terça-feira, 11 de novembro de 2008

Laboratório dos EUA cria miniusinas nucleares para abastecer residências

11/11/2008


Reatores menores do que uma barraquinha de cachorro quente e capazes de gerar energia para abastecer 20 mil casas estarão à venda a preço acessível em cinco anos.

Sabrina Domingos

Usinas nucleares menores do que uma barraquinha de cachorro quente e capazes de gerar energia para abastecer 20 mil casas estarão à venda em cinco anos. Isso significa que os moradores de uma cidade poderão se reunir e comprar a própria usina nuclear a um preço acessível. Os reatores em miniatura são produzidos pelos cientistas do laboratório americano Los Alamos, o mesmo que desenvolveu a primeira bomba atômica.

As miniusinas sairão seladas de fábrica, sem conter partes móveis ou materiais de cunho armamentista. Os inventores afirmam que será praticamente impossível roubar as instalações, já que elas serão fixadas no concreto e enterradas no subsolo. Um acidente parecido com o de Chernobyl também é descartado pelos fabricantes, justamente pelo fato de o equipamento ser uma peça única, sem opção de desmonte.

O design é semelhante ao das usinas produzidas nos anos 50, comprovadas como seguras para uso de estudantes. Por isso, os produtores esperam que haja pouca objeção dos países quanto à instalação dos reatores em seus territórios.

Preço
A tecnologia foi licenciada pelo governo dos Estados Unidos para a empresa Hyperion, localizada no estado de Novo México, e a produção em massa dos equipamentos iniciará em cinco anos. "Nossa meta é gerar eletricidade a 10 centavos de dólar por watt em qualquer lugar do mundo", informa o diretor-executivo da Hyperion, John Deal.

Cada miniusina custará aproximadamente US$ 25 milhões, valor que torna a compra acessível a uma comunidade de 10 mil habitantes, por exemplo, em que cada residência pagaria US$ 250.

Deal afirma já ter recebido mais de 100 pedidos, a maioria de indústrias de óleo e eletricidade; mas diz que também está preocupado em levar a novidade para países em desenvolvimento e comunidades isoladas.

A empresa planeja montar três fábricas para produzir quatro mil miniusinas entre 2013 e 2023. "Nós já temos 100 reatores na fila de espera e estamos nos organizando para produzí-los em massa".

Demanda
A primeira confirmação de pedido veio da empresa checa TES, especializada em usinas movidas a água. "Eles já confirmaram seis unidades e deixaram outras 12 pendentes. Nós estamos certos da capacidade de pagamento deles", comenta Deal.

O jornal britânico The Guardian afirma que a primeira usina em miniatura será instalada na Romênia. O Comitê para Controle Nuclear do país, no entanto, declara que não faz idéia do projeto e que não recebeu nenhuma notificação solicitando autorização para a miniusina nuclear.

A Hyperion possui uma lista de espera de seis anos e já negocia com desenvolvedores nas Ilhas Caimã, no Panamá e nas Bahamas. Uma inscrição para a construção das usinas será submetida à Comissão de Regulamentação Nuclear no próximo ano.

Os reatores possuem apenas alguns metros de diâmetro e serão entregues por um caminhão para serem enterrados no local de funcionamento. As estações deverão ser reabastecidas em cada 7 a 10 anos.

Outras empresas já são conhecidas por desenvolver pequenos reatores. A Toshiba está testando um de dois metros por seis metros, projetado para abastecer um número menor de residências e que poderá gerar energia para um único prédio dentro de 40 anos.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

Desabafo de um servidor público

Transcrevo aqui, na íntegra, um e-mail que recebi de um grupo de discussão do qual participo.

"Amigos e amigas,

Um analista ambiental do ICMBIO lotado no Parque Nacional da Chapada
Diamantina acabou de lançar este desabafo. Foi muito corajoso. Leiam com
atenção.

Com tristeza,

Rogério Mucugê Miranda
Coordenador Executivo
Grupo Ambientalista da Bahia - Gambá
(71) 3240-6822
mucuge@gamba.org.br

----- Original Message -----
From: "parque nacional da chapada diamantina"

Peço, por favor, que leiam o documento anexo, que é um desabafo de um
servidor público frustrado.
Obrigado

Cezar Neubert Gonçalves
Anexo:

Há momentos na vida em que precisamos fazer balanços e avaliar nossos rumos, para vermos que direção iremos tomar. Hoje, completo 39 anos e dentro de quatro dias completarei seis anos de serviço no IBAMA/ICMBIO. E sou obrigado a concluir que foram seis anos perdidos. Tudo o que fazemos é inútil. Este parque nacional perdeu o sentido de existir. Exagero? Mais de 50.000ha queimados só dentro do PNCD, fora as áreas ao redor. Toda área do PNCD ao sul de Mucugê foi destruída. Isto significa que provavelmente algumas espécies endêmicas do parque foram extintas. Entre os animais, os pequenos mamíferos vão morrer de fome, pois não há o que eles possam comer. As aves, que estavam nidificando, devem ter perdido suas crias. Esta é uma tragédia sem precedentes. De minha parte, fica a sensação de impotência e de ter trabalhado todo este tempo em vão. Todos os esforços para elaborar o plano de manejo da unidade, todo o esforço para ver se saímos do atoleiro burocrático das questões fundiárias, todos os outros trabalhos, tudo sem sentido. Isto não é vida.

O que causa isto tudo? A verdade é que a gente faz de conta que administra um parque nacional. Ou alguém em seu juízo normal pensa que uma área com 152.000ha, com mais de 100 familias morando dentro, cercada por cinco cidades que, de alguma forma, dela se utilizam para atender a suas necessidades, pode ser administrada por cinco analistas ambientais e está tudo bem? Pelo que eu ouvi de um colega de Brasília, decerto sim, pois ele teve o despautério de me dizer que nos EUA as UC federais tem apenas um servidor federal, o resto é estadual ou municipal, ou mesmo particular (umas três mil pessoas). Bem, três mil pessoas é provavelmente muito mais que todo o efetivo da Secretária de Meio Ambiente do Estado da Bahia. Mas este colega vive realmente em outro mundo, já que queria que participássemos de uma reunião fora daqui e se sentiu ofendido quando dissemos provavelmente não poderíamos mandar ninguém devido a tragédia que enfrentamos.

É esta maldita divisão do IBAMA/ICMBIO? O setor do IBAMA que cuida do combate aos incêndios já não vai mais atuar nas UC no ano que vem. O setor do ICMBIO que cuida disso conta com três ou quatro pobres coitados que vão ter que rebolar para dar conta dos problemas. E quando chegar outubro do próximo ano? Não vou usar palavras de baixo calão, mas dá vontade. O IBAMA da Bahia não está nem aí para a questão do fogo. E a estrutura do PREVFOGO, vão fazer o que com ela? Formar brigadas municipais na Amazonia, como fizeram este ano. E aí tome chamar os colegas no meio da temporada de incêndio para ministrar cursos em outras partes do País, porque faltam instrutores, como também aconteceu este ano, quando nosso gerente de fogo teve que vir às pressas de Sergipe onde tinha sido mandado, contra a nossa vontade, para dar apoio a outras UC. Nada contra apoiar outras UC, mas no meio da temporada de fogo?
E o Equipamentos para os brigadistas? Fora o problema dos coturnos de má qualidade, que pode acontecer, fica a questão dos voluntários, que até agora não receberam os EPI. Já mandamos diversas vezes listagens e mais listagens com as relações dos voluntários, mas nada!! E temos 150 caras apagando fogo dentro da UC sem equipamento. No dia em que um deles se machucar feio, quero ver quem vai se responsabilizar. Isto sem falar no tal seguro, que era para vir e até agora nada.

O que ficamos vendo, o tempo inteiro, são nossos superiores imediatos batendo cabeça, atolados em mil coisas a fazer, sufocados no meio da loucura destas instituições falidas. Muitos tem até boa vontade, nem que seja para dizer que, no meio desta desgraça, alguma coisa boa vai acontecer. Duvido. Na verdade, acho que era hora de pensar em acabar com esta falácia e extinguir o PNCD. Podemos criar uma outra coisa no lugar, como uma Flona. Estou tentando ser pro-ativo e salvar alguma coisa.. Com a FLONA, nós poderíamos corrigir uma série de problemas que hoje, com o parque, são impossíveis, como regularizar a extração mineral na área, manter as comunidades, organizar a coleta de sempre-vivas, produzir mudas de espécies nativas, manter e ordenar a visitação, e até fazer o fundo de pasto em áreas de gerais. Não mudaria muito em relação ao que já existe hoje, além de aproveitar muito do trabalho já feito no PNCD, apenas adaptando o
Plano de manejo e fazendo a regularização fundiária. E para nós, que vivemos aqui, seria uma vida muito mais fácil e feliz.

OU alguém acha que nós gostamos de ficar, como meus colegas, 10 dias seguidos sem ver filhos e esposas? Vendo seu filho acordar de manhã e dizer "adeus, papai" ao invés de "bom dia"? Isto sem contar com a revolta de brigadistas e outras pessoas da comunidade, que recaem sobre nós. É o caso de um dos lideres de brigada que já lançou manifesto na internet, como sempre atacando pessoalmente os servidores. Coitado! Sempre errando o foco! Não consegue perceber que o problema é mais em cima. Poderia ser quem fosse aqui, qualquer liderança ou chefe, o problema seria igual, porque o problema é estrutural: os órgãos é que são falidos! Além disto, o belo movimento de brigadas voluntárias que temos aqui só existe aqui - e este é seu problema: como vamos conseguir convencer os chefes dos irmãos siameses ICMBIO/IBAMA que isto é importante, se os outros 65 parques nacionais funcionam sem elas? E eles nem conseguem implantar políticas gerais para todas as UC, quiçá fortalecer e melhorar uma única experiência local. É um desafio conjunto. Mas quando não dá certo, o jeito é bater em quem está mais perto, mesmo que seja peixe pequeno neste mar de tubarões em que vivemos.
No estado de espírito em que estou agora, é provável que eu fosse para qualquer lugar onde quisessem me mandar (menos a Amazônia - se aqui é o inferno, lá é onde mora o diabo - quem trabalha lá sabe). É provável que amanhã eu mude de idéia. Mesmo a vontade de chutar o balde e me demitir também não deve se concretizar

- tenho duas filhas em quem pensar e uma esposa que está estudando para concretizarmos um projeto, agora não é hora. Vou levar a vida e fazer o meu trabalho, mesmo sabendo que não serve para nada. Não tem jeito, por enquanto.

Finalmente, preciso deixar claro que tudo o que disse aqui é minha opinião pessoal. Eu vou utilizar os recursos disponíveis no parque, à revelia de meu chefe, para enviar esta correspondência, mas ele não sabe do teor - vai saber, é claro. E minha revolta é grande, mas acho que vou superar. Feliz aniversário, Cezar! Os que estão em casa agora, curtindo seu fim de semana, se puderem, lembrem de mim e de meus colegas. Mas duvido que isto vá acontecer. Amanhã, devo receber umas ligações de superiores dizendo: o que isto, Cezar? Você tem que ser mais político! Bom, venham para cá, no nosso lugar, que nós seremos mais políticos.
Cezar Neubert Gonçalves
Analista Ambiental"

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A REDE GLOBO TREME: VIVA A INTERNET

Leão Esperança: Este e-mail vem causando arrepios à REDE GLOBO: Criança Esperança: Você está pagando o imposto de Renda da REDE GLOBO!

Quando a REDE GLOBO diz que a campanha Criança Esperança não gera lucro é mentira. Porque no mês de Abril do ano seguinte, ela (TV GLOBO) entrega o seu imposto de renda com o seguinte desconto: doação feita à UNICEF no valor de: (aqui vem o valor arrecadado na Campanha Criança Esperança).

