sexta-feira, 28 de novembro de 2008

ESCORREGAMENTOS E ENCHENTES SEGUEM MATANDO. E DAÍ?

Recebi este texto por e-mail e transcrevo aqui na íntegra:

"Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br)

ESCORREGAMENTOS E ENCHENTES SEGUEM MATANDO. E DAÍ?

A tragédia geológica que, a propósito de chuvas intensíssimas, abateu-se sobre a população de várias cidades de Santa Catarina atinge a sociedade brasileira pela dor das mortes e tanto sofrimento humano, mas também como pungente peça acusatória pela histórica e acomodada omissão dos agentes sociais públicos e privados que a poderiam ter evitado.

Impossível não nos ficar a impressão que autoridades e mídia, e talvez uma boa parte da sociedade, já assimilaram como fatos naturais do destino brasileiro as horríveis mortes por soterramento e enchentes que anualmente fazem dezenas de vítimas nessas épocas de chuvas mais intensas. Diluem-se assim comodamente nesse cenário de pretenso destino compulsório as responsabilidades públicas e privadas na verdade responsáveis por tantas vidas violentamente ceifadas.

A tipologia desses acidentes é sobejamente conhecida e invariavelmente associada à ocupação habitacional de encostas de alta declividade e margens e várzeas de cursos d'água, situações presentes em muitas de nossas cidades: Rio, Petrópolis, Nova Friburgo, Belo Horizonte, Ouro Preto, São Paulo, Salvador, Recife, Campos do Jordão, Santos, Caraguatatuba, Guarujá, municípios do médio e baixo Vale do Itajaí, em Santa Catarina, os municípios do litoral sudeste brasileiro que tangem os flancos da Serra do Mar e, de uma forma geral, todos os municípios situados em regiões serranas

A questão essencial é que estão sendo ocupadas pela urbanização, à vista e com o beneplácito oficial, áreas que por suas condições geológicas jamais poderiam ser utilizadas para tal fim. Pior, estão sendo ocupadas utilizando-se de expedientes técnicos (desmatamento, cortes, aterros, disposição viária...) totalmente contra-indicados para tais situações.

Na maior parte das vezes essas tragédias atingem a população de baixa renda, mas, como no próprio caso do Vale do Itajaí, são também atingidas edificações associadas a uma classe média alta, certamente em situações de evidente legalidade fundiária e urbanística, o que evidencia de forma ainda mais aguda a total falta de controle da administração pública sobre a gestão de seu território.

Para uma mais acurada compreensão do problema e para o correto equacionamento de sua solução, é indispensável considerar separadamente dois aspectos fundamentais, mas bem diversos, dessa questão; o fator técnico e o fator político-social-econômico.

Do ponto de vista estritamente técnico, e tendo em conta que as expansões urbanas tendem, nos municípios referidos, progressivamente a atingir relevos topograficamente mais acidentados e, portanto, mais instáveis geotecnicamente, vale registrar categoricamente que não há uma questão técnica sequer envolvida no problema que não já tenha sido estudada e perfeitamente equacionada, com suas soluções resolvidas e disponibilizadas pela Geologia e pela Engenharia Geotécnica brasileiras.

Cartas Geotécnicas, Cartas de Risco (indicando as áreas que não podem ser ocupadas em hipótese alguma e as áreas passíveis de ocupação uma vez obedecido um elenco de restrições e providências), tipologia de obras adequadas a contenção de taludes e encostas, tipologia de projetos de ocupação urbana adequados a áreas topograficamente mais acidentadas, mapeamento de situações críticas, metodologia e tecnologia de Planos de Defesa Civil são parte desse abundante ferramental necessário para o enfrentamento do problema em sua componente técnica preventiva (que se dá especialmente no âmbito de uma eficiente gestão do uso do solo sob a ótica geológica e programas emergenciais de defesa civil) e corretiva, que se dá especialmente no âmbito de programas de consolidação geotécnica (incluindo a indispensável remoção de edificações instaladas em áreas de alto risco com realocação das famílias envolvidas em áreas geologicamente adequadas).

O segundo aspecto a ser considerado, e de fundamental importância, refere-se às componentes sociais, políticas e econômicas do problema. A enorme explosão demográfica urbana que a partir da década de 50 atingiu as cidades brasileiras deu-se em uma velocidade tal que as despreparadas, e muitas vezes descompromissadas, administrações públicas dos três níveis não foram capazes de acompanhá-las em sua função intrínseca de planejamento urbano e provimento de infra-estrutura de serviços públicos.

Nesse cenário, são justamente as áreas caracterizadas por fatores de periculosidade e insalubridade (especialmente encostas íngremes e fundos de vale) que acabam oferecendo-se à população mais pobre como solução habitacional orçamentariamente compatível com seus parcos recursos.

Ficam assim técnica e socialmente criadas as condições para a ocorrência dessas terríveis tragédias. Conjunção que coloca claramente às autoridades responsáveis a indispensável aplicação combinada de duas ações públicas: a gestão geológica do uso do solo e programas habitacionais especialmente voltados à população de menor renda.

Constitui providência nesse sentido auspiciosa o Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar, atualmente em desenvolvimento pelo Governo do Estado de São Paulo junto aos chamados Bairros Cota, enormes aglomerações urbanas que temerariamente se desenvolveram às margens da Via Anchieta em seu trecho da Serra do Mar.

O sucesso da implementação desse programa, com sua projetada extensão para todos os municípios paulistas contíguos à Serra do Mar, certamente poderá, a exemplo das ações de consolidação geotécnica nos morros de Recife e outros casos pontuais de sucesso, vir a se constituir em um virtuoso paradigma para a gestão de situações similares.

Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br)

· Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT e Ex-Diretor da Divisão de Geologia

· Autor dos livros "Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática", "A Grande Barreira da Serra do Mar", "Cubatão" e "Diálogos Geológicos"

· Consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente"

Santa Catarina: tragédia esperada

Aldem Bourscheit
28/11/2008, 18:20

Em março de 2004, Santa Catarina levou um susto com a aproximação do ciclone Catarina. Nos últimos dias, o estado sentiu na pele, novamente, uma amostra de como imprevidência humana amplia o poder de destruição de uma catástrofe natural. O aguaceiro que desabou por lá arrasou encostas, transbordou rios e deixou um saldo, segundo a Defesa Civil, de quase 80 mil desabrigados, uma centena de mortes, 19 desaparecimentos e afetou a vida de 1,5 milhão de brasileiros.

Dados de hoje do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Ciram) daquele estado mostram que a estação meteorológica de Blumenau registrou o recorde histórico de 283 mm em 24 horas, entre os dias 22 e 23. Já em Joinville, choveu mais do que em Blumenau no acumulado até o dia 24 de novembro - 911 mm contra 878 mm. A enxurrada também foi forte em Guaramirim, Ilhota, Gaspar e Luis Alves. Lá, no entanto, não se sabe da quantidade de água despejada pelas nuvens. “É uma pena que não temos os registros das chuvas nestes municípios, que podem ter sido surpreendentes”, lamentou Germano Woehl, coordenador de projetos da não-governamental Rã-Bugio. O aumento da precipitação se encaixa perfeitamente como uma conseqüência das mudanças climáticas.

Um dos municípios mais atingidos pelas enxurradas, Blumenau acaba servindo de exemplo sobre como a ocupação humana desordenada e o desrespeito à legislação ambiental podem catapultar os impactos de uma chuvarada. Mesmo que no município a vegetação ainda resista bravamente, ao contrário do restante da Mata Atlântica catarinense, reduzida a 17% da cobertura original.

A professora e pesquisadora de Ecologia de Florestas da Universidade Regional de Blumenau, Lúcia Sevegnani, jogou um pouco de luz no “fenômeno natural”. Ela lembrou que a população local saltou de 120 mil para cerca de 300 mil habitantes nas últimas duas décadas. Todos atraídos pela “cidade rica”, com qualidade de vida e cheia de oportunidades.

O inchaço demográfico repentino e as enchentes do início dos anos 1980 jogaram favelas, residências e condomínios para encostas de morros e beiras de rios, áreas onde a lei procura evitar ocupações, pois sempre oferecem risco a seus moradores. Tudo sob a vista-grossa dos dirigentes. Pois, foram justamente esses locais os mais afetados pela enxurrada deste ano. “Os governos estimularam a ocupação de encostas e margens de rios no meio urbano e rural. Criaram uma bomba relógio”, disse Sevegnani.

A professora e pesquisadora lembra que áreas com boa quantidade de matas e nenhuma ocupação humana também registraram deslizamentos ou foram engolidas pelo aguaceiro. No entanto, ela avalia que a falta de planejamento na ocupação da terra tem papel forte na ampliação dos efeitos das chuvas. “Em locais onde havia floresta também desabou. É verdade. Mas devemos nos colocar como co-responsáveis nesse processo”, ressaltou.

Casos comuns


Taxando o ocorrido simplesmente de “fenômeno natural”, isenta-se a gestão pública de responsabilidade e transforma-se a natureza de mãe em madrasta. Conforme Woehl, da Rã-Bugio, as populações de Jaraguá do Sul e Guaramirim crescem a um ritmo de 6% ao ano. Novo caso de explosão demográfica baseada em imigração. “Nos últimos anos, o tempo todo estamos combatendo as ocupações das encostas. Mostramos em nossas palestras, em escolas e outros locais, várias imagens de desmoronamentos, com vítimas, nesses municípios”, comentou o ambientalista.

Consultado pela reportagem, o geólogo Luiz Fernando Scheibe puxou da memória outras enchentes semelhantes na história de Santa Catarina. Lembrou das 199 mortes registradas em 1974, com a enxurrada e deslizamentos na Bacia do Rio Tubarão. Recordou do Natal de 1995, quando fenômenos semelhantes deixaram 28 mortos em Jacinto Machado e outros municípios do sul do estado. O mesmo ocorreu nos anos 1983/84 em Blumenau, mas próximo às quase desocupadas nascentes do Rio Itajaí.

Ele também avisou que a ocupação de encostas sempre potencializa os efeitos de chuvas excepcionais, facilitando deslizamentos. Isso acontece porque cada casa ou condomínio é erguido nessas áreas com terraplanagem e aterros, removendo a terra que segura o solo logo acima. “Assim se cria um ambiente favorável aos deslizamentos. O problema é comum a várias regiões do estado”, apontou o professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina.

Quanta solidariedade


Sempre aguçada pela próxima tragédia, a tão falada solidariedade do povo brasileiro enviou toneladas de mantimentos e, até agora, mais de R$ 3 milhões em doações. Bancos estão abrindo contas para ajudar as vítimas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) enviará 708 toneladas de alimentos aos desabrigados, Lula sobrevoou a região e o governo anunciou pacote bilionário de auxílio. O dinheiro tem destino certo – estradas, pontes e outros itens de infra-estrutura pública. Também será facilitado o saque do FGTS e a obtenção de créditos para reconstrução de moradias.

No entanto, quem conhece a realidade regional teme que tamanho movimento não evite futuras tragédias. A tendência é de que as pessoas voltem às encostas. Muitos não têm outra opção, já que os terrenos nas áreas planas e mais seguras são os mais caros. “Em muitos locais nem existe mais terreno, só uma encosta ainda mais íngreme. Mas a tendência é de reconstrução de tudo, nos mesmos lugares”, lamentou o professor Scheibe. “Seria interessante que parte desses bilhões anunciados fosse usada para realocar pessoas em locais mais seguros, como na área norte de Blumenau”, recomendou o geólogo.

Lúcia Sevegnani, da Universidade Regional de Blumenau, concorda. Para ela, o drama do Vale do Rio Itajaí deveria ser uma oportunidade para planejar a cidade e a região em outros moldes, adequados a sua realidade geográfica e climática. “Reconstruir a cidade precisa ser pensado, se não, daqui a alguns anos, poderemos ter novas situações. Precisamos de políticas para direcionar os investimentos e não repetir os mesmos erros”, ressaltou.

