas legais colocam na ilegalidade grande parte da produção de arroz de várzea do RS, SP e MA; de búfalos no AM, AP, PA e MA; do café em SP, MG, PR e BA; da maça em SC; da uva e vinho no RS, SC e SP; da pecuária no Pantanal; da pecuária leiteira em MG, SP, RJ e ES; da cana de açúcar em SP, RJ, MG e NE; dos reflorestamentos em MG, SP, MA e TO; da pecuária de corte em grande parte do Brasil, da citricultura em SP, BA e SE; da irrigação no NE; da mandioca no NE e AM; do tabaco em SC e BA; da soja em MT, MS, GO, SP e PR, entre os casos de maior impacto social e econômico.
Tem sido absolutamente insuficiente a eventual busca de compatibilização do alcance territorial da legislação ambiental com outras demandas territoriais dos indígenas ou quilombolas; com programas sociais de assentamentos e reforma agrária e com o crescimento da economia agrícola, urbana, industrial e energético - mineradora.
O impasse entre legalidade e legitimidade no uso e ocupação das terras deve agravar-se face as demandas e expectativas por mais terras por parte de ambientalistas, indigenistas, movimentos sociais, agricultores etc. Questões de governança territorial e impasses na gestão desses conflitos já chegam ao Supremo Tribunal Federal.
Para o ordenamento territorial, a impressão é de que o Brasil acabou. A prosseguir o atual alcance e desencontros da legislação territorial, o quadro de ‘ilegalidade’ e o confronto entre a legitimidade de demandas sociais e econômicas e a legalidade, todos perdem. Perde-se também, sobretudo, a perspectiva de qualquer tipo de desenvolvimento sustentável.
Fonte: EMBRAPA
A Mata Atlântica finalmente desvelada
Felipe Lobo
14/04/2009, 07:30
Na última quarta-feira (9), uma edição especial da conceituada revista Biological Conservation foi publicada na Internet e provou que a união entre sociedade civil, governo e centros acadêmicos pode render bons frutos para a natureza. Tudo graças ao artigo científico A Mata Atlântica Brasileira: Quanto sobrou e como está distribuída a floresta remanescente? Implicações para a conservação, escrito por profissionais da Universidade de São Paulo em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e com a não-governamental SOS Mata Atlântica. Nele, os autores fazem um raio-x completo e inédito sobre todos os remanescentes de um dos biomas mais ameaçados do planeta.
A idéia de se estudar a divisão geográfica dos fragmentos florestais (veja aqui) da Mata Atlântica e as possíveis estratégias para sua conservação surgiu há quase dois anos, durante uma reunião dos editores da revista, na Europa. Entre eles, estava Jean Paul Metzger, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e responsável pela sugestão. “Eu propus uma edição especial com doze textos sobre o ecossistema. Ficou super completo, pois juntamos as melhores cabeças para falar do atual estado de preservação e o que devemos fazer”, explica.
Ao voltar para o Brasil, Jean questionou Milton Cézar Ribeiro, seu aluno de doutorado em Ecologia de Paisagens, sobre o interesse em desenvolver um trabalho amplo acerca dos fragmentos da floresta mais desmatada no país. Resposta positiva, eles convidaram outros três pesquisadores para completarem a equipe e iniciaram as análises com base em dados já coletados pelo Inpe e SOS – os mesmos que serviram para a confecção do último Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado em parceria pelas duas instituições.
De acordo com Flávio Ponzoni, pesquisador do Inpe e um dos autores do artigo, o atlas é apenas um diagnóstico do bioma como um todo. Muito diferente do que se vê na Biological Conservation. “Neste estudo o Milton foi bem além. Ele pegou os polígonos e fez uma abordagem mais ecológica disso. Viu os tamanhos, o efeito de borda e discutiu em quais sentidos os esforços para a conservação deveriam ser feitos”.
Surpresas e dificuldades
Os resultados de 18 meses de pesquisa são surpreendentes. “Até agora não existiam informações básicas atualizadas sobre o quanto, onde e como estavam distribuídos os remanescentes da floresta, o que dificulta o estabelecimento de políticas para cuidar das espécies”, disse a O Eco, do Canadá (onde faz parte da tese), Milton Ribeiro, autor principal do estudo. Segundo ele, trata-se da maior área já analisada com este nível de detalhamento em todo o mundo.
O trabalho seguiu padrões rígidos de qualidade. Além de incluir nas análises todos os fragmentos com menos de cem hectares (excluídos pela SOS no Atlas), os pesquisadores foram a campo verificar massas de vegetação teoricamente subestimadas pelo banco de dados disponível. O esforço teve recompensa: em vez de restar apenas 7% do ecossistema, como diz o senso comum, é possível que a Mata Atlântica cubra de 11,4 a 16% do seu território original.
“A notícia ruim é que há muitos fragmentos pequenos. Eles representam um terço da Mata Atlântica e eram excluídos de outros estudos. Achava-se que eles não tinham valor para a conservação, mas sabemos que não é bem essa a estratégia!”, diz Metzger, cuja opinião é compartilhada por Milton. Para o futuro doutor, os conjuntos de mata inferiores a cem hectares podem não ser suficientes para manter populações de animais e plantas estritamente florestais, mas são fundamentais para a dispersão de indivíduos, o fluxo gênico e a redução do isolamento entre frações maiores.
“Ao mesmo tempo, existem espécies que precisam de menos área disponível para sobreviver. Além disso, caso haja menos fragmentos, o sucesso no processo de dispersão diminui, o que pode reduzir a variabilidade genética em longo prazo e prejudicar a biodiversidade”, completa Ribeiro. Apesar da boa notícia em relação ao tamanho real da Mata Atlântica, uma informação tirou o sono dos autores do estudo: apenas 1% da floresta sobrevive em unidades de conservação, muito longe dos 10% recomendados internacionalmente.
Estratégias de conservação
Outras descobertas também apontam para um cenário difícil na proteção do bioma, rico em biodiversidade e em avanços de atividades insustentáveis. Quase a metade da vegetação em pé, por exemplo, sofre o “efeito de borda” por estar a menos de cem metros de ambientes alterados por ações humanas – sejam áreas agrícolas, urbanas ou pastagens. As conseqüências desta proximidade são perturbações como pragas, ventos mais intensos e série de outros problemas capazes de desestabilizar os ciclos naturais.
“Até podemos manter esta área produtiva, mas de outra forma. Algumas alternativas são agroflorestas, plantações de mudas exóticas, ou seja, algo que estimule sistemas que tenham misturas com componentes arbóreos. Basta tentar fazer com que o contraste seja menor”, avalia Metzger. Outro importante impasse é a distância média entre os derradeiros resquícios de árvores: quase um quilômetro e meio. A baixa conectividade, explica Ribeiro, pode causar extinções locais.
O artigo científico, que também contou com a colaboração de Márcia Hirota (SOS Mata Atlântica) e Alexandre Camargo Martensen (USP), não faz apenas um diagnóstico, mas sugere caminhos para manter e restaurar o ecossistema. Um deles é criar unidades de conservação de proteção integral com os maiores fragmentos, como aqueles da Serra do Mar. No interior de estados como São Paulo, Minas gerais e Pernambuco, onde os resquícios são pequenos, é preciso interligar a mata com uma linha de mosaicos em parceria com propriedades privadas. Neste caso, as políticas públicas devem visar o suporte às reservas legais e a aquisição de novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).
Para tanto, uma das prioridades é definir onde estão as matas originais e em estágios sucessivos de crescimento. De acordo com Metzger, a diferença entre elas e as secundárias é grande. Mas nada que tire a importância das últimas. “Temos uma comparação boa em São Paulo entre esses dois tipos de vegetação. Enquanto na primária vivem 160 espécies de aves, na replantada, que é contínua, existem apenas cem”. Independente do valor é sempre melhor que a floresta esteja de pé, e não deitada.
Fonte: O Eco
14/04/2009, 07:30
Na última quarta-feira (9), uma edição especial da conceituada revista Biological Conservation foi publicada na Internet e provou que a união entre sociedade civil, governo e centros acadêmicos pode render bons frutos para a natureza. Tudo graças ao artigo científico A Mata Atlântica Brasileira: Quanto sobrou e como está distribuída a floresta remanescente? Implicações para a conservação, escrito por profissionais da Universidade de São Paulo em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e com a não-governamental SOS Mata Atlântica. Nele, os autores fazem um raio-x completo e inédito sobre todos os remanescentes de um dos biomas mais ameaçados do planeta.
A idéia de se estudar a divisão geográfica dos fragmentos florestais (veja aqui) da Mata Atlântica e as possíveis estratégias para sua conservação surgiu há quase dois anos, durante uma reunião dos editores da revista, na Europa. Entre eles, estava Jean Paul Metzger, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e responsável pela sugestão. “Eu propus uma edição especial com doze textos sobre o ecossistema. Ficou super completo, pois juntamos as melhores cabeças para falar do atual estado de preservação e o que devemos fazer”, explica.
Ao voltar para o Brasil, Jean questionou Milton Cézar Ribeiro, seu aluno de doutorado em Ecologia de Paisagens, sobre o interesse em desenvolver um trabalho amplo acerca dos fragmentos da floresta mais desmatada no país. Resposta positiva, eles convidaram outros três pesquisadores para completarem a equipe e iniciaram as análises com base em dados já coletados pelo Inpe e SOS – os mesmos que serviram para a confecção do último Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado em parceria pelas duas instituições.
De acordo com Flávio Ponzoni, pesquisador do Inpe e um dos autores do artigo, o atlas é apenas um diagnóstico do bioma como um todo. Muito diferente do que se vê na Biological Conservation. “Neste estudo o Milton foi bem além. Ele pegou os polígonos e fez uma abordagem mais ecológica disso. Viu os tamanhos, o efeito de borda e discutiu em quais sentidos os esforços para a conservação deveriam ser feitos”.
Surpresas e dificuldades
Os resultados de 18 meses de pesquisa são surpreendentes. “Até agora não existiam informações básicas atualizadas sobre o quanto, onde e como estavam distribuídos os remanescentes da floresta, o que dificulta o estabelecimento de políticas para cuidar das espécies”, disse a O Eco, do Canadá (onde faz parte da tese), Milton Ribeiro, autor principal do estudo. Segundo ele, trata-se da maior área já analisada com este nível de detalhamento em todo o mundo.
O trabalho seguiu padrões rígidos de qualidade. Além de incluir nas análises todos os fragmentos com menos de cem hectares (excluídos pela SOS no Atlas), os pesquisadores foram a campo verificar massas de vegetação teoricamente subestimadas pelo banco de dados disponível. O esforço teve recompensa: em vez de restar apenas 7% do ecossistema, como diz o senso comum, é possível que a Mata Atlântica cubra de 11,4 a 16% do seu território original.
“A notícia ruim é que há muitos fragmentos pequenos. Eles representam um terço da Mata Atlântica e eram excluídos de outros estudos. Achava-se que eles não tinham valor para a conservação, mas sabemos que não é bem essa a estratégia!”, diz Metzger, cuja opinião é compartilhada por Milton. Para o futuro doutor, os conjuntos de mata inferiores a cem hectares podem não ser suficientes para manter populações de animais e plantas estritamente florestais, mas são fundamentais para a dispersão de indivíduos, o fluxo gênico e a redução do isolamento entre frações maiores.
“Ao mesmo tempo, existem espécies que precisam de menos área disponível para sobreviver. Além disso, caso haja menos fragmentos, o sucesso no processo de dispersão diminui, o que pode reduzir a variabilidade genética em longo prazo e prejudicar a biodiversidade”, completa Ribeiro. Apesar da boa notícia em relação ao tamanho real da Mata Atlântica, uma informação tirou o sono dos autores do estudo: apenas 1% da floresta sobrevive em unidades de conservação, muito longe dos 10% recomendados internacionalmente.
Estratégias de conservação
Outras descobertas também apontam para um cenário difícil na proteção do bioma, rico em biodiversidade e em avanços de atividades insustentáveis. Quase a metade da vegetação em pé, por exemplo, sofre o “efeito de borda” por estar a menos de cem metros de ambientes alterados por ações humanas – sejam áreas agrícolas, urbanas ou pastagens. As conseqüências desta proximidade são perturbações como pragas, ventos mais intensos e série de outros problemas capazes de desestabilizar os ciclos naturais.
“Até podemos manter esta área produtiva, mas de outra forma. Algumas alternativas são agroflorestas, plantações de mudas exóticas, ou seja, algo que estimule sistemas que tenham misturas com componentes arbóreos. Basta tentar fazer com que o contraste seja menor”, avalia Metzger. Outro importante impasse é a distância média entre os derradeiros resquícios de árvores: quase um quilômetro e meio. A baixa conectividade, explica Ribeiro, pode causar extinções locais.
O artigo científico, que também contou com a colaboração de Márcia Hirota (SOS Mata Atlântica) e Alexandre Camargo Martensen (USP), não faz apenas um diagnóstico, mas sugere caminhos para manter e restaurar o ecossistema. Um deles é criar unidades de conservação de proteção integral com os maiores fragmentos, como aqueles da Serra do Mar. No interior de estados como São Paulo, Minas gerais e Pernambuco, onde os resquícios são pequenos, é preciso interligar a mata com uma linha de mosaicos em parceria com propriedades privadas. Neste caso, as políticas públicas devem visar o suporte às reservas legais e a aquisição de novas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs).
Para tanto, uma das prioridades é definir onde estão as matas originais e em estágios sucessivos de crescimento. De acordo com Metzger, a diferença entre elas e as secundárias é grande. Mas nada que tire a importância das últimas. “Temos uma comparação boa em São Paulo entre esses dois tipos de vegetação. Enquanto na primária vivem 160 espécies de aves, na replantada, que é contínua, existem apenas cem”. Independente do valor é sempre melhor que a floresta esteja de pé, e não deitada.
Fonte: O Eco
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O maravilhoso lixo eletrônico
Por Glorinha Glock*
Porto Alegre, 20 de abril (Terramérica) - Com peças de um e de outro equipamento sem uso, os alunos do Centro de Recuperação de Computadores (CRC) de Porto Alegre colocaram em funcionamento 1.700 máquinas em três anos de trabalho. No final de 2009, deverão chegar a 2.500 computadores, que serão distribuídos em escolas, ONGs e centros de informática, aproximando a tecnologia das pessoas que ainda estão longe dela nesta cidade de 1,5 milhão de habitantes, capital do Rio Grande do Sul.
A matéria-prima do CRC é o lixo eletrônico descartado pelo governo federal, bancos, empresas e usuários individuais, que trocam seus computadores por outros mais modernos ou não conseguem consertá-los. Antes, computadores, impressoras e acessórios eram jogados em aterros sanitários ou armazenados em depósitos até serem descartados como entulho. Agora, ganham mais um tempo de vida útil, ou são usados como matéria-prima para expressões artísticas.
O projeto faz parte do Programa Brasileiro de Inclusão Digital e é resultado de uma associação entre o Ministério do Planejamento e a Rede Marista de Educação e Solidariedade, parte da congregação católica dos Irmãos Maristas. Centros como o de Porto Alegre foram instalados em Minas Gerais e São Paulo, no sudeste e sul, e no Distrito Federal, centro do país. Como nos demais, o CRC de Porto Alegre fica em um bairro da periferia. Ali, 88 jovens de famílias vulneráveis recebem uma bolsa auxílio para aprender a desmontar, recondicionar, adaptar e montar equipamentos, instalar software livre, programar e configurar computadores.
Sobretudo, descobrem o valor de cada peça, não apenas das máquinas, mas deles mesmos como cidadãos. “O curso é importante por seu aspecto profissional e pelo convívio com as pessoas, que aqui interagem”, explica Kieth Garcia Reges, de 16 anos. Na era “do descartável”, ela e seus companheiros são uma exceção. “Deixamos de desejar muitas coisas e aprendemos a usar mais o que temos em casa”, disse. São poucas as pessoas que podem se dar ao luxo de mexer sem medo em um computador e “se der um problema podem consertar”, acrescenta.
Reges conserta computadores, carregadores de celular, alto-falantes, ventiladores. E multiplica seus conhecimentos. Convidou dois colegas para apresentarem um trabalho sobre resíduos eletrônicos em uma mostra pedagógica que acontecerá em sua escola. No pavilhão instalado na sede do Centro Social Marista (Cesmar) de Porto Alegre, Rafael de Vasconcelos, de 17 anos e apaixonado por Robótica, foi mais longe. Começou como voluntário aos 15 anos, foi monitor e logo contratado como aprendiz. Hoje é educador. Com a bolsa que recebe, paga seus estudos na Faculdade de Engenharia Elétrica e Eletrônica, onde acaba de entrar. “Quando estou na aula me sinto feliz de ver que aprendo a misturar estas coisas que ajudam a melhorar o mundo”, afirma.
