segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Decreto 6686/2008 dá um ano para averbar Reserva Legal

11 de Dezembro de 2008





Brasília, 11/12/2008 – Está publicado no Diário Oficial da União desta quinta-feira (11/12) o Decreto 6.686/2008, que concede um ano para o proprietário de terras fazer a averbação da Reserva Legal. A informação foi antecipada nesta quarta-feira (10/12) pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Valdir Colatto (PMDB/SC). A medida era reivindicada desde julho de 2008, data da publicação do decreto anterior, o 6.514.


O novo decreto também dá anistia aos proprietários que receberam multas e sanções desde a entrada em vigor do decreto anterior. Colatto argumenta que o novo prazo dará mais tempo para que se discuta a criação de uma nova legislação ambiental brasileira.


“Hoje a legislação ambiental não permite que os agricultores continuem plantando. Por isso, este prazo maior para a averbação da Reserva Legal será propício para discutirmos e implantarmos o Código Ambiental Brasileiro, que deve ser uma Lei mais abrangente com os Estados fazendo o Zoneamento Econômico Ecológico e respeitando as especificidades regionais”, salienta.


O deputado ressalta que o aumento do prazo levará tranqüilidade ao homem do campo. “Com a publicação, o produtor rural terá a certeza de que poderá plantar a próxima safra e não será criminalizado por não conseguir cumprir com exigências absurdas do decreto antigo”, concluiu.


Caso não fizesse a averbação de Reserva legal, os proprietários ficavam sujeitos a multas, que em muitos casos superava o valor das propriedades, além de desapropriações de bens e bem-feitorias. O crédito agrícola também estava vetado para os proprietários que não cumprissem as determinações no prazo estipulado

Fonte: Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina

A Fraude da Celulose

15/12/2008

Traduzimos trecho do livro do jormalista uruguaio Victor L. Bachetta, sobre a indústria de celulose, que estará em Porto Alegre, segunda-feira, para palestra.

Ulisses A. Nenê


Bacchetta fará palestra no Semapi
A Fraude da Celulose foi lançado no Uruguai em setembro e seu autor, o jornalista Victor L. Bacchetta, é um dos convidados para o lançamento do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, dia 15, segunda-feira, em Porto Alegre. O evento começa pela manhã, às 09 horas, no Plenarinho da Assembléia Legislativa do RS, e continua às 18 horas, no auditório do Semapi (R. Lima e Silva, 280), onde ele será o palestrante.

Traduzimos parte do primeiro capítulo do livro de Bacchetta, que faz uma rigorosa análise da indústria de celulose e seus monocultivos de eucalipto, dedicando trechos ao Brasil, em 228 páginas e seis capítulos: Antecedentes e marco internacional, Os impactos da florestação, Lidando com indústrias de celulose, O conflito fronteiriço, A discussão pública, Balanço e perspectivas.

“A complexidade e a amplitude dos problemas causados pela implantação no Uruguai de monocultivos de árvores em grande escala e a instalação de grandes plantas de produção de celulose, assim como as dificuldades para realizar na sociedade um debate sério em torno destes temas, nos levaram a produzir este novo aporte à discussão”, diz o jornalista.

Ele nasceu em 1943, em Montevidéo, estudou alguns anos de engenharia e passou a dedicar-se ao jornalismo. Trabalhou em diversos jornais, foi exilado durante a ditadura militar, período em que viveu em Buenos Aires, La Habana, Cidade do México, Rio de Janeiro e Santiago do Chile. No Brasil foi correspondente de veículos do México, Peru, Espanha, Suécia, Suíça e Estados Unidos, e para as agências ALASEI, EFE e IPS.

O que Bacchetta relata neste livro sobre o Uruguai e outros países guarda muita semelhança com o que ocorre no Brasil e serve como um alerta. Leia a seguir a primeira parte do livro.

Capítulo 1

Antecedentes e marco internacional

A indústria de cloro se muda para o Sul

A imigração da industria de cloro do Norte para o Sul foi anunciada com vários anos de antecedência. Quando no Chile adquiriram notoriedade, em 2005, os impactos sociais e ambientais das indústrias de celulose, no Uruguai a história estava começando, mas a prioridade dos governos era captar este investimento.

“Ásia, América Latina e a costa do Pacífico: esse será quase seguramente o rumo que tomarão na década atual as indústrias de cloro, após haverem sido ‘desterradas’ da Europa e Estados Unidos pelos contínuos protestos das organizações ecologistas”, diziam Kenny Bruno e Jed Greer no artigo “A nova ameaça tóxica”, publicado na Revista del Sur, de Montevidéo, em agosto de 1993.Doze anos mais tarde, a previsão era uma realidade.

Segundo Bruno y Greer, a evolução geral das indústrias tóxicas atravessava quatro etapas: 1) desenvolvimento no norte industrializado; 2) expansão até o Sul menos industrializado; 3) decadência no Norte, em virtude de fatores ambientais, sanitários e econômicos; e 4) permanência no Sul, onde, devido à falta de regulamentação ou descumprimento das normas vigentes, provocam mais danos que no Norte.

O cloro se encontra na base de alguns dos produtos mais tóxicos, persistentes e cumulativos nos organismos vivos. A química do cloro combina o elemento cloro com hidrocarbonos para formar uma grande variedade de compostos químicos organoclorados. O gás de cloro foi um dos primeiros gases tóxicos utilizados na guerra (Segunda Guerra Mundial) para atacar o sistema nervoso do ser humano.

Os agrotóxicos DDT e pentaclorofenol, os PCB, os CFC que agridem a camada de ozônio, o Agente Laranja, uma variedade de dissolventes tóxicos, como o tretracloroetileno e percloroetileno, subprodutos como as dioxinas e os furanos, pertencem aos organoclorados. Seus efeitos incluem o câncer, malformações de nascimento, problemas reprodutivos, de desenvolvimento e neurológicos, falta de imunidade e danos na pele, fígado, rins e outros órgãos.

A evolução da indústria de cloro se encontra hoje na América Latina entre o final da segunda e a terceira etapas de sua expansão. Enquanto a produção de celulose e papel, enquanto as tecnologias na Europa e Estados Unidos tendem a prescindir totalmente do cloro, no Sul se instalaram e seguem instalando-se fábricas de “alta tecnologia” com processos de branqueamento baseados em compostos de cloro (p. ex. o ECF).

Frente às economias sedentas de capital da América Latina, a indústria de celulose se apresenta com uma grande campanha publicitária como portadora de grandes benefícios e das tecnologias mais avançadas, promete crescimento e desenvolvimento social, assim como preocupação pelo meio ambiente. Os governos locais, jogando pelas regras do modelo neoliberal, acolhem alegremente estes investimentos e prometem controlá-los.

Inclusive no Chile, Argentina, Brasil e Uruguai, onde a velha direita foi vencida depois por partidos ou alianças de esquerda, os novos governos não alteraram o modelo espirante e seguiram disputando os megraprojetos da indústria florestal e de celulose. Quando os desastres ambientais ocorrem são considerados “acidentes” e as populações procuram defender-se ante a pouco convincente fiscalização das autoridades.

No Chile, um jogo de mentiras1

O governo chileno autorizou, em junho de 2005, a reabertura da planta de Celulose Arauco y Constitución (Celco), na província de Valdívia, 790 quilômetros ao sul Santiago. A indústria havia sido fechada dia 18 de janeiro anterior, ao constatar-se inúmeras irregularidades no meio de crescentes protestos da população pela grande mortandade de cisnes de pescoço negro no Santuário Natural Carlos Anwandter em Rio Cruces, 15 quilômetros abaixo do vertedouro da indústria da Celco.

A indústria havia começado a operar em fevereiro de 2004 e, pouco depois, ambientalistas e vizinhos da zona denunciaram que centenas de habitantes das populações vizinhas de San José de la Mariquina, Rucaco, Rayula y Ciruelos, sofriam problemas respiratórios, irritações nos olhos e dores de cabeça, entre outras afecções, atribuídas a emissões de gases tóxicos da indústria, já que esta era o único elemento novo na zona.

Até outubro desse ano habitavam o Santuário uns 6.000 cisnes de pescoço negro, sua maior colônia na América do Sul, mas sete meses depois restavam menos de mil. Um estudo da Universidade Austral concluiu que a morte de 120 cisnes e a emigração de outros 4.000 se deveu aos despejos da Celco, que eliminaram um microorganismo que é seu alimento, e o alto índice de ferro e parasitas encontrados em seus organismos.

A Comissão Regional de Meio Ambiente (Coirmã) condicionou a reabertura da planta ao fechamento de um cano que extraía água de poços não autorizados, ao compromisso de não superar os valores de produção permitidos, ao controle em linha de diversos parâmetros operativos e à contratação de auditorias nacionais e estrangeiras. E fixou um prazo de dois anos para estudar e construir uma saída ao mar alternativa para o atual verte douro.

A Coirmã aplicou à Calco uma multa irrisória de 10.000 dólares por duas violações das normas e aceitou seus despejos de efluentes em outras cinco, entre outubro e dezembro de 2004.

Quatro das cinco exigências da Corema eram ações de médio e largo prazo. “Os impactos ambientais ficarão em evidência de forma tardia, quando já forem irreversíveis”, assegurou a Fundação Terra. Por outro lado, a decisão de levar a saída do vertedouro para o oceano significava voltar ao projeto original da Celco, que foi descartado entre 1996 e 1998 devido à firme resistência e mobilizações dos habitantes da costa.

“Se em 10 meses ocorreram mudanças significativas, que esperamos que aconteça em 24 meses mais”, declarou o doutor Eduardo Jaramillo, coordenador do estudo da Universidade Austral. Enquanto isto, no Lafquen Mapu (território Mapuche da costa) e suas comunidades o sinal de alerta se espalhou rapidamente ao saber-se que a Celco projetava instalar um novo vertedouro nos limites costeiros da Nona e Décima regiões.

“A empresa cumpriu as sugestões e determinações da Corema regional”, foi a curta declaração feita em Santiago pelo ministro Secretário Geral de Governo, Francisco Vida. Fontes locais informaram que a Celco estava perdendo 1.000.000 de dólares em vendas e 250.000 dólares de matérias-primas por dia de inatividade e atribuíram a este fator a celeridade da Corema para decidir a reabertura da indústria.

Uruguai, um novo sócio no clube

A instalação no Uruguai de grandes projetos de fabricação de celulose da empresa espanhola Ence e da finlandesa Botnia foi autorizada por governos dos partidos tradicionais Blanco e Colorado que haviam implantado a lei florestal aprovada em 1987, através da qual, mediante subsídios e isenções tributárias, abriu-se o país aos investimentos estrangeiros em plantações de árvores para produção de polpa de papel.

Surpreendentemente o novo governo da Frente Ampla, que assumiu a 1º. de Março de 2005, adotou como suas as decisões de seus predecessores, e começou a defender os projetos com base na prioridade do “desenvolvimento”. Eram argumentos similares aos utilizados 50 anos atrás que, justamente, na Europa destruíram seu meio ambiente e fizeram que nesses paises se começasse a eliminar as tecnologias do cloro e seus derivados.

Avaliado em 1,2 bilhões de dólares, o projeto da Botnia foi anunciado como o maior investimento da história do Uruguai, mas no país se aplicaria somente 20% do total. A concessão de zona franca e porto livre implicava que a fábrica não pagaria impostos e os 300 postos de trabalho da planta não compensavam os 2000 empregos do turismo, a pesca, a apicultura e outras atividades da zona que seria afetadas.

Isto sem contar os muito prováveis prejuízos dessa produção sobre o meio ambiente da região circundante, situada no ramo médio do fronteiriço Rio Uruguai, que inclui importantes populações do lado uruguaio (Fray Bentos, com 23 mil habitantes) e do lado argentino (Gualeguaychú, com 65.700 habitantes). Deviam agregar-se também os impactos da florestação, que seria incrementada pela proximidade das indústrias.