Erosão ambiental


Em seu imperdível Green Ink (Tinta verde), o veterano jornalista Michael Frome comenta que “muitos dos danos ao meio ambiente ocorrem lentamente aos olhos humanos, mais como uma erosão do que como um deslizamento de terra, e a maioria das pessoas está ocupada demais ou se movimentando demais para perceber”.

Esse é o caso das enxurradas e deslizamentos catarinenses: têm raízes naturais amplificadas pela mão humana, ao longo de muitos anos.

No entanto, frente à dura realidade da tragédia, o governo de Santa Catarina vem trabalhando para alterar sua legislação ambiental e reduzir a proteção das chamadas áreas de preservação permanente, como encostas de morros. Além disso, quer cortar parte do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, principal área protegida do estado com Mata Atlântica.

As propostas, obviamente, não agradaram a quem vê o futuro além da próxima eleição. “O caminho não é esse. A tragédia mostra que devemos desocupar e recuperar encostas e beiras de rios”, comentou Savagnani.

Ela, outros professores e equipe do Projeto Piava (Fundação Agência de Águas da Bacia do Itajaí), divulgaram hoje um manifesto pedindo a manutenção do código ambiental catarinense.

A previsão é de chuva para os próximos dias em Santa Catarina.

Fonte: O Eco

Governo de SC quer diminuir área de PARQUE!!!

Na última semana, Santa Catarina ganhou as manchetes nacionais por conta do desastre ambiental que assola o Estado. As chuvas que cairam nos últimos meses se intensificaram em meados de novembro, resultando em deslizamentos de terra, elevação rápida do nível dos rios e inundações de proporções catastróficas. Como muitos dizem por aqui, um desastre anunciado diante do descaso com que a questão ambiental é tratada pelas autoridades de Santa Catarina. A geografia do Estado e em particular da região costeira, coloca uma série de limites de ocupação do solo que, via de regra, não são respeitados.

Atualmente, a especulação imobiliária é o grande vilão ambiental na área costeira. Em nome do "de$envolvimento", órgãos ambientais têm feito vista grossa ao crescimento desordenado e a ocupação de morros, áreas de restinga, dunas e manguezais. Quem não se lembra da operação Moeda Verde deflagrada em 2007 pela Polícia Federal e Ministério Público, denunciando a venda de licenças ambientais para grandes empresários do setor imobiliário?A justiça esqueceu, mas a memória da população não, ainda que digam o contrário.

Como se não bastasse a catástrofe ambiental recente que a população de SC vem sentindo na pele, no último dia 11/Novembro o Governo do Estado apresentou à Assembléia Legislativa o Projeto de Lei 347/08 para DESANEXAR áreas do PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO TABULEIRO, principal Unidade de Conservação do Estado na área de Mata Atlântica. O Projeto está em tramitação em caráter de URGÊNCIA e o texto na íntegra encontra-se aqui

Basicamente, o PL propõe desanexar áreas da região costeira criando "APAS" sob gestão das Prefeituras, altamente manipuláveis pelo setor imobiliário. Isto inclui Ilhas e a Baixada do Maciambu (ou Massiambu), uma região de restinga que protege cordões aresonos considerados um dos maiores registros geológicos da ação marinha do período quaternário (para quem não é de SC, está área fica entre Florianópolis e Garopaba). Com esta medida, o Governo Estadual atende reivindicação antiga de tubarões do setor imobiliário sem se preocupar com o comprometimento de um patrimônio natural ímpar e com a integridade territorial de um Parque que abastece com água toda a região da Grande Florianópolis. E o pior, os estudos que subsidiaram a redefinição dos limites para a elaboração deste PL foram feitos com recursos do PPMA- Programa de Proteção da Mata Atlântica!!!!

O PL foi encaminhado à Comissão de Constituição de Justiça no último dia 25/11 e ainda deverá tramitar pelas Comissões de Finanças e Tributação, Turismo e Meio Ambiente, Agricultura e Política Rural. Somente uma manifestação imediata e massiva por parte da sociedade civil para reverter este quadro. Os contatos dos deputados seguem abaixo. Por favor, divulguem.


Saudações,

Angela Cordeiro

Veja a lista de contatos dos deputados estaduais de SC no Portal do Meio Ambiente

Fonte: Portal do Meio Ambiente

IBGE: população brasileira vai parar de crescer em 2039

Rio - A população brasileira continua envelhecendo em ritmo acelerado e vai parar de crescer em 30 anos, enquanto a expectativa de vida prosseguirá em expansão, segundo mostra estudo divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que, enquanto no período 1950-1960 a taxa de crescimento da população era de 3,04% ao ano, em 2008 não ultrapassou 1,05% ao ano. Segundo o estudo, o País apresentará um potencial de crescimento populacional até 2039, quando a expectativa é de que a população atinja o chamado "crescimento zero". A partir daí, de acordo com o IBGE, serão registradas taxas de crescimento negativas, ou seja, queda no número da população.

Em 2050, a taxa de crescimento da população no País será negativa (-0,291%) e a população será de 215,3 milhões de habitantes. Segundo observam os técnicos do IBGE no documento de divulgação, "vale ressaltar que se o ritmo de crescimento populacional se mantivesse no mesmo nível observado na década de 1950 (aproximadamente 3% ao ano), a população brasileira chegaria, em 2008, a 295 milhões de habitantes e não nos 189,6 milhões divulgados hoje pelo IBGE". Em 2039, quando vai parar de crescer e iniciar uma trajetória decrescente a partir do ano seguinte, a população brasileira será de 219,12 milhões de habitantes. A expectativa de vida, por outro lado, continuará em crescimento.


Expectativa de vida


Segundo o estudo do IBGE, "os avanços da medicina e as melhorias nas condições gerais de vida da população repercutem no sentido de elevar a média de vida do brasileiro (expectativa de vida ao nascer) de 45,5 anos de idade, em 1940, para 72,7 anos, em 2008, ou seja, mais 27,2 anos de vida". De acordo com a projeção do IBGE, "o País continuará galgando anos na vida média de sua população", alcançando em 2050 o patamar de 81,29 anos, basicamente o mesmo nível atual da Islândia (81,80), Hong Kong, China (82,20) e Japão (82,60).


Em 2008, a média de vida para mulheres chega a 76,6 anos e para os homens 69,0 anos, uma diferença de 7,6 anos. Em escala mundial, segundo o instituto, a esperança de vida ao nascer foi estimada, para 2008 (período 2005-2010), em 67,2 anos e, para 2045-2050, a Organização das Nações Unidas (ONU) projeta uma vida média de 75,40 anos. O levantamento do IBGE mostra também que em 2008 o Brasil ocupa a quinta posição entre os países mais populosos, mas de acordo com as projeções da ONU, o país passará para a oitava posição em 2050.


O estudo "Uma abordagem demográfica para estimar o padrão histórico e os níveis de subnumeração de pessoas nos censos demográficos e contagens da população", traz a projeção da população do Brasil, por sexo e idade, para o período 1980-2050. Este estudo foi divulgado anteriormente em 2004 e, agora, a Revisão 2008 incorpora nova análise da trajetória recente e futura da fecundidade, com base nas informações provenientes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2002 a 2006. O IBGE divulga também a metodologia das estimativas anuais e mensais da população do Brasil e das Unidades da Federação: 1980 - 2030 e a metodologia das estimativas das populações municipais.

Fonte: Agência Estado

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Lucro de bancos supera todos os outros setores

25/11/2008 - O lucro dos 15 bancos de capital aberto que operam no País superou, pela primeira vez no governo Lula, o resultado de todos os outros setores no terceiro trimestre, segundo levantamento da consultoria Economática. De acordo com os dados, o setor financeiro somou lucro de R$ 6,926 bilhões no período, contra R$ 6,0 bilhões de todas as 201 empresas não-financeiras - sem considerar os resultados das estatais Petrobras e Eletrobrás e da mineradora Vale.

Entre as companhias não-financeiras, o setor mais lucrativo no trimestre passado foi o de Energia Elétrica. Conforme o estudo, 29 empresas de energia com ações na Bolsa registraram lucro combinado de R$ 2,94 bilhões de julho a setembro.

Na ponta oposta ficou o setor de Papel e Celulose, em que sete empresas tiveram juntas um prejuízo de R$ 2,66 bilhões - os resultados das empresas dessa indústria foram prejudicados por expressivas perdas com instrumentos financeiros derivativos, notadamente a Aracruz, maior produtora mundial de celulose branqueada de eucalipto.

Outros setores que apresentaram prejuízo no terceiro trimestre foram o Químico (com perda de R$ 924 milhões) e o de Alimentos e Bebidas (com R$ 12 milhões), segundo a Economática.

Já entre os destaques positivos ficaram, ao lado do setor elétrico, a indústria de Siderurgia e Metalurgia, com lucro de R$ 1,823 bilhão nos três meses até setembro, e o de Telecomunicações, com ganho de R$ 1,288 bilhão no período.

Fonte: Estadão Online. Adaptado por Celulose Online.

ONU aponta emissão recorde de gases-estufa

Entre 2006 e 2007, a concentração de CO2 na atmosfera cresceu 0,5% e a de N2O, 0,25%; para Nações Unidas, dados revelam fracasso de Kyoto


Jamil Chade escreve para o “Estado de SP”:

A Organização Mundial de Meteorologia (OMM), órgão das Nações Unidas, alertou ontem que as emissões de dióxido de carbono (CO2) e de óxido nitroso (N2O), gases causadores do efeito estufa, atingiram níveis jamais registrados pelos cientistas em 2007.

Praticamente às vésperas de mais uma rodada de negociações para a elaboração de um acordo sobre mudanças climáticas, a agência da ONU alerta que todo o esforço internacional para reduzir as emissões de CO2 e de N2O até agora não surtiram efeitos.

Segundo a OMM, a concentração dos dois gases atingiu em 2007 níveis jamais registrados pelos cientistas. O gás metano registrou também o maior incremento em uma década. “O CO2 e o N2O estão crescendo continuamente e não há sinais de que essa tendência esteja perdendo ritmo”, afirmou Geir Braathen, principal responsável da entidade pela questão de emissões.

Para ele, já há comprovações suficientes de que são os gases emitidos que estão colaborando para acelerar as mudanças climáticas em todo o mundo, gerando maiores secas em algumas regiões e inundações em outras.

Os alertas da ONU indicam ainda uma elevação dos níveis dos mares que ameaça pelo menos 200 milhões de pessoas que vivem em zonas costeiras.

Segundo os dados revelados ontem em Genebra, a concentração de CO2 na atmosfera aumentou em 0,5% entre 2006 e 2007, atingindo o recorde de 383,1 partes por milhão. Desde o século 18, a concentração de CO2 na atmosfera aumentou em 37%. O que assusta os cientistas é que, desde 1990, esse aumentou foi de 24%.

A concentração de N2O aumentou em 0,25%. Sobre o gás metano, a ONU alerta que seria cedo demais para concluir que o aumento recorde de 2007 seja uma tendência que será observada no futuro. O gás é gerado por atividades humanas como combustão de energia fóssil e na agricultura.

O tema será alvo das negociações que começam na próxima semana na Polônia. Esperava-se que o Protocolo de Kyoto impedisse o crescimento das emissões. Mas, como o Estado informou há um mês, os níveis de crescimento de emissões estavam batendo todos os recordes nos últimos anos, mesmo com as medidas de controle.

Nas negociações diplomáticas, a insistência dos governos será a de que países emergentes - como China, Índia e Brasil - aceitem cortes profundos em suas emissões nas próximas duas décadas. Os países emergentes alegam que não seria justo a imposição de amplas limitações, já que afetariam sua capacidade de crescer. Além disso, estariam pagando por uma poluição que foram os países ricos que geraram nas últimas décadas.