Os olhos de Rafael não enxergam apenas a vantagem da velocidade e eficiência dos equipamentos que faz funcionar. Ele reconhece, por exemplo, que a fabricação de um computador tem mais custos para o meio ambiente do que os imaginados pelo consumidor. Tudo que chega ao CRC é aproveitado. Muitas peças que não podem ser reparadas são desmontadas e estudadas nas aulas de Robótica, território de Rafael. Quem vê a montanha de carcaças de caça-níqueis no pátio do Cesmar não imagina a quantidade de produtos gerados a partir desses equipamentos ilegais apreendidos pela Receita Federal e doados com a condição de terem seus materiais reaproveitados.
Orgulhoso, Rafael conta como transformou uma velha tela em um luminoso de divulgação. “Demoramos meses para mapear a parte eletrônica, depois plugamos na porta paralela do computador e fizemos um programa para imprimir palavras e letras”, descreve, contagiado pelo jargão da informática. O conhecimento adquirido é repassado aos novos estudantes. A madeira dos caça-níqueis também é usada para fabricar bancos, enfeites e mesas, em um novo projeto, que será implementado este ano, para criar novos ofícios e renda. Nos fundos do CRC, os resíduos que não podem ser recondicionados se transformam em arte. A tampa de um enorme computador IBM serviu de tela para pintar grafites com motivos da Páscoa, que decoraram o Cesmar na Semana Santa.
Quando era novo, há uns 12 anos, este computador custava cerca de US$ 27 mil, observa Tarcício Postingher, coordenador técnico do Centro. “A tecnologia evoluiu tanto que ele já não pode funcionar como os modelos atuais”, explica. Desmontado, se transformou em quadros que expressam a criatividade e o talento dos jovens. De suas peças metálicas surgem pequenas figuras de jogadores de futebol, pintadas e colocadas sobre uma base, como nos troféus. Quando os materiais não podem ser reaproveitados, o próprio CRC se encarrega de dar um destino apropriado. Embora incipiente, está sendo desenvolvido no Brasl um mercado de empresas que coletam lixo eletrônico, conhecido como e-lixo, composto sobretudo por placas de informática, telefonia e eletroeletrônicos.
Uma dessas empresas é a Lorene. “Processamos cerca de 200 toneladas de e-lixo por mês’, afirma seu gerente de produção, Eduardo Manuel Ribeiro de Almeida. Desse processo de purificação, emergem metais nobres, como ouro, prata, platina, paládio e cobre, que retornam ao ciclo produtivo, reduzindo a necessidade de extração de minerais da natureza, explica o engenheiro Almeida. O coordenador do CRC, Postingher, com formação em Teologia e pós-graduado em Informática, aponta os desafios futuros. “Em 2008, foram vendidos neste país 12 milhões de computadores. Isto significa que em dois ou três anos será preciso dar-lhes um destino final”, afirmou. Além da adaptação às novas tecnologias, é preciso formar profissionais com uma visão global.
Atento aos debates das tecnologias da informação verde, Postingher recorda que um dos principais problemas dos centros e indústrias da área de informática é economizar eletricidade. Uma possibilidade é contar com um único servidor virtual que administre dez serviços ao mesmo tempo, reduzindo a quantidade de computadores e de energia, afirma. Desta forma, o prejuízo ao meio ambiente é menor. “Esta mudança de mentalidade é difícil, pois todo mundo quer consumir. Os seres humanos devem ser preparados, e isso exige um processo educativo”, concluiu.
* Este artigo é parte de uma série produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federação Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Aliança de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustentável (www.complusalliance.org).
Crédito da imagem: Clarinha Glock/IPS
Legenda: Carcaças de máquinas caça-níqueis se transformam em arte.
LINKS
Libertar o cientista interior e superar a brecha digital
http://www.ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=91289" target="_blank">http://www.ipsnoticias.net/nota.asp?idnews=91289
Celular engana pobreza
http://www.ipsnoticias.net/interna.asp?idnews=35396" target="_blank">http://www.ipsnoticias.net/interna.asp?idnews=35396
Computadores para a inclusão
http://www.computadoresparainclusao.gov.br/index.php" target="_blank">http://www.computadoresparainclusao.gov.br/index.php
Rede Marista de Educação e Solidariedade, Brasil
http://www.maristas.org.br/" target="_blank">http://www.maristas.org.br/
Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.
Fonte: Envolverde
Porto Alegre, 20 de abril (Terramérica) - Com peças de um e de outro equipamento sem uso, os alunos do Centro de Recuperação de Computadores (CRC) de Porto Alegre colocaram em funcionamento 1.700 máquinas em três anos de trabalho. No final de 2009, deverão chegar a 2.500 computadores, que serão distribuídos em escolas, ONGs e centros de informática, aproximando a tecnologia das pessoas que ainda estão longe dela nesta cidade de 1,5 milhão de habitantes, capital do Rio Grande do Sul.
A matéria-prima do CRC é o lixo eletrônico descartado pelo governo federal, bancos, empresas e usuários individuais, que trocam seus computadores por outros mais modernos ou não conseguem consertá-los. Antes, computadores, impressoras e acessórios eram jogados em aterros sanitários ou armazenados em depósitos até serem descartados como entulho. Agora, ganham mais um tempo de vida útil, ou são usados como matéria-prima para expressões artísticas.
O projeto faz parte do Programa Brasileiro de Inclusão Digital e é resultado de uma associação entre o Ministério do Planejamento e a Rede Marista de Educação e Solidariedade, parte da congregação católica dos Irmãos Maristas. Centros como o de Porto Alegre foram instalados em Minas Gerais e São Paulo, no sudeste e sul, e no Distrito Federal, centro do país. Como nos demais, o CRC de Porto Alegre fica em um bairro da periferia. Ali, 88 jovens de famílias vulneráveis recebem uma bolsa auxílio para aprender a desmontar, recondicionar, adaptar e montar equipamentos, instalar software livre, programar e configurar computadores.
Sobretudo, descobrem o valor de cada peça, não apenas das máquinas, mas deles mesmos como cidadãos. “O curso é importante por seu aspecto profissional e pelo convívio com as pessoas, que aqui interagem”, explica Kieth Garcia Reges, de 16 anos. Na era “do descartável”, ela e seus companheiros são uma exceção. “Deixamos de desejar muitas coisas e aprendemos a usar mais o que temos em casa”, disse. São poucas as pessoas que podem se dar ao luxo de mexer sem medo em um computador e “se der um problema podem consertar”, acrescenta.
Reges conserta computadores, carregadores de celular, alto-falantes, ventiladores. E multiplica seus conhecimentos. Convidou dois colegas para apresentarem um trabalho sobre resíduos eletrônicos em uma mostra pedagógica que acontecerá em sua escola. No pavilhão instalado na sede do Centro Social Marista (Cesmar) de Porto Alegre, Rafael de Vasconcelos, de 17 anos e apaixonado por Robótica, foi mais longe. Começou como voluntário aos 15 anos, foi monitor e logo contratado como aprendiz. Hoje é educador. Com a bolsa que recebe, paga seus estudos na Faculdade de Engenharia Elétrica e Eletrônica, onde acaba de entrar. “Quando estou na aula me sinto feliz de ver que aprendo a misturar estas coisas que ajudam a melhorar o mundo”, afirma.
Os olhos de Rafael não enxergam apenas a vantagem da velocidade e eficiência dos equipamentos que faz funcionar. Ele reconhece, por exemplo, que a fabricação de um computador tem mais custos para o meio ambiente do que os imaginados pelo consumidor. Tudo que chega ao CRC é aproveitado. Muitas peças que não podem ser reparadas são desmontadas e estudadas nas aulas de Robótica, território de Rafael. Quem vê a montanha de carcaças de caça-níqueis no pátio do Cesmar não imagina a quantidade de produtos gerados a partir desses equipamentos ilegais apreendidos pela Receita Federal e doados com a condição de terem seus materiais reaproveitados.
Orgulhoso, Rafael conta como transformou uma velha tela em um luminoso de divulgação. “Demoramos meses para mapear a parte eletrônica, depois plugamos na porta paralela do computador e fizemos um programa para imprimir palavras e letras”, descreve, contagiado pelo jargão da informática. O conhecimento adquirido é repassado aos novos estudantes. A madeira dos caça-níqueis também é usada para fabricar bancos, enfeites e mesas, em um novo projeto, que será implementado este ano, para criar novos ofícios e renda. Nos fundos do CRC, os resíduos que não podem ser recondicionados se transformam em arte. A tampa de um enorme computador IBM serviu de tela para pintar grafites com motivos da Páscoa, que decoraram o Cesmar na Semana Santa.
Quando era novo, há uns 12 anos, este computador custava cerca de US$ 27 mil, observa Tarcício Postingher, coordenador técnico do Centro. “A tecnologia evoluiu tanto que ele já não pode funcionar como os modelos atuais”, explica. Desmontado, se transformou em quadros que expressam a criatividade e o talento dos jovens. De suas peças metálicas surgem pequenas figuras de jogadores de futebol, pintadas e colocadas sobre uma base, como nos troféus. Quando os materiais não podem ser reaproveitados, o próprio CRC se encarrega de dar um destino apropriado. Embora incipiente, está sendo desenvolvido no Brasl um mercado de empresas que coletam lixo eletrônico, conhecido como e-lixo, composto sobretudo por placas de informática, telefonia e eletroeletrônicos.
Uma dessas empresas é a Lorene. “Processamos cerca de 200 toneladas de e-lixo por mês’, afirma seu gerente de produção, Eduardo Manuel Ribeiro de Almeida. Desse processo de purificação, emergem metais nobres, como ouro, prata, platina, paládio e cobre, que retornam ao ciclo produtivo, reduzindo a necessidade de extração de minerais da natureza, explica o engenheiro Almeida. O coordenador do CRC, Postingher, com formação em Teologia e pós-graduado em Informática, aponta os desafios futuros. “Em 2008, foram vendidos neste país 12 milhões de computadores. Isto significa que em dois ou três anos será preciso dar-lhes um destino final”, afirmou. Além da adaptação às novas tecnologias, é preciso formar profissionais com uma visão global.
Atento aos debates das tecnologias da informação verde, Postingher recorda que um dos principais problemas dos centros e indústrias da área de informática é economizar eletricidade. Uma possibilidade é contar com um único servidor virtual que administre dez serviços ao mesmo tempo, reduzindo a quantidade de computadores e de energia, afirma. Desta forma, o prejuízo ao meio ambiente é menor. “Esta mudança de mentalidade é difícil, pois todo mundo quer consumir. Os seres humanos devem ser preparados, e isso exige um processo educativo”, concluiu.
* Este artigo é parte de uma série produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federação Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Aliança de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustentável (www.complusalliance.org).
Crédito da imagem: Clarinha Glock/IPS
Legenda: Carcaças de máquinas caça-níqueis se transformam em arte.
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Libertar o cientista interior e superar a brecha digital
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Celular engana pobreza
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Computadores para a inclusão
http://www.computadoresparainclusao.gov.br/index.php" target="_blank">http://www.computadoresparainclusao.gov.br/index.php
Rede Marista de Educação e Solidariedade, Brasil
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Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.
Fonte: Envolverde
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
As sementes da discórdia
Pesquisas discutem impacto do contrabando de sementes da seringueira por ingleses
Carlos Haag
Edição Impressa 158 - Abril 2009
O trocadilho é inevitável e, talvez, perdoável: o tempo na história de Henry Wickham sempre foi elástico. Ele surrupiou as sementes da seringueira em 1876, mas apenas em 1895 é que os ingleses resolveram iniciar a plantação da borracha na Malásia em bases comerciais e, assim, só no final de sua vida é que ele ganhou o agradecimento oficial do Império Britânico, virando Sir, a contragosto da rainha Vitória, que o considerava “um homenzinho desagradável”. Por décadas discutiu-se, sem resultados satisfatórios, se ele agiu como um ladrão comum ou era um “homem do seu tempo”, e ele chegou a ganhar o apelido, justo ou injusto, de “pai da biopirataria”. Muito tempo depois, a partir da Eco-92, se começou a discutir com sutilezas essa questão. “Na década anterior prevaleciam, na legislação internacional, os conceitos derivados do farmer’s rights da Organizacão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentacão, fundamentados no princípio do bem comum da humanidade, e propondo que os recursos naturais fossem acessíveis a todos. A discussão agora é se – o Brasil impondo uma lei de acesso muito rígida – eles irão pesquisar em outros países ou então tentarão coletar sem autorização oficial, o que caracteriza a biopirataria. O maior interesse para o desenvolvimento nacional é, na verdade, um grande desafio: transformar toda biopirataria potencial em bioparceria a fim de reforçar as capacidades tecnológicas do país”, avalia Ana Flávia Granja e Barros, professora adjunta da Universidade de Brasília/Instituto de Relações Internacionais. O tempo parece não ter ajudado tanto a recuperar a reputação de Wickham. Teria sido ele o real responsável pela decadência do ciclo brasileiro da borracha?
“Havia, muito antes desse contrabando, um entusiasmo pela ‘teologia natural’, em especial do Império Britânico. Argumentava-se que, se a unidade do Jardim do Éden havia se perdido, o livre comércio permitiria a redescoberta das suas riquezas agrícolas. Daí, em 1851, a Macintosh&Co., a maior manufatureira de borracha britânica, ter presenteado o príncipe Albert, marido da rainha Vitória, com uma barra de borracha em que estava inscrito o poema Charity, de William Cowper, cujos dizeres afirmavam: ‘O ramo do comércio foi criado para associar todos os ramos da humanidade. Cada clima necessita o que outros climas produzem e, assim, oferecem algo para o uso geral de todos’. Roubar sementes, então, poderia ser uma ‘ação nobre’ pelo ‘bem comum’ da humanidade”, explica a historiadora Emma Reisz, do Jesus College, em Oxford, autora de The political economy of empire in the tropics: rubber in the British Empire, que será lançado no final do ano na Inglaterra. “Wickham, por essa razão, nunca viu o contrabando das sementes como um roubo, mas como um ato de patriotismo e salvação pessoal. Muito antes da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), a biopirataria de Henry deu à Inglaterra o primeiro monopólio global de um recurso estratégico na história do homem”, completa Joe Jackson, autor do recém-lançado The thief at the end of the world, biografia de Wickham. Se o homem era desprezado pela nobreza, o fruto de sua aventura encheu de glória o The Royal Botanical Gardens, em Kew (que celebra, este ano, seus 250 anos), uma louvada instituição de pesquisa botânica, que acolheu e incentivou não apenas o furto das sementes brasileiras, mas de muitas outras, entre as quais, por exemplo, a cinchona ou quinina, surrupiada por pesquisadores ingleses do Peru segundo o espírito do “bem comum da humanidade”. Em verdade, o desejo pelo quinino se devia menos ao altruísmo universalista e mais à necessidade imperialista de combater a malária que atacava os soldados britânicos em países distantes, atrapalhando o comércio colonial.
“A parceria entre governos coloniais e jardins botânicos na transferência e no desenvolvimento de plantas úteis funcionava como um benefício mútuo. O subsídio do Estado a esses centros cresceu quando os governos perceberam o potencial estratégico da botânica. Os institutos, por sua vez, retribuíram o investimento nacional pesquisando e aprimorando sementes para as plantations”, explica a historiadora Lucile Brockway, da City University of New York, autora de Science and colonial expansion. “A monocultura tropical em mãos europeias teve um grande avanço, mas também produziu desequilíbrios políticos e ecológicos imensos e com os quais o mundo moderno ainda hoje precisa lidar.” O século XIX, continua a pesquisadora, deu ênfase à “botânica econômica”, ou seja, à “botânica colonial”, e instituições como Kew Gardens, de início percebidas pelo governo como “caprichos reais” ou “divertimento das massas”, ganharam status na hierarquia imperial como “câmara de compensação” na troca de informações botânicas e centro de intercâmbio de plantas pelo Império Britânico, enviando espécimes e sementes para onde houvesse potencial comercial.