Se quisesse prever o futuro, o caso uruguaio poderia se projetar no chileno. A tecnologia de produção de celulose é a mesma (ECF) mas, além disso, a Botnia-Uruguai pensa produzir o dobro da Celco. O ecossistema do Rio Cruces, sem o santuário, se assemelha bastante ao do Rio Uruguai, por sua rica e não menos frágil biodiversidade. Até um executivo da Celco, Ronald Beare, foi contratado como gerente geral da Botnia-Uruguai.

Contra o Uruguai corria, também, a menor experiência e capacidade de controle frente a empreendimentos industriais deste porte, em comparação com o Chile, Argentina e Brasil. A Dinama uruguaia (órgão ambiental) levou menos de um ano para revisar o Informe Ambiental Resumido (IAR) da Botnia, enquanto a Celco no Chile consumiu seis anos de estudos e ainda assim teve problemas. Alguns técnicos uruguaios decidiram fazer uma análise por sua própria conta.

O engenheiro químico Ignácio Stolkin, com uma importante trajetória acadêmica e científica internacional, e outros técnicos analisaram o IAR da Botnia e concluíram que carecia de rigor e seriedade científica, que era vago, tinha contradições e não indicava fontes bibliográficas que permitissem verificar suas afirmações. Este mesmo grupo recusou logo a autorização da Dinama, afirmando que ela não poderia pretender controlar algo com base nisso.

A Botnia alegava que as dioxinas e furanos não são detectáveis em efluentes de plantas ECF e não se propôs a medi-los. A Dinama não aceitou este critério e fixou um limite de emissão anual, algo que os recusantes estimam igual “altamente perigoso”. Para estes técnicos era impossível que uma firma como a Botnia ignore a presença de dioxinas nos 14 milhões de metros cúbicos diários de gases de efeitos estufa que emitirá a sua fábrica.

“Marketing verde” e opinião pública

Desde sua entrada no país, as indústrias florestal e de celulose realizam uma campanha de relações públicas e publicidade extremamente agressiva e eficiente. À parte as típicas artimanhas de sedução, como os presentes à comunidade (“contas coloridas”) e as viagens para mostrar como fazem as coisas na metrópole (“espelhinhos”), acreditando-se no discurso oficial, não há ninguém mais avançado tecnológica, social e ambientalmente que elas.

No Chile, o grupo Acção pelos Cisnes denunciou uma “campanha de desinformação” da Celco. A empresa distribuía panfletos, realizava visitas casa por casa e telefonava aos vizinhos para dizer-lhes que eles cumpriam as normas, que as dioxinas não eram uma ameaça para a saúde e que a indústria regaria mais de 10 mil empregos. “Dados e argumentos que faltam seriamente com a verdade”, afirmou a porta-voz do grupo, Cláudia Sepúlveda.

No Uruguai, a ofensiva propagandística não tem sido menor. Ao anunciar, em maio de 2005, o começo da fase de construção da planta em Fray Bentos, a Botnia revelou que havia contratado os serviços da Research Uruguay, uma empresa de pesquisas de opinião. Na hora de ter que fazer valer seu ponto de vista sobre a população, não se poupam recursos econômicos e nem aportes “científicos”, inclusive de técnicos e profissionais locais.

Frente a estas campanhas das empresas, que são apoiadas pelo governo e a grande imprensa, as populações afetadas e as organizações ecologistas enfrentam grandes dificuldades para se fazerem ouvir. O diário chileno El Mercúrio define estes grupos como uma “trava” ao desenvolvimento, mas enquanto os projetos seguem, os lucros são enormes. Ao final a população pode fazer-se respeitar, mas o dano provocado costuma ser irreversível.


1No original, “juego de la mosqueta”, aquele jogo em que um trapaceiro esconde uma bolinha com três dedais ou conchas para que alguém adivinhe onde ela está.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Número de espécies brasileiras ameaçadas de extinção quase triplica em 15 anos

O Ministério do Meio Ambiente lançou em novembro o "Livro Vemelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção", que traz uma lista de 625 espécies de animais em situação de risco. A última lista de espécies ameaçadas foi divulgada em 1989 e continha 218 espécies, quase três vezes menos que a atual, com dados de 2004. Uma das novidades da nova lista é a inclusão dos peixes, que cita entre os ameaçados o lambari, peixe-serra, tubarão-baleia, piracanjuba, piabinha e pacu. Os dois volumes do "Livro Vermelho" contêm dados detalhados de cada animal e as regiões onde são encontrados no país. Do total de animais ameaçados, 380, que representam 60%, estão na Floresta Atlântica, bioma que só tem 7% de sua cobertura original preservada. Conheça a publicação.

Fonte: SPVS Notícias

Biodiesel feito de algas

11/12/2008

Por Washington Castilhos, do Rio de Janeiro (RJ)

Agência FAPESP – Embora, entre as matrizes vegetais, a soja seja a principal base do biodiesel do Brasil, sua escala de produtividade é baixa – de 400 a 600 quilos de óleo por hectare – e tem apenas um ciclo anual. O girassol pode produzir um pouco mais, de 630 a 900 quilos. No entanto, pesquisa realizada no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) indica que microalgas encontradas no litoral brasileiro têm potencial energético para produzir 90 mil quilos de óleo por hectare.

E, segundo o estudo, elas têm diversas outras vantagens. Do ponto de vista ambiental, o biodiesel de microalgas libera menos gás carbônico na atmosfera do que os combustíveis fósseis, além de combater o efeito estufa e o superaquecimento.

A alternativa também não entra em conflito com a agricultura, pode ser cultivada no solo pobre e com a água salobra do semi-árido brasileiro – para onde a água do mar também pode ser canalizada – e abre possibilidades para que países tropicais (como a Polinésia e nações africanas) possam começar a produzir matriz energética. Além disso, as algas crescem mais rápido do que qualquer outra planta.

“O biodiesel de microalgas ainda não é viável, mas em cinco anos haverá empresas produzindo em larga escala”, estima o biólogo Sergio Lourenço, do Departamento de Biologia Marinha da UFF, responsável pelo estudo.

Lourenço identificou dezenas de espécies com potencial para produzir o biodiesel em larga escala. O problema é que a porcentagem de lipídios de cada alga não é alta – poucas espécies chegam a 20% de concentração. Mas a soja (18%) e o dendê (22%) também concentram baixas quantidades de lipídios. O amendoim concentra 40%.

“Se a matriz tem baixa concentração de lipídios, temos que acumular muito mais massa”, explica o biólogo. Por isso, ele e sua equipe trabalham em métodos para estimular a concentração de lipídios. “Por meio de técnicas de manipulação das condições de cultivo, conseguimos alterar a composição química nos meios de cultura, aumentando assim a concentração de lipídios. Em dez dias a biomassa está apta a ser colhida.”

Há pouco mais de um ano, o projeto vem sendo articulado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério da Agricultura, a Secretaria Especial de Água e Pesca e a Casa Civil, que conduz o Programa Nacional de Biodiesel.

Conversas têm sido feitas com a Petrobras para apoiar o projeto. O financiamento permitiria o cultivo em grande densidade, em tanques de 20 mil litros, primeiramente em uma unidade da UFF, antes de ser levada ao semi-árido. Há também, segundo Lourenço, outra vantagem ecológica nesse cultivo: para fazê-las crescer, é necessário tirar carbono da atmosfera.

As microalgas são usadas há décadas na produção de encapsulantes e na aquacultura, para alimentar peixes e outros animais. Segundo o pesquisador, desde a década de 1970, depois da primeira grande crise do petróleo de 1973, já se pensava na aplicação desses organismos marinhos para a produção de energia a partir da biomassa.

“Perdemos terreno por nunca ter investido o suficiente nessa frente. Hoje, o barril do petróleo custa US$ 70 e já chegou a custar US$ 143 este ano, batendo um recorde histórico. O Brasil tem tudo para se tornar a potência energética mundial. Nos encontramos na vanguarda dos biocombustíveis: além de termos alcançado a auto-suficiência na produção de petróleo, temos o maior programa de álcool do mundo”, destacou.

De acordo com Lourenço, outra vantagem é que, assim como a cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, as microalgas demandam uma área pequena para seu cultivo e podem produzir uma quantidade de biocombustível bem maior.

“A cana-de-açúcar ocupa 2% da área agrícola do Brasil, aproximadamente 45 milhões de hectares. A Embrapa indica que o país tem ainda 100 milhões de hectares que pode ocupar. O programa energético prevê mais 2 milhões de hectares, ainda assim uma fração da área total disponível. Com o cultivo das microalgas ocupando apenas 1% da área que a soja utiliza hoje, pode-se produzir a mesma quantidade de biodiesel que ela produz ao ano”, afirmou.

Algas para aviação

Presidente da Associação Brasileira de Biologia Marinha e autor do livro Cultivo de Microalgas Marinhas: princípio e aplicações (2006), Sergio Lourenço explica que não são todas as espécies de microalgas com potencial para biocombustível, mas conta que aquelas que identificou também poderiam ser aplicadas para a produção do bioquerosene, maior interesse do setor da aviação na atualidade.

Em fevereiro de 2008, um Boeing da companhia aérea Virgin Atlantic fez um vôo entre Londres e Amsterdã movido a bioquerosene à base de óleo vegetal – uma mistura de babaçu e coco. As empresas aéreas gastam 85 bilhões de galões de querosene tradicional por ano e são responsáveis por 3,5% das emissões de dióxido de carbono no mundo.

“O setor tem que diminuir as emissões e pretende trabalhar com uma mistura de 20% de bioquerosene, hoje feita à base de óleos vegetais, com o querosene tradicional, que custa o equivalente a 40% do preço de uma passagem aérea”, disse Lourenço.

Segundo ele, o processo de produção do bioquerosene é semelhante ao do biodiesel – ambas as moléculas estão presentes nas microalgas, com a diferença de que as do biodiesel são maiores.

“Elas têm a mesma classe de moléculas, mas com características químicas diferentes; uma alga descartada para aplicação de biodiesel pode ser usada para bioquerosene”, disse.

Em fevereiro de 2009, o setor aeronáutico estará reunido em Montreal, no Canadá, no Congresso da Associação Internacional de Aviação (Iata) para discutir, entre outros assuntos, o uso das microalgas na produção de bioquerosene. Esse foi também o destaque de um evento promovido pela Boeing em outubro passado.

O projeto da UFF será um dos destaques de um Congresso da Associação Brasileira de Biologia Marinha que será realizado em abril de 2009, na cidade de Búzios, no Rio de Janeiro.

Fonte: Agência FAPESP

Conferência do clima ruma ao fracasso

11/12/2008 - A fase decisiva da COP-14 (14ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas), com a participação de ministros de cerca de 150 países, começa hoje em Poznan, Polônia, com questões pendentes e omissões.

Uma das principais pendências é o fundo de adaptação às mudanças climáticas, que ainda não está pronto para funcionar e é apontado como crucial para os países vulneráveis se prepararem para enfrentar o aquecimento global. Outro tema ainda sem conclusão é a ampliação do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), que trata da comercialização de créditos de carbono.

O objetivo era fazer em Poznan o esboço do acordo que será fechado no próximo ano, na Dinamarca. Mas não houve avanço na definição do regime que irá substituir o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. Tampouco se falou sobre o fato de que a maioria dos países ricos sequer vão cumprir a meta estabelecida por Kyoto, de reduzir 5% as emissões de gases de efeito estufa, em relação a 1990, entre 2008 e 2012.

E um dos temas principais da conferência, o Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, na sigla em inglês), continua sem perspectiva de consenso.

Brice Lalonde, ex-ministro do Meio Ambiente da França e delegado da UE, criticou ontem o Brasil nas discussões de Redd.

"O Brasil diz que evitar o desmatamento é o seu esforço de mitigação e só vai concordar se os Estados Unidos e outros países fizerem seu próprio esforço. A União Européia é prisioneira dessa discussão."