Mas para a chanceler alemã, Angela Merkel, sem a limitação das emissões dos países emergentes, os níveis de concentração de CO2 na atmosfera continuarão aumentando e nenhuma ação dos países ricos será suficiente para conter essa elevação.

Outra esperança é de que o governo americano, com o presidente eleito Barak Obama, apresente uma posição mais favorável a lutar contra as mudanças climáticas e as emissões de CO2. O governo de George W. Bush simplesmente não referendou o Protocolo de Kyoto.
(O estado de SP, 26/11)

Fonte: JC E-mail de 26/11/08

Aquecimento vai tirar PIB do Nordeste e elevar migração

Estudo elaborado pela UFMG e pela Fiocruz diz que setor agrícola terá maiores perdas


Daniela Chiaretti escreve para o “Valor Econômico”:

Já se sabe que a mudança climática afetará mais o Semi-Árido nordestino. O dado novo e perverso do impacto do aquecimento global no Brasil é que o fenômeno agravará a tendência de migração da região da população mais carente. Eles tenderão a vir para o Sudeste, de acordo com o movimento tradicional, e também devem rumar para a Amazônia.

O impacto econômico pode corresponder a dois anos de crescimento da economia da região, tirando 11,4% do Produto Interno Bruto (PIB) que poderia ser acumulado até 2050.

A pecuária e as terras adequadas para a agricultura sofrerão grande impacto em tempos mais áridos. É o setor agrícola quem terá maiores perdas. Ceará (-79,6%), Piauí (-70,1%), Paraíba (-66,6%) e Pernambuco (- 64,9%) são os Estados que terão maior redução na área de terras agriculturáveis. Pernambuco é onde a quebra do PIB pode ser mais expressiva (-18,6%) na metade do século. Sergipe está na outra ponta: será a unidade com menor perda de PIB e de terras para agricultura no Nordeste.

Estes horizontes nada animadores fazem parte do estudo "Migrações e Saúde: Cenários para o Nordeste Brasileiro, 2000-2050" que foi feito por especialistas em migração, pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Labes - Centro de Pesquisas René Rachou e Fundação Oswaldo Cruz.

Estas previsões levam em conta o pior cenário desenhado pelo braço científico da Organização das Nações Unidas, o IPCC, o Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas. Nesta situação, a temperatura média para o Nordeste deve subir 4°C até 2070. "O eixo do trabalho era, assumindo que estas mudanças virão, mapear o que pode acontecer para auxiliar nas propostas de alternativas de adaptação", diz o coordenador do estudo, professor Alisson Barbieri.

O trabalho, feito com recursos britânicos do Ministério de Relações Exteriores do Reino Unido, será divulgado hoje, em Fortaleza, em evento sobre desertificação do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Banco do Nordeste. O evento, no final, deve produzir uma "Carta de Fortaleza" com recomendações de políticas públicas para enfrentar a mudança climática. Estarão lá espera-se, o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, governadores do Nordeste e presidentes de órgãos regionais.

Um dos pontos nevrálgicos do estudo foi identificar como pode ser o movimento migratório das populações nordestinas que devem fugir à realidade ainda mais difícil que o clima pode promover.

Está escrito na introdução do trabalho: "As mudanças climáticas afetam a economia e motivam a migração humana, particularmente quando falham os mecanismos de adaptação." "Comparamos com o que aconteceria normalmente, sem mudança do clima. O fenômeno afeta as populações mais vulneráveis", continua Barbieri, professor do departamento de demografia da Cedeplar/UFMG. "Mais do que acreditar nos números em si, quando se fala de migração, o importante é observar as tendências", continua.

As tendências não são boas. A migração deve ser maior nas regiões metropolitanas do Recife, de João Pessoa e de Teresina. Salvador e São Luís também serão afetadas, sendo que a capital do Maranhão deve perder gente para a Amazônia, continuando o deslocamento que colonizou, por exemplo, o Sul do Pará.

A migração pode acontecer também para o Sul e Sudeste do País por motivos históricos e porque estas regiões podem continuar atraentes em termos de renda e emprego. Perderão população também municípios importantes para a economia nordestina, como Campina Grande (PB) e Caruaru (PE), além de Petrolina (PE), Mossoró (RN) e Arapiraca (AL).

Com o Brasil cada vez mais urbano, os deslocamentos populacionais agravarão situações já complicadas nas cidades, como assentamentos sem infra-estrutura ou habitações precárias em áreas de risco de deslizamento, pontua Barbieri. "Esperamos alimentar o debate da adaptação à mudança climática", continua.

A adaptação é uma vertente incipiente no Brasil. Não há nenhum estudo que leve em conta a chuva e as mudanças climáticas no projeto de transposição do rio São Francisco, por exemplo.

O estudo trabalhou uma metodologia inovadora, cruzando modelos demográficos, econômicos e de saúde com cenários de mudança climática desenhados pelo Inpe e de impactos na agricultura feitos por técnicos da Embrapa.

O saneamento básico precário indica outro problema que será agravado pelas mudanças climáticas. Escassez de água complica mais o quadro. "As políticas têm que adaptar a população e a região a um futuro de mais escassez. Na saúde, o que tem que ser feito é melhorar o controle de doenças" diz outro coordenador do estudo, o professor da UFMG Ulisses Confalonieri.
(Valor Econômico, 26/11)

Fonte: JC E-mail de 26/11/08

Mercado de ações...

Reproduzo aqui uma historinha interessante e anônima ilustrando o funcionamento do mercado de ações que recebi por e-mail. Para pensar...

"Era uma vez um pequeno vilarejo do Interior. Certo dia, apareceu ali um homem bem vestido, simpático, anunciando aos aldeões que compraria micos a R$ 10,00 cada um.

Iniciou-se, então, a caça aos micos da região. Em uma semana, o visitante já havia comprado mais de cem micos.

Como agora havia ficado mais difícil achar esses irriquietos macaquinhos na floresta, o homem anunciou que passaria a pagar R$ 20,00 por cabeça.

Conseguiu mais alguns pequenos símios, até que ficou praticamente impossível encontrar mais micos nas redondezas.

O investidor, então, anunciou que iria à capital e voltaria na semana seguinte. E que, ao retornar, pagaria R$ 50,00 por cada novo mico encontrado. Seu assistente ficou tomando conta dos animais já comprados.

No entanto, na ausência do patrão, o assistente fez a seguinte oferta aos aldeões: ele lhes venderia todos aqueles micos por R$ 30,00 cada um e, daí, quando seu patrão voltasse, os aldeões os revenderiam a ele por R$ 50,00.

Obviamente, todos aceitaram a sedutora oferta. E nunca mais viram o investidor nem seu assistente. Só micos, por todos os lados."

Petrobras é excluída do Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa

Publicado em: 25/11/2008 - 14:40

A Petrobras acaba de ser excluída do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), índice que reúne empresas que se destacam por seu compromisso com a responsabilidade social e a sustentabilidade. O motivo da exclusão é o não cumprimento por parte da empresa da resolução 315/2002 do Conama, que determina a redução do teor do enxofre no diesel comercializado no Brasil a partir de janeiro de 2009.

A decisão foi tomada pelo Conselho do ISE, composto por Bovespa, International Finance Corporation (IFC), Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (ABRAPP), Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais (APIMEC), Associação Nacional de Bancos de Investimentos (ANBID), Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Instituto Brasil PNUMA).

Em seis de novembro foi encaminhada ao Conselho do ISE uma carta assinada por onze entidades: Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Minas Gerais, Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, Secretaria do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, Movimento Nossa São Paulo, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, SOS Mata Atlântica, Greenpeace-Brasil, Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e Instituto Brasileiro de Advocacia Pública. O documento relata a postura da Petrobrás em relação à resolução do Conama.

Infelizmente, tal postura resultou no não cumprimento da resolução e na postergação por vários anos do uso do diesel mais limpo em nosso país. A grande quantidade de partículas de enxofre no diesel brasileiro é responsável por graves doenças respiratórias na população (especialmente crianças e idosos) e pela morte prematura de aproximadamente 10 mil pessoas por ano.

"Esta notícia não nos alegra. Muito pelo contrário. Lamentamos que a postura arrogante e prepotente da atual direção da Petrobras, menosprezando o diálogo com a sociedade e insensível a um problema tão grave de saúde pública, manche de forma tão profunda a história de uma empresa brasileira que já deu tanto orgulho a todos nós por sua excelência tecnológica (mas que atualmente distribui combustíveis que se situam qualitativamente entre os piores do mundo) e seu compromisso com o desenvolvimento econômico e social do país", afirma Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Amazônia deixará de existir se desmate chegar a 50%

25/11/2008

A floresta amazônica deixará de existir se mais 30% dela forem destruídos. A afirmação foi feita na quinta-feira, dia 20 de novembro, em Manaus, durante a conferência científica Amazônia em Perspectiva.

"O número agora está consolidado. Se 50% de toda a Amazônia for desmatada, um novo estado de equilíbrio vai existir no bioma", afirma Gilvan Sampaio, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Hoje aproximadamente 20% de toda a floresta amazônica, que tem mais de 8 milhões de quilômetros quadrados, já sumiram "No Brasil, esse número está ao redor de 17%. "

E pode chegar aos 50% até o meio do século. Um estudo de 2006 da Universidade Federal de Minas Gerais prevê que, se o ritmo do corte raso continuar, quase metade da floresta que sobra hoje tombará até 2050.

O novo modelo desenvolvido pelo pesquisador não considera mais a vegetação como algo estático, como ocorria nos estudos apresentados anteriormente. "Desta vez, existe uma espécie de conversa entre o clima e a vegetação", afirma Sampaio, que havia publicado uma versão anterior de seus modelos no ano passado.

De acordo com o estudo, que analisa a situação da floresta num intervalo de 24 anos, a região leste da Amazônia ainda é a mais sensível. Como o clima depende da vegetação, e vice-versa, a ausência de árvores na parte oriental da Amazônia fará com que as chuvas diminuam até 40% naquela região.

"As pessoas têm a idéia de que a floresta cortada sempre se regenera, mas nesse novo estado de equilíbrio isso não deve mais ocorrer, pelo menos no leste da floresta".

O estudo também mostra que a geografia do desmatamento pouco importa para que o ponto de não-retorno da floresta seja atingido. "A questão é quanto você tira e não de onde". Se países como o Peru e a Venezuela, onde a situação da floresta é melhor hoje, começarem a desmatar muito, todo o bioma estará em perigo.

A conseqüência desse novo equilíbrio ecológico será bem mais impactante no lado leste. Sem chuva, a tendência é que toda a região vire uma savana pobre. "Não é possível falar em cerrado, porque ele é muito mais rico do que a capoeira que surgiria na Amazônia."

O oeste amazônico, entretanto, onde estão o Amazonas e Roraima, continuariam a ter florestas, mesmo nessa nova realidade climática. "A umidade continuaria a ser trazida do Atlântico pelo vento", diz.

O desafio brasileiro para impedir que a floresta entre em um novo estágio evolutivo parece até fácil de ser resolvido – no papel. Dos 5 milhões de hectares da Amazônia que estão dentro do país, 46% são protegidos por lei. Mas, na prática, a preservação dessas regiões não é integral.

Uma prova clara disso foi dada ontem também na conferência de Manaus. Dados apresentados por Alberto Setzer, também do Inpe, mostram que entre 2000 e 2007 os satélites registraram focos de incêndio em 92% das unidades de conservação da Amazônia. "Isso me deixa consternado", diz Setzer.

Em Roraima e Tocantins, 100% das áreas de proteção ambiental tiveram incêndios. "Muitas dessas unidades de conservação não têm nem meios para combater o fogo", afirma o pesquisador.

O sumiço de parte da floresta amazônica terá conseqüências imediatas para o Nordeste. "A tendência de desertificação vai aumentar bastante", diz Sampaio. O grupo do Inpe ainda estuda as conseqüências da possível nova Amazônia para as demais regiões do Brasil.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

Enchentes em SC 'são reflexo de mudanças na Amazônia', diz 'Clarín'

Sistema de formação de nuvens e chuvas na floresta foi alterado, diz jornal argentino.