Assim, em 1850, quando Thomas Hancock, dono da Macintosh, expressou publicamente a sua preocupação com o monopólio da borracha pelo Brasil, que, afirmava, não era confiável em termos de oferta e preços, Sir William Hooker, seu amigo e diretor de Kew Gardens, prontificou-se a “oferecer toda e qualquer ajuda para quem desejar transferir a seringueira do Brasil para o território imperial”. “A ‘mão invisível’ do mercado, ao que parece, precisava de uma forcinha. Mas obter as mudas brasileiras exigiam conhecimento botânico e coragem para enfrentar a floresta diante de um preço de mercado comparativamente baixo, o que não justificava o esforço”, nota Emma. O governo britânico não se interessou e foi apenas a partir de 1870, por pressão das autoridades inglesas na Índia que necessitavam da borracha, que o India Office, em Londres, passou a considerar o assunto com gravidade, nos moldes do que se fizera com a quinina. Afinal, um relatório oficial sobre a situação no Brasil alertava do perigo de se perder um “bem da humanidade” pelas mãos de “um seringueiro bêbado que, depois de uma noitada de cachaça, poderia destruir todas as árvores em seu caminho”. “Era uma questão de civilismo arrancar a borracha do Brasil e, em 1873, o India Office destinou verba para obter mudas ou sementes da seringueira”, diz Emma.
Várias tentativas foram feitas, mas as sementes não vingavam em Kew, o que abalou o ânimo de Hooker, mesmo ao receber uma carta de Wickham em que prometia ser capaz não apenas de reconhecer a árvore correta, como também de enviar milhares de sementes com segurança para Kew Gardens. Típico aventureiro da época, Henry, aos 27 anos, partiu para a América Central para tentar ficar rico e acabou em Santarém, onde viu in loco a riqueza do boom da borracha. Antes, no Orinoco, aprendera, com índios, a recolher o látex. Seus relatos de viagem, com desenhos das folhas da Hevea, convenceram o India Office de que ele tinha potencial, após deixar seu projeto engavetado por seis meses. Em 1876 Wickham voltou ao Brasil com a mulher, a mãe, o irmão e a cunhada (perdeu aqui boa parte da família, vítima de doenças tropicais), e escreveu a Hooker de Seringal, às margens do Tapajós (não muito distante da futura empresa de Ford) avisando que coletara as sementes. A bordo do navio Amazonas, com 70 mil sementes a bordo, declarou na alfândega brasileira que “levava apenas espécimes exóticos e delicados para o jardim botânico”. Para tanto, contou com o auxílio do cônsul inglês e do “barão de S.”, “muito compreensivo”. “Eles agiram não contra os desejos do governo brasileiro, mas exatamente como se este não existisse e as únicas autoridades naquele canto do mundo fossem os cônsules britânicos”, observa Warren Dean. As sementes chegaram intactas em Londres e foram enviadas para a Ásia britânica.
“Porém, o desenvolvimento de plantations em larga escala naquela região foi lento pela falta de capital e pelo desinteresse dos comerciantes ingleses, que só reagiram quando o potencial da borracha estourou com a indústria de carros”, analisa o economista Aldo Musacchio, do Ibmec São Paulo. Em 1900, as plantações asiáticas produziam apenas quatro toneladas de látex ante as 27 mil toneladas obtidas por meio do extrativismo no Brasil. Em 1916, as plantations britânicas iriam produzir Hevea suficiente para abastecer 95% da demanda mundial por borracha de alta qualidade. A Amazônia entrou em parafuso. “Por que os produtores brasileiros não reagiram? Ao contrário do que se pensa, não houve um ‘erro fatal’ da oligarquia da borracha, mas uma ação ‘otimizada’ dadas as opções existentes”, analisa o economista Zephyr Frank, da Stanford University. “Incapaz de deter o contrabando de sementes, a única opção para os brasileiros seria um grande investimento na produção que afastasse a concorrência incipiente por meio do aumento da produtividade, da importação de mão de obra, diminuição de custos de trabalho e com a organização de plantations. Mas o país, naquele momento, não tinha capacidade de mobilizar esses recursos de capital (nem interesse, por causa do café) e trabalho necessários para virar o jogo”, explica. “Como o mercado da borracha é imprevisível e demorado (acompanha o tempo de crescimento das árvores, entre seis e oito anos), os brasileiros optaram por ‘sentar e esperar’, pois investir em plantations era caro demais e sem garantias; além do mais, o extrativismo era lucrativo a seu modo. A opção era deixar os ingleses invadirem o mercado até o excesso de produção, como ocorreu em 1922.”
O tempo, dessa vez, estava a favor da borracha brasileira. O domínio britânico centrava-se nas relações coloniais privilegiadas, que propiciavam mão de obra farta e barata. Com o declínio do Império e a pressão americana, que demandava mais borracha a custos menores, a vantagem inicial perdeu-se. “A questão da borracha foi, ao mesmo tempo, emblemática do poder colonial e um indicativo de sua decadência. Quando quiseram manter o cartel já não tinham mais poder para impedir os americanos de buscar borracha em outros lugares, como fez Ford no Brasil”, diz Emma. Havia ainda o fator ecológico. “Os britânicos exaltaram a civilidade das plantations em contraste com a suposta incivilidade dos seringais, percepção comungada pelas elites cafeicultoras no poder. A política oficial, em especial após a República, comprou essa ideia e promoveu essas plantations, sem dar importância aos conhecimentos locais e às visões dos produtores locais de borracha, que discordavam da promoção da monocultura. Para eles, o extrativismo garantia a perenidade da produção e não destruía a terra e as árvores, ao contrário da opção ‘civilizada’”, analisa a historiadora Rosineide Bentes, da Universidade do Estado do Pará. “A promoção da monocultura colidiu com a concepção ecológica dos seringalistas, para quem preservar a floresta tinha um profundo significado econômico e ecológico. Eles perceberam, antes dos cientistas, que as plantations eram alvo fácil de pragas. A monocultura, assim, não proliferou na Amazônia também porque os produtores acreditavam que ela destruiria seu principal capital: a floresta nativa de goma elástica. Assim, sem se submeter nem à selva, nem às forças industrializantes, por opção própria, eles fizeram história”, acredita a pesquisadora.
Fonte: Pesquisa FAPESP Online
Carlos Haag
Edição Impressa 158 - Abril 2009
O trocadilho é inevitável e, talvez, perdoável: o tempo na história de Henry Wickham sempre foi elástico. Ele surrupiou as sementes da seringueira em 1876, mas apenas em 1895 é que os ingleses resolveram iniciar a plantação da borracha na Malásia em bases comerciais e, assim, só no final de sua vida é que ele ganhou o agradecimento oficial do Império Britânico, virando Sir, a contragosto da rainha Vitória, que o considerava “um homenzinho desagradável”. Por décadas discutiu-se, sem resultados satisfatórios, se ele agiu como um ladrão comum ou era um “homem do seu tempo”, e ele chegou a ganhar o apelido, justo ou injusto, de “pai da biopirataria”. Muito tempo depois, a partir da Eco-92, se começou a discutir com sutilezas essa questão. “Na década anterior prevaleciam, na legislação internacional, os conceitos derivados do farmer’s rights da Organizacão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentacão, fundamentados no princípio do bem comum da humanidade, e propondo que os recursos naturais fossem acessíveis a todos. A discussão agora é se – o Brasil impondo uma lei de acesso muito rígida – eles irão pesquisar em outros países ou então tentarão coletar sem autorização oficial, o que caracteriza a biopirataria. O maior interesse para o desenvolvimento nacional é, na verdade, um grande desafio: transformar toda biopirataria potencial em bioparceria a fim de reforçar as capacidades tecnológicas do país”, avalia Ana Flávia Granja e Barros, professora adjunta da Universidade de Brasília/Instituto de Relações Internacionais. O tempo parece não ter ajudado tanto a recuperar a reputação de Wickham. Teria sido ele o real responsável pela decadência do ciclo brasileiro da borracha?
“Havia, muito antes desse contrabando, um entusiasmo pela ‘teologia natural’, em especial do Império Britânico. Argumentava-se que, se a unidade do Jardim do Éden havia se perdido, o livre comércio permitiria a redescoberta das suas riquezas agrícolas. Daí, em 1851, a Macintosh&Co., a maior manufatureira de borracha britânica, ter presenteado o príncipe Albert, marido da rainha Vitória, com uma barra de borracha em que estava inscrito o poema Charity, de William Cowper, cujos dizeres afirmavam: ‘O ramo do comércio foi criado para associar todos os ramos da humanidade. Cada clima necessita o que outros climas produzem e, assim, oferecem algo para o uso geral de todos’. Roubar sementes, então, poderia ser uma ‘ação nobre’ pelo ‘bem comum’ da humanidade”, explica a historiadora Emma Reisz, do Jesus College, em Oxford, autora de The political economy of empire in the tropics: rubber in the British Empire, que será lançado no final do ano na Inglaterra. “Wickham, por essa razão, nunca viu o contrabando das sementes como um roubo, mas como um ato de patriotismo e salvação pessoal. Muito antes da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), a biopirataria de Henry deu à Inglaterra o primeiro monopólio global de um recurso estratégico na história do homem”, completa Joe Jackson, autor do recém-lançado The thief at the end of the world, biografia de Wickham. Se o homem era desprezado pela nobreza, o fruto de sua aventura encheu de glória o The Royal Botanical Gardens, em Kew (que celebra, este ano, seus 250 anos), uma louvada instituição de pesquisa botânica, que acolheu e incentivou não apenas o furto das sementes brasileiras, mas de muitas outras, entre as quais, por exemplo, a cinchona ou quinina, surrupiada por pesquisadores ingleses do Peru segundo o espírito do “bem comum da humanidade”. Em verdade, o desejo pelo quinino se devia menos ao altruísmo universalista e mais à necessidade imperialista de combater a malária que atacava os soldados britânicos em países distantes, atrapalhando o comércio colonial.
“A parceria entre governos coloniais e jardins botânicos na transferência e no desenvolvimento de plantas úteis funcionava como um benefício mútuo. O subsídio do Estado a esses centros cresceu quando os governos perceberam o potencial estratégico da botânica. Os institutos, por sua vez, retribuíram o investimento nacional pesquisando e aprimorando sementes para as plantations”, explica a historiadora Lucile Brockway, da City University of New York, autora de Science and colonial expansion. “A monocultura tropical em mãos europeias teve um grande avanço, mas também produziu desequilíbrios políticos e ecológicos imensos e com os quais o mundo moderno ainda hoje precisa lidar.” O século XIX, continua a pesquisadora, deu ênfase à “botânica econômica”, ou seja, à “botânica colonial”, e instituições como Kew Gardens, de início percebidas pelo governo como “caprichos reais” ou “divertimento das massas”, ganharam status na hierarquia imperial como “câmara de compensação” na troca de informações botânicas e centro de intercâmbio de plantas pelo Império Britânico, enviando espécimes e sementes para onde houvesse potencial comercial.
Assim, em 1850, quando Thomas Hancock, dono da Macintosh, expressou publicamente a sua preocupação com o monopólio da borracha pelo Brasil, que, afirmava, não era confiável em termos de oferta e preços, Sir William Hooker, seu amigo e diretor de Kew Gardens, prontificou-se a “oferecer toda e qualquer ajuda para quem desejar transferir a seringueira do Brasil para o território imperial”. “A ‘mão invisível’ do mercado, ao que parece, precisava de uma forcinha. Mas obter as mudas brasileiras exigiam conhecimento botânico e coragem para enfrentar a floresta diante de um preço de mercado comparativamente baixo, o que não justificava o esforço”, nota Emma. O governo britânico não se interessou e foi apenas a partir de 1870, por pressão das autoridades inglesas na Índia que necessitavam da borracha, que o India Office, em Londres, passou a considerar o assunto com gravidade, nos moldes do que se fizera com a quinina. Afinal, um relatório oficial sobre a situação no Brasil alertava do perigo de se perder um “bem da humanidade” pelas mãos de “um seringueiro bêbado que, depois de uma noitada de cachaça, poderia destruir todas as árvores em seu caminho”. “Era uma questão de civilismo arrancar a borracha do Brasil e, em 1873, o India Office destinou verba para obter mudas ou sementes da seringueira”, diz Emma.
Várias tentativas foram feitas, mas as sementes não vingavam em Kew, o que abalou o ânimo de Hooker, mesmo ao receber uma carta de Wickham em que prometia ser capaz não apenas de reconhecer a árvore correta, como também de enviar milhares de sementes com segurança para Kew Gardens. Típico aventureiro da época, Henry, aos 27 anos, partiu para a América Central para tentar ficar rico e acabou em Santarém, onde viu in loco a riqueza do boom da borracha. Antes, no Orinoco, aprendera, com índios, a recolher o látex. Seus relatos de viagem, com desenhos das folhas da Hevea, convenceram o India Office de que ele tinha potencial, após deixar seu projeto engavetado por seis meses. Em 1876 Wickham voltou ao Brasil com a mulher, a mãe, o irmão e a cunhada (perdeu aqui boa parte da família, vítima de doenças tropicais), e escreveu a Hooker de Seringal, às margens do Tapajós (não muito distante da futura empresa de Ford) avisando que coletara as sementes. A bordo do navio Amazonas, com 70 mil sementes a bordo, declarou na alfândega brasileira que “levava apenas espécimes exóticos e delicados para o jardim botânico”. Para tanto, contou com o auxílio do cônsul inglês e do “barão de S.”, “muito compreensivo”. “Eles agiram não contra os desejos do governo brasileiro, mas exatamente como se este não existisse e as únicas autoridades naquele canto do mundo fossem os cônsules britânicos”, observa Warren Dean. As sementes chegaram intactas em Londres e foram enviadas para a Ásia britânica.
“Porém, o desenvolvimento de plantations em larga escala naquela região foi lento pela falta de capital e pelo desinteresse dos comerciantes ingleses, que só reagiram quando o potencial da borracha estourou com a indústria de carros”, analisa o economista Aldo Musacchio, do Ibmec São Paulo. Em 1900, as plantações asiáticas produziam apenas quatro toneladas de látex ante as 27 mil toneladas obtidas por meio do extrativismo no Brasil. Em 1916, as plantations britânicas iriam produzir Hevea suficiente para abastecer 95% da demanda mundial por borracha de alta qualidade. A Amazônia entrou em parafuso. “Por que os produtores brasileiros não reagiram? Ao contrário do que se pensa, não houve um ‘erro fatal’ da oligarquia da borracha, mas uma ação ‘otimizada’ dadas as opções existentes”, analisa o economista Zephyr Frank, da Stanford University. “Incapaz de deter o contrabando de sementes, a única opção para os brasileiros seria um grande investimento na produção que afastasse a concorrência incipiente por meio do aumento da produtividade, da importação de mão de obra, diminuição de custos de trabalho e com a organização de plantations. Mas o país, naquele momento, não tinha capacidade de mobilizar esses recursos de capital (nem interesse, por causa do café) e trabalho necessários para virar o jogo”, explica. “Como o mercado da borracha é imprevisível e demorado (acompanha o tempo de crescimento das árvores, entre seis e oito anos), os brasileiros optaram por ‘sentar e esperar’, pois investir em plantations era caro demais e sem garantias; além do mais, o extrativismo era lucrativo a seu modo. A opção era deixar os ingleses invadirem o mercado até o excesso de produção, como ocorreu em 1922.”
O tempo, dessa vez, estava a favor da borracha brasileira. O domínio britânico centrava-se nas relações coloniais privilegiadas, que propiciavam mão de obra farta e barata. Com o declínio do Império e a pressão americana, que demandava mais borracha a custos menores, a vantagem inicial perdeu-se. “A questão da borracha foi, ao mesmo tempo, emblemática do poder colonial e um indicativo de sua decadência. Quando quiseram manter o cartel já não tinham mais poder para impedir os americanos de buscar borracha em outros lugares, como fez Ford no Brasil”, diz Emma. Havia ainda o fator ecológico. “Os britânicos exaltaram a civilidade das plantations em contraste com a suposta incivilidade dos seringais, percepção comungada pelas elites cafeicultoras no poder. A política oficial, em especial após a República, comprou essa ideia e promoveu essas plantations, sem dar importância aos conhecimentos locais e às visões dos produtores locais de borracha, que discordavam da promoção da monocultura. Para eles, o extrativismo garantia a perenidade da produção e não destruía a terra e as árvores, ao contrário da opção ‘civilizada’”, analisa a historiadora Rosineide Bentes, da Universidade do Estado do Pará. “A promoção da monocultura colidiu com a concepção ecológica dos seringalistas, para quem preservar a floresta tinha um profundo significado econômico e ecológico. Eles perceberam, antes dos cientistas, que as plantations eram alvo fácil de pragas. A monocultura, assim, não proliferou na Amazônia também porque os produtores acreditavam que ela destruiria seu principal capital: a floresta nativa de goma elástica. Assim, sem se submeter nem à selva, nem às forças industrializantes, por opção própria, eles fizeram história”, acredita a pesquisadora.