Uma das discórdias é sobre a forma de financiar a redução das emissões de desmatamento -não há consenso sobre se o pagamento pela conservação virá por meio do mercado de carbono ou não. "Dinheiro público nunca vai ser suficiente. Precisamos de dinheiro privado. Então, a questão é como conseguir que o dinheiro privado ajude a lutar contra o desmatamento", opinou Lalonde.

O desmatamento evitado ainda não está incluído no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Discute-se se o MDL pode ser ampliado para incluir Redd, mas o Brasil é contra um mercado para o carbono de florestas.

Fóssil
O clima político ruim em Poznan ficou evidente ontem, quando uma coalizão de ONGs deu o troféu Fóssil do Dia (concedido aos países que mais atrapalham o avanço das negociações) para a chanceler alemã, Angela Merkel. Tradicional defensora de metas ambiciosas no clima, Merkel sofreu, segundo as ONGs, uma "catastrófica deterioração da sua posição no pacote de clima e energia da União Européia".

Com a crise econômica, a Alemanha teme que sua indústria pesada seja prejudicada no mercado internacional ao ter de reduzir as emissões de gases-estufa. A Polônia, anfitriã da conferência e grande dependente de carvão, também pede que sejam feitas concessões.

Apesar do racha, a UE voltou a afirmar ontem que manterá seu compromisso de reduzir as emissões em pelo menos 20% (em relação a 1990) até 2020.

Fonte: Celulose Online

Sensibilidade profunda

12/12/2008

Agência FAPESP – Descobertas realizadas por um grupo de pesquisadores norte-americanos mostram que a composição química dos oceanos é menos estável e mais facilmente afetada pelas alterações climáticas do que se acreditava.

O trabalho, publicado na edição desta sexta-feira (12/12) da revista Science aponta mudanças drásticas na química oceânica durante um período de mudanças climáticas há 13 milhões de anos. Os autores alertam que a mudança climática atualmente em curso poderia afetar de forma semelhante a composição química dos oceanos, com profundas conseqüências para os ecossistemas marinhos.

"Conforme a quantidade de CO2 aumentar e os padrões climáticos mudarem, a composição química das águas dos rios também sofrerá transformações e isso irá afetar os oceanos", disse um dos autores do trabalho, Ken Caldeira, do Departamento de Ecologia Global da Carnegie Institution, em Washington. "Isso vai mudar a quantidade de cálcio e outros elementos no sal dos oceanos", afirmou.

Além de Caldeira, a equipe de pesquisa, liderada por Elizabeth Griffith, da Universidade de Stanford, incluiu cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, da Universidade de Yale, em New Haven e da Universidade Wesleyan, em Middletown, na Califórnia.

Os cientistas estudaram amostras de núcleos de sedimentos oceânicos extraídos de regiões profundas da bacia do Pacífico. Analisando os isótopos de cálcio nos grãos de bário mineral em diferentes camadas, eles determinaram que, entre 13 e 8 milhões de anos atrás, os níveis de cálcio do oceano mudaram dramaticamente.

A mudança química, segundo o estudo, aconteceu durante o mesmo período em que houve crescimento das camadas de gelo da Antártida. Naquele intervalo de tempo, em virtude do enorme volume de água que ficou retido na massa de gelo, o nível do mar baixou.

"O clima esfriou, as camadas de gelo se expandiram, o nível do mar baixou e houve mudanças na intensidade, tipo e grau da erosão. Isso provocou mudanças na circulação oceânica e na quantidade e composição do material que os rios despejavam no mar . Esse processo teve impacto importante na biologia e na química do oceano", disse Elizabeth.

Segundo os cientistas, o ciclo global de cálcio tem sido muito dinâmico ao longo dos últimos 28 milhões de anos. Como a produção de carbonato de cálcio no oceano e sua deposição no fundo do mar ajuda a controlar a concentração de dióxido de carbono atmosférico, o cálcio está intimamente ligado ao ciclo climático.

Rochas ricas em cálcio, como as pedras calcárias, são os principais armazéns de carbono dos ciclos de carbono da Terra, porque elas são essencialmente constituídas por carbonato de cálcio. "O ciclo de cálcio do oceano está intimamente ligado ao dióxido de carbono atmosférico e aos processos que controlam a acidez da água salgada", disse Caldeira. A acidificação da água do mar já é uma ameaça crescente aos recifes de coral e outros tipos de vida marinha, de acordo com os cientistas.

“O que aprendemos com esse trabalho é que o sistema oceânico é muito mais sensível às alterações climáticas do que pensávamos", afirmou Elizabeth.

"Achávamos que a concentração de cálcio, que é um elemento importante na água do mar, iria mudar lenta e gradualmente ao longo de dezenas de milhões de anos. Mas o que os nossos dados sugerem é que pode haver uma relação mais dinâmica entre o clima e a química do oceano, o que eventualmente pode resultar em uma rápida reorganização biogeoquímica", declarou.

"O trabalho mostra como é dinâmico o sistema clima-oceano e indica que as respostas às mudanças nem sempre são aquilo que esperamos. Precisamos manter isso em mente quando analisarmos o clima futuro e outras mudanças antropogênicas, como a acidificação do oceano e seu impacto sobre os oceanos e sobre os seus recursos", disse.



O artigo A Dynamic Marine Calcium Cycle During the Past 28 Million Years, de Elizabeth Grifith e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

Fonte: Agência FAPESP

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Amazônia, clima e Itajaí

9/12/2008

Por José Goldemberg


[Correio Braziliense] Não há evidencia direta de que o dilúvio que se abateu sobre Santa Catarina seja devido ao desmatamento da Amazônia, mas o que se sabe é que uma das primeiras evidências do aquecimento global é o aumento dos eventos climáticos extremos, como inundações, tufões e secas. A razão para tal é que o aquecimento da atmosfera provoca movimentos de grandes massas de ar necessárias para dissipar a energia adicional da atmosfera, como os que se podem ver numa panela com água que é aquecida num fogão.

As previsões do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam, porém, em linhas gerais, que o desmatamento da Amazônia vai aumentar a precipitação de chuva no Sul/Sudeste e reduzi-las no Norte/Nordeste. Essa não é a única razão para reduzir o desmatamento, mas indica que é de interesse vital do país reduzi-lo, independentemente do que se possa dizer das outras conseqüências danosas do desflorestamento.

A atividade na Amazônia tem sido altamente predatória, como se vê no Pará, onde um terço do território antes coberto por florestas já foi totalmente desmatado. O que há de mais perverso no modelo de ocupação de boa parte da Amazônia é que ele não é sustentável, isto é, após derrubada a floresta, pouco resta e a solução é prossegui-la em florestas virgens. O benefício para a população local é mais do que discutível.

Além disso, a devastação e queima da floresta resulta na emissão de gases de efeito estufa, principalmente dióxido de carbono, que são os responsáveis pelo aquecimento da atmosfera. O desmatamento médio nos últimos 10 anos foi de 20 mil quilômetros quadrados por ano, ou seja, 2 milhões de hectares. O Brasil contribui aproximadamente com 4% das emissões mundiais, logo depois de Estados Unidos, China, Rússia e Japão.

Nada mais evidente, portanto, do que o interesse de tomar medidas concretas e efetivas para reduzir o desmatamento, adotando metas claras e um calendário para cumpri-las, algo que qualquer administrador sensato faria. Não é, contudo, o que aconteceu até agora, devido à resistência de setores interessados na devastação e a inércia do governo federal, preso a dogmas em torno da soberania sobre a Amazônia. O problema nunca foi o de defender a Amazônia da cobiça internacional, mas da cobiça dos próprios brasileiros, insensíveis às conseqüências danosas da derrubada predatória.

Por essa razão é salutar a medida anunciada pelo governo no Plano Nacional de Mudanças Climáticas preparado para apresentação na Conferência dos Países Signatários da Convenção do Clima, que se reúne em Poznan na Polônia: reduzir o desmatamento em 40% (de 2006 a 2010) abaixo da medida dos desmatamentos nos últimos 10 anos. Após 2010, o desmatamento deverá cair 30% a cada quatro anos.

Com isso se destrói a tese defendida por setores do Itamaraty de que a adoção de metas (e um calendário para cumpri-las) poderia interferir na soberania nacional. Na realidade, a adoção de metas é a única forma de realizar as tarefas necessárias a qualquer outro plano de governo, como o PAC.

As metas adotadas para a redução do desmatamento foram acompanhadas de várias condicionantes, como a da efetivação de recursos externos, o que é, no fundo, uma condicionante pueril. Os maiores interessados na redução do desmatamento deveriam ser os próprios brasileiros e, portanto, não há razão para adiar as ações necessárias, como a regularização efetiva das propriedades das terras. Além disso, muitas medidas não dependem de recursos, mas de políticas próprias e de mobilização dos órgãos de fiscalização do governo que já existem. Essa é a postura adulta de enfrentar o problema.

Cabe agora aprofundar, na mesma direção, outras medidas apenas esboçadas no Plano Nacional de Mudanças Climáticas, que vão exigir ações adicionais, tais como a efetiva introdução de medidas de eficiência energética na indústria e no transporte, que podem ser feitas sem prejudicar o crescimento econômico do país.

José Goldemberg, Professor da Universidade de São Paulo (USP)

* Artigo originalmente publicado no Correio Braziliense, 06/12/2008.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

Agrotóxico influi em natalidade

9/12/2008

Os impactos da exposição a agro- tóxicos na saúde reprodutiva em municípios essencialmente agrícolas no estado do Paraná pode estar mudando o perfil de gênero da região. Estudo realizado pela biomédica Gerusa Gibson da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fiocruz lançou luz sobre o problema ao investigar a proporção de nascimentos masculinos para o estado do Paraná no período entre 1994 e 2004. O estudo mostrou uma tendência de declínio estatisticamente significativa e sugere que o fenômeno possa ser decorrente da alta exposição ambiental aos agrotóxicos nessas localidades.

Segundo a pesquisa, alguns agrotóxicos fazem parte de um conjunto de poluentes ambientais que causam alterações hormonais e prejudicam a saúde reprodutiva causando redução da fertilidade masculina, abortos espontâneos e malformações congênitas. No caso específico do Paraná, acredita-se que a redução do número de nascimentos masculinos seja resultado da influência das concentrações hormonais dos pais no momento da concepção dos filhos. Como é necessário um longo período de exposição crônica aos agrotóxicos para que os impactos na proporção de sexos ao nascimento sejam perceptíveis, a pesquisadora usou como referência o consumo de agrotóxico realizado em 1985 para analisar os nascimentos ocorridos oito anos depois.

Números preocupantes

Mais de 300 municípios foram pesquisados, mas o estudo priorizou 10 cidades onde a redução foi mais substancial. Todas elas têm até 10 mil habitantes. Em Jardim Olinda, por exemplo, onde cerca de 14% da população está ocupada na agropecuária, o número de nascimentos masculinos caiu de 62,5% em 1994 para 26,3% em 2004. Já em Doutor Camargo, onde 36,3% da população está ocupada na agropecuária e existe mais de 700 estabelecimentos do ramo, a percentagem caiu de 50,4% para 40,3% no mesmo período. A proporção normal de nascimentos masculinos é de 51,5%. ­

- Os números são preocupantes -­ afirma a pesquisadora Gerusa Gibson. ­ Mas o mais preocupante é que se o consumo de agrotóxico já afetou a razão de sexo, devem ter ocorrido desfechos mais graves, principalmente casos de câncer e infertilidade. As pessoas que trabalham com o agrotóxico geralmente não são plenamente conscientes dos riscos que correm e as empresas que lucram com isso não se preocupam.

Para Gerusa, a hipótese de que haja um declínio na proporção de nascidos vivos do sexo masculino no Brasil torna-se totalmente plausível, principalmente quando leva-se em conta a trajetória da agricultura brasileira que tem um modelo de desenvolvimento baseado na crescente demanda por agrotóxicos e fertilizantes. O Paraná foi escolhido pela pesquisadora por ser um grande representante desse modelo de produção. Na Europa, em países como Inglaterra, Dinamarca e Finlândia acredita-se que a exposição ambiental a desreguladores endócrinos nos últimos anos tenha contribuído para a redução de nascimentos masculinos.