Ou seja, a REDE GLOBO já desconta pelo menos 20 e tantos milhões do imposto de renda graças à ingenuidade dos doadores! Agora se você vai colocar no seu imposto de renda que doou 7, 15, 30 ou mais pro Criança Esperança, não pode, sabe por quê? Porque Criança Esperança é uma marca somente e não uma entidade beneficente. Já a doação feita com o seu dinheiro para o Unicef é aceito. E não há crime nenhum. Aí, você doou à REDE GLOBO um dinheiro que realmente foi entregue à Unicef, porém, por que descontar na Receita Federal como doação da REDE GLOBO e não na sua?

Do jeito que somos tungados pelos impostos, bem que tal prática contábil tributária poderia se chamar de agora em diante de Leão Esperança. Lição: Se a REDE GLOBO tem o poder de fazer chegar a mensagem dela a tantos milhões de televisores, também nós temos o poder de fazer chegar a nossa mensagem a milhões de computadores!

AGORA, A REDE GLOBO DIZ QUE O DINHEIRO VAI DIRETO PARA UMA CONTA DA UNICEF, MAS PORQUE ELA NÃO DÁ O NÚMERO DA CONTA?

EXERÇAMOS ESTE PODER-DEVER, ENVIANDO E DIVULGANDO ESTE TEXTO À LISTA DE AMIGOS E CONTATOS!

Terra a caminho do pior cenário climático

Agência Internacional de Energia diz que temperatura pode subir 6 graus Celsius


O consumo cada vez maior de energia está levando à Terra para o pior cenário de mudanças climáticas. O alerta é da Agência Internacional de Energia. No relatório “Panorama Global de Energia 2008”, a agência diz que a temperatura média do planeta poderá subir 6 graus Celsius até o fim do século.
Uma elevação dessa magnitude pode transformar o clima da Terra e é maior do que a prevista no mais grave cenário traçado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês). O IPCC tinha previsto uma elevação de até 5 graus.
Se a temperatura subir 6 graus, o equilíbrio climático pode se romper. Em conseqüência, regiões temperadas poderiam se tornar quentes, o degelo de pólos seria dramático e eventos extremos, como furacões e secas, se tornariam mais freqüentes e intensos.
Hoje, a temperatura média do planeta é de cerca de 14 graus Celsius. Na última Idade do Gelo, terminada há aproximadamente 11 mil anos, ela era 5 graus mais baixa e as geleiras avançavam até o meio dos Estados Unidos e da Europa, por exemplo.
O motivo da previsão pessimista, segundo a agência, é que o mundo não dá sinais de que vá consumir menos energia. E o petróleo também não deverá se esgotar nas próximas décadas.
Mesmo se o consumo continuar a crescer no ritmo atual, haverá reservas de petróleo pelo menos até 2030.
A Agência Internacional de Energia diz que a única chance real de reverter esse cenário será estipular metas mais rigorosas de cortes de emissões na próxima grande cúpula climática, marcada para dezembro de 2009, em Copenhague.
O relatório destaca que o aumento do consumo não tem trazido benefícios para a população pobre de países ricos em petróleo. Exemplos são Nigéria e Angola.
(O Globo, 7/11)

Fonte: JC e-mail 7/11 (SBPC)

O tempo é curto na área do clima, artigo de Washington Novaes

“À espera também do que um governo e um Congresso democratas farão com a política do clima nos Estados Unidos. Mas com a ciência endurecendo suas advertências: todos os continentes estão se aquecendo”


Washington Novaes é jornalista. Artigo publicado no “Estado de SP”:

Avivou muito as discussões a presença em São Paulo, esta semana, do afável e cordial - mas não menos contundente - sir Nicholas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial e coordenador do relatório sobre mudanças climáticas pedido pelo governo britânico em 2006.
Nesse documento, que mudou o rumo das discussões, Stern afirmara que tínhamos dez anos para enfrentar a questão do clima, aplicando em soluções pelo menos 1% do produto bruto mundial (cerca de US$ 600 bilhões) a cada ano; se não o fizermos, corremos o risco da “mais grave recessão econômica da História”, que pode significar a perda de 20% do produto mundial.
Há poucas semanas, Stern corrigiu - e agora reiterou em São Paulo: “Em 2006 eu fui muito otimista, não temos dez anos.” As emissões cresceram muito no mundo e os custos já seriam de 2% do produto ao ano. E será preciso estabilizar a concentração de carbono na atmosfera em nível mais baixo (450 partes por milhão) do que fora imaginado (500 a 550).
No ritmo atual, a temperatura do planeta subirá de 2 a 3 graus Celsius até 2050 e 5 graus até 2100 (a média é de meio grau por década). A média de emissões por pessoa precisará baixar das atuais 7 toneladas anuais (nos países industrializados varia de 10 a 24 toneladas per capita; no Brasil é superior a 2 toneladas) para que se consiga uma redução de pelo menos 50% nas emissões totais até 2050, o que implica 80% para os países industrializados.
Mas a crise financeira está agravando tudo. Porque o custo da redução inclui de US$ 20 bilhões a US$ 75 bilhões no comércio de carbono, que empresas de países industrializados já estão contendo. E mesmo na Europa - mais empenhada em reduções que outras áreas - países como Itália, Polônia e outros estão pedindo que seja adiado o compromisso de reduzir as emissões em 20% até 2020.
Na televisão e em outros lugares, Stern fez uma advertência oportuna para o Brasil: a questão do clima não se pode confinar no Ministério do Meio Ambiente, “precisa da participação da Casa Civil, dos Ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento, da Fazenda” - isto é, das áreas governamentais hoje mais empenhadas num crescimento econômico quase a qualquer preço do que em esforços para conter o desmatamento, mudar matrizes energéticas e do transporte, reduzir as emissões industriais.
Também colocou condicionantes claras para a exploração do petróleo da camada pré-sal: vai depender da cotação do petróleo (que, aos preços atuais, pode inviabilizá-la); de mudanças nos transportes (para veículos menos poluidores); e da viabilidade da tecnologia de capturar as emissões na sua fonte (usinas de energia, indústrias e outras) e sepultá-las debaixo da terra ou no fundo mar - é uma tecnologia que o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas avaliou como tecnicamente possível, mas dependendo do que acontecerá na terra, em termos geológicos e de recursos hídricos, e no mar, com a biodiversidade marinha.
A discussão no Brasil continua à espera do plano nacional para a área do clima, que teve sua proposta inicial severamente criticada pelo Fórum das ONGs e dos Movimentos Sociais e pelo ex-ministro José Goldemberg, para quem o texto preliminar não chega a ser um plano - “é um emaranhado de iniciativas já existentes”.
Diz o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que está discutindo com o Itamaraty a adoção de metas de redução de emissões que correspondam a um terço das que vierem a ser adotadas para os países industrializados (Folha de S.Paulo, 25/10). Essa fórmula, diz ele, já teria sido aceita pela área econômica; o Itamaraty concordaria, mas quer impor outras condições. Para o ministro do Meio Ambiente, o custo da redução para o Brasil seria “zero”: bastaria baixar em um terço o desmatamento na Amazônia e receber tecnologias dos países mais ricos.
Seja qual for o rumo, aguarda-se o novo inventário brasileiro de emissões, que atualize o de 2004. Segundo este, o Brasil já emitia, em 1994, pouco mais de 1 bilhão de toneladas equivalentes de carbono, das quais 776,3 milhões correspondentes a mudanças no uso da terra, desmatamentos e queimadas. Uma estimativa recente fora do Brasil indicou que teria havido acréscimo de 40%. De qualquer forma, o governo brasileiro tem prazo até o fim de ano para divulgar os novos números. Divulgará antes das novas discussões da Convenção Do clima, em dezembro, na Polônia?
Uma das questões mais complicadas internamente é a da matriz energética. O planejamento governamental dá forte ênfase à expansão de termoelétricas (até a carvão) e das hidrelétricas na área amazônica, debaixo de críticas dos ambientalistas - que não a consideram necessária (o consumo até caiu nos últimos meses) e, além disso, favorecedora da ocupação de novas áreas, com desmatamentos e queimadas.
Numa discussão recente em Brasília, o professor Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, apontou a contradição: implantam-se mais usinas, mas o aquecimento global e o desmatamento podem reduzir a vazão dos rios e a produtividade das hidrelétricas. A seu ver, uma das melhores alternativas para o Brasil seria o aproveitamento do potencial eólico, de 60 GW, dos quais apenas 0,28 GW está sendo utilizado.
Em São Paulo, Stern advertiu que é preciso eliminar os subsídios ao consumo de energia (o Brasil subsidia nos chamados eletrointensivos, assim como na agricultura). Lembrou que o derretimento de gelos andinos já reduz o fluxo de água inclusive para o Brasil. E que um aumento de 3 graus na temperatura da Amazônia pode ter conseqüências irreversíveis (quando a produção econômica decorrente do desmatamento não passa de 1% do PIB).
E assim vai a discussão. À espera também do que um governo e um Congresso democratas farão com a política do clima nos Estados Unidos. Mas com a ciência endurecendo suas advertências: todos os continentes estão se aquecendo.
(O Estado de SP, 7/11)

Fonte: JC e-mail (SBPC)

Gasto federal em Educação estagnou

Estudo do MEC revela que dispêndio na área como proporção do PIB ficou congelado em 0,7% entre 2000 e 2006


Lisandra Paraguassú escreve para “O Estado de SP”:

O investimento direto em Educação no País passou de 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2000, para 4,4% em 2006. O crescimento, comemorado pelo governo federal, não é, no entanto, mérito da União.
No mesmo período, o gasto federal ficou estável em 0,7% do PIB. Foram Estados e municípios que passaram a gastar mais. Os dados estão em um estudo preparado pelo próprio Ministério da Educação (MEC), obtido pelo Estado, e que atualiza os dados de investimentos dos últimos oito anos.
O desdobramento do estudo, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), mostra que 42,8% dos recursos gastos na área hoje no País vêm dos Estados. Isso porque, além de suas próprias despesas, as unidades da federação ajudam a financiar os municípios com repasses dentro do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef).
Outros 40% do investimento são realizados pelos próprios municípios. A União representava apenas 17% em 2006. Menos ainda que no início da década, quando chegava a representar 20% do gasto direto.
O estudo leva em conta apenas o que cada esfera de governo gasta diretamente. Recursos repassados pelo MEC aos Estados e municípios dentro do que são chamadas transferências constitucionais - como, por exemplo, os recursos que financiam a merenda escolar - são contabilizados como gastos do governo local. Assim, é normal que o gasto de Estados e municípios seja maior - mas o desejável é que o dispêndio federal evolua, em vez de ficar estagnado, como é o caso hoje.
Responsáveis por toda a rede de ensino básico e milhões de alunos, Estados e municípios recebem repasses federais e ainda são obrigados, constitucionalmente, a investir 25% das suas receitas na área - já a União fica obrigada a dedicar 18% do que arrecada.
No entanto, com uma rede de universidades e escolas técnicas federais e responsável também pelo apoio à educação básica, era de se esperar que o investimento da União tivesse crescido proporcionalmente ao dos Estados e municípios no mesmo período. Os aumentos são aparentemente pequenos - de 1,7% do PIB para 1,9% nos Estados, de 1,5% do PIB para 1,8% nos municípios - mas na realidade representam alguns bilhões de reais a mais por ano.

Podia ser pior

“O gasto da União, na comparação com o PIB, realmente se manteve estável. A boa notícia é que, mesmo nos períodos de forte ajuste fiscal do governo Lula, a Educação foi pouco afetada”, avalia o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes. No auge do aperto fiscal, em 2004, o gasto da União chegou a cair para 0,6% do PIB, mas voltou a 0,7% no ano seguinte e assim permaneceu.
Na comparação do gasto com Educação com o que as esferas de governo gastam na área social - em que entram alimentação e nutrição, saúde, saneamento, educação e cultura, habitação, trabalho, assistência e previdência -, a União também fica para trás. Apenas 2,9% do que o governo federal gasta nesse grupo de responsabilidades é dirigido à educação. No caso dos Estados, a Educação representa 6,9%. Nos municípios, 6,4%. No total, 16,2% do gasto social do País é dirigido à Educação.
As boas notícias, garante o presidente do Inep, virão quando entrarem os números de 2007. Foi a partir do ano passado que o MEC ampliou alguns programas de apoio e multiplicou o número de universidades federais e escolas técnicas. Este ano, entrou em vigor o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), em substituição ao Fundef.
O Fundeb deve obrigar a União a repassar mais recursos para a educação básica. “Já temos dados que indicam um bom aumento a partir de 2007”, afirmou Fernandes.