Fonte: Pesquisa FAPESP Online
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terça-feira, 14 de abril de 2009
Acriapa colhe 130 kg de mel de abelhas nativas
A colheita de mel de abelhas nativas, criadas por produtores da APA de Guaraqueçaba, aconteceu de janeiro a março e chegou a marca de 130 kg, 225% a mais que no ano passado. O mel colhido das espécies Jataí, Mandaçaia, Tubuna e Manduri está sendo beneficiado, envasado e comercializado pelos produtores da Acriapa - Associação de criadores de abelhas nativas da APA de Guaraqueçaba - nas reservas naturais da SPVS, em Antonina e Guaraqueçaba. A Acriapa é uma associação formada por 25 produtores, com o apoio da SPVS e da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, e representa uma alternativa de geração de renda compatível com a conservação da natureza. Mais informações pelo telefone (41) 3205-6339.
Fonte: Informativo SPVS
Fonte: Informativo SPVS
Ótima!
"Diz que o Lula va emprestar dinheiro pro FMI. Mudou tudo. O poste mijou no cachorro!"
José Simão na Folha de São Paulo de 12/04/09
José Simão na Folha de São Paulo de 12/04/09
Ciência ainda investiga impactos do derretimento da neve nos Andes sobre a bacia amazônica
Mônica Pinto / Ecoclima
Primeiro glaciólogo brasileiro, professor do Instituto de Geociências da UFRGS e pesquisador do CNPq, Jefferson Cardia Simões chamou a atenção da mídia em 2005, quando se tornou, integrando uma expedição chilena, o primeiro brasileiro a chegar por vias terrestres ao Pólo Sul Geográfico.
Geólogo, Ph.D. em Glaciologia pela Universidade de Cambridge (Inglaterra) e pós-doutor pelo Laboratoire de Glaciologie et Géophysique de l'Environnement (LGGE) du Centre National de la Recherche Scientifique - CNRS (França), ele introduziu no Brasil a ciência glaciológica e a Geografia das Regiões Polares, lecionando nos programas de pós-graduação em Geociências e Geografia da UFRGS, onde orienta alunos de mestrado e doutorado.
Simões criou o Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas da UFRGS, centro brasileiro de estudos sobre a neve e o gelo; coordena projetos do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) e foi coordenador-geral da rede de pesquisas Antártica, as Mudanças Globais e o Brasil, no período entre 2002 e 2006.
O brasileiro marcou presença em 19 expedições polares e, recentemente, liderou a primeira expedição científica nacional ao interior do continente antártico. O cientista coordena a participação brasileira nas investigações de testemunhos de gelo antárticos, que possibilitaram mensurar a concentração dos gases de efeito estufa antes das medições modernas, iniciadas somente em 1958.
Segundo ele, uma série destes testemunhos de gelo possibilita o conhecimento quanto à evolução e variabilidade naturais do CO2 (dióxido de carbono), CH4 (metano) e também do N2O (óxido nitroso), ao longo dos últimos 800 mil anos.
“São esses estudos a demonstrarem que, desde o início da Revolução Industrial, a concentração de CO2 já aumentou 36% e a de metano quase 130%”, diz Jefferson Simões. “Estes estudos também mostram a variabilidade natural do sistema climático, ajudando a separarmos esta daquela induzida pelo homem”.
Um dos conferencistas no III Seminário Brasileiro sobre Mudanças Climáticas e Sequestro de Carbono, que acontece de 14 a 17 deste mês, em Foz do Iguaçu (PR), ele vai discorrer sobre “O registro das variações de dióxido de carbono e metano nas amostras de gelo da Antártica e da Groenlândia” (veja mais informações sobre o evento na página inicial do Instituto Ecoclima - www.ecoclima.org.br).
Confira sua entrevista:
Ecoclima - O que há de verdade e de mito no derretimento do gelo planetário, causado pelas mudanças climáticas?
Jefferson Cardia Simões - Existe na imprensa uma grande confusão pelo uso generalizado do termo “calota polar”. Temos fenômenos bastante diferentes ocorrendo nas duas regiões polares e no gelo nas montanhas nas regiões temperadas e nos trópicos.
O Ártico é um oceano congelado circundado por terra. Esse gelo está sumindo rapidamente e já temos previsões que o Oceano Ártico não vá mais estar congelado no auge do verão já em 2050. Isto tem sérias consequências para o clima do planeta e para os organismo vivos que lá habitam – como o urso polar -, mas não afetará o nível dos mares, visto que o mar congelado já está flutuando.
Na Antártica, o descongelamento é somente na parte mais quente do continente (a Península Antártica) e onde só está menos de 2% do volume de gelo total do continente. O descongelamento aí é rápido. Por outro lado, ainda não temos evidência de qualquer descongelamento do resto do gelo do manto antártico. É bom lembrar que 90% do volume de gelo do planeta está na Antártica.
As geleiras que estão desaparecendo rapidamente são as das regiões montanhosas como Andes, Himalaia, Alpes etc. Algumas geleiras da Bolívia e do Peru perderam mais de 25% de sua área nos últimos 40 anos. A Groenlândia, na parte sul, apresenta também um rápido derretimento.
Ecoclima - No Brasil, qual é, afinal, o entendimento científico quanto à possibilidade de inundação das cidades litorâneas?
Jefferson - Os quadros mais realistas mostram um aumento do nível do mar de até 60 cm até o ano 2.100. Os piores cenários chegam a 1,2 m. Evidentemente, isto implica em altos custos sociais e econômicos, afetando moradias nas regiões mais baixas, mudanças na estrutura portuaria, maiores custos na defesa costeira. É, claro, serão as populações mais carentes que sofrerão o impacto desse aumento do nível do mar.
Ecoclima - Já se prevê impacto do derretimento sobre a oferta de água potável, notoriamente hoje já escassa. Como isso se processa?
Jefferson - Em muitas regiões costeiras, a água potável provem de aquíferos formados por sedimentos - areia, por exemplo. Conforme o mar avança continente adentro, uma cunha de água salgada também avança subterraneamente, contaminando o aqüífero, ou seja, a água torna-se mais salgada.
Ecoclima - Sabe-se que a bacia amazônica sofre direta influência das neves andinas. O que a Ciência já previu em relação aos impactos da transformação nessas influências?
Jefferson - Na verdade, não se sabe. Os estudos sobre este assunto iniciaram este ano, sob a liderança do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera, instalado no Instituto de Geociências da UFRGS. Questões a serem respondidas: como o aumento do derretimento das geleiras andinas afetará as nascentes dos rios amazônicos? Quais as consequências para a vazão desses rios? E para os processos erosivos e carga de sedimentos transportados a jusante?
Fonte: Ecoclima
Primeiro glaciólogo brasileiro, professor do Instituto de Geociências da UFRGS e pesquisador do CNPq, Jefferson Cardia Simões chamou a atenção da mídia em 2005, quando se tornou, integrando uma expedição chilena, o primeiro brasileiro a chegar por vias terrestres ao Pólo Sul Geográfico.
Geólogo, Ph.D. em Glaciologia pela Universidade de Cambridge (Inglaterra) e pós-doutor pelo Laboratoire de Glaciologie et Géophysique de l'Environnement (LGGE) du Centre National de la Recherche Scientifique - CNRS (França), ele introduziu no Brasil a ciência glaciológica e a Geografia das Regiões Polares, lecionando nos programas de pós-graduação em Geociências e Geografia da UFRGS, onde orienta alunos de mestrado e doutorado.
Simões criou o Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas da UFRGS, centro brasileiro de estudos sobre a neve e o gelo; coordena projetos do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) e foi coordenador-geral da rede de pesquisas Antártica, as Mudanças Globais e o Brasil, no período entre 2002 e 2006.
O brasileiro marcou presença em 19 expedições polares e, recentemente, liderou a primeira expedição científica nacional ao interior do continente antártico. O cientista coordena a participação brasileira nas investigações de testemunhos de gelo antárticos, que possibilitaram mensurar a concentração dos gases de efeito estufa antes das medições modernas, iniciadas somente em 1958.
Segundo ele, uma série destes testemunhos de gelo possibilita o conhecimento quanto à evolução e variabilidade naturais do CO2 (dióxido de carbono), CH4 (metano) e também do N2O (óxido nitroso), ao longo dos últimos 800 mil anos.
“São esses estudos a demonstrarem que, desde o início da Revolução Industrial, a concentração de CO2 já aumentou 36% e a de metano quase 130%”, diz Jefferson Simões. “Estes estudos também mostram a variabilidade natural do sistema climático, ajudando a separarmos esta daquela induzida pelo homem”.
Um dos conferencistas no III Seminário Brasileiro sobre Mudanças Climáticas e Sequestro de Carbono, que acontece de 14 a 17 deste mês, em Foz do Iguaçu (PR), ele vai discorrer sobre “O registro das variações de dióxido de carbono e metano nas amostras de gelo da Antártica e da Groenlândia” (veja mais informações sobre o evento na página inicial do Instituto Ecoclima - www.ecoclima.org.br).
Confira sua entrevista:
Ecoclima - O que há de verdade e de mito no derretimento do gelo planetário, causado pelas mudanças climáticas?
Jefferson Cardia Simões - Existe na imprensa uma grande confusão pelo uso generalizado do termo “calota polar”. Temos fenômenos bastante diferentes ocorrendo nas duas regiões polares e no gelo nas montanhas nas regiões temperadas e nos trópicos.
O Ártico é um oceano congelado circundado por terra. Esse gelo está sumindo rapidamente e já temos previsões que o Oceano Ártico não vá mais estar congelado no auge do verão já em 2050. Isto tem sérias consequências para o clima do planeta e para os organismo vivos que lá habitam – como o urso polar -, mas não afetará o nível dos mares, visto que o mar congelado já está flutuando.
Na Antártica, o descongelamento é somente na parte mais quente do continente (a Península Antártica) e onde só está menos de 2% do volume de gelo total do continente. O descongelamento aí é rápido. Por outro lado, ainda não temos evidência de qualquer descongelamento do resto do gelo do manto antártico. É bom lembrar que 90% do volume de gelo do planeta está na Antártica.
As geleiras que estão desaparecendo rapidamente são as das regiões montanhosas como Andes, Himalaia, Alpes etc. Algumas geleiras da Bolívia e do Peru perderam mais de 25% de sua área nos últimos 40 anos. A Groenlândia, na parte sul, apresenta também um rápido derretimento.
Ecoclima - No Brasil, qual é, afinal, o entendimento científico quanto à possibilidade de inundação das cidades litorâneas?
Jefferson - Os quadros mais realistas mostram um aumento do nível do mar de até 60 cm até o ano 2.100. Os piores cenários chegam a 1,2 m. Evidentemente, isto implica em altos custos sociais e econômicos, afetando moradias nas regiões mais baixas, mudanças na estrutura portuaria, maiores custos na defesa costeira. É, claro, serão as populações mais carentes que sofrerão o impacto desse aumento do nível do mar.
Ecoclima - Já se prevê impacto do derretimento sobre a oferta de água potável, notoriamente hoje já escassa. Como isso se processa?
Jefferson - Em muitas regiões costeiras, a água potável provem de aquíferos formados por sedimentos - areia, por exemplo. Conforme o mar avança continente adentro, uma cunha de água salgada também avança subterraneamente, contaminando o aqüífero, ou seja, a água torna-se mais salgada.
Ecoclima - Sabe-se que a bacia amazônica sofre direta influência das neves andinas. O que a Ciência já previu em relação aos impactos da transformação nessas influências?
Jefferson - Na verdade, não se sabe. Os estudos sobre este assunto iniciaram este ano, sob a liderança do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera, instalado no Instituto de Geociências da UFRGS. Questões a serem respondidas: como o aumento do derretimento das geleiras andinas afetará as nascentes dos rios amazônicos? Quais as consequências para a vazão desses rios? E para os processos erosivos e carga de sedimentos transportados a jusante?
Fonte: Ecoclima
Mata atlântica pode ter 150 mil km² restaurados
9/4/2009
Projeto quer restabelecer floresta em uma área equivalente ao Estado do Ceará até 2050; atualmente, bioma conta com 7% da cobertura original
Alexandre Gonçalves
Um pacto para restaurar 150 mil quilômetros quadrados da mata atlântica - uma área equivalente ao Estado do Ceará - foi lançado ontem em São Paulo. A meta é recuperar 30% da área original do bioma até 2050. Atualmente, floresta bem preservada corresponde a 7% da cobertura original da mata atlântica, sem contar trechos que demandam proteção e cuidado especial (13%). A iniciativa pretende restaurar 10% do bioma original que desapareceu.
Um grupo técnico desenhou um mapa com as regiões onde pode ocorrer a restauração. Solos com pouco potencial agrícola ou às margens de rios receberam prioridade, pois presume-se que não será difícil convencer agricultores e pecuaristas a reflorestar tais áreas.
"Temos solos de baixa produtividade que geram apenas R$ 200 por hectare", explica Ricardo Ribeiro Rodrigues, pesquisador do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (Lerf) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e um dos responsáveis pelo estudo. "Com manejo adequado, seria possível obter R$ 1.500 por hectare de floresta restaurada."
Miguel Calmon, coordenador-geral do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, afirma que a iniciativa não apontará infratores do Código Florestal, que desmataram além do permitido. "Não queremos uma caça às bruxas", diz Calmon. "Queremos mostrar que vale a pena para o agricultor recuperar a mata." Um livro organizado por pesquisadores do Lerf reúne o conhecimento necessário para restaurar a mata.
Calmon explica que o financiamento das iniciativas não virá de filantropia. "Queremos criar mecanismos para que os produtores recebam pelos serviços ambientais prestados pela floresta preservada nas suas propriedades." A mata atlântica garante o abastecimento de água para quase 130 milhões de pessoas no País. "Também vamos buscar interessados em comprar créditos de carbono", afirma Calmon.
Mais de 50 entidades aderiram, incluindo organizações não governamentais, empresas, universidades e governos. O site www.pactomataatlantica.org.br recolherá as inscrições. O pedido depende de aprovação. A adesão implica cumprimento das diretrizes apresentadas no protocolo do pacto, disponível no site.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
Projeto quer restabelecer floresta em uma área equivalente ao Estado do Ceará até 2050; atualmente, bioma conta com 7% da cobertura original
Alexandre Gonçalves
Um pacto para restaurar 150 mil quilômetros quadrados da mata atlântica - uma área equivalente ao Estado do Ceará - foi lançado ontem em São Paulo. A meta é recuperar 30% da área original do bioma até 2050. Atualmente, floresta bem preservada corresponde a 7% da cobertura original da mata atlântica, sem contar trechos que demandam proteção e cuidado especial (13%). A iniciativa pretende restaurar 10% do bioma original que desapareceu.
Um grupo técnico desenhou um mapa com as regiões onde pode ocorrer a restauração. Solos com pouco potencial agrícola ou às margens de rios receberam prioridade, pois presume-se que não será difícil convencer agricultores e pecuaristas a reflorestar tais áreas.
"Temos solos de baixa produtividade que geram apenas R$ 200 por hectare", explica Ricardo Ribeiro Rodrigues, pesquisador do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (Lerf) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) e um dos responsáveis pelo estudo. "Com manejo adequado, seria possível obter R$ 1.500 por hectare de floresta restaurada."
Miguel Calmon, coordenador-geral do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, afirma que a iniciativa não apontará infratores do Código Florestal, que desmataram além do permitido. "Não queremos uma caça às bruxas", diz Calmon. "Queremos mostrar que vale a pena para o agricultor recuperar a mata." Um livro organizado por pesquisadores do Lerf reúne o conhecimento necessário para restaurar a mata.
Calmon explica que o financiamento das iniciativas não virá de filantropia. "Queremos criar mecanismos para que os produtores recebam pelos serviços ambientais prestados pela floresta preservada nas suas propriedades." A mata atlântica garante o abastecimento de água para quase 130 milhões de pessoas no País. "Também vamos buscar interessados em comprar créditos de carbono", afirma Calmon.
Mais de 50 entidades aderiram, incluindo organizações não governamentais, empresas, universidades e governos. O site www.pactomataatlantica.org.br recolherá as inscrições. O pedido depende de aprovação. A adesão implica cumprimento das diretrizes apresentadas no protocolo do pacto, disponível no site.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Carbono do desmatamento colocaria o Brasil entre os maiores poluidores do mundo
9/4/2009
Alana Gandra
Rio de Janeiro, RJ - As emissões de carbono provenientes do desmatamento são significativas e colocariam o Brasil, caso fossem contabilizadas, na quarta ou quinta posição entre os maiories emissores de carbono do Mundo.