A chefe do departamento de Vigilância Sanitária do Paraná, Suely Vidigal, afirma que estudos como esse são fundamentais para mudar o perfil de consumo da sociedade brasileira e reforçar a necessidade de políticas públicas que incentivem a produção de alimentos orgânicos.

Suely garante que o estado tem tentado fazer um trabalho diferenciado para evitar que a população fique vulnerável a doenças causadas por exposição a agrotóxicos. Segundo relata, desde 2003 foi desenvolvido um trabalho de rotulagem em todos os alimentos produzidos no estado. A intenção é ter um canal para chegar ao produtor e orientar em caso de erro ou até mesmo punir quando necessário. ­

- O Brasil é o segundo consumidor mundial de agrotóxicos lamenta a sanitarista. ­ - Essa é uma situação que nos preocupa a cada dia. Temos que incentivar a produção de alimentos orgânicos, mas é preciso subsidiar o agricultor porque esse alimentos ainda são muito caros para a população.

Segundo Suely, o Paraná tenta unir esforços para sanar as irregularidades no consumo de agrotóxicos, mas o estado tem que intervir em alguns casos de produtores reincidentes nas irregularidades.



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Pesticidas provocam alterações hormonais

Idelina Jardim

Há casos de intoxicação com produtos que estão banidos no país há muito tempo. Ainda, assim, há alguns anos, foi feito um "tratoraço" em Brasília reivindicando na Anvisa a liberação da importação de alguns agrotóxicos.

O Instituto Oswaldo Cruz, responsável pela medição dos acidentes causados por agentes químicos no Brasil, nas recentes estatísticas publicadas apontam que o número de intoxicações por agrotóxicos cresceu 27% em cinco anos, passando de 4.674, em 1999, para 5.945 em 2003 – desses últimos, 164 foram fatais.

Um estudo feito entre 2000 e 2002 com gestantes, por pesquisadores da Universidade de Granada, na Espanha, alertou para o perigo de disruptores hormonais, substâncias químicas – boa parte pesticidas – cuja presença no ambiente, inclusive o urbano, pode ser absolvido pelo corpo de modo imperceptível.

Um dado preocupante dessa contaminação silenciosa foi a descoberta de que 100% das 308 grávidas analisadas terem, pelo menos, um tipo de pesticida na placenta, camada que deveria proteger o feto. Os pesticidas começaram a ser usados nos anos 40 mas apenas na década de 90 se percebeu que a ingestão, por muitos anos de alimentos contendo agrotóxicos, pode ser responsável por alterações hormonais.

Em 2006, as estatísticas do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox) do Instituto, Rosany Bochner revelaram que 34% dos acidentes com agrotóxicos aconteceram durante o trabalho no campo, atingindo em cheio pessoas com a faixa etária entre 20 e 29 anos – as mais vulneráveis. Por regiões, o maior número de intoxicações foi apontado no Sudeste – com 2.978 acidentes, seguida pelo Sul, com 1.657, Nordeste, com 920, Centro-Oeste, com 355 e Norte, com 35 casos.


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Guerra judicial opõe Anvisa e fabricantes de defensivos

Karla Correia

BRASÍLIA - Em fevereiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu processo para reavaliação de 14 princípios ativos presentes em 235 agrotóxicos comercializados no país. Oito dessas substâncias estão sob investigação nos Estados Unidos pela FDA – agência norte-americana de regulação de alimentos e remédios – por suspeita de provocarem desregulação endócrina, o mesmo problema que, segundo estudos, estaria reduzindo a taxa de nascimento de bebês masculinos no Paraná. Uma liminar obtida pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) na 13ª Vara Federal do Distrito Federal em julho interrompeu o trabalho.

Na lista estão alguns dos pesticidas e herbicidas mais utilizados nas lavouras brasileiras, como o glifosato, aplicado em plantações de soja transgênica. De acordo com a gerente de Normatização e Avaliação da Anvisa, Letícia Rodrigues, a reavaliação de princípios ativos em comercialização é necessária para analisar elementos e efeitos dessas substâncias que aparecem em um período de uso prolongado.

– A avaliação é feita com base em testes realizados com animais que analisa o potencial da substância em provocar mutações, irritar o sistema respiratório ou a pele do animal, entre outros fatores – explica Letícia.

– Ao longo do tempo, contudo, estudos como esse feito sobre a população do Paraná podem lançar luz sobre problemas que surgem com o uso massivo dos princípios e não foram alcançados em uma primeira investigação. A partir desse ponto, pede-se uma reavaliação da substância.

Batalhas Judiciais

Somente no mês passado, contudo, a agência conseguiu uma vitória na batalha judicial em torno dos agrotóxicos e derrubou a liminar que impedia a investigação dos princípios ativos. Segundo Letícia Rodrigues, o órgão espera apenas a notificação formal para recomeçar os trabalhos.

– Perdemos um ano nessa batalha – lamenta. – Os novos laudos devem ser concluídos até 120 dias depois de reiniciados os trabalhos.

Antes do parecer, técnicos da Anvisa chegaram a completar a análise de dois ingredientes de agrotóxicos listados para reavaliação. A agência recomendou o banimento do cihexatina – utilizado em plantações de laranja, morango, pêssego e berinjela – depois que estudos detectaram graves riscos de malformações fetais em testes realizados com ratos. A substância já foi banida em 11 países, incluindo China e Estados Unidos.

Entretanto, o fabricante do produto, a empresa Sipcam Isagro Brasil, recorreu na Justiça e, com apoio do Ministério da Agricultura – um dos órgãos que compõem o comitê responsável pela regulação do setor de agrotóxicos no país – conseguiu liminar impedindo a Anvisa de tomar qualquer medida restritiva à comercialização do cihexatina.

A Anvisa também foi impedida na Justiça de divulgar os resultados de estudos sobre o acefato, suspeito de ter ação cancerígena e banido em vários países.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

Peixes ensinam como gerar eletricidade em águas calmas

Redação do Site Inovação Tecnológica
08/12/2008

Quase toda a energia elétrica produzida no Brasil vem das hidroelétricas, que usam o desnível naturalmente encontrado em regiões de quedas d'água, usando a energia cinética da água represada para girar as turbinas que produzem a eletricidade.

Agora, cientistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, descobriram uma nova tecnologia para gerar eletricidade a partir de correntes de água que se movem lentamente, como os rios em regiões sem cachoeiras ou mesmo o movimento dos oceanos.

Energia de águas calmas

O equipamento, batizado de Vivace, é capaz de gerar eletricidade utilizando cursos de água que se movimentam a pouco mais de 3 km/h (2 nós). Isso transformaria praticamente todos os rios do planeta em fontes exploráveis para a geração de energia.

Vivace é uma sigla para Vortex Induced Vibrations for Aquatic Clean Energy. A idéia nasceu da observação dos peixes e de como eles lidam com as turbulências para se movimentar de forma eficiente. Essa nova forma de exploração da energia hidrocinética não depende de ondas, marés, turbinas e nem represas - apenas das vibrações induzidas pelos redemoinhos.

Vibrações induzidas por vórtices

Vibrações induzidas por vórtices são ondulações que um objeto redondo ou cilíndrico induz no fluxo de um fluido, seja a água ou o ar. A presença do objeto induz mudanças no fluxo do fluido, criando redemoinhos, ou vórtices, que se formam em um padrão nos lados opostos do objeto. Os vórtices empurram e puxam o objeto para a direita e para a esquerda, perpendicularmente à corrente.

"Nos últimos 25 anos, os engenheiros - eu inclusive - vínhamos tentando suprimir essas vibrações induzidas pelos vórtices. Mas agora nós estamos fazendo o oposto. Nós melhoramos as vibrações e domamos essa poderosa e destrutiva força da natureza," conta o Dr. Michael Bernitsas.

Inspirado nos peixes

Os peixes fazem isso o tempo todo, usando as forças dos vórtices para se mover de forma eficiente.

"O Vivace copia alguns aspectos da tecnologia dos peixes," diz Bernitsas. "Os peixes curvam seus corpos para deslizar entre os vórtices criados à sua frente. Apenas seus músculos não poderiam impulsioná-los através da água na velocidade em que nadam," explica ele.

O protótipo mostra a simplicidade do projeto e dá a entender que a adoção do princípio na prática pode ser bastante simples. O aparelho consiste unicamente de um cilindro ligado a algumas molas. Os testes foram feitos em um tanque no qual a água flui a 1,5 nó.

A simples presença do Vivace na corrente de água cria vórtices alternados acima e abaixo dele. Os vórtices empurram e puxam o cilindro para cima e para baixo ao longo de suas molas. Esta energia mecânica é utilizada para acionar um gerador, que produz a eletricidade.

Necessidades de energia do mundo

"Não há uma solução única para as necessidades de energia do mundo. Mas se nós usarmos apenas 0,1 por cento da energia dos oceanos, nós poderemos produzir a energia necessária para uma população de 15 bilhões de pessoas," diz o engenheiro.

Segundo seus cálculos, a energia dos vórtices poderá ser gerada em larga escala a um custo de US$0,055 por kilowatt/hora (kW/h). A energia eólica hoje custa US$0,069 por kW/h e a energia nuclear ao redor de US$0,046. Dependendo do local onde é produzida, a energia solar fica entre US$0,16 e US$0,48 kW/h.

Os pesquisadores planejam fazer o primeiro teste da nova tecnologia em escala piloto em 18 meses.

Fonte: Inovação Tecnológica

Enquete

Prezados(as),

Estamos elaborando um projeto com o objetivo de propor melhorias na gestão dos resíduos sólidos domésticos em São Bento do Sul. Para direcionar as nossas futuras ações, necessitamos melhor caracterizar o trato dado pela população a estes resíduos. Deste modo, elaboramos uma breve enquete que está disponível na página do Jornal Evolução (www.jornalevolucao.com.br). Como nossos recursos são limitados, decidimos realizar a maior parte da pesquisa via internet, sendo que assim estamos aqui solicitando-lhe a gentileza de acessar ao endereço supracitado, colaborando conosco na resposta das questões. Não há necessidade de identificar-se para respondê-las.
Agradecemos também àqueles que puderem encaminhar o link da enquete para seus contatos.
Críticas, sugestões e questionamentos são bem-vindos.
Sem mais, agradecemos a atenção.