Primo pobre

O estudo revela, ainda, que a educação básica - infantil, fundamental e média - consumia, em 2006, 84,5% de todos os gastos do País na área. Em 2000, era um pouco menos, 81,6%. A maior parte dos recursos é dirigida ao ensino fundamental: 63,6% do total. O ensino superior, que representava 18,4% em 2000, caiu para 15,5% em 2006. Os “primos pobres” continuaram a ser o ensino médio, que manteve os mesmos 13% de 2000, e a educação infantil, que recebeu só 7,7% dos recursos da área, menos ainda que em 2000, quando levou 8,6%.
(O Estado de SP, 7/11)

Fonte: JC e-mail (SBPC)

Entra em vigor nova Resolução sobre pilhas e baterias

5/11/2008 - Brasília

Ângela Freitas

A Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente-Conama sobre pilhas e baterias (nº 401/08) foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), estando, portanto, em vigor a partir da quarta-feira 5.

Esta norma revoga a Resolução 257/99 e estabelece os limites máximos de chumbo, cádmio e mercúrio sobre pilhas e baterias comercializadas no território nacional, bem como os critérios e padrões para o seu gerenciamento ambientalmente adequado. Ficam reduzidos o teor de metais pesados em comparação àqueles estabelecidos na Resolução anterior. O mercúrio teve redução de 95%, o cádmio de 87% e o chumbo de 50% dos valores definidos em 1999.

Outra novidade é que os supermercados, farmácias e outros postos de venda terão até dois anos para se preparar para disponibilizarem pontos de recolhimento de pilhas e baterias inservíveis. As pilhas recolhidas serão destinadas de forma ambientalmente adequada pelos fabricantes e importadores. Nesse período de 24 meses, os setores público e privado promoverão campanhas educativas para informar o consumidor, bem como orientar o comércio.

Também foram publicadas duas Recomendações sobre o tema. A Recomendação de nº 8, solicita ao Ministério da Fazenda isentar, ou reduzir a tributação que incide sobre a importação ou produção de pilhas de forma a incentivar o uso de pilhas recarregáveis em lugar das descartáveis. A Recomendação nº 9 pede que os órgãos do Governo Federal intensifiquem o controle e a fiscalização da importação e do comércio ilegal de pilhas e baterias que, segundo os fabricantes, respondem a 40% do mercado nacional.

Fonte: Informe Conselheiros (CONAMA)

Carbono acumulado

10/11/2008

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – A biodiversidade da Mata Atlântica é uma das maiores do planeta, mas sua importância não se limita à fauna e à flora abundantes que precisam ser preservadas. O bioma abriga também importantes reservas de carbono, que fica estocado nas florestas e no solo. Pesquisadores de várias universidades brasileiras e estrangeiras estão empenhados em quantificar os estoques de carbono nessas áreas e estimar a quantidade de carbono já liberado para a atmosfera em decorrência do desmatamento.

Um estudo publicado na revista Biota Neotropica indica os melhores modelos matemáticos para estimar a biomassa disponível na Mata Atlântica. A estimativa a partir de um dos modelos, segundo os autores, aponta que o desmatamento já pode ter liberado 13 milhões de toneladas de carbono na atmosfera e 900 mil toneladas ainda estão estocadas nas árvores.

O artigo é o resultado do workshop "Estimativa da biomassa e estoques de carbono: o processo de Mata Atlântica", realizado em 2006, em Ubatuba (SP), como parte de um Projeto Temático realizado pelo programa Biota-FAPESP, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

De acordo com Simone Aparecida Vieira, pós-doutoranda do Laboratório de Ecologia Isotópica do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da Universidade de São Paulo (USP), e uma das autoras da pesquisa, estocar carbono em florestas contribui para diminuir a concentração de CO2 na atmosfera. “As florestas tropicais podem desempenhar um papel fundamental na absorção do carbono, uma vez que armazenam grande quantidade dele na biomassa viva acima do solo”, disse Simone à Agência FAPESP.

De acordo com ela, o carbono da atmosfera pode ser armazenado na biomassa viva acima do solo, principalmente no tronco das árvores e na biomassa viva abaixo do solo, em particular nas raízes. “Dos organismos vivos, ele passa para os reservatórios de biomassa não-viva que incluem a serapilheira e a matéria orgânica do solo”, disse Simone.

Para estimar a biomassa, os pesquisadores utilizaram um modelo alométrico: uma equação matemática que relaciona algumas variáveis das árvores, como o diâmetro e a altura, com a biomassa. De acordo com Simone, para estimar a biomassa, os modelos usualmente empregados consideram apenas o diâmetro como variável. Já o modelo utilizado no estudo, segundo ela, traz resultados mais precisos, uma vez que acrescenta a densidade de madeira às duas variáveis de volume – o diâmetro e a altura.

“Esse modelo desenvolvido para a estimativa da biomassa nos parece o mais adequado, porque permite avaliar como variações sutis na composição florística e na altura média dos indivíduos – além da distribuição de freqüência de diâmetro entre florestas sujeitas a diferentes condições ambientais – influenciam no estoque de carbono”, disse.

Segundo ela, apesar de ter sido desenvolvido com base em dados de florestas tropicais situadas mais próximas do Equador, o modelo alométrico levou a resultados satisfatórios. “A partir dessa equação obtivemos - para uma floresta de Mata Atlântica da região nordeste do Estado de São Paulo - valores de biomassa viva acima do solo semelhantes aos obtidos de maneira direta, isto é, a partir do corte e da pesagem das árvores, em outras duas florestas de Mata Atlântica semelhantes à que nós estudamos”, afirmou.

A principal limitação de uso desse modelo, de acordo com a pesquisadora, diz respeito à obtenção das variáveis de altura e densidade da madeira. De maneira geral, nos inventários florestais apenas o diâmetro é medido, sendo a altura, quando muito, estimada.

“Além disso, nem sempre as espécies são identificadas. Por isso a densidade da madeira não pode ser definida, o que inviabiliza a utilização desse modelo. Nos casos onde se dispõe apenas do diâmetro, a melhor opção é utilizar um dos outros dois modelos disponíveis para esse bioma”, afirma

Estoque quantificado

De acordo com o estudo, para cada hectare de Mata Atlântica perdida, estima-se que sejam emitidas pelo menos 100 toneladas de carbono. Originalmente a Mata Atlântica cobria, segundo o estudo, uma extensão de 1,36 milhão de km2, e que deste total 93% foram desmatados.

“Podemos supor que pelo menos 13 milhões de toneladas de carbono foram liberadas para a atmosfera em decorrência do desmatamento. Da mesma forma, podemos supor que no que resta desse bioma possa haver estocado pelo menos 900 mil toneladas de carbono. Esses valores dão uma idéia da importância deste bioma no que se refere à ciclagem biogeoquímica do carbono”, disse Simone.

As pesquisas sobre carbono em Mata Atlântica estão em fase inicial, segundo a pesquisadora. Até o momento, apenas duas equações foram desenvolvidas para esse tipo de vegetação. Mas, de acordo com Simone, na Floresta Amazônica as investigações já estão mais avançadas, uma vez que “as pesquisas na Amazônia começaram há mais tempo”.

“Para a Amazônia, já temos, por exemplo, informações não só sobre os estoques, mas também sobre a dinâmica do carbono na vegetação e no solo e sobre o tempo de residência do carbono nos diversos compartimentos”, declarou.

Segundo ela, esse tipo de avaliação exige monitoramento de longo prazo e o “Programa Biota-FAPESP foi pioneiro nesse sentido, apoiando projetos de parcelas permanentes de Mata Atlântica do Estado de São Paulo. A longo prazo queremos ter não apenas uma estimativa do estoque de carbono em cada compartimento da floresta, mas também informações acerca da dinâmica do carbono, podendo inferir, com isso, o tempo de residência do carbono nesses compartimentos”, afirma.

Como essas florestas ocorrem ao longo de uma extensa área, com variações no clima e no solo, elas variam bastante ao longo do eixo norte-sul, assim como no eixo entre o litoral e o interior. “Pretendemos tanto mapear o estoque de carbono como a dinâmica desse elemento ao longo do bioma, correlacionando as variações observadas com os fatores abióticos como clima, tipo de solo, composição florística e até mesmo com as pressões antrópicas sobre a floresta”, concluiu.

Para ler o artigo Estimativas de biomassa e estoque de carbono: o caso da Mata Atlântica, de Simone Aparecida Vieira e outros, disponível na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.

Fonte: Agência FAPESP

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Brasil terá 'superávit' ambiental em 2050

O Brasil e a Rússia devem ser os únicos grandes países do mundo a atingir 2050 com um balanço positivo entre crescimento da economia e conservação dos recursos naturais. No caso brasileiro, a matriz energética mais limpa e as florestas dão ao País mais preparo para enfrentar as mudanças climáticas e mais oportunidades de negócios nesse campo. É o que mostra estudo da USP, que calculou o balanço dos países em relação às mudanças climáticas.
Com base na metodologia contábil empresarial, a pesquisa avaliou o estoque de recursos naturais e o saldo entre as emissões e capturas de gases causadores de efeito estufa em sete países - Brasil, Rússia, Índia, China, Estados Unidos, Alemanha e Japão - até 2050.
"No cenário previsto para 2050, o Brasil terá um superávit de US$ 544 bilhões, patrimônio suficiente para continuar crescendo e ainda contribuir positivamente para a Terra com cotas excedentes de carbono, provenientes de energia limpa e recursos florestais" diz José Roberto Kassai, professor de contabilidade da faculdade de Economia e Administração (FEA/USP) e um dos responsáveis pelo estudo, que envolveu seis pesquisadores da universidade, de áreas tão diversas como contabilidade e biologia.
O mundo em déficit
O mundo, segundo o estudo, terá um déficit econômico-ambiental estimado em US$ 15,3 trilhões, ou 23,7% do PIB mundial. "Só Brasil e Rússia terão condições de continuar crescendo sem maiores pressões sobre o meio ambiente", avalia. O estudo completo será divulgado em um seminário no dia 13 de outubro, na Câmara Americana do Comércio (Amcham), em São Paulo.
Para Kassai, o balanço positivo para o País pode se traduzir em oportunidades de negócios. "Se o Brasil souber aproveitar esse trunfo, poderá receber volumosos investimentos estrangeiros, tanto para projetos de geração de créditos de carbono quanto em compensações financeiras para manter as florestas intactas."
Ou seja: o Brasil tem vantagens claras quanto à possibilidade de conciliar a manutenção do tão sonhado crescimento econômico e ainda ser um exemplo de preservação ambiental para o mundo. Mas precisa se esforçar para isso: criar alternativas para que a floresta valha mais em pé do que derrubada e manter sua vocação para as fontes de energia mais limpas - apesar da sedução fácil do petróleo do pré-sal...
O estudo
A amostra considerada pelos professores da USP incluiu sete países de grande relevância no mundo moderno, que representam 68% do PIB e 50% da população do mundo. A metodologia também foi inovadora: usando a equação básica da contabilidade empresarial (ativo - passivo = patrimônio líquido), os pesquisadores calcularam o patrimônio líquido ambiental de cada país. Ou seja, qual o custo do crescimento econômico em relação à preservação e manutenção dos recursos naturais.No cálculo entraram variáveis como o PIB, o consumo médio de energia da população per capita de cada país, suas reservas florestais e matriz energética.
Resultados: Brasil e Rússia terão patrimônio líquido ambiental com superávit em 2050. O Brasil terá um superávit de US$ 544 bilhões e a Rússia, de US$ 156 bilhões.
Países como os EUA e China serão os maiores deficitários ambientais, com US$ 2,72 trilhões e US$ 3,26 trilhões, respectivamente.

Fonte: Estadão

A partir do dia 23 de setembro, o Planeta Terra entrou no vermelho: ‘Já exaurimos os recursos do ano’, alertam os cientistas.