Por causa disso, segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (Abemc), Flávio Gazani, os países industrializados deverão exercer forte pressão para incluir os projetos de conservação florestal no novo acordo que deverá substituir o Protocolo de Quioto, a partir de 2012. “Por isso, eu acho que o país vai sofrer uma pressão muito grande nas próximas negociações”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.
Para o presidente da Abemc, as nações industrializadas procuram incluir esse tipo de projeto no protocolo “mais preocupadas com a nossa floresta, ainda com grandes áreas preservadas. Porque as suas [florestas] quase não existem atualmente”.
O governo brasileiro é contra a inclusão dos projetos de conservação florestal no acordo, por uma questão de soberania nacional, explicou Gazani. “A posição do Itamaraty tem sido historicamente contra a inclusão de projetos de desmatamento ou de conservação florestal. Até por receio de algum tipo de moção anti-desenvolvimentista, conservacionista, imposta ao nosso país”, afirmou.
Nenhum país pode, atualmente, incluir projetos de conservação florestal no Protocolo de Quioto como projetos de redução de emissões de gases poluentes, o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O protocolo permite apenas duas modalidades de projetos de MDL na área florestal: reflorestamento de áreas degradadas ou aflorestamento, ou seja, o plantio em áreas que nunca tiveram árvores. “Conservação florestal, ou desmatamento evitável, não é elegível como projeto de MDL”, disse Flávio Gazani.
Os projetos que não são aceitos pelo Protocolo de Quioto são aceitos pelo mercado voluntário, que funciona em paralelo ao mercado regulado, e é movido pelas iniciativas de empresas que têm medidas voluntárias de redução de emissão.
Um exemplo é o projeto do governo do Amazonas que recebeu financiamento do Bradesco, por meio do programa Banco do Planeta. Foi criada a Fundação Amazonas Sustentável, considerada uma ferramenta fundamental na implementação da Política Estadual de Mudanças Climáticas no estado. Ela tem por objetivo combater o desmatamento, além de contribuir para a construção de uma relação harmônica entre o homem e a floresta, por meio da promoção de projetos de uso sustentável dos recursos florestais.
O novo tratado climático que substituirá o Protocolo de Quioto deve ser concluído até dezembro próximo, na reunião da Organização das Nações Unidas, programada para ocorrer em Copenhague, na Dinamarca.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
Alana Gandra
Rio de Janeiro, RJ - As emissões de carbono provenientes do desmatamento são significativas e colocariam o Brasil, caso fossem contabilizadas, na quarta ou quinta posição entre os maiories emissores de carbono do Mundo.
Por causa disso, segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (Abemc), Flávio Gazani, os países industrializados deverão exercer forte pressão para incluir os projetos de conservação florestal no novo acordo que deverá substituir o Protocolo de Quioto, a partir de 2012. “Por isso, eu acho que o país vai sofrer uma pressão muito grande nas próximas negociações”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.
Para o presidente da Abemc, as nações industrializadas procuram incluir esse tipo de projeto no protocolo “mais preocupadas com a nossa floresta, ainda com grandes áreas preservadas. Porque as suas [florestas] quase não existem atualmente”.
O governo brasileiro é contra a inclusão dos projetos de conservação florestal no acordo, por uma questão de soberania nacional, explicou Gazani. “A posição do Itamaraty tem sido historicamente contra a inclusão de projetos de desmatamento ou de conservação florestal. Até por receio de algum tipo de moção anti-desenvolvimentista, conservacionista, imposta ao nosso país”, afirmou.
Nenhum país pode, atualmente, incluir projetos de conservação florestal no Protocolo de Quioto como projetos de redução de emissões de gases poluentes, o chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O protocolo permite apenas duas modalidades de projetos de MDL na área florestal: reflorestamento de áreas degradadas ou aflorestamento, ou seja, o plantio em áreas que nunca tiveram árvores. “Conservação florestal, ou desmatamento evitável, não é elegível como projeto de MDL”, disse Flávio Gazani.
Os projetos que não são aceitos pelo Protocolo de Quioto são aceitos pelo mercado voluntário, que funciona em paralelo ao mercado regulado, e é movido pelas iniciativas de empresas que têm medidas voluntárias de redução de emissão.
Um exemplo é o projeto do governo do Amazonas que recebeu financiamento do Bradesco, por meio do programa Banco do Planeta. Foi criada a Fundação Amazonas Sustentável, considerada uma ferramenta fundamental na implementação da Política Estadual de Mudanças Climáticas no estado. Ela tem por objetivo combater o desmatamento, além de contribuir para a construção de uma relação harmônica entre o homem e a floresta, por meio da promoção de projetos de uso sustentável dos recursos florestais.
O novo tratado climático que substituirá o Protocolo de Quioto deve ser concluído até dezembro próximo, na reunião da Organização das Nações Unidas, programada para ocorrer em Copenhague, na Dinamarca.
Fonte: Portal do Meio Ambiente
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Florestas de Uso Múltiplo
Uma proposta inovadora de produção florestal, aliando preservação ambiental com uso econômico, foi desenvolvida pelo pesquisador Guenji Yamazoe e está sendo aplicada em propriedades rurais no estado de São Paulo.
Trata-se das “florestas de uso múltiplo”. Por este modelo de reflorestamento, investe-se na diversificação de produtos, em busca de um manejo sustentável da área produtiva. Para o produtor rural, que necessita do retorno econômico, o modelo também pode ser adotado em áreas de reserva legal, que podem ser exploradas comercialmente. A idéia é que o produtor obtenha retorno econômico já durante a fase de crescimento da floresta, primeiro com a intercalação de cultivos anuais (algodão e amendoim, por exemplo), depois com frutas e finalmente com extração de madeira, com cada um destes grupos sendo plantado dentro de uma faixa, obedecendo a critérios ecológicos e econômicos.
A curto prazo, em quatro a cinco anos, já haverá produção de frutos com potencial econômico, como araçá, uvaia, cambuci, cabeludinha, grumixama, etc., além de sementes de espécies pioneiras, que têm crescimento rápido e vida curta. A médio prazo, ou seja em 10 – 15 anos, o produtor também obterá rentabilidade com a extração de madeira branca, como guapuruvu, tamboril e caixeta, além da produção de palmito juçara, cujos frutos podem ser aproveitados para a produção de alimento. A longo prazo, em 30 anos, já haverá a possibilidade de produzir madeira nobre de alto valor comercial, como jatobá, jequitibá e guanandi.
A sociedade brasileira e mundial não pode mais perder tempo com lamentações sobre o desmatamento. É necessário investir no replantio de árvores nativas. Se isto for feito seguindo alguns critérios, fornecerá um ótimo retorno econômico. Após os investimentos iniciais e depois que a floresta estiver em pé, bastará manejá-la de forma sustentada (ou seja, não retirando mais do que aquilo que é produzido anualmente) para obter-se uma rentabilidade regular e sem prazo para acabar, como os juros de uma aplicação financeira.
Monika Naumann
Eng. Florestal / Gestora Ambiental
http://matasnativas.wordpress.com/
Fonte: Painel Florestal
Trata-se das “florestas de uso múltiplo”. Por este modelo de reflorestamento, investe-se na diversificação de produtos, em busca de um manejo sustentável da área produtiva. Para o produtor rural, que necessita do retorno econômico, o modelo também pode ser adotado em áreas de reserva legal, que podem ser exploradas comercialmente. A idéia é que o produtor obtenha retorno econômico já durante a fase de crescimento da floresta, primeiro com a intercalação de cultivos anuais (algodão e amendoim, por exemplo), depois com frutas e finalmente com extração de madeira, com cada um destes grupos sendo plantado dentro de uma faixa, obedecendo a critérios ecológicos e econômicos.
A curto prazo, em quatro a cinco anos, já haverá produção de frutos com potencial econômico, como araçá, uvaia, cambuci, cabeludinha, grumixama, etc., além de sementes de espécies pioneiras, que têm crescimento rápido e vida curta. A médio prazo, ou seja em 10 – 15 anos, o produtor também obterá rentabilidade com a extração de madeira branca, como guapuruvu, tamboril e caixeta, além da produção de palmito juçara, cujos frutos podem ser aproveitados para a produção de alimento. A longo prazo, em 30 anos, já haverá a possibilidade de produzir madeira nobre de alto valor comercial, como jatobá, jequitibá e guanandi.
A sociedade brasileira e mundial não pode mais perder tempo com lamentações sobre o desmatamento. É necessário investir no replantio de árvores nativas. Se isto for feito seguindo alguns critérios, fornecerá um ótimo retorno econômico. Após os investimentos iniciais e depois que a floresta estiver em pé, bastará manejá-la de forma sustentada (ou seja, não retirando mais do que aquilo que é produzido anualmente) para obter-se uma rentabilidade regular e sem prazo para acabar, como os juros de uma aplicação financeira.
Monika Naumann
Eng. Florestal / Gestora Ambiental
http://matasnativas.wordpress.com/
Fonte: Painel Florestal
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Não é necessário derrubar mais nenhuma árvore não só na Amazônia, como em nenhum outro bioma , diz pesquisador
Por Aldrey Riechel, do Amazônia.org.br Resultado de uma pesquisa de pós-graduação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o geógrafo Eduardo Girardi, desenvolveu um estudo sobre os principais temas da questão agrária no Brasil. O resultado foi a elaboração de mais de 300 mapas identificando geograficamente a luta pela terra no Brasil levando em consideração aspectos de problemas como pobreza, desflorestamento, concentração fundiária, violência no campo e também a luta pela terra, produção agropecuária dentre outros. O trabalho foi desenvolvido usando conceitos da Geografia Crítica que busca identificar os atores da sociedade que geram conflitos, como por exemplo, a expansão da pecuária na Amazônia. Foram mapeadas as violências no campo e as ocupações e assentamentos desde o fim da década de 1970 e início da década de 1980, para também servir de como um banco de informações geográfica. O trabalho está inteiramente disponível na internet. (www.fct.unesp.br/nera/atlas) Confira abaixo a entrevista exclusiva com Eduardo Girardi: Amazonia.org.br - Qual foi o principal objetivo da pesquisa e realização do Atlas da Questão Agrária do Brasil? Eduardo Girardi - A tese de doutorado é mais ampla do que o Atlas. Ela também engloba discussões sobre a proposta teórico-metodológica para uma Cartografia Geográfica Crítica. Assim como esta proposta teórico-metodológica, o Atlas da Questão Agrária Brasileira está inserido na corrente da Geografia Crítica, pois enfatiza os problemas do campo Brasileiro. Neste contexto e, falando especificamente do Atlas, o objetivo foi desenvolver uma análise dos principais temas da questão agrária no Brasil a partir de uma compreensão mais ampla do que a abordagem economicista, que vê o campo como lugar unicamente de produção e cujo objetivo principal é aumentar a produtividade e a rentabilidade. Como trabalho geográfico, nosso enfoque foi o espaço e os territórios, de forma que procuramos a expressão territorial dos problemas. A análise do espaço e do território não exclui a sociedade, pelo contrário, analisar esses aspectos é estudar como a sociedade constrói espaços e territórios por meio de seu trabalho, produção, morada, crenças, posicionamentos políticos, trocas, relacionamentos etc. Isso permitiu selecionar temas diversificados enfocando os problemas sócio-territoriais da questão agrária no Brasil. Em resumo, o objetivo foi analisar os problemas da questão agrária sob a ótica da Geografia com a ajuda dos mapas e com isso tornar esses problemas mais evidentes e compreensíveis aos governos, movimentos sociais camponeses, academia e aos outros setores da sociedade interessados. A finalidade foi contribuir ao debate da questão agrária como necessária à sociedade e inerente ao planejamento territorial e desenvolvimento do país. Amazonia.org.br - Porque utilizar conceitos da Geografia crítica como metodologia para a elaboração do trabalho? Eduardo Girardi - A Geografia Crítica teve como base, no seu surgimento, o referencial marxista. Atualmente, embora este referencial ainda seja importante nessa corrente teórica da Geografia, ele não é único. As análises da Geografia Crítica estão baseadas mais amplamente na teoria social, que considera os problemas da sociedade para a promoção da mudança social. Sendo assim, a Geografia crítica está comprometida com a mudança e por isso enfatiza os problemas sociais. Porém, como a especificidade da Geografia é o espaço geográfico, a análise geográfica enfatiza o papel da sociedade na produção do espaço e como esse espaço interfere na organização da sociedade em um processo dialético. Eduardo Girardi - Neste contexto, a partir do espaço, o homem produz territórios por meio de relações de poder. Esses territórios são definidos e delimitados pelos objetivos dos grupos de interesse, dos movimentos sociais, das igrejas, dos indivíduos, do Estado e das empresas - os quais são os sujeitos territoriais. Esta noção de espaço e de território foi desenvolvida no interior da Geografia Crítica. Desta forma, estudar a questão agrária a partir da Geografia Crítica permite procurar e identificar esses sujeitos territoriais, suas ações e configurações no território nacional no que se refere à questão agrária. Um exemplo é a territorialização do agronegócio nos cerrados e na fronteira agropecuária da Amazônia. Esta é a importância dos conceitos da Geografia Crítica: procurar os problemas que realmente afetam a sociedade e geram desigualdade social, pobreza e concentração de riqueza e poder. Amazonia.org.br - O Atlas foi construído usando conceitos críticos sobre a questão agrária do país. Como o estudo contribui para o debate sobre o tema da reforma agrária? Eduardo Girardi - Este mapa é fruto da interpretação da questão agrária, uma representação do território Brasileiro na qual tento mostrar as principais estruturas da questão agrária do país. Por ser um mapa de síntese sua elaboração foi bastante desafiadora. Ele foi elaborado a partir dos diversos mapas que compõem o Atlas. Nem todos os temas presentes no Atlas estão representados diretamente no mapa, mas ajudaram a compreender as estruturas representadas, e por isso estão lá de forma indireta. O mapa "O Brasil Agrário" mostra estruturas como a oposição norte-sul entre as ocupações de terra e o assentamento das famílias; a região do leste do Pará e norte do Maranhão, onde a violência no campo é mais intensa; a região onde predomina o agronegócio nos cerrados e na borda da Amazônia e a região de agricultura mais dinâmica e diversificada do país, localizada no Centro-Sul. Em relação aos demais mapas do Atlas, eles contribuem por três motivos: a) representam a expressão territorial dos diversos temas, o que permite análises e ações mais pontuais; b) permitem verificar novas informações em análises de conjunto; c) confirmam ou refutam características já conhecidas da questão agrária, precisando seu aspectos territoriais. Por exemplo, com o mapeamento foi possível confirmar a relação entre grande estabelecimento e subutilização das terras verificada na fronteira agropecuária; outra constatação importante é proveniente do mapeamento dos tipos de assentamentos: "reformadores" e "não reformadores". Os não reformadores, referentes às unidades de conservação consideradas pelos governos como assentamentos, projetos de colonização e reconhecimento de posse, são predominantes principalmente na Amazônia. Esses assentamentos também são importantes para o fortalecimento do campesinato, principalmente o Amazônico, mas eles não podem, no conjunto das ações de reforma agrária no país, suplantar os assentamentos em regiões de ocupação consolidada, como o Sudeste, Sul e Nordeste. Por fim, outro exemplo é o mapa que representa a população que reside em zonas urbanas e está envolvida em atividades agropecuárias. Este processo é configurado principalmente na região do agronegócio, demonstrando a tendência de intensificação das relações capitalistas no campo promovida por este sistema, já que coincide com a região onde predominam as relações de assalariamento no campo, representada em um outro mapa. Amazonia.org.br - Foi possível identificar e traçar um perfil do campesinato amazônico pela análise geográfica? Eduardo Girardi - As metodologias de análise geográfica são muito diversas, podendo abordar desde o indivíduo e a construção de seu espaço quotidiano até análises macro, em escala mundial. Na análise desenvolvida no Atlas, realizada por meio de leituras e mapeamentos, é possível identificar e confirmar algumas características particulares ao campesinato da Amazônia. Eduardo Girardi - O campesinato amazônico é formado a partir das investidas para a ocupação da Amazônia, tem presença marcante dos camponeses nordestinos, que migraram para a região em busca de melhores condições de produção e vida. Populações ribeirinhas caboclas e migrantes do Sul também são representativas neste campesinato. Projetos