Andreas Franz Xaver Auburger – (47) 91678003
Jean Fábio Bianconcini – (47) 88023709

Projeto realizado em parceria com:
Consórcio Ambiental Quiriri (http://consorcioambientalquiriri.blogspot.com/)
Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (COMDEMA)

Apoio:
Jornal Evolução (www.jornalevolucao.com.br)
Samuca Webdesigner (www.samuca.eti.br)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sociedades secretas

Não consigo acreditar nisto tudo, um tanto quanto "viajandão" o texto, mas ao mesmo tempo acho que vale a pena pensar a respeito. Talvez hajam verdades aí, mas onde estariam as evidências? Parece até Orwell... Vale ficar atento...
Segue reprodução na íntegra de texto que recebi por e-mail:

"Citações iluminadoras:

"Existe um poder em algum lugar tão organizado, tão sutil, tão atento, tão entrelaçado, tão completo, tão disseminado e abrangente, que é melhor sempre abaixar muito bem a voz ao dizer qualquer coisa em condenação a ele." (presidente Woodrow Wilson, 1913, citado no livro do Dr. Dennis Cuddy, "Secret Records Revealed" (Registros Secretos Revelados), pg 24)
"Debaixo das amplas ondas da história humana fluem as ocultas correntes subterrâneas das sociedades secretas, que freqüentemente determinam das profundezas as mudanças que ocorrerão na superfície." — (Autor Arthur Edward Waite, em The Real History of the Rosicrucian Steiner Books (A Verdadeira História dos Livros Rosa-cruzes de Steiner), 1977).
O batimento pulsante e intenso do organismo vivo chamado Elite — aqueles em posições de influência que tomam decisões indesejadas por nós — conseguiu implementar um governo global, também chamado de Nova Ordem Mundial (NOM). Eles usaram todo o seu arsenal e, ao longo de dezenas de anos, e de várias gerações, empurraram a agenda da NOM pela nossa goela abaixo, e nós a aceitamos mansamente.
Eles usaram e continuam usando tanto métodos públicos como secretos para nos fazer aceitar a dissolução da nossa Constituição e, ironicamente, sermos gratos por isso. Eles invadiram nossas igrejas, nossas escolas, nossa cultura, nossa economia, nossa história, nossas fortalezas políticas e até mesmo nossas mentes. E, sem nenhuma lamentação, perdoamos a perda do nosso país, a perda dos nossos valores e costumes, a perda da liberdade de pensamento e a perda do controle de nossas próprias mentes. Eles detêm nossa economia, nosso sistema político, nossos filhos e, acima de tudo, eles nos detêm — nós que, anos atrás, teríamos lutado para impedir a derrubada do nosso querido país e das nossas liberdades.
Alguns dos meios que eles usam para alcançar seus objetivos são grosseiros; outros são camuflados e feitos a portas fechadas, mas independente de como alcançam suas metas, o resultado é sempre o mesmo: eles planejaram bem, implementaram de forma admirável e nos quebrantaram totalmente.
As técnicas deles têm sido variadas e eficientes, mas um dos mais eficazes métodos por trás das cenas é o uso das sociedades secretas.
Você já ouviu falar desse veículo fundamental — as sociedades secretas -, não ouviu? Elas são reais — esses grupos sombrios e sigilosos que controlam o mundo por meio de membros poderosos que escondem a verdade de nós, que exercem uma força maior do que centenas de megatons de bombas. Não há um único artigo ou um único livro que possa cobrir a abrangência total do que as sociedades secretas realmente são, quem são seus membros, o que eles fazem e o que ainda planejam fazer, portanto certamente este pequeno artigo sozinho também não pode abarcar tudo isso. O que sabemos é que seus membros — homens e algumas mulheres de comando da elite rica — detêm poder sobre nós e se enredam pelo topo dos governos nacionais e das escolas para garantir que as pessoas desejadas sejam colocadas nos cargos e a agenda desejada seja implementada. Uma vez que isso não pode ser explicado em apenas um artigo abrangente sobre as sociedades secretas,
somente o básico será oferecido aqui.
Embora nem todas as sociedades sejam mencionadas aqui, esta lista oferece algumas das principais e mais influentes; outras serão discutidas em detalhes em publicações futuras:
1. Os Bilderbergers

Esse poderoso grupo se reúne secretamente todo ano para discutir planos para cada cidadão da Terra, sobre como estimular e implementar a meta do governo global. Como uma ordem clandestina, cada membro faz votos de não revelar a natureza dos assuntos tratados nos encontros, ou de dar atribuição ao que foi dito. Além disso, os membros dessa organização detêm posições importantes, de alto escalão e influentes em todo o mundo. "Alguns dos que participaram e participam dessas reuniões secretas são Bill Clinton, Walter Mondale, os Rockefellers, Gerald Ford, Tony Blair, Henry Kissinger, Peter Jennings, Colin L. Powell, William McDonough e cerca de 115 pessoas poderosas." [Secret Societies and Their Members, 5/6/02, pg 2 de 4.]
2. O Conselho de Relações Exteriores (CFR)
A poderosa e ilegal Diretoria da Federal Reserve formou essa organização em 1921, logo após a Primeira Guerra Mundial, para conduzir seus planos para o público incauto, sendo o mais primordial obliterar as fronteiras nacionais e formar um governo global ao qual esse público seja leal. Ele ostenta membros como os Rockefeller, Richard Nixon, Dean Rusk e muitos outros líderes do passado, bem como centenas de figurões da mídia, políticos, educadores e diversos jornalistas atuais. O sigilo é essencial. O CFR tem sua sede na cidade de Nova York.
3. A Comissão Trilateral
Acredita-se que tenha sido fundada em 1973 por Brzezinski, com Jimmy Carter, e imagina-se que essa sombria associação exista para criar um grupo comercial e bancário multinacional por meio do encurralamento do governo norte-americano e da formação de um governo global. Além dos fundadores, outros membros incluem Henry Kissinger, Bill Clinton, Bruce Babbitt, Alan Greenspan, Paul Volcker [8] e muitos outros. A Comissão Trilateral consiste de uma rede global de plutocratas. A vigilância das ações de todo o mundo é uma meta-chave e, com essa finalidade, eles desenvolveram (e continuam desenvolvendo) os mais avançados equipamentos de vigilância que já existiram.
4. Os Illuminati
Esse é o grupo dos donos mundiais do dinheiro que desejam o governo global e estão usando o caos para tornar as pessoas submissas e complacentes por meio da criminalidade, dos problemas monetários, das crianças rebeldes e da tomada da educação e da economia, bem como da religião. David Icke afirma que "os Illuminati, a facção que controla a direção do mundo, são híbridos genéticos, o resultado de cruzamentos fechados... e essa é a razão pela qual as famílias reais e aristocráticas européias realizam casamentos entre si de forma tão obsessiva, assim como as chamadas famílias do Establishment da Costa Leste dos Estados Unidos, que produzem os líderes do país. Cada eleição presidencial desde e incluindo George Washington, em 1789, foi vencida pelo candidato com mais genes europeus." ["Who's Controlling Who?" — Uma entrevista com David Icke, por Joseph Duggan.]
Os Illuminati, afirma o autor da Nova Era, David Icke, são obcecados por simbolismos e rituais. Suas diretrizes primárias (que serão cobertas em artigos futuros) são assustadoras.
5. A Caveira e Ossos

O objetivo dessa organização que existe na Universidade de Yale é ajudar a propagar a sociedade global na esperança de que um de seus membros se torne a cabeça desse sistema. O ex-presidente George Bush, seu pai, Preston, e o filho de Bush, o presidente George W. Bush, são todos membros notórios dessa organização, entre muitos outros renomados membros, como o ex-candidato a presidente John Kerry, que é remotamente aparentado com Bush, sendo ambos remotamente aparentados com a rainha da Inglaterra.
A sociedade pratica a discrição e as artes obscuras, e realiza atos ritualísticos. Um artigo da Conspiracy Nation afirma: "... novas evidências de que a Sociedade Caveira e Ossos e a CIA conspiraram juntas em 1963 para assassinar o presidente John F. Kennedy." [The Skull & Bones Society': BA Stunning Expose.]
6. A Maçonaria
Essa organização fraternal estava originalmente situada na Inglaterra mas depois foi também criada nos EUA. Albert Pike, Grande Comandante da Maçonaria e satanista, afirmou em seu livro Morals and Dogma que a "Maçonaria é uma busca por Luz. [Luz = é Lúcifer.] Essa busca nos leva diretamente de volta... à Cabala." [Pike, Albert, Morals and Dogma; pg 741]
Além de Pike, outros maçons notórios que também eram satanistas incluem Helena Blavatsky, Alice Bailey, Annie Besant, Manly P. Hall e muitos outros que estão bem vivos e que adoram a Satanás, consciente ou inconscientemente. A discrição é tão encorajada que os próprios membros nos graus mais baixos da Maçonaria não sabem o que realmente se passa nos graus elevados. Embora os maçons afirmem que a organização seja cristã, na verdade ela é o oposto disso.
7. A Federal Reserve
Essa é uma sociedade secreta cruel, pois suas ações e planos são conhecidos apenas por uma parte da Elite — os banqueiros centrais, nacionais e internacionais. Ela existe para acumular mais poder, fama e controle. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o Sistema da Federal Reserve é de propriedade privada, e não pertence ao governo, o que é uma violação à Décima Sexta Emenda da Constituição dos EUA. O sistema foi iniciado pelos Rockefellers, Rothschilds, Warburgs e diversos outros, com o propósito único de obter o poder monetário de todo o mundo. Desde sua criação, eles amealharam tanta riqueza que governam os Estados Unidos, bem como alguns outros países através de seus acordos internacionais. As célebres palavras de Rothschild de que ele poderia governar qualquer país se recebesse o controle da sua economia foram postas em ação por meio do Sistema da Federal Reserve, o dono dos EUA e de seu povo, da sua economia,
assim como de suas ideologias e seu pensamento de grupo. Os criadores da Federal Reserve são os fundadores do Conselho de Relações Exteriores (CFR), e ajudaram a iniciar outras sociedades ocultas para seu próprio ganho.
8. Bohemian Grove

O Bohemian Club (fundado em 1872) e o Bohemian Grove alistam os maiores líderes masculinos para atividades sexuais escandalosas e depravadas. "Todos os presidentes democratas desde Herbert Hoover pertenceram... Eis uma pequena amostra de alguns dos membros proeminentes: Stephen Bechtel Jr... Joseph Coors... Entre outros." [Secret Societies and Their Members, pg 4 de 4.]
De seus quase 3.000 membros, outros participantes incluem (ou incluíram) os Bush, Richard Nixon, George Schultz, Henry Kissinger, Colin Powell, Merv Griffin, Newt Gingrich, Ronald Reagan, Caspar Weinberger, Dick Cheney, Danny Glover, e outros. "… alguns dos homens mais poderosos da Terra cometendo atos sexuais desprezíveis... homens nus e seminus adorando um ídolo gigante de uma coruja em um ritual profundamente ocultista, e o que parecia ser o sacrifício humano real de um homem branco queimando aos berros..."
"E eles escolhem quem poderá concorrer aos altos postos de presidente e vice-presidente dos EUA." ["Expose of the Bohemian Grove", pg 1; 5/6/02]
9. A Nobreza Negra
Este é um grupo extremamente poderoso que alguns europeus dizem ser o núcleo de todas as sociedades porque eles afirmam possuir "A Verdade" (aquela da Árvore do Conhecimento, do Éden) e por estarem geneticamente ligados a Cristo por meio de sua linhagem sanguínea por meio de Davi, criando a Aliança Davídica, ao passo que aqueles que são descendentes de Abraão pertencem à Aliança Abraâmica, o que indica a diferença entre judeus, cristãos e muçulmanos. Essa organização tem sido capaz de permanecer no poder "por meio da manutenção das linhagens sangüíneas. Por exemplo... a rainha Elizabeth II... carrega a linhagem sangüínea da Nobreza Negra na Alemanha, via Nobreza Negra Veneziana, por meio dos fenícios, dos egípcios aos sumérios e, sem dúvida, da Atlântida. O Príncipe Charles pode rastrear 3.000 anos de origem de Eduardo III... o monarca que formou o grupo de elite da Irmandade Satânica, a Ordem da Jarreteira." ["Who's
Controlling Who?" — Uma entrevista com David Icke, por Joseph Duggan.]
David Icke afirma que "[a {ex-}criança desaparecida] Cathy O'Brien foi vítima desse tipo de operação; seu pai a vendeu ao MK-ULTRA e se tornou parte de todo aquele programa." [Ibidem].
Outras crianças, ele afirma, tornam-se o objeto de rituais ou projetos de controle mental ou escravas sexuais..." [Who's Controlling Who?, Joseph Duggan em uma entrevista com David Icke. Citação atribuída a Tend Gunderson., pg 4/6].
10. O Vaticano
David Bay, da Cutting Edge, diz: "O Vaticano está agora totalmente controlado por essas Sociedades Secretas conforme elas agem para completar a religião da Nova Ordem Mundial, que consideram uma parte indispensável da sua Nova Ordem Mundial... uma religião ocultista, que reavivará a Antiga Religião de Mistérios da Babilônia e do Egito, e que destruirá totalmente o cristianismo. E o Vaticano está agora liderando a iniciativa.", "O Vaticano e as Sociedades Secretas em Busca da Nova Ordem Mundial"].
O papa João Paulo II publicou uma bula autorizando a filiação dos católicos às sociedades secretas. Bay diz que o papa era um iluminista, e que ele é o papa mais viajado da história em resposta à doutrina Illuminati de criar uma religião global única. É digno de nota que os Illuminati de fato tomaram a maior parte da Itália entre meados e o final dos anos 800. O atual papa Ratzinger está seguindo os passos de João Paulo II e permitindo a continuação da infiltração pelas sociedades secretas.
11. Wicca
Também é uma organização sombria, uma vez que revela sua verdadeira natureza apenas para os membros que ascendem a um determinado nível. Ao longo dos anos, os wiccanos tentaram legitimar-se fundando escolas satânicas, criando páginas na Internet, presumivelmente promovendo rumores de bruxas brancas versus bruxas negras, e até mesmo negando descaradamente que a bruxaria seja demoníaca. Ao invés disso, afirmam que não acreditam em Deus algum, e que existem para permitir que os homens busquem a verdade por meio de suas práticas.
12. A Távola Redonda
Está associada com o Santo Graal da lenda do rei Artur. A "távola redonda" é a cerimônia ritualística da Ordem da Jarreteira para saudar um Círculo Illuminati mais moderno da Távola Redonda desta era. Icke diz: "A elite interna dessa Távola Redonda nos EUA e no Reino Unido... trabalha em conjunto para engendrar as circunstâncias que levam ao... conflito global. Usando a técnica de 'criar-o-problema-para-depois-oferecer-a-solução', eles pretendem destruir o status quo global com... a guerra e, assim, ter a oportunidade de redesenhar o mundo de acordo com sua agenda quando o conflito termina." [The Round Table-Bilderberg Network, David Icke, pg 3 de 9, 2002]
13. Majestic Twelve
William Cooper, que teve acesso a documentos militares altamente confidenciais, afirma que um grupo de pessoas tem planejado há tempos a destruição dos EUA para formar um governo socialista e totalitário referido como "Majestytwelve" (sem espaço; e "MAJIC" e "MJ12") que faz paralelo com os doze discípulos. Que essas pessoas ajudarão a iniciar uma ordem global com um ditador já torna esse líder a antítese de Cristo, e que todas as nossas liberdades serão suprimidas. Isso poderá ser alcançado por meio de falsos alienígenas e uma campanha paralela de óvnis.