- As enchentes em Santa Catarina, que mataram dezenas de pessoas e deixaram milhares desabrigadas, são sinal de que o impacto do aquecimento global sobre a Amazônia já está tendo um reflexo sobre o clima da América do Sul, diz artigo na edição desta terça-feira do jornal argentino, Clarín.

"Começa então a se cumprir, muito antes do previsto, o que vêm advertindo os cientistas, entre eles os do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. (...) As mudanças na floresta amazônica, em conseqüência do aquecimento global e da ação destrutiva do homem, já começaram a se fazer sentir no Cone Sul", diz o diário.

"As tempestades em Santa Catarina, simultaneamente às fortes secas no Chaco, em Buenos Aires, La Pampa, Santa Fé e Córdoba" são citados pelo artigo como reflexos de mudanças na Amazônia.

O Clarín ouviu dois especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) para explicar o fenômeno.

Segundo o jornal, "o físico Antônio Ozimar Manzi afirmou: 'Esta zona (que inclui a selva no Brasil e mais outros oito países da região) é a principal fonte de precipitações na região'. E tudo o que acontecer modificará de maneira decisiva o clima no sul e no norte da América do Sul".

Paulo Artaxa, também ouvido pelo jornal argentino, explica que "no céu da Amazônia há um sistema eficaz de aproveitamento do vapor d'água (...) mas a fumaça dos incêndios florestais altera drasticamente este mecanismo: diminui a formação de nuvens e chuvas em algumas regiões e aumenta as tempestades em outras".

O Clarín conclui que "não é de se estranhar fenômenos como as inundações de Santa Cataria quanto a seca no norte, centro e leste da Argentina".

"Não são castigos divinos, mas bem humanos." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: Estadão

Pesquisa olha para padronização de materiais para cortar desperdício

por Dayane Cunha — última modificação 28-10-2008 10:13:00
Segundo estimativas de especialistas, as perdas de materiais básicos na construção civil pode chegar a quase 50%, fator causado não só pela baixa qualidade de mão de obra e falta de controle dos administradores das obras, mas também pela falta de padronização dos materiais.

"Hoje quando alguém faz uma casa, geralmente tem que encomendar a porta, a janela, e outros componentes, para encaixar num espaço que varia muito, tendo que cortar tijolo, e aí começam as quebras, perdas e desperdícios", explicou Humberto Ramos Roman, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), coordenador do Programa de Tecnologia de Habitação (Programa Habitare), financiado pelo governo federal.

A base de seu estudo é como fazer projetos para utilizar medidas padronizadas nos diferentes componentes de uma obra já existentes no mercado, além de dialogar com a indústria para implementar padrões em blocos, portas, janelas e projetos elétricos e hidráulicos.

O nome dado ao programa é Coordenação Modular, que já atraiu interesse do Ministério da Indústria e Comércio dentro de seu programa que busca competitividade em setores chaves da economia nacional. Para o setor de construção civil, considerado importante pela sua alta geração de empregos e a necessidade de combater o déficit habitacional de 8 milhões de moradias, o ministério também botou na pauta a industrialização do setor e a melhoria da qualificação dos trabalhadores.

A Coordenação Modular é um sistema que ordena a construção a partir de um módulo básico e racionaliza a fabricação dos componentes, o projeto, a execução e a manutenção das edificações. Embora o Brasil tenha sido um dos primeiros países a aprovar em 1950 uma norma a respeito (NB-25R), a sistemática não foi adotada.

O caos urbano das cidades brasileiras é um dos resultados desta falta de padronização, que, entre outros benefícios, poderia também combater o desperdício de energia.

Em entrevista à Revista Sustentabilidade, Roman falou sobre o conceito de industrialização e a proposta para diminuir o desperdício de materiais, por meio da padronização dos componentes da construção, como blocos, janelas, portas.

Revista Sustentabilidade: O que significa industrializar a construção civil?

Humberto Ramos Roman: O conceito de industrialização está associado à mecanização, à pré-fabricação, mas por outro lado existe uma corrente que considera também industrialização como qualquer processo que tenha um alto nível de racionalização e de organização, mesmo que seja na construção dita 'tradicional'.

Revista Sustentabilidade: Como assim?

Roman: Para garantir maior produtividade e melhor desempenho, características da industrialização, eu posso usar novos componentes e novos métodos organizacionais, ou seja, padronizar o processo de construção. Com isto, a pessoa que trabalha sabe como fazer aquilo repetidamente igual, evitando perdas e improvisação.

Revista Sustentabilidade: Como o projeto de coordenação modular entra na industrialização da construção civil?

Roman: Hoje quando alguém faz uma casa, geralmente tem que encomendar a porta, a janela, e outros componentes, para encaixar num espaço que varia muito, tendo que cortar tijolo, e aí começa as quebras, perdas e desperdícios. Toda esta perda acontece por falta de padronização de componentes, de projetos modulados. Com a coordenação modular o projetista já sabe o tamanho dos vãos, quando espaço deve deixar para as portas, janelas.

Revista Sustentabilidade: É na padronização, e não na mecanização, que seu projeto entra na industrialização?

Roman: Sim. Nenhuma indústria improvisa na fábrica. Imagina na linha de montagem o operário parar pensar onde vai pôr o trinco da porta ou como vai fazer a janela. Isto é impensável e a construção deveria ser assim também. Na maioria das vezes é na obra que se resolve muitas coisas e quando se decide sob pressão a chance de errar é bem maior.

Revista Sustentabilidade: E como anda este projeto?

Roman: Acho que ainda vai demorar um pouco para implementarmos, mas o projeto despertou interesse do Ministério da Indústria e Comércio, que vai trabalhar junto às indústrias para fazer componentes já coordenados, padronizados.

Revista Sustentabilidade: O que isto significa na prática?

Roman: Significa que quando o projetista for fazer uma casa, um edifício, ele já vai saber o vão que terá de deixar para a janela, porque todas elas vão ter os vãos parecidos. Isto evita corte em parede, o investimento em excesso, e aí começamos a ter uma construção sustentável no sentido de diminuir o consumo de materiais e as perdas, pois não existirá mais improvisação na obra.

Revista Sustentabilidade: Mas já não existe um padrão para bloco, tijolo e outros materiais?

Roman: Existem algumas normas que estabelecem dimensões dos materiais mas muitos setores nem sabem que elas existem, e fazem conforme o tamanho que é mais consumido na região.

Revista Sustentabilidade: Como padronização pode auxiliar na preservação do meio ambiente?

Roman: O caminho mais importante para a construção contribuir para a preservação do meio ambiente é fazer a construção organizada e racionalizada, que não leva à perda. Com a padronização, mesmo utilizando um material dito convencional, como o bloco, o importante é que ele tenha uma espessura adequada e padronizada, por exemplo.

Revista Sustentabilidade: A industrialização com pré-fabricados pode acabar com o déficit habitacional?

Roman: É muito simples fazer uma casa econômica, mas que não proporciona qualidade de vida. Nós também desenvolvemos um sistema de pré-fabricação e montamos uma casa em uma semana, mas o problema que se discute sobre o déficit é que tipo de habitação nós vamos fazer para estas pessoas.

Revista Sustentabilidade: Então como a industrialização da construção civil pode auxiliar nesta questão?

Roman: O que deve ser pensado desde agora, e a industrialização pode ajudar, é um melhor planejamento, pois fazer casa popular não quer dizer fazer casa ruim, que não tenha conforto térmico ou que use um material que se deteriora rapidamente. Se a industrialização tem materiais e processos adequados, duradouros e que a pessoa tenha alternativas para a ampliação de uma casa, isto seria um processo adequado para resolver o problema, porque elas poderiam aumentar e mudar a casa conforme a necessidade.

Revista Sustentabilidade: Como o senhor imagina que vai ocorrer esta parceria entre indústria, arquitetos para que o projeto se popularize?

Roman: Uma das primeiras coisas é um texto de uma nova norma de coordenação modular. O Brasil tem uma norma de 1950, que na verdade são 32 normas, totalmente defasadas.

Revista Sustentabilidade: Esta norma diz respeito às paredes?

Roman: Diz respeito às normas em geral. Como o projeto deve ser feito e como deve ser feito os componentes para que a construção tenha encaixe. Depois, os fabricantes de janelas, de portas, de tijolo, blocos, de outros componentes, terão que, a partir desta norma básica, fazer as normas para cada um dos componentes, para que eles estejam dentro de uma modulação e que possa se transformar num sistema de encaixe.

Revista Sustentabilidade: E como popularizá-la entre arquitetos, engenheiros, estudantes?

Roman: Outra ação é dar cursos sobre coordenação modular, porque nós percebemos que pouca gente sabe o que é coordenação modular. Na faculdade dificilmente isto é ensinado, não faz parte do currículo. Então estamos preparando um material didático para disseminar a coordenação.

Fonte: Revista Sustentabilidade

Memorando sem precedentes apóia iniciativas de proteção florestal

Os governos estaduais do Amazonas, Pará, Mato Grosso e Amapá e outros dois estados da Indonésia firmaram ontem um acordo com a Califórnia, Illinois e Wisconsin para cooperação em programas de proteção e recuperação de florestas tropicais. O acordo é uma iniciativa fundamental e inédita no combate à mudança climática.

O Memorando de Entendimento assinado pelo governadores dos estados da Califórnia, Arnold Schwarzenegger; de Wisconsin, Jim Doyle; e de Illinois, Rod Blogojevich, e os governadores ou representantes dos governos do Amazonas, Pará, Mato Grosso, Amapá, além das províncias de Papua e Aceh, na Indonésia, significa um avanço enorme no sentido de que países industrializados, que são grandes emissores de carbono, possam pagar pelo serviço prestado pelas florestas tropicais ao absorver e armazenar dióxido de carbono. (...)

“Quando se destrói uma floresta tropical, todo mundo sai prejudicado, não importa onde se viva”, comenta o CEO da Conservação Internacional (CI), Peter Seligmann. “O acordo da Califórnia, Wisconsin e Illinois com estes estados e províncias brasileiros e indonésios, que são onde estão algumas das últimas florestas tropicais intactas do mundo, é um passo necessário e bem-vindo. (...)

O Memorando de Entendimento reflete a intenção dos governadores americanos de serem pró-ativos no combate à mudança climática contribuindo para a melhoria da legislação dos EUA para o clima e a conclusão das negociações junto à Organização das Nações Unidas (ONU) em Copenhagen. (...)

As negociações encabeçadas pela ONU para obtenção de um tratado mundial de ação contra a mudança climática para substituir o Protocolo de Quioto em 2012 incluem mecanismos semelhantes aos do acordo firmado pelos governadores, porém sem definição quanto a essas medidas, conhecidas como Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). O memorando assinado hoje prevê que qualquer redução comprovada na emissão de gases de efeito estufa gerada a partir de iniciativas de REDD no Amazonas, Pará, Mato Grosso, Amapá, Papua e Aceh valerão como créditos de carbono em conformidade com a legislação americana.

Fonte: Mundosustentável

"Outro mundo é possível, sim nós podemos" - Capra

21/11/2008 - Autor: Fernanda Müller

O físico e célebre defensor das ciências da vida Fritjof Capra abriu a Conferência EcoPower 2008 em Florianópolis com palavras simples, porém impactantes sobre os desafios ambientais atuais


O grande desafio da civilização é “construir e cultivar a sustentabilidade”, disse o autor de livros como A Teia da Vida e Conexões Ocultas. Para Capra, o conceito de sustentabilidade está ligado à estruturação das comunidades de maneira que elas não interfiram na habilidade da natureza de sustentar a vida.