de colonização do Estado, assentamentos rurais e pequenas posses foram as principais formas pelas quais este campesinato se implantou na região. As atividades extrativistas e a pequena produção agropecuária para abastecimento regional são características marcantes. Como no campesinato do Nordeste, no campesinato amazônico os baixos rendimentos e os indicadores sociais abaixo da média expressam a qualidade de vida precária dessa população. A violência sofrida por este campesinato é intensa e é resultado da dos avanços do latifúndio sobre o território camponês. Amazonia.org.br - A partir do trabalho, foi possível apresentar alguma proposta para a melhoria da questão agrária do país e principalmente da Amazônia? Eduardo Girardi - Embora o objetivo do trabalho não tenha sido a elaboração de um programa de desenvolvimento agrário para o Brasil ou a estruturação de uma proposta de política pública, nos posicionamos em relação ao problema a partir de nossos referenciais teóricos e constatações. O trabalho tem características mais de diagnóstico, mas é totalmente possível desenvolvê-lo par o nível mais pragmático que é a política pública. A assunção geral de nossas colocações políticas é de que a realização da reforma agrária é uma questão de opção política, o que não é novidade, mas representa um posicionamento frente aos que dizem ser desnecessária a sua realização. Outro posicionamento que assumimos é de que a reforma agrária deve ser conduzida pela priorização incondicional do campesinato pelas políticas do Estado, preterindo o agronegócio*. Isso implica em promover outro tipo de desenvolvimento, diferente daquele permitido pelo modelo agrícola predominante hoje. O campesinato deve ter sua função social reconhecida e a ele deve ser dada proteção contra o capitalismo no campo, que visa a sua desintegração e pauperização. O campo deve ser visto como um lugar de produção e reprodução social. Além disso, a questão agrária faz parte do emaranhado de problemas estruturais nos quais está ancorado o subdesenvolvimento do país. Questão urbana e questão ambiental fazem parte deste emaranhado interdependente. Com relação especificamente à Amazônia, nossas constatações são de que não é necessário derrubar mais nenhuma árvore não só na Amazônia, mas em nenhum outro bioma. Mesmo assim, as áreas passíveis de crescimento da produção agropecuária e susceptíveis de reforma agrária são de milhões de hectares. Em resumo, a ocupação da Amazônia deve ser cessada imediatamente e deve-se proceder com a promoção da melhoria de vida das pessoas que aí se estabeleceram, promovendo assim o desenvolvimento. Amazônia.org.br - E como seria possível desenvolver a região sem derrubar nenhuma árvore? Eduardo Girardi - Vejamos o que podemos concluir da dinâmica geral de apropriação de novas terras e o uso das terras no Brasil. Em 1998 havia na Amazônia Legal 55,8 milhões de hectares de terras exploráveis não exploradas; segundo os dados do INPE [Instituto Nacional de Pesquisa Espacial], de 1998 até 2007, foram desflorestados na região 54,5 milhões de hectares (terras inexploráveis que se tornaram exploráveis) e entre 1996 e 2006 a área total de lavouras e de pastagens na Amazônia Legal cresceu 23 milhões de hectares, dos quais 45% relativos às pastagens. Esses três dados nos permitem contradizer todo discurso que mencione a necessidade de desflorestamento na Amazônia (ou em qualquer outra região) para a obtenção de novas terras para a produção agropecuária. Vejamos: se parte dos 55,8 milhões de hectares de terras exploráveis não exploradas da Amazônia Legal verificados em 1998 passassem a ser explorados desde então para a expansão dos 23 milhões de hectares de lavouras e pastagens ocorridas na região entre 1996 e 2006, ainda sobrariam, em 2007, cerca de 32,2 milhões de hectares disponíveis para a expansão da agropecuária regional só pelo aproveitamento das terras exploráveis não exploradas de 1998. Contudo, além das terras exploráveis não exploradas que havia em 1998, o intenso processo de desflorestamento continua até hoje, o que nos permite somar, ao saldo de 32,2 milhões de hectares de terras exploráveis não exploradas, os 54,5 milhões de hectares inutilmente desflorestados na Amazônia entre 1998 e 2007. Com isso, chegamos ao total de 86,7 milhões de hectares de terras exploráveis não exploradas disponíveis em 2007 para a expansão da agropecuária na Amazônia Legal, cuja área total dos imóveis rurais em 2003 era de 177 milhões de hectares e a área total de lavouras e pastagens em 2006 perfazia 77,3 milhões de hectares. Desta forma, mantendo-se o modelo técnico agrícola atual, a pecuária extremamente extensiva praticada na região e, considerando-se a mesma taxa de crescimento da agropecuária verificada entre 1996 e 2006, que foi de 4% ao ano, os 86,7 milhões de hectares disponíveis seriam suficientes para o crescimento contínuo da agropecuária na Amazônia Legal pelos próximos 22 anos, sem que fosse necessário tocar na floresta. é claro que consideramos neste contexto uma situação ideal em que não haja nenhum desvio nos dados; não ocorra nenhum progresso técnico na agropecuária nos próximos 22 anos e em que a taxa de crescimento da área ocupada pela agropecuária seja constante. O fato é que, apesar de ser um cenário ideal e que dificilmente todos os elementos considerados apresentarão a evolução considerada no cálculo, os possíveis desvios de cada um desses três elementos podem ser compensados mutuamente, um pelo outro, de forma que um cenário muito próximo pode se confirmar. A mudança no sistema de pecuária extremamente extensiva pode influenciar profundamente esta evolução, visto que 45% da área adicionada entre 1996 e 2006 são de pastagens, o que corresponde a 10,5 milhões de hectares. Desta forma, cabe aos cinco próximos governos, criar alternativas para o desenvolvimento da agropecuária na Amazônia Legal que evitem ocupação de novas áreas. Os dados da não utilização da terra corroboram com os dados das "posses" para evidenciar o processo de especulação fundiária na fronteira agropecuária. Isso nos leva, mais uma vez, a salientar a urgência de repensar a ocupação da Amazônia. A necessidade de abertura de novas terras na Amazônia é absolutamente infundada. O único objetivo da abertura de novas terras é a exploração de madeira e a apropriação de novas terras por grandes posseiros unicamente como reserva de valor. A produção de alimentos para o desenvolvimento social Brasileiro não exige a ocupação de mais nenhum centímetro quadrado da Amazônia ou outro bioma. Além disso, a grande proporção de terras exploráveis não exploradas em grandes estabelecimentos na Amazônia Legal indica a consolidação, em um futuro próximo, da parceira latifúndio-agronegócio. Esses grandes imóveis serão utilizados para produção do agronegócio assim que as terras forem necessárias. Os grandes imóveis com terras não exploradas são os futuros locus do agronegócio. Amazônia.org.br - Uma parte do trabalho tem função didática, como vocês pretendem incentivar a aplicação dessa parte do trabalho? Eduardo Girardi - Por se tratar de um trabalho acadêmico desenvolvido com financiamento público (Fapesp) e de interesse social, optamos por disponibilizá-lo livremente na internet. As pessoas e instituições (inclusive as editoras de livros didáticos) que quiserem utilizar o trabalho e os mapas o podem fazer livremente. Todos os mapas possuem uma nota de autorização de reprodução, desde que não alterados. Desta forma, esperamos que os mapas sejam utilizados em universidades e em escolas para o ensino e o debate do tema. Também estamos disponíveis para propostas de publicação integral ou parcial do trabalho em meio impresso, o que pode permitir o alcance de outros públicos e maior divulgação das idéias.
Fonte: http://www.cliptime.com.br/services/clippingm/noticia_email.asp?a=CONFEA&b=3070DDEF&c=8/4/2009
Fonte: http://www.cliptime.com.br/services/clippingm/noticia_email.asp?a=CONFEA&b=3070DDEF&c=8/4/2009
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quarta-feira, 8 de abril de 2009
Conheça normas sobre eficiência energética de edifícios
Brasília, 2 de abril de 2009
Será lançada este ano a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, que determinará o nível de eficiência energética dos projetos e dos edifícios construídos. Eles serão avaliados quanto à eficiência de sua envoltória (fachadas, coberturas e pisos) e de seus sistemas de iluminação e climatização. Além disso, poderão receber bonificações caso adotem outras soluções em prol da eficiência energética, como uso racional da água, emprego de fontes renováveis de energia e inovações tecnológicas.
O Regulamento Técnico da Qualidade para Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RTQ) é uma norma técnica para avaliação do nível de eficiência energética dos edifícios. Já o Regulamento de Avaliação da Conformidade do Nível de Eficiência Energética (RAC) para esses mesmos edifícios define a metodologia para aplicação da avaliação dos edifícios. O RAC está disponível para consulta pública desde o dia 19 de março e os interessados têm 30 dias para apresentar sugestões e cíticas relativa ao texto proposto.
Conforme a metodologia do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), a Etiqueta poderá ser dada a todos os edifícios que se candidatarem e informará seu nível de eficiência energética desde o A (mais eficiente) até o E (menos eficiente) no intuito de orientar o consumidor no momento da compra do imóvel e de fomentar a construção de prédios mais eficientes.
A etiquetagem de edificações no Brasil é uma ação pioneira do Ministério de Minas e Energia, Eletrobrás/ Procel Edifica e do Inmetro, e entrará em vigor em 2009 de maneira voluntária.
Acesse o RTQ. (documento em PDF)
Acesse o RAC. (documento em PDF)
Obtenha mais informações no site do Inmetro.
Fonte: Confea.
Será lançada este ano a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, que determinará o nível de eficiência energética dos projetos e dos edifícios construídos. Eles serão avaliados quanto à eficiência de sua envoltória (fachadas, coberturas e pisos) e de seus sistemas de iluminação e climatização. Além disso, poderão receber bonificações caso adotem outras soluções em prol da eficiência energética, como uso racional da água, emprego de fontes renováveis de energia e inovações tecnológicas.
O Regulamento Técnico da Qualidade para Eficiência Energética de Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RTQ) é uma norma técnica para avaliação do nível de eficiência energética dos edifícios. Já o Regulamento de Avaliação da Conformidade do Nível de Eficiência Energética (RAC) para esses mesmos edifícios define a metodologia para aplicação da avaliação dos edifícios. O RAC está disponível para consulta pública desde o dia 19 de março e os interessados têm 30 dias para apresentar sugestões e cíticas relativa ao texto proposto.
Conforme a metodologia do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), a Etiqueta poderá ser dada a todos os edifícios que se candidatarem e informará seu nível de eficiência energética desde o A (mais eficiente) até o E (menos eficiente) no intuito de orientar o consumidor no momento da compra do imóvel e de fomentar a construção de prédios mais eficientes.
A etiquetagem de edificações no Brasil é uma ação pioneira do Ministério de Minas e Energia, Eletrobrás/ Procel Edifica e do Inmetro, e entrará em vigor em 2009 de maneira voluntária.
Acesse o RTQ. (documento em PDF)
Acesse o RAC. (documento em PDF)
Obtenha mais informações no site do Inmetro.
Fonte: Confea.
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Recuperar floresta pode gerar créditos de carbono
01/04/2009 - O banco holandês Rabobank começou a desenvolver, em parceria com algumas ONGs, um projeto para estimular a recuperação de áreas desmatadas na região de bioma amazônico.
Em 2008 foi feito um projeto-piloto na região Norte de Mato Grosso no qual o banco investiu R$ 2,5 mil por hectare para recuperar área de 32 hectares pertencentes a diversos produtores rurais da região. "Em 40 anos, essas árvores vão crescer e capturar o carbono na atmosfera. Mas, esse resultado pode ser antecipado por meio do reconhecimento do projeto como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo pela Organização das Nações Unidas (ONU)", explica Daniela Mariuzzo, responsável pela área de sustentabilidade do Rabobank.
Ela detalha que a partir desse reconhecimento é possível negociar a venda desses créditos de carbono e reverter o recurso, parte para o produtor rural, e outra parte, para um fundo com objetivo de apoiar outros projetos de recuperação de florestas. "Esses créditos podem ser calculados e antecipados", complementa.
Em 2007, a União Europeia, maior mercado comprador de crédito de carbono do mundo, movimentou mais de US$ 50 bilhões, segundo dados do Banco Mundial. A estimativa é que esse volume tenha atingido US$ 75 bilhões em 2008, de acordo com a New Carbon Finance Ecosystem Marketplace.
Fonte: Gazeta Mercantil. Adaptado por Celulose Online.
Em 2008 foi feito um projeto-piloto na região Norte de Mato Grosso no qual o banco investiu R$ 2,5 mil por hectare para recuperar área de 32 hectares pertencentes a diversos produtores rurais da região. "Em 40 anos, essas árvores vão crescer e capturar o carbono na atmosfera. Mas, esse resultado pode ser antecipado por meio do reconhecimento do projeto como Mecanismo de Desenvolvimento Limpo pela Organização das Nações Unidas (ONU)", explica Daniela Mariuzzo, responsável pela área de sustentabilidade do Rabobank.
Ela detalha que a partir desse reconhecimento é possível negociar a venda desses créditos de carbono e reverter o recurso, parte para o produtor rural, e outra parte, para um fundo com objetivo de apoiar outros projetos de recuperação de florestas. "Esses créditos podem ser calculados e antecipados", complementa.
Em 2007, a União Europeia, maior mercado comprador de crédito de carbono do mundo, movimentou mais de US$ 50 bilhões, segundo dados do Banco Mundial. A estimativa é que esse volume tenha atingido US$ 75 bilhões em 2008, de acordo com a New Carbon Finance Ecosystem Marketplace.
Fonte: Gazeta Mercantil. Adaptado por Celulose Online.
Fazendeiro é uma das profissões mais promissoras da década
Investimentos maciços em energia limpa ao redor do mundo prometem garantir o futuro de profissionais como fazendeiros, empreendedores em tecnologias verdes e urbanistas, de acordo com a revista norte-americana Fast Company. Confira a lista das 10 profissões mais promissoras da próxima década.
1) Fazendeiro - Como a agricultura sustentável requer pequena escala, produção local e métodos orgânicos, há uma enorme demanda por novos agricultores.
2) Engenheiro florestal - O engenheiro florestal ajuda a população que vive em meio à mata a ter uma postura essencial para o meio ambiente nos dias de hoje: passar da degradação do verde à silvicultura, com a racionalização das atividades agrícolas na floresta.
3) Instalador de painéis solares - Construir e instalar painéis de energia solar já responde por cerca de 770 mil empregos ao redor do mundo. E a recompensa é boa: o valor pago a um trabalhador como esse está entre US$ 15 e US$ 35 (R$ 33 a R$ 78) por hora. Somente nos Estados Unidos, esse setor emprega entre 25 mil e 35 mil trabalhadores - e a expectativa é que, até 2016, esse número salte para 110 mil.
4) Construtor de prédios eficientes no uso de energia - Edifícios que seguem padrões internacionais de racionalização de energia, a exemplo do selo alemão 'Passivhaus' e do suíço 'Minergie-P' possibilitam, respectivamente, a economia de 75% e 95% em relação a um prédio tradicional. Transformar construções em projetos verdes necessitará não apenas de arquitetos e engenheiros, mas também de especialistas que usem técnicas específicas para racionalizar as fontes de energia.
5) Fabricante de turbinas eólicas - O trabalho com energia eólica emprega, atualmente, cerca de 300 mil pessoas em todo o mundo. Noventa por cento da composição de uma turbina é metal, o que cria uma oportunidade para metalúrgicas se readaptarem ao novo mercado.
6) Biológo, focado em conservação - A necessidade urgente de conservar os ecossistemas ao redor do planeta - e de quantificar o valor destes serviços - abre oportunidades para o ensino, a pesquisa e o trabalho de campo nas áreas públicas, privadas e em ONGs.
7) Graduado em um 'MBA verde' - O tripé pessoas-planeta-lucro sai da margem para o centro das decisões empresariais - daí a oportunidade para pesquisadores e consultores em iniciativas verdes, que foquem seus estudos nessa área.
8) Reciclador - Embora o mercado para papel e plástico tenha diminuído, a demanda por aço segue aquecida - assim, a reciclagem continua como uma alternativa de ganhos.
9) Desenvolvedor de sistemas, focado em sustentabilidade - A economia verde precisa de um núcleo de desenvolvedores de softwares especializados, que possam desenhar, construir e manter redes que deem apoio ao funcionamento de turbinas eólicas e outras soluções ecologicamente corretas.
10) Urbanista - Encorajar o uso de bicicletas e desestimular a utilização de carros é apenas uma parte do trabalho - igualmente importantes são os planos para coleta de lixo e de contingência para inundações e ondas de calor. As vagas neste setor devem crescer 15% até 2016.
Fonte: Globo Rural
1) Fazendeiro - Como a agricultura sustentável requer pequena escala, produção local e métodos orgânicos, há uma enorme demanda por novos agricultores.