14. Outras Sociedades Secretas

Outros grupos secretos existem e impactam nossas vidas tanto quanto os Illuminati, a Maçonaria, a Comissão Trilateral, os Bilderbergs, a Caveira e Ossos e o Conselho das Relações Exteriores. Exemplos de alguns desses grupos de elite menos conhecidos são: o Clube de Roma; o Comitê dos 300 (controla as finanças, as seguradoras, o tráfico de drogas, a política, a indústria, e a religião); os Filósofos de Fogo; o Grupo dos Oito (G-8); o programa Acadêmicos Rhodes; Loja Negra; Instituto Aspen; Cavaleiros de Malta; Federalistas Mundiais; o Círculo dos Iniciados; os Nove Homens Desconhecidos; Lucis Trust; Instituto Tavistock; Quator Coronati Britânico; Grupo Mumma; Príncipes Nasi; Grupo Milner-Távola Redonda; Fórum Econômico Mundial; Opus Dei; Ordem Hermética da Aurora Dourada; Sociedade Rosa-cruz; Ordem dos Cavaleiros da Jarreteira; o Priorado de Sião (que acreditam ser da linhagem sangüínea de Jesus); o príncipe Charles e a Nobreza
Negra Européia [20]; a Sociedade de Thule — baseada em uma quinta dimensão; Sociedade Teosófica; Sociedade Antroposófica; a Liga das Bruxas Para a Conscientização do Público; os Guardiões; Fraternidade Key; Irmandade da Serpente; e diversos outros não listados aqui devido às limitações de espaço.
Os artigos futuros tratarão dessas e outras sociedades em maiores detalhes, porém certamente você deveria estar se perguntando: "O que significa tudo isso? Como tudo está interligado?" De acordo com William Cooper:

"A Terceira Guerra Mundial está sendo travada AGORA. Está sendo travada com a "guerrilha de informação" usando diversos tipos de armamentos já discutidos e técnicas sofisticadas de controle mental, propaganda, desinformação, intimidação, manipulação... para que a antiga ordem seja... destruída completamente antes da "nova ordem", a Terceira Onda, a Terceira Via. [Behold A Pale Horse, pg 21;
É tarefa de cada um de nós, como indivíduos, estarmos cientes da existência desses grupos sombrios e protegermos nossas liberdades civis, mantermos nosso país livre e soberano, e forçarmos as autoridades eleitas para a chefia do governo a refletirem nossas visões e promulgarem uma legislatura que respeite a Constituição, em vez de as visões deles. Da mesma forma, qualquer lei existente criada pela Elite, ou aqueles mandatos prestes a vigorar devem ser eliminados."

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

14ª Conferência do Clima das Nações Unidas

13 - 13. Adaptação às mudanças do clima domina discussões na Polônia

Enquanto as negociações sobre linhas gerais pós-Protocolo de Kyoto esbarram nos interesses econômicos, resta à comunidade internacional se preparar para os efeitos do aquecimento


Andrei Netto escreve para “O Estado de SP”:

Nos três primeiros dias da 14ª Conferência do Clima das Nações Unidas em Poznan, Polônia, as atenções foram voltadas à adaptação às mudanças climáticas. Projeções do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados indicam que as alterações climáticas devem forçar 250 milhões de pessoas a migrar nas próximas quatro décadas.

“As mudanças climáticas vão se transformar na maior razão para imigrações”, explicou ontem José Herrera, um dos coordenadores da agência. “Não é um problema ambiental, mas humano. Já estamos sofrendo os efeitos.” Para evitar o caos demográfico, sustenta a ONG Estratégia Internacional para Redução de Desastres (ISDR), US$ 50
bilhões devem ser investidos por ano em medidas de adaptação.

O tema foi objeto de conferência à parte promovida pela Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Artur-Runge Metzger, diretor da Unidade de Estratégias Climáticas da Comissão Européia, reconheceu a urgência da questão. “Está na hora de concluirmos a criação do Fundo de Adaptação.”

Sintoma

O foco das discussões é sintomático: enquanto as negociações sobre linhas gerais pós-Protocolo de Kyoto esbarram nos interesses econômicos, resta à comunidade internacional se preparar para os efeitos do aquecimento.

Esse é um dos argumentos da delegação dos EUA, que se mostra atenta ao tema. “As metas de redução das emissões de dióxido de carbono, por exemplo, dependem de muitas negociações. Não são um tema consensual”, argumentou, na terça-feira, Harlan Watson, chefe da representação americana. Já as medidas de adaptação, diz o executivo, são menos rejeitadas.
(O Estado de SP, 4/12)


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14 - 14. Chances de avanço na conferência do clima, editorial do "Valor Econômico”

“Ainda que as divergências se espalhem por todos os lados, é possível chegar-se a metas mais ambiciosas que as traçadas pelo protocolo de Kyoto”


Leia o editorial:

Há algumas boas razões para que se possa ter algum otimismo quanto aos resultados da 14ª Conferência do Clima das Nações Unidas, que se desenrola em Poznan, na Polônia. Uma delas é que o segundo maior emissor de gases do efeito-estufa, os EUA - foram ultrapassados pela China na liderança - têm um novo presidente, Barack Obama que reconhece a necessidade de atacar as causas do aquecimento global e que já deixou claro que aceita participar de acordos globais com essa finalidade.

O presidente George W. Bush ignorou Kyoto e fez pouco caso ao admitir que as emissões de CO2 em seu país continuariam crescendo pelo menos até 2025. Um outro motivo é a atitude do governo Lula de estabelecer metas para a redução do desmatamento, que coloca o Brasil no quarto lugar dos países que mais contribuem para destruir o ambiente. É a primeira vez que um país emergente desse porte se compromete, ainda que para o público doméstico, a cumprir um plano com objetivos claros.

Ainda que as divergências se espalhem por todos os lados, é possível chegar-se a metas mais ambiciosas que as traçadas pelo protocolo de Kyoto - 5,2% de redução das emissões em relação a 1990 para 37 países desenvolvidos.

Em primeiro lugar, porque estas metas tornaram-se absolutamente insuficientes diante da magnitude do problema. Depois porque vários países que aderiram ao protocolo estão se comprometendo, isolada ou regionalmente, a objetivos maiores que os de Kyoto até 2020, como o Reino Unido e - pelo menos como intenção - a União Européia. Há um claro esforço na direção de redução efetiva e relevante dos gases que arruínam a camada de ozônio.

Persistem, em um ambiente de negociações melhorado, as questões vitais: quem deve cortar quanto, de que forma e em que prazo. Países desenvolvidos e em desenvolvimento discordam principalmente em relação ao primeiro ponto. Os países em desenvolvimento pretendem que os países ricos se comprometam pelo menos com a redução de 25% a 40% das emissões até 2020, números que constam do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas.

Os planos traçados ou aprovados por alguns países desenvolvidos mencionam 20% como meta, caso da União Européia, por exemplo. No caso americano, indicações dadas pelo presidente eleito Barack Obama apontam para a redução das emissões ao nível de 1990 em 2020. Até 2050, o corte seria de 80%. Desde 1990, as emissões americanas
cresceram 14%.

É um fato auspicioso que o governo americano tenha um plano nacional e persiga uma meta, mas ela certamente é insatisfatória. E mesmo os 20% considerados insuficientes não são garantidos, porque a recessão econômica que varre EUA e Europa levou vários países da UE a pedir uma revisão e defender objetivos mais modestos. O argumento é o reverso do esgrimido pelos países em desenvolvimento para não rejeitarem qualquer meta de redução. Enquanto estes alegavam que metas os impediriam de crescer, aqueles agora dizem que 20% de corte nas emissões traz custos insuportáveis já que não estão crescendo.

Poznan seria uma repetição de Bali se o Brasil não entrasse com uma solução intermediária: metas mensuráveis, reportáveis e verificáveis, resultantes de decisões soberanas. Ainda que modesto em sua abrangência, o plano brasileiro quer reduzir o desmatamento de 2006 a 2010 em 40% em relação à média de 1996-2005 e, nos quatriênios seguintes, obter um corte de 30% em relação à média do quatriênio anterior. Entre 2000 e 2005, ocorreu no Brasil 48% da perda de cobertura florestal no mundo, segundo especialistas das Nações Unidas.

A posição de China e Índia de não aceitarem a incumbência de cortar suas emissões foi enfraquecida pelos planos do Brasil. Apesar disso, é muito difícil que grandes emissores como a China aceitem compromissos, o que tende a desestimular propostas mais ambiciosas e servir de pretexto a alguns países desenvolvidos para que tentem impedir outros de se moverem com mais rapidez neste terreno.

Por outro lado, a gigantesca crise econômica tende a desfavorecer as chances de um financiamento externo constante e significativo para a manutenção das florestas, desvinculado do mercado de créditos de carbono - um alvo que o plano brasileiro levou muito em conta na sua elaboração.
(Valor Econômico, 4/12)

Fonte: JC E-mail (SBPC)

Stephanes propõe anistia a desmatador

Proposta de mudança no Código Florestal dá perdão a quem destruiu áreas de preservação permanente até julho de 2007; ministro da Agricultura e parlamentares ruralistas argumentam que lei atual inviabiliza agronegócio; ONGs criticam novo projeto


Afra Balazina escreve para a “Folha de SP”:

Uma proposta do Ministério da Agricultura e de parlamentares ruralistas para alterar o Código Florestal não só libera o plantio de dendê e outras espécies exóticas em áreas destinadas à recuperação de floresta nativa na Amazônia como anistia os produtores de todo o país que plantaram em áreas de preservação permanente (APPs) até 31 de julho do ano passado.

As APPs são os topos de morro, as encostas e as margens de rios. Como o nome indica, elas não podem ser ocupadas e, pela lei, precisam ser recuperadas.