Dia 23 de setembro é o Earth Overshoot Day [Dia da Ultrapassagem dos Limites da Terra]: a hora da bancarrota ecológica. A ONU prevê que, sem adoção de medidas, em 2050 ultrapassaremos este limite cada vez mais cedo, no dia 1º de julho.

A partir do dia 23 de setembro, segundo os cientistas, estamos consumindo mais re- cursos do que a natureza consegue se recuperar e renovar. Nosso estilo de vida está ‘comendo’ o capital biológico acumulado em mais de três bilhões de anos de evolução da vida, comprometendo diretamente o futuro dos que virão depois de nós, que disporão de cada vez menos recursos para suprir as mesmas
necessidades que agora. Nem mesmo uma superintervenção como a do governo dos Estados Unidos para tapar os buracos dos bancos americanos bastaria para reequilibrar nossa relação com o planeta. É o dia em que a renda anual à nossa disposição acaba e os seres humanos vivos continuam a sobreviver pedindo um empréstimo ao futuro, ou seja, retirando riqueza aos filhos e aos netos. A data foi calculada pelo Global Footprint Network, a associação que mensura a pegada ecológica, ou seja, o sinal que cada um de nós deixa sobre o planeta retirando aquilo de que necessita para viver e eliminando o que não lhe serve mais, os rejeitos. O dia 23 de setembro não é uma data fixa. Por milênios o impacto da humanidade, em nível global, foi irrelevante no que se refere à ação produzida pelos eventos naturais que modelaram o planeta. Com o crescimento da população (o século vinte começou com 1,6 bilhões de seres humanos e concluiu com 6 bilhões de seres humanos) e com o crescimento do consumo (o energético aumentou 16 vezes durante o século passado) o quadro mudou em períodos que, do ponto de vista da história geológica, representam uma fração de segundo. Em 1961 metade da Terra era suficiente para satisfazer as nossas necessidades. O primeiro ano em que a humanidade utilizou mais recursos do que os oferecidos pela biocapacidade do planeta foi 1986, mas, daquela vez o cartãozinho vermelho se ergueu no dia 31 de dezembro: o dano ainda era moderado. Em 1995 a fase do superconsumo já devorara mais de um mês de calendário: a partir de 21 de novembro a quantidade de madeira, fibras, animais e verduras devoradas ia além da capacidade dos ecossistemas de se regenerarem; a retirada começava a devorar o capital à disposição, num círculo vicioso que reduz os úteis à disposição e constringe a antecipar sempre mais o momento do débito. Em 2005, o Earth Overshoot Day caiu no dia 2 de outubro. Neste ano já o adiantamos para o dia 23 de setembro: já consumimos quase 40 por cento a mais do que aquilo que a natureza pode oferecer sem se empobrecer. Segundo as projeções das Nações Unidas, o ano no qual – se não se tomarem providências – o vermelho vai disparar no dia primeiro de julho será 2050. Isto significa que na metade do século precisaremos de um segundo planeta à disposição. E, visto que é difícil levantar para aquela época a hipótese de uma transferência planetária, será preciso bloquear o superconsumo agindo numa dupla frente: tecnologias e estilos de vida. O esforço inovador da indústria de ponta produziu um primeiro salto tecnológico relevante: no campo dos eletrodomésticos, da iluminação, da calefação das casas, da fabricação de algumas mercadorias o consumo se reduziu notavelmente. Mas, também os estilos de vida desempenham um papel relevante. Para nos convencermos disso basta confrontar o débito ecológico de países nos quais os níveis de bem-estar são semelhantes. Se o modelo dos Estados Unidos fosse estendido a todo o planeta, precisaríamos de 5,4 Terras. Com o estilo do Reino Unido se desce a 3,1 Terras. Com a Alemanha a 2,5. Com a Itália a 2,2. “Temos um débito ecológico igual a menos do que a metade daquele dos States, mesmo para nossa adesão às raízes da produção tradicional e para a liderança no campo da agricultura biológica, a de menor impacto ambiental”, explica Roberto Brambilla, da rede Lilliput que, junto com a WWF, cuida da difusão dos cálculos do rastro ecológico. “Mas, também para nós a caminhada para o objetivo da sustentabilidade é longa: servem-nos menos obras prejudiciais como a Ponte sobre o Estreito e mais reflorestamento para reduzir a emissão de gás serra e os desmoronamentos”.

(Colaboração enviada por Marco Leão
Gelman: :marcoleaoturismo@gmail.com)

Fonte: Revista do Meio Ambiente (A revista pode ser baixada na íntegra neste link)

Concentração de CO2 na atmosfera é a maior em 20 milhões de anos, diz estudo

da Efe, em Washington

A concentração atual de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera aumentou de forma dramática em 2007 e provavelmente é a maior nos últimos 20 milhões de anos, segundo um relatório publicado pela organização Global Carbon Project.

O relatório Carbon Budget and Trends 2007 (Receita e Tendências para Carbono 2007, em tradução livre) apontou que no ano passado o aumento na concentração de CO2 foi de 2,2 ppm (partes por milhão), ante os 1,8 ppm em 2006 e acima dos 2 ppm de média do período 2000-2007.

"A atual concentração é a maior durante os últimos 650 mil anos e provavelmente durante os últimos 20 milhões de anos" afirmaram os autores.

China e Índia foram os países onde mais aumentaram as emissões de CO2, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global.

O relatório constatou que, em 2006, a China ultrapassou os Estados Unidos como o maior emissor de CO2 do planeta e que a Índia, em breve, se transformará no terceiro maior emissor global, ao ultrapassar a Rússia.

Mais da metade das emissões atuais de CO2 provêm dos países menos desenvolvidos, mas o relatório destacou que, de uma perspectiva histórica, os países em desenvolvimento que representam 80% da população mundial só somam 20% das emissões totais realizadas desde 1751.

De fato, os países mais pobres do mundo, com uma população de 800 milhões de pessoas, "contribuíram com menos de 1% destas emissões acumulativas".

O relatório destacou que oceanos e terra acumularam 54% das emissões humanas de CO2 realizadas entre 2000 e 2007, mas também constatou que "a eficiência destes sumidouros para recolher CO2 diminuiu 5% nos últimos 50 anos", tendência que continuará no futuro.

Outro dado destacado pelo estudo é que o desmatamento é responsável pelas emissões líquidas de 1,5 bilhão de toneladas de dióxido de carbono ao ano.

O desmatamento na América do Sul e na América Central foi responsável por 41% deste número, enquanto outros 43% procederam da Ásia e 17% da África.

Fonte: Folha Online

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

CAIXA exigirá uso de madeira legal em empreendimentos imobiliários

A partir de janeiro, a Caixa Econômica Federal passará a exigir comprovação do uso de madeira legal por parte das construtoras e empresas do segmento imobiliário. A medida faz parte do acordo de cooperação entre o Ministério do Meio Ambiente, a CAIXA e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) assinado em 30/09/08, pela presidente do banco, Maria Fernanda Ramos Coelho. Essa ação sustentável da CAIXA visa estimular o uso de madeiras de origem legal em obras e empreendimentos habitacionais financiados pelo banco e também na construção e reforma de instalações e unidades próprias, que deverá ser acompanhada do Documento de Origem Florestal (DOF). “A exigência do documento permitirá que as madeiras utilizadas sejam oriundas de florestas nativas com planos de manejo florestal, ou com autorização de desmatamento – devidamente licenciadas pelo órgão ambiental competente, ou de florestas plantadas, com planos de manejo florestal licenciados”, explica a presidente da CAIXA. A CAIXA exigirá que as construtoras apresentem até o final da obra o DOF das madeiras nativas utilizadas e uma declaração contendo as espécies, quantidades e destino final das madeiras na obra. O DOF é gerado pelo Ibama e pode ser obtido no site da instituição - www.ibama.gov.br. Madeiras de origem legal são as madeiras de espécies nativas acompanhadas do DOF ou de espécies exóticas acompanhadas da nota fiscal da carga. As madeiras certificadas agregam, em seu processo produtivo, além do DOF, exigências e características ambientais e sociais estipuladas por certificadoras credenciadas.

Fonte: Revista do Meio Ambiente (A revista pode ser baixada na íntegra neste link)

ONG aponta 345 km2 de degradação na Amazônia

Levantamento do Imazon não trata de desmatamento, mas de fase anterior a ele; florestas degradadas estão mais sujeitas a pegar fogo e são sérias candidatas a serem desmatadas; Estado campeão é Mato Grosso

Afra Balazina escreve para a “Folha de SP”:

O Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), que faz um monitoramento independente do desmatamento da Amazônia, apresenta pela primeira vez informações sobre degradação florestal. O levantamento do instituto indica que um total de 345 km2 de florestas da Amazônia Legal foi degradado em setembro deste ano.
Apesar de não se tratar de desmatamento efetivamente (de longe, as pessoas podem até confundir a área com uma floresta intacta), as florestas degradadas são um fenômeno preocupante. Elas estão sujeitas a pegar fogo mais facilmente e são sérias candidatas a serem desmatadas no futuro.
O Imazon incluiu nessa conta somente florestas que estavam inteiras em agosto de 2008 e que sofreram o efeito da degradação em setembro. Portanto, não existe um dado da degradação acumulada. "Sabemos que cerca de 18% da Amazônia foi desmatada. Mas ninguém sabe o que já foi degradado", disse Beto Veríssimo, coordenador do Projeto
Transparência Florestal do Imazon.
Do total degradado, a maior parte ocorreu no Mato Grosso (43%), seguido por Pará (40%) e Rondônia (14%). No Amazonas e no Acre, a taxa de degradação foi menor do que 1%.
No caso do desmatamento, o Pará ficou na frente em setembro. Segundo o SAD (Sistema de Alerta do Desmatamento), dos dez municípios da Amazônia Legal que mais desmataram, cinco estão no Pará: Cumaru do Norte, São Félix do Xingu, Altamira, Novo Progresso e Santa Maria das Barreiras. Juntas, somam cerca de 180 km2. Na lista, estão ainda duas cidades do Mato Grosso, duas de Rondônia e uma do Amazonas (veja
quadro).
No mês de setembro, o sistema detectou 348 km2 de desmatamento na Amazônia -uma queda de 69% em relação a setembro do ano passado, quando foi registrado desflorestamento de 1.112,5 km2.
O que chama a atenção é que no Amazonas, em agosto e setembro, o desmatamento acumulado ultrapassou o de Rondônia. "Apesar de sempre falarem que está tudo sob controle no Amazonas, os dados mostram que o problema vem se agravando na região", afirmou Veríssimo. No período, Amazonas teve 46,3 km2 de desmatamento, contra 38,2 km2 de Rondônia. Nos meses de agosto e setembro de 2007, a situação era bem
diferente: Amazonas tinha 55,8 km2, enquanto Rondônia teve 281 km2.
Segundo Veríssimo, o anúncio do asfaltamento da BR-319 (Porto Velho-Manaus) tem gerado uma corrida especulativa na região e provocado aumento do desmatamento. As nuvens atrapalharam a visualização dos Estados do Amapá e Roraima, além do norte do Pará e de regiões esparsas de Amazonas, Pará e Acre. A área do Maranhão que
faz parte da Amazônia Legal não foi analisada.
(Folha de SP, 3/11)

Fonte: JC e-mail (SBPC)

Desmatamento na amazônia

No site do INPE (http://www.obt.inpe.br/deter/cadastro.php) é possível visualizar os dados de desmatamento na amazônia, inclusive gerando gráficos e visualizando imagens de satélite de acordo com o período de tempo e região de interesse. Basta fazer uma rápido cadastro para ter acesso aos dados.