Nas últimas três décadas, segundo o físico, a humanidade passa por um novo tipo de capitalismo, que engloba inovações e sabedoria. A globalização resultou na acumulação de capital por poucos, em conseqüências ambientais desastrosas, na quebra da democracia e no aumento da pobreza, afirmou Capra.

As biotecnologias ‘invadiram a santidade da vida’, que foi transformada em uma commodity, disse. Tudo isto é insustentável social, ecológico e financeiramente. “Precisamos mudar este jogo”, enfatizou o físico.

Capra dá pistas de como começar esta mudança, afirmando que o primeiro passo é reconhecer a possibilidade de remodelar esta situação e percebendo que os lucros não são superiores a tudo. Para ele, a questão crítica não é tecnológica, mas sim a falta de vontade política.

Movimento Global da Justiça

O físico apresentou o Movimento Global da Justiça, composto por ONGs e que propõe medidas concretas para a reestruturação das instituições financeiras. Este novo tipo de movimento político depende de uma rede de institutos de pesquisas, pensadores e estudiosos.

Segundo ele, três são os pontos que devem ser focalizados: o desafio de remodelar a política, as controvérsias entre transgênicos e agricultura sustentável e o design ecológico. Isto tudo precisa ser feito com uma compreensão de como a natureza sustenta a vida, entendendo as conexões. “Precisamos passar da biologia para a ecologia”, disse ele ao referir-se à visão sistêmica e às interconexões dos processos ecológicos. Conhecer a teia da vida, salienta, é crítico para este novo design.

Tocando em um ponto falho da base da vida humana, Capra destacou que “a literatura ecológica deve ser a parte mais importante da educação em todos os níveis. “Precisamos ensinar nossas crianças, políticos e estudantes.”

Para o físico, este é o primeiro passo no caminho para a sustentabilidade. O segundo seria o design ecológico. “Temos que entender o vazio entre o design humano e da natureza. Os princípios do design ecológico refletem os princípios da organização que a natureza desenhou para apoiar a teia da vida”, reflete.

Este novo desenho inclui a agricultura orgânica, clusters industriais ecológicos e a mudança de uma economia orientada pelos produtos para uma guiada para os serviços. Atualmente já existem edifícios que produzem mais energia do que consomem e que não geram resíduos; assim como células a combustível de hidrogênio, que incorporam os princípios básicos da ecologia: pequenas escalas, não poluidoras e nem geradoras de resíduos.

Capra defende que a energia nuclear não possui um design ecológico, com diversos riscos, como a falta de conhecimento de como processar os resíduos radioativos. De acordo com ele, nenhuma empresa de seguros irá assegurar um reator nuclear. Além disso, o físico afirma que o urânio não é um combustível renovável e a tecnologia aplicada para a produção desta energia não é viável sem subsídios governamentais.

Vontade Política

Com as tecnologias disponíveis atualmente, a transição para um futuro sustentável é possível, “tudo que precisamos é vontade política e liderança”, garante.

Capra diz que a vontade política tem aumentado, como o papel de Al Gore na criação de uma consciência ecológica, o Relatório do economista inglês Nicholas Stern que aponta a possibilidade de estabilizar as mudanças climáticas investindo apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB) global e o livro de Lester Brown, fundador do Worldwatch Institute.

A obra “Plano B 3.0” é um guia detalhado para “salvar a civilização”, nas palavras de Capra. Ele destacou a importância da eleição de Barack Obama, dizendo que o novo presidente é inteligente, curioso e atencioso. “É um ótimo ouvinte, facilitador e mediador”. O seu programa político dá ênfase para as energias renováveis e pretende criar cinco milhões de empregos ‘verdes’.

“Outro mundo é possível, sim nós podemos”, concluiu Capra em uma analogia aos slogans do Fórum Social Mundial e da campanha de Obama.

Fonte: Carbono Brasil

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Surge a Petrobras biocombustível

A inauguração da unidade de biodiesel da Petrobras no pequeno município de Candeias (BA), 46 quilômetros de Salvador, encerrou a primeira etapa de implantação do programa no Brasil. Com ela também nasceu a Petrobras Bicombistível, que ficará sediada no Rio de Janeiro, terá 250 funcionários, e assumirá a responsabilidade de ampliar a participação da estatal de energia no negócio de álcool combustível com foco no mercado internacional.
O plano estratégico da Petrobras Biocombustível prevê a produção de 960 milhões de litros de biodiesel até 2011. Como a atuação da companhia no segmento será com ativos próprios, o presidente da Petrobras Biocombustível, Alan Kardec, admite o investimento em novas usinas, além das três que entram em operação este ano, podendo haver ainda aquisições ou parcerias. "No planejamento estratégico da Petrobras para 2008/2012 está prevista a produção de biodiesel em usinas próprias, mas, como ele está sendo rediscutido, talvez haja a possibilidade de futuras aquisições ou parcerias", disse. A diretora de gás e energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, por sua vez, acredita, que a meta do planejamento estratégico possa ser cumprida, com o aumento de produção se dando em plantas próprias. O primeiro passo para isso é a usina de candeias, uma das três usinas da Petrobras inaugurada este mês. As outras duas - em Quixadá, no Ceará, e Montes Claros, em Minas Gerais - estão em fase final de testes e devem começar a produzir biodiesel até setembro.
Com capacidade de produção de 57 milhões de litros por ano, a usina de Candeias recebeu investimentos de R$ 101 milhões. As unidades de Quixadá e Montes Claros também o mesmo tamanho. Quando estiverem a plena carga, as três usinas vão produzir 170 milhões de litros de biodiesel por ano, totalizando um investimento de cerca de R$ 300 milhões.
Embora o objetivo seja obter o máximo de matéria-prima possível de agricultores familiares, segundo a diretora de gás e energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, a usina de Candeias está dando partida com 100 mil toneladas de óleos vegetais de dendê, soja, algodão e sebo bovino, fornecidos por produtores ligados ao agronegócio. "Isso é enquanto os agricultores familiares se desenvolvem para atender os volumes contratados", explica Foster.
A planta baiana pode operar com matérias-primas de origem vegetal (mamona, girassol, soja e algodão), animal (sebo bovino, suíno ou de frango), ou óleos e gorduras residuais usados em fritura de alimento.
De acordo com Foster, os 25.639 mil agricultores de 215 municípios baianos e 3.283 de 49 municípios sergipanos - contratados pela Petrobras Biocombustível por intermédio de cooperativas para fornecer grãos de girassol, mamona e dendê - começam a entregar as matérias-primas a partir de outubro e novembro deste ano. A meta é que, no mínimo, 58% do valor total de compra da matéria-prima seja adquirido da agricultura familiar, para atender as exigências do Selo Combustível Social.
"Nem todo o fornecimento pode se basear na agricultura familiar pela necessidade de robustez para atender o mercado de combustíveis o ano todo", diz a diretora da Petrobras.
A usina de Candeias apresenta características que a diferenciam de outras unidades produtoras de biodiesel instaladas no Brasil. Possui um sistema de instrumentação e controle totalmente automatizado e flexibilidade para matérias-primas que podem ser usadas no processo produtivo e também no sistema de processamento de óleos vegetais brutos. A unidade de pré-tratamento processa, de forma contínua, os óleos brutos de diversas oleaginosas e a gordura animal de diferentes origens. "Esse sistema permite que a Petrobras compre o óleo bruto diretamente de agricultores familiares", informa a diretora a diretora de gás e energia.
Pinhão manso fora da lista
Para Foster, o grande desafio do produção de biodiesel é a estruturação da cadeia produtiva, "principalmente quando se precisa trabalhar com agricultura familiar". Com relação à reclamação de empresários, que depois de investirem em pinhão manso não estão vendo a oleaginosa sendo contemplada nos projetos de biocombustíveis da Petrobras, a diretora da estatal explica que ainda estão sendo feitos estudos sobre o pinhão manso nos centros de pesquisas, embora a potencialidade da oleaginosa seja admitida. "O pinhão manso é uma oportunidade em caráter experimental, que ainda não está em nossa carteira. Mas isso não quer dizer que não a compraremos", afirmou Foster.
A inauguração da unidade de biodiesel da Petrobras em Candeias, na Bahia, encerra uma primeira etapa de implantação do programa no Brasil, que durou quatro anos e meio, afirmou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Em 2003 houve a determinação, reunida com vontade política, de inserção do biodiesel na matriz energética. De lá para cá fizemos mais do que a Alemanha fez em 20 anos nesta área", disse, lembrando que hoje o Brasil já ocupa a terceira posição em produção de biodiesel, atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha.
Segundo a ministra, a importância do biodiesel não está relacionada somente com sua inserção na matriz energética, mas sim sua função social, "em que a força do programa tem que estar na agricultura familiar". "A agricultura familiar é estratégica porque tem capacidade de produção descolada do mercado internacional, e pode produzir alimento e energia, gerando recursos e renda para milhões de brasileiros", afirmou.
Com o encerramento desta etapa, conforme explicou a ministra, inaugura-se uma nova fase, que é mais ambiciosa, de tornar o País líder na tecnologia de produção de biocombustíveis a partir de resíduos, e não somente com base na matéria-prima como é hoje. "Temos que generalizar a produção de energia com base na agricultura familiar, buscando 60% até 70% da produção com base neste tipo de atividade agrícola, para termos a certeza de que essa produção não vai ser infectada pelos preços internacionais de oleaginosas. E garantir que o Brasil tenha condições de melhorar a renda desses trabalhadores", disse.
O Brasil, segundo Dilma, busca a produção do biodiesel não porque está faltando petróleo. Pelo contrário, "produzimos biodiesel ao mesmo tempo em que nos tornamos donos de uma das maiores reservas mundiais (de petróleo)", disse a ministra, citando a camada pré-sal. "Estamos produzindo biodiesel porque temos a convicção de que o combustível renovável pode servir para que as populações do mundo - especialmente a África e a Ásia - possam ter alimento e energia conjuntamente. Estes dois pontos são fundamentais neste século: segurança alimentar e energética. E o Brasil prova que nós não só trataremos da emissão de poluentes e segurança climática, mas oferecemos eficaz instrumento de combate à fome e à falta de energia".

Fonte: Revista Nordeste

Santa Catarina e o controverso código ambiental

24/11/2008 - Autor: Fernanda B Muller


“O dinheiro foi em tese para o lixo”, esta foi a eloqüente frase de Alexandre Lemos, cordenador-geral da Federação de Entidades Ecologistas Catarinenses, ao criticar o modo como está sendo conduzida a construção do novo código ambiental do estado de Santa Catarina. A última audiência pública realizada para discutir o projeto de lei que institui o novo código, na manhã do dia 19 de novembro em Florianópolis, foi marcada por divergências entre os diferentes atores.

O controverso projeto de lei nº0238.0/2008 foi encomendado pelo atual governador Luiz Henrique da Silveira à Fundação do Meio Ambiente (FATMA) com o objetivo de sintetizar toda legislação ambiental federal e estadual, facilitando assim o seu uso, tanto pelos órgãos competentes, como pela população. O código definiria as competências de cada órgão ambiental, esclarecendo o que cabe ao julgamento do órgão federal e estadual e adequando a legislação à realidade catarinense. Em um primeiro momento objetivos nobres e necessários.

O projeto recebeu apoio do governo alemão, que através do banco KFW financiou as amplas discussões entre a FATMA, diversos órgãos e representantes da sociedade civil durante o período de um ano. Posteriormente este projeto passou para a Secretaria de Agricultura e para a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (SDS) do estado de SC, onde sofreu modificações significativas em relação ao projeto elaborado no primeiro momento. Vários deputados presentes na audiência defendem fervorosamente a aprovação da proposta até o final do ano, o que apresenta um sério risco à integridade da legislação ambiental e da biodiversidade do estado catarinense.