A proposta foi discutida anteontem em Brasília, numa reunião de que participaram os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Reinhold Stephanes (Agricultura) e parlamentares da bancada ruralista. Se aceita após uma reunião na próxima semana, pode ser posta em votação na Câmara dos Deputados ainda neste ano.

Ambientalistas afirmam que a proposta é pior do que o projeto que está atualmente no Congresso para alterar o Código Florestal, uma lei de 1965 modificada por uma Medida Provisória que vem sendo reeditada todo ano desde 2001.

Para Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra Amazônia Brasileira, as idéias apresentadas são uma "tática" dos ruralistas. Segundo ele, a radicalização do discurso pode ter a intenção de fazer parecer que as propostas anteriores eram um "mal menor". O projeto que está na Câmara, apelidado de "floresta zero", é criticado por ambientalistas por, na prática, reduzir a reserva legal (percentual mínimo de floresta a ser preservado em imóveis rurais) na Amazônia de 80% para 50%.

Além de anistiar as APPs que foram usadas até julho de 2007, a proposta de Stephanes aumenta para 50% a porcentagem de plantio de dendê na recomposição da floresta em reserva legal. Na prática, isso reduz a reserva legal para fins de recuperação a 30%.

Na opinião de André Lima, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), é grave Stephanes apresentar uma proposta "que anula a base legal que dá sustentação para o combate ao desmatamento" justamente um dia depois de o governo apresentar o Plano Nacional de Mudanças Climáticas e admitir metas internas de redução da devastação.

A justificativa dos ruralistas é que, se o Código Florestal atual for respeitado, o agronegócio acabaria. Minc disse ontem que nem a sua pasta nem o Ministério de Desenvolvimento Agrário aceitam os termos do Ministério da Agricultura. "As propostas estão acirradas e pioradas. Em vez de tentarem negociar, eles extremaram."

Ruralistas rachados

Segundo Minc, nem todos os ruralistas apóiam a proposta de Stephanes. "Temos conversado com a Kátia Abreu [DEM-TO, presidente da Confederação Nacional da Agricultura] e ela tem uma posição muito mais próxima disso que a gente está discutindo com as ONGs."

Procurado, o Ministério da Agricultura disse que a questão ainda está em debate.

Fonte: JC E-mail (SBPC)

Motor multicombustível é mostrado em feira de energia em Brasília

2.12.2008

A Embrapa participa da Exposição Tecnológica Mundial - Expo-WEC, em Brasília, DF, de 2 a 6 de dezembro de 2008. Realizada pela Associação Brasileira de Instituições de Pesquisa Tecnológica (Abipti) em parceria com o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) e a Hannover Fairs Sulamerica, tem como temas energia para o futuro, bioenergia, energia renovável e fontes alternativas, principalmente as não poluentes.

Por isso, a Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), destaca o motor multicombustível, um equipamento capaz de transformar qualquer fonte de calor em trabalho útil, usando todo tipo de combustível renovável, sólido, líquido ou gasoso, que gere calor.
Foto: Eliana Lima

De acordo com o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Aldemir Chaim, idealizador do invento, o motor apresenta várias utilidades para os agricultores, desde carregar pequenas baterias ou qualquer atividade que não necessite de motores muito potentes. “Pode, por exemplo, ser aplicado nas bombas d’água em projetos de irrigação; retirada de água de poços para consumo humano; como gerador para iluminação de emergência em residências; em atividades de lazer, como camping e pescaria; carregador de celulares, e até na dessalinização da água”, informa. “É extremamente simples, fácil de construir e com custo bastante reduzido”, salienta ele. Além de combustíveis líquidos como o álcool, pode funcionar também com carvão, cavacos de madeira, gravetos, palha e até restos de culturas de propriedades agrícolas e também energia solar. “Contribui desta forma para a redução de emissão de poluentes para a atmosfera”, diz Chaim.

Mais de 5 mil pessoas entre profissionais e estudantes de todo o mundo participarão de debates, fóruns, palestras e visitas técnicas.

A exposição acontece no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

Cristina Tordin e Eliana Lima
Jornalistas
Embrapa Meio Ambiente

Fonte: EMBRAPA Meio Ambiente

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Projeto de microdestilaria de álcool é alternativa para pequeno produtor rural

Parceria com municípios pode viabilizar sistemas integrados de produção de energia e de alimentos


VANESSA SENSATO
Especial para o JU

O Laboratório de Engenharia Ecológica e Informática Aplicada (LEIA), da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, é responsável por um dos 110 projetos escolhidos para o Caderno de Propostas para Municípios, organizado pelo Inova nos Municípios, programa da Agência de Inovação Inova Unicamp que busca fomentar parcerias entre a Universidade, prefeituras e órgãos públicos. O projeto em questão oferece a municípios a possibilidade de assessoria da Unicamp para o estabelecimento no meio rural de sistemas integrados de produção de alimentos, energia e serviços ambientais (Sipaes). A idéia é que, em conjunto com os pesquisadores da Universidade, o município dê apoio ao pequeno produtor, para que este diversifique suas atividades de maneira complementar, possibilitando alternativas de renda, por meio da instalação de microdestilarias de álcool e açúcar em sua propriedade, além da manutenção de áreas tradicionais para a plantação de alimentos, cana e atividade pecuária.

O professor Enrique Ortega, do LEIA, explica que a inspiração para o desenvolvimento veio de Minas Gerais, mais especificamente do geólogo e produtor rural Marcelo Guimarães Mello, que implantou em sua propriedade, a Fazenda Jardim, uma microdestilaria que permitiu a produção de álcool fora da monocultura, sem grande usina, numa atividade de autodesenvolvimento integrada à produção de leite e de carne, tradicionais do Estado. Segundo Ortega, o modelo de Mello é indicado para agricultores no Brasil e em outros países tropicais, em razão da facilidade de plantação da cana em todas as regiões e, também, da oportunidade de geração de emprego e de fixação do homem na lavoura a partir de um investimento reduzido em uma pequena área rural.

O professor descreve a complementaridade do processo. Ele coloca que a cana plantada mesmo em pequena escala, em áreas de três a seis hectares, alimenta um sistema de diversos produtos, pois pode gerar etanol, bagaço e vinhoto. O bagaço da cana é complementado para ser utilizado como alimento para o gado. “A cana tem pouca proteína. Torna-se, então, necessário fazer o balanço, por meio do enriquecimento com uréia ou leguminosas”, coloca o professor. Além disso, o gado pode beber o vinhoto, que é o resíduo da destilação do etanol e contém minerais. O gado alimentado produz esterco de qualidade que pode ser utilizado na plantação da propriedade ou ser vendido para outros produtores. “A colheita da cana é feita em seis meses e, enquanto isso, está sendo produzido alimento para o gado”, complementa.

Quanto ao etanol produzido nas microdestilarias de álcool, o professor destaca que as normas do setor impedem a venda do produto direto para o público. Entretanto, há a possibilidade de estabelecimento de parcerias com cooperativas e órgãos públicos e privados, como a prefeitura local, para uso do etanol entre os associados. Segundo Ortega, o Estado de São Paulo não possui muitas iniciativas que proponham tal estrutura no meio rural, por isso a assessoria da Universidade pode ser um diferencial para prefeituras interessadas em promover melhorias na qualidade de vida no campo. “A microdestilaria possibilita um sistema de produção de energia para outras atividades, entre as quais secagem e processamento de alimentos, fazer doces e compotas”, completa.

Entre os benefícios do novo sistema, o professor destaca que a tecnologia usada na microdestilaria proposta não é protegida por propriedade intelectual e, por isso, pode ser implantada apenas com o assessoramento de pessoas que já utilizaram o sistema. Além disso, o investimento necessário é de aproximadamente R$ 160 mil para produzir 200 litros por dia durantes seis meses. “A rentabilidade é boa, mas ainda estamos terminando os estudos econômicos”, coloca.

Ortega acompanhou a experiência de implantação da microdestilaria em Angatuba, cidade da região de Sorocaba e localizada a 200 quilômetros de Campinas. Na cidade, a implantação das microdestilarias rendeu a famílias da zona rural uma renda de R$ 4 mil a R$ 5 mil reais mensais a partir da plantação de cana e produção de etanol. O combustível abastece a frota de veículos oficiais da prefeitura através de uma parceria, e também permite o fornecimento de açúcar para as escolas municipais.

O professor cita como outro bom exemplo deste tipo de sistema o projeto implantado pela Cooperativa Mista de Produção, Industrialização e Comercialização de Biocombustíveis do Brasil Ltda (Cooperbio), que é uma cooperativa organizada e dirigida por camponeses e médios proprietários de terra da região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. O projeto da Cooperbio prevê a produção de biodiesel e álcool com matéria-prima gerada por pequenos e médios agricultores, que são, na grande maioria, das famílias dessa região.

Marcelo Leal, gerente da Cooperbio, conta que a cooperativa tem 400 produtores associados. Até o momento, nove microdestilarias foram implantadas para serem usadas por 15 a 25 famílias cada. Para montar a estrutura do empreendimento foi articulado um convênio de R$ 2,3 milhões com a Petrobras. Por meio da parceria, a empresa recebe parte da produção de etanol e valida o novo modelo tecnológico de produção do combustível, que insere a agricultura familiar na cadeia de produção do etanol. O restante do combustível produzido é consumido pelos próprios produtores ou por associados à cooperativa como sócios-consumidores em pontos de abastecimento. “Além do modelo ser mais sustentável, temos mais co-produtos aproveitados pelos produtores e há melhor distribuição de renda, o que ocasiona o crescimento da economia local”, afirma Leal.

Leal explica que o investimento para a estrutura das microdestilarias pode variar entre R$ 160 mil e R$ 200 mil. As mais completas podem também produzir açúcar e ampliar ainda mais o escopo de produção dos pequenos e médios produtores rurais. O gerente descreve o sistema como um modelo tecnológico baseado na agroecologia e no manejo racional dos recursos naturais. “Através deste modelo geramos mais postos de trabalho e renda, influenciamos o desenvolvimento regional e aproveitamos os recursos e fatores de produção local”, coloca.

Serviços ambientais
Enrique Ortega também destaca a função ecológica dos sistemas integrados, associados à produção de álcool e de outros plantios sem adição de fertilizantes nitrogenados, provenientes da indústria química. “Ainda faltam estudos, mas a idéia é de um sistema que não usa fertilizantes nitrogenados e por isso atua na captação de CO2, além de aumentar a infiltração de água”, afirma o professor. Ele explica que o uso de fertilizantes nitrogenados no solo ocasiona a emissão de grandes quantidades de CO2 na atmosfera. “Quando se coloca o fertilizante nitrogenado no solo, um terço vai para a planta, um terço fica nos aqüíferos, contaminando-os, e um terço se volatiliza, gerando óxido nitroso, que é 22 vezes mais nocivo em termos de efeito estufa que o CO2”, aponta Ortega.

Ortega diz que o projeto pode ir além, em termos de serviços ambientais. Ele aponta que comunidades rurais podem atuar na reciclagem de resíduos de cidades vizinhas, de maneira que haja um retorno adequado dos nutrientes da cidade para o campo. “Restos de alimentos provenientes de distribuidores de alimentos, ou mesmo de casas e restaurantes, podem ser recolhidos e devolvidos para o campo para a produção de ração para animais e de adubo”, coloca.

O professor diz que, com um planejamento correto, o produtor pode ter mata nativa, plantações de florestas para completar a demanda da propriedade por madeira, e mesmo para consumo regional. “É uma visão diferente de agricultura, não de monocultura, mas de como produzir as coisas em um sistema inteligente que gera mais emprego na área e que é mais ecológico, mais sustentável, com bastante independência dos recursos derivados do petróleo”, pontua.