“O mundo vive dois dramas: a crise financeira e a climática'”

Para economista alemão, futuro do capitalismo está relacionado com combate ao aquecimento global

Márcia Vieira escreve para o “Estado de SP”:

Há 15 dias, a Agência Americana de Oceanos e Atmosfera soou o alarme: a temperatura no Ártico está 5°C acima da média, um recorde que demonstra uma forte diminuição do banco de gelo, provocada pelo aquecimento global. O fenômeno, divulgado em meio a crise econômica americana, preocupa o economista e cientista político alemão Elmar
Altvater, de 70 anos.
“Nenhum cientista imaginou aumento da temperatura nesse patamar. E todo mundo só fala da crise financeira”, lamenta. Segundo ele, “o fenômeno é tão terrível quanto a questão econômica e ninguém está dando atenção”, completa. Altvater está no Rio até amanhã para uma série de palestras.
Não que a crise não seja preocupante. Mas o professor de ciência política da Universidade Livre de Berlim e autor do livro O fim do capitalismo como nós o conhecemos, lançado em 2006, ainda sem edição no Brasil, defende que os governos e a sociedade tenham a mesma atenção com a crise climática.
Altvater prega uma mudança radical na produção econômica e no estilo de vida moderno para reverter o aquecimento global. “Não há dúvida que precisamos nos adaptar rápido a um novo tipo de vida. O mundo vive dois dramas: a crise financeira e a crise climática. As duas estão interligadas”, defende Altvater, um estudioso das relações
entre economia e ecologia.
Ele defende um sistema de produção baseado no uso progressivo de energias alternativas, não poluentes, como a solar. “O que vai acontecer com o capitalismo depois desta crise ninguém sabe. Mas a única saída para a humanidade é o uso de energias renováveis.” O etanol é uma das possibilidades. Altvater compartilha a opinião de uma corrente de ambientalistas que ataca o uso do etanol porque as
plantações de cana-de-açúcar, beterraba, milho e trigo roubam espaço da produção de alimentos.
“Se continuarmos com estilo de vida com base no carro, se nossa arquitetura não se adaptar ao clima de cada região e se não reduzirmos o uso de energia, nosso futuro não será bom. São mudanças que se fazem ao longo de 30 anos. Mas só depende de nós. Nós somos os arquitetos do nosso futuro.”
(Estado de SP, 3/11)

Fonte: JC e-mail (SBPC)

Caminho verde ao crescimento, artigo de Nicholas Stern

“Se trabalharmos juntos, dá para evitar os riscos piores das mudanças climáticas. Se não agirmos agora, essa oportunidade não voltará”

Sir Nicholas Stern é professor de economia e governo da London School of Economics and Political Science (Inglaterra) e ex-economista-chefe do Banco Mundial. Comandou o "Relatório Stern" sobre mudanças climáticas em 2006. Artigo publicado na “Folha de SP”:
As mudanças climáticas são um problema global de escala sem precedentes. O mundo tem apenas alguns poucos anos para agir de modo a evitar grandes riscos de danos graves ao planeta e às perspectivas de crescimento econômico sustentado, desenvolvimento e redução da pobreza.
A crise financeira ressalta a urgência das ações em relação às mudanças climáticas. Essa crise vem sendo gestada há 20 anos e mostra claramente que, quanto mais tempo se ignora o risco, maiores são as conseqüências.
Até meados deste século, o alto crescimento de carbono terá elevado as concentrações de gases-estufa até um ponto em que desastres climáticos de grandes proporções serão prováveis. Nesse ponto, correremos claro risco de sufocar o crescimento.
Para administrar o clima e nossas economias, precisamos reduzir as emissões de gases-estufa em 50% até o ano 2050.
Para alcançar essa meta, a maior parte da produção de eletricidade terá que ser descarbonizada, e as emissões de gases dos transportes, do uso da terra, de edifícios e da indústria terão que ser fortemente reduzidas.
Globalmente falando, as emissões per capita precisarão cair para cerca de duas toneladas de CO2 -a média atual é de sete toneladas.
Haverá pouca margem para desvios -se um ou dois países grandes deixarem de cumprir a meta, será muito difícil imaginar como os outros países conseguirão alcançar metas de emissões próximas do zero. A maioria dos países desenvolvidos hoje emite entre dez toneladas e 24 toneladas de CO2 per capita; logo, esses países terão
que reduzir suas emissões em pelo menos 80% até 2050.
Isso é algo que o Reino Unido acaba de se comprometer a fazer.
É o momento de promover um crescimento que possa ser sustentado. Uma "recuperação verde" oferece a oportunidade de uma nova forma de crescimento e da construção de um futuro de baixo carbono, com os investimentos que são vitais para a economia, o planeta e a sociedade. Isso estimularia o crescimento econômico, geraria empregos
e desenvolveria tecnologias-chaves para o futuro.
Para atingir essa meta, os setores público e privado precisam trabalhar em conjunto. Será o setor privado que fará a maior parte dos investimentos, mas o setor público precisa implantar a estrutura para a ação e moldar os incentivos e o clima de investimentos que permita que esses investimentos sejam feitos.
A 15ª Conferência das Partes da Convenção-Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague (Dinamarca), no final de 2009, será crucial para desenhar a arquitetura de uma resposta global às mudanças climáticas e da direção futura da economia mundial.
As discussões sobre a estrutura devem ser pautadas por princípios claros e baseadas em análises científicas e econômicas rigorosas. Esses princípios devem ser a efetividade -levando a cortes nas emissões, a eficiência -assegurando a mitigação com boa relação custo/benefício- e a eqüidade -considerando o fato de que as pessoas
e os países pobres freqüentemente são atingidos primeiro e mais duramente e têm responsabilidade histórica limitada pelas emissões.
Os países desenvolvidos precisam liderar pelo exemplo. Eles precisam reduzir fortemente suas próprias emissões, não apenas se pautando por onde é mais barato fazê-lo.
Mas uma redução global de 50% nas emissões não poderá ser alcançada sem que os países em desenvolvimento tomem medidas fortes para reduzir suas emissões. A maioria dos grandes países emergentes do mundo, incluindo o Brasil, já emite significativamente mais que o nível de duas toneladas per capita.
Os países desenvolvidos precisam ser capazes de mostrar ao mundo em desenvolvimento que o crescimento econômico com baixa emissão de carbono é possível, que os fluxos financeiros aos países em desenvolvimento podem ser substanciais e que as tecnologias de baixo carbono serão economicamente viáveis, disponíveis e compartilhadas.
O comércio internacional atribui um preço às emissões de gases-estufa e reforça os princípios da efetividade, eficácia e eqüidade. Os benefícios do comércio de carbono podem ser grandes, gerando fluxos financeiros do setor privado aos países em desenvolvimento. Fluxos de US$ 20 bilhões a US$ 75 bilhões por ano aos países em desenvolvimento serão plausíveis se os países desenvolvidos reduzirem suas emissões
de 20% a 40% até 2020, em relação aos níveis de 1990.
Mas países como o Brasil não precisam esperar. Com uma matriz energética limpa, uma economia de foco doméstico e fortemente regulamentada e vontade política suficiente, o Brasil está em posição não só de avançar, mas de liderar outros países.
Existem riscos, mas também existem oportunidades enormes. Se os países trabalharem juntos para criar uma resposta global efetiva a esse desafio, ainda há tempo para evitar os riscos piores das mudanças climáticas. Mas, se não agirmos agora, essa oportunidade não voltará.
(Folha de SP, 3/11)

Fonte: JC e-mail (SBPC)

US$ 15 bi para salvar florestas

Nicholas Stern diz que desmatamento poderia ser reduzido em todo planeta


Soraya Aggege escreve para “O Globo”:

O economista britânico Nicholas Stern, coordenador do Relatório Stern, que calculou o impacto das mudanças climáticas para a economia mundial, afirmou ontem que a redução de 50% do desmatamento em todo o planeta custaria cerca de US$ 15 bilhões por ano.
Stern disse que se o Brasil conseguir reduzir o desmatamento, conquistará mais apoio financeiro internacional para projetos ambientais.
O economista participou ontem de um debate com cientistas brasileiros na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). — O país pode conseguir mais ajuda para os seus projetos ambientais — afirmou Stern, que foi economista-chefe do Banco Mundial e ex-conselheiro do governo britânico.
O economista afirmou que para conseguir atingir seus objetivos os governos não poderão mais deixar as mudanças climáticas por conta dos ministérios de Meio Ambiente, mas tratar o tema com pastas como Casa Civil, Agricultura e Desenvolvimento e Fazenda. Ele acha fundamental associar clima e desenvolvimento: — Falar em financiamentos para o desenvolvimento sem considerar as mudanças climáticas em curso no planeta é simplesmente tolice. É preciso discutir as políticas de
desenvolvimento já dentro de um clima mais hostil, que é a nossa realidade — afirmou Stern.
O climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que participou do encontro, disse que a economia do desmatamento no Brasil é “ridiculamente precária” e não tem sentido o país continuar desmatando.
Segundo Nobre, embora 55% das emissões de gases do Brasil sejam provenientes do desmatamento da Amazônia e do Cerrado, essa ação gera somente 1% do PIB nacional.

Custos do clima já dobraram

Ele explicou ainda que o gado da Amazônia e do Cerrado (o rebanho bovino brasileiro é responsável por 15% das emissões) já está incluído nas emissões da agropecuária, de 25%.
— Não existe nada menos ambientalmente sustentável do que o desmatamento — disse Nobre.
Durante o debate, Stern reafirmou que os custos com o aquecimento global hoje já são mais que o dobro do previsto em seu relatório, concluído há exatos dois anos. O motivo é que as mudanças climáticas estão ocorrendo mais rapidamente do que o previsto e as emissões só têm aumentado.
A previsão do Relatório Stern era de que o mundo gastaria 1% do PIB se agisse logo no combate ao aquecimento global. No final de junho deste ano, Stern alertou que os custos dobraram, pois nada foi feito e as emissões cresceram.
Segundo ele avaliou ontem, já está claro que a capacidade de adaptação do planeta é menor do que a imaginada e os impactos econômicos poderão chegar a 2% do PIB mundial.
Para Stern, a crise financeira mundial é uma prova clara de que “o risco ignorado acaba amplificado”.
Ele disse que é preciso estabilizar a concentração de CO2 não mais em 500 ou 550 partes por milhão, mas em 450 partes por milhão. Mesmo assim, frisou que não é a quantidade ideal, porém a mais viável. E destacou que as emissões de gases de efeito estufa farão a temperatura subir 2 ou 3 graus Celsius até 2050 e 5 graus até o
início do próximo século. O prejuízo estimado no relatório foi de 20% do PIB até 205 Stern disse que poderá ser muito maior.
Os cientistas já estimam que a cada 10 anos que se adia cortar as emissões as temperaturas sobem meio grau Celsius. Stern afirmou ainda que com a crise financeira mundial, a situação se agravou.
Para ele, a saída será o diálogo mundial combinado com a pressão política.
— Essa crise ambiental não veio do nada. Não foi desastre natural, foi causada por homens.
(O Globo, 4/11)

Fonte: JC e-mail (SBPC)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Acordo às escuras adia diesel mais limpo no País

4/11/2008

As milhares de pessoas e dezenas de organizações que se engajaram nos últimos anos na luta por um diesel mais limpo têm agora um motivo forte para lamentar. Contrariando os interesses públicos e a saúde da população que respira o ar contaminado nas grandes cidades brasileiras, um acordo fechado na madrugada de ontem, sem a participação da sociedade civil, adia por mais quatro anos a comercialização do diesel com menos quantidade de enxofre.

A decisão foi tomada na presença do Ministério Público Federal (MPF) e ocorreu entre o governo federal e representantes da Petrobras, da Fecombustível, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), do governo do estado de São Paulo, da Anfavea e das montadoras de motores. O chamado acordo judicial foi fechado como parte das compensações pelo descumprimento da Resolução Conama 315/02, que estabelecia para o dia 1º de janeiro de 2009 a obrigatoriedade da venda do diesel com, no máximo, 50 partículas por milhão de enxofre (50 ppmS), em todo o País.

O enxofre, altamente cancerígeno, é responsável pela morte de cerca de 3 mil pessoas somente na cidade de São Paulo. Hoje, a concentração da substância no diesel é de 500 ppmS nas regiões metropolitanas e de 2000 ppmS no interior. Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, a proporção é de 10 ppm e a tendência é chegar a zero no curto prazo. A necessidade de controlar a emissão de poluentes é consenso em todo o mundo. E os efeitos fatais à saúde da população são comprovados cientificamente e, no Brasil, têm a chancela da Faculdade de Medicina da USP.