2) Engenheiro florestal - O engenheiro florestal ajuda a população que vive em meio à mata a ter uma postura essencial para o meio ambiente nos dias de hoje: passar da degradação do verde à silvicultura, com a racionalização das atividades agrícolas na floresta.
3) Instalador de painéis solares - Construir e instalar painéis de energia solar já responde por cerca de 770 mil empregos ao redor do mundo. E a recompensa é boa: o valor pago a um trabalhador como esse está entre US$ 15 e US$ 35 (R$ 33 a R$ 78) por hora. Somente nos Estados Unidos, esse setor emprega entre 25 mil e 35 mil trabalhadores - e a expectativa é que, até 2016, esse número salte para 110 mil.
4) Construtor de prédios eficientes no uso de energia - Edifícios que seguem padrões internacionais de racionalização de energia, a exemplo do selo alemão 'Passivhaus' e do suíço 'Minergie-P' possibilitam, respectivamente, a economia de 75% e 95% em relação a um prédio tradicional. Transformar construções em projetos verdes necessitará não apenas de arquitetos e engenheiros, mas também de especialistas que usem técnicas específicas para racionalizar as fontes de energia.
5) Fabricante de turbinas eólicas - O trabalho com energia eólica emprega, atualmente, cerca de 300 mil pessoas em todo o mundo. Noventa por cento da composição de uma turbina é metal, o que cria uma oportunidade para metalúrgicas se readaptarem ao novo mercado.
6) Biológo, focado em conservação - A necessidade urgente de conservar os ecossistemas ao redor do planeta - e de quantificar o valor destes serviços - abre oportunidades para o ensino, a pesquisa e o trabalho de campo nas áreas públicas, privadas e em ONGs.
7) Graduado em um 'MBA verde' - O tripé pessoas-planeta-lucro sai da margem para o centro das decisões empresariais - daí a oportunidade para pesquisadores e consultores em iniciativas verdes, que foquem seus estudos nessa área.
8) Reciclador - Embora o mercado para papel e plástico tenha diminuído, a demanda por aço segue aquecida - assim, a reciclagem continua como uma alternativa de ganhos.
9) Desenvolvedor de sistemas, focado em sustentabilidade - A economia verde precisa de um núcleo de desenvolvedores de softwares especializados, que possam desenhar, construir e manter redes que deem apoio ao funcionamento de turbinas eólicas e outras soluções ecologicamente corretas.
10) Urbanista - Encorajar o uso de bicicletas e desestimular a utilização de carros é apenas uma parte do trabalho - igualmente importantes são os planos para coleta de lixo e de contingência para inundações e ondas de calor. As vagas neste setor devem crescer 15% até 2016.
Fonte: Globo Rural
REFLORESTAMENTO: American Carbon Registry lança novo padrão florestal
O American Carbon Registry (ACR), pertencente a organização de pesquisas sem fins lucrativos Winrock International, lançou um novo padrão para o desenvolvimento de projetos domésticos e internacionais na área de reflorestamento, manejo florestal e desmatamento evitado.
O Forest Carbon Project Standard (FCPS) entra no que se tornou um dos mercados mais concorridos nos últimos dois anos, uma vez que várias empresas procuram a verificação independente das compensações de carbono produzidas pelo plantio de árvores depois de críticas sobre a falta de garantias da eficiência dos projetos na mitigação dos gases do efeito estufa.
A ACR diz que apesar da emergência de padrões de qualidade, a empresa tinha necessidade de ter o seu próprio padrão para verificação de créditos florestais que estão entrando em seu registro. “Além de acreditarmos que adiciona algumas melhorias em relação aos outros padrões”, disse a diretora de associações e serviços de registro, Mary Grady.
A principal inovação do FCPS é a flexibilidade oferecida aos desenvolvedores de projetos para assegurar a permanência do carbono estocado nas árvores, incluindo o uso de contratos de seguros e a possibilidade de colocar créditos não florestais de reserva para cobrir imprevistos.
Por outro lado, as diretrizes de verificação do padrão são similares às ferramentas e aos testes existentes.
Grady afirma que já existem projetos em busca do apoio do ACR que representam 1 milhão de toneladas de reduções de emissão florestal. Ela ressalta que o ACR tem como objetivo estar na lista dos padrões de qualidade na América do Norte, como o Voluntary Carbon Standard (VCS) e o California Climate Action Registry (CCAR).
Fonte: Remade
O Forest Carbon Project Standard (FCPS) entra no que se tornou um dos mercados mais concorridos nos últimos dois anos, uma vez que várias empresas procuram a verificação independente das compensações de carbono produzidas pelo plantio de árvores depois de críticas sobre a falta de garantias da eficiência dos projetos na mitigação dos gases do efeito estufa.
A ACR diz que apesar da emergência de padrões de qualidade, a empresa tinha necessidade de ter o seu próprio padrão para verificação de créditos florestais que estão entrando em seu registro. “Além de acreditarmos que adiciona algumas melhorias em relação aos outros padrões”, disse a diretora de associações e serviços de registro, Mary Grady.
A principal inovação do FCPS é a flexibilidade oferecida aos desenvolvedores de projetos para assegurar a permanência do carbono estocado nas árvores, incluindo o uso de contratos de seguros e a possibilidade de colocar créditos não florestais de reserva para cobrir imprevistos.
Por outro lado, as diretrizes de verificação do padrão são similares às ferramentas e aos testes existentes.
Grady afirma que já existem projetos em busca do apoio do ACR que representam 1 milhão de toneladas de reduções de emissão florestal. Ela ressalta que o ACR tem como objetivo estar na lista dos padrões de qualidade na América do Norte, como o Voluntary Carbon Standard (VCS) e o California Climate Action Registry (CCAR).
Fonte: Remade
Gelo cada vez mais fino
8/4/2009
Agência FAPESP – Um estudo feito a partir de novos dados obtidos pelo satélite Acqua, da Nasa, a agência espacial norte-americana, mostra que o processo de diminuição do gelo marinho no Ártico – que já dura uma década – continua. O manto de gelo também está cada vez mais fino.
O gelo marinho no Ártico funciona como se fosse uma espécie de ar condicionado para o sistema climático global. O gelo naturalmente esfria as massas de ar e água, tem papel fundamental na circulação oceânica e reflete a radiação solar de volta ao espaço.
Pesquisadores que monitoram a calota glacial ártica a partir do espaço afirmam que no último inverno (no hemisfério Norte) o gelo no círculo polar apresentou a quinta menor extensão desde que esse tipo de registro começou a ser feito, em 1979.
Os seis menores níveis ocorreram justamente nos últimos seis anos, de 2004 a 2009. A velocidade com que o gelo marinho no extremo norte do planeta está encolhendo tem surpreendido os cientistas.
Até recentemente, a maior parte do gelo marinho no Ártico costumava permanecer por no mínimo um verão e, muitas vezes, durante vários. Mas tal cenário tem mudado dramaticamente, segundo Charles Flowler, da Universidade do Colorado, que coordenou o novo estudo.
Hoje, o gelo sazonal fino – que derrete e recongela a cada ano – responde por cerca de 70% da cobertura no Ártico no inverno. Até a década de 1990, o total desse tipo de gelo chegava no máximo a 50%.
Segundo os cientistas, o gelo mais espesso, capaz de resistir por dois ou mais anos, agora equivale a apenas 10% da cobertura ártica no inverno. Até a década de 1990, variava entre 30% e 40%.
O estudo destaca que a extensão máxima do gelo marinho na região no período 2008-2009, atingida em 28 de fevereiro, chegou a 15 milhões de quilômetros quadrados. O total corresponde a 720 mil quilômetros quadrados a menos do que a média entre 1979 e 2000.
“A extensão do gelo é uma medida importante da saúde do Ártico, mas ela nos dá apenas uma visão bidimensional da cobertura do gelo. Espessura também é importante, especialmente no inverno, porque se trata do melhor indicador geral da calota. À medida que a camada de gelo no Ártico fica mais fina, ela se torna mais vulnerável ao aquecimento que ocorre no verão”, explicou Walter Meier, um dos pesquisadores do grupo de Flowler.
Segundo os cientistas, conforme o gelo mais espesso desaparece, ele é substituído por uma camada mais nova. Essa cobertura é também mais fina e mais suscetível ao derretimento no verão. O gelo sazonal tem em média 1,8 metro, enquanto que a capa mais espessa – capaz de sobreviver a mais de um verão – tem cerca de 2,7 metros.
Mais informações: www.nasa.gov
Fonte: Agência FAPESP
Agência FAPESP – Um estudo feito a partir de novos dados obtidos pelo satélite Acqua, da Nasa, a agência espacial norte-americana, mostra que o processo de diminuição do gelo marinho no Ártico – que já dura uma década – continua. O manto de gelo também está cada vez mais fino.
O gelo marinho no Ártico funciona como se fosse uma espécie de ar condicionado para o sistema climático global. O gelo naturalmente esfria as massas de ar e água, tem papel fundamental na circulação oceânica e reflete a radiação solar de volta ao espaço.
Pesquisadores que monitoram a calota glacial ártica a partir do espaço afirmam que no último inverno (no hemisfério Norte) o gelo no círculo polar apresentou a quinta menor extensão desde que esse tipo de registro começou a ser feito, em 1979.
Os seis menores níveis ocorreram justamente nos últimos seis anos, de 2004 a 2009. A velocidade com que o gelo marinho no extremo norte do planeta está encolhendo tem surpreendido os cientistas.
Até recentemente, a maior parte do gelo marinho no Ártico costumava permanecer por no mínimo um verão e, muitas vezes, durante vários. Mas tal cenário tem mudado dramaticamente, segundo Charles Flowler, da Universidade do Colorado, que coordenou o novo estudo.
Hoje, o gelo sazonal fino – que derrete e recongela a cada ano – responde por cerca de 70% da cobertura no Ártico no inverno. Até a década de 1990, o total desse tipo de gelo chegava no máximo a 50%.
Segundo os cientistas, o gelo mais espesso, capaz de resistir por dois ou mais anos, agora equivale a apenas 10% da cobertura ártica no inverno. Até a década de 1990, variava entre 30% e 40%.
O estudo destaca que a extensão máxima do gelo marinho na região no período 2008-2009, atingida em 28 de fevereiro, chegou a 15 milhões de quilômetros quadrados. O total corresponde a 720 mil quilômetros quadrados a menos do que a média entre 1979 e 2000.
“A extensão do gelo é uma medida importante da saúde do Ártico, mas ela nos dá apenas uma visão bidimensional da cobertura do gelo. Espessura também é importante, especialmente no inverno, porque se trata do melhor indicador geral da calota. À medida que a camada de gelo no Ártico fica mais fina, ela se torna mais vulnerável ao aquecimento que ocorre no verão”, explicou Walter Meier, um dos pesquisadores do grupo de Flowler.
Segundo os cientistas, conforme o gelo mais espesso desaparece, ele é substituído por uma camada mais nova. Essa cobertura é também mais fina e mais suscetível ao derretimento no verão. O gelo sazonal tem em média 1,8 metro, enquanto que a capa mais espessa – capaz de sobreviver a mais de um verão – tem cerca de 2,7 metros.
Mais informações: www.nasa.gov
Fonte: Agência FAPESP
terça-feira, 7 de abril de 2009
Caixa desmente declarações de Minc sobre uso de madeira certificada em programa habitacional
Por Flávio Bonanome, do Amazonia.org
Segundo o banco a exigência de certificação da madeira para programa habitacional não está incluso no processo licitatório para compra de materiais.
Contrariando as declarações do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, feitas na semana passada a respeito do uso de madeira de origem certificada no novo programa habitacional do governo "Minha casa, minha vida", a Caixa Econômica Federal, órgão responsável pela aquisição de materiais para as obras, declarou-se desprovida de qualquer informação quanto à inclusão de tal tipo de madeira nos processos licitatórios.
Após o anúncio feito pelo presidente Lula, na quarta-feira (25), sobre o lançamento do programa habitacional, cujo intuito é construir um milhão de moradias populares, Carlos Minc declarou que toda madeira usada nas obras seria certificada.
Segundo o ministro e texto divulgado pela a assessoria de imprensa do MMA, as casas contariam com "energia solar, reaproveitamento de água, sistemas de coleta e tratamento de esgoto, madeira de origem certificada". Porém, segundo a assessoria da Caixa Econômica Federal, não há nenhuma instrução quanto a aquisição deste tipo de material par ao projeto.
O ministério declarou-se ainda mais contraditório, afirmando que o material para as obras viria de manejo florestal, não necessariamente com origem certificada por qualquer um dos selos existentes. Posteriormente declarou que a madeira seria de reflorestamento, portanto certificada, demonstrando total desconhecimento sobre o assunto.
Carolina Graça, representante da Associação de Produtores Florestais Certificados na Amazônia (PFCA), acredita que haja um sério equívoco por parte do governo no entendimento de madeira certificada. "Muita gente confunde produto de origem legal com o de madeira certificada", afirma. Graça diz que não pode dizer que foi um erro intencional, mas que "com certeza vão usar isso para fins eleitoreiros", e critica: "o governo federal expressa uma certa lentidão quando o assunto é madeira certificada".
Atualmente existem dois selos de certificação no país, o FSC e o Cerflor, sendo o primeiro o principal mecanismo de garantir a exploração de maneira a reduzir impactos sociais e ambientais. Pela lei, é proibido exigir em um processo de obra pública qualquer certificação, mas existem diversos mecanismos para incentivar o uso de materiais de origem sustentável.
Outros Problemas
Além da confusão criada pelo ministério quanto à madeira certificada, outras metas da área sustentável do projeto habitacional têm apresentado grande problema em relação à sua produção. Exemplo disso são as placas solares, prometidas por Carlos Minc como forma de geração de energia limpa para todas as moradias populares.
A dificuldade está exatamente no mesmo ponto enfrentado pela madeira: a oferta é insuficiente para atender a uma demanda de um milhão de casas e nem com um crescimento assombroso no setor de produção seria possível atender a todos os pedidos.
De acordo com a assessoria do MMA, entre as medidas para a solução deste embate seria a redução de impostos para empresas do setor de placas solares, bem como a liberação da importação de componentes, mantendo somente a montagem das placas em território nacional.
Ainda segundo a assessoria, estas medidas, caso sejam efetivadas, promoverão um grande crescimento no setor e farão com que a demanda seja atendida. No entanto, segundo o ministério, essas ações ainda estão sendo planejadas. Não há ainda nenhuma perspectiva de quando e como elas serão concretizadas.
Fonte: Envolverde
Segundo o banco a exigência de certificação da madeira para programa habitacional não está incluso no processo licitatório para compra de materiais.
Contrariando as declarações do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, feitas na semana passada a respeito do uso de madeira de origem certificada no novo programa habitacional do governo "Minha casa, minha vida", a Caixa Econômica Federal, órgão responsável pela aquisição de materiais para as obras, declarou-se desprovida de qualquer informação quanto à inclusão de tal tipo de madeira nos processos licitatórios.
Após o anúncio feito pelo presidente Lula, na quarta-feira (25), sobre o lançamento do programa habitacional, cujo intuito é construir um milhão de moradias populares, Carlos Minc declarou que toda madeira usada nas obras seria certificada.
Segundo o ministro e texto divulgado pela a assessoria de imprensa do MMA, as casas contariam com "energia solar, reaproveitamento de água, sistemas de coleta e tratamento de esgoto, madeira de origem certificada". Porém, segundo a assessoria da Caixa Econômica Federal, não há nenhuma instrução quanto a aquisição deste tipo de material par ao projeto.
O ministério declarou-se ainda mais contraditório, afirmando que o material para as obras viria de manejo florestal, não necessariamente com origem certificada por qualquer um dos selos existentes. Posteriormente declarou que a madeira seria de reflorestamento, portanto certificada, demonstrando total desconhecimento sobre o assunto.
Carolina Graça, representante da Associação de Produtores Florestais Certificados na Amazônia (PFCA), acredita que haja um sério equívoco por parte do governo no entendimento de madeira certificada. "Muita gente confunde produto de origem legal com o de madeira certificada", afirma. Graça diz que não pode dizer que foi um erro intencional, mas que "com certeza vão usar isso para fins eleitoreiros", e critica: "o governo federal expressa uma certa lentidão quando o assunto é madeira certificada".
Atualmente existem dois selos de certificação no país, o FSC e o Cerflor, sendo o primeiro o principal mecanismo de garantir a exploração de maneira a reduzir impactos sociais e ambientais. Pela lei, é proibido exigir em um processo de obra pública qualquer certificação, mas existem diversos mecanismos para incentivar o uso de materiais de origem sustentável.