Durante a apresentação do projeto, a advogada consultora da secretaria Juliana Malta Corte reconheceu que após a chegada na SDS o código recebeu modificações devido a contribuições do setor produtivo, sem a devida consulta dos órgãos que elaboraram o documento original. Juliana reforçou ainda que o código introduz inovações adequadas às peculiaridades do setor produtivo. A apresentação deixou claro que o código possui vários elementos conflitantes com a legislação federal, como a redução da Área de Proteção Permanente (APP) em torno de rios de 30 para 5 metros, e a consideração de ecossistemas de campos de altitudes apenas acima de 1.800 metros, sendo que em SC existe apenas uma elevação acima desta cota).

Outro absurdo defendido pelo PL é a auditoria ambiental voluntária, chamada por Juliana de desburocratização do processo de licenciamento, que permite que após 60 dias da entrada do pedido de licenciamento no órgão competente, se não houver resposta do mesmo considera-se dada a licença (Art 54 § 3º). Além disso, falhas gritantes foram apontadas por diversos participantes da audiência como a dispensa da apresentação de Licença Ambiental de Instalação (LAI) e de Licença Ambiental de Operação em casos excepcionais, permissão de plantio em áreas de APP e de reserva legal, condicionamento da criação de Unidades de Conservação à sua aprovação na forma de lei e à destinação prévia de recursos inserida em orçamento, entre outros.

O auditório da Assembléia Legislativa de SC (Alesc) passou por momentos de deturpação do foco da discussão. Alguns deputados, que deveriam ter sido firmes no debate de melhorias para o código e adequação às reais necessidades do estado em direção ao desenvolvimento sustentável, incitaram pequenos produtores rurais contra a defesa dos seus próprios interesses, a proteção dos mananciais de água para a manutenção dos seus modos de vida .

Como muito bem lembrado pelo biólogo da FATMA e presidente do Conselho Regional de Biologia Daniel de Araújo Costa, se não protegermos os mananciais nosso estado vai entrar em processo de desertificação, como já ocorre no oeste do estado.

A impressão geral era de uma batalha entre os interesses dos pequenos produtores e a legislação federal, o que não confere com a realidade. Precisamos é de políticas que realmente dêem o devido valor aos serviços prestados por estes agricultores a toda sociedade, e que tornem a legislação ambiental uma aliada e não inimiga para estes produtores.

Lauro Bacca, presidente da associação catarinense de RPPNs, reconheceu o mérito do código conseguir reunir uma legislação tão complexa e lidar com impasses como este com os pequenos agricultores, mas ressaltou que a essência do código não é o que aparenta e “que temos que tomar cuidado para não cair no vazio”. “Há conflitos graves. A lei corre o risco de nascer falhada e impor grande risco à biodiversidade”, disse ele. Conforme exposto por ele, a proposta precisa ser rediscutida e uma lei assim complexa não pode ser aprovada a toque de caixa.

O deputado Décio Góes, presidente da Comissão de Turismo e Meio Ambiente da Alesc, assim como José Lorival Magri da Federação Catarinense das Indústrias, lembraram que não adianta aprovar o código e não oferecer os instrumentos necessários à melhoria da condição de trabalho da Fundação do Meio Ambiente.

O deputado Edson Andrino ponderou uma questão jurídica muito importante, relembrando que o código entra em conflito com a legislação federal e que os funcionários da FATMA estariam em uma situação difícil ao correr o risco de serem penalizados se constatado que feriram à Constituição Federal. Precisa-se levar em conta a utilidade de se debater algo que pode vir a ser considerado como inconstitucional, algo ressaltado pelo Promotor de Justiça de Florianópolis, Doutor Rui Arno Richter. O promotor informou que o Ministério Público de SC encontrou 22 pontos de inconformidade do código em relação à legislação federal.

Houve um grande erro dos coordenadores da audiência no sentido de deixar que o direcionamento fosse dado apenas para os pequenos produtores, deixando de lado todos os outros setores da sociedade. Não houve participação do setor urbano, industrial, ou qualquer outro, deixando nas costas dos agricultores toda a discussão sobre a aplicabilidade do código.

O objetivo de uma audiência pública é ouvir a comunidade. Espera-se que o poder executivo considere os pedidos de revisão do PL, respeitando a constituição federal e diversos tratados internacionais assinados pelo país, como a Convenção da Biodiversidade, e alcance finalmente a real contribuição para o desenvolvimento sustentável.

Fonte: CarbonoBrasil

Câmara aprova cotas para alunos do ensino público

DENISE MADUEÑO - Agencia Estado

BRASÍLIA - A Câmara aprovou hoje o projeto que cria a cota de 50% das vagas em universidades federais para estudantes que tenham cursado todo o ensino médio em escolas públicas. As vagas serão preenchidas com reservas para negros, pardos e indígenas na proporção da população de cada Estado, medida pelo censo da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dentro dessa cota, o projeto reserva a metade das vagas para os estudantes de família com renda igual ou inferior a um salário mínimo e meio per capita.

As regras se aplicam também às instituições federais de ensino técnico de nível médio para os estudantes que tenham cursado todo o ensino fundamental em escolas públicas. O critério de renda foi incluído durante as negociações de hoje no plenário da Câmara, permitindo a aprovação do projeto por acordo, sem o registro dos votos no painel eletrônico.

"O acesso ao ensino se dá mais por questão social do que racial. A situação de renda é que determina um desempenho diferenciado no sistema de ensino e não o racial", defendeu o deputado e ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza (PSDB-SP). O deputado, um dos negociadores do projeto na sessão, era contra a cota racial, argumentando que o critério da renda já beneficiaria a população negra. Segundo ele, entre a população que recebe até três salários mínimos, 68,1% são negros.

O projeto de cotas é defendido pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, que também participou das negociações. A implantação do sistema poderá ser gradativo. As instituições terão o prazo de quatro anos para cumprir o regime de cotas, mas terão de reservar, a cada ano, pelo menos, 25% das vagas. O projeto estabelece que, no prazo de dez anos, o governo fará uma revisão no programa de acesso às universidades públicas de estudantes negros, pardos e indígenas e dos que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas.

Fonte: Estadão

Brasil e China 'emergem como modelos de estabilidade', diz jornal

O Brasil e a China emergem como modelos de estabilidade, "neste momento de crise econômica global", diz artigo publicado na edição desta sexta-feira do jornal britânico The Daily Telegraph.
O jornal compara os dois países, considerados "mercados emergentes", à Grã-Bretanha e aos Estados Unidos, chamados de "mercados desenvolvidos" e diz que "esta grande divisão foi erodida" com a crise.

"O status de alguns mercados emergentes deve ser elevado, mesmo que em termos relativos", afirma o artigo, explicando que "alguns (países), como o Brasil, atualmente parecem representar menor risco (...) do que alguns (países) desenvolvidos como a Grã-Bretanha".

"Em termos de superávit comercial, endividamento em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) e tamanho de suas reservas cambiais, o Brasil derrota a Grã-Bretanha sem esforço", disse o jornal. "Sua economia (do Brasil) ainda deverá crescer 3% no próximo ano, enquanto a da Grã-Bretanha está encolhendo. E, embora a inflação brasileira esteja aumentando, ela parece estar sob controle."

'Responsabilidade fiscal'

O artigo contesta o próprio termo "mercado emergente", dizendo que ele foi "inventado pelo Banco Mundial há 30 anos e é definido com base em renda per capita baixa".

"Na época, partia-se do princípio de que estas economias eram instáveis e em processo de reforma econômica e de mercado. Só governos mais sábios, dos Estados Unidos e da Europa, poderiam demonstrar responsabilidade fiscal, acreditava-se - e este era geralmente o caso", diz The Daily Telegraph.

O artigo afirma, contudo, que embora esta suposição persista, "o governo brasileiro nos últimos anos seguiu cuidadosamente regras defendidas por economistas ocidentais, enquanto Estados Unidos, Grã-Bretanha e outros as desprezaram".

Sobre a China, o artigo do jornal britânico diz que "há muitas evidências que sugerem que a recessão que atingiu Estados Unidos e Europa não é meramente uma baixa cíclica, mas marca uma passagem do poder econômico no longo-prazo para a China e outros mercados emergentes grandes".

"Não pode mais haver uma reunião com credibilidade de G-alguma coisa (numa referência a G-8 e G-20) para tentar coordenar política monetária e fiscal sem incluir a China", afirma The Daily Telegraph.

Fonte: BBC Brasil

domingo, 23 de novembro de 2008

As Veias Abertas da América Latina



Não quero aqui "chover no molhado", mas gostaria de re-re-re-recomendar o livro "As Veias Abertas da América Latina", de Eduardo Galeano, pela sua atualidade (o original em espanhol é de 1971). A publicação desvenda, com bases documentais históricas, os mecanismos da expropriação impetrados pelos países desenvolvidos sobre a economia e recursos naturais do chamado terceiro-mundo. O mesmo mecanismo vige ainda hoje, a exemplo da monocultura da soja que enche os bolsos dos Blairos Maggis às custas da depredação do cerrado brasileiro. E vejo nosso governo, oriundo das mesmas bases esquerdistas que usavam o livro quase como uma bíblia no passado, anunciar aos quatro ventos seu entusiasmo com a produção de etanol para os gringos, mais um engodo perpetuador do parasitimo primeiro-mundista sobre nossas escancaradas veias. Os EUA aplaudem.

Link para baixar o livro da internet em pdf: www.geocities.com/eriolbootlegs/veias.pdf

Does growth really help the poor?

15 October 2008 by Andrew Simms

THE last line of defence for advocates of indefinite global economic growth is that it is needed to eradicate poverty. This argument is at best disingenuous. By any reasonable assessment it is claiming the impossible.

Here's why. During the 1980s, for every $100 added to the value of the global economy, around $2.20 found its way to those living below the World Bank's absolute poverty line. During the 1990s, that share shrank to just 60 cents. This inequity in income distribution - more like a flood up than a trickle down - means that for the poor to get slightly less poor, the rich have to get very much richer. It would take around $166 worth of global growth to generate $1 extra for people living on below $1 a day.

Fair enough, you might think, it's worth it. But consider the resources it would require. The measure known as the "ecological footprint" compares what we harvest from the biosphere, and return to it as waste, with the biosphere's ability to absorb this and regenerate. It reveals whether we are living within our means or eating into our ecological capital.

Humanity has been overshooting the biosphere's capacity to sustain our activities every year since the mid-1980s, and each year we do it sooner. In 2008, we had consumed the ration for the year by 23 September, five days earlier than the previous year. It would take at least three Earths to sustain us if everyone had the lifestyle of people in the UK; five if we all lived like Americans.

Perversely, under the current economic system, reducing poverty by a tiny amount will necessitate huge extra consumption by those who are already rich. To get the poorest onto an income of just $3 per day would require an impossible 15 planets' worth of biocapacity. In other words, we will have made Earth uninhabitable long before poverty is eradicated. If we are serious about helping the poor rather than the rich, we need a new development model.

Let's say we want an economy that gives us long, satisfied lives, within the tolerance levels of supporting ecosystems. Progress then requires maximising the efficiency with which an economy converts natural resources such as fossil fuels into desirable human outcomes. At the New Economics Foundation, we compare the ecological footprint with life expectancy and satisfaction, to see how well different nations are doing. By this measure, middle-income developing countries - and especially small island states - score best, while developed nations lag behind. Per unit of carbon, Europe delivers less well-being for its citizens now than it did in 1961. Across Europe, however, people report comparable levels of well-being whether they consume a lot or a little. In the UK, for example, people are just as satisfied whether their lifestyles would require eight planets to sustain or just one. This is a message of hope: good lives don't have to cost the earth.

But we have to overcome knee-jerk rejection of the "R" word - redistribution. With global growth constrained by the need to limit carbon emissions (remember that the poorest will be the first and worst victims of climate change), redistribution becomes the only viable route to poverty reduction. Given the triple crunch of the credit crisis, high oil prices and climate change, industrialised economies need radical, practical plans to address all these issues at once. Susan George discusses one approach on Special Beyond economic growth: Why big is beautiful. Another is the Green New Deal, launched last month. It calls for capital controls and tax reforms to stabilise the economy and raise funds for a massive and quick environmental transformation, creating thousands of jobs while narrowing the gap between rich and poor.