O acordo firmado ontem deixa claro que o Ministério Público Federal e o governo cederam às pressões e abriram mão de exigir o cumprimento integral da resolução do Conama. "É uma sentença de morte", enfatiza Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo. Grajew também lembra o compromisso feito pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, durante o seminário "Conexões Sustentáveis: São Paulo - Amazônia", realizado entre os dias 14 e 15 de outubro, de não fechar nenhum acordo sem a participação da sociedade civil. "Isso foi desrespeitado. A palavra do ministro não foi cumprida", completa.

Veja carta de Oded Grajew enviada ao ministro


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Decisões tomadas

O acordo fechado às escuras prevê que, a partir 1º de janeiro de 2009, passa a ser obrigatória a utilização do diesel S50 nas frotas cativas de ônibus urbanos dos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro. Até 2011, gradativamente, a obrigação passa a valer para as cidades de Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e para as regiões metropolitanas de São Paulo, da Baixada Santista, Campinas, São José dos Campos e Rio de Janeiro.

Além disso, a Petrobras, a partir de 1º de janeiro do próximo ano, substituirá totalmente a oferta do diesel com 2.000 ppm S por um novo diesel que conterá 1.800 ppm. E, somente a partir de janeiro de 2014, o diesel com 1.800 ppm S será trocado por um com 500 ppmS - padrão exatamente igual ao comercializado atualmente nas regiões metropolitanas.

Para o não cumprimento da Resolução 315/02 do Conama, montadoras de veículos e motores e a indústria do petróleo alegaram falta de tempo e de logística. "Eles tiveram mais de seis anos para se preparar, não dá para aceitar isso como desculpa. Além do mais, o Conama é uma instância de discussão coletiva e, portanto, a resolução foi elaborada com a participação dos mais diversos setores da sociedade e do governo", contesta Fábio Feldman, do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas.

"Compensações pífias"

Na tentativa de "compensar" a sociedade brasileira pela morte de milhares de pessoas todos os anos e pelos custos ao serviço público de saúde, ficou decidido que a Petrobras e as montadoras terão de bancar projetos ambientais.

As montadoras custearão a construção de um laboratório de testes de motores (R$ 12 milhões), uma pesquisa nacional sobre emissões de poluentes (R$ 500 mil) e a fiscalização da emissão da fumaça preta por ônibus e caminhões na cidade de SP (R$ 200 mil). Já a Petrobras mandará R$ 1 milhão para o sistema de fiscalização da emissão da fumaça de São Paulo."Quem vai se responsabilizar pelas doenças por causa do não-cumprimento da resolução?", reforçou Oded Grajew.

Nova resolução Conama

Horas depois do acordo judicial entre montadoras e distribuidoras de combustíveis ter sido firmado, uma reunião extraordinária do Conama, em Brasília, aprovava a resolução que prevê novo prazo para o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), destinado a veículos pesados novos (P-7). Os membros do Conama definiram a antecipação da adoção do diesel S-10 nos ônibus e caminhões em circulação no Brasil para 2012.

Vale lembrar que a fase anterior, a chamada P-6, é justamente a que prevê a obrigatoriedade do diesel com 50 ppm S em todo o País, a partir de janeiro de 2009, e que está sendo descumprida pelas montadoras de automóveis e pela Petrobras.

Leia a íntegra do acordo judicial

***Os textos de outras fontes não representam necessariamente as opiniões do Movimento Nossa São Paulo, mas são reproduzidos no portal por abordarem questões consideradas relevantes para o debate público.*


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Carta enviada ao Ministro Carlos Minc

Excelentíssimo Ministro Carlos Minc

Em primeiro lugar gostaríamos de agradecer sua presença no evento "Conexões Sustentáveis", e na cerimônia de assinatura dos pactos empresariais e governamentais pela preservação da Amazônia. Na ocasião tratamos sobre o problema do enxofre no diesel e da resolução Conama 315/2002. Temos acompanhado e apreciado seus esforços para que nosso diesel seja menos venenoso e para que leis e resoluções ambientais sejam respeitadas e implementadas. Sabemos também, por sua longa militância na área ambiental, da fundamental importância que tem a sociedade civil na promoção do desenvolvimento sustentável. Várias organizações e setores públicos se empenharam fortemente nos últimos anos para que a resolução 315/2002 do Conama seja respeitada.

Foi neste sentido que estávamos solicitando que a procuradora Ana Cristina Bandeira Lins promovesse uma consulta pública para que a sociedade, como parte interessada, pudesse participar das discussões que o Ministério Público está promovendo para um possível Termo de Ajuste de Conduta (TAC) daqueles (ANFAVEA e Petrobrás) que não estão cumprindo a resolução 315. Ao tomar conhecimento da nossa iniciativa, no dia do evento, o senhor nos solicitou enfaticamente que não entrássemos com esta solicitação junto à procuradora para não atrapalhar a aprovação da nova resolução do Conama, que prevê o diesel com 10 ppmS e motores Euro IV para janeiro de 2012. Em contrapartida, o senhor se comprometeria conosco a promover uma reunião com organizações da sociedade civil e representantes da Prefeitura e do Estado de São Paulo, e outros que achar conveniente, para apreciar, comentar e propor aperfeiçoamentos a uma possível proposta de um TAC (um pré-TAC). Segundo sua promessa, nenhum TAC seria firmado antes desta reunião.

O secretário Francisco Graziano, que participou desta conversa, e eu concordamos com suas ponderações e suas propostas (simbolicamente apertamos as mãos) e outras entidades (que têm participado ativamente do processo e tinham assinado a demanda à procuradora) consultadas posteriormente deram seu aval ao encaminhamento acertado. Confiamos todos na sua palavra e no acerto de sua estratégia. Para garantir o encaminhamento deste processo, peço, por favor, que informe este acerto à procuradora Ana Cristina Bandeira Lins.

Temos a certeza que, juntos, compartilhamos da crença de que o envolvimento da sociedade civil e a parceria do poder público comprometido com a transparência, a ética e o interesse público são fundamentais para enfrentar o extraordinário desafio da causa socioambiental. Temos a plena confiança que este é exatamente o processo que estamos vivendo no caso do diesel. Já que a próxima reunião do Conama está marcada para o dia 30/10, permita- nos sugerir que a reunião para análise do pré-TAC seja marcada para a semana de 10 de novembro. Uma convocação com razoável antecedência seria muito importante para viabilizar a presença de todos.

No aguardo do seu retorno, despeço-me.

Atenciosamente,

Oded Grajew
Movimento Nossa São Paulo



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Fonte: Portal do Meio Ambiente.

Estudo mostra que “carbono zero” será possível em 2090

4/11/2008

Sabrina Domingos

O uso dos combustíveis fósseis pode ser eliminado no final deste século com as fontes solar, eólica, geotérmica e os biocombustíveis suprindo todas as necessidades de energia mundiais até 2090. É o que aponta um estudo produzido pela organização não-governamental Greenpeace em parceria com o Conselho Europeu de Energia Renovável.

Um relatório de 210 páginas, intitulado “[R]evolução da Energia: uma perspectiva para um mundo sustentável em energia”, explica que o investimento em tecnologias para eficiência energética pode cortar pela metade a necessidade de energia no mundo, em comparação com os cenários atuais.

Para dar início a essa mudança serão necessários US$ 14,7 trilhões até 2030 - valor 30% maior do que o a previsão da Agência Internacional de Energia, segundo a qual o mundo gastaria US$ 11,3 trilhões com investimentos em energia de qualquer maneira, com o foco muito mais voltado para carvão, petróleo e energia nuclear.

O estudo argumenta que essa diferença será mais do que compensada se houver um investimento agressivo em tecnologias para energia renovável e eficiência energética. A perspectiva é de que já em 2050 uma indústria de US$ 360 bilhões anuais esteja ativa e fornecendo metade da energia do mundo, promovendo cortes profundos nas emissões de carbono e reduzindo em mais de US$ 18 trilhões os custos com os combustíveis. Além disso, o relatório afirma que as despesas extras são justificadas, dados os custos econômicos e humanos do aquecimento global.

Na prática

Os autores do relatório defendem que a iniciativa se dê em três frentes: a primeira é a de eficiência energética. De acordo com o Greenpeace, 61% da eletricidade consumida no mundo é desperdiçada “em grande parte devido a produtos mal projetados”. Se nada for feito, o consumo de energia deverá crescer 33% até 2050.

Ao iluminar melhor as residências e escritórios com atitudes que conjuguem o aumento de eficiência dos equipamentos e a substituição de aquecedores de água por coletores solares, os países industrializados conseguirão reduzir o consumo de energia em 10%, permitindo que nações em desenvolvimento aumentem o consumo em 20%.

A segunda frente proposta é a de mudanças estruturais. Para reduzir drasticamente as perdas na transmissão de energia, o documento sugere a troca de grandes usinas por sistemas descentralizados, que utilizam a energia disponível no local. Para isso, telhados e fachadas das casas e edifícios deverão ser decorados com estruturas solares e contar com bombas geotérmicas subterrâneas. O relatório também defende fortemente a cogeração, ou seja, a captura do calor gerado em usinas de energia para aquecimento de edificações.

A terceira frente é a de redução do uso de energia pelos sistemas de transporte. O estudo propõe “uma mudança de estrada para trilho” como forma de melhorar e expandir o transporte público e incentivar o deslocamento de bens e produtos por trens ao invés de caminhões. O relatório sugere ainda que se determine padrões mais rígidos para eficiência nos combustíveis para veículos e a mudança de motores de combustão interna por elétricos.

Possível

O responsável pela campanha de energia renovável do Greenpeace Internacional e co-autor do relatório, Sven Teske, diz que as propostas são baseadas em projeções aceitas internacionalmente para o crescimento da população e da economia, e que a meta de infra-estrutura de carbono zero pode ser alcançada sem comprometer a expansão econômica.

Ele acrescenta que o cenário de 2090 é perfeitamente praticável, mesmo sem se recorrer a energia nuclear ou a tecnologias de captura de carbono.

O analista da consultoria New Energy Finance, Angus McCrone, diz que apesar de ser possível cortar emissões de forma mais rápida e profunda do que muitos governos esperam, é improvável que a visão de uma economia sem carbono apontada pelo relatório se torne realidade sem que se busque a energia nuclear, pelo menos durante a primeira metade do século.

“O tipo de progresso necessário é impraticável sem a energia nuclear”, entende. “É preciso trocar a carga de base da energia fornecida por combustíveis fósseis e, enquanto a disponibilidade das tecnologias de armazenamento de eletricidade é aprimorada, a nuclear será a opção mais plausível para os próximos 20 a 30 anos”, completa.

McCrone acrescenta que mesmo que a biomassa e as tecnologias geotérmicas possam avançar como reserva de base para energia, não poderão ser implantadas em escala suficiente em muitos países para substituir os fósseis. “Em países como a Islândia a energia geotérmica pode funcionar, mas em outros, como o Reino Unido, a substituição dos combustíveis fósseis por nuclear será obrigatória”.

Teske refuta o argumento de que a energia nuclear seria necessária para se fornecer uma reserva de apoio às variadas fontes de energias renováveis, insistindo que o aperfeiçoamento das tecnologias de energia renovável e de armazenamento de energia indica que as fontes nucleares não serão necessárias.

“A geração hidráulica, a energia solar concentrada com armazenamento, a biomassa e a geotérmica são todas tecnologias de grande capacidade e disponibilidade, enquanto energia das marés é previsível”, esclarece. “As únicas fontes de energia variáveis são a solar e a eólica”, explica Teske.


Fonte: CarbonoBrasil.

CREA assina convênio para redução do uso de agrotóxicos

Cabrini participou na terça-feira (30) da assinatura de convênio estabelecendo novas diretrizes ao programa Manejo Integrado de Pragas (MIP). Entre os objetivos do programa está a inserção do Manejo Integrado de Pragas como política pública do Estado, a contribuição com a conservação ambiental e o incentivo ao uso de agrotóxicos biológicos. O programa prevê a capacitação de 500 técnicos para que orientem aproximadamente 10 mil produtores sobre o uso consciente de agrotóxicos.