Outros Problemas
Além da confusão criada pelo ministério quanto à madeira certificada, outras metas da área sustentável do projeto habitacional têm apresentado grande problema em relação à sua produção. Exemplo disso são as placas solares, prometidas por Carlos Minc como forma de geração de energia limpa para todas as moradias populares.
A dificuldade está exatamente no mesmo ponto enfrentado pela madeira: a oferta é insuficiente para atender a uma demanda de um milhão de casas e nem com um crescimento assombroso no setor de produção seria possível atender a todos os pedidos.
De acordo com a assessoria do MMA, entre as medidas para a solução deste embate seria a redução de impostos para empresas do setor de placas solares, bem como a liberação da importação de componentes, mantendo somente a montagem das placas em território nacional.
Ainda segundo a assessoria, estas medidas, caso sejam efetivadas, promoverão um grande crescimento no setor e farão com que a demanda seja atendida. No entanto, segundo o ministério, essas ações ainda estão sendo planejadas. Não há ainda nenhuma perspectiva de quando e como elas serão concretizadas.
Fonte: Envolverde
Brasil recolhe 95% das embalagens de agrotóxicos
O Brasil já recolheu mais de 100 mil toneladas de embalagens de agrotóxicos usados pelos agricultores desde que entrou em operação o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev), em março de 2002. A taxa de retorno chegou, em 2008, a 95%, bem superior à de outros países que têm programas semelhantes.
Segundo o coordenador de agrotóxicos do Ministério da Agricultura, Luís Carlos Rangel, o Canadá, o Japão e os Estados Unidos têm taxa de retorno entre 20% e 30% das embalagens. O diferencial brasileiro, segundo ele, é o sistema de fiscalização aplicado aqui, no qual o revendedor e o comprador são identificados e a devolução das embalagens monitorada, inclusive com punições previstas.
“Esse é o sistema que o Brasil identificou como sendo o mais inteligente e que estamos conseguindo ensinar para o resto do mundo para que eles também possam agregar esse conhecimento para o sistema de recolhimento de embalagens deles”, afirmou Rangel.
O Inpev, uma entidade sem fins lucrativos criada para gerir a destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos, foi criado no fim de 2001 e conta, entre seus associados, com 99% das empresas fabricantes de defensivos agrícolas do Brasil e as sete principais entidades de classe do setor. Os recursos para seu funcionamento vêm das contribuições que cada empresa dá ao instituto, proporcionais ao seu faturamento.
Cerca de 95% das embalagens recolhidas são recicladas e as restantes, incineradas. O ganho ambiental gerado pelo volume reciclado em seis anos do programa equivale, segundo o instituto, ao plantio de 491 mil árvores, ou 98 mil toneladas de gás carbônico - o principal gás do efeito estufa - a menos na atmosfera. O sistema gera mais de 2,5 mil empregos diretos e indiretos.
O presidente da Câmara Setorial de Insumos do Ministério da Agricultura, Cristiano Simon, acredita que o programa pode servir de exemplo para outros setores.
“É considerado um exemplo mundial de um trabalho onde todos participam: o agricultor, a revenda e, principalmente, a indústria, subsidiando esse trabalho. Faz o que era um lixo rural, que contaminava o meio ambiente, numa mercadoria útil, através da produção de tubos pra fibra ótica, de recipientes plásticos para lubrificantes, até embalagem para defensivo agrícola. Todos participam em uma cadeia de cooperação exemplar e que poderia servir para outros setores que estão preocupados com o meio ambiente e com a sustentabilidade”, relata Simon.
Matéria de Danilo Macedo, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 30/03/2009.
Segundo o coordenador de agrotóxicos do Ministério da Agricultura, Luís Carlos Rangel, o Canadá, o Japão e os Estados Unidos têm taxa de retorno entre 20% e 30% das embalagens. O diferencial brasileiro, segundo ele, é o sistema de fiscalização aplicado aqui, no qual o revendedor e o comprador são identificados e a devolução das embalagens monitorada, inclusive com punições previstas.
“Esse é o sistema que o Brasil identificou como sendo o mais inteligente e que estamos conseguindo ensinar para o resto do mundo para que eles também possam agregar esse conhecimento para o sistema de recolhimento de embalagens deles”, afirmou Rangel.
O Inpev, uma entidade sem fins lucrativos criada para gerir a destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos, foi criado no fim de 2001 e conta, entre seus associados, com 99% das empresas fabricantes de defensivos agrícolas do Brasil e as sete principais entidades de classe do setor. Os recursos para seu funcionamento vêm das contribuições que cada empresa dá ao instituto, proporcionais ao seu faturamento.
Cerca de 95% das embalagens recolhidas são recicladas e as restantes, incineradas. O ganho ambiental gerado pelo volume reciclado em seis anos do programa equivale, segundo o instituto, ao plantio de 491 mil árvores, ou 98 mil toneladas de gás carbônico - o principal gás do efeito estufa - a menos na atmosfera. O sistema gera mais de 2,5 mil empregos diretos e indiretos.
O presidente da Câmara Setorial de Insumos do Ministério da Agricultura, Cristiano Simon, acredita que o programa pode servir de exemplo para outros setores.
“É considerado um exemplo mundial de um trabalho onde todos participam: o agricultor, a revenda e, principalmente, a indústria, subsidiando esse trabalho. Faz o que era um lixo rural, que contaminava o meio ambiente, numa mercadoria útil, através da produção de tubos pra fibra ótica, de recipientes plásticos para lubrificantes, até embalagem para defensivo agrícola. Todos participam em uma cadeia de cooperação exemplar e que poderia servir para outros setores que estão preocupados com o meio ambiente e com a sustentabilidade”, relata Simon.
Matéria de Danilo Macedo, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 30/03/2009.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Petróleo barato barra veículos a hidrogênio
AFRA BALAZINA
enviada especial da Folha de S.Paulo ao Canadá
Ao ligar o carro, o barulho lembra o de um aspirador de pó, porém mais baixo e menos irritante. Depois, quase não se ouve mais ruído. A resposta é muito rápida e o veículo parece leve, desliza suavemente pelas ruas de Vancouver, no Canadá.
Hidrogênio serve como combustível para veículos; veja animação
O veículo elétrico com célula a combustível de hidrogênio não deixa a desejar em potência. E, o melhor de tudo, não solta nenhum poluente pelo escapamento, somente vapor-d'água. Evita, assim, a emissão para a atmosfera do gás de efeito estufa CO2, que contribui para o aquecimento global.
Em visita ao Instituto de Inovação de Célula a Combustível do NRC (Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá), a reportagem da Folha fez um test-drive com um modelo Ford Focus movido a hidrogênio. Ao dirigir o carro, fica claro que a tecnologia não é mais um empecilho para esse tipo de veículo. Embora muitos protótipos tenham sido criados nos últimos anos, porém, nenhum atingiu escala comercial ainda.
Michael Fowler, professor da área de engenharia química da Universidade de Waterloo, tem a resposta pronta para explicar a demora: o petróleo ainda está barato, e ninguém vai se interessar em comprar carros ecológicos se é mais econômico se locomover soltando fumaça.
Na sexta-feira, em Nova York, a cotação do barril de petróleo fechou em US$ 52,51. Ainda não está claro, porém, quão caro os combustíveis fósseis terão de ficar para que se decida investir no hidrogênio.
O interesse pelo combustível limpo existe desde 1959, quando foi criado um trator com célula a combustível de hidrogênio. Na crise do petróleo, nos anos 1970, a pesquisa pela tecnologia voltou. Mas, quando o preço do petróleo caiu, o assunto perdeu importância. Na década de 1990, com o aumento da preocupação ambiental, o hidrogênio voltou à pauta.
Oferta e demanda
A Honda já faz leasing (espécie de aluguel) do modelo FCX Clarity, que usa o hidrogênio, na Califórnia (EUA). O preço é US$ 600 ao mês, e inclui a manutenção do veículo.
Enquanto nos EUA e no Japão o interesse maior é pela implantação do motor a hidrogênio em carros, na Europa a atenção é para os ônibus, que vêm sendo testados na Alemanha e em outros países.
O presidente da Honda, Takeo Fukui, acredita que levará ainda dez anos até que essa tecnologia seja comercialmente viável. E isso não significa que haverá produção em massa a preços baratos, mas, sim, que o carro estará "disponível para a compra a um preço semelhante ao de um veículo de luxo hoje".
Um dos fatores que encarecem o carro é que os melhores eletrodos disponíveis para as células a combustível precisam de platina, metal raro e caro. Por isso, muitos grupos de pesquisa têm estudado alternativas. O próprio NRC pesquisa a utilização de aço como substituto à platina. E pesquisadores de Quebec, também no Canadá, acabam de apresentar em estudo na revista "Science" um catalisador à base de ferro para rivalizar com o elemento nobre.
Porém, na opinião de Ennio Peres da Silva, chefe do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp, hoje já se conseguiu reduzir a platina a uma quantidade tão pequena que, mesmo que não se encontre algo à altura dela, isso não será uma barreira ao uso do hidrogênio.
E ele critica quem só se preocupa com a questão de preço. "Se fosse só o preço que determinasse, até hoje estaríamos andando a cavalo, que era era mais rápido e mais econômico do que os primeiros carros."
Ele argumenta que o veículo a hidrogênio tem o dobro da eficiência, não polui, não faz barulho. E, se acabar a luz da sua casa, ele pode ser usado para obter energia elétrica. "Essa tecnologia não é a mais barata. Mas a humanidade vai ganhar com seu uso. É uma questão de fazer a escolha certa", diz Silva.
A demora da comercialização do veículo a hidrogênio, lembra Lars Rose, pesquisador do NRC, pode ter relação com a questão do "ovo e da galinha" --não há demanda porque não existe o carro, e não há carro porque não há demanda. Mas Silva afirma que isso pode ser superado --afinal, situação semelhante ocorreu com o etanol e o gás natural.
Perdendo o bonde
Foi no Laboratório de Hidrogênio da Unicamp que se criou o primeiro --e único-- carro brasileiro elétrico com células a combustível de hidrogênio. Infelizmente, diz Silva, o país não investiu o suficiente e "perdeu o bonde" da tecnologia. Ele critica a falta de apoio do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) --para fazer o carro, por exemplo, o grupo contou apenas com o MME (Ministério de Minas e Energia).
Na opinião de Silva, os motores a combustão interna, menos eficientes do que os elétricos, estão com os dias contados. "Não podemos apostar em algo que vai acabar". diz.
Na América do Norte e no Japão, principalmente, os carros híbridos --que alternam bateria elétrica e gasolina-- têm feito sucesso. Há cerca de um ano, a Toyota anunciou que o Prius havia atingido a marca de 1 milhão de veículos vendidos.
Outros mercados
Em alguns países, o hidrogênio já ocupa outros nichos. Nos EUA, sistemas de backup de energia em torres de comunicação usam células a combustível de hidrogênio em vez de baterias. Apesar de sua instalação ser mais cara, a nova tecnologia é mais segura e tem um custo de manutenção menor. O Brasil, por enquanto, tem só um exemplo desse tipo de uso.
Fonte: Folha Online
enviada especial da Folha de S.Paulo ao Canadá
Ao ligar o carro, o barulho lembra o de um aspirador de pó, porém mais baixo e menos irritante. Depois, quase não se ouve mais ruído. A resposta é muito rápida e o veículo parece leve, desliza suavemente pelas ruas de Vancouver, no Canadá.
Hidrogênio serve como combustível para veículos; veja animação
O veículo elétrico com célula a combustível de hidrogênio não deixa a desejar em potência. E, o melhor de tudo, não solta nenhum poluente pelo escapamento, somente vapor-d'água. Evita, assim, a emissão para a atmosfera do gás de efeito estufa CO2, que contribui para o aquecimento global.
Em visita ao Instituto de Inovação de Célula a Combustível do NRC (Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá), a reportagem da Folha fez um test-drive com um modelo Ford Focus movido a hidrogênio. Ao dirigir o carro, fica claro que a tecnologia não é mais um empecilho para esse tipo de veículo. Embora muitos protótipos tenham sido criados nos últimos anos, porém, nenhum atingiu escala comercial ainda.
Michael Fowler, professor da área de engenharia química da Universidade de Waterloo, tem a resposta pronta para explicar a demora: o petróleo ainda está barato, e ninguém vai se interessar em comprar carros ecológicos se é mais econômico se locomover soltando fumaça.
Na sexta-feira, em Nova York, a cotação do barril de petróleo fechou em US$ 52,51. Ainda não está claro, porém, quão caro os combustíveis fósseis terão de ficar para que se decida investir no hidrogênio.
O interesse pelo combustível limpo existe desde 1959, quando foi criado um trator com célula a combustível de hidrogênio. Na crise do petróleo, nos anos 1970, a pesquisa pela tecnologia voltou. Mas, quando o preço do petróleo caiu, o assunto perdeu importância. Na década de 1990, com o aumento da preocupação ambiental, o hidrogênio voltou à pauta.
Oferta e demanda
A Honda já faz leasing (espécie de aluguel) do modelo FCX Clarity, que usa o hidrogênio, na Califórnia (EUA). O preço é US$ 600 ao mês, e inclui a manutenção do veículo.
Enquanto nos EUA e no Japão o interesse maior é pela implantação do motor a hidrogênio em carros, na Europa a atenção é para os ônibus, que vêm sendo testados na Alemanha e em outros países.
O presidente da Honda, Takeo Fukui, acredita que levará ainda dez anos até que essa tecnologia seja comercialmente viável. E isso não significa que haverá produção em massa a preços baratos, mas, sim, que o carro estará "disponível para a compra a um preço semelhante ao de um veículo de luxo hoje".
Um dos fatores que encarecem o carro é que os melhores eletrodos disponíveis para as células a combustível precisam de platina, metal raro e caro. Por isso, muitos grupos de pesquisa têm estudado alternativas. O próprio NRC pesquisa a utilização de aço como substituto à platina. E pesquisadores de Quebec, também no Canadá, acabam de apresentar em estudo na revista "Science" um catalisador à base de ferro para rivalizar com o elemento nobre.
Porém, na opinião de Ennio Peres da Silva, chefe do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp, hoje já se conseguiu reduzir a platina a uma quantidade tão pequena que, mesmo que não se encontre algo à altura dela, isso não será uma barreira ao uso do hidrogênio.
E ele critica quem só se preocupa com a questão de preço. "Se fosse só o preço que determinasse, até hoje estaríamos andando a cavalo, que era era mais rápido e mais econômico do que os primeiros carros."
Ele argumenta que o veículo a hidrogênio tem o dobro da eficiência, não polui, não faz barulho. E, se acabar a luz da sua casa, ele pode ser usado para obter energia elétrica. "Essa tecnologia não é a mais barata. Mas a humanidade vai ganhar com seu uso. É uma questão de fazer a escolha certa", diz Silva.
A demora da comercialização do veículo a hidrogênio, lembra Lars Rose, pesquisador do NRC, pode ter relação com a questão do "ovo e da galinha" --não há demanda porque não existe o carro, e não há carro porque não há demanda. Mas Silva afirma que isso pode ser superado --afinal, situação semelhante ocorreu com o etanol e o gás natural.
Perdendo o bonde
Foi no Laboratório de Hidrogênio da Unicamp que se criou o primeiro --e único-- carro brasileiro elétrico com células a combustível de hidrogênio. Infelizmente, diz Silva, o país não investiu o suficiente e "perdeu o bonde" da tecnologia. Ele critica a falta de apoio do MCT (Ministério de Ciência e Tecnologia) --para fazer o carro, por exemplo, o grupo contou apenas com o MME (Ministério de Minas e Energia).
Na opinião de Silva, os motores a combustão interna, menos eficientes do que os elétricos, estão com os dias contados. "Não podemos apostar em algo que vai acabar". diz.
Na América do Norte e no Japão, principalmente, os carros híbridos --que alternam bateria elétrica e gasolina-- têm feito sucesso. Há cerca de um ano, a Toyota anunciou que o Prius havia atingido a marca de 1 milhão de veículos vendidos.
Outros mercados
Em alguns países, o hidrogênio já ocupa outros nichos. Nos EUA, sistemas de backup de energia em torres de comunicação usam células a combustível de hidrogênio em vez de baterias. Apesar de sua instalação ser mais cara, a nova tecnologia é mais segura e tem um custo de manutenção menor. O Brasil, por enquanto, tem só um exemplo desse tipo de uso.
Fonte: Folha Online
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