It took just days for governments in the UK and US to abandon decades of economic doctrine to try to rescue the reckless financial system from complete meltdown. Why should it take longer to introduce a plan to stop the planet crunch brought on by an equally reckless and even more dangerous obsession with growth?

Profile
Andrew Simms is policy director of the New Economics Foundation in London, UK. He is co-editor of Do Good Lives Have to Cost the Earth? (Constable 2008).
From issue 2678 of New Scientist magazine, page 49.

Domínio dos EUA vai acabar, diz inteligência americana

A força econômica, militar e política dos Estados Unidos no mundo deve decair nas próximas duas décadas, segundo um relatório de agências americanas de inteligência divulgado nesta sexta-feira.
O relatório foi produzido pela National Intelligence Council (NIC), entidade que coordena o trabalho de todas as agências de inteligência do país.

O texto também afirma que a atual crise financeira é o começo de uma grande mudança na economia global, com transferência de renda do Ocidente para o Oriente e enfraquecimento do dólar.

A divulgação do documento da NIC coincide com a transição do governo de George W. Bush para o presidente eleito, Barack Obama, nos Estados Unidos.

Brasil, China e Índia

"Os próximos 20 anos de transição para um novo sistema estão cheios de riscos", diz o relatório Global Trends 2025 (ou Tendências Mundiais 2025, em português).

O relatório é elaborado a cada quatro anos, sempre coincidindo com a posse de um novo presidente americano.

O documento prevê que até 2025 o mundo pode se tornar um lugar mais perigoso, com menos acesso das populações à comida e água.

O National Intelligence Council acredita que no futuro os Estados Unidos continuarão sendo o país mais poderoso do mundo, apesar de perder parte da sua influência para países como China, Índia, Brasil e Irã. Já as disputas internas da União Européia um gigante lento.

A NIC afirma que um mundo com mais pólos de poder potencialmente terá mais conflitos do que um mundo com uma ou duas superpotências.

A agência afirma que o aquecimento global e a escassez de recursos provocarão guerras no futuro. A disseminação de armas nucleares também deve crescer, com Estados considerados "párias" e grupos terroristas conseguindo acesso a materiais nucleares.

Segundo a NIC, a ação dos líderes globais será decisiva para os rumos do planeta.

"Não está além do alcance dos seres humanos, ou dos sistemas políticos, (ou) em alguns casos (o) funcionamento de mecanismos do mercado, cuidar e aliviar e até solucionar esses problemas", afirma Thomas Fingar, diretor da NIC.

Fonte: BBC Brasil

Estados norte-americanos querem créditos florestais brasileiros

21/11/2008

Fernanda B Muller

Três estados norte-americanos, o Brasil e a Indonésia fecharam ontem um acordo para proteger as florestas tropicais. Califórnia, Illinois e Wisconsin irão analisar como incorporar o uso de créditos de carbono florestais em seus esquemas de comércio de emissões. Estes créditos são gerados com o pagamento pela conservação das florestas tropicais no Brasil e na Indonésia.

O esquema permite que indústrias e usinas de energia que têm metas a cumprir na redução das emissões de gases do efeito estufa possam compensá-las com os créditos provenientes do desmatamento evitado (REDD – Reduced Emissions from Deforestation and Degradation). Atualmente, os esquemas regionais de comércio de emissões nos Estados Unidos estão sendo planejados.

O desmatamento é responsável por cerca de 20% das emissões antrópicas mundiais, e muitos acreditam que o REDD possa contribuir na redução destas emissões, além de ter benefícios muito mais amplos como a conservação da biodiversidade e dos serviços ambientais.

O acordo, divulgado pelo governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger, tem como foco as províncias de Papua e Aceh, na Indonésia, e os estados brasileiros do Amazonas, Pará, Amapá e Mato Grosso.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

Paraná incentiva uso de embalagens 100% ecológicas

21/11/2008

Iniciativa do governo estadual tem apoio do Ministério Público local; supermercados começam a substituir sacolas plásticas convencionais por material biodegradável

Giselle Hoffmann


O Estado do Paraná quer reduzir em 30% o volume diário de resíduos depositados nos aterros sanitários - cerca de 20 mil toneladas. A ação faz parte do Programa Desperdício Zero, promovido pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, com apoio do Ministério Público Estadual.

A iniciativa identificou os materiais que mais se acumulam nos aterros: sacolas plásticas, embalagens longa vida, pilhas, baterias, papel, materiais de construção civil, pneus, lâmpadas fluorescentes, metais, lixo orgânico, vidros e óleo lubrificante. Com base nessa lista, os fabricantes e distribuidores dos principais tipos de resíduos estão sendo convocados a assumir a responsabilidade sobre a destinação final desses produtos.

Em relação às embalagens plásticas, o governo estadual e o Ministério Público local contataram inicialmente a Associação Paranaense de Supermercados (Apras) para conhecer o destino das 80 milhões de sacolas usadas mensalmente - o equivalente a 53 toneladas de plástico depositadas em aterros. Como a entidade não tinha a informação, a solicitação foi feita, na seqüência, às próprias redes de supermercados.

A partir disso, diversos supermercados passaram a substituir as embalagens tradicionais por materiais 100% ecológicos. A adesão tem sido maior por parte das cadeias supermercadistas locais. A resistência maior ocorre nas redes nacionais - algumas, inclusive, não forneceram a quantidade de sacolas usadas nem apresentaram as medidas alternativas para a questão do descarte desses itens no meio ambiente. Devido a isso, os estabelecimentos foram multados (R$ 70 mil por dia) pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

Estimativas do programa Desperdício Zero apontam que de cada 100 sacolas plásticas, apenas 15 retornam para reciclagem. Uma das alternativas para substituir as embalagens tradicionais é a adoção do material biodegradável, que consiste no acréscimo de um aditivo (d2w) em sua fabricação. Ele tem as mesmas propriedades do produto convencional, inclusive em relação à resistência, transparência, permeabilidade e impressão. O principal diferencial é quanto ao processo de decomposição - enquanto o plástico comum dura até 200 anos, a sacola com d2w leva, no máximo, 18 meses para se degradar.

Fonte: Portal do Meio Ambiente

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Rumo à segunda geração

19/11/2008

Por Thiago Romero

Agência FAPESP – O etanol de segunda geração, produzido a partir da celulose presente nos resíduos da cana-de-açúcar, é uma alternativa fundamental aos cerca de cem países capazes de produzir o combustível renovável e que desejam fazê-lo sem prejudicar a produção de alimentos.

O cenário foi destacado por Christoph Berg, diretor geral da F.O. Licht, consultoria alemã do mercado de commodities, na tarde de segunda-feira (17/11), em São Paulo, durante a sessão plenária que abordou o tema da segurança energética na Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, que reúne delegações de 92 países para a discussão dos desafios e oportunidades dos biocombustíveis.

“Do ponto de vista da oferta, as tecnologias de primeira geração deverão garantir um crescimento relativamente constante no mercado do etanol até 2018. A partir daí, os produtores mundiais precisarão de tecnologias da geração seguinte. Caso contrário, teremos o limite da oferta em relação à competição entre o uso da terra para a geração de energia e a produção de alimentos”, alertou.

Berg, que é membro do Grupo Consultivo sobre Biocombustíveis da Comissão Européia, apontou que o etanol, nesse período de tempo, tem capacidade de atingir uma participação no mercado global de combustíveis de até 10%, considerando a estrutura tecnológica atual.

“Uma participação de mercado maior do que essa só seria alcançada com o domínio das tecnologias do etanol de segunda geração, que poderão prover os necessários metros cúbicos extras do biocombustível por hectare”, afirmou.

O etanol de segunda geração, uma alternativa para o uso energético da biomassa, pode ser obtido a partir da tecnologia de lignocelulose, que utiliza o bagaço e a palha da cana com vantagens ambientais e econômicas.

Calcula-se que esses compostos orgânicos, hoje praticamente sem valor comercial, correspondem a cerca de 50% da biomassa terrestre. A produção de etanol da lignocelulose extraída desses materiais é feita com tecnologias ainda em fase de aperfeiçoamento. A transformação pode ser feita com uso de ácidos (hidrólise ácida) ou de enzimas (hidrólise enzimática).

Pesquisas brasileiras são destaque

O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Richard Jones, divulgou dados do relatório anual da entidade sobre o estado atual da economia de energia mundial e as possibilidades para o futuro. Segundo ele, a tendência atual de uso dos combustíveis fósseis é “insustentável” tanto do ponto de vista ambiental como do econômico e social.

“A má notícia do relatório é que a utilização mundial de gás, carvão e petróleo continuará aumentando, assim como as emissões de gases de efeito estufa provenientes desses combustíveis. O resultado poderá levar a um aumento na temperatura global de cerca de 6ºC nas próximas décadas”, disse o diplomata norte-americano, que foi embaixador dos Estados Unidos em Israel, Kuait, Cazaquistão e Líbano.

Esse crescimento do uso e das emissões pode ser evitado, na opinião de Jones, por meio de um esforço conjunto mundial que busque uma economia baseada na diversificação das fontes de energia, melhorando não apenas a eficiência das já existentes como também criando tecnologias novas, especialmente no setor dos biocombustíveis, devido à sua representatividade crescente nos transportes.

“Estima-se que a utilização dos biocombustíveis no setor de transportes cresçerá dos atuais 1,5% para cerca de 8% em 2030. A previsão para 2050 é de 26% de participação. Sabemos que o potencial de crescimento dos biocombustíveis é ainda maior e as pesquisas brasileiras com o etanol de cana-de-açúcar têm mostrado isso”, destacou.

O petróleo responde por cerca de 99% do consumo de energia pransporte rodoviário no mundo e, segundo projeções da Agência Internacional de Energia, a demanda energética nesse setor poderá crescer até 38% nos próximos 20 anos.

O especialista em bioenergia do Imperial College London, Richard Murphy, falou sobre um importante caminho a ser trilhado se o destino final é ter um futuro seguro do ponto de vista energético em nível global. “Primeiro, os países precisam ter certeza de que os biocombustíveis produzidos irão de fato mitigar as emissões dos gases de efeito estufa, de modo a estancar as alterações climáticas”, alertou.

“Há várias formas corretas de garantir isso, como o investimento em pesquisa e desenvolvimento e a criação de políticas públicas que permitam a drástica diminuição de gases estufa em comparação aos combustíveis fósseis”, disse.

Murphy ressalta que o Reino Unido não tem capacidade instalada para cultivar toda a biomassa necessária para garantir o desenvolvimento limpo da frota de veículos do país.

“Vamos depender muito do restante do mundo para a compra de biocombustíveis. Gostaríamos de ser parceiros de outros países no desenvolvimento de alternativas energéticas”, disse o também membro do grupo de trabalho do Plano de Pesquisa sobre Bioenergia do Reino Unido.

Fonte: Agência FAPESP

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Cuidados com animais

Recebi estas dicas por e-mail. Vale a pena considerar...


CHICLETES.
EMBRULHE ANTES DE JOGAR FORA:
ATRAÍ­DOS PELO CHEIRO ADOCICADO E PELO SABOR DE FRUTA, OS PASSARINHOS COMEM

RESTOS DE CHICLETES DEIXADOS, IRRESPONSAVELMENTE, EM QUALQUER LUGAR.
AO SENTIREM O CHICLETE GRUDANDO EM SEU BIQUINHO, TENTAM, DESESPERADOS,
RETIRÁ-LO COM OS PÉS...
E AÍ, ACONTECE O PIOR: ACABAM SUFOCADOS.
EMBRULHE O CHICLETE NUM PEDAÇO DE PAPEL E JOGUE-O NO LIXO.
REPASSE ESTE E-MAIL PARA QUE, TODOS TOMEM CONSCIÊNCIA, PRINCIPALMENTE, AS
CRIANÇAS.

