segunda-feira, 13 de abril de 2009

Florestas de Uso Múltiplo

Uma proposta inovadora de produção florestal, aliando preservação ambiental com uso econômico, foi desenvolvida pelo pesquisador Guenji Yamazoe e está sendo aplicada em propriedades rurais no estado de São Paulo.

Trata-se das “florestas de uso múltiplo”. Por este modelo de reflorestamento, investe-se na diversificação de produtos, em busca de um manejo sustentável da área produtiva. Para o produtor rural, que necessita do retorno econômico, o modelo também pode ser adotado em áreas de reserva legal, que podem ser exploradas comercialmente. A idéia é que o produtor obtenha retorno econômico já durante a fase de crescimento da floresta, primeiro com a intercalação de cultivos anuais (algodão e amendoim, por exemplo), depois com frutas e finalmente com extração de madeira, com cada um destes grupos sendo plantado dentro de uma faixa, obedecendo a critérios ecológicos e econômicos.

A curto prazo, em quatro a cinco anos, já haverá produção de frutos com potencial econômico, como araçá, uvaia, cambuci, cabeludinha, grumixama, etc., além de sementes de espécies pioneiras, que têm crescimento rápido e vida curta. A médio prazo, ou seja em 10 – 15 anos, o produtor também obterá rentabilidade com a extração de madeira branca, como guapuruvu, tamboril e caixeta, além da produção de palmito juçara, cujos frutos podem ser aproveitados para a produção de alimento. A longo prazo, em 30 anos, já haverá a possibilidade de produzir madeira nobre de alto valor comercial, como jatobá, jequitibá e guanandi.

A sociedade brasileira e mundial não pode mais perder tempo com lamentações sobre o desmatamento. É necessário investir no replantio de árvores nativas. Se isto for feito seguindo alguns critérios, fornecerá um ótimo retorno econômico. Após os investimentos iniciais e depois que a floresta estiver em pé, bastará manejá-la de forma sustentada (ou seja, não retirando mais do que aquilo que é produzido anualmente) para obter-se uma rentabilidade regular e sem prazo para acabar, como os juros de uma aplicação financeira.

Monika Naumann
Eng. Florestal / Gestora Ambiental
http://matasnativas.wordpress.com/

Fonte: Painel Florestal

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