O secretário da Agricultura e do Abastecimento, engenheiro agrônomo Valter Bianchini, afirmou que o Paraná pretende ser referência no manejo integrado de pragas, racionalizando o uso de agrotóxicos, considerando os aspectos econômicos, ambientais e sociais.

De acordo com o engenheiro agrônomo do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PR) Lauro Morales, um dos líderes do MIP-PR, a intenção do programa é reduzir em 30% a aplicação de inseticidas e pesticidas nas lavouras paranaenses, nos próximos cinco anos. "Os agrotóxicos aplicados nas lavouras de soja, milho e trigo, em cada safra do Paraná, são suficientes para cobrir duas vezes o território do Estado. Baseado nisso vamos conscientizar o produtor a reduzir a quantidade aplicada", ressaltou.

Além do CREA-PR, assinam o documento a SEAB, Emater, UFPR, Federação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná (FEAP), dentre outras entidades.

Fonte: CREANET

Melhor prevenir

16/10/2008

Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro

Agência FAPESP – O relatório de fevereiro de 2008 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) das Nações Unidas estima uma elevação do nível do mar entre 18 e 56 centímetros nos próximos cem anos.

Também destaca que essa projeção poderá ser ainda maior, dependendo da degradação dos mantos de gelo do leste da Antártica e da Groenlândia, resultado do aquecimento global e das mudanças climáticas.

O livro Rio: Próximos 100 anos – o aquecimento global e a cidade, organizado pelo Instituto de Urbanismo Pereira Passos com base no relatório do IPCC, avalia que os impactos das variações do clima na cidade do Rio de Janeiro poderão ser desastrosos se desde já não forem feitas intervenções de mitigação e adaptação mais eficazes.

São projetados cenários futuros e apontadas as vulnerabilidades da cidade em face das mudanças climáticas: em relação à saúde da população carioca, por exemplo, casos de leptospirose e dengue poderão aumentar ainda mais. De acordo com as projeções, com o aquecimento global o Sudeste do Brasil terá dias mais quentes e o período de temperaturas mais elevadas será mais longo nesta região.

“Isso propicia uma maior reprodução do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue. Além disso, em dias mais quentes as pessoas deixam janelas abertas e se expõem mais, situações que favorecem o contato com o mosquito. Ou seja, a probabilidade de ocorrer epidemias em função dessas condições favoráveis é bem maior”, disse Diana Marinho, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), à Agência FAPESP.

A pesquisadora assina o capítulo do livro que trata da questão da saúde, juntamente com Ulisses Confalonieri, membro do IPCC e também pesquisador da ENSP.

Diana alerta para outro problema: embora o aquecimento gere chuvas espaçadas, essas são mais torrenciais. No caso da dengue, tanto as temperaturas mais altas como as chuvas ajudam na proliferação do mosquito vetor. Estudos recentes mostram que a taxa de incidência da dengue aumenta nos meses chuvosos. “A chuva propicia o acúmulo de água, necessária para a reprodução do mosquito”, destacou.

Chuvas torrenciais também fazem com que a probabilidade de ocorrer enchentes seja maior em áreas da cidade que já são críticas. Com isso, pode haver a proliferação do rato urbano, vetor da leptospirose. “A leptospirose precisa de enchentes, e como a região do Rio tem áreas de baixadas críticas, isso aumenta as chances de contato do homem com o agente infeccioso”, apontou Diana.

As ressacas nas praias cariocas também podem significar um problema para a saúde pública. “Com a ressaca, as águas de esgoto – que desembocam no mar – voltam, pois não têm como serem escoadas para o mar, devido à pressão. Se isso já ocorre hoje, imagine em um cenário de maior elevação da água”, disse.

A pesquisadora, no entanto, avisa que a equação “aquecimento global-surgimento de epidemias” não é tão simples. “Não estamos dizendo que essas epidemias ocorrerão somente em função do aquecimento. Se houver um excelente investimento no saneamento básico nas próximas décadas, se as pessoas saírem de áreas de risco e mudarem certos comportamentos e conceitos, essa ameaça não vai existir”, afirmou.

“Não há necessariamente uma relação direta entre o aquecimento global e o surgimento de epidemias. Epidemias acontecem em função da alteração ambiental, mas uma alteração na situação de saneamento pode evitá-las. Tudo vai depender das intervenções que serão feitas até lá”, disse.

Segundo Diana, não se pode fazer estimativas de crescimentos nas taxas dessas doenças. “As doenças são dinâmicas”, apontou. Mas se tudo continuar como está, destaca, nos próximos 20 anos o aquecimento global e as mudanças climáticas poderão trazer muito mais do que os 331 mil casos de dengue registrados no período de 1986 (ano em que a doença foi introduzida na cidade) a 2004.

Maré alta

Como o Instituto de Urbanismo Pereira Passos é um órgão vinculado à prefeitura do Rio de Janeiro, a intenção com a publicação do livro foi apresentar o primeiro estudo detalhado em cidades brasileiras dos impactos do aquecimento global, para orientar obras em andamento e internalizar os conhecimentos sobre o aquecimento global nos corpos técnicos da prefeitura.

“A idéia é produzir informação de maneira a tornar as futuras intervenções de mitigação – estações de medição do ar e meteorológicas, acompanhamento das encostas – mais inteligentes. O objetivo é disseminar o conhecimento entre os atores relevantes para minimizar os impactos”, explicou Sérgio Besserman Vianna, presidente do instituto.

Em relação à elevação do nível do mar, por exemplo, foram feitas projeções de três cenários – elevação de 40 centímetros, de 60 centímetros e de 1,5 metro. “Como nos momentos de tempestade com maré cheia podemos ter uma elevação maior, ao traçar esses cenários mapeamos adequadamente os pontos críticos – lugares que já inundam hoje – para intervenções mais imediatas”, disse.

Segundo o ex-presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a paisagem da cidade não tende a sofrer alterações, mas se o mar subir muito, alterações podem ocorrer. O futuro também poderá trazer mudanças no regime das marés, o que pode atingir cartões-postais famosos, como a praia de Copacabana.

“Não podemos perder Copacabana, porque é um ativo econômico para a cidade”, disse Besserman. Mas se por um lado a famosa praia carioca poderá vir a sofrer com marés altas e ressacas mais freqüentes, o período mais longo de calor também traz benefícios. “Isso abre uma oportunidade turística no auge da temporada mundial”, observou.

Com as temperaturas mais quentes, os oceanos se aquecem lentamente e a água acaba tendo mais volume, provocando o derretimento das camadas glaciais. “A dúvida hoje em dia é se o derretimento é linear ou não. Se os indícios de que a degradação não é linear vierem a ser confirmados, os próximos cenários serão mais preocupantes”, disse.

O consenso científico atual é de que seria extremamente perigoso admitir aumento na temperatura do planeta superior à faixa entre 2ºC e 2,4º C. Para evitar aquecimento superior a essa temperatura, seria preciso reduzir, até 2050, o fluxo anual de emissões de gases de efeito estufa em mais de 50% em relação aos níveis registrados em 1990.

Mais informações sobre o livro: www.rio.rj.gov.br/ipp ou (21) 2555-8038/8072.

Fonte: Agência FAPESP

Mudança de mentalidade

20/10/2008

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Para ter sucesso na economia globalizada, a indústria manufatureira precisará mudar de mentalidade, reavaliando prioridades e investindo em cadeias de valor global.

A proposta foi apresentada por Mitchell Tseng, diretor do Instituto de Manufatura Avançada da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, na última quinta-feira (16/10), em palestra no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo.

O conceito de cadeia de valor designa uma série de atividades relacionadas e desenvolvidas pelas empresas, que vão desde as relações com os fornecedores e ciclos de produção e venda até a distribuição para o consumidor final.

Conhecido por seus estudos sobre manufatura global e customização em massa, Tseng tem atuado tanto em instituições acadêmicas como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) e a Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, como em consultoria para empresas como AT&T, Lucent Technologies, Motorola, Intel e Nokia.

De acordo com Tseng, o valor das manufaturas, atualmente, não está limitado ao ambiente das fábricas, mas ultrapassa limites geográficos e abordagens tradicionais. Para se reposicionar em uma perspectiva global, a indústria manufatureira precisará de uma nova avaliação de capacidades e recursos.

“A maior parte das empresas de manufatura, hoje, coloca mais ênfase nas operações. Mas para ser bem-sucedido na economia global será preciso uma visão mais ampla sobre sua própria atuação, partindo para uma otimização de todo o ciclo de produção, do ponto de vista da cadeia de valor global”, disse Tseng à Agência FAPESP.

Ele propõe sete passos para favorecer a agregação de valor à indústria de manufaturas. O primeiro é a redução de custos extrafábrica – isto é, distribuição, logística, pós-venda e reciclagem. “Na manufatura globalizada precisamos olhar para o custo total. Não podemos ter uma visão restrita ao que ocorre dentro da fábrica”, afirmou.

O segundo passo é a elevação do alcance da indústria manufatureira para além da concepção e da fabricação, com o uso da engenharia para ligar mercado e vendas. O terceiro é a democratização, por meio do empoderamento da força de trabalho e aproveitamento da experiência, especialização e idéias dos membros da cadeia de abastecimento.

“O quarto passo é alavancar os ativos intangíveis, como marca, boa reputação e capacidade de ação em rede. Hoje, as manufatureiras ainda estão muito centradas em seus ativos físicos e na competitividade com base no tamanho da empresa”, afirmou.

Centrar as atenções no consumidor, utilizando tecnologia da informação e procedimentos de controle para melhorar o serviço, alcançando o máximo de personalização, é o quinto passo recomendado pelo especialista.

Em sexto vem a transparência: “É preciso prestar atenção na responsabilidade social, na qualidade, na preservação ambiental e na ética corporativa. O sétimo passo é adotar uma cadeia de abastecimento flexível, pois os meios tradicionais de controle e redução de custos podem não ser suficientes”, disse o membro da Academia Internacional de Engenharia de Produção e da Sociedade Norte-Americana de Engenharia Mecânica.

As sete recomendações apontadas por Tseng exigem, segundo ele, novos conjuntos de habilidades, que devem ser prioridade para o sistema de ensino. “A Universidade de Hong Kong está mostrando o caminho para isso, com o lançamento de um programa mundial de intercâmbio de conhecimentos de fabricação, em parceria com a Universidade Stanford, nos Estados Unidos”, contou.

Segundo ele, não faz sentido para as economias desenvolvidas querer competir com os baixos custos do trabalho no grande volume de produção de bens de baixo valor. “Blocos como a União Européia precisarão utilizar suas habilidades de engenharia e design para desenvolver versões mais sofisticadas dos produtos, além de empregar sua experiência de mercado para encontrar novos clientes para esses produtos”, disse.

Marcas líderes no setor de produtos de luxo são exemplos de como uma empresa pode atuar para se beneficiar de ativos como a excelência no design, segundo Tseng. “Na indústria de ferramentas elétricas, por exemplo, os fornecedores europeus têm aprendido a focar em áreas como pesquisa e desenvolvimento e engenharia de design, enquanto utilizam suas capacidades de centros manufatureiros de baixo custo para satisfazer a demanda”, apontou.

Cada entidade – país, região, empresa ou indivíduo – precisa encontrar sua própria força, que a diferencia claramente de outras, segundo Tseng. “Isso pode ser feito por especialização ou por integração da cadeia de valores, utilizando capacidades de atuação em rede para agregar valor.”

Manufatura oriental

O professor apresentou, durante a palestra promovida pelo IPT em parceria com a Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), uma perspectiva sobre as transformações ocorridas na manufatura oriental nas últimas duas décadas.

Em Hong Kong, segundo ele, a modernização da indústria aumentou o valor agregado, mas esse processo foi acompanhado de um declínio da criação de empregos. “Em 1980, o país tinha 900 mil empregados na indústria de manufaturas. Hoje, temos apenas 180 mil”, disse.