É BOM LEMBRAR TAMBÉM QUE TAMPINHAS DE REFRIGERANTES E SACOS PLÁSTICOS QUE
VÃO PARAR NO MAR AFOGAM TARTARUGAS E GOLFINHOS QUE MORREM SUFOCADOS.

Filtro de cigarro também mata filhotes de passarinhos que o utilizam para
fazer ninho. A nicotina envenena os filhotes.

Entidades divulgam relatório sobre efeitos da expansão do cultivo da cana

18/11/2008

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos vão lançar hoje (18) o relatório "Os impactos da produção de cana no Cerrado e na Amazônia". O lançamento ocorrerá dentro da programação do Seminário Internacional "Agrocombustíveis como obstáculo à construção da soberania alimentar e energética", que começou ontem (17) e segue até a próxima quarta-feira (19), em São Paulo. Em nota, a CPT critica posicionamento do governo acerca da relação entre etanol e trabalho escravo.

O evento, convocado por organizações e movimentos sociais, ocorre paralelamente à Conferência Internacional "Biocombustíveis como vetor do Desenvolvimento Sustentável", realizada pelo governo federal. O documento que será lançado traz uma análise sobre a expansão do monocultivo da cana nos dois biomas e pretende fazer um contraponto à opinião governamental acerca dos benefícios dos biocombustíveis.

No relatório, são registradas fotos e entrevistas, além de um relato detalhado sobre os impactos sociais e ambientais em 11 estados brasileiros: Acre, Amazonas, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Segundo os dados do relatório, a monocultura da cana já é realidade em boa parte do território nacional.

No Acre, a usina Álcool Verde, da empresa pernambucana Farias, plantou mais de dois mil hectares de cana ao longo da BR-317 e tem planos de chegar a mais de 30 mil hectares na região, com capacidade de produzir 3 milhões de toneladas de cana por safra. A Álcool Verde prevê uma produção de 36 milhões de litros de etanol na primeira safra e pretende aumentar sua produção de cana em cinco vezes até 2015. A Embrapa prevê que no município de Capixaba as plantações de cana aumentarão em dez vezes até 2012.

No Amazonas, a CONAB estima que a produção de cana teve um aumento de 10,90% entre 2007 e 2008. Há ainda um projeto de produção de etanol da empresa Jayoro, que inclui o cultivo de 60 mil hectares de cana em regiões de floresta nativa. Em Goiás, as plantações de cana ocupam 339,2 mil hectares. Entre 2005 e 2006, a área plantada de cana no estado teve um aumento de 47,06%. De acordo com o relatório, além da destruição de mata nativa, o cerrado principalmente, a indústria da cana substitui áreas de produção de alimentos e criação de gado, o que, conseqüentemente, pressiona a fronteira agrícola para a Amazônia.

Em nota divulgada ontem (17), a CPT expressou sua opinião acerca da relação entre etanol e trabalho escravo. Discorrendo sobre a conferência governamental, a entidade destaca: "Na oportunidade, o subsecretário-geral de Energia e Alta Tecnologia do Itamaraty, coordenador do evento, embaixador André Amado, acaba de rejeitar em bloco qualquer alegação de existência de trabalho escravo no setor de produção de açúcar e álcool. Disse-se ‘um pouco indignado’ pela campanha de ‘denegrimento’ (sic) que visaria o setor com base em denúncias infundadas e confusões conceituais cuja origem não chegou a detalhar".

Segundo a CPT, a política nacional de erradicação do trabalho escravo, inclusive no setor canavieiro, se baseia em fatos, não em alegações. A entidades reitera que o conceito de trabalho escravo orientando a qualificação destes fatos não é nem confuso, nem vago: "É definido pela Lei 10.803/2003 e amparado em Convenções internacionais ratificadas pelo Brasil, particularmente junto à OIT. E está sendo fiscalizado por servidores preparados e isentos".

"A Comissão Pastoral da Terra recusa a opção enganosa que querem nos impor entre produzir a contento ou lutar por dignidade, e denuncia a perversa manobra em curso. Voltamos a questionar: será que, em nome dos imediatos interesses do setor dos agro-combustíveis, a ele tudo deve ser permitido? Baixar a guarda neste momento no combate à escravidão, por mero oportunismo mercantil, não prepara dificuldades bem piores para o país? Qual é a palavra do Governo sobre isso?", afirma a nota.



Para ler o relatório: www.cptnac.com.br/pub/publicacoes/f0557ab0e850048922e143f
615076ebb.pdf



Fonte: Portal do Meio Ambiente

Ambiente: Lixo eletrônico à deriva

17/11/2008

Stephen Leahy


Uxbridge, Canadá – Alguma vez você já pensou que seu velho televisor pode estar envenenando uma criança na China, ou que seu antigo computador esteja contaminando um rio na Nigéria? Sem uma lei que proíba a exportação de lixo eletrônico tóxico nos Estados Unidos não há maneira de saber se os antigos celulares, computadores ou televisores originados nesse país não acabaram em alguma aldeia pobre do mundo em desenvolvimento. Ali, moradores desesperados desmontam estes aparelhos à mão para recuperar parte dos valiosos metais que o compõem. Um pequeno grupo de pessoas aliou-se com uns poucos recicladores para garantir que o lixo eletrônico possa ser tratado com responsabilidade, criando um programa de certificação de controlador eletrônico (e-Stewards).

Anunciado este mês, os e-Stewards são recicladores de lixo eletrônico acreditados e certificados por uma terceira parte independente. Esta certificação é crucial em uma indústria que frequentemente apela para a mentira em busca de uma imagem de responsabilidade social. Atualmente, mesmo quando o lixo eletrônico procedente do mundo rico vai para um reciclador com preocupações ambientais, há altas probabilidades de que substâncias tóxicas terminem em uma enorme pilha no meio de alguma aldeia.

Estima-se que os Estados Unidos produzem três milhões de toneladas anuais de lixo eletrônico, como celulares e computadores. Seus habitantes compraram cerca de 30 milhões de aparelhos de TV desde janeiro. Essa quantidade será maior no próximo ano, quando todas as redes de televisão do país passarem ao sistema digital, a partir do dia 17 de fevereiro. Assim, para onde irão os televisores velhos e indesejados? Segundo ativistas, um destino é Hong Kong. “Vi há pouco contêineres carregados nos Estados Unidos quando foram abertos no porto de Hong Kong. Estavam cheios de lixo eletrônico, como televisores e monitores de computadores”, contou Jim Puckett, coordenador da não-governamental Basel Action Network (Rede de Ação da Basiléia –Ban).

Esta organização leva o nome do convenio internacional que regulamenta o tráfego internacional de lixo tóxico, a fim de impedir que os procedentes de países ricos contaminem os pobres. Puckett calculou que cem contêineres de lixo eletrônico chegam por dia a Hong Kong, para em seguida serem contrabandeados para a China. “Tudo procede dos Estados Unidos e do Canadá”, afirmou. Boa arte desta atividade é ilegal na China. Mas, é uma indústria muito grande e rentável, por isso muitos funcionários chineses e de outros países se mostram dispostos a fazer vista grossa, ressaltou.

Nos Estados Unidos, o programa jornalístico semanal “Sixty Minutes” divulgou este mês uma pesquisa sobre os achados de Puckett, rastreando contêineres embarcados por recicladores desse país com destino a Hong Kong até aldeias na China, como Guiyu. “Estivemos em Guiyu há cerca de seis anos, e as condições são muito piores hoje”, acrescentou. A montanha de lixo eletrônico aumenta a cada dia, ao mesmo tempo em que são criados novos aparelhos para conduzir uma economia arraigada em um crescimento sem fim. E 85% desses resíduos acabam como aterro sanitário ou incinerados localmente, contaminando a água subterrânea e o ar dos Estados Unidos. Outros milhões de computadores, monitores e televisores acumulados descansam em sótãos, garagens, oficinas e dentro de casa.

O que tem de fazer uma pessoa responsável com o lixo eletrônico diante da negligencia do governo, da irresponsabilidade dos fabricantes e da cobiça dos recicladores? “Era pouco provável que com George W. Bush como presidente fosse aprovada uma lei a respeito, por isso decidimos trabalhar com a indústria da reciclagem”, disse Sarah Westervelt, da Ban. Junto com a Coalizão pela Devolução de Aparelhos Eletrônicos e 32 recicladores nos Estados Unidos e no Canadá, a Ban anunciou na semana passada o programa de e-Stewards. Será o primeiro de certificação de reciclagem de lixo eletrônico auditado e acreditado de maneira independente.

Jogar lixo eletrônico tóxico em países pobres, aterros sanitários locais e incineradores ficará proibido, bem como o uso de mão-de-obra carcerária para processar esse tipo de dejeto. “Neste momento é impossível às pessoas saberem qual reciclador está agindo corretamente”, disse Westervelt. Empresas e organizações que dizem ser verdes normalmente tergiversam dados sobre como manejam os dejetos. “As companhias enganam as pessoas”, ressaltou. Bob Houghton, presidente da Redemtech, que recicla lixo eletrônico e integra o programa e-Stewards, diz que, “segundo meus cálculos, 90% das empresas enganam seus clientes”.

Muitas firmas proporcionam documentos a outras empresas ou governos locais alegando que o lixo eletrônico é processado de maneira segura, mas, na realidade, os enviam a países em desenvolvimento, afirmou Houghton. Quando a cidade norte-americana de Denver quis um reciclador de lixo eletrônico insistiu que este não deveria ter custo. Assim, sues aparelhos obsoletos terminaram na China, como demonstra o documentário do “Sixty Minutes”, disse Mike Wright, presidente do Guaranteed Recycling Experts, em Denver. “É impossível reciclar lixo eletrônico sem nenhum custo que não seja exortá-lo”, disse Writht à IPS.

Sua empresa não ganhou o contrato de Denver por essa razão, e é por isso que defende com firmeza o programa e-Stewards, que dá provas e garantias de que esses resíduos são manejados de maneira adequada. Westervelt disse que o programa será minuciosamente analisado ao longo de 2009 e que estará plenamente operacional em 2010. Enquanto isso, o público pode encontrar participantes no programa que se comprometam a cumprir sues rígidos padrões no e-stewards.org., afirmou

Na Europa, os fabricantes de aparelhos eletrônicos estão obrigados por lei a aceitar que seus compradores lhes entreguem seus produtos velhos para que façam uma reciclagem adequada. Embora nem Canadá nem Estados Unidos tenham uma lei semelhante, alguns fabricantes de televisores, como Sony, LG e Samsung, e vários de computadores, como Dell, Lenovo e Toshiba, pegam de volta seus produtos sem custo. Outras cobram uma tarifa. O custo de manejar e reciclar costuma superar o valor dos materiais recuperados, assim a maioria das empresas não quer aceitá-los de volta, disse Barbara Kyle, da Electronics TakeBack Coalition.

Existe a preocupação de que essas firmas que recebem seus produtos antigos simplesmente os despachem para países em desenvolvimento. “Estamos tentando fazer com que os fabricantes assinem um compromisso para agirem como se os Estados Unidos fossem parte da Convenção da Basiléia”, disse Puckett. Esse tratado, vigente desde 1992, foi criado especificamente para impedir transferências de lixo perigoso, entre eles os eletrônicos, de países industrializados para nações em desenvolvimento. Os Estados Unidos são um dos poucos países que não o assinou. “até agora, somente a Sony assinou o compromisso, mas esperamos que outros o façam logo”, disse Puckett. O ativista espera que o novo governo norte-americano, com Barack Obama, seja mais responsável e desperte essa mesma responsabilidade em outros países.

Fonte: Portal do Meio Ambiente