Para as prefeituras e cooperativas interessadas em firmar parcerias, o professor indica que entrem em contato com a equipe do Inova nos Municípios. “O Caderno de Propostas está disponível no site do Inova nos Municípios”, orienta Ortega. Uma vez firmado o projeto, o laboratório pode fazer estudos para planejamento em razão das microbacias do município, além de dar recomendações de políticas de planejamento agrícola, que serão discutidas nos comitês de bacias hidrográficas, no plano diretor da cidade e com os vereadores. “Trata-se de uma proposta para o município interessado no fornecimento de alimentos, energia e serviços ambientais”, coloca o professor. Ortega acredita que questões novas, como as mudanças climáticas, vão dar força a esse tipo de nova forma de organização agrícola, silvestre e industrial.

Fonte: Jornal da UNICAMP

Clima incerto e tragédia previsível

4/12/2008

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – A relação entre as mudanças climáticas globais e os fenômenos que deixaram mais de uma centena de mortos e cerca de 80 mil desabrigados em Santa Catarina é ainda uma incógnita. Mas a relação entre a tragédia e o fracasso das políticas de acesso à moradia e de ocupação do espaço urbano é uma certeza, de acordo com Wagner da Costa Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).

Durante o seminário “Controle de Enchentes – 10 Anos do Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, que terminou nesta terça-feira (3/12), em São Paulo, Ribeiro também ressaltou a necessidade de aperfeiçoamento dos sistemas de previsão do clima e de inundações.

Segundo ele, as mudanças climáticas poderão aumentar os riscos de eventos extremos – como as chuvas que causaram as inundações em Santa Catarina –, criando a necessidade de adaptações. Mas, antes de pensar em problemas futuros, será preciso encontrar soluções para os antigos.

“Os problemas que precisamos enfrentar imediatamente são resultado do processo brasileiro de urbanização. As mortes em Santa Catarina estão relacionadas à nossa política de acesso à moradia e não à mudança climática”, disse o geógrafo.

Segundo ele, as conseqüências das mudanças no clima precisam ser levadas em conta, mas elas ainda estariam inseridas em um quadro de incerteza – isto é, um cenário no qual estaria confirmada a possibilidade de ocorrência de certos eventos sem que se possa definir sua probabilidade.

“Vetores importantes, como o aumento na temperatura e a variação de chuvas, ainda não são conhecidos com precisão. Por isso, não se pode aferir os impactos das mudanças climáticas nas cidades brasileiras. Mesmo assim, temos que trabalhar com o pior cenário possível para pensar em adaptações”, afirmou.

De acordo com Ribeiro, a maior freqüência de chuvas causada pelas mudanças climáticas, se for confirmada, vai agravar problemas já conhecidos.

“Cuidar das áreas de risco hoje, no caso do Brasil, é pagar uma dívida social – não se trata de prever mudanças climáticas. Trata-se de reparar um processo de urbanização muito intenso que ocorreu sem planejamento, dirigido sob uma lógica de mercado e exploração imobiliária agressiva”, destacou.

Para Luis Carlos Molion, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), as mudanças climáticas não tiveram relação com as chuvas torrenciais que devastaram Santa Catarina.

“Os impactos desastrosos das chuvas em Santa Catarina não são conseqüência do aquecimento global, mas do péssimo planejamento da ocupação do espaço. Muita gente foge da região ribeirinha para evitar inundações e se instala nas encostas. As mortes ocorreram nessa situação”, afirmou.

Molion, conhecido por fazer críticas severas às conclusões do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), afirma que as mudanças climáticas estão mais ligadas a fenômenos naturais que ao aumento de emissões de carbono pela atividade humana.

“Chuvas como essas já ocorreram no passado. A mais recente aconteceu em maio de 1983, mas também houve desastres naturais semelhantes no Vale do Itajaí nas décadas de 1950 e 1960. Os primeiros registros são do século 19”, afirmou.

A hipótese levantada por ele é que as variações na temperatura do oceano Pacífico controlam grande parte das oscilações climáticas. “O Pacífico teve fases de aquecimento entre 1925 e 1946 e entre 1977 e 1998. Esfriou entre 1947 e 1976 e está esfriando nos últimos dez anos. Esses ciclos coincidem com momentos de alta e baixa das médias de temperatura”, disse.

De acordo com ele, no entanto, os fenômenos não tinham conseqüências tão importantes em décadas passadas, no Brasil, porque a concentração populacional nas cidades era bem menor. Nas áreas urbanas impermeabilizadas, segundo ele, uma chuva de 100 milímetros provoca um fluxo d’água de 100 mil metros cúbicos a cada quilômetro quadrado.

“Hoje, 80% da população está nas cidades, que absorveram essa população sem planejamento urbano. Para consertar isso, serão necessários investimentos muito maiores do que os recursos necessários para o planejamento há 30 ou 40 anos”, disse.

Segundo Molion, é preciso que as cidades pequenas e médias comecem a se planejar a partir de agora. Para ele, seria preciso investigar melhor a dinâmica da várzea dos rios e estudar as séries históricas de registros hidrológicos e meteorológicos a fim de entender o tempo de retorno de chuvas fortes, acima de 100 ou 200 milímetros.

“Temos cerca de 250 municípios com mais de 100 mil habitantes. A grande maioria dos mais de 5 mil municípios do país está começando a crescer. Seria aconselhável pensar em medidas de planejamento para minimizar problemas do tipo no futuro”, afirmou.

Fatores externos

Para Oswaldo Massambani, professor titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, não há dúvida de que o clima global passa por uma fase de abrupto aquecimento e que os distúrbios são causados pela atividade antropogênica.

“Cresceu muito a capacidade científica para entender o clima global. De fato, os modelos climáticos têm deficiências, porque são modelos matemáticos que tentam representar fenômenos de um sistema complexo. Mas à medida que se associam vários modelos e cenários eles se tornam mais precisos”, afirmou.

“A relação de causa e efeito entre a temperatura e as emissões de dióxido de carbono não é algo claro, mas há sem dúvida uma relação de associação entre os dois fatores. Já a vulnerabilidade aos eventos extremos é de fato uma questão de natureza política”, disse.

Segundo Massambani, o clima global é controlado por um sistema extremamente sensível e complexo, que, além dos fatores relacionados à atmosfera e à superfície terrestre, é determinado também por fatores externos, como a radiação solar e a geometria variável do sistema Terra-Sol.

“O Sistema Solar se formou há 4,5 bilhões e chegou ao atual equilíbrio passando por um processo de crescente complexidade. Esse complexo sistema não-linear está relacionado ao sistema climático, que possui uma variabilidade intrínseca e é muito sensível a processos radiativos, com uma camada atmosférica muito fina, de apenas 20 quilômetros. Isso fez com que o clima oscilasse ao longo da história”, afirmou.

Fonte: Agência FAPESP

Programa Desmatamento Evitado completa um ano com proteção de quase 3% da Floresta Araucária do Paraná

Projetos como o “Seguro Verde” do Banco HSBC ajudam a preservar a Floresta Atlântica no Paraná

Florestas com araucária tinham 167 mil km2 (16,7 milhões ha) originalmente no Sul, desses 80 mil km2 (8 milhões ha) no Paraná, que equivalem a 1/3 da área do Estado, e em 2001 só restavam 6 mil km2 (0,6 milhões ha), 0,8%

Josiany Fiedler Vieira


O Programa Desmatamento Evitado, uma iniciativa da SPVS – Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – para preservar remanescentes intactos da Floresta Atlântica, especificamente áreas de matas com Araucária, já garantiu a adoção e preservação de 14 propriedades do Paraná, que correspondem ao equivalente de quase 2,67% da mata nativa do Estado, que em 2001 era de 0,6 milhões de hectares (segundo dados do Probio – Fupef-UFPR), hoje estima-se que esse número seja ainda menor. Essa área preservada é resultado de um ano do projeto que já está servindo de exemplo para países como México, Argentina e Panamá.

Os 1.763,63 hectares ou 17,636 milhões de metros quadrados de terras no Paraná e Santa Catarina estão sendo protegidas devido ao apoio do banco HSBC e de outras instituições que apóiam o programa. Só o HSBC adotou 10 áreas que correspondem a 1.105,70 hectares de florestas nativas e esse número vai aumentar até o final do ano, chegando a quase 1.500 ha. Em mais de um ano de projeto – de 2007 até outubro de 2008 – o banco investiu quase R$ 1,5 milhão.

Os valores investidos são de uma campanha da instituição financeira chamada de “Seguros Verdes”. A cada contratação ou renovação da apólice de seguro o cliente ganha um bônus para preservar uma área nativa de 88 m2, no caso de seguro veícular, ou de 44 m2, no caso de seguro residencial. Segundo estimativas realizadas pela SPVS, cada carro (de médio porte e que rode cerca de 50km/dia utilizando gasolina) produz anualmente cerca de 4 toneladas de CO2. No caso das residências, o cálculo médio de emissões de poluentes (uso de gás, eletricidade, geração de lixo, etc.) é de cerca de 2 toneladas de CO2.

Para Fernando Moreira, diretor-executivo da HSBC Seguros, essa ação reflete não só a preocupação da área de seguros, mas como a do grupo globalmente com o meio ambiente. “O Seguro Verde é uma ação do HSBC em prol da sustentabilidade do planeta”, afirma Moreira.

O recurso repassado pelo HSBC Seguros passa a ser destinado aos proprietários que recebem uma quantia mensal para que as áreas sejam conservadas. “O projeto Desmatamento Evitado está servindo de modelo, pois a empresa não está fazendo uma doação e sim investindo num diferencial para seu produto. O projeto foi montado com precisão e sabemos o que acontece em cada área. Por isso o Brasil – 5º maior emissor de gases de efeito estufa – passa a combater o aquecimento global com ações como esta, focadas em evitar o desmatamento”, diz o diretor da SPVS, Clóvis Borges.

Para Borges esse também é outro diferencial do projeto. O Desmatamento Evitado permite que áreas deixem de ser desmatadas, mantendo o carbono estocado e contribuindo com a regulação climática, além de proteger a biodiversidade e a função ecológica dessas áreas. O projeto Desmatamento Evitado está sendo exportado para outros países e é uma iniciativa reconhecida por instituições que trabalham com o aquecimento global, com a Fundação Avina. Para o engenheiro florestal e diretor da Fundação, Miguel Milano, o Programa é a iniciativa com mais resultados visíveis para conservação dos remanescentes de Floresta com Araucária.

O espaço mantido pelo HSBC, no Paraná e Santa Catarina, corresponde à 133 mil toneladas de Carbono. Além dessas áreas, a SPVS preserva outros 1.314,86 hectares adotados pelo Grupo Positivo, Rigesa, Sun, Chemical e Fundação O Boticário. As áreas adotadas estão localizadas nas cidades da Lapa, Bocaiúva, Fernandes Pinheiro e Tibagi, no Paraná, e Itaiópolis, em Santa Catarina.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Plano estabelece que Brasil deve reduzir desmatamento entre 30% e 40% até 2017

2/12/2008

Luana Lourenço e Yara Aquino

Brasília, DF - O Plano Nacional de Mudança do Clima traz, pela primeira vez, metas para redução de emissões de gás carbônico pelo Brasil, principalmente as provocadas pelo desmatamento.

De acordo com o plano, que será assinado daqui a pouco pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em solenidade no Palácio do Planalto, até 2017 o país deve diminuir o desmatamento entre 30% e 40%. Essas metas poderão evitar a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono.

No Brasil, o desmatamento é responsável por 75% das emissões de gases causadores do efeito estufa. O cálculo para a queda da devastação leva em conta metas avaliadas a cada quatro anos.

Em entrevista antes da assinatura do plano, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ressaltou que a definição de metas – que enfrentava resistência no governo brasileiro – só foi possível “porque mudou a relação política dentro do governo para isso”. Segundo ele, também "mudou a percepção da sociedade e da academia sobre o tema”.

O plano deve ser uma das cartas na manga do Brasil durante a negociação de um novo acordo global sobre o clima, que começou ontem (1º) em Póznan, na Polônia.

Fonte: Portal do Meio Ambiente