Já a China, embora apresente altas taxas de crescimento e um aumento anual de 22% na produção industrial, permanece com seu status de nação em desenvolvimento basicamente inalterado. “Com a imensa população e o território relativamente limitado, o país está consumindo energia e materiais em uma taxa muito alta. Dentro de 20 anos, terá que importar volumes consideráveis de bens para suprir suas necessidades internas”, afirmou.

O uso cada vez maior de energia para que a China aumente sua produção industrial tem resultado em níveis muito altos de poluição. Essa situação, segundo Tseng, já causa preocupação tanto no governo como na população.

“No atual plano qüinqüenal, o país já assume um compromisso de investir em pesquisa e desenvolvimento para a sustentabilidade. Os objetivos para 2010 incluem redução de 10% nas emissões de poluentes, de 20% no consumo de carvão e de 30% no uso de água, com pelo menos 70% tratada para reúso”, afirmou.

O plano chinês, de acordo com Tseng, também tem o objetivo de atualizar a capacidade tecnológica média da indústria e progredir em direção a uma inovação mais auto-suficiente. “Algumas empresas chinesas estão se interessando por propriedade intelectual e criando demanda para que o governo crie mecanismos de proteção”, disse.

Fonte: Agência FAPESP

Guia orienta compra de produtos florestais

19/10/2008 - A Forest Products Association of Canada (Associação de Produtos Florestais do Canadá - FPAC) e a PricewaterhouseCoopers (PwC) produziram um guia de compras canadense para compradores de madeira e produtos de papel. Ele oferece orientações importantes sobre o que levar em conta ao redigir políticas e programas de compras que precisem ser baseados em práticas florestais sustentáveis e socialmente responsáveis.

O Guia proporciona assistência prática em áreas fundamentais para assegurar que as práticas de compras contribuam com o desenvolvimento positivo de comunidades e não prejudiquem o meio ambiente. Ele incentiva o leitor a ir além das considerações tradicionais de preço, qualidade, atendimento e disponibilidade, levando em conta todos os aspectos do processo produtivo e do seu impacto ambiental. O Guia trata de assuntos como mudanças climáticas, rastreabilidade, certificação, legalidade e desejabilidade social na produção de produtos florestais canadenses.

"Em um mundo onde o corte ilegal de árvores e o desmatamento estão causando danos irreparáveis ao planeta e ao nosso clima, compradores responsáveis de madeira e produtos de papel estão buscando garantias de que o produto comprado vem de fontes responsáveis -- fontes que colhem legalmente, regeneram prontamente, reciclam, reduzem emissões de gases estufa e aceitam investigação independente.

O Guia ajuda a obter estas garantias no contexto do Canadá", disse Avrim Lazar, presidente e CEO da FPAC.
"Decisões sobre a compra e o uso de madeira e produtos de papel podem ter impactos de longo alcance e longo prazo", diz Bruce McIntyre, líder do escritório PwC Forest, Paper & Packaging no Canadá e co-autor do Guia. "Além das conseqüências imediatas e óbvias das suas compras, os consumidores, varejistas, investidores e comunidades estão se interessando mais em como as suas decisões de compra afetarão o meio ambiente para as gerações futuras. Queremos ajudar a fazer estas escolhas, dando a eles informações sólidas sobre as credenciais ambientais do Canadá no que se refere a produtos florestais".

O Buyers' Guide to Canada's Sustainable Forest Products (Guia do Comprador de Produtos Florestais Sustentáveis do Canadá) trata das principais considerações apresentadas pelo World Business Council for Sustainable Development (Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável - WBCSD) e pelo World Resources Institute (Instituto Mundial de Recursos - WRI). Entre eles estão a origem e os aspectos legais, ambientais e sociais da produção.

O Guia recomenda que organizações que comprem produtos florestais investiguem todo o ciclo de vida na hora de avaliar a sustentabilidade dos produtos. Esta avaliação de todo o ciclo de vida ajuda a verificar objetivamente os impactos ambientais dos produtos, processos ou serviços através da produção, uso e descarte dos produtos -- uma área em que o Canadá se destaca especificamente.

"Com a floresta mais certificada, original e protegida do mundo, e um compromisso de neutralidade nas emissões de dióxido de carbono até 2015, argumento que não há país melhor que o Canadá quando se trata de satisfazer a crescente demanda global de produtos florestais sustentáveis", diz Lazar. O Buyers' Guide to Canada's Sustainable Forest Products está disponível no site da FPAC em http://www.fpac.ca.

Fonte: PRNewswire. Adaptado por Celulose Online.

Redução de impacto

3/11/2008

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – As mudanças climáticas terão impactos devastadores se as emissões de gases que provocam efeito estufa não forem reduzidas em 80% até 2050 – uma meta bem mais severa que a de 50%, discutida por vários países até agora. E, mesmo com uma redução dessa magnitude, será necessário investir em adaptação, já que alguns impactos serão inevitáveis.

O alerta foi feito por Martin Parry e Vicente Barros, dois dos coordenadores do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que apresentaram palestras na última quinta-feira (31/10), na sede da FAPESP, em São Paulo. O evento, organizado pela Fundação e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), integra o Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

Parry é professor do Centro de Políticas Ambientais do Imperial College, em Londres, na Inglaterra, e foi co-presidente do Grupo de Trabalho II do IPCC até 2007. Barros é professor titular do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de Buenos Aires, na Argentina, e atual co-presidente do mesmo grupo de trabalho, que concluirá o próximo relatório de avaliação em 2013.

De acordo com Parry, os efeitos das mudanças climáticas já começaram e é preciso ter uma liderança global que permita fazer as mudanças necessárias a fim de evitar os piores cenários. Para ele, o Brasil terá um papel central nessa liderança.

“É importante que os países emergentes – e sobretudo o Brasil – assumam uma posição de liderança durante a Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas para defender a adoção de um percentual de 80% como meta de redução das emissões por todos os países”, disse à Agência FAPESP.

Durante a Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em dezembro de 2009 na Dinamarca, uma nova meta de corte das emissões será estabelecida para o acordo que substituirá, a partir de 2012, o Protocolo de Kyoto.

Parry destacou que, mesmo com muito investimento em adaptação, será preciso adotar a meta de 80% e começar a reduzir as emissões imediatamente para evitar danos que atingirão milhões de pessoas em todo o planeta, como a severa restrição de água.

“O nível dos oceanos já está subindo e a margem que temos para ação sobre os efeitos da mudança climática é muito pequena. Não podemos mais perder tempo. Cada dez anos de atraso para agir significa um aumento de 0,5ºC na temperatura. Os países desenvolvidos falam muito sobre ação, mas sempre serão apontados como os grandes responsáveis pelas emissões. Por isso, seria interessante ter uma liderança como o Brasil”, disse.

Segundo Parry, a partir de agora será necessário dar mais atenção às medidas de adaptação, que ele afirma serem ainda muito pouco estudadas e pouco desenvolvidas em todo o mundo.

“Perdemos dez anos falando apenas sobre mitigação, mas agora temos que recuperar esse tempo perdido, porque mesmo com o corte de 80% nas emissões vamos ter impactos inevitáveis e os danos residuais poderão ser imensos se não investirmos em adaptação agora”, afirmou.

As áreas prioritárias para adaptação, segundo Parry, seriam as regiões tropicais e equatoriais, a África, os megadeltas de bacias hidrográficas – especialmente na Ásia – e as pequenas ilhas. “As adaptações mais urgentes terão que ser feitas em alimentos e água – especialmente nas regiões áridas – e nos assentamentos suscetíveis a inundações.”

De acordo com ele, em um cenário pessimista, caso as emissões não sejam reduzidas drasticamente, a temperatura subiria 4°C, causando a extinção de 50% das espécies de árvores da Amazônia. Um aumento de 2°C seria suficiente para eliminar um quarto das espécies.

Conhecimento necessário

Barros reforçou que mesmo com todos os esforços mundiais concentrados na redução de emissões será preciso investir em esforços de adaptação. Um dos maiores entraves para que isso seja feito é o ainda escasso conhecimento sobre o assunto.

“No melhor dos cenários ainda teremos um aumento de temperatura que nos obrigará a fazer um esforço adaptativo. O problema é que há muito pouca literatura sobre adaptação”, disse à Agência FAPESP.

O cientista argentino ressaltou que a literatura científica existente sobre adaptação tem o foco em “como deveria ser” e não em “como é”. “A consciência sobre a mudança climática ainda é recente. Essa literatura do ‘como deveria ser’ indica como agir no melhor dos mundos, mas não no mundo real”, apontou.

Barros afirma que o interesse sobre o que pode ser feito em termos de adaptação está aumentando no debate público, que até agora vinha se concentrando excessivamente nas discussões sobre mitigação. “O principal fator para a adaptação é a aquisição da consciência da mudança climática por atores-chave”, disse.

Segundo ele, é provável que os esforços de adaptação se concentrem nas chamadas adaptações reativas, realizadas depois que os efeitos das mudanças climáticas já estão consumados.

“A adaptação reativa resulta de decisões mais individualizadas. As adaptações antecipatórias são mais problemáticas, porque para fazê-las é preciso prever mudanças tecnológicas, socioeconômicas e de infra-estrutura que deverão acontecer em um tempo remoto. Além disso, os modelos climáticos globais não são muito aptos a descrever as variabilidades interdecadais, o que complica ainda mais as ações”, afirmou.

Fonte: Agência FAPESP

TAC garante diesel com menos teor de enxofre

3/11/2008

Governo, montadoras e indústria do petróleo firmam acordo para cumprimento de resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente

Suelene Gusmão

A partir 1º de janeiro de 2009 passa a ser obrigatória a utilização do diesel S50 nas frotas cativas de ônibus urbanos dos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro. Até 2011, seguindo uma escala tempo, a obrigação passa a valer para as cidades de Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e para as regiões metropolitanas de São Paulo, da Baixada Santista, Campinas, São José dos Campos e Rio de Janeiro.

A decisão é parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado na madrugada desta quinta-feira (30), na presença do Ministério Público Federal (MPF), entre o governo federal e representantes da Petrobras, da Fecombustível, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), do governo do estado de São Paulo, da Anfavea e das montadoras de motores. O ajustamento de conduta teve de ser fechado como parte das compensações pelo descumprimento da Resolução Conama 315/02, que estabelecia para o dia 1º de janeiro de 2009 a comercialização de motores e veículos com menores teores de enxofre e de óxidos de nitrogênio.

Para o não cumprimento da Resolução 315/02 do Conama, montadoras de veículos e motores e a indústria do petróleo alegaram falta de tempo e de logística que pudesse disponibilizar no mercado combustível no volume e antecedência necessários. Segundo os representantes das indústrias, também não haveria como garantir a distribuição em postos geograficamente localizados que permitisse a um veículo percorrer o território nacional abastecendo com o óleo diesel com teor de enxofre de 10 partes por milhão.

Pelo acordo firmado, a Petrobras, a partir de 1º de janeiro do próximo ano, substituirá totalmente a oferta do diesel atualmente utilizado, com 2 mil partes por milhão (ppm) de enxofre, por um novo diesel que conterá 1.800 ppm. E a partir de janeiro de 2014, será totalmente substituída a oferta de diesel com 1800 ppm de enxofre por um com 500 ppm, antecipando a utilização do diesel S10.

Os fabricantes de veículos deverão apresentar até 2012 relatório de valores das emissões de dióxido de carbono e de aldeídos totais dos veículos pesados a diesel. Também deverão atender aos novos limites máximos de emissão de poluentes a serem elaborados e deliberados pelo Conama, em uma nova resolução.

Ao governo, representado pelo Ibama, caberá apresentar proposta de resolução com pedido de urgência ao Conama para disciplinar uma nova etapa para limites de emissão de poluentes por veículos leves comerciais movidos a diesel.


Gerusa Barbosa
Assessoria de Comunicação
Ministério do Meio Ambiente
+55 61 3317-1227/1165
Fax:+55 61 3317-1997
Email: ascom.imprensa.geral-l-bounces@mma.gov.br

Fonte: Portal do Meio Ambiente